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Um balanço de 2020 e premissas para 2021 nos investimentos

05 de janeiro de 2021 às 11:13 Por Postado em Central do Investidor

Um balanço de 2020 e premissas para 2021 nos investimentos

Terminado mais um ano é momento de revermos o que deu certo, melhorarmos o que podemos aprimorar e realizarmos uma reflexão sobre o que passamos. Isso deve ser feito, principalmente, no setor de investimentos, que é a fonte de liberdade futura.

Nosso compromisso é ser transparente aqui, passando aquilo que realmente pensamos sobre o mercado financeiro. Há todo um movimento acontecendo de melhoria nos investimentos brasileiros, cada vez mais brasileiros estarão entrando no mercado financeiro.
Moro nos Estados Unidos atualmente e esse movimento já aconteceu por lá, no final dos anos 80 e tende a repetir-se no Brasil.

Em 2020 em um dos primeiros momentos da história de investimentos, tivemos investidores pessoa física ingressando fortemente na bolsa em um momento de queda extrema na cotação do preço dos ativos variáveis. Esse movimento foi transformacional porque, ao contrário de anos anteriores, em que ocorria uma queda brusca e o investidor pessoa-física saía do mercado financeiro, resgatando suas aplicações justo no melhor momento para aplicar, em 2020 o investidor pessoa-física ingressou e aumentou os recursos (de modo geral) no momento de crise.

Em recente pesquisa da B3, o número de investidores pessoa física saltou de 1 milhão para quase 3,2 milhões em novembro de 2020. Confira na imagem abaixo:

Isso tende a manter-se nos próximos anos pelo cenário favorável que temos de juros baixos (que segundo o FED tende a continuar até 2022-2023, caso não ocorra uma pressão inflacionária). Até mesmo no Brasil (cujos juros tendem aumentar neste ano e nos próximos, porém muito abaixo do histórico que já tivemos).
Atualmente estamos com menor assimetria de informações, temos mais bytes de informações que todas as estrelas somadas do universo e a cada dia os investidores procuram buscar mais conhecimentos sobre o mercado financeiro, assistindo lives, por exemplo e agregando conhecimento durante o tempo que obtiveram em casa por conta da pandemia. O único porém, é saber filtrar as informações úteis das pouco úteis (o que varia de pessoa para pessoa).

Em recentes pesquisas da B3, conseguimos obter o maior perfil de investidor brasileiro, ele é: masculino; não tem filhos; tem renda média de até R$ 5 mil por mês; a maior parte vive no Sudeste do país; tem em média 32 anos; e trabalha em tempo integral. Confira abaixo:

De acordo com as informações obtidas nas pesquisas, a maior fonte de aprendizado desses investidores é através de influenciadores-youtubers e internet, principalmente.

O número de investidores pessoa física tendem a continuar aumentando nos próximos anos. Países como a Colômbia tem cerca de 6% das pessoas física no mercado de ações, mesmo com todo o crescimento, o Brasil tem atualmente 1,5% da população. Nos próximos 5 anos, há a tendência de  crescimento de 300% no número de investidores. Isso é totalmente possível se compararmos os números da Colômbia, um País emergente como o Brasil.

Índice de Reabertura Econômica

Indicador de Reabertura Econômica vem demonstrando melhoria mês após mês, mesmo com as ameaças de uma nova onda ocorrendo na Europa e Estados Unidos. Esse indicador é muito importante para verificarmos como está indo a economia. Vários setores já estão acima do período pré-pandemia. Na construção civil faltam materiais. No voô que vim dos Estados Unidos no início em dezembro, a lotação era máxima, ao contrário de junho-20, quando viajei e havia 3 assentos para cada pessoa. Felizmente, os sinais de recuperação mostram-se cada vez mais resilientes..

No setor de malls, shopping centers, a mesma recuperação vem acontecendo, porém de maneira mais tímida, mas o fato é que há oportunidades ainda no setor, pela questão de estar ainda atrasado na recuperação, comparado com outros setores que já estão mais vigoroso.

2020 foi um ano de paciência e que trouxe ótimos retornos para o investidor paciente e que investiu no momento de maior queda

Olhando os retornos dos ativos no último ano, as commodities foram os ativos que mais andaram de maneira geral, provavelmente pela grande quantidade de dinheiro impresso no mundo todo e pela escassez que a prata e o ouro tem principalmente. Ativos ligados ao mercado americano também andaram bem. Abaixo conseguimos ver em azul forte, a queda máxima, em verde claro o retorno no ano e em verde escuro o retorno das mínimas. O investidor que conseguiu comprar perto das mínimas fez certamente um ótimo negócio. Por isso a importância de aportes, principalmente em momentos de maior stress e da paciência ao esperar esses aportes gerarem frutos.

Abaixo, seguem os retornos dos ativos no ano e em dólar. Apesar dos mercados emergentes (emerging markets) estarem entre uma das classes de ativos que mais subiu, o Brasil em dólar foi um dos que mais caiu, nossa moeda é uma das mais desvalorizadas e estamos em um dos menores pesos na história em termos de percentual de investimentos em uma “carteira global”.

