Blog Central do Investidor Blog Central do Investidor

Grandes Investidores: Naji Nahas, o investidor que já teve 7% da Petrobrás e 12% da Vale

29 de dezembro de 2019 às 22:07 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

 

Naji Nahas – Biografia e vida pessoal

A pessoa que será tratada hoje no Grandes Investidores é alguém polêmico e que muitos poderão achar que não foi um grande investidor, mas o fato é que ter 7% das ações da Petrobrás e 12% das ações da Vale do Rio Doce não é para qualquer investidor, mesmo que essas ações tivessem um valor de mercado muito menor na época do que atualmente. Considerando o percentual que Naji Nahas tinha na época, a quantia equivaleria hoje a R$ 61,820 bilhões, o que tornaria Naji Najas o segundo mais rico do Brasil. Além disso, ele negociou cerca de 94% de um dia inteiro de ações da Vale, o que mostra o seu calibre.

Enquanto George Soros é conhecido como ter quebrado o Banco da Inglaterra, Naji Nahas é conhecido por ter quebrado a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, que acabou fechando no ano de 2000, porém por maneira diferente do Húngaro-americano, cujo perfil já retratei aqui.

Naji Robert Najas, nasceu no Líbano, em 3 de novembro de 1947 (hoje tem 72 anos), foi criado no Egito e estudou em Londres, na Inglaterra. Ele veio ao Brasil com 22 anos, no ano de 1969 e reza a lenda que ganhou uma herança de US$ 2 milhões na época, que seria equivalente hoje ao redor de US$ 50 milhões. O voo em que veio ao Brasil, foi sequestrado e levado para Cuba, o que já mostrou a dificuldade de nosso investidor. Era casado com uma brasileira e por isso já chegou aqui com visto de residente. Acabou diversificando seus negócios, como a maioria dos investidores que fazem o mesmo, investindo em áreas de fábricas, fazendas de produção de coelhos, empresas da área de investimentos, bancos, entre outros. Antes dos 40 anos já tinha mais de 27 empresas.

É uma figura histórica no mercado, tendo inclusive a sua foto, virado meme e capa de vários perfis linkados à investidores da  Avenida Faria Lima, Avenida mais importante do País, em termos de investimentos.

 

Curiosidade: uma de suas fotos foi usada como capa do instagram e do twitter por um famoso perfil do mercado chamado @farialimaelevator .

Investimentos

Logo após chegar ao Brasil, Naji Nahas aproximou-se dos irmãos Hunt, que eram conhecidos por ter uma grande quantidade da commodity prata. Eles chegaram a controlar 10% de todo o mercado mundial de prata, fazendo fortuna no Texas, levando a prata de US$ 2 por onça para aproximadamente US$ 50, chegando a uma valorização de 2400%. Naji conheceu os irmãos Hunt, porque além de investidor, ele era próximo a investidores sauditas que também tinham um estoque alto de prata. Esses relacionamentos mostram o poder que Naji Nahas tinha na época.

Através de uma holding, Nahas operava na Bolsa de Valores de São Paulo, ano que fez isso até 1989, passando após esse período operar na Bolsa do Rio de Janeiro, o que fez com que influenciasse no crescimento do volume de transações financeiras da mesma. Em abril de 1988, ele fez a compra de mais de 10,40 milhões de ações preferenciais de Petrobrás. A inflação na época era de mais de 1100% em 1989, e nesse ano Najas chegou a fazer com que as ações da Vale subissem mais de 2500% em apenas 8 meses, apenas realizando algumas operações que comentarei mais abaixo. Reza a lenda que o poder de Nahas era tão grande, que ele ao enviar ordens para os corretores, ele comprava ações por tempo, comprando tudo o que tinha de negócios por 20-30 minutos.

Modus operandi

Nahas basicamente tomava dinheiro emprestado e comprava ações pagar pagar em D+5 (daqui 5 dias úteis). Ele recebia o dinheiro da venda à vista e usava para comprar mais ações, pagando com um prazo maior. Com o dinheiro na mão, Nahas voltava a realizar novas operações e pagava os débitos anteriores. O lucro vinha de forma indireta: como o investidor fazia circular rapidamente os papéis, comprando e vendendo muito, provocava uma valorização artificial nas cotações.
Além disso, ele comprava opções nesses investimentos. Cabe salientar o conceito de opções para quem não é tão familiarizado. Opções são como direitos de comprar ações por um determinado valor e em determinada data. Como exemplo, podemos utilizar uma casa de R$ 1 milhão, pagando um valor para segurar a casa e o negócio, com um sinal de R$ 10 mil ou 1% do valor do imóvel. Se a casa nesse meio tempo subir de preço, digamos para R$ 1,5 milhão, o comprador vai pagar R$ 1 milhão mais o “sinal”, no caso de R$ 10 mil e ter um lucro de R$ 490 mil.

