Posts em outubro de 2020 Central do Investidor

Investidores precisam acostumar-se cada vez mais com a volatilidade

26 de outubro de 2020 às 16:15 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor

Que 2020 está sendo um ano desafiador todos sabemos, mas o que mais chama atenção é a volatilidade do mercado acionário mundial. Em certo momento do Ibovespa chegamos a ter uma queda de – 46% e em torno de 6 meses recuperamos grande parte indo para uma queda muito menor, de -13% em 2020. O investidor que acertou o fundo nos 61 mil pontos, está com um retorno de mais de 60% em 6 meses, porém, convenhamos isso é muito difícil de conseguir-se.

No S&P 500 a volatilidade foi maior ainda, estamos com uma alta de 8% no ano e no momento de maior queda atingiu-se 30% do ponto onde terminamos 2019.  Já a Bolsa de tecnologia Nasdaq 100 chegou a ter retornos de 43% no ano, caiu para -20% em certo período e atualmente está com 35% de ganhos em 2020. Outro Índice americano, o Russell 2000 Small Cap está subindo 2% em 2020 e chegou a cair 40% nos piores períodos.

Esse cenário de volatilidade no mercado acionário vem ocorrendo ao redor do globo, deve ser algo que tende a continuar nos próximos anos, dado o cenário de incentivos por parte dos bancos centrais mundiais e as baixíssimas taxas de juros que devem continuar na Europa e nos Eua, sendo assim, o investidor deve acostumar-se com essa nova realidade caso queira ter retornos com os investimentos.

Em recente relatório do JP Morgan, que compara uma das maiores volatilidades, estamos em um ano que fica clara a volatilidade em 2020, onde saímos de uma queda de -34% para uma alta de 4% no S&P500, conseguimos verificar de forma mais clara abaixo, comparando com anos anteriores:

Nesse mês de outubro, precisamente no dia 19 de outubro de 1987, ocorreu a maior queda em apenas um dia na história do mercado norte-americano, sendo essa queda de 22% em apenas um dia!!! Olhe o ano de 2020, o S&P500 chegou a cair 34% em março e agora o mercado está com alta de 4% de alta, muito similar ao fatídico ano de 1987, que marcou o cenário mundial, sendo conhecido como o “Black Monday”.

Analisar dados e estudá-los é o que nos faz crescer e evoluir como investidores. Em 23 de 41 anos tivemos correção acima de dois-dígitos dentro de um ano. Em 12 de 23 anos, o mercado terminou em território positivo e em 8 de 23 anos, o mercado acionário terminou o ano com mais de dois-dígitos de ganhos. Há uma grande chance, como eu comentei, que essa enorme diferença entre ganhos e perdas ocorridas nesse ano, continuar para os próximos anos.  Com taxas de juros mais baixas, há uma clara de tendência do investidor tomar risco busando maiores retornos e o Banco Central Americano, Fed, está ajudando nisso mais do que nunca. Temos milhões de investidores que não apenas querem, mas precisam de retornos maiores para o seu capital, incluindo aposentados que não pouparam o suficiente para a aposentadoria e fundos de pensão sem capital suficiente para honrar as obrigações deles.

Todos esses fatores tendem a mudar a maneira que alocaremos o capital nos próximos anos e não apenas no mercado acionário os investidores irão precisar acostumar-se com a volatilidade, mas os investidores em bonds (a renda fixa dos americanos) também. Como exemplo, posso citar o Bloommberg Barclays Aggregate Bond Index, que é um bom indício para o mercado de bonds, que está com um yeld anual de 1,2% e uma duration de 6 anos, significando que teremos uma expectativa de retorno de 1,2% anualmente pelos próximos 6 anos. Isso também pode significar que 1% de alta nas taxas de juros, podemos esperar uma expectativa de 6% de queda. Outro índice, o 20+ Year Treasury Bond ETF (TLT) tem um yeld de 1,3% com uma duration de 19 years. Isso significa também que a cada 1% de aumento na taxa de juros, poderá levar a uma perda de 19%.

Como podemos ver, se os retornos de longo prazo dos bonds estão próximos das baixas taxas de juros, o investidor que não está contente, poderá procurar outras opções com retornos maiores, como os investimentos conhecidos como high yelds e investimetnos alternativos empresas e mercados emergentes:

fonte: Ycharts

Só o investidor tem que ter cuidado que ao buscar retornos maiores, há também uma chance maior de perda nesses fundos. Essas são as maiores quedas em títulos de dívida corporative, jun bonds, bonds de mercados emergentes (incluindo o Brasil), ações preferenciais (as PNs do Brasil) e REITs (os fundos imobiliários americanos):

fonte: Ycharts

Podemos notar perdas entre 20% a 42% nos investimentos com riscos maiores, sendo assim, para o investidor buscar retornos maiores, terá que correr maiores riscos e acostumar-se com a volatilidade ou deixar seu dinheiro em cash ou ativos de liquidez alta e ganhar quase nada de retorno. Se você quiser ter maiores retornos no seu dinheiro, você precisará aprender a viver com maior volatilidade. Além disso, temos as eleições americanas que contribuem ainda mais para o aumento de volatilidade, trazendo dificuldades na escolha de investimentos, inclusive para grandes gestores, fundos e endownments. 