Nos Estados Unidos é notório o peso do setor de tecnologia que subiu 41,2% no ano e que basicamente levou o S&P 500 nas costas. Mais adiante falaremos sobre esse setor.

Entre os maiores ganhadores na pandemia, estão as ações dos laboratórios farmacêutico Novavax e Moderna, com +745% e 433% respectivamente e ações da Tesla, que escrevi inclusive aqui anteriormente, comentando sobre o desequilíbrio do preço de mercado da Tesla, que vale mais que as 8 maiores empresas automotivas do mundo e vendia 27x menos, mesmo com o avanço da Porsche e outras empresas no setor de carros elétricos.

Já os maiores “perdedores” foram ações de empresas de turismo e cruzeiros, como a Carnival Corporation, empresas de energia e empresas aéreas.

No Brasil, assim como nos EUA, tivemos empresas de commodities e algumas disparidades de empresas negociando a altos múltiplos, o que cabe uma ressalva, assim como no caso de Tesla. Essa diferença entre preço e valor, tende a ser corrigido futuramente.
Agir com cautela com alguns ativos, ter pensamentos e estudos próprios e não ser um seguidor “às cegas” de investidores e criadores de conteúdo, é necessário.

Investimentos alternativos também subiram fortemente, no caso das moedas virtuais – Bitcoin e Ethereum, por exemplo – subiram muito, com o Bitcoin atingindo mais de US$ 34 mil recentemente. Há estudos que 1 a 2% de uma carteira em Bitcoin traz uma diversificação e um ganho de retorno x risco.

Convém lembrar que após altas fortes no Bitcoin são seguidas por fortes correções, como podemos ver abaixo. Sendo assim, todo cuidado é pouco ao ingressar agora nesses investimentos.

Alta dos ativos fruto também da mínima histórica de juros

Tesla, ativos brasileiros negociados a mais de 100x lucros e já gigantes, com baixa possibilidade de manutenção do crescimento porque já são grandes. Cada vez mais estamos vendo isso no mercado e aqui cabe uma ressalva.

Os múltiplos na “nova economia” estão altíssimos, até maiores que no período da “Bolha.com”.

Podemos ver abaixo, um comparativo com o período dos anos 2000, e mesmo assim os múltiplos atuais estão muito acima dos negociados naquela época. Filtrar empresas (mais do que nunca) é necessário, dados os níveis atuais de preços.

Uma das justificativas de profissionais de mercado é de que os juros mundiais, que estão nos menores patamares da história, fazendo com que as taxas de desconto ao avaliar ativos fiquem mais baixas e consequentemente, elevando o preço teórico desses ativos, além de que o custo de oportunidade ( a alternativa que tem o investidor para investir de maneira segura) tem menor atratividade, tornando melhor a tomada de risco pelo investidor nos investimentos, justificando em teoria os múltiplos elevados que estamos vendo no mercado.

2021 como tende a ser na visão das maiores instituições financeiras mundiais

Quanto a crescimento global, China tende a crescer mais que Eua, segundo a Invesco. O PIB (GDP) americano deve ter crescimento entre 4,7% a 6,4%, segundo o HSBC, Citi e Morgan Stanley. Também acreditam que a inflação estará controlada por 2-3 anos, segundo o BCA e segundo o Citi, a inflação terá previsão de ser 2,2% em 2021.

Quanto ao investimento em ações, o Citi acredita que o investimento em Valor deve ser privilegiado pelo rotation, já que ficaram descontadas e mercados emergentes tendem a ser favorecidos, segundo a Invesco e o Morgan Stanley.

Já sobre o dólar há o consenso de enfraquecimento do dólar, assim como consenso sobre as commodities, óleo e ouro principalmente. Mesmo quando há um consenso, devemos ter cautela.

Abaixo podemos ver um resumo dessas visões:

Sempre lembrando: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Feliz 2021 e que você chegue cada vez mais perto da liberdade financeira (se ainda não tiver) e que aumente a sua liberdade caso ainda não tenha.

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Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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Balanço de final de ano, fim da Crise Covid e aumento de riqueza!

29 de dezembro de 2020 às 16:19 Por Postado em Central do Investidor

Com as bolsas mundiais atingindo novas máximas, tanto a bolsa americana que atingiu esse patamar antes até do que o Ibovespa, dado o peso maior em ações de tecnologia e empresas “fique em casa”, fica clara a recuperação das bolsas mundiais, mas qual o reflexo de tudo isso? Saímos de modo geral mais ricos que anteriormente e nossos bancos centrais e governos, mais pobres.