Sendo assim, Nahas operava alavancado (pegando dinheiro de bancos e corretoras para operar, comprando ações e lucrando para pagar posteriormente), fazendo isso inúmeras vezes, assim o preço das ações subia e ele repetia isso, usando ainda mais alavancagem, comprando direitos a essas ações, cuja alavancagem e volatilidade é maior que o investimento em ações. Como exemplo, as ações de Vale subiram entre 1988 e 1989, mais de 1600%. Nas opções o retorno seria inúmeras vezes maior.

Lembro que antigamente, Nahas conseguia fazer isso, comprar ações e auxiliar na alta das mesmas, porque o mercado de investimentos em ações era muito (e coloca muito nisso!) menor na década de 80 e hoje é praticamente impossível manter uma cotação de empresas com liquidez na bolsa de valores por um tempo suficientemente longo, baseado apenas nas operações de um único investidor.

O efeito dessas operações de Nahas, durou por determinado período, até que o presidente da Bolsa após acordar com donos de corretoras, solicitou o fim desses créditos aos investidores e com isso, em junho de 1989, um cheque de US$ 30 milhões não foi honrado, ocasionando um efeito dominó para outras sete corretoras, que não pagaram o que deviam, no caso os créditos dados para Nahas (rs).

Naji culpa Eduardo Rocha de Azevedo, ex-presidente da Bolsa como o principal culpado pela quebra da Bolsa do Rio de Janeiro, porém o mesmo defendeu em sua biografia, que Nahas tinha posições bem acima do limite estipulado pela BM&F, que eram de 20% na época. O que aconteceu posteriormente é que a Bolsa do Rio, para onde Nahas foi obrigado a se transferir depois de divergências com a diretoria da Bolsa de São Paulo, nunca mais se recuperou e acabou com o tempo perdendo importância no mercado.

Sobre se era ou não culpado por algum crime contra o Sistema Financeiro Nacional (Lei do Colarinho Branco), Nahas foi absolvido em 2007, pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que declarou a inexistência de qualquer crime dessa natureza por ele. Após a absolvição, Nagas entrou entrou com ação judicial contra a Bolsa do Rio – hoje propriedade da paulistana Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) – e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), pedindo indenização de R$10 bilhões por danos materiais.

 

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2019/12/29/grandes-investidores-naji-nahas-o-investidor-que-ja-teve-7-da-petrobras-e-12-da-vale/

Mulheres e Investimentos: O que nos limita?

23 de dezembro de 2019 às 18:39 Por Postado em Blog da Samantha

 

É com imenso prazer que escrevo meu primeiro post para a Central do Investidor e, como mulher e assessora de investimentos, pude observar a predominância masculina nesse meio. Mas por que as mulheres ainda são minoria quando o assunto é investimento?

Não há dúvidas que nas últimas décadas as mulheres vêm ocupando lugar de destaque nos mais diversos setores, mas, no que se refere ao mercado financeiro, embora haja dados de crescimento, pode-se dizer que este ainda é lento e a diferença, quando comparado com os homens, discrepante.

Sabemos que essas diferenças carregam características históricas e, ainda hoje elas muitas vezes acabam ganhando remuneração mais baixa, possuindo menos acesso ao dinheiro quando comparado com os homens (INFOMONEY, 2018).

De acordo com a BM&F Bovespa, houve crescimento na participação de mulheres na Bolsa de Valores do país que conta hoje com quase 300 mil. Porém, dados do Tesouro brasileiro constataram que apenas 25,5% das pessoas que investem são mulheres. Na bolsa de valores, o número é ainda menor: 11,08%. A população feminina, segundo o IBGE é maior no país, quase 52% (INFOMONEY).

Mas o que nos limita?

Podemos elencar algumas características presente em mulheres que ainda não investem, dentre elas as desculpas como a falta de tempo para investir, a insegurança e pouca informação são recorrentes.

