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Opinião sobre o momento atual by Eliseu Mânica Júnior

18 de janeiro de 2021 às 14:12 Por Postado em Central do Investidor

O objetivo do texto aqui não é prever o que pode acontecer (até porque ninguém pode fazer isso), mas sim procurar mostrar o que venho fazendo em meus investimentos e os pensamentos que tenho para o cenário atual.

Invisto desde 2005 e desde 2008 trabalho de maneira profissional no mercado financeiro, já passei por várias crises como investidor, sempre tentando aprender e evoluir, mas um fato é que quando estamos no meio de uma crise, imaginamos que a atual é sempre a maior que já vivenciamos. O que diferencia essa das demais crises é o fato de que não ela não ocorreu por um erro do mercado, como uma ruptura no sistema financeiro ou alguma alavancagem, por exemplo, como ocorreu no suprime e a alavancagem dos bancos em 2008, o que nos deixa claro que a atual crise é uma crise da natureza.

Em meus investimentos tenho a maior parte do meu capital nas empresas que fundei, em terrenos e na parte financeira, 90% do capital financeiro nos Clubes de Investimentos que a Gestora que fundei faz a gestão, ou seja, totalmente skin in the game. Esses clubes andaram muito bem no passado e nesse ano, como a maioria dos fundos, ele está de maneira similar ao Ibovespa de retorno.

Ingressei com um aumento de 40% do meu capital em março, alocando em ações, penso que o mercado brasileiro descolou-se como um todo, principalmente do mercado americano e os ativos brasileiros que mais subiram foram ativos tech, linkados ao varejo online e recentemente as commodities, principalmente carne, produtos agrícolas e minério, devido a recente recuperação Chinesa, deixando ativos do mercado interno brasileiro muito aquém em termos de retorno. O que penso é que em dólar estamos caindo cerca de 60-70% das máximas como um todo e que vários ativos em dólar estão a preços vistos no ano de 2005. Somado a isso, nossa moeda é a que mais cai no ano e nossa bolsa idem, sendo assim, se não for para investir agora no mercado de ações brasileiro, qual será o melhor momento?

Sobre o fato do investidor procurar uma proteção em ouro e com o grande incentivo monetário por parte dos bancos centrais, acredito que o ouro já subiu muito, além disso, a maneira que grande parte dos investidores do Brasil utilizam para investimento em ouro é o OZ1D e OZ2D, que já sobe mais de 50% no ano, além disso, há uma quantidade maior de contratos financeiros de ouro, acima do que existe de ouro físico disponível no mundo, ou seja, estamos comprando papéis ou cotações de ouro e não propriamente a moeda.

Com todo essa quantidade grande de dinheiro no mercado, chama atenção o fato de que a velocidade do dinheiro não vem acontecendo, devido a isso acredito que foi necessário uma injeção maior de dinheiro na economia, como podemos ver abaixo:

O bitcoin poderia ser uma alternativa ao ouro, mas como todo investimento é preciso termos uma noção de onde estamos pisando, realizando uma análise de investimento, um valuation de quanto vale um ativo e eu, tentando fazer essa análise o máximo que consegui foi fazer uma análise baseada no custo para produzir um bitcoin, através da mineração e do uso de eletricidade, cujo custo varia de país para país.

Uma diferença do bitcoin para outros ativos é que o bitcoin não produz dividendos como o investimento em ações, ou não tem possibilidade do recebimento de um aluguel como no caso de imóveis ou ainda o de arrendamento e produção em uma área de terra, por exemplo. Esses ativos suprem também a questão da inflação, pois são ativos “reais” e penso que tanto dinheiro sendo colocado no mercado, possa ocorrer uma inflação (exceto de que quanto mais passa o tempo, menor é a velocidade desse dinheiro,ou seja, diminui a sua circulação).

Visando agregar na troca de ideias, irei primeiro fazer uma retrospectiva do que aconteceu, a solução e remédio utilizado e posteriormente minha humilde leitura do que pode ocorrer no médio e longo prazo.

1)Crise do Corona Vírus: crise da natureza como mencionado, onde um vírus trouxe um choque na oferta e na demanda na economia. Não foi uma crise do mercado financeiro em si, mas um efeito da natureza que trouxe mudanças rápidas. Por exemplo, foi queda mais rápida do mercado financeiro e também a recuperação mais rápida. Por exemplo, as quedas que ocorrem em março e abril, utilizando os parâmetros de risco de janeiro, somente teriam a probabilidade de ocorrer em 2767 anos, ou seja, algo extremamente raro e único!!!

fonte: Perseva Asset Management – apresentação

A resposta pelos bancos centrais mundiais foi rápida, com vários países já endividados e mesmo assim, a saída foi a impressão de mais dinheiro e incentivos, tudo isso ocorrendo de maneira rápida e gigantesca, como podemos o balanço do FED, o Banco Central Americano, que cresceu cerca de US$ 2,7 trilhões, ou seja, mais de 50% em apenas 2 meses!!! Não somente o banco central americano fez isso, mas a maioria dos bancos centrais mundiais.

fonte: Bloomberg

A grande quantidade de dinheiro disponibilizada, foi devido ao fato de que a velocidade do dinheiro vem diminuindo, ou seja, demorando mais para estar disponível no mercado. Só para se ter uma ideia, em 2008 com os quantitative easings da época foram cerca de US$ 700 bilhões disponibilizados ao mercado inicialmente e agora temos mais de 4x!!! Com essa imensa quantidade de dinheiro despejada no mercado, grande parte acabou indo para o mercado financeiro e acabou gerando uma valorização dos ativos, incluindo na bolsa de valores.