Nos Estados Unidos, a riqueza de modo geral do indivíduo, acabou aumentando, assim como a quantidade de ativos financeiros nas mãos desses indivíduos. Quanto aos ativos reais, casas e propriedades, também tivemos um crescimento e para surpresa de todos aqueles que pensavam que sairíamos mais pobres com o fim da crise, a média de débito dos indivíduos manteve-se estável, como podemos ver abaixo…

No Brasil, a dívida dos indivíduos manteve-se estável também e a dívida pessoa física dos bancos, em alguns casos diminuíram (muitos usaram o Corona Voucher para “arrumar a casa” e quitar dívidas ou renegociá-las). Mas no caso brasileiro, temos que aguardar até abril de 2021 para tirarmos uma conclusão, eis que tivemos a prorrogação, postergação dos pagamentos e é por volta do mês citado de 2021, que teremos um cenário mais claro do que aconteceu em relação às dívidas no Brasil.

Dívidas e pagamento da dívida federal

Outro ponto importante a salientar é a quantidade de juros de dívida quanto ao pagamento de juros como % do PIB, em que tivemos uma redução, fruto da redução de juros ao redor do globo e da distribuição de dinheiro para os indivíduos. No momento que escrevo esse texto, há mais uma previsão de incentivos por parte do Governo Americano, da ordem de US$ 900 bilhões. Abaixo, conseguimos ver a diminuição de quantidade de juros sob o ponto de vista do PIB americano…

Outro dado que pode ser visto conjuntamente ao gráfico de cima, é a quantidade de dívida pela quantidade de ativos que possuem os residentes nos Estados Unidos. Pego esses dados americanos como base, pois são dados mais completos e que são da (ainda!) maior economia do mundo. Lá em 2008, notamos que o percentual de dívida chegou perto dos 18% de alavancagem e que agora tivemos uma diminuição, chegando perto de níveis de 12%, níveis esses comparáveis com 1982…

Quanto à riqueza do cidadão americano, essa vem crescendo em uma tendência de 3,65% ao ano desde 1952, o que é acima do CPI (inflação americana), o que é positivo e que voltou a crescer em 2020, sendo da ordem dos US$ 130 trilhões de dólares…

E quem pagou a conta de tudo isso?

Bom, se tivemos um aumento de riqueza para os cidadãos, uma diminuição da alavancagem, quem pagou essa conta? Os Bancos Centrais mundiais e seus governos! Com a impressão massiva de dinheiro, tivemos um considerável aumento de dívida como percentual do PIB, no caso americano, chegando a mais de 100% do PIB em dívida. Isso ocorreu não apenas nos EUA, mas no mundo e uma hora isso pode preocupar novamente, temos que estar atentos sobre esses dados..

E o mercado de capitais mundial, americano e brasileiro?

Quanto ao mercado de capitais, tivemos a recuperação em termos de valor de mercado, onde o teto de US$ 92 trilhões tinha sido atingido no início de 2020, tivemos uma queda para US$ 62 trilhões, iniciando uma recuperação coincidente com os estímulos ofertados de US$ 18 trilhões ao redor do Globo e o mercado de ações linkando essa quantidade de grana injetada no mercado, acrescentando nos preços dos ativos a quantia de estímulos colocados no mercado pelos Bancos Centrais mundiais e consequentemente, com mais estímulos e começo da recuperação em V e uma demanda reprimida, a capitalização do mercado de ações mundial, atingiu US$ 100 trilhões em valor de mercado, um recorde histórico, como podemos ver abaixo…

A tendência de crescimento no mercado acionário americano manteve-se em 7% ao ano e a queda das cotações no Corona Vírus, pareceu quase pequena se olharmos em um quadro maior de longo prazo…

O gráfico das ações americanas e o pequeno efeito que representou a Crise Corona Vírus no longo prazo, nos remete ao que acontece depois das crises e as oportunidades que as mesmas nos trazem no longo prazo. Usando estudo da Nord Research, podemos ver como o Ibovespa se recupera no pós-crise tradicional..Teríamos em torno de 30-40% de alta potencial para os próximos 2 anos e pouco, o que não seria nada mal, se olharmos as estatísticas e o passado…

Em dólares, o Ibovespa ainda cai cerca de 20% no ano e é uma oportunidade para os estrangeiros que voltaram em novembro com R$ 33 bilhões e que em dezembro já estão com R$  9 bilhões de fluxo positivo. O Ibovespa em dólares, cai mais que a Argentina, Chile, México e EUA, como podemos ver em estudo do BTG, abaixo…

Além disso, como já salientado desde abril aqui nos artigos anteriores, as commodities estão em um peso interessante em dólares e de modo geral tem uma possibilidade grande de recuperação, o que ajudaria (além da queda em dólar do Ibovespa e da oportunidade) o Ibovespa a atingir novas máximas…

Por estar 15 anos no mercado e 13 anos de maneira profissional chega a ser engraçado como o comportamento dos investidores não muda. Um deles é a agressividade nas compras no mercado quando o mesmo recupera-se, como no momento atual, em que tivemos uma alta de 85% das mínimas de março, e a como a maioria “some” do mercado, quer vender seus investimentos em crise. Isso, felizmente, começou a mudar um pouco esse ano, acredito fruto de artigos como os que escrevo, procurando orientar os investidores de maneira franca e honesta, mostrando o que eu faço e como invisto meus investimentos, além de maior informação disponível no mercado, mais profissionais cobrindo empresas, mais criadores de conteúdo, o twitter, youtube, etc..

