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Dividend Yield: Como aumentar a rentabilidade nos investimentos

15 de maio de 2020 às 12:49 Por Postado em Central do Investidor

Dividend Yield é usado no mercado de capitais para identificar empresas com maior potencial de pagamento de dividendos, que são as frações dos lucros das empresas repassadas aos seus acionistas.

Os dividendos – representam uma forma adicional de remuneração, especialmente para os investidores de longo prazo, que mantêm ativos em suas carteiras por períodos duradouros.

Neste artigo vou abordar Dividend Yield para obter rentabilidade extra para sua carteira de investimentos independente do seu perfil de investidor. Se quiser, pode clicar nos links abaixo e ir direto para o tópico que mais lhe interessar:

Como calcular o Dividend Yield
O que não te contam sobre Dividend Yield
Calendário de pagamentos de pagamento de dividendos
Empresas boas pagadoras de dividendos
Dicas sobre Dividend Yield
Conclusão

Vamos responder todas as perguntas acima e muito mais! Preste atenção nessas principais dicas para você saber tudo sobre Dividend Yield.

Como calcular de maneira simples o Dividend Yield!

O Dividend Yield que pode ser traduzido para o português como Rendimento de Dividendos, é um indicador que mede a performance da empresa de acordo com os proventos pagos aos seus acionistas.

O DY (Dividend Yield) traz um excelente benefício de poder comparar a rentabilidade dos dividendos entre empresas de mesmo segmentos ou até mesmo de outros segmentos.

O cálculo é expresso em porcentagem, entre o valor da cotação de uma ação e a soma dos proventos pagos por ação em determinado período. Usualmente se consideram os doze meses anteriores à data da referida cotação. 

Os proventos utilizados para o cálculo são:

  • Dividendos: No mercado de capitais, os dividendos são, em linhas gerais, as frações dos lucros das empresas repassadas aos seus acionistas. 

A maioria das empresas brasileiras respeita a convenção de distribuir minimamente 25% de seus lucros aos acionistas, que podem ser distribuídos mensalmente, bimestral, trimestral, quadrimestral, semestral ou anuais. 

  • Juros sobre Capital Próprio (JCP): As empresas no Brasil, podem distribuir seus lucros para seus acionistas em forma de JCP. Para as empresas é muito vantajoso, pois, do ponto de vista fiscal os valores podem ser considerados como despesas financeiras nos balanços, refletindo uma redução do IR (Imposto de Renda) a ser pago.

Fórmula para calcular o Dividend Yield

fórmula dividend yield
fórmula dividend yield

Vamos agora simplificar um pouco mais a fórmula descrita acima!

aplicação da fórmula dividend yield

Imagine que você investidor(a) comprou as ações da empresa Petrobrás (PETR4) e, neste ano a empresa tenha pago R$ 2,00 de proventos por cada ação. O preço das ações no momento estivesse R$ 25,00. Neste caso o DY é de 8%

Muito simples né? mas nunca pode se basear apenas neste indicador. Este percentual mostra que, nesse exemplo, cada ação retornou 8% em dividendos da empresa Petrobrás neste período de 12 meses.

É sempre importante lembrar que resultados passados não são garantia de um resultado futuro. 

Para escolher boas ações pagadores de dividendos, sempre faça análises completas e recomendações feitas por profissionais qualificados!

Fale com um Assessor de Investimentos e faça uma revisão de sua carteira de investimentos.

O que não te contam sobre Dividend Yield

Como conversamos, este indicador nunca deve ser utilizado de forma única para escolher alguma empresa para se tornar sócio

Lembre-se que existem outros indicadores fundamentalistas que darão mais segurança na sua escolha.

Existem dois grupos de Dividendos que você precisa saber.

  • Dividendos Ordinários: os dividendos ordinários são distribuídos em função do lucro da empresa conforme a convenção estipulada pela empresa.
  • Dividendos Extraordinários: os dividendos extraordinários são repartidos a partir de acontecimentos extraordinários, como a venda de uma filial de uma empresa, por exemplo.

Este indicador pode conter diversas pegadinhas, desconfie se no momento que você estiver pesquisando e analisando certa empresa e você observar que esta ação apresentou um DY muito maior do que outras empresas do mesmo segmento.

Para evitar esse erro você deve analisar o chamado Payout , O payout se refere à porcentagem do lucro líquido distribuído, no forma de dividendos ou juros sobre capital próprio, aos acionistas da empresa.

As empresas, como citado acima, geralmente devem distribuir um percentual mínimo de 25%, obedecendo sempre a política de dividendos.

Como exemplo, imagine que sua empresa apresentou um lucro de R$ 100.000,00 no ano.

e você decide distribuir neste ano R$ 60.000,00 através de dividendos.

exemplo de calculo de divided yield

portando o payout da sua empresa no ano será 60% conforme cálculo abaixo

Cuidado com empresas com DY ou Payout muito elevados!

Nem sempre receber altos dividendos de uma ação é algo bom, pois é importante avaliar se a companhia não está se endividando para realizar esta distribuição, pois isto pode ser péssimo para a empresa no longo prazo.

itausa alerta sobre redução de dividendos

Pense sempre como sócio, pergunte se o valor recebido, poderia ter um melhor uso, por exemplo, investir em novos projetos com retorno elevado e consequentemente você como acionista se beneficiaria muito mais.