Eleições americanas, investimentos realizados por profissionais e o aumento de volatilidade nos mercados que tende a ficar

Em ano que o Ibovespa cai mais de 13% fica difícil para o investidor ter retorno positivo, assim como para os investidores profissionais. Em estudo recente das maiores endowments  (fundos de pensão e cenário vem mudando e a volatilidade aumenta muito perto de ano de eleições presidenciais americanas.

Nesse ano um fato que chamou atenção foi o aumento no número de investidores pessoa física e no sativos que mais tiveram retornos, sendo os investimentos em empresas consideradas mais populares, fazendo com que fosse colocado em cheque o retorno de investidores profissionais e fundos que estão tendo retornos abaixo da média de mercado. Esses retornos abaixo da média, colocam à prova o trabalho e o investimento feito por aqueles que são considerados profissionais e gestores de investimentos e que deveriam “bater o mercado”.

Em ano de volatilidade e em que empresas consideradas “caras”  e que estão subindo mais forte no ano, fica mais difícil para o gestor de fundos ter retornos acima da média. Além disso, poucos esperavam a recuperação que estamos tendo no ano, principalmente no mercado acionário americano em que já estamos com retornos positivos. Abaixo, seguem os retornos do Fundo Endowment de Harvard, que teoricamente reúne as pessoas mais inteligentes do mundo para a seleção de ativos:

Quanto às eleições presidenciais americanas, que podem trazer riscos na política de investimentos, Biden já deixou claro que vai parar de incentivar setores como o setor petrolífero, focando em energia alternativa e não-poluente. Mesmo com todas essas preocupações e o aumento de volatilidade, nota-se que  o mercado acionário americano independentemente de qual partido ganhe, temos um viés histórico altista:

Assim como temos um cenário de altas no governo dos presidentes, as quedas também podem acontecer em períodos isolados, independentemente do partido do presidente escolhido. Aqui podemos verificar melhor  as maiores quedas em cada período:

Sendo assim, fica claro que a volatilidade que estamos vivendo em 2020, tende a aumentar com a escolha do próximo presidente americano, porém vimos que os retornos tenderão a manter-se, cabe a você investidor, preparar o coração para a volatilidade, ter paciência e regularidade nos aportes para aproveitar o aumento de oportunidades que a volatilidade nos traz nos investimentos.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
Facebook: Eliseu Mânica Júnior
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Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/10/26/investidores-precisam-acostumar-se-cada-vez-mais-com-a-volatilidade/

Impactos das eleições americanas, setores ganhadores e juros fora de contexto no Brasil

12 de outubro de 2020 às 16:50 Por Postado em Blog do Eliseu

Eleições americanas, juros fora de contexto no Brasil

Dia 15 teremos mais uma rodada de debates presidenciais americanos. Esperamos um debate melhor, eis que no último tivemos um mediador conivente com as interrupções de Trump, atrapalhando o raciocínio de Biden (que já demonstrou ser lento em várias entrevistas, chegando a esquecer perguntas, falando respostas diferentes do que foi perguntado, entre outras coisas)…

Como da última eleição americana, nas pesquisas Trump vem perdendo novamente. Em 2016, duas semanas anteriores às Eleições Americanas para presidente, a vantagem de Hillary Clinton para Trump era nada mais nada menos de 93% contra 7% de Trump.

Atualmente há uma relação entre 55% a 45% para Biden. Lembro que aqui nos EUA há um sistema diferente de contagem de votos, onde os delegados dos estados têm um grande poder de diferença e quando um partido leva a maioria dos delegados de um estado americano, ele ganha todos os votos desse estado. Estados americanos como Flórida e Califórnia têm um peso muito grande na votação e decidem uma campanha, tendo ocorrido assim em 2016, onde mesmo perdendo em votação popular, Donald Trump ganhou devido aos votos dos delegados. Em recente pesquisa pelo Banco do Brasil, Biden levaria, como podemos ver abaixo..