O que podemos tirar como aprendizado dessa Crise é que temos que estar no mercado sempre, que teremos cada vez mais volatilidade (que ao mesmo tempo nos dá mais possibilidade de investirmos em ativos bons e baratos, trará uma oscilação maior no curto prazo dos preços de nossos ativos) e que temos que ser agressivos em momentos de queda, pois no longo prazo, boas empresas, geradoras de caixa, com vantagem competitiva, tendem a recuperar o seu preço e andar próximo ao valor intrínseco que elas possuem, mesmo com desajustes exagerados de curto prazo nas cotações.

Sempre lembrando: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

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Eliseu Manica Júnior
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Os Gringos, eles estão voltando! (parte 2)

30 de novembro de 2020 às 09:29 Por Postado em Blog do Eliseu

Hoje começo por uma questão que já comentei em uma ou duas edições atrás, sobre o forte movimento de ingresso de capital estrangeiro que começou e permanece nesse mês de novembro.

Continuamos com um forte ingresso no mês de novembro e chegamos a US$ 30 bilhões que ingressaram nesse mês de novembro, sendo o melhor mês do ano:

Nota-se uma recuperação grande quanto ao fluxo de entrada de estrangeiros, em que chegamos a cerca de US$ 70 bilhões de saída na B3 e agora estamos com cerca de US$ 27 bilhões negativos contra os US$ 57 bilhões que estávamos em outubro…

Mesmo com esse surpreendente ingresso de capital estrangeiro em novembro no Brasil e com o Real subindo quase 8% no mês, sendo uma das moedas que mais se valoriza no globo, podemos ver que o Real contra outras moedas emergentes, como por exemplo, o Peso Mexicano, ainda está muito desvalorizado, o que é um dos fatores que vêm atraindo os investimentos estrangeiros no Brasil.

O fato é que com esse fluxo voltando ao Brasil, teremos um tradicional ingresso de capital para as ações de empresas com maior liquidez e posteriormente empresas de pequena capitalização, o que já vem acontecendo…

Já a Bovespa está negociando cerca de um desvio-padrão acima da média histórica de negociação. Lembro que temos os menores juros da história e que isso faz que com os múltiplos tenham uma elevação de forma natural, eis que o custo de capital é mais barato, além de outros somatórios….

Um fato negativo e que deve ser observado, é o débito mundial não considerando o setor financeiro que está cerca de 240% ou 2,4x o GDP (PIB) mundial.. Esse indicador é muito usado por Warren Buffett, junto com o regime de capitalização da bolsa americana e o PIB americano, cujo múltiplo também está acima da média….

Por estarmos próximos do final do ano, as previsões de crescimento da economia aumentam e o BNP Paribas, acredita que o Brasil é o País que menos sofrerá com a queda do PIB até o final do ano e que a China e Àsia, irão crescer fortemente….

Já a total recuperação para os empergente deve acontecer apenas em 2022, para a Àsia o primeiro trimestre de 2021, para a Europa no terceiro trmestre e mercados emergentes em geral entre o terceiro e quarto trimestres…

Na última edição da Tônica, comentei sobre os ativos que mais tinham me chamado atenção, tivemos uma disparada de grande parte desses ativos e seus respectivos preços, como Eternit, Petrorio, Vale e outras. Você conferir abaixo o que mais chamou-me atenção…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço mais a função de analista, mesmo já passando na prova anteriormente), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: /https://bugg.com.br/2020/11/30/20201130-tonica-da-semana-eles-estao-de-volta-parte-ii/

Os Gringos, eles estão voltando!

16 de novembro de 2020 às 09:50 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor

Com o fim das eleições americanas e a provável vitória de Biden, investidores passam a tentar projetar os próximos 4 anos. No último artigo (que você pode encontrar aqui o link) tratei de empresas e setores que poderiam ser beneficiados com os incentivos de Biden. Não cabe a mim falar sobre política ou emitir uma opinião pessoal (eu moro nos EUA e tenho minhas convicções políticas, religiosas, mas acredito que aqui não é o canal para isso) e sim ser o mais neutro possível.  Vejo que de modo geral teremos também uma abertura maior de mercado e isso pode refletir em uma melhora de trocas comerciais entre os países, incluindo aí o Brasil.

Na última década os investimentos em mercados emergentes e commodities (EM e COMDTY, nas siglas da tabela abaixo), tiveram seus retornos muito prejudicados. A China agora com o Acordo do Pacífico, tende a aumentar o peso como um emergente, direcionando grande parte dos investimentos para a Àsia, onde temos que começar a olhar com uma maior atenção também, pensando os investimentos como algo mais global. Hoje é muito simples realizar isso, inclusive via veículos que estão no Brasil, como Fundos focados em China e Ásia, assim como em ETFs.