Da mesma forma que falamos sobre payouts elevados, você encontrará empresas com payouts baixos e não significa algo ruim.

A companhia pode, por exemplo, estar retendo caixa para realizar novos investimentos, ampliando mercado ou em fase de expansão.

Obviamente, estes investimentos necessitam ser bem feitos, e apresentar uma elevada taxa de retorno. Caso contrário, é preferível que a companhia distribua o lucro ao acionista.

Preste atenção no calendário de pagamentos

A distribuição de proventos por parte das empresas de capital aberto é considerada um fato relevante por parte da Bolsa, razão pela qual a divulgação dos mesmos deve seguir uma formalidade dividida em três datas chaves. 

A primeira é a data de anúncio, que antecipa as datas seguintes. A partir da data ex-dividendos as ações compradas não terão mais direito de receber os dividendos referentes ao período.

Em compensação, quem adquire as ações após tal data o faz com o preço descontado pelo valor do dividendo.

Notícia SLC Agrícola dividend yield
Fonte: comoinvestir.thecap.com.br

Por fim temos a data de pagamento, na qual os dividendos ou JCP são depositados na conta do investidor, esteja ela num banco ou numa corretora de valores. 

Tributação sobre os dividendos

No Brasil os dividendos são pagos aos acionistas com os lucros da empresa, esses lucros apresentados estão já descontados os impostos pagos pela empresa.

Como a legislação vigente não permite a bitributação, contudo os dividendos são ISENTOS DE IR.

No caso do Juros Sobre Capital Próprio, há uma tributação de 15% na data do depósito. Normalmente, os impostos são recolhidos na fonte, ou seja, o acionista não precisa efetuar o pagamento, salvo se o valor recebido for bruto: sem tributação.

Quando o valor depositado para o acionista é líquido, significa que a empresa já recolheu os tributos que caberiam a ele

Empresas boas pagadoras de dividendos

Dicas sobre Dividend Yield!

Apesar do cálculo ser muito simples, existem algumas dicas importantes para você que deseja ser um investidor(a) de sucesso.

Para muitos investidores iniciantes, fica uma dúvida –  Onde eu encontro o histórico de Dividend Yield de uma determinada empresa?

Atualmente existem diversos sites que divulgam esses dados de maneira prática. Inclusive alguns já informam o DY calculado. Contudo, o investidor deve ficar atento, pois muitas vezes esses dados podem estar incorretos ou desatualizados. 

Nesse sentido, o mais indicado é que o investidor busque essas informações na página de Relação com Investidores (RI) das empresas. Segue o exemplo da Petrobrás

“Juros compostos são a oitava maravilha do mundo. Aquele que entende, ganha. Aquele que não entende, paga.”  Albert Einstein

A maior dica que posso te dar hoje é sobre juros compostos, o efeito multiplicador que juros compostos atuam no seus investimentos é algo grandioso!

Você que deseja gerar riqueza no longo prazo, utilizando uma balanceada e bem diversificada. Poderá usar os recursos recebidos de proventos para comprar mais ativos geradores de renda passiva.

Para melhor compreensão desse princípio, utilizaremos hipoteticamente R$ 1.000,00 como o capital principal.

comparativo juros simples e juros compostos
Comparativo juros simples e juros compostos

Supondo que ele possa ser investido numa aplicação de juros simples de 12% ao ano, pagos somente sobre o capital principal, e numa aplicação de juros compostos de 12% ao ano, pagos sobre o montante atualizado. 

No caso dos juros simples, R$ 1.000,00 rendendo R$ 120,00 ao ano resulta num montante de R$ 1.120,00 ao fim do primeiro ano. Em uma década o investidor terá em sua carteira R$ 2.200,00. 

Ao fim dos primeiro ano, a aplicação com juros compostos dá o mesmo resultado: R$ 1.120,00. Porém, depois de uma década, o resultado será expressivo: R$ 3.105,85. São R$ 905,85 a mais do que na aplicação de juros simples. Uma diferença de quase 30%. 

Ao fim de 30 anos teremos uma carteira de juros compostos de R$ 29.959,92 contra R$ 4.600,00 na carteira de juros simples.

Conclusão 

O Dividend Yield, como apresentamos é um indicador fundamentalista muito importante.

Ele permite que você investidor(a), tenha um conhecimento adicional e faça boas escolhas.

Além disso, agora você pode comparar empresas que pagam bons dividendos e montar sua estratégia vencedora!

Lembre-se, você sempre deve fazer uma análise completa e sempre que possível busque uma orientação com profissional qualificado.

Se você precisa de ajuda para montar sua carteira de investimentos, clique aqui abaixo e um assessor de investimentos ligará para você e ajudará com suas dúvidas

20200413 – Tônica da Semana: QUANDO A BOLSA IRÁ SE RECUPERAR DO CORONA?

13 de abril de 2020 às 21:25 Por Postado em Blog do Eliseu

Dobradinha?

