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Os Gringos, eles estão voltando!

16 de novembro de 2020 às 09:50 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor

Com o fim das eleições americanas e a provável vitória de Biden, investidores passam a tentar projetar os próximos 4 anos. No último artigo (que você pode encontrar aqui o link) tratei de empresas e setores que poderiam ser beneficiados com os incentivos de Biden. Não cabe a mim falar sobre política ou emitir uma opinião pessoal (eu moro nos EUA e tenho minhas convicções políticas, religiosas, mas acredito que aqui não é o canal para isso) e sim ser o mais neutro possível.  Vejo que de modo geral teremos também uma abertura maior de mercado e isso pode refletir em uma melhora de trocas comerciais entre os países, incluindo aí o Brasil.

Na última década os investimentos em mercados emergentes e commodities (EM e COMDTY, nas siglas da tabela abaixo), tiveram seus retornos muito prejudicados. A China agora com o Acordo do Pacífico, tende a aumentar o peso como um emergente, direcionando grande parte dos investimentos para a Àsia, onde temos que começar a olhar com uma maior atenção também, pensando os investimentos como algo mais global. Hoje é muito simples realizar isso, inclusive via veículos que estão no Brasil, como Fundos focados em China e Ásia, assim como em ETFs.

O Brasil por ser emergente, mantém também uma grande atratividade. O fato é que principalmente em dólar, para o investidor estrangeiro o mercado de ações brasileiro está muito interessante. Nos últimos 3 anos tivemos uma saída gigante do capital estrangeiro do Brasil, levando em conta o investimento na B3 em ações. Enquanto isso, o investidor pessoa física ganhou peso nesse período, porém, penso que o investidor estrangeiro deve retornar e isso deve trazer mais fluxo para o mercado brasileiro, favorecendo a liquidez e a elevação de nosso índice.

MAS SERÁ QUE OS GRINGOS ESTÃO VOLTANDO? 

Foram quase 3 anos de saída massiva e mesmo assim nosso Índice principal, o Ibovespa, saiu de 71 mil pontos para 105 mil pontos e só nesse ano, o fluxo negativo chegou em R$ 87 bilhões e atualmente está em uma saída de R$ 57,67 bilhões, como podemos ver abaixo:

Essa recuperação no fluxo e ingresso de capital por parte do investidor estrangeiro vem chamando atenção, desde os primeiros dias de novembro. Só nessas duas semanas iniciais, tivemos um ingresso líquido de R$ 12,73 bilhões em novembro…

Além da atratividade em dólar para o investidor estrangeiro, em reais a bolsa brasileira começa a ficar mais interessante. Se colocarmos as ações da Petrobrás (peso de 11% no índice) e da Vale (peso de 10% no Índice e que negocia a 5x lucros para 2021) teríamos um Ibovespa mais perto da média do que vem sendo negociado desde 2005 – vide segundo gráfico abaixo:

Todo esse rotation (palavra muito utilizada recentemente) de mercados mais maduros para emergentes (Brasil, China), vem também favorecendo a alocação nos ativos que ficaram esquecidos pelo mercado, sendo que a maioria desses ativos pode ser classificado como empresas de valor ou value investments, empresas em setores mais maduros, com pouco crescimento (na teoria é o que espera o mercado, mas muitas vezes essas empresas trazem “surpresas” positivas, um lucro muito maior do que é o esperado e de maneira surpreendente) e setores tradicionais.

Além disso, as moedas dos países emergentes estão interessantes, estando em um dos menores patamares desde 1995!

Tudo isso privilegia o Brasil, trazendo resultados positivos para as empresas brasileiras e alguns setores específicos, que nos remete ao próximo tópico: resultados que me chamaram atenção até o momento…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço a função de analista), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Construtoras: gostei de Even, Trisul, Tenda e MRV. Tornei me cliente da Even recentemente e a abertura de capital da Melnick, assim como geração de caixa da empresa vieram muito bem. Trisul planeja  lançar 5x mais do que lançou até o momento para 2021. Tenda gerou um caixa gigante, R$ 112 milhões, além disso vem implementando CDT, pequenos “hubs centralizados”, visando melhorar a logística de entrega de materiais para as obras, gerenciando o estoque de produtos de maneira mais adequada. Além disso, tem um preço menor por imóvel que a concorrência e está testando um produto similar ao drywall dos Estados Unidos. MRV, vem aumentando o peso da Luggo, lançará mais via AHS nos Estados Unidos (o retorno de alugueis aqui, acredito que são melhores que no Brasil, inclusive morei em um produto AHS no Sul da Flórida). Das três anteriores citadas, acho que a MRV é a que está mais cara, mas que se entregar os projetos que pretende, tende a ficar mais atraente.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/16/os-gringos-estao-voltando/

Biden Presidente! E agora, onde investir?

09 de novembro de 2020 às 14:05 Por Postado em Blog do Eliseu

Certamente essa foi uma das eleições presidenciais americanas em que o mundo mais deu atenção da história. Foram mais de 140 milhões de votos, sendo o ex vice-presidente Biden, o presidente eleito com o maior número de votos da história. A escolha do presidente nos Estados Unidos é um pouco diferente do que estamos acostumados. Aqui, (moro nos Estados Unidos desde 2016) os votos dos delegados têm um peso muito grande, sendo eles que decidem o rumo dos Estados Unidos. O mundo, assim como o Brasil não é uma ilha, sendo assim, tudo o que ocorre gera reflexos para o Brasil.

Mas e como devemos investir, visando lucros máximos para os próximos quatro anos?

Lendo as propostas que foram feitas na campanha pelo Biden, podemos fazer um resumo do que tende a ocorrer para os próximos anos e os setores que tendem a ser mais privilegiados.