Sendo assim, após uma queda rápida nas bolsas mundiais, tivemos uma recuperação rápida também, influenciando nos múltiplos das empresas americanas, como podemos ver abaixo:

Acima podemos notar que o Price-Earnings da bolsa americana forward (prevendo um ano a frente) está em 20,4x lucros anuais, enquanto a média é de 15,4x. Já em termos de Enterprise Value-Ebitda, a bolsa americana estaria como segue abaixo, recuperando os múltiplos pré-crise:

 

Uma das bolsas americanas, a Nasdaq, que é a bolsa onde são negociadas as empresas de tecnologia, está inclusive acima do patamar pré-crise:

Aqui cabe uma ressalva devido ao fato de que as maiores empresas de tecnologia americanas, devido ao momento de lock down que passamos e que ficamos mais em casa, tiveram suas vendas aumentadas, sobretudo as FAAMG (Facebook, Apple, Amazon, Microsof, Google “Alphabet”), como podemos ver abaixo:

Com o aumento nas receitas das FAAMG e devido ao peso que as mesmas possuem no S&P500, que hoje é de 21,38%, o que é muito alto, nos mostra o quanto elas influenciam atualmente o peso do Índice Americano.

Com tamanho peso das empresas de tecnologia é natural que elas “puxem” para cima o índice S&P500, como mostra a figura abaixo e o retorno de cada empresa FAAMG, comparando-as com o ìndice Americano:

Movimento similar ocorreu no Brasil, onde empresas linkadas ao setor de tecnologia e varejo online (ou que estão focando e transformando seu varejo online) tiveram uma disparada, como o exemplo de B2W, Via Varejo, Magazine Luiza, Carrefour, Lojas Marisa, que tiveram recuperações fortes comparadas com outros setores do Brasil, muitas das empresas acima com históricos de prejuízo e queima de caixa (B2W queimou cerca de R$ 645 milhões em caixa, por exemplo).

Como não temos empresas de tecnologia e varejo como os maiores pesos no Ibovespa, por isso não recuperamos toda a queda que tivemos, pois temos empresas mais ligadas à commodities e apenas recentemente com a recuperação da China principalmente, que tivemos uma elevação no minério, assim como commodities agrícolas, carne, etc.

2) Crise do petróleo: Não bastasse a crise do Corona Vírus, tivemos a crise do Petróleo com Rússia e Arábia Saudita entrando em desacordo e praticamente fazendo com que a OPEP entrasse em descrédito, perdendo união entre os seus membros.

Antes da crise o consumo diário era de 100 milhões diários de barris e tivemos uma queda entre 20 a 30 milhões de barris diários na demanda. Não bastasse a queda na demanda, tivemos ainda um choque na oferta, com a Arábia Saudita vendendo por US$ 6 a menos para o principal cliente Russo, a China, cada barril de Petróleo e aumentando a oferta em cerca de 13 milhões de barris.

Como efeito, ocorreu um descasamento entre oferta e demanda e o petróleo saiu de US$ 65 para US$ 30, castigando as empresas do setor. Um fato que nunca havia ocorrido é que os contratos futuros do petróleo foram para o campo negativo, onde o armazenamento mundial entrou em choque também e o custo aumento de US$ 20 mil para US$ 180 mil diários por navio, além de uma ocupação de 87%, acima da média histórica. Com isso, os contratos futuros entraram em campo negativo, com ninguém querendo ficar com a batata na mão, como podemos ver abaixo:

No Brasil tivemos uma queda também nas ações do setor, onde empresas como Petrobrás, Enauta e Petrorio sofreram quedas acima de 70%, trazendo oportunidades para os investidores.

Penso que esse é um setor que tende a recuperar-se, eis que as empresas brasileiras têm um custo menor que o patamar atual do barril, em US$ 30, além disso, várias empresas de shale já estão saindo do mercado e é uma questão de tempo que muitas outras mais saiam, eis que a cotação do petróleo WTI que é a indicação usada para o shale, está em patamar muito inferior ao do Brent.

Como comentado anteriormente, pelo fato de que o Ibovespa não ter peso muito grande de ativos linkados ao setor de tecnologia e varejo, onde Vale, Petrobrás e Itaú tem os maiores pesos, temos que ter uma atenção especial com a China, que é uma das maiores compradoras de commodities do mundo. Com o fim do lock-down Chinês e a recuperação de alguns indicadores antecedentes dessa economia, podemos ter uma recuperação mais pujante do índice de ações brasileiro.

3) Crise política e o Brasil: se não bastassem as outras duas crises, fomos produzir uma terceira crise, a crise política brasileira, iniciando com um Moro Day, trazendo insegurança para o investidor. Como comparativo, mesmo em ano de eleição presidencial americana, lá o Senado tem uma união maior, diferentemente do que estamos vendo recentemente aqui.