Texto escrito por Eliseu Mânica e William Castro Alves

Vamos lá Srs e Sras, mais uma dobradinha. Eliseu teve a ideia de escrever esse pretencioso texto sobre o imponderável,o tempo de recuperação do mercado…apesar de sabermos da nossa limitação em prever qualquer coisa, achei o desafio interessante e espero que o resultado seja satisfatório. Então vamos lá…

Crises anteriores e tempo de recuperação

Nessa ano de 2020 com a Crise do Coronavírus tivemos a queda mais rápida de nossa história. O tempo de transição do bull market para o bear market, foi de apenas 16 dias!! Essa é a queda mais rápida da história, como já mostrei em artigos anteriores. Por bear market, entende-se uma queda de 20% desde o pico atingido. Abaixo o tempo de queda no mercado acionário e o tempo necessário para recuperação do patamar anterior, pré-crise:

Diferentemente de outras crises, essa crise aconteceu muito rapidamente e deve também ter uma recuperação parecida com a velocidade da queda. Tivemos um choque na oferta e demanda, algo que pode ser restabelecido, já que os bancos centrais mundiais vêm dando estímulos de cerca de 10% do PIB e alguns trilhões de dólares no mercado. Não só isso, os BC’s vem se esforçando para que o dinheiro chegue efetivamente para quem precisa, de uma maneira mais rápida, já que alguns bancos querendo ou não são mais seletivos, ainda mais em momentos de crise.

Você sabia? 

Deixe-me fazer um parenteses aqui… Não sabemos como nem quando teremos uma recuperação na economia e até mesmo na bolsa, mas olha que interessante …você sabia que da mínima de fechamento do S&P para o atual patamar o índice americano já subiu 24% ?!

E que o IBOV já teve alta de 22%?

Sim, nós não vamos nem devemos ter a pretensão de acertar mínimas do mercado…até porque elas ainda podem ser feitas (bate na madeira), mas é no mínimo curioso não? Lembro a você que aqui, sempre chamamos atenção ao pensamento contrário e desvinculado de notícias na hora de se investir em ações. Escrevi no dia 16/03/2020 falando sobre a imunização racional e usando a música do nobre Tim Maia. Uma semana depois dia 23/03/2020 eu e Breno te entregamos um report completo chamando atenção para discrepâncias e assimetrias na bolsa.

Enfim, creio que o mercado deu a maior resposta e lição.

Vol alta é bom? 

Uma das lições talvez seja a de que uma volatilidade alta possa ser positiva para o investidor.

A queda recente, além rápida trouxe uma volatilidade em níveis muito altos. Em março de 2020 tivemos o mês mais volátil para vários índices mundiais, onde o VIX (Volatility Index)  atingiu mais de 80 pontos, um recorde! Quanto maior a volatilidade, maior é o risco? Sim, porém também melhor a oportunidade de comprar-se algo mais barato no mercado financeiro. Volatilidade alta significa na prática “sangue nas ruas”, “trovões” no mercado, economias caindo, pessoas instáveis emocionalmente e o mercado bipolar pendendo para o extremo pessimismo, ou seja, tudo o que é perfeito para quem quer aumentar os retornos no longo prazo, comprando ativos com uma margem de segurança maior (ativos que estão abaixo do patrimônio líquido e que tenham lucros ou outras métricas de margem de segurança).

Dá uma olhada no gráfico abaixo que compara os picos de volatilidade com o desempenho do S&P 500. As linhas vermelhas são apenas para ajudar a visualização.

Mas e qual o tempo para recuperarmos dessa queda? 

Essa é uma pergunta simples, mas com 1 milhão de respostas e todas elas meras suposições.

Levando em conta pesquisas de vários jornais, alguns deles como o The Wall Street Journal, é possível dizer a recuperação de uma recessão (definida como 2 ou mais trimestres de um crescimento negativo do PIB) tende a se dar em média em 3 anos , já ajustados dividendos e inflação.

Mas isso é a recuperação da Economia, sabemos que no mercado de ações o timming é bem diferente. Como já frisamos acima, o IBOV e o S&P já tiveram uma boa recuperação desde as mínimas e o impacto econômico ainda não foi nem sentido em seu todo! Cabe salientar também que um bear market não é o mesmo que uma recessão. O gráfico abaixo mostra o desempenho do S&P desde 1926 e a duração de cada ciclo de alta e baixa. Difícil traçar uma média, meta ou paralelo….mas vale com informação:

Uma das principais falácias de mercado que ouvimos por aí a de que quando o PIB sobe a bolsa tenderia a subir! Ainda que sim seja verdade que o crescimento econômico é algo favorável e importante para o ambiente de negócios, a verdade é que a bolsa antecipa movimentos.

A tabela abaixo nos ajuda a ver o desempenho da bolsa pós recessão. Nos Estados Unidos , em momentos de crise, o PIB na média, teve uma queda histórica de -2,40% e o retorno do S&P500 teve retorno de 15,33% médio, já um ano após a queda do PIB; 45,84% após 3 anos e 120,33% após 5 anos, como podemos ver na tabela que segue:

Não temos o mesmo estudo para o Brasil, mas olha que interessante os resultados dessa tabela que mostra o tempo de recuperação dos últimos circuit breakers por ano…vale lembrar que somente em março foram 8 de um total de 24 ocorridos desde 1967, no Brasil:

Recessões e suas etapas

A última recessão que tivemos nos EUA foi a de 2008-2009. Ainda que motivos totalmente distintos, alguns esperam e estimam forte recessão na economia americana pelo impacto do corona. A última crise durou 17 meses. Não temos como saber exatamente quanto tempo essa irá durar, se vai ser menos ou mais rígida, qual o percentual de queda nos mercados de capitais, qual a taxa de desemprego, ou seja, tudo isso pode variar e ser diferente de crise para crise, porém uma coisa é certa: as crises têm um fim e elas passam!