1) gastos por parte do Governo Americano e impressão de dólares

Os incentivos do Governo Trump tendem a continuar no Governo Biden. Impressão de dólares por parte do Banco Central Americano e o seu atual presidente, Jerome Powel, tendem a desvalorizar o dólar, trazendo como consequências, a valorização de ativos reais, como propriedades, áreas de terra, shopping centers, e ativos que têm finitude, como exemplo, o Bitcoin (há um limite de 21 milhões de unidades de bitcoin e que eu não invisto, pela dificuldade de se fazer uma avaliação de quanto vale um bitcoin, hipoteticamente),  ouro (que serve mais como proteção em tempos de crise, mas que não tem valor intangível como os ativos comentados anteriormente).  Há rumores de que a alta dívida dos estudantes americanos (que muitos acreditam, onde iniciará a próxima bolha) será perdoada em grande parte.

2) maior abertura econômica dos Estados Unidos

Biden quer “reabrir” a economia americana e fazer mais acordos. Enquanto Trump tinha um perfil mais nacionalista e protecionista, focando em trazer empresas que estavam fora dos Estados Unidos de volta para a Terra Natal, Biden possui um perfil de realizar maiores acordos, por exemplo, com a China, favorecendo o aumento das trocas comerciais entre os países, inclusive o Brasil. Isso tende a favorecer o crescimento dos Estados Unidos e é visto como algo positivo para o comércio internacional. Brasil e mercados emergentes também tendem a ser favorecidos.

3) Aumento de impostos

São esperados aumentos de impostos por parte do Governo Biden. Hoje, a alíquota média de impostos para empresas nos Estados Unidos é de 21% e tende a ser elevada para 28-29%, o que traria uma queda, segundo estudos, de cerca de 12% nas ações americanas.

4) Legalização da maconha

O Partido Democrata tende a legalizar a maconha como uso por todo o País, entrando em acordo com a legislação dos Estados Americanos para aprovação nos estados que ainda não é permitida. Ações ligadas à produção e consumo da maconha tiveram uma alta forte nos últimos dias e podem ser beneficiadas, caso isso venha a acontecer.

5) Incentivo para energias alternativas

Há a tendência de incentivos para veículos elétricos, sendo a Tesla (TSLA), um dos beneficiários. Falarei sobre a Tesla e o seu valor adiante. Outro término é a diminuição do fracking, que consiste na retirada de petróleo do subsolo. Estados como o Texas teriam a perder com isso, teríamos uma diminuição na produção de petróleo, consequentemente, teríamos um menor estoque, o que poderia elevar o seu preço no curto prazo.

Segue um resumo abaixo dos setores que podem ser mais privilegiados:

Ser teimoso ao investir ou não ser, eis a questão?

Ferdinando, o touro mais conhecido entre os personagens da história tem como característica fazer totalmente ao contrário do que a maioria espera o que faça um touro, mas mesmo assim ele é um dos personagens mais conhecidos da história. Um touro é reconhecido por sua valentia e coragem. Ferdinando preferia a natureza, a paz e o status quo, algo totalmente diferente do que se espera de um touro.

Investidores em valor, que focam em avaliar empresas pelo método tradicional, via fluxo de caixa, usando valuation ou comparativo de múltiplos, certamente estão sentindo-se como um Ferdinando nos tempos atuais. Confesso que tenho um pouco do Touro Ferdinando, na parte de ser teimoso e muitas vezes contrário do que a maioria dos investidores pensa. Já comentei aqui sobre a grande entrada de pessoas físicas na bolsa de valores brasileira e mundial.

Muitos desses investidores mesmo sendo um peso grande na hora de investir (são mais de 3 milhões de pessoas físicas, sendo que o número dobrou do ano passado para hoje) estão ingressando no mercado e focando sua atenção em youtubers (nada contra, tenho vários amigos que são e que geram um grande valor em termos de informação) que muitas vezes não têm tempo de preparar conteúdo e avaliar empresas. Nota-se uma relação entre vídeos lançados comentando sobre empresas que estariam atrativas e a alta no preço dessas ações.

Dado o movimento de curto prazo de alta, muitos desses investidores começam a acreditar que acertaram o Santo Graal, quando na verdade muitos desses movimentos de curto prazo apenas os tiraram do caminho mais correto da forma de investir: estudar empresas, procurar estudar fontes primárias de informação (dados das próprias empresas que investem e serviço de Relações com Investidores dessas empresas) e complementares, como relatórios de casas de research, de bancos de investimentos, sendo complementos do dever de casa de ter estudado o que os administradores dizem sobre a empresa que o investidor aloca o seu capital.

Comparamos nosso dinheiro na hora de comprar um ar condicionado, uma televisão, mas a maioria de nós nem sequer sabe quanto lucrou a empresa que investiu 20% do dinheiro que alocou pensando na aposentadoria. Há um longo trabalho a ser feito com esses novos investidores que entraram no mercado recentemente, ajudando-os a investir de maneira consciente, ao menos com noções entre a diferença de preço e valor.

Valor x Crescimento

Duas das escolas de investimento mais tradicionais, a escola de investimentos em valor e a escola baseada em empresas Growth (crescimento), nesse ano de 2020 estão com uma das maiores discrepâncias dos últimos 2o anos, vistas em período conhecido como a “bolha.com”.  Além disso, os mercados emergentes (O Brasil inclui-se) estão com valuations extremamente depreciados. O mercado é compostos por ciclos, tivemos o período 2002 a 2008, em que tivemos um boom nas commodities e em mercados emergentes. Entre os anos 2010 e 2020, tivemos empresas ligadas ao termo tech, como as que mais subiram. Hoje novamente estamos com os mercados emergentes e empresas de valor depreciadas, como podemos ver abaixo:

Nos últimos 5 anos, tivemos o comparativo entre empresas value  e growth, muito similar aos movimentos do final dos anos 90, atualmente com as empresas tech, muito sobreavaliadas.

Como em 1999, a moeda dos mercados emergentes também está muito depreciada. O Brasil, junto com Lira Turca e o Peso Argentino é uma das moedas que mais cai no mundo em 2020. Para 2021, acredito que isso tende a mudar, inclusive o valor próximo do Dólar x Real, tende a ser ao redor de R$5,20, usando a metodologia de usarmos os dados da inflação americana e brasileira, desde o início da criação de ambas as moedas, no caso do Brasil, em 1994, no Plano Real..