Com mais  esse risco, o que aconteceu foi uma desvalorização maior em nossa moeda, que tem uma cotação menor que a da Suzilância e que é que mais cai no mundo, como podemos ver abaixo:

fonte: Bloomberg

Além do mais, tivemos um corte agressivo na Taxa Selic recentemente e isso trouxe mais pressão em nossa moeda, pois antigamente era muito comum o mecanismo de carry trade (investidor estrangeiro captava mais barato no exterior,  por exemplo, a 2-3% ao ano e investia no Brasil a 15-20% ao ano) e isso deve diminuir muito, eis que agora a Selic está no patamar mais baixo da história.

Com a queda que tivemos em nosso juro, maior do que esperado e que surpreendeu o mercado, o dólar ganhou ainda mais força, fazendo que com as ações brasileiras ficassem ainda mais baratas, depreciando nossa moeda, favorecendo as empresas exportadoras, outro setor que acabou subindo fortemente.

Resumo do que penso sobre tudo o que ocorreu recentemente:

1) empresas tech e varejo on line subiram fortemente nos EUA e por possuírem um peso maior no S&P500, fez com que alguns índices recuperassem o patamar pré-crise;

2) no Ibovespa, o que mais pesa são empresas ligadas ao setor financeiro e commodities, e o ideal é olharmos para a recuperação da China, que já vem acontecendo, porém empresas do setor bancário estão com quedas de 40-50% e acredito que temos uma oportunidade nesse setor;

3) investimento em ações se faz em momento de crise, em momentos que não temos uma certeza no cenário, para quem procura essa certeza, certamente comprará bolsa a níveis muito maiores que o atual. Momento atual é de grande incerteza;

4) maioria dos investidores busca proteção em ouro, porém além do fato de que o metal já subiu mais de 50% no ano, há outro fato de que este não possui um valor intrínseco (não produz nada), além disso, maneira mais usada é compra de contratos financeiros e há vários indícios  de que o número de contratos é maior que o lastro existente do metal, o que traz um risco alto (maior quantidade de ouro negociado digitalmente, do que o que existe propriamente de ouro físico, o que não deixa de ser algo similar ao dólar e ao fim do padrão-ouro);

5) em dólar, a bolsa brasileira cai próximo a 70% e o Real é a moeda que mais se desvaloriza no mundo;

6) em momento de impressão de moeda por grande parte dos bancos centrais mundiais, ativos reais tendem a ter maior valor e são proteção contra inflação;

7) ìndice de Volatilidade atingiu o pico (não quer dizer que não possa atingir novamente), mas é um indício do receio que existe no mercado e isso dispersou-se, pelo menos momentaneamente;

8) mercado interno brasileiro tem oportunidades. Ativos negociados abaixo do valor contábil;

9) estamos com o menor patamar de juros da história. Podemos ter elevação no dólar e isso tende a permanecer, melhorando nossos resultados comerciais como País;

10) Retirado do Livro “Ações para o Longo Prazo”, do Jeremy Siegel, que mostra que entre ações, títulos públicos de longo e curto prazo, ouro e inflação, o que mais rentabilizou em 204 anos (obviamente, tivemos guerras e inúmeras crises nesses períodos, não apenas como a Crise atual), foram as ações de ótimas empresas, como podemos ver abaixo:

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Aqui quem vos escreve é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

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Bolsa brasileira nos 125 mil pontos… Cara ou barata?

11 de janeiro de 2021 às 18:42 Por Postado em Central do Investidor

De maneira surpreendentemente cá estamos nós outra vez, no topo histórico em termos de cotação no nosso benchmark, o Ibovespa! Poucos esperariam esse patamar ser atingido tão rapidamente, mas o fato é que o mercado é assim, surpreendente e cabe a nós investidores, nos adaptarmos e aprendermos a cada ano, olhando para trás e melhorando aquilo que é possível. O ato de investir é uma das poucas atividades que têm tendência de evoluir e melhorar com o tempo.

Uma das lições que eu já tinha comentado em artigos anteriores e que corroborou com o movimento dessa Crise Covid, foi o fato de sempre permanecer no mercado com maior ou menor percentual, de acordo com o seu perfil de investidor, diversificando os investimentos para você ter “balas disponíveis” para serem usadas em momentos como os de março-abril de 2020.

Outro ponto importante foi a observação do fluxo do investidor estrangeiro. A recuperação forte do final do ano, vista no Ibovespa, foi sobretudo a entrada de capital estrangeiro que saiu basicamente de um fluxo negativo de – R$ 80 bilhões para um fluxo negativo de – R$ 17 bilhões, o que mesmo terminando pelo terceiro ano negativo, tivemos uma melhoria na entrada de capital estrangeiro na ordem de R$ 63 bilhões em apenas 3-4 meses do final do ano de 2020.