Podemos dividir uma crise em 4 etapas principais: reconhecimento, pânico, estabilização e antecipação. Abaixo podemos ver essas etapas nas crises de 1987 e a de 2008:

Vamos agora adentrar num campo especulativo aqui…ou do chute mesmo…

Acreditamos que já tivemos um momento de reconhecimento no mercado de ações, o qual começou em fevereiro. A parte do pânico se deu em março onde tivemos o pior março da história, com queda de mais de 30% do IBOV em apenas 1 mês. E acreditamos que agora estamos em um momento de estabilização. Botando no gráfico:

Difícil aqui é dizer se já não entramos na fase de antecipação….diria que essa coincidiria com a estabilização de casos na Itália, Espanha e Eua principalmente, com o Brasil correndo por fora. Nesse sentido, olha que interessante os 2 gráficos que twittei ontem e que mostram exatamente essa estabilização:

O que fazer para evitar quedas fortes ANTES que crises ocorram?

Essa é uma outra pergunta simples de dificil resposta!

Investidores em sua maioria procuram por proteções em quedas, como seguros, compras de puts, vendas de índice ou de ativos específicos quase sempre nos piores momentos, no auge da crise! Muitos correram para o ouro por exemplo alí no auge da crise em março. E o fato é que essas “proteções” normalmente ficam muito caras quando o mercado cai. É aquela ideia de comprar guarda-chuva quando esta chovendo. Eu lembro no centro de Porto Alegre, os caras subiam uns 20%, 30% o preço quando estava chovendo…jogando com o desespero…rs. O mesmo acontece no mercado!

O ideal é você comprar uma proteção quando o mercado esteja em uma calmaria e que poucos esperam que ocorra algum stress de modo geral, nos investimentos. O problema aqui é que é muito difícil prever o timming exato para a compra dessas proteções! Seria o mesmo que comprar o guarda chuva num belo dia de sol e carregá-lo por vários dias na mochila…sem usar…só sendo peso mesmo! Muitos não gostam, mas é mais ou menos esse o conceito do hedge, em especial o feito com opções.

Uma outra forma é a diversificação! Diversificar carteira é uma forma de se proteger. Abaixo podemos ver os ativos que mais subiram e caíram ao longo de anos. Interessante que nenhuma classe de ativo foi, por dois anos seguidos, o de melhor retorno:

E olha que bacana… Se compararmos o retorno de 2 classes de ativos: renda fixa e as 500 maiores ações dos EUA. A figura abaixo mostra a sua evolução…mostrando o andar diferente entre esses ativos, enquanto muitas vezes um está caindo, o outro sobe, mostrando a importância da diversificação, protegendo de quedas e nos propiciando com um “tiro extra”, para aproveitarmos momentos como o atual:

Esse text foi escrito por William Castro Alves e Eliseu Mânica Junior. 

 

CRISE versus OPORTUNIDADE

13 de abril de 2020 às 17:53 Por Postado em Blog da Samantha

 

CRISES…

O mundo está passando por um desafio frente à pandemia decorrente do novo Coronavírus, e inclusive o Brasil vem sendo afetado diante desse cenário.  Diversos setores ainda continuam sendo abalados em decorrência do apressado contágio. Mas, acabamos nos perguntando: o que nos aguarda quando o assunto são os INVESTIMENTOS?

Talvez pela nossa geração ter passado por poucas grandes crises históricas, já alguns por nenhuma delas, acabamos nos esquecendo que sim, crises existem e muitas nos foram precedentes. Apesar disso, cá estamos cada qual experienciando de forma diferente, mas todos sentido os impactos causados sob esse contexto direta ou indiretamente.

 

GRANDES CRISES

Em um aspecto mundial, podemos citar duas (e principais) grandes crises econômicas que atingiram esferas globais:

CRISE DE 1929: começou nos EUA, mas acabou afetando o mundo inteiro, sendo também denominada de GRANDE DEPRESSÃO, resultando com ¼ da população americana desempregada. Mas e como iniciou? De forma bastante sintetizada, pode-se dizer que os EUA estavam no auge do liberalismo econômico e com o crédito muito facilitado, o que também propiciou o endividamento. Com o tempo, e menor demanda de produtos sendo exportados para a Europa, iniciou-se o endividamento e, ainda houve a “quebra” da bolsa americana. O Brasil, não saiu ileso pois, como grande produtor de café, foi extremamente afetado com a crise, devido a baixa exportação do grão.

Uma frase interessante que um dia escutei sobre esse período é no sentido que, de toda forma, os mercados vivem crises periódicas e, o período de 1929 a 1933 nos ensinou que tais crises tendem a se alastrar rapidamente caso não contidas e solucionados de maneira rápida os problemas que a causaram.

 

Imagem clássica que marcou essa fase: observa-se ao fundo outdoor destacando o consumismo e o contraste estabelecido diante da fila com várias pessoas desempregadas em busca de alimentos.

CRISE DE 2008- a crise do suprime nos EUA e recessão global: impulsionada pela concessão de créditos imobiliários e manutenção de juros reduzidos pelo FED, levou à insolvência de inúmeros bancos. No Brasil o Ibovespa chegou a cair 60% nesse período.