Está com medo? Vai com medo mesmo, comece o mais rápido possível! O maior arrependimento com certeza é o de não ter começado antes.

Pontos a serem explorados por ELAS:

  1. Positivismo- as mulheres costumam reagir de forma mais positiva em momentos conturbados, bem como, com as instabilidades recorrentes do mercado financeiro, mantendo-se firmes;
  2. Segundo a pesquisa realizada pela Nutmeg Saving Invrestment, a desistência da aplicação financeira no mercado desestabilizado é QUATRO vezes maior por parte dos homens, comparando com as mulheres.
  3. Aversão a risco e conservadorismo– estudos apontam que as mulheres são mais avessas ao risco e têm menos probabilidade de correr riscos do que os homens (Barsky, Joseph, Kimbal e Shapiro,1977).
  4. SONHAR. Isso mesmo. As mulheres costumam ter muitos sonhos e, nesse aspecto, o autor DOMINGOS em seu livro “Eu mereço ter dinheiro”, destaca o sonho como o principal elemento que motiva as pessoas a criarem as condições necessárias para realizarem aquilo que desejam.  Para ele, é fundamental começar registrando os sonhos pelo menos uma vez por ano e especificar os de curto, médio e longo prazo. Afirma que o sonho deve ser prioridade na nossa vida, pois é o que provoca a verdadeira mudança, que estimula as pessoas a mudarem o comportamento.

 

Como visto, muitos são os DESAFIOS para mudarmos esse cenário, mas não desistimos com facilidade, não é mesmo? She can!

Por fim, termino com Domingos,

Na vida financeira, no final das contas, tudo é muito simples! Se você despertar do automotismo, enxergar o que de fato merece, listar seus sonhos, efetuar o diagnóstico de suas despesas, fizer os cortes necessários, priorizar decisões, controlar o seu dinheiro e passar a poupá-lo, será com toda certeza, uma pessoa próspera.

 

Um abraço, e até a próxima!

samantha@experato.com.br

Grandes Investidores: Luiz Barsi Filho, um dos maiores investidores pessoa física do Brasil

21 de dezembro de 2019 às 17:09 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Luiz Barsi Filho – Biografia e vida pessoal

Luiz Barsi Filho é um dos investidores mais antigos da bolsa brasileiro que tornou-se mais conhecido nos últimos anos. Nasceu em 10 de março de 1939, em São Paulo. Há mais de 66 anos ele é investidor e merece ter sua história contada aqui. Filho de imigrantes que vieram da Espanha, morou no Brás em uma casa pequena. Seu pai faleceu quando ele tinha apenas um ano de idade e aos noves anos ele começou a trabalhar como engraxate. Já aos 14 anos ele começou a trabalhar em uma corretora, começando a comprar ações. Fez Faculdade de Direito e Economia, Escreveu sobre investimentos no Diário Popular, por 18 anos.

É conhecido como Warren Buffett Brasileiro, pois tem mais de R$ 2 bilhões em investimentos.

Modus operandi 

Não é segredo e fica evidente que a maioria de quem realmente ganha dinheiro com investimentos na bolsa de valores é investindo, é pensando no longo prazo e é estudando empresas boas, que geram lucro, têm um bom fluxo de caixa e não é diferente com Luiz Barsi Filho. Ele é seguidor da filosofia de value investing, e é o maior investidor pessoa física de nossa Bolsa.

Por eu trabalhar há mais de 15 anos no mercado financeiro, a gente conversa muito com investidores e pessoas que trabalham no mercado de investimentos e uma das coisas que poucos sabem e que comento em primeira mão, já que não vi nada a respeito na internet e em artigos que li, é que Luiz Barsi Filho por várias vezes comprava ações no mercado fracionário, e aí unia as ações tornando-as um lote e vendia os lotes cheios, comprando novamente no fracionário e repetindo isso o máximo que pudesse, realizando uma arbitragem, sem qualquer risco ao realizar esse procedimento. Conta-se que na época os preços do mercado fracionário eram menores e com isso, as ações poderiam ser unidas em lotes e vendidas por um valor acima do que foram compradas proporcionalmente. Não sei se isso é realmente verdade, mas trata-se de aproveitar uma grande oportunidade e mostra a inteligência de Luiz Barsi, aproveitando condições do mercado para fazer mais dinheiro. “Dinheiro, serve para fazer dinheiro”, é uma das frases que ele mais usa e que encaixa perfeitamente nesse caso.