Essa entrada de capital por parte dos estrangeiros, nos ajuda a visualizar o Ibovespa em dólar que ainda está perto dos 23 mil pontos, muito abaixo dos 40 mil pontos em dólares, atingido em meados de 2010-2012, como podemos ver abaixo:

O que vem ajudando o Ibovespa recentemente é a alta das commodities, que assim como outros ativos reais após a impressão maciça de dólares por parte dos bancos centrais mundiais (e que deve continuar nos EUA, como o Governo Democrata de Joe Biden, que já deu sinais de mais incentivos na casa dos “trillhões de dólares” e “salário mínimo da ordem dos US$ 15 a hora”, contra os atuais US$8 a 10 a hora) trouxe uma valorização nas principais commodities em 2020, favorecendo as exportações brasileiras, principalmente do setor de proteínas, soja, milho, minério de ferro, petróleo (com a recuperação rápida dos US$ 50,00 do barril) e outros, como pode ser notado na tabela abaixo:

Já em reais o Ibovespa negocia perto dos 125 mil pontos e aproximadamente 16x lucros atuais, cujo patamar está acima em um desvio-padrão da média de 13,2x lucros anuais. Dada essa alta recente, cautela e um maior filtro quanto aos ativos escolhidos são necessários. Atuo há mais de 15 anos no mercado financeiro e é incrível como nesses momentos de alta extrema, de recordes na pontuação do Ibovespa é que os investidores ficam mais corajosos para realizar investimentos. Um filtro de setores e ativos são importantes para momentos como esses. Setores como saneamento, utilities, commodities, ainda estão descontados e trazem oportunidades.

Já o S&P500 também negocia em patameres recordes, sendo avaliado a patamares semelhantes a Bolha.com, dos anos 2000, como podemos ver abaixo:

Dois indicadores que servem como embasamento para termos ciência do nível de mercado é o Fear and Greed Index, da Cnn Business que está atualmente em 71 de um máximo em 12 meses atingido em 93 e o indicador Panic Euphoria Model, que está batendo o recorde de negociação dos anos 2000, como segue:

Outro indicador muito importante, é o chamado “Índice de Buffett”, que utiliza o valor de mercado de todas as bolsas mundiais e o PIB mundial, tudo aquilo que é produzido no mundo e esse indicador traz outro alerta: ele está 21% acima de udo o que está sendo produzido no mundo, estando em patamares pré-2008, ano da Crise do Subprime, o que também nos chama atenção como podemos ver abaixo:

Sendo assim, em dólares vemos o Ibovespa ainda muito barato, quase a metade do patamar de 2010-2012, porém em Reais um pouco acima do patamar histórico (nessa próxima temporada de resultados, poderemos ter uma definição melhor). Uma alternativa é a compra de BDRs, para aqueles investidores que é permitido essa modalidade de investimento.

Já nos EUA, vários indicadores estão muito acima do patamar médio e nos mostra cautela quanto aos ativos a serem investidos. Um exemplo recente é a Tesla, cujo valor de mercado atingiu os US$ 800 bilhões e tornou seu fundador e majoritário, Elon Musk, o homem mais rico do mundo. Movimentos assim devem nos trazer cautela e nos lembrar que sempre temos que ter parcimônia na escolha de ativos para se investir, principalmente em momentos como esse, que começam a demonstrar excessos em alguns setores, como o de tecnologia, por exemplo.

Sempre lembrando: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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Um balanço de 2020 e premissas para 2021 nos investimentos

05 de janeiro de 2021 às 11:13 Por Postado em Central do Investidor

Um balanço de 2020 e premissas para 2021 nos investimentos

Terminado mais um ano é momento de revermos o que deu certo, melhorarmos o que podemos aprimorar e realizarmos uma reflexão sobre o que passamos. Isso deve ser feito, principalmente, no setor de investimentos, que é a fonte de liberdade futura.

Nosso compromisso é ser transparente aqui, passando aquilo que realmente pensamos sobre o mercado financeiro. Há todo um movimento acontecendo de melhoria nos investimentos brasileiros, cada vez mais brasileiros estarão entrando no mercado financeiro.
Moro nos Estados Unidos atualmente e esse movimento já aconteceu por lá, no final dos anos 80 e tende a repetir-se no Brasil.

Em 2020 em um dos primeiros momentos da história de investimentos, tivemos investidores pessoa física ingressando fortemente na bolsa em um momento de queda extrema na cotação do preço dos ativos variáveis. Esse movimento foi transformacional porque, ao contrário de anos anteriores, em que ocorria uma queda brusca e o investidor pessoa-física saía do mercado financeiro, resgatando suas aplicações justo no melhor momento para aplicar, em 2020 o investidor pessoa-física ingressou e aumentou os recursos (de modo geral) no momento de crise.

Em recente pesquisa da B3, o número de investidores pessoa física saltou de 1 milhão para quase 3,2 milhões em novembro de 2020. Confira na imagem abaixo:

Isso tende a manter-se nos próximos anos pelo cenário favorável que temos de juros baixos (que segundo o FED tende a continuar até 2022-2023, caso não ocorra uma pressão inflacionária). Até mesmo no Brasil (cujos juros tendem aumentar neste ano e nos próximos, porém muito abaixo do histórico que já tivemos).
Atualmente estamos com menor assimetria de informações, temos mais bytes de informações que todas as estrelas somadas do universo e a cada dia os investidores procuram buscar mais conhecimentos sobre o mercado financeiro, assistindo lives, por exemplo e agregando conhecimento durante o tempo que obtiveram em casa por conta da pandemia. O único porém, é saber filtrar as informações úteis das pouco úteis (o que varia de pessoa para pessoa).

