Posts em agosto de 2019 Central do Investidor

Grandes Investidores: Jesse Livermore, um dos maiores traders do mundo

31 de agosto de 2019 às 14:39 Por Postado em Blog do Eliseu

Quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Jesse Livermore – Biografia

Jesse Lauriston Livermore, esse é o nome completo de Jesse Livermore, um dos traders mais conhecidos no mundo, que acabou inclusive, tornando-se figura central de um dos livros mais lidos para traders: Reminiscências de um especulador financeiro.

Provavelmente esse é o grande investidor que mais chamou a minha atenção. Seja pela história, pela rapidez de fazer dinheiro (e perdê-lo), mas, principalmente pelos desafios que passou na vida, infelizmente terminando em algo trágico.

Jesse Lauriston Livermore, veio ao mundo em 26 de julho de 1877 e acabou falecendo em 28 de novembro de 1940. Ele foi um investidor americano, que fazia fortunas e também as perdeu em mais de 4 vezes. Nasceu em Shrewsbury, no Massachussets, em uma família pobre. Começou a ler, incentivado pela mãe, aos 3 anos e meio, e reza a lenda que leu muitos jornais, inclusive sobre investimentos. A sua primeira ação foi comprada com 14 anos de idade.

Logo mais, fugiu de casa aos 14 anos e com apenas US$ 5,00 no bolso para escapar da vida de fazendeiro, que era o que o pai queria que fizesse. Começou a trabalhar, escrevendo as cotações de ações em Boston.

Foi casado por três vezes e teve dois filhos. O primeiro casamento foi com 23 anos com uma esposa que conhecera apenas alguns dias antes. Após quedas no mercado de ações, ele pediu para a esposa que vendesse algumas jóias que ele havia dado-lhe, mas ela se recusou, vindo a causar um desgaste na relação levando ao fim posteriormente.

Carreira de investimentos 

Começou a fazer trades de commodities, deixando o trabalho anterior, já que ganhava mais e passou a ser trader com dedicação total. Chegou a ser proibido de negociar, eis que ganhava consistentemente e atraía curiosos, muitos pensando que era insider e que tinha informações privilegiadas. Em certo momento, ganhou mais de US$ 10 mil (o que para época, era muito dinheiro) e acreditou que Wall Street era o seu caminho.

O primeiro grande investimento veio aos 24 anos, em 1901, em que transformou US$ 10 mil em US$ 50 mil em pouco tempo.

Livermore ganhou reputação de um bom trader por uma série de bons resultados, sendo lembrado na sua época como o maior trader que já existiu. Um dos exemplos desses trades, foi a venda de Union Pacific, vendendo uma posição nessas ações em grande quantidade, um dia antes de um terremoto que dizimou San Francisco, em 18 de abril de 1906. Nesse trade ele fez cerca de US$ 250 mil, quando San Francisco foi destruída. Estas decisões, muitas vezes intuitivas, quase sempre resultaram em grandes lucros, eram um mistério para muitos e inclusive para Livermore.

Em 1907, acabou perdendo sua fortuna, devido a erros em trades de algodão, levando-o a pedir falência, sendo que acabou fazendo acordos com credores posteriormente, possibilitando-o retornar aos trades e aos lucros.

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1919, acabou ganhando muito dinheiro com algodão. Ele sentiu que a demanda iria diminuir aos poucos e que depois recuperaria-se com o tempo. Secretamente, começou a comprar algodão, comprando tudo o que pudesse, parando apenas quando o Presidente Wilson  junto com o Secretário da Agricultura, indagou-lhe sobre o movimento, o que fez com que parasse, prometendo vender de volta a grande quantidade de algodão que tinha comprado pelo preço de “break even” ou preço de custo. Perguntado sobre porque quase comprou toda a quantidade de algodão disponível, respondeu que foi “para ver se eu conseguiria!”.

Terça-Feira Negra e o gráfico da Dow Jones nos anos 20 e 30, mostrando a amplitude da alta e queda

Possivelmente o maior trade de Livermore e mais conhecido foi durante o crash de 1929. Entrou vendido pesadamente antes do mercado despencar, usando mais de 100 corretores de ações para esconder o que ele estava fazendo. Quando o crash veio ele tinha cerca de US$ 100 milhões líquidos vendidos no mercado, mostrando ao mercado e em notícias de jornais que ele era o Grande Urso de Wall Street (a simbologia do urso é usada pelo fato de que o urso ataca de cima para baixo com suas garras e mostra uma visão de que o mercado tende a cair), sendo responsabilizado pessoalmente por parte do crash, o que ele acaba dando risada e achava ridículo na época.