Todo esse dinheiro no mercado, traz desequilíbrios, como o valor de mercado de Tesla, que vale mais que as 9 empresas automobilísticas, que produzem quase 100x mais em receia que a Tesla. Inclusive, já havia escrito aqui, sendo os dados utilizados pelo Economista Ricardo Amorim. Abaixo, podemos ver a discrepância de Tesla e outras montadoras (essa é mais uma das discrepâncias):

Em resumo:

  1. Biden eleito, devemos ter impressão de moeda, legalização da maconha, investimentos em infra-estrutura, maior abertura econômica, acordos com a China, incentivos para energia alternativa, entre outros;
  2. Número de casos de Covid aumentando, porém aumentou-se a quantidade de testes. Taxa de mortalidade está menor que o pico de março, estamos sabendo lidar melhor com a situação;
  3. Economia americana, recuperando-se;
  4. Nunca tivemos uma diferença tão grande entre crescimento x valor nos investimentos e isso tende a mudar, ao meu ver;
  5. Cuidado com as empresas que estão embutindo altos ciclos ou altos retornos no preço das ações, muitas delas não terão como entregar o resultado que está precificado;
  6. Grana é liberdade e o tempo mais precioso que temos é o tempo. Use o seu com sabedoria, incluindo não utilizá-lo para investir de maneira equivocada!
  7. Foque em estudar mais as companhias e a seguir menos “dicas” de pessoas na internet.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Mânica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/09/biden-presidente-e-agora-onde-investir/

Foque naquilo que você pode controlar nos investimentos

02 de novembro de 2020 às 23:31 Por Postado em Blog do Eliseu
foco nos investimentos

No último artigo que escrevi e você pode ter acesso aqui , comentei acerca da volatilidade que era esperada pelo mercado e que acabou ocorrendo na última semana do final do mês de outubro. O fato é que dada a baixa atratividade dos investimentos, o baixo custo de capital mundial, as eleições americanas e a chegada do inverno no hemisfério norte, aumentando os casos de Covid (tivemos também um aumento na quantidade de testes), faz com que tenhamos uma série de acontecimentos que trazem incertezas para o investidor e essa incerteza é sinal de oportunidade tanto para o investidor quanto para o especulador, muitas vezes colocado à margem do mercado, mas que é necessário, no mínimo, para um aumento de liquidez no mercado.

É na incerteza que os preços dos ativos ficam mais voláteis, onde muitos players preferem sair do mercado dada a falta de clareza no cenário de investimento é da natureza do ser humano preferir ambientes mais seguros dada a composição da parte do nosso cérebro reptiliano, onde desde os primórdios procuramos segurança, andar com a “manada” e com um grupo de pessoas para nos trazer segurança. Nos investimentos quem segue isso, tende a ter um retorno abaixo ou no máximo na média comparado com outros investidores. Sendo assim, precisamos “lutar” contra nossos instintos e contra nossa composição humana, agindo diferentemente da média porém com motivos e razões para determinados movimentos do mercado, não apenas sendo um “do contra”, por ser.

Não vai ser nem a primeira e nem a última correção do mercado, onde esses movimentos são necessários e devem ser bem-recebidos para o investidor que ainda está em momento de acúmulo de capital. Abaixo podemos ver um compilado das últimas crises, onde podemos ver que elas têm incidência quase que anual, no nosso mundo:

É nesse cenário atual, com a bolsa brasileira em dólares no nível de maio de 2020 e com alguns ativos negociados a valores  de 2005 (Banco Bradesco em dólar, por exemplo, tem um lucro 4x maior hoje do que tinha em 2005, porém com preços em dólar a valores de 2005). O fato é que temos oportunidades retornando, balanços vindo bem, acima das projeções do mercado e recuperação nos lucros de 2019, como mostrarei adiante, fazendo um apanhando dos acontecimentos e oportunidades ao meu ver.

Aumento no número de casos de Covid

Quem olha friamente as manchetes do jornais e da televisão, prestando atenção apenas no aumento no número de casos de Covid, pode esquecer de outros detalhes fundamentais. Com a chegada do inverno no hemisfério norte é normal esse aumento de casos, além disso, temos a questão de nos Estados Unidos, por exemplo, há um aumento no número de testes, o que naturalmente já aumenta a quantidade de casos. A parte positiva, ao contrário de março passado, é que estamos cada vez mais perto de uma vacina, o que aumenta a chance de uma retomada na normalização econômica.

Abaixo, podemos notar que a quantidade de testes aumentou quase 20x, então é natural o aumento de casos, pois a amostra está maior. Um dos pontos positivos é que a quantidade de mortes vêm diminuindo, estamos sabendo tratar melhor a doença e isso traz mais esperanças para uma saída mais rápida. Na China, a economia está crescendo a pleno vapor e a expectativa que seria em 2030 de que a economia chinesa poderia tornar-se a maior do mundo, foi antecipada para 2024. Conversando com dois médicos próximos, que tomaram a vacina Chinesa, eles comentaram da imunização, então pode ser que dado o baixo nível de casos na China (alguns podem desconfiar dos dados), aparentemente eles estariam com alguma vacina efetiva.

Crescimento acima do esperado da economia

Um dos pilares em investimentos é o retorno pelo lucro ou pela geração de caixa por parte das companhias. Investir possui uma lógica e a lógica é que, no médio e longo prazo, o percentual de aumento ou queda nos lucros ou geração de caixa (o principal ao meu ver), acompanhará a flutuação do preço das ações. Começamos o período de divulgação de resultados do terceiro trimestre e nos Estados Unidos, esses resultados estão superando em cerca de 85% o compilado e esperado pelos analistas. Comparando com o ano passado, o S&P500 teve lucros que estão até o momento 5% abaixo, porém notamos que grandes empresas vêm trazendo resultados muito acima do esperado, como Google, Amazon e outras.