Entretanto, apesar das constantes quedas no bolsa brasileira, em momentos mais críticos e conturbados, observa-se em episódios como foi em 1929, 2008 a e agora com o Coronavírus, surgimento de oportunidades, principalmente para o Investidor com pensamento no longo prazo.

De qualquer forma, apesar do fato de ninguém gostar de crises, elas existem. E, já que não podemos simplesmente deixá-las de lado, devemos encará-las de modo a extrair o melhor que  conseguimos e, como é o caso do Mercado Financeiro, o momento é propício na busca de  boas empresas que, num cenário como este, normalmente se encontram com ativos a preço muito “aquém” do seu real valor. Novamente aqui, a OPORTUNIDADE!

Sob a ótica econômica podemos observar que, em cenários passados de crises, o Mercado se recuperou, na maioria das vezes rapidamente. É o que nos mostra a figura abaixo com a performance do Ibovespa em crises desde 1995:

Enfim, sempre bom lembrar:

 

Antes da Primeira Guerra Mundial acabar, o mercado já apresentava melhora. Já na Segunda Guerra, após cinco anos, novamente o mercado havia se equilibrado totalmente. Na Grande Recessão de 2008, em um ano o Ibovespa já apresentava recuperação e, em 2 anos já se encontrava em nível superior.

E atualmente, como está a bolsa chinesa? Se recuperando..

Logo, ganhamos quando mantemos a calma em um cenário que a maioria encontra-se em pânico, bem como fazendo aportes constantes em empresas consolidadas, com o alvo no longo prazo.

É evidente que uma crise é diferente da outra, mas…já dizia Albert Einstein que:

No meio da dificuldade, encontra-se a oportunidade.

 

Espero que tenham gostado.

Um abraço!

Samantha Thielke

samantha@experato.com.br

PODERÍAMOS TER PREVISTO ESSA CRISE?

06 de abril de 2020 às 21:13 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

 

Poderíamos ter previsto essa crise? 

Tenho um bom contato com investidores e pessoas inteligentes do mercado financeiro e sou grato por isso. Investir não é somente olhar as empresas, mas estar atento e tentar dominar vários assuntos além dos investimentos e nada melhor que conversar com quem tem mais experiência que a gente e está há mais tempo no mercado financeiro.

Já comentei em artigo anterior sobre a velocidade da crise, que essa é uma das mais rápidas que tivemos em nossa história, da alta volatilidade (o que é normal em crises) e da alto grau de incertezas (o que também é normal em crises e em oportunidades), mas uma das maiores indagações dos investidores é se  poderíamos ter previsto a crise que está entre nós. Antes de tudo, penso que temos que encontrar respostas com os grandes investidores, gestores, procurar ver como agiram e estão agindo nesse período para termos respostas mais conclusivas, eis que pessoalmente acredito que quanto mais dados tivermos e se soubermos dar utilidade e organizarmos esses dados com reflexão chegaremos a uma resposta mais conclusiva.

Dado o nível de especialidade do momento, acredito que tenho que começar a olhar para o investidor que mais sobreviveu as crises, no caso Warren Buffet, buscando dados do seu passado e o momento atual, assim como Jim Simons (fundador do Renaissance, um dos maiores fundos quânticos do mundo e com retornos antes da crise de 39% ao ano, mesmo cobrando 4% de taxa de administração e 40% de perfomance) e Ray Dalio, outro grande investidor, cuja gestora tem como administração mais de US$ 120 bilhões.

fonte: Globo.com

Warren Buffett

Quando tinha 43 anos a riqueza de Buffett era de US$ 34 milhões. No ano anterior ele havia utilizado a riqueza que tinha para realizar uma das suas maiores aquisições, a See´s Candies por US$ 25 milhões, investimento que ainda permanece lucrativo. Mas na metade dos anos 70, a Berkshire enfrentou um momento de vacas magras. Em 1974, a queda das ações da Berkshire levou a riqueza de Warren Buffett para US$ 19 milhões, nos 44 anos de idade, ou uma queda coincidente com a idade dele, de -44,11% nesse ano. O que aconteceu nos anos posteriores, quase no final da década é que a riqueza pessoal de Warren foi para US$ 67 milhões quando ele tinha 47 anos, apenas 3 anos depois e quase triplicando a sua riqueza.

As quedas no ano das ações da Berkshire passam dos 30% em 2020

maiores quedas enfrentadas pelo Warren Buffett

fonte: marketwatch.com

Outro exemplo para mostrar ao investidor atual é que levando em conta o início dos anos 80 (últimos 40 anos) por 4 vezes Warren Buffett viu seu portfólio cair aproximadamente 40% (patamar próximo ao que está o Ibovespa agora). No ano que estamos, a Berkshire chegou a ter valor de mercado de US$ 630 bilhões de mercado e atualmente encontra-se com valor de mercado de US$ 430 bilhões, uma queda de aproximadamente 30%. Lembro que Warren Buffett é considerado como um dos melhores investidores da história e mesmo assim, passando 4 vezes com quedas superiores a 40%, como ele não previu essa Crise Corona, que estava por vir?