Cabe lembrar que nos anos 20, o mercado estava crescendo exponencialmente, atingindo o topo em agosto de 1929. No dia 29 de outubro de 1929, Dia conhecido como Terça-Feira Negra, bilhões de dólares foram perdidos, destruindo milhares de investidores, exceto por Livermore, que saiu bilionário em valores atuais.

Uma curiosidade é que quando a esposa de Jesse Livermore ouviu sobre o crash, falou para todos os funcionários da casa para esconder os móveis para o estábulo. Quando Livermore chegou em casa, encontrou a  casa totalmente sem móveis e ficou surpreso. A esposa posteriormente comentou que tinha movido tudo para fora, porque ela tinha certeza que eles tinham perdido todo o dinheiro. Ele acalmou a esposa, mencionando que tinham feito muito dinheiro, tanto dinheiro quanto nunca antes, sendo mais de US$ 100 milhões para a época.

Cabe salientar que os US$ 100 milhões da época do Crash de 1929, equivalem hoje a US$ 1,429 bilhões, sendo uma das maiores quantias que qualquer trader fez em curto espaço de tempo.

Durante o mesmo ano de 1929, acabou novamente perdendo sua fortuna e veio o segundo divórcio, deixando-o abalado e impossibilitando-o de operar com o mesmo sucesso de outrora. Acabou em 07 de março de 1934 sendo suspenso de operar como membro da Bolsa de Chicago.

Em novembro de 1940, Jesse Livermore, após o terceiro casamento, acabou por dar um fim à própria vida, com um tiro na cabeça. Ele deixou um bilhete para a esposa Harriet, de quem chamava por “Nina”,  “Minha querida Nina: você não pode ajudar nisso. As coisas têm sido difíceis para mim. Estou cansado de lutar. Não posso mais carregar isso e essa é a única solução. Não sou digno do seu amor. Sou uma falha. Eu realmente sinto muito, mas essa é a única saída. Com amor Lauri”.

Foto tirada 24 horas antes do falecimento de Jesse Livermore

No momento da morte, Jesse Lauriston Livermore tinha uma fortuna avaliada em US$ 5 milhões ou equivalente a U$$ 87.330.000,00 milhões nos dias atuais.

Pensamentos sobre trades

Os princípios de trades que Livermore estabeleceu continuam a ser estudados e absorvido pelos traders, principalmente os aspectos emocionais. Suas crenças incluíam sempre seguir a tendência e estudar profundamente as condições de mercado. Sempre construía posições grandes quando o mercado confirmava suas idéias e a direção que ele esperava. Tinha habilidades para esperar fora do mercado quando as condições não eram propícias

Dizia que o jogo da especulação era fascinante, mas que não era para pessoas mentalmente preguiçosas, com equilíbrio emocional fraco ou para aventureiros que queriam riquezas rapidamente e que essas pessoas morreriam pobres.

Algumas das anotações do Livro de Jesse Livermore

Seguem algumas de suas ideias principais:

1 – Não há de novo em Wall Street. O que acontece no mercado de ações hoje, tem acontecido antes e vai acontecer novamente.

2- Compre ações que estão subindo e venda ações que estão caindo, sobre seguir a tendência.

3- Não negocie todo dia do ano. Espere pela oportunidade correta.

4- Continue com trades que dêem lucro e finalize trades que mostrem perdas.

5- Tente não fazer preço médio para baixo, comprando mais ações que estão caindo.

6 – Mercados raramente estão errados. Opiniões sim.

7- Nunca venda uma ação apenas porque parece que o preço subiu muito.

8 – o lado humano e emocional de cada pessoa é o maior inimigo da maioria dos investidores ou especuladores.

9 – grandes movimentos demandam tempo para acontecer.

10 – muito mais fácil cuidar algumas ações do que várias.

