Posts em novembro de 2020 Central do Investidor

Os Gringos, eles estão voltando!

16 de novembro de 2020 às 09:50 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor

Com o fim das eleições americanas e a provável vitória de Biden, investidores passam a tentar projetar os próximos 4 anos. No último artigo (que você pode encontrar aqui o link) tratei de empresas e setores que poderiam ser beneficiados com os incentivos de Biden. Não cabe a mim falar sobre política ou emitir uma opinião pessoal (eu moro nos EUA e tenho minhas convicções políticas, religiosas, mas acredito que aqui não é o canal para isso) e sim ser o mais neutro possível.  Vejo que de modo geral teremos também uma abertura maior de mercado e isso pode refletir em uma melhora de trocas comerciais entre os países, incluindo aí o Brasil.

Na última década os investimentos em mercados emergentes e commodities (EM e COMDTY, nas siglas da tabela abaixo), tiveram seus retornos muito prejudicados. A China agora com o Acordo do Pacífico, tende a aumentar o peso como um emergente, direcionando grande parte dos investimentos para a Àsia, onde temos que começar a olhar com uma maior atenção também, pensando os investimentos como algo mais global. Hoje é muito simples realizar isso, inclusive via veículos que estão no Brasil, como Fundos focados em China e Ásia, assim como em ETFs.

O Brasil por ser emergente, mantém também uma grande atratividade. O fato é que principalmente em dólar, para o investidor estrangeiro o mercado de ações brasileiro está muito interessante. Nos últimos 3 anos tivemos uma saída gigante do capital estrangeiro do Brasil, levando em conta o investimento na B3 em ações. Enquanto isso, o investidor pessoa física ganhou peso nesse período, porém, penso que o investidor estrangeiro deve retornar e isso deve trazer mais fluxo para o mercado brasileiro, favorecendo a liquidez e a elevação de nosso índice.

MAS SERÁ QUE OS GRINGOS ESTÃO VOLTANDO? 

Foram quase 3 anos de saída massiva e mesmo assim nosso Índice principal, o Ibovespa, saiu de 71 mil pontos para 105 mil pontos e só nesse ano, o fluxo negativo chegou em R$ 87 bilhões e atualmente está em uma saída de R$ 57,67 bilhões, como podemos ver abaixo:

Essa recuperação no fluxo e ingresso de capital por parte do investidor estrangeiro vem chamando atenção, desde os primeiros dias de novembro. Só nessas duas semanas iniciais, tivemos um ingresso líquido de R$ 12,73 bilhões em novembro…

Além da atratividade em dólar para o investidor estrangeiro, em reais a bolsa brasileira começa a ficar mais interessante. Se colocarmos as ações da Petrobrás (peso de 11% no índice) e da Vale (peso de 10% no Índice e que negocia a 5x lucros para 2021) teríamos um Ibovespa mais perto da média do que vem sendo negociado desde 2005 – vide segundo gráfico abaixo:

Todo esse rotation (palavra muito utilizada recentemente) de mercados mais maduros para emergentes (Brasil, China), vem também favorecendo a alocação nos ativos que ficaram esquecidos pelo mercado, sendo que a maioria desses ativos pode ser classificado como empresas de valor ou value investments, empresas em setores mais maduros, com pouco crescimento (na teoria é o que espera o mercado, mas muitas vezes essas empresas trazem “surpresas” positivas, um lucro muito maior do que é o esperado e de maneira surpreendente) e setores tradicionais.

Além disso, as moedas dos países emergentes estão interessantes, estando em um dos menores patamares desde 1995!

Tudo isso privilegia o Brasil, trazendo resultados positivos para as empresas brasileiras e alguns setores específicos, que nos remete ao próximo tópico: resultados que me chamaram atenção até o momento…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço a função de analista), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Construtoras: gostei de Even, Trisul, Tenda e MRV. Tornei me cliente da Even recentemente e a abertura de capital da Melnick, assim como geração de caixa da empresa vieram muito bem. Trisul planeja  lançar 5x mais do que lançou até o momento para 2021. Tenda gerou um caixa gigante, R$ 112 milhões, além disso vem implementando CDT, pequenos “hubs centralizados”, visando melhorar a logística de entrega de materiais para as obras, gerenciando o estoque de produtos de maneira mais adequada. Além disso, tem um preço menor por imóvel que a concorrência e está testando um produto similar ao drywall dos Estados Unidos. MRV, vem aumentando o peso da Luggo, lançará mais via AHS nos Estados Unidos (o retorno de alugueis aqui, acredito que são melhores que no Brasil, inclusive morei em um produto AHS no Sul da Flórida). Das três anteriores citadas, acho que a MRV é a que está mais cara, mas que se entregar os projetos que pretende, tende a ficar mais atraente.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/16/os-gringos-estao-voltando/

Biden Presidente! E agora, onde investir?