Jim Simons e a Renaissance

Jim Simons encontra-se aposentado da Gestora Renaissance, porém ele é o fundador e ainda mantem grande parte de seus investimentos na Gestora que fundou. No ano o retorno do The Renaissance Institutional Equities Fund caiu 17% contra 24% do Dow Jones! Jim Simons, que possui 82 anos é um matemático que é reverenciado no mercado pelo Medallion Fund que permanece aberto para investimentos de funcionários aposentados e que tem tido  historicamente (tirando até o momento de 2020) retornos acima de dois dígitos. Simons se aposentou em 2010, possui cerca de US$ 21,6 bilhões em riqueza pessoal. Mesmo possuindo um histórico formidável, sendo incluído entre o maior em termos de retornos da história de investimentos nos EUA, como a Gestora que ele criou, não previu a queda?

Ray Dalio

Esse é um investidor dos que mais gosto. Ele é rico na produção de conteúdo, principalmente por dois de seus livros (Big Debt Crises e o Principíos para navegar crises de débito). Dois de seus fundos mais famosos caíam mais de 20% em 2020. Além disso, ele teve um retorno médio menor em 2019, de cerca de 0,5% contra mais de 29% do S&P500. Dalio é dono da maior Gestora do mundo, a Bridgewater, com mais de US$ 160 bilhões sob administração. Pessoalmente, sua riqueza pessoal é de US$ 18 bilhões. Com todo esse conhecimento como Ray Dalio, também não previu a Crise Corona?

fonte: globo.com

E no Brasil…

Henrique Bredda

Bredda acredito que tem muito mérito e parte na parcela do crescimento no número de investidores do Brasil, saltando de 850 mil investidores pessoa física do final de 2018 para 2,3 milhões investidores em março de 2020. Temos que reconhecer o mérito das pessoas e o esforço das mesmas, sempre, mesmo que em momentos elas passem por momentos menos positivos. Mesmo com o mérito e da mídia que teve, a Gestora Alaska também está sofrendo na crise e caindo acima do Ibovespa. Com todo o conhecimento de Bredda e por estar junto de um dos maiores investidores brasileiros, no caso, Luis Alves Paes de Barros, como ele não previu a crise como a maioria de grandes investidores do mundo?

O que eu penso sobre o assunto…..

Primeiramente, também estou com quedas no ano. Acredito que quem está investido no mercado de ações, está com quedas nesse ano (maioria da maioria).É fundamental na vida e nos investimentos, sermos transparentes e sermos os primeiros a reconhecer acertos e erros. Sobre como a maioria não previu essa crise, incluindo os maiores do mundo e do Brasil, teço aqui meus pitacos:

  • Ninguém prevê crise: como vimos, eu diria que 90% dos investidores está com quedas e isso faz parte do mercado de ações. Foi mostrado que em 40 anos, Warren Buffett teve 4 quedas de 40% ou mais em algum momento da Berkshire Hathaway. Isso corresponde a 10% do tempo de investimento. Mesmo assim, o retorno dele pré crise estava em 23% ao ano. Do ponto de vista macro Brasil, estávamos fazendo reformas, a Reforma Previdenciária tinha passado e a Tributária estava por vir, economias estavam sendo feitas e Brasil estava no menor patamar de juros da história (o que reduz e muito o custo de capital das empresas). O cenário era totalmente diferente e isso mudou de uma maneira muito rápida. Muitos esperavam que dado o clima mais quente, o Corona poderia demorar a vir para cá.

Saliento também que vários investidores, desde 2015-2016 falam de uma crise que iria acontecer. O mercado e a vida, são cíclicos, feitos de altos e baixos e obviamente crise sempre virá, mais cedo ou mais tarde. O fato é que ninguém prevê crise e quando prevê é fundamental o market timming, ou seja, estar certo de um evento e também estar certo de QUANDO esse evento acontecerá. Pouquíssimos conseguem isso de maneira recorrente.

 

  • Sempre estar no mercado: há diversos estudos que mostram que estar no mercado é vital para termos um retorno acima da média. Se perdermos apenas os 10 melhores dias de retornos em 10 anos, teremos um retorno abaixo da média. Ninguém sabe quando surgirão altas de 10-15% em apenas um dia, mas saiba que elas existirão. Já pensou que podem ter um medicamento que funcione muito bem para o momento atual e você ficar de fora totalmente do mercado? Quem quer investir em renda variável precisa estar ciente e acostumar-se com a volatilidade. Esteja sempre no mercado, com mais ou menor %, acho que isso pode ser feito como maneira de diminuição de risco!

 

  • Diversificação: acredito que essa é solução para a diminuição de risco. O melhor investimento é aquele que é mais adequado ao perfil do investidor. Definir um % de alocação de acordo com o poder aquisitivo, idade, nível de conhecimento do mercado e prazo de investimento, são fatores que auxiliam na definição do perfil e consequentemente no nível em percentual de diversificação.

 

  • Humildade: sempre temos e teremos que aprender. Infelizmente, é na crise que nos obrigamos a rever conceitos e reavaliarmos nossas atitudes e comportamentos, inclusive de investimentos. Esse é o momento para nos tornarmos melhores: melhores investidores e pessoas, já que temos agora, o ativo mais importante: tempo!

 

  • Conhecimento: buscar sempre conhecimento e ter resiliência nos investimentos é o que faz grandes investidores vingarem no tempo. Ray Dalio, mesmo com a riqueza pessoal e a maior gestora do mundo, demonstrou em sua carta, um alto grau de humildade. Quem une humilde e busca o conhecimento e aprimoramento constante, destacar-se-á sempre.