 

Um grande abraço,

Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/08/31/jesse-livermore-o-maior-trader-do-mundo/

Grandes Investidores: John Templeton, um dos primeiros a investir globalmente

22 de agosto de 2019 às 14:07 Por Postado em Blog do Eliseu

Quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

John Templeton– Biografia

Sir John Marks Templeton nasceu em Winchester, no Tennesse, onde estudou na Yale University, umas das melhores do mundo, pagando a Universidade através do jogo de poker, na qual mencionam que ele jogava muito bem. Se formou em 1934, sendo um dos melhores da turma, e logo após cursou um Mestrado em Direito, na Balliol College, na Universidade de Oxford.

Nasceu em 29 de dezembro de 1912 e faleceu em 8 de julho de 2008, antes da grande crise. Apesar de nascer americano, abdicou da nacionalidade americana, morando em Bahamas e optando pela nacionalidade britânica, quando vendeu sua empresa.. Qual o motivo disso? Logicamente pagar menos impostos e direcionar parte para a filantropia. Foi um investidor, banqueiro, gestor de fundo e o principal, um filantropista.

Com 42 anos acabou criando o Templeton Growth Fund, sendo nomeado pela Revista Money, um dos “maiores stock pickers do século”.

Ele é um CFA, tendo adquirido a certificação em 1991, com 78 anos.

Alinhando a mentalidade de investidor de valor, buscava também poupar: ele e esposa poupavam 50% da renda de ambos.

Sir Templeton focava muito na busca por felicidade, religião, evolução e no conhecimento, criando em 1972 o maior prêmio anual do mundo, o Prêmio Templeton, para pessoas que tenham contribuído a entender melhor a dimensão espiritual da vida. O valor do prêmio é de 1 milhão de libras, sendo maior inclusive que o Prêmio Nobel, com a justificativa de que Templeton queria mostrar que a busca por maior entendimento espiritual não deve ser menos valorizado que área do empreendimento humano.

Diferenciava-se dos grandes investidores por ter uma grande preocupação com a parte mental do investimento, procurando controlar a ansiedade, permanecendo disciplinado e com alto astral.

Era muito humilde e inclusive tem um livro sobre isso, “Be Humble”, assim como outros diversos livros procurando levar em conta o sucesso, pensamento positivo, busca por felicidade.

Dirigia o próprio carro, nunca voou de primeira classe e viveu por muito tempo nas Bahamas, abdicando da nacionalidade americana para pagar menos impostos e direcionar esse valor para a caridade.

Em 1987 criou a Fundação Templeton, focando na filantropia, doando mais de US$ 1 bilhão.

Carreira de investimentos

Templeton fez seu primeiro investimento no auge do pessimismo, comprando ações pouco antes da Segunda Guerra Mundial em 1934. Seu primeiro investimento se mostrou uma aposta agressiva, ele comprou 100 ações de cada companhia listada da NYSE que estava sendo cotada a menos de US$ 1 (US$ 18 atualizados para os valores atuais). Dessas, 34 se encontravam com pedido de recuperação judicial. Ele investiu cerca de US$ 40 mil sendo U$ 10 mil emprestados (uma das primeiras vezes que ele fez isso na vida). Esses primeiros investimentos renderam cerca de 400% em 5 anos e ajudaram-o a tornar-se um homem rico.

Ele é considerado um dos primeiros investidores globais, tornando-se bilionário após criar a Templeton Growth Fund, em 1954 – este foi um dos primeiros fundos a investir no Japão. Em 1959 a Templeton tornou-se pública, com 5 fundos e mais de US$ 66 milhões em ativos sob administração.

US$ 10 mil investidos em 1954, no Templeton Growth Fund Classe A, equivaleriam a US$ 2 milhões em 1992, quando vendeu a Empresa para o Franklin Group, tornando-se Franklin Templeton. Desde 1954 até 1992, teve uma média de retorno de 14,7% anual contra 10% de média de outros fundos. Mencionava que o momento de máximo pessimismo é o melhor para comprar e o momento de máximo otimismo é o melhor para vender.

Retorno do Fundo Templeton Growth comparando com o SP500

Investimento em valor é uma filosofia de vida 

Templeton é considerado por muitos como um caçador de barganhas, pois buscava comprar ações com preços abaixo do seu valor intrínseco… ações vendidas abaixo do valor de ativos que elas possuíam, devido à condições momentâneas de mercado. Uma vez que as encontrava, ele mantinha tais ações por anos – no Fundo de Templeton, a média de uma ação na sua carteira era de 6 a 7 anos.