09 de novembro de 2020 às 14:05 Por Postado em Blog do Eliseu

Certamente essa foi uma das eleições presidenciais americanas em que o mundo mais deu atenção da história. Foram mais de 140 milhões de votos, sendo o ex vice-presidente Biden, o presidente eleito com o maior número de votos da história. A escolha do presidente nos Estados Unidos é um pouco diferente do que estamos acostumados. Aqui, (moro nos Estados Unidos desde 2016) os votos dos delegados têm um peso muito grande, sendo eles que decidem o rumo dos Estados Unidos. O mundo, assim como o Brasil não é uma ilha, sendo assim, tudo o que ocorre gera reflexos para o Brasil.

Mas e como devemos investir, visando lucros máximos para os próximos quatro anos?

Lendo as propostas que foram feitas na campanha pelo Biden, podemos fazer um resumo do que tende a ocorrer para os próximos anos e os setores que tendem a ser mais privilegiados.

1) gastos por parte do Governo Americano e impressão de dólares

Os incentivos do Governo Trump tendem a continuar no Governo Biden. Impressão de dólares por parte do Banco Central Americano e o seu atual presidente, Jerome Powel, tendem a desvalorizar o dólar, trazendo como consequências, a valorização de ativos reais, como propriedades, áreas de terra, shopping centers, e ativos que têm finitude, como exemplo, o Bitcoin (há um limite de 21 milhões de unidades de bitcoin e que eu não invisto, pela dificuldade de se fazer uma avaliação de quanto vale um bitcoin, hipoteticamente),  ouro (que serve mais como proteção em tempos de crise, mas que não tem valor intangível como os ativos comentados anteriormente).  Há rumores de que a alta dívida dos estudantes americanos (que muitos acreditam, onde iniciará a próxima bolha) será perdoada em grande parte.

2) maior abertura econômica dos Estados Unidos

Biden quer “reabrir” a economia americana e fazer mais acordos. Enquanto Trump tinha um perfil mais nacionalista e protecionista, focando em trazer empresas que estavam fora dos Estados Unidos de volta para a Terra Natal, Biden possui um perfil de realizar maiores acordos, por exemplo, com a China, favorecendo o aumento das trocas comerciais entre os países, inclusive o Brasil. Isso tende a favorecer o crescimento dos Estados Unidos e é visto como algo positivo para o comércio internacional. Brasil e mercados emergentes também tendem a ser favorecidos.

3) Aumento de impostos

São esperados aumentos de impostos por parte do Governo Biden. Hoje, a alíquota média de impostos para empresas nos Estados Unidos é de 21% e tende a ser elevada para 28-29%, o que traria uma queda, segundo estudos, de cerca de 12% nas ações americanas.

4) Legalização da maconha

O Partido Democrata tende a legalizar a maconha como uso por todo o País, entrando em acordo com a legislação dos Estados Americanos para aprovação nos estados que ainda não é permitida. Ações ligadas à produção e consumo da maconha tiveram uma alta forte nos últimos dias e podem ser beneficiadas, caso isso venha a acontecer.

5) Incentivo para energias alternativas

Há a tendência de incentivos para veículos elétricos, sendo a Tesla (TSLA), um dos beneficiários. Falarei sobre a Tesla e o seu valor adiante. Outro término é a diminuição do fracking, que consiste na retirada de petróleo do subsolo. Estados como o Texas teriam a perder com isso, teríamos uma diminuição na produção de petróleo, consequentemente, teríamos um menor estoque, o que poderia elevar o seu preço no curto prazo.

Segue um resumo abaixo dos setores que podem ser mais privilegiados:

Ser teimoso ao investir ou não ser, eis a questão?