 

  • Paciência: vimos que dos 43 aos 44 anos, Buffett deixou de ter quase US$ 15 milhões. O que ele fez? Estudou o mercado, teve paciência (acredito que temos momentos em nossa vida e o momento atual é de plantar, focar em boas empresas, estudos e investir, para quem tem perfil e horizonte de prazo para isso) e 3 anos depois ele teve um crescimento de sua riqueza pessoal de 252%!! Paciência é o nome do jogo nos investimentos, principalmente nos mais voláteis.
  • Controle seus instintos: maioria dos investidores tem atitude contrária ao que efetivamente dá resultado nos investimentos. Há uma tendência de vendermos quando o mundo está em guerra, ou que o mundo vai “acabar”, também quando o mundo está enfrentando uma pandemia, desemprego, etc, etc. Por outro lado, quando há notícias positivas, nos sentimos muito mais propensos a realizar investimentos. Isso não tem lógica alguma, como é o momento atual!

E para finalizar, aqueles velhos mantras de Buffett que muitas vezes nem dele são, mas que não deixam de ser interessantes, como o abaixo:

O momento é de estudar empresas, melhorar o conhecimento e plantarmos para o futuro, esperando a colheita que tenha certeza, virá!!

Desejo coisas boas, para você que está lendo esse artigo e para sua família. Cuidem-se!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/04/06/poderiamos-ter-previsto-essa-crise/

PERFIL DE INVESTIDOR V: AGRESSIVO – Quais as melhores opções de Investimentos?

02 de abril de 2020 às 17:16 Por Postado em Blog da Samantha

O Perfil de Investidor ou suitability foi criado, como observado no início da nossa série Os Melhores tipos de Investimentos para cada Perfil de Investidor devido a necessidade incorrida, segundo a própria Anbima cita, de proteção aos Investidores. Nesse viés, fechando nosso estudo, abordaremos os Investimentos mais adequados ao Perfil AGRESSIVO.

Investidor de Perfil AGRESSIVO

A característica principal identificada nesse Investidor sem dúvidas é a sua alta tolerância a riscos. Comumente enfrenta as oscilações do mercado mas, por conhecer e possuir domínio acerca do mercado financeiro, opta por MAIOR RENTABILIDADE.

Analisando esse Perfil, a carteira sugerida por especialistas pode variar um pouco. Porém, alguns produtos são unanimidades entre eles, tais como:

Renda fixa- em um percentual mais baixo, variando a no máximo 30% na composição da carteira.

Ações- a “queridinha” desse Perfil, onde o Investidor, ao comprá-las, passa a ser sócio de uma empresa. Sempre lembrando de buscar por ativos de empresa sólidas, valendo aqui a presença de um profissional certificado para auxiliar.

Ainda, como estratégia de diversificação é possível acrescentar os Fundos Multimercados, Fundos Imobiliários, BDR, bem como Mercado Futuro, dentre outros ativos.

 

Mas e o perfil ARROJADO?

Esse, assim como Perfil AGRESSIVO, busca por maior retorno financeiro, assume maiores riscos e suporta oscilações do mercado. Entretanto, mantem uma parte do seu capital em Investimentos com liquidez de médio e curto prazo.

 

Após analisarmos os três principais Perfis, espero que você identifique o seu, e feito isso, coloque em prática no momento de Investir. É claro que, com o passar do tempo e também, estudando acerca do mercado financeiro, é natural ir migrando de um Perfil a outro – por isso importante um estudo frequente.

E não se esqueça:

 

“O conhecimento é uma ferramenta, e como todas as ferramentas, o seu impacto está nas mãos de quem o usa”. – Dan Brown

 

Um grande abraço e até a próxima!

Samantha Thielke

Samantha@experato.com.br

61 MIL PONTOS SERÁ A MÍNIMA DO IBOV?

30 de março de 2020 às 21:04 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

 

Ibovespa com queda de 32,80% no ano e 25,40% no mês …

No último artigo comentei sobre a rapidez da queda que tivemos no mercado de ações assim como a quantidade de Circuit Breakers em número de 8 de um total de 20 desde o ano de 1967. Só no mês o Ibovespa cai 25,40% e dada essa queda brusca, os investidores começam a buscar por pontos de entrada e de compras, já que são em quedas como essas que um investimento aumenta a margem de segurança. Da máxima de 119.593 pontos para a mínima de 61.690 pontos, foram -48,42% de queda, onde muitos ativos começaram a ficar cotados abaixo do próprio valor patrimonial – tal qual Will e Breno comentaram aqui nesse report.

Nessas duas últimas semanas, aprendemos algumas lições para nunca mais esquecermos, onde a principal delas é sobreviver no mercado. Tivemos nessas duas semanas uma grande quantidade de fundos de ações quebrando, onde alguns fundos podem começar a pedir música no Fantástico e outros fundos inclusive terão que socializar as perdas, isso significa que não bastasse os cotistas perderem dinheiro, eles terão que colocar dinheiro para repor as perdas. Sendo assim, não alavancar (usar o que se possui de patrimônio para dar como garantia para comprar um valor maior de ações) é a maior lição que vimos nesse mês.