Outro princípio de Templeton para performar melhor que a maioria dos investidores era fazer o que esses investidores não estavam fazendo, ou seja, ser um contrarian.

A famosa frase “desta vez é diferente”, atribuída à Warren Buffett, na verdade é de John Templeton. Um dos exemplos dessa frase na prática, foi a “bolha ponto com” em que analistas diziam que medidas fundamentalistas como receitas e lucros não eram mais drivers importantes para o preço das ações. Não é necessário comentar o que aconteceu não é mesmo?

Outro exemplo do seu pensamento contrarian se deu em 1979. Na época a Revista Business Week publicou uma capa comentando sobre a “Morte dos investimentos em ações”, após quase uma década com o mercado andando de lado. Na época, a alta inflação dilacerou os retornos reais do investimento em ações. Como consequência foi permitido aos fundos de pensão investirem em ativos reais e não apenas em ações e bonds. Templeton entendeu isso como o auge do pessimismo. Ele viu o valuation da Dow Jones, negociada a 6,8x lucros anuais, um dos recordes de negociação mais baixos da história. Juntando outros dados fundamentalistas, viu que o Preço-Valor Patrimonial médio, estava abaixo do valore de 1929, a grande crise americana. Ele aproveitou-se disso e investiu em ações.

Templeton acreditava que para encontrar boas empresas para se investir não existe uma fórmula simples e que mais de 100 fatores podem ser considerados. Entretanto, ele focava em 4 critérios muito importantes:

1 – A relação Preço pago pelo lucro que a ação proporciona.

2 – Margem operacional do negócio.

3 – Valor de liquidação da empresa investida.

4 – Consistência da taxa de crescimento.

Era um investidor em valor e rejeitava a análise técnica, preferindo usar a análise fundamentalista.

Um profundo investidor em valor, gostava de comprar quando havia “sangue nas ruas”, assim como vender quando as expectativas e o humor estava em alta. Alguns dizem que em 2005, escreveu um memorando prevendo que em 5 anos haveria uma crise com grande caos no mundo, ocorrendo em 2010.

John Templeton, falando para o público

Um dos pioneiros no investimento global

Como mencionado anteriormente, Templeton usou o seu Fundo para mostrar aos americanos o valor de investir globalmente. Até o tempo que ele começou a fazer isso, poucos americanos pensavam em investir em mercados do exterior. Ele se interessava por países que tinham um mercado mais aberto não apenas porque estavam baratos e tentava evitar países que tinham o socialismo e a inflação.

 

Frases…

The four most dangerous words in investing are ” This Time is Different”. Achou que essa frase era do Warren Buffett? Pois saiba que não!

“You must be a fundamentalist to be really successful in the market.”

“Invest at the point of maximum pessimism.”

 

Um grande abraço,

Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/08/22/grandes-investidores-john-templeton-um-dos-primeiros-a-investir-globalmente/

Grandes Investidores: Bill Gross, o Rei dos Bonds

15 de agosto de 2019 às 13:58 Por Postado em Blog do Eliseu

Quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Bill Gross – Biografia

William Hunt Gross, nasceu no dia 13 de abril de 1944, em Middletown, Ohio. Estudou na Duke University, uma das melhores universidades do mundo, em 1966, em psicologia. Foi para os Seals, espécie de esquadrão de elite para operações especiais dos EUA, entre 1966 e 1969. Também teve um MBA pela Universidade da Califórnia (UCLA).

Trabalhou nas mesas de blackjack, contando cartas, cerca de 16 horas por dia. Menciona que dessa época aprendeu lições que ele aplicou nos investimentos: usar muita alavancagem e ter muito débito irá fazer com que o castelo de cartas da vida, desmorone. Jogando em Las Vegas, transformou US$ 2 mil em US$ 10 mil, após quatro meses. Bill Ross menciona que foi importante esse tempo eis que aprendeu a lidar com risco, pensar rápido e isso deu-lhe um instinto aguçado para a matemática e investimentos.

O Fundo de Bill Ross, Pimco Total Return Fund, que ele fundou em 1987, transformou-se em um dos fundos com mais dinheiro do mundo e em 2010, a Morningstar nomeou Gross como o “Investidor da década”. Tem uma riqueza pessoal de cerca de US$ 1,5 bilhão.

O que ele fez? 