Já na Europa, analisando o cenário macro, estamos com crescimento no GDP (PIB) muito acima do que era esperado, mesmo com o lock down seletivo nesses países…

No Brasil idem, tivemos o começo da temporada de resultados e resultados como Tupy, Romi e Vale (isso não é uma indicação de compra ou venda) chamaram a atenção, vindo muito bem, tanto que aumentei posição nesses ativos no último dia útil de outubro. Vale, por exemplo, negocia a 2,9x Ebitda contra 5x de BHP e Rio Tinto e cerca de 5x lucros para 2021..

E o grand finale… eleições americanas…

Essa é a segunda eleição presidencial que passo aqui nos EUA. A primeira trazia pesquisas dando ampla vantagem para Hillary Clinton e acabou dando Trump. Aqui nos EUA, os meios de comunicação tem um lado bem definido na hora de dar a notícia.. a Fox, Canal de Televisão é Pró-Trump e a CNN, pró-Biden e contra o Trump. É algo engraçado, porque na CNN, por exemplo, a Emissora fica o dia inteiro “batendo” em Trump. O fato é que as pesquisas aqui têm um forte viés e não podem ser consideradas 100% como fonte de credibilidade..

Como em 2016, estamos notando um crescimento de Trump nas pesquisas nesses últimos dias, inclusive o percentual está muito similar ao mesmo ponto das últimas eleições…

Acredito que o cenário ainda continua muito aberto, com possibilidade de ganho para ambos os presidenciáveis, mas independentemente desse resultado, acredito que o foco principal deva ser na análise dos ativos em carteira, seu preço e valor visto, boa administração, pois como mencionei anteriormente, essa volatilidade traz oportunidades para ativos com ótimos resultados e ótimos preços. Com juros baixos, trazendo poucos retornos, temos pouca escolha de alocação de capital e o mercado de ações é onde temos as melhores oportunidades no momento.

Independentemente do resultado dessa eleição presidencial americana, podemos ver que a média de retorno em ano de escolha de presidente, no S&P500, é uma média de 11,3% para qualquer presidente, 9,3% para a entrada de um novo presidente e 13,4% para o presidente que está no poder vencer. Quem for o presidente, desde 1928 temos a probabilidade ao lado nosso lado e temos como investidores, focar naquilo que temos controle: nosso emocional para controlar a volatilidade e a queda momentânea no preço das ações e o controle daquilo que vamos investir!

Em resumo:

  1. a quantidade de crises, assim como a volatilidade vem aumentando no mercado. Volatilidade = oportunidade;
  2. número de casos de Covid aumentando, porém aumentou-se a quantidade de testes. Taxa de mortalidade está menor que o pico de março, estamos sabendo lidar melhor com a situação;
  3. resultados nos EUA e Brasil vindo muito bem e surpreendendo positivamente. PIB dos maiores países europeus, idem;
  4. eleições americanas ainda “abertas”, porém isso não pode ser o principal foco do investidor;
  5. independentemente do resultado das eleições americanas, o fato é que o mercado de ações sobe em períodos como esse;
  6. foque naquilo que pode controlar: seu mindset ao investir, seu temperamento de investidor, as oportunidades que surgem, o estudo dos ativos que gosta e quer investir.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/02/foque-naquilo-que-voce-pode-controlar-nos-investimentos/

Investidores precisam acostumar-se cada vez mais com a volatilidade

26 de outubro de 2020 às 16:15 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor

Que 2020 está sendo um ano desafiador todos sabemos, mas o que mais chama atenção é a volatilidade do mercado acionário mundial. Em certo momento do Ibovespa chegamos a ter uma queda de – 46% e em torno de 6 meses recuperamos grande parte indo para uma queda muito menor, de -13% em 2020. O investidor que acertou o fundo nos 61 mil pontos, está com um retorno de mais de 60% em 6 meses, porém, convenhamos isso é muito difícil de conseguir-se.

No S&P 500 a volatilidade foi maior ainda, estamos com uma alta de 8% no ano e no momento de maior queda atingiu-se 30% do ponto onde terminamos 2019.  Já a Bolsa de tecnologia Nasdaq 100 chegou a ter retornos de 43% no ano, caiu para -20% em certo período e atualmente está com 35% de ganhos em 2020. Outro Índice americano, o Russell 2000 Small Cap está subindo 2% em 2020 e chegou a cair 40% nos piores períodos.

Esse cenário de volatilidade no mercado acionário vem ocorrendo ao redor do globo, deve ser algo que tende a continuar nos próximos anos, dado o cenário de incentivos por parte dos bancos centrais mundiais e as baixíssimas taxas de juros que devem continuar na Europa e nos Eua, sendo assim, o investidor deve acostumar-se com essa nova realidade caso queira ter retornos com os investimentos.

Em recente relatório do JP Morgan, que compara uma das maiores volatilidades, estamos em um ano que fica clara a volatilidade em 2020, onde saímos de uma queda de -34% para uma alta de 4% no S&P500, conseguimos verificar de forma mais clara abaixo, comparando com anos anteriores:

Nesse mês de outubro, precisamente no dia 19 de outubro de 1987, ocorreu a maior queda em apenas um dia na história do mercado norte-americano, sendo essa queda de 22% em apenas um dia!!! Olhe o ano de 2020, o S&P500 chegou a cair 34% em março e agora o mercado está com alta de 4% de alta, muito similar ao fatídico ano de 1987, que marcou o cenário mundial, sendo conhecido como o “Black Monday”.