…queda no mês, mas na semana alta de 19,02%

Do ponto mais baixo atingido na semana passada, de 61690 pontos para o momento atual de 73428 pontos, tivemos 19,02% de alta. Dificilmente um investidor irá pegar o ponto mais baixo do mercado, mas o que penso é quando um ativo cai demais, por exemplo, dando alguns sinais como ser negociado a um valor de mercado abaixo do valor patrimonial, um pagamento de dividendos acima da média, o caixa gerado no negócio, não ter nenhuma ou pouca dívida, entre outras métricas, podem ser sinais que ajudem na compra desses ativos, somada a queda no preço.

Investidor pessoa física aumentando o investimento nessa queda? 

Um dos pontos interessantes nesse momento de queda do Ibovespa, é que ao contrário dos anos anteriores em que o investidor pessoa física retirava seu capital investido do mercado de ações quando esse sofria com quedas nas cotações, nesse período de março, o investidor pessoa física direcionou mais grana para o investimento em ações, como podemos ver abaixo na captação de +R$ 5,8 bilhões em ações. Dada a queda dos juros e a diminuição do retorno da renda fixa, no ano o resgate está em R$ 15,3 bilhões e no mês R$ 5,3 bilhões.

Podemos ver abaixo os dados da Anbima:

Chegamos a um fundo no Ibovespa de 61 mil pontos?

Essa é a pergunta de US$ 1 milhão! Acredito que todos estão querendo encontrar um fundo e isso é extremamente difícil para todos os investidores, incluindo os mais experientes.

Minha opinião: Prefiro usar a análise fundamentalista que acredito ter mais solidez na seleção de empresas, porém o uso da análise técnica para verificar como está o momento de determinado ativo, é algo que complementa. O Ibovespa testou apenas uma vez o patamar de 61 mil pontos e nesse domingo, 29-03-2020, Trump postergou a reabertura da economia americana para até 30 de abril. Isso tende a trazer mais pressão para os mercados financeiros, acredito que poderemos testar novamente o patamar de 61 mil pontos e teremos mais oportunidades. Paciência é o nome do jogo no momento atual, essa crise tem começo, meio e fim e quem sobreviver a ela como investidor, irá colher os frutos em um horizonte de 2-5 anos, podendo mais do que dobrar de capital, caso invista em ótimas empresas.

Olhando do ponto de vista mais fundamentalista, que é o que mais acredito e foco na hora de investir, o mercado já está abaixo da média de negociação. Negociamos a cerca de 8x lucros e mesmo que tenhamos uma queda de 25% a 30% ainda estaríamos abaixo da média.

O mercado de ações tende a descontar nos preços eventos que acontecerão, normalmente 6-8 meses à frente e muitos analistas comentam que 70-80% desses eventos já estariam no preço e o potencial de alta quando a crise passar seria muito maior do que o patamar que já caímos até o momento.

Ganhando com a queda? 

Muitos já têm ciência, mas para aqueles que ainda não, saibam que é possível ganhar com a queda das ações, vendendo-as e recomprando por um patamar mais baixo do que a venda foi realizada. Para isso basta solicitar empréstimo de um banco de títulos chamado Banco de Títulos CBLC, onde um investidor pode alugar ações para vendê-las no mercado – quem aluga suas ações normalmente são fundos de pensão ou investidor que tem um horizonte de prazo maior de investimento e que não quer se desfazer da sua posição, então ele disponibiliza as ações que possui para alugar para outro investidor que acredita que as ações irão cair no curto prazo, recebendo um valor, uma taxa acordada.

Na tabela abaixo eu trago quais são as ações que têm o maior número total de ações que estão vendidas comparativamente ao seu float (o total de número de ações que a empresa tem, disponíveis no mercado) .Alguns números impressionam:

  • Randon com 18,44% do float vendido. Seriam necessário cerca de 3,5 dias de giro médio para fechar essas vendas.
  • Engie, demoraria 6,8 dias para o fechamento dessas posições de venda.
  • De modo geral, notamos empresas de setores como o varejista, industrial, construtoras e empresas alavancadas, com bastante dívida como as que mais possuem ações vendidas no mercado.

Importante observar que empresas que possuem um grande número de ações vendidas no mercado, podem sofrer com o short squeezeou seja, caso a empresa tenha uma alta, esses investidores poderão ter prejuízo, obrigando-os a recomprar por preços acima do que venderam, potencializando uma possível alta dessas ações.

Resumo

  • Momento é de cautela, não inventar nessa hora, pensar muito, ser racional, não  usar a alavancagem é o ideal;
  • Tivemos vários fundos alavancados quebrando nesse mês e alguns até solicitando aportes de seus cotistas;
  • Foque naquilo que pode controlar: empresas rentáveis, que tenham lucro e no mínimo com baixa dívida;
  • Investidor pessoa física, ao contrário de anos anteriores, vem comprando nessa queda e os investimentos em fundos de ações aumentaram nesse período, o que é algo correto de investir;
  • Tivemos o maior pacote de incentivos da história, cerca de US$ 5 trilhões e acredito que ao contrário de 2008, os Governos não deixarão nenhuma empresa quebrar;
  • Como sempre digo aqui, diversifique, não coloque todo o seu capital no mercado de ações;
  • Estude, leia e tenha paciência;
  • Sairemos dessa crise mais cedo ou mais, tudo na vida é passageiro e o mercado de ações é assim mesmo, cíclico. Cabe ao investidor aproveitar-se de momentos assim!

Desejo coisas boas, para você que está lendo esse artigo e para sua família. Cuidem-se!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/03/30/61-mil-pontos-sera-a-minima-do-ibovespa/