É considerado como um dos gestores que mais fez dinheiro para outras pessoas. Foi considerado um bom trader, um ótimo analista e um bom vendedor, capaz de passar ideias complexas de maneira simples e acessível.

Fundou em 1971, com US$ 12 milhões em ativos, a Pacific Investment Management Co (PIMCO) que tinha cerca de US$ 2 trilhões como um todo, sendo o maior do mundo e o Fundo que ele geria o Total Return Fund, com US$ 270 bilhões, antes dele sair em 2014 para juntar-se a Janus Capital Group, na qual se aposentou em fevereiro de 2019, após 5 anos de retornos menores que os de benchmarks, o que nada lembrava os retornos excelentes da PIMCO.

Administrar fundos de renda é tanto ou mais complexo que investir em ações. Algumas dos conhecimentos necessários envolvem riscos de crédito, ratings, yelds, maturities, durations e medidas de risco, como VaR e outras. Quanto mais longa a duration de um título, maior tenderá ser a volatilidade causada quando as taxas mudam. Gross tomava vantagem disso, aproveitando dúvidas nas direções das taxas de juros, inflação e outras variáveis que afetam os bonds ou ativos.

Retornos em 30 anos de Bill Gross

Vida Pós Pimco? 

Ninguém teve retornos melhores que o Rei dos Bonds, pois o Fundo que ele cuidava, teve retornos por um longo período de tempo, benchmark esse representado pelo Bloomberg Barclays US Aggregate Bond Index, ganhando cerca de 1% a mais de retorno anual, durante junho de 1987 até setembro de 2014, sendo esse 1% uma margem altíssima para um bond que não seja de mercados emergentes. O melhor de tudo é que Bill Gross obteve esses retornos com apenas um pouco mais de risco, risco esse medido pelo desvio padrão, onde foi de 4,3% contra 3,9% do benchmark.

Consistência era outra qualidade de Gross como gestor. Ele teve retornos maiores em todos as janelas de tempo de 10 anos e nunca com retorno menor que 0,5% por ano. Na melhor década, Bill Gross teve retorno melhor que 1,6% a mais que os melhores gestores em qualquer classe de bonds.

Uma pena que após sair da PIMCO, acabou não possuindo retornos maiores que o benchmark nos 4 anos seguintes, sendo que alguns apontam que ele mudou alguns parâmetros de risco, como por exemplo, alocar mais de 2% em cada emissor de bond, o que ele não fazia nos tempos de PIMCO.

Retornos Bill Gross, após sair da PIMCO, perdendo do benchmark com retornos de 1,5% contra 9,2% (Setembro 2014-janeiro 2019)

 

Um grande abraço,

Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/08/15/grandes-investidores-bill-gross-o-rei-dos-bonds/

Sanepar (SAPR11): custos operacionais e dívida líquida aumentando

15 de agosto de 2019 às 13:46 Por Postado em Blog do Eliseu

Highlights principais

Dia 12 de agosto foram divulgados os resultados de Sanepar. Acredito que números vieram aquém do esperado.

– Lucro líquido caiu -8,3%, saindo de R$ 253 milhões para R$ 232 milhões

– Receita Líquida aumentou +7,8%, indo para R$ 1,099 bilhão, saindo de R$ 1,019 bilhão

– Dívida Líquida aumentou 17,6%

– Margens diminuíram

– Índice de água tratada foi de 100% e cobertura de coleta de esgoto de 73%

– No 2T19 faturaram menos com água tratada que foi de 127,9 mm3 contra 130,3 mm3 no 2T18 devido ao volume de chuba maior, o que diminui o consumo de água, segundo a Empresa.

A receita operacional bruta cresceu 7,5%, passando de R$1.098,7 milhões no 2T18 para R$1.181,4 milhões no 2T19, este crescimento decorre do Reajuste Tarifário Anual – IRT de 5,12% em 2018, impactando integralmente em 2019, do Reajuste Tarifário Anual – IRT de 8,37%, que começou a vigorar em 24/05/2019 e da ampliação dos serviços de água e esgoto e do aumento no número de ligações.

Custos aumentaram em 13,8%, principalmente ao aumento de materiais, energia elétrica e Fundo Municipal de Saneamento e Gestão Ambiental.