O Brasil por ser emergente, mantém também uma grande atratividade. O fato é que principalmente em dólar, para o investidor estrangeiro o mercado de ações brasileiro está muito interessante. Nos últimos 3 anos tivemos uma saída gigante do capital estrangeiro do Brasil, levando em conta o investimento na B3 em ações. Enquanto isso, o investidor pessoa física ganhou peso nesse período, porém, penso que o investidor estrangeiro deve retornar e isso deve trazer mais fluxo para o mercado brasileiro, favorecendo a liquidez e a elevação de nosso índice.

MAS SERÁ QUE OS GRINGOS ESTÃO VOLTANDO? 

Foram quase 3 anos de saída massiva e mesmo assim nosso Índice principal, o Ibovespa, saiu de 71 mil pontos para 105 mil pontos e só nesse ano, o fluxo negativo chegou em R$ 87 bilhões e atualmente está em uma saída de R$ 57,67 bilhões, como podemos ver abaixo:

Essa recuperação no fluxo e ingresso de capital por parte do investidor estrangeiro vem chamando atenção, desde os primeiros dias de novembro. Só nessas duas semanas iniciais, tivemos um ingresso líquido de R$ 12,73 bilhões em novembro…

Além da atratividade em dólar para o investidor estrangeiro, em reais a bolsa brasileira começa a ficar mais interessante. Se colocarmos as ações da Petrobrás (peso de 11% no índice) e da Vale (peso de 10% no Índice e que negocia a 5x lucros para 2021) teríamos um Ibovespa mais perto da média do que vem sendo negociado desde 2005 – vide segundo gráfico abaixo:

Todo esse rotation (palavra muito utilizada recentemente) de mercados mais maduros para emergentes (Brasil, China), vem também favorecendo a alocação nos ativos que ficaram esquecidos pelo mercado, sendo que a maioria desses ativos pode ser classificado como empresas de valor ou value investments, empresas em setores mais maduros, com pouco crescimento (na teoria é o que espera o mercado, mas muitas vezes essas empresas trazem “surpresas” positivas, um lucro muito maior do que é o esperado e de maneira surpreendente) e setores tradicionais.

Além disso, as moedas dos países emergentes estão interessantes, estando em um dos menores patamares desde 1995!

Tudo isso privilegia o Brasil, trazendo resultados positivos para as empresas brasileiras e alguns setores específicos, que nos remete ao próximo tópico: resultados que me chamaram atenção até o momento…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço a função de analista), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Construtoras: gostei de Even, Trisul, Tenda e MRV. Tornei me cliente da Even recentemente e a abertura de capital da Melnick, assim como geração de caixa da empresa vieram muito bem. Trisul planeja  lançar 5x mais do que lançou até o momento para 2021. Tenda gerou um caixa gigante, R$ 112 milhões, além disso vem implementando CDT, pequenos “hubs centralizados”, visando melhorar a logística de entrega de materiais para as obras, gerenciando o estoque de produtos de maneira mais adequada. Além disso, tem um preço menor por imóvel que a concorrência e está testando um produto similar ao drywall dos Estados Unidos. MRV, vem aumentando o peso da Luggo, lançará mais via AHS nos Estados Unidos (o retorno de alugueis aqui, acredito que são melhores que no Brasil, inclusive morei em um produto AHS no Sul da Flórida). Das três anteriores citadas, acho que a MRV é a que está mais cara, mas que se entregar os projetos que pretende, tende a ficar mais atraente.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/16/os-gringos-estao-voltando/

Biden Presidente! E agora, onde investir?

09 de novembro de 2020 às 14:05 Por Postado em Blog do Eliseu

Certamente essa foi uma das eleições presidenciais americanas em que o mundo mais deu atenção da história. Foram mais de 140 milhões de votos, sendo o ex vice-presidente Biden, o presidente eleito com o maior número de votos da história. A escolha do presidente nos Estados Unidos é um pouco diferente do que estamos acostumados. Aqui, (moro nos Estados Unidos desde 2016) os votos dos delegados têm um peso muito grande, sendo eles que decidem o rumo dos Estados Unidos. O mundo, assim como o Brasil não é uma ilha, sendo assim, tudo o que ocorre gera reflexos para o Brasil.

Mas e como devemos investir, visando lucros máximos para os próximos quatro anos?

Lendo as propostas que foram feitas na campanha pelo Biden, podemos fazer um resumo do que tende a ocorrer para os próximos anos e os setores que tendem a ser mais privilegiados.

1) gastos por parte do Governo Americano e impressão de dólares

Os incentivos do Governo Trump tendem a continuar no Governo Biden. Impressão de dólares por parte do Banco Central Americano e o seu atual presidente, Jerome Powel, tendem a desvalorizar o dólar, trazendo como consequências, a valorização de ativos reais, como propriedades, áreas de terra, shopping centers, e ativos que têm finitude, como exemplo, o Bitcoin (há um limite de 21 milhões de unidades de bitcoin e que eu não invisto, pela dificuldade de se fazer uma avaliação de quanto vale um bitcoin, hipoteticamente),  ouro (que serve mais como proteção em tempos de crise, mas que não tem valor intangível como os ativos comentados anteriormente).  Há rumores de que a alta dívida dos estudantes americanos (que muitos acreditam, onde iniciará a próxima bolha) será perdoada em grande parte.