Investindo em empresas com tradição

A carteira de Barsi possui 15 empresas, sendo o Banco do Brasil a Empresa que ele tem há mais de 32 anos. Ele defende que investir em empresas que estão há um bom tempo no mercado, aumenta a probabilidade de acertos. Banco do Brasil tem 200 anos. Klabin que é outra investida por ele tem 120 anos.

Fazem parte da carteira de Luiz Barsi: Vale, Banco do Brasil, AES Tiete, Cemig, Eletrobrás, Eletropaulo, Eternit, Klabin, Santander, Suzano, Taesa e Unipar.

Um dos erros de quem está começando é tentar copiar a carteira de grandes investidores. Em época de twitter e redes sociais, fica mais fácil encontrar a carteira desses investidores, porém isso não é correto, o mais apropriado é entender o motivo da escolha de determinadas ações e assim ir evoluindo, criando um próprio sendo crítico com o tempo e montando a sua própria carteira. Seguir os outros e seus investimentos, pode nos deixar cegos e a pessoa que seguimos pode estar caminhando para o precipício e você estar indo sem perceber, pois está apenas seguindo outra pessoa.

Estratégia resumida de investimentos 

  • Procurar ajuda de um especialista no início;
  • Estabelecer metas alcançáveis;
  • Traçar um objetivo de longo prazo;
  • Ter disciplina;
  • Ser consistente nos resultados, nos aportes, ter paciência e esperar;
  • Não postergar o começo do investimento, não “deixar para segunda-feira”;
  • Focar em dividendos e em empresas sólidas, lucrativas e com alto percentual de distribuição de lucros;
  • Reinvestir os ganhos, acelerando o poder dos juros compostos;
  • Comprar barato, diferenciando preço e valor;
  • Observar o mercado e ser paciente, pensando no longo prazo, SEMPRE!

 

Um grande abraço,
Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/12/21/luiz-barsi-filho-o-warren-buffett-brasileiro/

Grandes Investidores: Lírio Parisotto, empreendedor e um dos maiores investidores do Brasil

14 de dezembro de 2019 às 16:59 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Lírio Parisotto – Biografia

O investidor do presente texto um dos maiores do Brasil. Sim, depois de escrever mais de 20 textos sobre os maiores investidores do mundo, onde eles residem em sua maioria nos Estados Unidos, começo a escrever sobre os maiores do Brasil, começando pelo conterrâneo gaúcho, Lírio Parisotto, de quem tive o prazer de assistir uma palestra em 2011 e que lembro de trechos até hoje. “Não compro coisas que voam!”, “Não gosto de empresas varejistas, você já viu uma varejista não quebrar no Brasil?” (isso bem antes do estrondoso case da Magazine Luiza rs).

Lírio Albino Parisotto é um investidor que nasceu no Rio Grande do Sul, em Nova Bassano, próximo a Caxias do Sul, na data de 18 de dezembro de 1953. Filho de pais agricultores, formou-se em medicina e é um grande investidor.

Vida Pessoal

Vindo de uma família de agricultores no interior gaúcho, aos 13 anos, Lírio Parisotto saiu de casa para estudar e inclusive chegou a ser seminarista, estudando para ser padre, sendo posteriormente expulso por mau comportamento, chegou a morar em Brasília por 5 anos. Prestou concurso para o Banco do Brasil, trabalhando cerca de 150 kms da sua cidade, Nova Bassano. Conta que queria uma transferência para uma Agência mais perto da sua casa, porém vendo que havia uma lista imensa de espera, acabou pedindo para sair do emprego em apenas 7 dias.

Posteriormente, voltou para sua cidade natal, onde trabalhou em um frigorífico da cidade e acabou tornando-se gerente. Com o primeiro salário comprou uma kombi, na qual usou como um ativo para levar pessoas. Era um leitor assíduo, começando a estudar sobre o mercado de ações. Ingressou na Faculdade de Medicina de Caxias do Sul em 1976. Acabou sendo demitido do Frigorífico por estar “descansando”, de tanto trabalhar. Trabalhou trazendo mercadorias de São Paulo principalmente videocassetes. Certo momento com dívidas a receber de clientes, um desses devia-lhe tanto que resolveu oferecer a loja para Lírio, como forma de pagamento. O nome dessa loja era a Videolar.