Setores privilegiados em caso de vitória de Trump e Biden

Sabemos a influência que tem a vitória em uma eleição americana e o efeito global que isso tem na economia, mercado financeiro e ações. Importante assim, analisarmos as propostas principalmente aos impostos e que possuem influência mais direta. No caso de vitória de Biden, a ideia é de um aumento de impostos em dividendos e ganhos de capital na ordem de 43,4% em média, saindo dos atuais 23,8% de Trump. Impostos para pequenas empresas sairia de 29,6% para 39,6%, impostos de renda sairiam de 37% para 52% e impostos para empresas maiores de 21% para 28%. Sim, o imposto de renda nos EUA é muito maior que no Brasil, porém o imposto sobre consumo é muito menor, sendo assim, quem é mais pobre paga menos impostos que no Brasil.

Em caso de vitória de Biden fica claro que o mercado de ações americano e por consequência mundial tende a ser impactado. Só o aumento de impostos para as grandes empresas tem uma expectativa de influência de cerca de 18% de queda nas ações americanas.

Em termos absolutos, teríamos os seguintes valores abaixo:

fonte: washington post

Há outras mudanças como fim de incentivos para combustíveis fósseis, incentivos maiores para carros elétricos, maior legalização da maconha, em infraestrutura e um aumento de gastos e dívida de governo, caso Biden ganhasse. Aproveito para mostrar algumas dessas empresas que seriam favorecidas abaixo:

Já no caso de continuação do Governo Trump, teríamos mais incentivos para o setor financeiro, maior investimento dentro dos EUA em infraestrutura, em saúde, energia e defesa aeroespacial, sendo algumas abaixo as companhias que seriam favorecidas:

Por ser pró-mercado, empresário e com propostas de manutenção de baixos impostos para empresas de capital aberto, Trump acredito que é o preferido do mercado financeiro. Dia 03 de novembro, teremos a resposta de quem ganhará.

Já no Brasil… Juros fora de contexto

Resultados primário e de dívida bruta foram divulgados recentemente e nos mostram o motivo do real estar depreciado, sendo uma das moedas que mais cai no mundo (que para mim é algo exagerado, temos muito a melhorar, porém não estamos pior que uma Argentina, sem reservas em dólar, cerca de US$ 30 bilhões, sofrendo controle de preços em alguns produtos e serviços como telefonia e internet e uma Turquia, que tem um ditador no poder), mostrando a necessidade de reformas no Brasil urgentemente…

No quesito resultado, há uma expectativa de despesas de 12,5% perante o PIB…

Nossa dívida bruta começa a atingir níveis preocupantes, próximo a 100% do PIB de dívida bruta…

Tudo traz reflexos principalmente no câmbio (em juros e câmbio conseguimos ter um efeito mais rápido do que estão pensando os investidores), com a saída do investidor estrangeiro, somado a uma taxa de juros abaixo da taxa de equilíbrio comparada com outros emergentes como podemos ver na diferença de juros de 10 anos e na Taxa Básica de juros, que seria a Selic, no Brasil…

fonte: investing.com e Cris Fenstersfeir

Pelos dados acima, temos a segunda maior diferença entre os emergentes. Saliento que as taxas de longo prazo são mais importantes que as taxas de curto prazo, eis que mostram a real possibilidade de manutenção a longo prazo dessas taxas baixas que temos atualmente e essas taxas de longo prazo são usadas pelos bancos para captação, que emprestam na economia. Vale ressaltar que podemos notar também que a maioria das taxas de países emergentes está na casa dos 4% a 4,5% e acredito que aí que deveria estar nossa Selic. Há previsão no Relatório Focus que compila opinião das maiores instituições financeiras de elevação dos juros para esses patamares.

Outro fato importante a ressaltar é que taxas mais baixas, dificultam o carry trade (ato de um investidor tomar emprestado dinheiro nos EUA, por exemplo, a juros de 2% ao ano e investir no Brasil, em títulos do Governo, com juros a 15-16% como tivemos recentemente em 2016) que trazem mais dólares para o País, diminuindo a pressão sobre o câmbio também.

Então, em resumo o que você está pensando, Eliseu…

  1. eleições americanas têm um papel importante para os investimentos, Trump é mais pró-mercado e tem propostas de manutenção de impostos menores, já Biden quer incentivar energia elétrica;
  2. Brasil vem aumentando as despesas, gastamos cerca de 8% do PIB em incentivos em 2020, atingindo 100% de dívida-PIB e precisamos de reformas para travar esse aumento de dívida que está em ritmo de expansão;
  3. Real Brasileiro a moeda que mais cai no mundo, acho exagerado, temos a melhorar obviamente (citado acima) porém não somos o pior do mundo e foi exagerada a queda, incluindo mercado de ações;
  4. juros fora de patamar, deveriam estar acima, pressão na inflação acontecendo e juros devem aumentar em 2 anos;
  5. leia, estude, há sempre oportunidades de investimento no mercado!

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE E IMAGENS: https://bugg.com.br/2020/10/12/impactos-das-eleicoes-americanas-setores-privilegiados-e-juros-fora-de-contexto-no-brasil/