2) maior abertura econômica dos Estados Unidos

Biden quer “reabrir” a economia americana e fazer mais acordos. Enquanto Trump tinha um perfil mais nacionalista e protecionista, focando em trazer empresas que estavam fora dos Estados Unidos de volta para a Terra Natal, Biden possui um perfil de realizar maiores acordos, por exemplo, com a China, favorecendo o aumento das trocas comerciais entre os países, inclusive o Brasil. Isso tende a favorecer o crescimento dos Estados Unidos e é visto como algo positivo para o comércio internacional. Brasil e mercados emergentes também tendem a ser favorecidos.

3) Aumento de impostos

São esperados aumentos de impostos por parte do Governo Biden. Hoje, a alíquota média de impostos para empresas nos Estados Unidos é de 21% e tende a ser elevada para 28-29%, o que traria uma queda, segundo estudos, de cerca de 12% nas ações americanas.

4) Legalização da maconha

O Partido Democrata tende a legalizar a maconha como uso por todo o País, entrando em acordo com a legislação dos Estados Americanos para aprovação nos estados que ainda não é permitida. Ações ligadas à produção e consumo da maconha tiveram uma alta forte nos últimos dias e podem ser beneficiadas, caso isso venha a acontecer.

5) Incentivo para energias alternativas

Há a tendência de incentivos para veículos elétricos, sendo a Tesla (TSLA), um dos beneficiários. Falarei sobre a Tesla e o seu valor adiante. Outro término é a diminuição do fracking, que consiste na retirada de petróleo do subsolo. Estados como o Texas teriam a perder com isso, teríamos uma diminuição na produção de petróleo, consequentemente, teríamos um menor estoque, o que poderia elevar o seu preço no curto prazo.

Segue um resumo abaixo dos setores que podem ser mais privilegiados:

Ser teimoso ao investir ou não ser, eis a questão?

Ferdinando, o touro mais conhecido entre os personagens da história tem como característica fazer totalmente ao contrário do que a maioria espera o que faça um touro, mas mesmo assim ele é um dos personagens mais conhecidos da história. Um touro é reconhecido por sua valentia e coragem. Ferdinando preferia a natureza, a paz e o status quo, algo totalmente diferente do que se espera de um touro.

Investidores em valor, que focam em avaliar empresas pelo método tradicional, via fluxo de caixa, usando valuation ou comparativo de múltiplos, certamente estão sentindo-se como um Ferdinando nos tempos atuais. Confesso que tenho um pouco do Touro Ferdinando, na parte de ser teimoso e muitas vezes contrário do que a maioria dos investidores pensa. Já comentei aqui sobre a grande entrada de pessoas físicas na bolsa de valores brasileira e mundial.

Muitos desses investidores mesmo sendo um peso grande na hora de investir (são mais de 3 milhões de pessoas físicas, sendo que o número dobrou do ano passado para hoje) estão ingressando no mercado e focando sua atenção em youtubers (nada contra, tenho vários amigos que são e que geram um grande valor em termos de informação) que muitas vezes não têm tempo de preparar conteúdo e avaliar empresas. Nota-se uma relação entre vídeos lançados comentando sobre empresas que estariam atrativas e a alta no preço dessas ações.

Dado o movimento de curto prazo de alta, muitos desses investidores começam a acreditar que acertaram o Santo Graal, quando na verdade muitos desses movimentos de curto prazo apenas os tiraram do caminho mais correto da forma de investir: estudar empresas, procurar estudar fontes primárias de informação (dados das próprias empresas que investem e serviço de Relações com Investidores dessas empresas) e complementares, como relatórios de casas de research, de bancos de investimentos, sendo complementos do dever de casa de ter estudado o que os administradores dizem sobre a empresa que o investidor aloca o seu capital.

Comparamos nosso dinheiro na hora de comprar um ar condicionado, uma televisão, mas a maioria de nós nem sequer sabe quanto lucrou a empresa que investiu 20% do dinheiro que alocou pensando na aposentadoria. Há um longo trabalho a ser feito com esses novos investidores que entraram no mercado recentemente, ajudando-os a investir de maneira consciente, ao menos com noções entre a diferença de preço e valor.

Valor x Crescimento

Duas das escolas de investimento mais tradicionais, a escola de investimentos em valor e a escola baseada em empresas Growth (crescimento), nesse ano de 2020 estão com uma das maiores discrepâncias dos últimos 2o anos, vistas em período conhecido como a “bolha.com”.  Além disso, os mercados emergentes (O Brasil inclui-se) estão com valuations extremamente depreciados. O mercado é compostos por ciclos, tivemos o período 2002 a 2008, em que tivemos um boom nas commodities e em mercados emergentes. Entre os anos 2010 e 2020, tivemos empresas ligadas ao termo tech, como as que mais subiram. Hoje novamente estamos com os mercados emergentes e empresas de valor depreciadas, como podemos ver abaixo:

Nos últimos 5 anos, tivemos o comparativo entre empresas value  e growth, muito similar aos movimentos do final dos anos 90, atualmente com as empresas tech, muito sobreavaliadas.