Com o tempo a Loja começou a fluir, faturando de US$ 500 a US$ 600 mil anuais, possibilitando-o investir no mercado de ações e viajar para os EUA, onde conheceu os gravadores de VHS, desconhecidos de muitos atualmente. Com essa experiência criou o primeiro videoclube da cidade de Caxias de Sul. Lá clientes poderiam assistir filmes de videocassetes, com poltronas, sofás, assim como fitas virgens como cópias das originais. A Loja era tocada pelo sócio, permitindo Lírio finalizar seu estudo na faculdade de medicina. Posteriormente, voltou a focar na sua Loja Videolar, sendo a que mais vendia tvs na Cidade de Caxias do Sul. Acabou por agregar valor na assistência técnica, aceitando produtos eletrônicos usados, gerando diferenciação. Depois de tanto sucesso, foi convidado pela Sony, por ser um dos que mais vendiam no Brasil fitas VHS Beta Max. Visitando a Sony em Tóquio, enquanto os outros faziam turismo, Lírio resolveu saber mais sobre a fabricação de fitas VHS.

Voltando ao Brasil, a Loja original passou a sofrer grande concorrência, decidindo mudar de ramo. Em 1986, ele já tinha cerca de US$ 500 mil na bolsa de valores e estava sofrendo uma queda de 40% naquele ano. Dois anos depois, acabou criando uma empresa própria de VHS e investiu US$ 4 milhões em uma fábrica de produção própria de fitas VHS.

Acabou crescendo rapidamente com a empresa gerando caixa e com isso investindo concomitantemente no mercado de ações, sendo influenciado no início da década de 90 no Livro Faça Fortuna com Ações, de Décio Bazin. Com a queda do mercado de ações, acabou investindo US$ 2 milhões.

Acabou abrindo uma fábrica na Zona Franca de Manaus, onde recebeu incentivos para produzir e passou a produzir até DVDs, possibilitando-o investir US$ 6 milhões no mercado de ações em 1998, na carteira que mantem até hoje, com cerca de 12-14 empresas. Em 2008 deixou o dia-a-dia da Empresa Videolar, passando para o conselho de administração da empresa. Passou a investir em Private Equity, comprando a RBS TV de Santa Catarina, vendendo-a algum tempo depois.

Estilo de investimentos

Foca em empresas pagadoras de dividendos focando no longo prazo. Em 2008, chegou a ter R$ 1,6 bilhões, porém sofreu uma queda de R$ 1 bilhão, recuperando tudo depois. Estima-se que tem uma carteira hoje próxima a R$ 5,2 bilhões, o que o coloca entre os mais ricos do Brasil.

O seu Fundo L. Par. teve o seguinte retorno nos últimos anos:

Em sua carteira gosta de investimentos em siderurgia, mineração, energia elétrica e bancos. Fazem parte da sua carteira de investimentos: Celesc, Banco do Brasil, Eletrobrás, CSN, Usiminas, Braskem, Vale, Light, Cielo, Eternit. Ele faz muito lançamento coberto de opções, procurando ganhar o prêmio e remunerar a sua carteira de investimentos. Por lançamento coberto, entende-se possuir ações de uma empresa e vender opções.

Entre seus principais pensamentos estão:

  • Não compre empresas que dão prejuízos
  • Importante prestar atenção na saída do investimento, liquidez é fundamental
  • Não compre nada que voa
  • Reinvista sempre seus dividendos e compre empresas que paguem altos dividendos
  • Não compre varejistas
  • Não entre em IPOs
  • Diversificação é interessante, porém não muito. Ele tem como regra, ter no máximo 14 empresas no Fundo.
  • Tenha senso crítico e não vá apenas pelo analistas e pelo preço-alvo

 

Um grande abraço,
Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/12/14/lirio-parisotto-empreendedor-e-um-dos-maiores-investidores-nacionais/

Grandes Investidores: Jim Simons, retornos maiores que lendas como Buffett, Soros, Munger

30 de novembro de 2019 às 16:40 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Jim Simons – Biografia

O texto a seguir, tratará o maior gestor de fundos do mundo em termos de retornos e que teve um grande destaque recentemente com seu livro “The Man who Solved the Market”, escrito por Gregory Zuckerman. Comecei a ler recentemente. Esse investidor é o gestor de fundo quant (quantitativo) Medallion, da Renaissance Technologies, James “Jim” Simons.