Analisar dados e estudá-los é o que nos faz crescer e evoluir como investidores. Em 23 de 41 anos tivemos correção acima de dois-dígitos dentro de um ano. Em 12 de 23 anos, o mercado terminou em território positivo e em 8 de 23 anos, o mercado acionário terminou o ano com mais de dois-dígitos de ganhos. Há uma grande chance, como eu comentei, que essa enorme diferença entre ganhos e perdas ocorridas nesse ano, continuar para os próximos anos.  Com taxas de juros mais baixas, há uma clara de tendência do investidor tomar risco busando maiores retornos e o Banco Central Americano, Fed, está ajudando nisso mais do que nunca. Temos milhões de investidores que não apenas querem, mas precisam de retornos maiores para o seu capital, incluindo aposentados que não pouparam o suficiente para a aposentadoria e fundos de pensão sem capital suficiente para honrar as obrigações deles.

Todos esses fatores tendem a mudar a maneira que alocaremos o capital nos próximos anos e não apenas no mercado acionário os investidores irão precisar acostumar-se com a volatilidade, mas os investidores em bonds (a renda fixa dos americanos) também. Como exemplo, posso citar o Bloommberg Barclays Aggregate Bond Index, que é um bom indício para o mercado de bonds, que está com um yeld anual de 1,2% e uma duration de 6 anos, significando que teremos uma expectativa de retorno de 1,2% anualmente pelos próximos 6 anos. Isso também pode significar que 1% de alta nas taxas de juros, podemos esperar uma expectativa de 6% de queda. Outro índice, o 20+ Year Treasury Bond ETF (TLT) tem um yeld de 1,3% com uma duration de 19 years. Isso significa também que a cada 1% de aumento na taxa de juros, poderá levar a uma perda de 19%.

Como podemos ver, se os retornos de longo prazo dos bonds estão próximos das baixas taxas de juros, o investidor que não está contente, poderá procurar outras opções com retornos maiores, como os investimentos conhecidos como high yelds e investimetnos alternativos empresas e mercados emergentes:

fonte: Ycharts

Só o investidor tem que ter cuidado que ao buscar retornos maiores, há também uma chance maior de perda nesses fundos. Essas são as maiores quedas em títulos de dívida corporative, jun bonds, bonds de mercados emergentes (incluindo o Brasil), ações preferenciais (as PNs do Brasil) e REITs (os fundos imobiliários americanos):

fonte: Ycharts

Podemos notar perdas entre 20% a 42% nos investimentos com riscos maiores, sendo assim, para o investidor buscar retornos maiores, terá que correr maiores riscos e acostumar-se com a volatilidade ou deixar seu dinheiro em cash ou ativos de liquidez alta e ganhar quase nada de retorno. Se você quiser ter maiores retornos no seu dinheiro, você precisará aprender a viver com maior volatilidade. Além disso, temos as eleições americanas que contribuem ainda mais para o aumento de volatilidade, trazendo dificuldades na escolha de investimentos, inclusive para grandes gestores, fundos e endownments. 

Eleições americanas, investimentos realizados por profissionais e o aumento de volatilidade nos mercados que tende a ficar

Em ano que o Ibovespa cai mais de 13% fica difícil para o investidor ter retorno positivo, assim como para os investidores profissionais. Em estudo recente das maiores endowments  (fundos de pensão e cenário vem mudando e a volatilidade aumenta muito perto de ano de eleições presidenciais americanas.

Nesse ano um fato que chamou atenção foi o aumento no número de investidores pessoa física e no sativos que mais tiveram retornos, sendo os investimentos em empresas consideradas mais populares, fazendo com que fosse colocado em cheque o retorno de investidores profissionais e fundos que estão tendo retornos abaixo da média de mercado. Esses retornos abaixo da média, colocam à prova o trabalho e o investimento feito por aqueles que são considerados profissionais e gestores de investimentos e que deveriam “bater o mercado”.

Em ano de volatilidade e em que empresas consideradas “caras”  e que estão subindo mais forte no ano, fica mais difícil para o gestor de fundos ter retornos acima da média. Além disso, poucos esperavam a recuperação que estamos tendo no ano, principalmente no mercado acionário americano em que já estamos com retornos positivos. Abaixo, seguem os retornos do Fundo Endowment de Harvard, que teoricamente reúne as pessoas mais inteligentes do mundo para a seleção de ativos:

Quanto às eleições presidenciais americanas, que podem trazer riscos na política de investimentos, Biden já deixou claro que vai parar de incentivar setores como o setor petrolífero, focando em energia alternativa e não-poluente. Mesmo com todas essas preocupações e o aumento de volatilidade, nota-se que  o mercado acionário americano independentemente de qual partido ganhe, temos um viés histórico altista:

Assim como temos um cenário de altas no governo dos presidentes, as quedas também podem acontecer em períodos isolados, independentemente do partido do presidente escolhido. Aqui podemos verificar melhor  as maiores quedas em cada período:

Sendo assim, fica claro que a volatilidade que estamos vivendo em 2020, tende a aumentar com a escolha do próximo presidente americano, porém vimos que os retornos tenderão a manter-se, cabe a você investidor, preparar o coração para a volatilidade, ter paciência e regularidade nos aportes para aproveitar o aumento de oportunidades que a volatilidade nos traz nos investimentos.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/10/26/investidores-precisam-acostumar-se-cada-vez-mais-com-a-volatilidade/

Impactos das eleições americanas, setores ganhadores e juros fora de contexto no Brasil

12 de outubro de 2020 às 16:50 Por Postado em Blog do Eliseu

Eleições americanas, juros fora de contexto no Brasil

Dia 15 teremos mais uma rodada de debates presidenciais americanos. Esperamos um debate melhor, eis que no último tivemos um mediador conivente com as interrupções de Trump, atrapalhando o raciocínio de Biden (que já demonstrou ser lento em várias entrevistas, chegando a esquecer perguntas, falando respostas diferentes do que foi perguntado, entre outras coisas)…

Como da última eleição americana, nas pesquisas Trump vem perdendo novamente. Em 2016, duas semanas anteriores às Eleições Americanas para presidente, a vantagem de Hillary Clinton para Trump era nada mais nada menos de 93% contra 7% de Trump.