Como em 1999, a moeda dos mercados emergentes também está muito depreciada. O Brasil, junto com Lira Turca e o Peso Argentino é uma das moedas que mais cai no mundo em 2020. Para 2021, acredito que isso tende a mudar, inclusive o valor próximo do Dólar x Real, tende a ser ao redor de R$5,20, usando a metodologia de usarmos os dados da inflação americana e brasileira, desde o início da criação de ambas as moedas, no caso do Brasil, em 1994, no Plano Real..

Todo esse dinheiro no mercado, traz desequilíbrios, como o valor de mercado de Tesla, que vale mais que as 9 empresas automobilísticas, que produzem quase 100x mais em receia que a Tesla. Inclusive, já havia escrito aqui, sendo os dados utilizados pelo Economista Ricardo Amorim. Abaixo, podemos ver a discrepância de Tesla e outras montadoras (essa é mais uma das discrepâncias):

Em resumo:

  1. Biden eleito, devemos ter impressão de moeda, legalização da maconha, investimentos em infra-estrutura, maior abertura econômica, acordos com a China, incentivos para energia alternativa, entre outros;
  2. Número de casos de Covid aumentando, porém aumentou-se a quantidade de testes. Taxa de mortalidade está menor que o pico de março, estamos sabendo lidar melhor com a situação;
  3. Economia americana, recuperando-se;
  4. Nunca tivemos uma diferença tão grande entre crescimento x valor nos investimentos e isso tende a mudar, ao meu ver;
  5. Cuidado com as empresas que estão embutindo altos ciclos ou altos retornos no preço das ações, muitas delas não terão como entregar o resultado que está precificado;
  6. Grana é liberdade e o tempo mais precioso que temos é o tempo. Use o seu com sabedoria, incluindo não utilizá-lo para investir de maneira equivocada!
  7. Foque em estudar mais as companhias e a seguir menos “dicas” de pessoas na internet.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Mânica Júnior
Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/09/biden-presidente-e-agora-onde-investir/

Foque naquilo que você pode controlar nos investimentos

02 de novembro de 2020 às 23:31 Por Postado em Blog do Eliseu
foco nos investimentos

No último artigo que escrevi e você pode ter acesso aqui , comentei acerca da volatilidade que era esperada pelo mercado e que acabou ocorrendo na última semana do final do mês de outubro. O fato é que dada a baixa atratividade dos investimentos, o baixo custo de capital mundial, as eleições americanas e a chegada do inverno no hemisfério norte, aumentando os casos de Covid (tivemos também um aumento na quantidade de testes), faz com que tenhamos uma série de acontecimentos que trazem incertezas para o investidor e essa incerteza é sinal de oportunidade tanto para o investidor quanto para o especulador, muitas vezes colocado à margem do mercado, mas que é necessário, no mínimo, para um aumento de liquidez no mercado.

É na incerteza que os preços dos ativos ficam mais voláteis, onde muitos players preferem sair do mercado dada a falta de clareza no cenário de investimento é da natureza do ser humano preferir ambientes mais seguros dada a composição da parte do nosso cérebro reptiliano, onde desde os primórdios procuramos segurança, andar com a “manada” e com um grupo de pessoas para nos trazer segurança. Nos investimentos quem segue isso, tende a ter um retorno abaixo ou no máximo na média comparado com outros investidores. Sendo assim, precisamos “lutar” contra nossos instintos e contra nossa composição humana, agindo diferentemente da média porém com motivos e razões para determinados movimentos do mercado, não apenas sendo um “do contra”, por ser.

Não vai ser nem a primeira e nem a última correção do mercado, onde esses movimentos são necessários e devem ser bem-recebidos para o investidor que ainda está em momento de acúmulo de capital. Abaixo podemos ver um compilado das últimas crises, onde podemos ver que elas têm incidência quase que anual, no nosso mundo:

É nesse cenário atual, com a bolsa brasileira em dólares no nível de maio de 2020 e com alguns ativos negociados a valores  de 2005 (Banco Bradesco em dólar, por exemplo, tem um lucro 4x maior hoje do que tinha em 2005, porém com preços em dólar a valores de 2005). O fato é que temos oportunidades retornando, balanços vindo bem, acima das projeções do mercado e recuperação nos lucros de 2019, como mostrarei adiante, fazendo um apanhando dos acontecimentos e oportunidades ao meu ver.

Aumento no número de casos de Covid

Quem olha friamente as manchetes do jornais e da televisão, prestando atenção apenas no aumento no número de casos de Covid, pode esquecer de outros detalhes fundamentais. Com a chegada do inverno no hemisfério norte é normal esse aumento de casos, além disso, temos a questão de nos Estados Unidos, por exemplo, há um aumento no número de testes, o que naturalmente já aumenta a quantidade de casos. A parte positiva, ao contrário de março passado, é que estamos cada vez mais perto de uma vacina, o que aumenta a chance de uma retomada na normalização econômica.