Ferdinando, o touro mais conhecido entre os personagens da história tem como característica fazer totalmente ao contrário do que a maioria espera o que faça um touro, mas mesmo assim ele é um dos personagens mais conhecidos da história. Um touro é reconhecido por sua valentia e coragem. Ferdinando preferia a natureza, a paz e o status quo, algo totalmente diferente do que se espera de um touro.

Investidores em valor, que focam em avaliar empresas pelo método tradicional, via fluxo de caixa, usando valuation ou comparativo de múltiplos, certamente estão sentindo-se como um Ferdinando nos tempos atuais. Confesso que tenho um pouco do Touro Ferdinando, na parte de ser teimoso e muitas vezes contrário do que a maioria dos investidores pensa. Já comentei aqui sobre a grande entrada de pessoas físicas na bolsa de valores brasileira e mundial.

Muitos desses investidores mesmo sendo um peso grande na hora de investir (são mais de 3 milhões de pessoas físicas, sendo que o número dobrou do ano passado para hoje) estão ingressando no mercado e focando sua atenção em youtubers (nada contra, tenho vários amigos que são e que geram um grande valor em termos de informação) que muitas vezes não têm tempo de preparar conteúdo e avaliar empresas. Nota-se uma relação entre vídeos lançados comentando sobre empresas que estariam atrativas e a alta no preço dessas ações.

Dado o movimento de curto prazo de alta, muitos desses investidores começam a acreditar que acertaram o Santo Graal, quando na verdade muitos desses movimentos de curto prazo apenas os tiraram do caminho mais correto da forma de investir: estudar empresas, procurar estudar fontes primárias de informação (dados das próprias empresas que investem e serviço de Relações com Investidores dessas empresas) e complementares, como relatórios de casas de research, de bancos de investimentos, sendo complementos do dever de casa de ter estudado o que os administradores dizem sobre a empresa que o investidor aloca o seu capital.

Comparamos nosso dinheiro na hora de comprar um ar condicionado, uma televisão, mas a maioria de nós nem sequer sabe quanto lucrou a empresa que investiu 20% do dinheiro que alocou pensando na aposentadoria. Há um longo trabalho a ser feito com esses novos investidores que entraram no mercado recentemente, ajudando-os a investir de maneira consciente, ao menos com noções entre a diferença de preço e valor.

Valor x Crescimento

Duas das escolas de investimento mais tradicionais, a escola de investimentos em valor e a escola baseada em empresas Growth (crescimento), nesse ano de 2020 estão com uma das maiores discrepâncias dos últimos 2o anos, vistas em período conhecido como a “bolha.com”.  Além disso, os mercados emergentes (O Brasil inclui-se) estão com valuations extremamente depreciados. O mercado é compostos por ciclos, tivemos o período 2002 a 2008, em que tivemos um boom nas commodities e em mercados emergentes. Entre os anos 2010 e 2020, tivemos empresas ligadas ao termo tech, como as que mais subiram. Hoje novamente estamos com os mercados emergentes e empresas de valor depreciadas, como podemos ver abaixo:

Nos últimos 5 anos, tivemos o comparativo entre empresas value  e growth, muito similar aos movimentos do final dos anos 90, atualmente com as empresas tech, muito sobreavaliadas.

Como em 1999, a moeda dos mercados emergentes também está muito depreciada. O Brasil, junto com Lira Turca e o Peso Argentino é uma das moedas que mais cai no mundo em 2020. Para 2021, acredito que isso tende a mudar, inclusive o valor próximo do Dólar x Real, tende a ser ao redor de R$5,20, usando a metodologia de usarmos os dados da inflação americana e brasileira, desde o início da criação de ambas as moedas, no caso do Brasil, em 1994, no Plano Real..