Em recentes pesquisas da B3, conseguimos obter o maior perfil de investidor brasileiro, ele é: masculino; não tem filhos; tem renda média de até R$ 5 mil por mês; a maior parte vive no Sudeste do país; tem em média 32 anos; e trabalha em tempo integral. Confira abaixo:

De acordo com as informações obtidas nas pesquisas, a maior fonte de aprendizado desses investidores é através de influenciadores-youtubers e internet, principalmente.

O número de investidores pessoa física tendem a continuar aumentando nos próximos anos. Países como a Colômbia tem cerca de 6% das pessoas física no mercado de ações, mesmo com todo o crescimento, o Brasil tem atualmente 1,5% da população. Nos próximos 5 anos, há a tendência de  crescimento de 300% no número de investidores. Isso é totalmente possível se compararmos os números da Colômbia, um País emergente como o Brasil.

Índice de Reabertura Econômica

Indicador de Reabertura Econômica vem demonstrando melhoria mês após mês, mesmo com as ameaças de uma nova onda ocorrendo na Europa e Estados Unidos. Esse indicador é muito importante para verificarmos como está indo a economia. Vários setores já estão acima do período pré-pandemia. Na construção civil faltam materiais. No voô que vim dos Estados Unidos no início em dezembro, a lotação era máxima, ao contrário de junho-20, quando viajei e havia 3 assentos para cada pessoa. Felizmente, os sinais de recuperação mostram-se cada vez mais resilientes..

No setor de malls, shopping centers, a mesma recuperação vem acontecendo, porém de maneira mais tímida, mas o fato é que há oportunidades ainda no setor, pela questão de estar ainda atrasado na recuperação, comparado com outros setores que já estão mais vigoroso.

2020 foi um ano de paciência e que trouxe ótimos retornos para o investidor paciente e que investiu no momento de maior queda

Olhando os retornos dos ativos no último ano, as commodities foram os ativos que mais andaram de maneira geral, provavelmente pela grande quantidade de dinheiro impresso no mundo todo e pela escassez que a prata e o ouro tem principalmente. Ativos ligados ao mercado americano também andaram bem. Abaixo conseguimos ver em azul forte, a queda máxima, em verde claro o retorno no ano e em verde escuro o retorno das mínimas. O investidor que conseguiu comprar perto das mínimas fez certamente um ótimo negócio. Por isso a importância de aportes, principalmente em momentos de maior stress e da paciência ao esperar esses aportes gerarem frutos.

Abaixo, seguem os retornos dos ativos no ano e em dólar. Apesar dos mercados emergentes (emerging markets) estarem entre uma das classes de ativos que mais subiu, o Brasil em dólar foi um dos que mais caiu, nossa moeda é uma das mais desvalorizadas e estamos em um dos menores pesos na história em termos de percentual de investimentos em uma “carteira global”.

Nos Estados Unidos é notório o peso do setor de tecnologia que subiu 41,2% no ano e que basicamente levou o S&P 500 nas costas. Mais adiante falaremos sobre esse setor.

Entre os maiores ganhadores na pandemia, estão as ações dos laboratórios farmacêutico Novavax e Moderna, com +745% e 433% respectivamente e ações da Tesla, que escrevi inclusive aqui anteriormente, comentando sobre o desequilíbrio do preço de mercado da Tesla, que vale mais que as 8 maiores empresas automotivas do mundo e vendia 27x menos, mesmo com o avanço da Porsche e outras empresas no setor de carros elétricos.

Já os maiores “perdedores” foram ações de empresas de turismo e cruzeiros, como a Carnival Corporation, empresas de energia e empresas aéreas.

No Brasil, assim como nos EUA, tivemos empresas de commodities e algumas disparidades de empresas negociando a altos múltiplos, o que cabe uma ressalva, assim como no caso de Tesla. Essa diferença entre preço e valor, tende a ser corrigido futuramente.
Agir com cautela com alguns ativos, ter pensamentos e estudos próprios e não ser um seguidor “às cegas” de investidores e criadores de conteúdo, é necessário.

Investimentos alternativos também subiram fortemente, no caso das moedas virtuais – Bitcoin e Ethereum, por exemplo – subiram muito, com o Bitcoin atingindo mais de US$ 34 mil recentemente. Há estudos que 1 a 2% de uma carteira em Bitcoin traz uma diversificação e um ganho de retorno x risco.

Convém lembrar que após altas fortes no Bitcoin são seguidas por fortes correções, como podemos ver abaixo. Sendo assim, todo cuidado é pouco ao ingressar agora nesses investimentos.

Alta dos ativos fruto também da mínima histórica de juros

Tesla, ativos brasileiros negociados a mais de 100x lucros e já gigantes, com baixa possibilidade de manutenção do crescimento porque já são grandes. Cada vez mais estamos vendo isso no mercado e aqui cabe uma ressalva.

Os múltiplos na “nova economia” estão altíssimos, até maiores que no período da “Bolha.com”.

Podemos ver abaixo, um comparativo com o período dos anos 2000, e mesmo assim os múltiplos atuais estão muito acima dos negociados naquela época. Filtrar empresas (mais do que nunca) é necessário, dados os níveis atuais de preços.