O EBITDA no 2T19, que representa o resultado operacional da Companhia, foi de R$402,2 milhões, contra R$400,1 milhões no 2T18. A margem EBITDA passou de 39,2% para 36,6%. Esse desempenho ocorreu pelo crescimento de 12,5% dos custos e despesas que impactam o EBITDA, em contrapartida a receita líquida aumentou 7,8%. A geração de caixa operacional no 2T19 foi de R$382,8 milhões, crescimento de 17,2% em relação ao 2T18. A Conversão do EBITDA em Caixa Operacional foi de 95,2%.

Regulação

Empresa foi autorizada a aplicar o índice de reposicionamento tarifário de 25,63% a partir de 17 de abril, sendo que isso será diferido em 8 (oito) anos, sendo que a primeira parcela corresponderá, no ano de 2017, a um reposicionamento médio de 8,53% (oito virgula cinquenta e três por cento), e as demais em 7 (sete) parcelas de 2,11% (dois virgula onze por cento).

A estimativa do valor a receber decorrente da diferença entre a Receita Requerida e a Receita Verificada, tem como melhor estimatica R$1,159 bilhão. Em termos reais, do índice 25,63% a ser reposicionado em 2017, integrou a tarifa da Companhia 13,16%, restando ainda 11,02% a ser diferido até 2024.

Reajuste tarifário

Reajuste Tarifário O Conselho Diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná – AGEPAR homologou em 16 de abril de 2019, por meio da Resolução Homologatória nº 006/2019, o Reajuste Tarifário Anual – IRT de 12,12944% sobre os serviços prestados a ser aplicado a partir de 17 de maio de 2019 e aprovou também a aplicação da Tabela de Tarifas de Saneamento. Em decorrência da homologação parcial da medida cautelar deferida por meio da decisão monocrática materializada no Despacho 478/19-GCFAMG, face a tomada de contas extraordinária do Tribunal de Contas do Estado do Paraná – TCE (Processo nº 312857/19), o reajuste homologado pela AGEPAR está sendo aplicado parcialmente em 8,37135% (oito inteiros e trinta e sete mil, cento e trinta e cinco centésimos de milésimos), pró rata die a partir de 24 de maio de 2019.

Pagamento de Juros sob capital próprio

Provavelmente serão pagos mais juros sob capital próprio durante o ano, o que pode chegar a cerca de 6,5%, pela cotação atual, caso Empresa mantenha o histórico de pagamentos.

 MEU OUTLOOK PARA SANEPAR

Verificando o case, a Companhia está negociando a cerca de 8,3x lucros anuais e 5,6x Ebitda. As despesas operacionais aumentaram bastante o que acende um sinal amarelo. Como parte positiva, mas que ainda contêm riscos, é fazer valer o reajuste tarifário, eis que ainda não está totalmente em vigor, o que pode ser um trigger para a Empresa, que sofre sob a ótica de regulação estatal e desconto nos preços de suas ações.

Abraços, 

Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/08/15/sanepar-sapr4-custos-operacionais-e-divida-liquida-aumentando/

Grandes Investidores: John Bogle, o criador dos fundos passivos

08 de agosto de 2019 às 13:38 Por Postado em Blog do Eliseu

Quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

John Bogle – Biografia

John Bogle Carl Icahn, nasceu em  nasceu em Montclair, New Jersey, em 8 de maio de 1929, falecendo em 16 de janeiro de 2019, sendo um filantropista, dono de negócios e investidor.

Ele foi considerado o “pai dos index funds” ou fundos passivos, sendo considerado o primeiro a criar um fundo indexado.

Passou pela Grande Depressão de 29 e viu sua família também sofrer…Seu pai teve que vender a casa da família, acabou por separar-se da mãe dele, e acabou caindo no alcoolismo. Apesar dos pesares, ele e o irmão foram para a excelente universidade de Princeton University onde estudaram economia e investimentos, focando nos fundos mútuos (espécie de fundos multimercados do Brasil). Sua tese de doutorado focou no papel econômico de empresas de investimentos.

A Fortune nomeou ele como um dos 4 maiores investidores do Século XX. Enfrentou vários problemas com sua saúde, principalmente o coração e ao redor dos 45 anos foi diagnosticado com pouco tempo de vida.

Tinha um patrimônio de US$ 180 milhões quando faleceu, em 2019.

Era conhecido por ser muito ético e ser um crítico do que acontecia em Wall Street.

O que ele fez? 