James Harris Simons, nasceu em 25 de abril de 1938 em Massachusetts, é um matemático americano e acabou tornando-se bilionário após a fundação de seu fundo. Ele também se dedica a filantropia. Conseguiu um PhD em Berkeley, em 1962. Em 1964 trabalhou para o Governo Americano, com decodificação, ou seja, tentando quebrar códigos, usando criptografia e outros padrões.

Ele é conhecido por ser um investidor quantitativo e fundou em 1982 o Renaissance e o Medallion, um Fundo baseado em New York que teve um retorno de 66% antes de taxas e 39,9% após taxas, o que é o retorno mais alto historicamente, se comparado com outros gestores de hedge. Simons obteve esse retorno de 39,9% para os seus cotistas, mesmo cobrando uma taxa de administração de 5% e taxa de performance média de 44% ao ano, ao contrário da praxe, que é de 2% de taxa de administração e 20% de taxa de performance.

Ele é considerado como o maior investidor de Wall Street, devido aos seus altos retornos. Sua riqueza atual é de US$ 21,6 bilhões, o que coloca-o também, não apenas como um grande gestor em termos de performance, mas uma das pessoas mais ricas do mundo, sendo o vigésimo primeiro mais rico do mundo. O Fundo dele criou mais riqueza que a fortuna pessoal de Warren Buffett ou Bill Gates, de maneira individual. Chama atenção mesmo que possuindo o melhor retorno histórico entre os gestores, Jim Simons nunca teve aulas de finanças, não tinha interesse nos negócios (ele trabalhava para quebrar códigos criptografados na Guerra Fria) e contratou pessoas fora do meio de Wall Street para trabalhar no Fundo.

Gestora Renaissance e Fundo Medallion

Fundada em 1982, a Gestora Renaissance começou utilizando matemática pura para realizar trades, muitos deles automatizados através do uso de correlações, sem intervenção humana, usando modelos computacionais para antever mudanças de preços através da análise de dados. Uma dos fatos que me chamou a atenção, foi que a maioria de quem trabalha no Renaissance não é do mercado financeiro e sim matemáticos, físicos, astrônomos e estatísticos. Um terço de quem trabalha lá tem PhD, ou seja, são inteligentíssimos!

Simons por ser o gestor da Gestora, é um dos gestores que mais ganhou nos últimos anos… por exemplo, ano passado ele ganhou US$ 1,3 bilhão. Em anos anteriores como 2007, foram US$ 2,8 bilhões, US$ 1,7 bilhão em 2006, US$ 1,5 bilhão em 2005 (o maior ganho de gestores naquele ano) e US$ 670 milhões em 2004. Tudo isso como um prêmio de taxa de performance, por obter retorno acima da média.

Desde 1988, o principal Fundo da Renaissance,  o Medallion, teve retorno uma média de +71,8% ao ano e fez acima de US$ 150 bilhões de lucros nos mercados financeiros, sendo que nenhum gestor teve um retorno maior que ele nos mercados nesses 30 anos. Lembro que a taxa de administração do Fundo Medallion é de 5% e a taxa de performance é de 44% e como efeito de comparação, no Brasil e nos EUA, a taxa média de performance é de 20% e de administração 2%, o chamado 20-2.

Retornos anuais do Fundo Medallion até a crise, ano que ganhou 80%

A Black Box: como a Gestora opera o Fundo

Muitos perguntam-se como opera a Renaissance e até hoje não há uma certeza, apenas pistas que são retiradas de formulários enviados trimestralmente com as posições dos fundos. De modo geral, o Renaissance opera através de modelos quantitativos derivados de matemática e da estatística. O principal Fundo, o Medallion, foi criado em 1988 e usou modelos matemáticos de Leonard Baum que foram melhorados posteriormente pelo uso das álgebras de James Ax. O Fundo explora correlações entre vários ativos e teve esse nome pelos prêmios que ambos ganharam.

Jim Simons aposentou-se das atividades principais em 2009 e foi substituído por Peter Brown, um cientista computacional especializado em linguística que foi contratado em 1993 enquanto trabalhava na IBM.

Outro fato que chama atenção é que o Renaissance tem mais de US$ 110 bilhões sob administração, o que faz um dos maiores fundos do mundo e tem mais de 300 funcionários. Há mais de 3400 ativos diferentes na composição dos fundos.