Uma das justificativas de profissionais de mercado é de que os juros mundiais, que estão nos menores patamares da história, fazendo com que as taxas de desconto ao avaliar ativos fiquem mais baixas e consequentemente, elevando o preço teórico desses ativos, além de que o custo de oportunidade ( a alternativa que tem o investidor para investir de maneira segura) tem menor atratividade, tornando melhor a tomada de risco pelo investidor nos investimentos, justificando em teoria os múltiplos elevados que estamos vendo no mercado.

2021 como tende a ser na visão das maiores instituições financeiras mundiais

Quanto a crescimento global, China tende a crescer mais que Eua, segundo a Invesco. O PIB (GDP) americano deve ter crescimento entre 4,7% a 6,4%, segundo o HSBC, Citi e Morgan Stanley. Também acreditam que a inflação estará controlada por 2-3 anos, segundo o BCA e segundo o Citi, a inflação terá previsão de ser 2,2% em 2021.

Quanto ao investimento em ações, o Citi acredita que o investimento em Valor deve ser privilegiado pelo rotation, já que ficaram descontadas e mercados emergentes tendem a ser favorecidos, segundo a Invesco e o Morgan Stanley.

Já sobre o dólar há o consenso de enfraquecimento do dólar, assim como consenso sobre as commodities, óleo e ouro principalmente. Mesmo quando há um consenso, devemos ter cautela.

Abaixo podemos ver um resumo dessas visões:

Sempre lembrando: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Feliz 2021 e que você chegue cada vez mais perto da liberdade financeira (se ainda não tiver) e que aumente a sua liberdade caso ainda não tenha.

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Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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Balanço de final de ano, fim da Crise Covid e aumento de riqueza!

29 de dezembro de 2020 às 16:19 Por Postado em Central do Investidor

Com as bolsas mundiais atingindo novas máximas, tanto a bolsa americana que atingiu esse patamar antes até do que o Ibovespa, dado o peso maior em ações de tecnologia e empresas “fique em casa”, fica clara a recuperação das bolsas mundiais, mas qual o reflexo de tudo isso? Saímos de modo geral mais ricos que anteriormente e nossos bancos centrais e governos, mais pobres.

Nos Estados Unidos, a riqueza de modo geral do indivíduo, acabou aumentando, assim como a quantidade de ativos financeiros nas mãos desses indivíduos. Quanto aos ativos reais, casas e propriedades, também tivemos um crescimento e para surpresa de todos aqueles que pensavam que sairíamos mais pobres com o fim da crise, a média de débito dos indivíduos manteve-se estável, como podemos ver abaixo…

No Brasil, a dívida dos indivíduos manteve-se estável também e a dívida pessoa física dos bancos, em alguns casos diminuíram (muitos usaram o Corona Voucher para “arrumar a casa” e quitar dívidas ou renegociá-las). Mas no caso brasileiro, temos que aguardar até abril de 2021 para tirarmos uma conclusão, eis que tivemos a prorrogação, postergação dos pagamentos e é por volta do mês citado de 2021, que teremos um cenário mais claro do que aconteceu em relação às dívidas no Brasil.

Dívidas e pagamento da dívida federal

Outro ponto importante a salientar é a quantidade de juros de dívida quanto ao pagamento de juros como % do PIB, em que tivemos uma redução, fruto da redução de juros ao redor do globo e da distribuição de dinheiro para os indivíduos. No momento que escrevo esse texto, há mais uma previsão de incentivos por parte do Governo Americano, da ordem de US$ 900 bilhões. Abaixo, conseguimos ver a diminuição de quantidade de juros sob o ponto de vista do PIB americano…

Outro dado que pode ser visto conjuntamente ao gráfico de cima, é a quantidade de dívida pela quantidade de ativos que possuem os residentes nos Estados Unidos. Pego esses dados americanos como base, pois são dados mais completos e que são da (ainda!) maior economia do mundo. Lá em 2008, notamos que o percentual de dívida chegou perto dos 18% de alavancagem e que agora tivemos uma diminuição, chegando perto de níveis de 12%, níveis esses comparáveis com 1982…

Quanto à riqueza do cidadão americano, essa vem crescendo em uma tendência de 3,65% ao ano desde 1952, o que é acima do CPI (inflação americana), o que é positivo e que voltou a crescer em 2020, sendo da ordem dos US$ 130 trilhões de dólares…

E quem pagou a conta de tudo isso?

Bom, se tivemos um aumento de riqueza para os cidadãos, uma diminuição da alavancagem, quem pagou essa conta? Os Bancos Centrais mundiais e seus governos! Com a impressão massiva de dinheiro, tivemos um considerável aumento de dívida como percentual do PIB, no caso americano, chegando a mais de 100% do PIB em dívida. Isso ocorreu não apenas nos EUA, mas no mundo e uma hora isso pode preocupar novamente, temos que estar atentos sobre esses dados..

E o mercado de capitais mundial, americano e brasileiro?