Atualmente há uma relação entre 55% a 45% para Biden. Lembro que aqui nos EUA há um sistema diferente de contagem de votos, onde os delegados dos estados têm um grande poder de diferença e quando um partido leva a maioria dos delegados de um estado americano, ele ganha todos os votos desse estado. Estados americanos como Flórida e Califórnia têm um peso muito grande na votação e decidem uma campanha, tendo ocorrido assim em 2016, onde mesmo perdendo em votação popular, Donald Trump ganhou devido aos votos dos delegados. Em recente pesquisa pelo Banco do Brasil, Biden levaria, como podemos ver abaixo..

Setores privilegiados em caso de vitória de Trump e Biden

Sabemos a influência que tem a vitória em uma eleição americana e o efeito global que isso tem na economia, mercado financeiro e ações. Importante assim, analisarmos as propostas principalmente aos impostos e que possuem influência mais direta. No caso de vitória de Biden, a ideia é de um aumento de impostos em dividendos e ganhos de capital na ordem de 43,4% em média, saindo dos atuais 23,8% de Trump. Impostos para pequenas empresas sairia de 29,6% para 39,6%, impostos de renda sairiam de 37% para 52% e impostos para empresas maiores de 21% para 28%. Sim, o imposto de renda nos EUA é muito maior que no Brasil, porém o imposto sobre consumo é muito menor, sendo assim, quem é mais pobre paga menos impostos que no Brasil.

Em caso de vitória de Biden fica claro que o mercado de ações americano e por consequência mundial tende a ser impactado. Só o aumento de impostos para as grandes empresas tem uma expectativa de influência de cerca de 18% de queda nas ações americanas.

Em termos absolutos, teríamos os seguintes valores abaixo:

fonte: washington post

Há outras mudanças como fim de incentivos para combustíveis fósseis, incentivos maiores para carros elétricos, maior legalização da maconha, em infraestrutura e um aumento de gastos e dívida de governo, caso Biden ganhasse. Aproveito para mostrar algumas dessas empresas que seriam favorecidas abaixo:

Já no caso de continuação do Governo Trump, teríamos mais incentivos para o setor financeiro, maior investimento dentro dos EUA em infraestrutura, em saúde, energia e defesa aeroespacial, sendo algumas abaixo as companhias que seriam favorecidas:

Por ser pró-mercado, empresário e com propostas de manutenção de baixos impostos para empresas de capital aberto, Trump acredito que é o preferido do mercado financeiro. Dia 03 de novembro, teremos a resposta de quem ganhará.

Já no Brasil… Juros fora de contexto

Resultados primário e de dívida bruta foram divulgados recentemente e nos mostram o motivo do real estar depreciado, sendo uma das moedas que mais cai no mundo (que para mim é algo exagerado, temos muito a melhorar, porém não estamos pior que uma Argentina, sem reservas em dólar, cerca de US$ 30 bilhões, sofrendo controle de preços em alguns produtos e serviços como telefonia e internet e uma Turquia, que tem um ditador no poder), mostrando a necessidade de reformas no Brasil urgentemente…

No quesito resultado, há uma expectativa de despesas de 12,5% perante o PIB…

Nossa dívida bruta começa a atingir níveis preocupantes, próximo a 100% do PIB de dívida bruta…

Tudo traz reflexos principalmente no câmbio (em juros e câmbio conseguimos ter um efeito mais rápido do que estão pensando os investidores), com a saída do investidor estrangeiro, somado a uma taxa de juros abaixo da taxa de equilíbrio comparada com outros emergentes como podemos ver na diferença de juros de 10 anos e na Taxa Básica de juros, que seria a Selic, no Brasil…

fonte: investing.com e Cris Fenstersfeir

Pelos dados acima, temos a segunda maior diferença entre os emergentes. Saliento que as taxas de longo prazo são mais importantes que as taxas de curto prazo, eis que mostram a real possibilidade de manutenção a longo prazo dessas taxas baixas que temos atualmente e essas taxas de longo prazo são usadas pelos bancos para captação, que emprestam na economia. Vale ressaltar que podemos notar também que a maioria das taxas de países emergentes está na casa dos 4% a 4,5% e acredito que aí que deveria estar nossa Selic. Há previsão no Relatório Focus que compila opinião das maiores instituições financeiras de elevação dos juros para esses patamares.

Outro fato importante a ressaltar é que taxas mais baixas, dificultam o carry trade (ato de um investidor tomar emprestado dinheiro nos EUA, por exemplo, a juros de 2% ao ano e investir no Brasil, em títulos do Governo, com juros a 15-16% como tivemos recentemente em 2016) que trazem mais dólares para o País, diminuindo a pressão sobre o câmbio também.

Então, em resumo o que você está pensando, Eliseu…

  1. eleições americanas têm um papel importante para os investimentos, Trump é mais pró-mercado e tem propostas de manutenção de impostos menores, já Biden quer incentivar energia elétrica;
  2. Brasil vem aumentando as despesas, gastamos cerca de 8% do PIB em incentivos em 2020, atingindo 100% de dívida-PIB e precisamos de reformas para travar esse aumento de dívida que está em ritmo de expansão;
  3. Real Brasileiro a moeda que mais cai no mundo, acho exagerado, temos a melhorar obviamente (citado acima) porém não somos o pior do mundo e foi exagerada a queda, incluindo mercado de ações;
  4. juros fora de patamar, deveriam estar acima, pressão na inflação acontecendo e juros devem aumentar em 2 anos;
  5. leia, estude, há sempre oportunidades de investimento no mercado!