Quase US$ 120bilhões em Assets Under Management

 

Fundos Quants

Hoje temos cerca de 17 fundos quantitativos no Brasil. Vários desses fundos utilizam-se de algoritmos e uma rapidez de milissegundos na emissão de ordens. No Brasil ainda não é permitido vender ordens de clientes, mas saiba que nos EUA isso já é feito. Corretoras com corretagens gratuitas ou abaixo da média do mercado vendem essas ordens de clientes para fundos e outros investidores institucionais, dando-lhes uma vantagem para operar pequenos spreads, sendo chamados de scalpers. Sendo assim, saiba que não há almoço grátis no caso de corretagens gratuitas ou abaixo da média, você está pagando de uma forma ou de outra. Ressalto que essas operações de corretoras e venda de ordens acontece nos EUA e no Brasil não tenho ciência desse fato, apenas sei que não é permitido por lei e como nossa regulamentação financeira é muito eficiente, sendo modelo para os EUA inclusive, acredito que isso não ocorra.

Fundos Quant além de ordens instantâneas, procuram abordar correlações e antever movimentos, “linkando” com volumes de negociações e padrões que ocorreram no passado procurando repetir-se no futuro.

Do ponto de vista negativo já que comentei sobre o Fundo Renaissance, ocorreu em 2008-2009 a quebra do Long Term Capital (também um Fundo Quant), que também usava alavancagem, tinha 4 Prêmios Nobel como principais sócios e teve que ser salvo para não gerar um efeito em massa nos mercados financeiros mundiais. Bom ser citado, para lembrar-nos que sempre há mais de um lado na mesma moeda e que existem riscos altos, mesmo em Fundos Quants geridos por pessoas inteligentíssimas. O maior risco, ao meu ver, está no uso de alavancagem, ou seja, o uso de dívida para a compra de mais ativos, esperando em uma grande valorização. No caso do Renaissance isso vem dando certo por 30 anos, mas no caso do Long Term Capital, custou a vida do Fundo.

Enfim, nada tira o mérito de Jim Simons, que teve nos quase 30 anos de Fundo Medallion, retornos maiores que lendas como Warren Buffett, John Paul Tudor Jones, Soros, Munger, entre outros.

 

Um grande abraço,
Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/11/30/jim-simons-retornos-maiores-que-lendas-como-buffett-soros-tudor-jones-munger/

RESULTADO VALID (VLID3) 3T19 – Recuperando terreno com o melhor Ebitda da história da Cia!

07 de novembro de 2019 às 16:33 Por Postado em Blog do Eliseu

A Valid liberou seu resultado recentemente. A Receita Líquida no trimestre, apresentou um crescimento de 18,8% na comparação com o 3T18 (R$ 569,0 milhões vs. R$ 478,9 milhões). No acumulado do ano, o crescimento foi de 13,4%, na comparação com o mesmo período em 2018. No 3T19, o incremento de Receita Líquida é devido principalmente à Receita da operação de Meios de Pagamentos no Brasil e no exterior, que juntas apresentaram crescimento de 51,9%. As operações no exterior apresentaram crescimento de 8,8% no 3T19 vs. 3T18 (US$ 66,5 milhões vs. US$ 61,1 milhões). No acumulado do ano, apresentou-se um crescimento de 10,4% (US$ 182,8 milhões contra US$ 165,6 milhões).

Já o EBITDA de R$ 97,6 milhões no 3T19,teve um crescimento de 20,3% contra o 3T18, sendo explicado pelos resultados de Meios de Pagamentos no Brasil e nos Estados Unidos e também na divisão de Mobile. No acumulado do ano o EBITDA totalizou R$ 228,4 milhões, 1,2% abaixo do mesmo período em 2018. Excluindo os efeitos devido a adequação à Norma IFRS16, o EBITDA do trimestre e ano teriam totalizado respectivamente R$ 91,0 milhões e R$ 211,0 milhões, respectivamente.

Fonte: Release VALID 3T19

 

Quanto ao lucro Líquido no 3T19, foi de R$ 31,7 milhões contra R$ 23,8 milhões no 3T18, um crescimento de 33,2%. No acumulado do ano, o Lucro Líquido atingiu R$ 51,7 milhões vs. R$ 57,0 milhões nos 9M18. Excluindo o ajuste para adequação à norma IFRS16, o Lucro Líquido foi de R$ 36,9 milhões no 3T19 e R$ 55,0 milhões no acumulado do ano.