Quanto ao mercado de capitais, tivemos a recuperação em termos de valor de mercado, onde o teto de US$ 92 trilhões tinha sido atingido no início de 2020, tivemos uma queda para US$ 62 trilhões, iniciando uma recuperação coincidente com os estímulos ofertados de US$ 18 trilhões ao redor do Globo e o mercado de ações linkando essa quantidade de grana injetada no mercado, acrescentando nos preços dos ativos a quantia de estímulos colocados no mercado pelos Bancos Centrais mundiais e consequentemente, com mais estímulos e começo da recuperação em V e uma demanda reprimida, a capitalização do mercado de ações mundial, atingiu US$ 100 trilhões em valor de mercado, um recorde histórico, como podemos ver abaixo…

A tendência de crescimento no mercado acionário americano manteve-se em 7% ao ano e a queda das cotações no Corona Vírus, pareceu quase pequena se olharmos em um quadro maior de longo prazo…

O gráfico das ações americanas e o pequeno efeito que representou a Crise Corona Vírus no longo prazo, nos remete ao que acontece depois das crises e as oportunidades que as mesmas nos trazem no longo prazo. Usando estudo da Nord Research, podemos ver como o Ibovespa se recupera no pós-crise tradicional..Teríamos em torno de 30-40% de alta potencial para os próximos 2 anos e pouco, o que não seria nada mal, se olharmos as estatísticas e o passado…

Em dólares, o Ibovespa ainda cai cerca de 20% no ano e é uma oportunidade para os estrangeiros que voltaram em novembro com R$ 33 bilhões e que em dezembro já estão com R$  9 bilhões de fluxo positivo. O Ibovespa em dólares, cai mais que a Argentina, Chile, México e EUA, como podemos ver em estudo do BTG, abaixo…

Além disso, como já salientado desde abril aqui nos artigos anteriores, as commodities estão em um peso interessante em dólares e de modo geral tem uma possibilidade grande de recuperação, o que ajudaria (além da queda em dólar do Ibovespa e da oportunidade) o Ibovespa a atingir novas máximas…

Por estar 15 anos no mercado e 13 anos de maneira profissional chega a ser engraçado como o comportamento dos investidores não muda. Um deles é a agressividade nas compras no mercado quando o mesmo recupera-se, como no momento atual, em que tivemos uma alta de 85% das mínimas de março, e a como a maioria “some” do mercado, quer vender seus investimentos em crise. Isso, felizmente, começou a mudar um pouco esse ano, acredito fruto de artigos como os que escrevo, procurando orientar os investidores de maneira franca e honesta, mostrando o que eu faço e como invisto meus investimentos, além de maior informação disponível no mercado, mais profissionais cobrindo empresas, mais criadores de conteúdo, o twitter, youtube, etc..

O que podemos tirar como aprendizado dessa Crise é que temos que estar no mercado sempre, que teremos cada vez mais volatilidade (que ao mesmo tempo nos dá mais possibilidade de investirmos em ativos bons e baratos, trará uma oscilação maior no curto prazo dos preços de nossos ativos) e que temos que ser agressivos em momentos de queda, pois no longo prazo, boas empresas, geradoras de caixa, com vantagem competitiva, tendem a recuperar o seu preço e andar próximo ao valor intrínseco que elas possuem, mesmo com desajustes exagerados de curto prazo nas cotações.

Sempre lembrando: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
Facebook: Eliseu Mânica Júnior
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Os Gringos, eles estão voltando! (parte 2)

30 de novembro de 2020 às 09:29 Por Postado em Blog do Eliseu

Hoje começo por uma questão que já comentei em uma ou duas edições atrás, sobre o forte movimento de ingresso de capital estrangeiro que começou e permanece nesse mês de novembro.

Continuamos com um forte ingresso no mês de novembro e chegamos a US$ 30 bilhões que ingressaram nesse mês de novembro, sendo o melhor mês do ano:

Nota-se uma recuperação grande quanto ao fluxo de entrada de estrangeiros, em que chegamos a cerca de US$ 70 bilhões de saída na B3 e agora estamos com cerca de US$ 27 bilhões negativos contra os US$ 57 bilhões que estávamos em outubro…

Mesmo com esse surpreendente ingresso de capital estrangeiro em novembro no Brasil e com o Real subindo quase 8% no mês, sendo uma das moedas que mais se valoriza no globo, podemos ver que o Real contra outras moedas emergentes, como por exemplo, o Peso Mexicano, ainda está muito desvalorizado, o que é um dos fatores que vêm atraindo os investimentos estrangeiros no Brasil.

O fato é que com esse fluxo voltando ao Brasil, teremos um tradicional ingresso de capital para as ações de empresas com maior liquidez e posteriormente empresas de pequena capitalização, o que já vem acontecendo…

Já a Bovespa está negociando cerca de um desvio-padrão acima da média histórica de negociação. Lembro que temos os menores juros da história e que isso faz que com os múltiplos tenham uma elevação de forma natural, eis que o custo de capital é mais barato, além de outros somatórios….

Um fato negativo e que deve ser observado, é o débito mundial não considerando o setor financeiro que está cerca de 240% ou 2,4x o GDP (PIB) mundial.. Esse indicador é muito usado por Warren Buffett, junto com o regime de capitalização da bolsa americana e o PIB americano, cujo múltiplo também está acima da média….

Por estarmos próximos do final do ano, as previsões de crescimento da economia aumentam e o BNP Paribas, acredita que o Brasil é o País que menos sofrerá com a queda do PIB até o final do ano e que a China e Àsia, irão crescer fortemente….