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE E IMAGENS: https://bugg.com.br/2020/10/12/impactos-das-eleicoes-americanas-setores-privilegiados-e-juros-fora-de-contexto-no-brasil/

20200928 – Tônica da Semana: Adaptabilidade e Equilíbrio aos Novos Tempos

28 de setembro de 2020 às 16:28 Por Postado em Blog do Eliseu

Adaptabilidade e Equilíbrio aos Novos Tempos (by Eliseu Mânica) 

Estou escrevendo esse texto aqui de Chicago. Depois de 3 anos volto para cá, rever a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago e ter aprendizados e contatos aqui. A realidade dos EUA, comparada com o Brasil parece diferente. Aqui a economia está reabrindo e a Flórida, por exemplo, através de seu Governador, Ron deSantis, irá reabrir restaurantes e empresas em sua plena capacidade (estavam funcionando com 50% da ocupação total). Em Chicago, vejo tudo natural, muita disponibilidade de álcool gel, indicadores no chão, lembrando de tomarmos distância social de 6 feets (ou seja 30 centímetros).

Saber mais acerca dos mercados, assim como a adaptabilidade e ao mesmo tempo manter o equilíbrio são, a meu ver, qualidades importantes para os investidores.

Na história dos investimentos, nunca tivemos como investidores, cenários tão voláteis como o ano de 2020. Tanto em cenário político, econômico e sobretudo em 2020: o biológico pesou muito! Tudo isso influenciou o mercado financeiro e dando uma olhada nos fundamentos e resultados das empresas e dos investidores, saiu-se bem aqueles que tiveram essa rápida adaptação. É como a frase atribuída à Darwin, mas que segundo estudos não seria dele, ““Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”. Esse está sendo o ano do investidor que realizou isso.

Mudanças no perfil das empresas, na forma de investir e dos investidores

Cada vez mais teremos mudanças nas empresas, na forma de investir e na personalidade do investidor. Primeiro quanto ao quesito de empresas. Com toda a “disruptividade” acontecendo, tínhamos empresas com uma vida útil muito maior que a atual. Isso é bom, porque cada vez mais o ser humano busca ser melhor, acredito pessoalmente que é por isso que vivemos, melhorar a cada dia, pessoalmente, fisicamente, mentalmente, profissionalmente e claro, como investidores.

Por isso saí de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, morando em várias cidades e países, buscando melhorar como investidor, que é o que amo fazer. Com a busca constante de melhoria nesse cenário que vivemos, muitas empresas deixam de existir. Uma forma de ver isso é através da vida útil das empresas no S&P500. Em 1994 o tempo de vida útil no S&P500 chegou a mais de 70 anos…atualmente estima-se que essa vida ultill das empreas so índice caia para 14,4 anos em 2030, ou seja, cada vez mais diminuindo o tempo de sobrevivência nesse Índice, seja por falência, por diminuição de tamanho e expressividade, com o qual podemos ver abaixo:

Além disso, a questão digital vem acelerando muito e nessa pandemia tivemos empresas que perderam e as que cresceram nesse cenário, na qual podemos colocar as varejistas focadas na parte digital, como maiores ganhadoras. Essa tendência deve continuar como mostro abaixo, porém cabe ao investidor não esquecer que um ótimo investimento é aquele que alia uma ótima empresa com ótimo preço e muitas das empresas de varejo atual, já embutem taxas de crescimentos altíssimos nos seus preços de mercado atual:

Quanto à forma de investir um dos grandes avanços e que mais chamaram atenção nos últimos anos foram as criações de apps que facilitaram e democratizaram o acesso ao mercado financeiro, com custos baixos ou próximos de zero. Vale lembrar que “there´s no free lunch” … nada é de graça … o RobinHood, por exemplo, vende a ciência das ordens executadas para fundos quant que ganham dinheiro entrando e saindo rapidamente de posições feitas pelos clientes do app e isso é plenamente legalizado nos EUA.

Já quanto a questão de mudança de comportamento no perfil do investidor vem para sacramentar mudanças históricas. Essas mudanças têm ocorrido em alterações pela renda, educação, tipo familiar e região em que se vive o investidor, fatores que influenciam muito o comportamento do investidor.

O mercado de capitais teve como grande massa dominante, pessoas com mais idade, ricas, brancas do sexo masculino e qualquer movimento para democratização dos mercados foi atrapalhado pela Grande Depressão. Até o movimento atingido pelo momento em que os Babyboomers estiveram em idade de trabalho, é que o mercado começou a ser mais democrático, principalmente com fundos ETFs (fundos com baixo custo, criados principalmente por John Boggle que escrevi aqui sobre ele, na Série Grandes Investidores), mas que não atingiu plenamente os não brancos.

Geração X tendeu a imitar os seus pais, seguindo caminho similar…já os Millennials ao atingirem o momento pleno de época de trabalho, parecem criar um novo padrão no qual há uma participação cada vez maior de investidores pessoas física de todas as raças, centrada na compra e venda de ações de ações individuais. As quantias em valor hoje são menores, mas o longo impacto que esses indivíduos trarão, na economia e na sociedade como um todo, serão profundas.

No gráfico abaixo, podemos ver que classes que participavam menos do mercado de ações, estão começando a ampliar participação, principalmente em ações:

Além disso, a quantidade entre negros, hispânicos, latinos está aumentando o percentual de influência no mercado de ações, como podemos ver abaixo:

Podemos notar abaixo também que indivíduos com idade média de vida e com mais idade, estão vindo para o mercado acionário com mais força. Provavelmente, pelas questões que comentei acima, escalabilidade de aplicativos para investir com mais facilidade, menores custos, mudanças em termos de mindset e também a questão de redução de juros baixos, que diminui a atratividade de renda fixa e outros investimentos, além da disponibilidade recente e massiva de capital por parte dos bancos centrais e governos..

Cenários e investidores mudando.. incluindo aí um dos mais conhecidos e ricos do mundo: Warren Buffett!

Que o cenário mudou isso é claro, e o que corrobora isso é  a mudança de mindset de um dos maiores investidores de todos os tempos: Warren Buffett! Avesso à ações de tecnologia, surpreende para muitos o fato de que ele tem como maior posição, cerca de 40% no portfólio da Berkshire Hathaway, as ações da gigante de tecnologia Apple. Se ele adaptou-se, imagina nós investidores que ainda temos muito o que aprender!