 

Comentários

Após um primeiro semestre bastante desafiador, no 3T19 o EBITDA foi de R$ 97,6 milhões, o maior EBITDA da história da Companhia, com margem de 17,2%, 2.5 p.p acima da margem apresentada nos primeiros seis meses de 2019.

A Receita Líquida apresentou um crescimento de 18,8% na comparação entre os períodos, como reflexo do melhor desempenho das divisões de Meios de Pagamentos tanto no Brasil quanto no exterior. Já na divisão de Identificação no Brasil, foram emitidos mais de 2,0 milhões de documentosno 3T19 depois da queda acentuada no 2T19, principalmente no mês de junho, com a redução de 6% do volume de emissão de documento contra o 2T18. Quanto aos Meios de Pagamento, a queda nas vendas e aumento de custos relativos ao forte impacto das chuvas no final de março que afetaram o mês de abril já foram regularizados, e os resultados da divisão no 3T19 é um claro reflexo da diminuição dos custos aliado também a: (i) Um incremento de volume no Brasil de 9,5% na comparação com o 3T18; (ii) Entrega de 65% das provas do INEP (R$ 76 milhões) e (iii) Melhor mix de vendas nas regiões que atuamos totalizando um crescimento de Receita Líquida de 51,9%.

 

A Receita Líquida total da Companhia atingiu R$ 569,0 milhões no terceiro trimestre de 2019, um crescimento de 18,8% na comparação com 2018, devido ao crescimento de Receita na divisão de Meios de Pagamentos e 8,8% de incremento de receita devido às operações no exterior, que totalizaram US$ 66,5 milhões vs. US$ 61,1 milhões. No acumulado do ano a Receita Líquida da Companhia atingiu R$ 1.459 milhões vs. R$ 1.287 milhões no mesmo período em 2018, um crescimento de 13,4%. Lucro Líquido Contábil foi de R$ 31,7 milhões contra R$ 23,8 milhões no 3T18, um crescimento de 33,2%. Excluindo os efeitos da Norma IFRS 16, totalizou-se um Lucro Líquido Ajustado de R$ 36,9 milhões, 55% acima do 3T18. No acumulado do ano, ele atingiu R$ 51,7 milhões vs. R$ 57,0 milhões nos 9M18 e, excluindo os efeitos da Norma IFRS 16, atingiram um lucro de R$ 55,0 milhões, 3,5% abaixo na comparação entre os períodos. Abaixo, o Resultado Financeiro do 3T19:

Fonte: Release VALID 3T19

 

O 3T19 apresentou uma melhora significativa de margem contra os primeiros seis meses do ano, 2,5 p.p. acima, totalizando 17,2% vs. 14,7%, com incremento de margem em todas as linhas de negócio com exceção a divisão de Mobile que, conforme esperado para o segundo semestre do ano, apresenta um pior mix de vendas para regiões menos rentáveis.

Fonte: Apresentação VALID 3T19

No ano de 2019, houve uma geração de caixa operacional positiva no montante de R$ 155 milhões contra R$ 145,9 milhões nos 9M18.

Fonte: Release VALID 3T19

A companhia manteve o compromisso de distribuir pelo menos 50% do Lucro Líquido ajustado sem que isto comprometa a política de crescimento também através de aquisições e desenvolvimento de novos negócios.

 

TELECONFERÊNCIA DA VALID

Sobre privatizações que devem acontecer e que estão na mesma área da Valid, ocorreram mais de 120 emendas nos últimos projetos, algo deve sair em novembro de 2019 e a Valid está atenta a aquisições possíveis, pois vêem muita sinergia.

Sobre as carteiras de motoristas, as mesmas não terão mais renovação por 10 anos e sim de acordo com a idade, segundo a Empresa.

Opinião do Eliseu:  

Empresa começa a demonstrar evolução e acredito que é um dos ativos a ficarmos de olho. Não tenho o ativo, porém chama atenção a forte evolução mais a possibilidade de aquisições estratégicas via privatização, venda de empresas estatais na área que a Valid está inserida. O management já mencionou que está de olho nessas aquisições na Teleconferência. Ativo negocia a 13x lucros, abaixo da média histórica, tem possibilidade de crescimento e vem focando no meio digital. Lembro que isso não é uma indicação de compra ou venda, apenas comentários sobre o ativo.

 

Um grande abraço!

Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/11/07/resultado-valid-vlid3-3t19-apenas-o-melhor-ebitda-da-historia/