Abaixo, podemos notar que a quantidade de testes aumentou quase 20x, então é natural o aumento de casos, pois a amostra está maior. Um dos pontos positivos é que a quantidade de mortes vêm diminuindo, estamos sabendo tratar melhor a doença e isso traz mais esperanças para uma saída mais rápida. Na China, a economia está crescendo a pleno vapor e a expectativa que seria em 2030 de que a economia chinesa poderia tornar-se a maior do mundo, foi antecipada para 2024. Conversando com dois médicos próximos, que tomaram a vacina Chinesa, eles comentaram da imunização, então pode ser que dado o baixo nível de casos na China (alguns podem desconfiar dos dados), aparentemente eles estariam com alguma vacina efetiva.

Crescimento acima do esperado da economia

Um dos pilares em investimentos é o retorno pelo lucro ou pela geração de caixa por parte das companhias. Investir possui uma lógica e a lógica é que, no médio e longo prazo, o percentual de aumento ou queda nos lucros ou geração de caixa (o principal ao meu ver), acompanhará a flutuação do preço das ações. Começamos o período de divulgação de resultados do terceiro trimestre e nos Estados Unidos, esses resultados estão superando em cerca de 85% o compilado e esperado pelos analistas. Comparando com o ano passado, o S&P500 teve lucros que estão até o momento 5% abaixo, porém notamos que grandes empresas vêm trazendo resultados muito acima do esperado, como Google, Amazon e outras.

Já na Europa, analisando o cenário macro, estamos com crescimento no GDP (PIB) muito acima do que era esperado, mesmo com o lock down seletivo nesses países…

No Brasil idem, tivemos o começo da temporada de resultados e resultados como Tupy, Romi e Vale (isso não é uma indicação de compra ou venda) chamaram a atenção, vindo muito bem, tanto que aumentei posição nesses ativos no último dia útil de outubro. Vale, por exemplo, negocia a 2,9x Ebitda contra 5x de BHP e Rio Tinto e cerca de 5x lucros para 2021..

E o grand finale… eleições americanas…

Essa é a segunda eleição presidencial que passo aqui nos EUA. A primeira trazia pesquisas dando ampla vantagem para Hillary Clinton e acabou dando Trump. Aqui nos EUA, os meios de comunicação tem um lado bem definido na hora de dar a notícia.. a Fox, Canal de Televisão é Pró-Trump e a CNN, pró-Biden e contra o Trump. É algo engraçado, porque na CNN, por exemplo, a Emissora fica o dia inteiro “batendo” em Trump. O fato é que as pesquisas aqui têm um forte viés e não podem ser consideradas 100% como fonte de credibilidade..

Como em 2016, estamos notando um crescimento de Trump nas pesquisas nesses últimos dias, inclusive o percentual está muito similar ao mesmo ponto das últimas eleições…

Acredito que o cenário ainda continua muito aberto, com possibilidade de ganho para ambos os presidenciáveis, mas independentemente desse resultado, acredito que o foco principal deva ser na análise dos ativos em carteira, seu preço e valor visto, boa administração, pois como mencionei anteriormente, essa volatilidade traz oportunidades para ativos com ótimos resultados e ótimos preços. Com juros baixos, trazendo poucos retornos, temos pouca escolha de alocação de capital e o mercado de ações é onde temos as melhores oportunidades no momento.

Independentemente do resultado dessa eleição presidencial americana, podemos ver que a média de retorno em ano de escolha de presidente, no S&P500, é uma média de 11,3% para qualquer presidente, 9,3% para a entrada de um novo presidente e 13,4% para o presidente que está no poder vencer. Quem for o presidente, desde 1928 temos a probabilidade ao lado nosso lado e temos como investidores, focar naquilo que temos controle: nosso emocional para controlar a volatilidade e a queda momentânea no preço das ações e o controle daquilo que vamos investir!

Em resumo:

  1. a quantidade de crises, assim como a volatilidade vem aumentando no mercado. Volatilidade = oportunidade;
  2. número de casos de Covid aumentando, porém aumentou-se a quantidade de testes. Taxa de mortalidade está menor que o pico de março, estamos sabendo lidar melhor com a situação;
  3. resultados nos EUA e Brasil vindo muito bem e surpreendendo positivamente. PIB dos maiores países europeus, idem;
  4. eleições americanas ainda “abertas”, porém isso não pode ser o principal foco do investidor;
  5. independentemente do resultado das eleições americanas, o fato é que o mercado de ações sobe em períodos como esse;
  6. foque naquilo que pode controlar: seu mindset ao investir, seu temperamento de investidor, as oportunidades que surgem, o estudo dos ativos que gosta e quer investir.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/02/foque-naquilo-que-voce-pode-controlar-nos-investimentos/