Fundou a Vanguard em 1975, com “apenas” US$ 1,8 bilhões de ativos sob gestão (asset under management). Lançaram seu primeiro fundo de índice (index fund – fundo que segue um índice e não uma gestão ativa) em 1976. No início ele foi ridicularizado por escolher seguir o mercado ao invés de bate-lo como os fundos da época.

Sua tese era bem simples! Já que a maioria dos investidores não obtém retorno acima da média do mercado o objetivo dos fundos é acompanhar o mercado com o mínimo de custo possível! Demorou anos mas sua estratégia passiva se mostrou acertada.

Fundo Vanguard Index é um dos que mais chegam perto do retorno de mercado devido ao baixo custo.

Principais pensamentos sobre investimentos

Focava nos custos baixos ao investir, preferindo fundos passivos que fundos ativos e custos mais altos. Dizia que a diferença para ele entre investir e especular estava no horizonte de tempo, sendo que investir é tentar capturar retornos no longo prazo com menor risco, enquanto que especular é se preocupar em atingir retornos em um curto período de tempo.

Focava e insistia na superioridade dos fundos indexados comparados com os fundos mútuos ativos e que a maioria dos investidores não deve perder tempo querendo bater o mercado pois isso é muito difícil para a maioria dos mortais, focando na simplicidade e no senso comum.

Percentual de fundos ativos que falham em bater a média do mercado.

Segundo Bogle, há 8 regras básicas para os investidores:

  1. Selecione os fundos que tenham os menores custos;
  2. Considere com cuidado os custos de assessoria, só pague por aquilo que de fato gere valor para você ou no caso dessa assessoria apresentar retornos acima do mercado;
  3. Não superestime o retorno passado do fundo, passado não é certeza que irá acontecer o mesmo no futuro;
  4. Ao mesmo tempo, use o passado para determinar consistência e o risco;
  5. Cuide com as estrelas (por estrelas, entende-se os gestores famosos ou fundos famosos);
  6. Cuide do tamanho do fundo (quanto maior, mais difícil o retorno, pois fundo perde “mobilidade”);
  7. Não tenha muitos fundos;
  8. Compre seu portfólio de fundo e mantenha por um bom tempo.

Um grande abraço,

Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/08/08/grandes-investidores-john-bogle-o-criador-dos-fundos-passivos/

Grandes Investidores: Warren Buffett, o oráculo de Omaha

04 de agosto de 2019 às 13:26 Por Postado em Blog do Eliseu

Quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Warren Buffett  – Biografia

Como não falar de Warren Buffett ? O investidor mais conhecido de nosso tempo. Como vimos em artigos anteriores dessa série, outros investidores até tiveram retornos melhores que Warren Buffett, porém ele é de longe, o mais comentado e lembrado. Isso provavelmente ocorre, porque foi o que mais usou alavancagem (usando o float da Berkshire para fazer aquisições) e o mais mostrou-se carismático entre os grandes investidores, passando uma postura mais humilde e sempre ensinando o que aprendia, junto com um investidor amigo seu e um dos mais inteligentes do mundo, Charlie Munger, o qual já teve sua história comentada anteriormente por mim.

Warren Edward Buffet nasceu em 30 de março de 1930, filho de um corretor de ações que tornou-se Senador e de uma dona de casa. Desde jovem já tinha o DNA de empreendedor e investidor, recolhendo garrafas de refrigerante nas ruas,  e vendendo-as. Sempre teve um perfil de fazedor de dinheiro, inclusive tendo a ideia de vender bola de golfe manufaturadas, realizando a sua primeira declaração de imposto de renda com 14 anos, mencionando que a bicicleta e o relógio que ele tinha, eram importantes para o seu negócio e com isso, ganhando uma dedução de US$ 35, o que demonstra a inteligência de Warren Buffett com a contabilidade.

Reza a lenda que em 1945 ele e um amigo compraram uma máquina de Pinball e fizeram um acordo com um barbeiro local, deixando um percentual do ganho para o barbeiro em troca de deixar a máquina lá. Em pouco tempo, eram donos de várias máquinas em outras lojas.

Começou seus estudos na Universidade da Pensilvânia, aos 17 anos, sendo transferido 2 anos após para a Universidade do Nebraska, terminando o Curso de Administração aos 19 anos. Logo após ler um livro de Benjamin Graham, quis fazer a Escola de Negócios Colúmbia, sendo aluno de Benjamin Graham e de David Dodd, dois dos maiores investidores da história e autores dos livros “Security Analyses” (sem tradução no Brasil) e o clássico “O Investidor Inteligente”.

