Posts em setembro de 2018 Central do Investidor

As pesquisas eleitorais e o mercado financeiro

25 de setembro de 2018 às 15:22 Por Postado em Blog do Renan

Começamos mais uma época eleitoral, com campanhas sendo intensificadas, candidatos definidos, propostas sendo apresentadas e uma série de pesquisas de intenção de votos sendo realizadas para que se consiga prever com um nível maior de assertividade quem poderá vir a ser o novo presidente do Brasil, e que rumos a nossa economia poderá tomar. Nesse contexto surge uma pergunta bastante importante, por que as pesquisas eleitorais têm tanto efeito nos mercados? O que posso fazer para proteger meus investimentos?

Essa eleição de 2018 talvez seja a mais importante que o país passará desde a democratização e o voto direto, digo isso pelo momento relevante em que passamos, com uma série de reformas necessárias (previdência, política, constitucional, tributária, dentre outras), com uma situação fiscal bastante complexa e com desafios bastantes complexos para o futuro. Além disto, vivemos um momento ímpar de polarização política, com a população sendo dividida praticamente em duas vertentes, os pró-PT e os anti-PT. De um lado, a proposta de aumento do estado, da revogação da reforma trabalhista, não realizar a reforma da previdência, realização de pacotes de obras – semelhante ao que foi o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deixou diversas obras inacabadas e um volume de recursos públicos mal aplicados exorbitante -, dentre outras propostas que não citam da onde virão os recursos para sua implementação e resolução dos problemas estruturais que a economia brasileira possui. De outro lado temos uma vertente que aparenta ser mais liberal, com proposição de reformas, redução do Estado, privatizações, atração de capital estrangeiro, além de buscar trazer segurança jurídica para os contratos brasileiro, algo que gera bastante receio por parte de investidores estrangeiros.

Para os investidores, no momento que sai uma pesquisa que coloca próxima a possibilidade de vitória de um candidato reformista e com viés pró-mercado, o mercado fica animado, haja vista a possibilidade de reaquecimento da atividade econômica, melhoria do ambiente de negócios, e antecipando uma potencial entrada de novos investimentos no país. Por outro lado, ao ver um candidato com o viés oposto, gera tensão, dificuldade de se prever os prováveis rumos que a economia poderá tomar. Uma boa metáfora é que o capital flui como a água, quanto menores barreiras, mais ele fluirá para um determinado lado, e quanto mais barreiras, menos o capital flui.

Voltando à temática das eleições e as pesquisas, elas nos trazem uma possibilidade, com certa segurança, de como será o quadro eleitoral nos próximos meses. Hoje, muitos bancos, fundos e outros atores do mercado financeiro brasileiro e globais, têm usado a tecnologia como aliado para tentar identificar de forma mais precisa os potenciais resultados. Por exemplo, usando de tecnologias de “Big Data Analytics” para mapear em redes sociais, notícias, etc., a probabilidade de voto em determinado candidato de acordo com comentários, postagens, etc.

Para os investidores mais sofisticados, essas ferramentas ajudam no desenho de uma carteira “ótima”, visando a maximização dos retornos e redução dos riscos. Por exemplo, ao vermos a possibilidade de um candidato de direita ser eleito, o mercado responde com altas, queda do dólar e maior propensão ao risco. Por outro lado, ao ver um candidato de esquerda, o mercado tem respondido com receio, com queda das bolsas e ações, aumento do dólar, ouro e outros ativos considerados mais seguros, justamente pelas incertezas e com a dificuldade de previsibilidade da economia.

O capital sempre busca maior previsibilidade, por isso, em momentos mais voláteis da economia, as ações de elétricas, saneamento, etc., são consideradas defensivas, pois são justamente as com resultados mais previsíveis. Neste sentido, a busca por visibilidade dos resultados eleitorais baseados em pesquisas acaba gerando bastante turbulência nos mercados.

Uma coisa é certa, pelo menos até outubro teremos um cenário de bastante volatilidade, com possibilidade vermos uma propensão ao risco maior no caso de um candidato de direita ser eleito, e com uma aversão ao risco similar à vista em 2002, na primeira eleição de Lula, quando o mesmo falava que não pagaria a dívida externa, que desfaria uma série de reformas recém implementadas, o que levou à um aumento expressivo do dólar e da taxa Selic (que teve que ser elevada a um dos patamares mais altos da história econômica brasileira para se tentar conter a subida do dólar). Cabe ao investidor contar com um assessor especializado para tentar mitigar os riscos de sua carteira, aplicando em ativos menos voláteis, apostando um pouco em ativos de maior risco, na expectativa de movimento mais bruscos do mercado – independente do lado, para cima ou para baixo.

Os brasileiros precisam dar a devida atenção ao cenário eleitoral e os prováveis futuros de nosso país. Essa com certeza será a eleição mais importante que passaremos desde a democratização e do voto direto.