Já a total recuperação para os empergente deve acontecer apenas em 2022, para a Àsia o primeiro trimestre de 2021, para a Europa no terceiro trmestre e mercados emergentes em geral entre o terceiro e quarto trimestres…

Na última edição da Tônica, comentei sobre os ativos que mais tinham me chamado atenção, tivemos uma disparada de grande parte desses ativos e seus respectivos preços, como Eternit, Petrorio, Vale e outras. Você conferir abaixo o que mais chamou-me atenção…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço mais a função de analista, mesmo já passando na prova anteriormente), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: /https://bugg.com.br/2020/11/30/20201130-tonica-da-semana-eles-estao-de-volta-parte-ii/

Os Gringos, eles estão voltando!

16 de novembro de 2020 às 09:50 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor

Com o fim das eleições americanas e a provável vitória de Biden, investidores passam a tentar projetar os próximos 4 anos. No último artigo (que você pode encontrar aqui o link) tratei de empresas e setores que poderiam ser beneficiados com os incentivos de Biden. Não cabe a mim falar sobre política ou emitir uma opinião pessoal (eu moro nos EUA e tenho minhas convicções políticas, religiosas, mas acredito que aqui não é o canal para isso) e sim ser o mais neutro possível.  Vejo que de modo geral teremos também uma abertura maior de mercado e isso pode refletir em uma melhora de trocas comerciais entre os países, incluindo aí o Brasil.

Na última década os investimentos em mercados emergentes e commodities (EM e COMDTY, nas siglas da tabela abaixo), tiveram seus retornos muito prejudicados. A China agora com o Acordo do Pacífico, tende a aumentar o peso como um emergente, direcionando grande parte dos investimentos para a Àsia, onde temos que começar a olhar com uma maior atenção também, pensando os investimentos como algo mais global. Hoje é muito simples realizar isso, inclusive via veículos que estão no Brasil, como Fundos focados em China e Ásia, assim como em ETFs.

O Brasil por ser emergente, mantém também uma grande atratividade. O fato é que principalmente em dólar, para o investidor estrangeiro o mercado de ações brasileiro está muito interessante. Nos últimos 3 anos tivemos uma saída gigante do capital estrangeiro do Brasil, levando em conta o investimento na B3 em ações. Enquanto isso, o investidor pessoa física ganhou peso nesse período, porém, penso que o investidor estrangeiro deve retornar e isso deve trazer mais fluxo para o mercado brasileiro, favorecendo a liquidez e a elevação de nosso índice.

MAS SERÁ QUE OS GRINGOS ESTÃO VOLTANDO? 

Foram quase 3 anos de saída massiva e mesmo assim nosso Índice principal, o Ibovespa, saiu de 71 mil pontos para 105 mil pontos e só nesse ano, o fluxo negativo chegou em R$ 87 bilhões e atualmente está em uma saída de R$ 57,67 bilhões, como podemos ver abaixo:

Essa recuperação no fluxo e ingresso de capital por parte do investidor estrangeiro vem chamando atenção, desde os primeiros dias de novembro. Só nessas duas semanas iniciais, tivemos um ingresso líquido de R$ 12,73 bilhões em novembro…

Além da atratividade em dólar para o investidor estrangeiro, em reais a bolsa brasileira começa a ficar mais interessante. Se colocarmos as ações da Petrobrás (peso de 11% no índice) e da Vale (peso de 10% no Índice e que negocia a 5x lucros para 2021) teríamos um Ibovespa mais perto da média do que vem sendo negociado desde 2005 – vide segundo gráfico abaixo:

Todo esse rotation (palavra muito utilizada recentemente) de mercados mais maduros para emergentes (Brasil, China), vem também favorecendo a alocação nos ativos que ficaram esquecidos pelo mercado, sendo que a maioria desses ativos pode ser classificado como empresas de valor ou value investments, empresas em setores mais maduros, com pouco crescimento (na teoria é o que espera o mercado, mas muitas vezes essas empresas trazem “surpresas” positivas, um lucro muito maior do que é o esperado e de maneira surpreendente) e setores tradicionais.

Além disso, as moedas dos países emergentes estão interessantes, estando em um dos menores patamares desde 1995!

Tudo isso privilegia o Brasil, trazendo resultados positivos para as empresas brasileiras e alguns setores específicos, que nos remete ao próximo tópico: resultados que me chamaram atenção até o momento…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço a função de analista), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Construtoras: gostei de Even, Trisul, Tenda e MRV. Tornei me cliente da Even recentemente e a abertura de capital da Melnick, assim como geração de caixa da empresa vieram muito bem. Trisul planeja  lançar 5x mais do que lançou até o momento para 2021. Tenda gerou um caixa gigante, R$ 112 milhões, além disso vem implementando CDT, pequenos “hubs centralizados”, visando melhorar a logística de entrega de materiais para as obras, gerenciando o estoque de produtos de maneira mais adequada. Além disso, tem um preço menor por imóvel que a concorrência e está testando um produto similar ao drywall dos Estados Unidos. MRV, vem aumentando o peso da Luggo, lançará mais via AHS nos Estados Unidos (o retorno de alugueis aqui, acredito que são melhores que no Brasil, inclusive morei em um produto AHS no Sul da Flórida). Das três anteriores citadas, acho que a MRV é a que está mais cara, mas que se entregar os projetos que pretende, tende a ficar mais atraente.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/16/os-gringos-estao-voltando/