Fui atrás para o que poderia ter chamado atenção do bom velhinho e o que mais me chamou atenção foi o fato do alto movimento de buyback shares (recompra de ações), por parte da Apple. Em 2017 eram cerca de 26 bilhões de ações em circulação e hoje esse número é de 18,5 bilhões de ações. Quase 30% (!!!!!!) a menos de ações com um lucro maior, ou seja, mais lucro na Companhia com uma menor quantidade de divisão, gerando mais lucro por ação para o investidor. Essa é uma combinação explosiva de retorno no médio-longo prazo e isso vem mantendo-se. Além disso, a marca que a Apple tem e a possibilidade de que seus produtos fiquem no inconsciente dos seus consumidores (incluindo os investidores também) é altíssima. Abaixo mostro essa diminuição nas ações da Apple em circulação, que disponibilizei em meu instagram (@eliseumanicajr):

Em resumo…

Temos uma mudança em andamento na maneira do investidor realizar investimentos, mudanças que incluem aplicativos mais facilitadores de acesso, mudanças de mindset, de idade de quem investe, nível social e que trarão consequencias para nossos investimentos. Até Warren Buffett viu isso no auge dos seus 90 anos, mudando o approach que tinha sobre ações tech, como a Apple e caberá a nós investidores perceber isso, adaptando-se a cenários cada vez mais rápidos de mudanças.

Um fato que pondero e que não devemos esquecer é o equilíbrio de mantermos nossas convicções, não ir por “modinhas” e ao mesmo tempo, saber quando uma tendência chegou ao fim. Essas mudanças serão cada vez mais rápidas para o investidor e essa sensibilidade será cada vez mais necessária!

Como modinhas e para finalizar, vejo o movimento atual de ações de crescimento vs valor (que continuam bem descontadas) e que, em momento de eleições presidenciais nos EUA (que afeta o mundo como um todo), mostra-se com disparidades ao meu ver. Essa diferença entre preço e valor aumentou recentemente, dado que tivemos um corte de juros grande por parte do Federal Reserve, um risco de inflação com a impressão de dinheiro massiva por parte dos bancos centrais mundiais. Essas são alguns dos principais fatores que podem ser explicados também como forma dessa disparidade entre investimento em crescimento vs valor, como podemos ver abaixo:

Por estarmos em um período de eleições presidenciais americanas, com uma expectativa próxima de uma vacina e volta controlada ao normal e uma continuação nos estímulos, esses fatores favorecem historicamente mais os investimentos em valor e isso que venho fazendo em minha carteira de investimentos e na Gestora que criei.

Mas e aí preço importa, Eliseu?

O que quis mostrar até aqui é que dado o cenário atual, é momento de focar onde tenhamos mais margem de segurança. O preço é fundamental ao investir. Comprar algo bem é o que vai definir o quão bom será a Taxa Interna de Retorno (TIR) do seu investimento. Focar em comprar barato e em momento de maiores crises como o atual é o ideal para um investimento. Mesmo ativos sem qualidades, mas que bem comprados, podem dar retorno positivo ao investidor.

Um exemplo são empresas praticamente quebradas, com prejuízos grandes aos longos do tempo e que negociam bem abaixo do valor, por exemplo, da vantagem tributária de aproveitamento desses prejuízos passados. Uma empresa com boa saúde, pode adquirir essa empresa deficitária pagando um valor menor do que poderá aproveitar como vantagem em impostos para ela (respeitando o limite atual desse aproveitamento). Até em empresas quebradas, pagando-se um preço ótimo, o investidor pode ganhar dinheiro. Mas lembro que esse não deve ser o seu foco, esse é apenas um exemplo.

É importante para você investidor não confundir comprar bem com ficar com dinheiro em caixa esperando eternamente. Conheço alguns amigos que saíram do mercado nos 70 mil pontos e estão esperando voltar até hoje.. ehehehe. Há sempre oportunidades no mercado e ao meu ver, a melhor forma de proteção é a diversificação e não estar 100% em caixa, como muitos defendem!

Abaixo mostro um estudo realizado nos Estados Unidos, País que moro atualmente. Nesse estudo mostra-se que a compra no “tempo perfeito”, traz pouca diferença para investir imediatamente e para o investimento corriqueiro ou compra de tempos em tempos, o popular “preço médio”. A diferença dessas estratégias é muito melhor que ficar em caixa. Isso que o período de estudo foi feito entre 1933 e 2012, via Charles Schwabb, uma das maiores aqui dos EUA. Imagine ficar com investimentos e m caixa agora, com juros perto de 0% nos EUA.

Nesse outro estudo do Business Insider é mostrada a filosofia Buy and Holder durante 30 anos. O retorno médio foi de 8,4% ao ano. Perdendo os 5 melhores esse retorno foi para 6,69% médio, em caso de perda d0s 10 melhores dias, o retorno foi para 5,61%; com perda dos 20 melhores dias, o retorno foi para 3,84% ao ano; com perda dos 25 melhores dias, o retorno foi para 3,06% ao ano..

Então, em resumo Eliseu…

  1. cenários de investimentos estão mudando rapidamente
  2. será cada vez mais importante saber seguir sua convicção e saber a hora de mudar o approach ao investir
  3. “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”
  4. nunca tivemos uma diferença tão grande entre investimento em valor e growth;
  5. momento atual de eleições, provável vacina e estímulos, favorece o investimento em valor;
  6. uso uma mescla das duas escolas;
  7. mercados emergentes com múltiplos bem abaixo do que os países desenvolvidos, incluindo aí, especificamente a moeda Real que acho exagerada a queda;
  8. preço importa totalmente: até empresas quebradas, podem destravar valor com o tempo, mas o foco deve ser em ótimas empresas, com ótimos preços. Se nao der a primeira, foque no segundo;
  9. esteja no mercado, não tente adivinhar para onde ele vai;
  10. melhor forma de proteção: diversificação de ativos, ativos descorrelacionados na carteira e não ficar fora do mercado ou ficar totalmente com caixa!

Fico por aqui!

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Eliseu Manica Júnior
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