O dólar subiu, como isso impacta a economia brasileira

18 de setembro de 2018 às 15:17 Por Postado em Blog do Renan

O dólar até agora em 2018 foi um dos melhores investimento do ano, tendo saído de patamares abaixo de R$3,20, tendo ultrapassado os R$4,21 em agosto. Hoje, 13 de setembro de 2018, o dólar é negociado em algumas casas de câmbio no patamar de R$4,40, enquanto no mercado futuro – contrato de dólar futuro negociado na B3 -, está sendo negociado na casa de R$4,20. O que causou essa alta do dólar em 2018? Como essa oscilação do dólar impacta a vida das pessoas? Para onde vai o dólar? Como posso proteger meus investimentos e eventuais despesas em dólar?

O Brasil e o mundo passam por um momento de bastante volatilidade no câmbio, com o dólar se valorizando perante outras moedas, e muitas pessoas pensam que isso não as afeta, e que a vida segue normalmente. Na verdade, o impacto dessa valorização do dólar nos mercados globais afeta uma imensidão de atividades econômicas, preços, custos, desde o custo de um frete internacional de insumos, até o preço final do pãozinho que compramos nas padarias de nosso bairro.

Essa dinâmica se dá pelo fato de diversos preços de produtos e serviços serem cotados em dólar no mercado internacional. Por exemplo, commodities, preços de frete, componentes eletrônicos, etc., quando importados ou exportados, são negociados em dólar. Trazendo para nossa realidade, o trigo que é usado para fazer o pão, é negociado em dólar. O petróleo, insumo da gasolina, também é negociado em dólar. A lógica é a seguinte. Se um dólar custava R$3,00, e o petróleo estava US$60/barril, eu precisava de R$180 para comprar um barril de petróleo. Agora, com o dólar sendo negociado a R$4,20, eu preciso R$248 para comprar o mesmo barril de petróleo, e essa variação de preços é repassada para o consumidor final.

No Brasil, exportamos commodities brutas, e importamos os produtos com valor agregado. Exemplo, exportamos petróleo e importamos gasolina. Exportamos minério e importamos aço, dentre outros produtos. Além disto, o fato de o câmbio ficar interessante para exportação, muitas empresas optam por vender seus produtos aos mercados externos em detrimento ao mercado nacional, o que gera menor oferta de produtos e consequente aumento nos preços. Nesse sentido, a oscilação cambial acaba afetando não só na importação, mas também os preços no mercado interno, fazendo com que até o pãozinho seja afetado pela variação do dólar. Com esse aumento de custos, diversas empresas passam a frear investimentos e contratações, pois tem que usar mais recursos para comprar insumos para sua produção, o que implica em uma desaceleração da economia e eventual aumento do desemprego. Outro fator importante é que diversas empresas brasileiras fizeram captações de recursos no exterior com cotação do dólar mais baixa, o que pode fazer com que sua capacidade de pagamento seja afetada, comprimindo seus lucros, capacidade de investimentos, reduzindo margens de lucro e gerando também uma redução nas contratações e novos investimentos na sua expansão.

Como causas para essa alta do dólar em 2018, eis alguns pontos que justificam. O aumento da taxa de juros nos EUA, que faz com que o retorno dos investimentos sejam maiores com um risco extremamente baixo, levando investidores a migrarem investimentos para ativos mais seguros. O provável fim dos ciclos de estímulos monetários na Europa e no Japão, que reduzem a oferta de moeda na economia e aumentam os custos de capital. O aumento das tensões comerciais entre EUA e China, e numa esfera local, a proximidade com as eleições e as incertezas políticas e futuro da economia brasileira, gerando uma aversão ao risco considerável, onde investidores buscam ativos mais seguros, e ativos líquidos, como moedas, ouro, títulos públicos americanos, ações de economias desenvolvidas, etc. Tudo isto fez com que o dólar saísse da casa dos R$3,20 em janeiro de 2018 para os atuais R$4,20 de setembro.

Nas últimas semanas muitos analistas passaram a rever suas projeções, com alguns bancos internacionais apostando que o dólar poderia alcançar o patamar de R$5,50 após as eleições, numa eventual vitória de um presidente contrário às reformas[1] necessárias à retomada do crescimento brasileiro. Como forma de proteção, tem-se visto um volume de aplicações em fundos cambiais vinculados ao dólar e/ou ao euro, compra de ativos internacionais, fundos multimercados que podem investir no exterior, e compra direta de dólar futuro.

Uma coisa é certa, os próximos meses prometem bastante volatilidade, principalmente no câmbio. A melhor opção é conversar com seu assessor financeiro para ver como proteger sua carteira e obter ganhos nessa volatilidade que o mercado parece impor nos próximos meses.

[1] Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/07/bank-of-america-projeta-dolar-em-r-550-depois-das-eleicoes.shtml>. Acessado em 13 de setembro de 2018