Todo esse dinheiro no mercado, traz desequilíbrios, como o valor de mercado de Tesla, que vale mais que as 9 empresas automobilísticas, que produzem quase 100x mais em receia que a Tesla. Inclusive, já havia escrito aqui, sendo os dados utilizados pelo Economista Ricardo Amorim. Abaixo, podemos ver a discrepância de Tesla e outras montadoras (essa é mais uma das discrepâncias):

Em resumo:

  1. Biden eleito, devemos ter impressão de moeda, legalização da maconha, investimentos em infra-estrutura, maior abertura econômica, acordos com a China, incentivos para energia alternativa, entre outros;
  2. Número de casos de Covid aumentando, porém aumentou-se a quantidade de testes. Taxa de mortalidade está menor que o pico de março, estamos sabendo lidar melhor com a situação;
  3. Economia americana, recuperando-se;
  4. Nunca tivemos uma diferença tão grande entre crescimento x valor nos investimentos e isso tende a mudar, ao meu ver;
  5. Cuidado com as empresas que estão embutindo altos ciclos ou altos retornos no preço das ações, muitas delas não terão como entregar o resultado que está precificado;
  6. Grana é liberdade e o tempo mais precioso que temos é o tempo. Use o seu com sabedoria, incluindo não utilizá-lo para investir de maneira equivocada!
  7. Foque em estudar mais as companhias e a seguir menos “dicas” de pessoas na internet.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Mânica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/09/biden-presidente-e-agora-onde-investir/

Foque naquilo que você pode controlar nos investimentos

02 de novembro de 2020 às 23:31 Por Postado em Blog do Eliseu
foco nos investimentos

No último artigo que escrevi e você pode ter acesso aqui , comentei acerca da volatilidade que era esperada pelo mercado e que acabou ocorrendo na última semana do final do mês de outubro. O fato é que dada a baixa atratividade dos investimentos, o baixo custo de capital mundial, as eleições americanas e a chegada do inverno no hemisfério norte, aumentando os casos de Covid (tivemos também um aumento na quantidade de testes), faz com que tenhamos uma série de acontecimentos que trazem incertezas para o investidor e essa incerteza é sinal de oportunidade tanto para o investidor quanto para o especulador, muitas vezes colocado à margem do mercado, mas que é necessário, no mínimo, para um aumento de liquidez no mercado.

É na incerteza que os preços dos ativos ficam mais voláteis, onde muitos players preferem sair do mercado dada a falta de clareza no cenário de investimento é da natureza do ser humano preferir ambientes mais seguros dada a composição da parte do nosso cérebro reptiliano, onde desde os primórdios procuramos segurança, andar com a “manada” e com um grupo de pessoas para nos trazer segurança. Nos investimentos quem segue isso, tende a ter um retorno abaixo ou no máximo na média comparado com outros investidores. Sendo assim, precisamos “lutar” contra nossos instintos e contra nossa composição humana, agindo diferentemente da média porém com motivos e razões para determinados movimentos do mercado, não apenas sendo um “do contra”, por ser.

Não vai ser nem a primeira e nem a última correção do mercado, onde esses movimentos são necessários e devem ser bem-recebidos para o investidor que ainda está em momento de acúmulo de capital. Abaixo podemos ver um compilado das últimas crises, onde podemos ver que elas têm incidência quase que anual, no nosso mundo:

É nesse cenário atual, com a bolsa brasileira em dólares no nível de maio de 2020 e com alguns ativos negociados a valores  de 2005 (Banco Bradesco em dólar, por exemplo, tem um lucro 4x maior hoje do que tinha em 2005, porém com preços em dólar a valores de 2005). O fato é que temos oportunidades retornando, balanços vindo bem, acima das projeções do mercado e recuperação nos lucros de 2019, como mostrarei adiante, fazendo um apanhando dos acontecimentos e oportunidades ao meu ver.

Aumento no número de casos de Covid

Quem olha friamente as manchetes do jornais e da televisão, prestando atenção apenas no aumento no número de casos de Covid, pode esquecer de outros detalhes fundamentais. Com a chegada do inverno no hemisfério norte é normal esse aumento de casos, além disso, temos a questão de nos Estados Unidos, por exemplo, há um aumento no número de testes, o que naturalmente já aumenta a quantidade de casos. A parte positiva, ao contrário de março passado, é que estamos cada vez mais perto de uma vacina, o que aumenta a chance de uma retomada na normalização econômica.

Abaixo, podemos notar que a quantidade de testes aumentou quase 20x, então é natural o aumento de casos, pois a amostra está maior. Um dos pontos positivos é que a quantidade de mortes vêm diminuindo, estamos sabendo tratar melhor a doença e isso traz mais esperanças para uma saída mais rápida. Na China, a economia está crescendo a pleno vapor e a expectativa que seria em 2030 de que a economia chinesa poderia tornar-se a maior do mundo, foi antecipada para 2024. Conversando com dois médicos próximos, que tomaram a vacina Chinesa, eles comentaram da imunização, então pode ser que dado o baixo nível de casos na China (alguns podem desconfiar dos dados), aparentemente eles estariam com alguma vacina efetiva.