Apesar de ter doado aproximadamente US$ 30 bilhões, ainda é um dos mais ricos do mundo com US$ 84,2 bilhões de riqueza pessoal.

Visita a Omaha. 

Este ano tive a oportunidade de visitar o evento mais importante do mundo para qualquer Value Investor ou amante da filosofia de investimentos de Warren Buffet.  Estou falando do evento de acionistas da Berkshire Hathaway, do Warren Buffett, que reuniu mais de 40 mil investidores em Omaha, Nebraska, em maio de 2019 Realmente uma experiência única que recomendo!

Eu e Susan Buffett, filha de Warren Buffett

Estilo de investimento

Warren Buffett menciona que é 85% Benjamin Graham e 15% Phil Fisher. Warren Buffett foca principalmente em valor intrínseco, termo derivado de Benjamin Graham e que significa que é a soma dos seus ativos e dos lucros trazidos a valor presente.

A carteira atual de investimentos de Warren tem a Apple como maior investida, com 23,70%, seguida do Bank of America com 12,39%, Wells Fargo com 9,92% e Coca-Cola com 9,39%. Seguem abaixo as empresas investidas:

Principais pensamentos nos investimentos

Ao analisar empresas para ser investidas, Warren Buffett tem uma especial atenção quanto aos seguintes itens:

  • Ao investir,  começa dando uma atenção especial para o demonstrativo de resultados, no resultado das empresas. Ele considera a fonte do lucro e como a empresa chegou até aquele resultado, mais importante até do que o próprio lucro em si;
  • Outra característica é buscar altas margens de lucro bruto no negócio, considerando empresas que tenham altas margens ao longo dos anos, como uma vantagem competitiva;
  • Um  dos cuidados são as altas despesas administrativas, altos custos para pesquisar algum novo item ou serviço, altas despesas com vendas, administrativas e assim como altos custos com juros sobre dívida;
  • Ele dá uma atenção especial aos altos custos de pesquisa, altos juros sobre dívida, evita despesas de vendas e administrativas altas;
  • Na parte contábil, sobre depreciação, procura empresas com custo de depreciação mais baixo que outras empresas;
  • Ele retira eventos não recorrentes do resultado, por exemplo, a venda de um imóvel com lucro, se a venda de imóveis não for algo do business normal da empresa;
  • Buffett sempre levou em consideração o lucro operacional de uma empresa, antes dos impostos – EBITDA;
  • Sempre analisar balanços e resultados doss últimos 7 anos;
  • Se o produto que empresa vende, é um produto que não exige muita tecnologia para não tornar-se obsoleto, não sendo necessário investimentos altos em tecnologia, como por exemplo, a goma de mascar wrigley – (chicletes, são tradicionais, não precisam de grandes investimentos para mudança no produto), além disso, a fábrica da Wrigley, tem menos custo, menos depreciação, pois não há necessidade de mudança nos equipamentos dela, já que a goma de mascar, não exige uma tecnologia alta.
  • Quanto a dívidas de longo prazo: empresas com vantagem competitiva têm pouca dívida no longo prazo;
  • Nas aquisições de buffett: o lucro líquido anual da empresa adquirida, deve pagar dívidas com o lucro de 3 ou 4 anos;
  • Ele procura empresas que tenham uma alta geração de lucro para financiar as próprias operações;

No aspecto de lucro, ele procura três itens:

  1. Se o lucro está mostrando tendência histórica de alta;
  2. Se o percentual do lucro liquido é alto;
  3. No setor bancário, a margem líquida alta em bancos é desleixo – se essa margem alta for resultado de uma diminuição de Provisão para Devedores Duvidosos – PDD (quantia que os bancos deixam em “separado” no balanço, como uma forma de proteção contra pessoas que não os pagarão) e, se está emprestando com mais risco;

Como Buffett determina o que vender:

  1. Precisa vender para comprar algo melhor;
  2. Quando empresa perde vantagem competitiva durável: por exemplo, quando foram jornais substituídos por internet, ocorreu uma mudança drástica no setor.

 

Um grande abraço,

Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/08/04/warren-buffett-o-oraculo-de-omaha/