Crescimento acima do esperado da economia

Um dos pilares em investimentos é o retorno pelo lucro ou pela geração de caixa por parte das companhias. Investir possui uma lógica e a lógica é que, no médio e longo prazo, o percentual de aumento ou queda nos lucros ou geração de caixa (o principal ao meu ver), acompanhará a flutuação do preço das ações. Começamos o período de divulgação de resultados do terceiro trimestre e nos Estados Unidos, esses resultados estão superando em cerca de 85% o compilado e esperado pelos analistas. Comparando com o ano passado, o S&P500 teve lucros que estão até o momento 5% abaixo, porém notamos que grandes empresas vêm trazendo resultados muito acima do esperado, como Google, Amazon e outras.

Já na Europa, analisando o cenário macro, estamos com crescimento no GDP (PIB) muito acima do que era esperado, mesmo com o lock down seletivo nesses países…

No Brasil idem, tivemos o começo da temporada de resultados e resultados como Tupy, Romi e Vale (isso não é uma indicação de compra ou venda) chamaram a atenção, vindo muito bem, tanto que aumentei posição nesses ativos no último dia útil de outubro. Vale, por exemplo, negocia a 2,9x Ebitda contra 5x de BHP e Rio Tinto e cerca de 5x lucros para 2021..

E o grand finale… eleições americanas…

Essa é a segunda eleição presidencial que passo aqui nos EUA. A primeira trazia pesquisas dando ampla vantagem para Hillary Clinton e acabou dando Trump. Aqui nos EUA, os meios de comunicação tem um lado bem definido na hora de dar a notícia.. a Fox, Canal de Televisão é Pró-Trump e a CNN, pró-Biden e contra o Trump. É algo engraçado, porque na CNN, por exemplo, a Emissora fica o dia inteiro “batendo” em Trump. O fato é que as pesquisas aqui têm um forte viés e não podem ser consideradas 100% como fonte de credibilidade..

Como em 2016, estamos notando um crescimento de Trump nas pesquisas nesses últimos dias, inclusive o percentual está muito similar ao mesmo ponto das últimas eleições…

Acredito que o cenário ainda continua muito aberto, com possibilidade de ganho para ambos os presidenciáveis, mas independentemente desse resultado, acredito que o foco principal deva ser na análise dos ativos em carteira, seu preço e valor visto, boa administração, pois como mencionei anteriormente, essa volatilidade traz oportunidades para ativos com ótimos resultados e ótimos preços. Com juros baixos, trazendo poucos retornos, temos pouca escolha de alocação de capital e o mercado de ações é onde temos as melhores oportunidades no momento.

Independentemente do resultado dessa eleição presidencial americana, podemos ver que a média de retorno em ano de escolha de presidente, no S&P500, é uma média de 11,3% para qualquer presidente, 9,3% para a entrada de um novo presidente e 13,4% para o presidente que está no poder vencer. Quem for o presidente, desde 1928 temos a probabilidade ao lado nosso lado e temos como investidores, focar naquilo que temos controle: nosso emocional para controlar a volatilidade e a queda momentânea no preço das ações e o controle daquilo que vamos investir!

Em resumo:

  1. a quantidade de crises, assim como a volatilidade vem aumentando no mercado. Volatilidade = oportunidade;
  2. número de casos de Covid aumentando, porém aumentou-se a quantidade de testes. Taxa de mortalidade está menor que o pico de março, estamos sabendo lidar melhor com a situação;
  3. resultados nos EUA e Brasil vindo muito bem e surpreendendo positivamente. PIB dos maiores países europeus, idem;
  4. eleições americanas ainda “abertas”, porém isso não pode ser o principal foco do investidor;
  5. independentemente do resultado das eleições americanas, o fato é que o mercado de ações sobe em períodos como esse;
  6. foque naquilo que pode controlar: seu mindset ao investir, seu temperamento de investidor, as oportunidades que surgem, o estudo dos ativos que gosta e quer investir.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/02/foque-naquilo-que-voce-pode-controlar-nos-investimentos/