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Aprenda a investir melhor, sabendo como agem os maiores investidores da história. Leia o texto

11 de agosto de 2020 às 23:34 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor
FONTE: BUGG.COM.BR

Aprenda a investir melhor sabendo como agiam os maiores investidores da história. Leia o texto

A ideia aqui é de maneira resumida mostrar as principais características dos maiores investidores da história, procurando auxiliar você investidor da melhor maneira possível. Ninguém nasceu um investidor pronto, precisamos de características específicas para sermos um investidor melhor.

Peter Lynch

Poucos sabem no Brasil, mas Peter Lynch é um dos maiores e mais conhecidos investidores de todos os tempos. Ele nasceu em 19 de janeiro de 1944, estando com 75 anos, atualmente. O que tornou-o conhecido foi ter sido o gestor de um Fundo chamado Magellan, que foi um dos maiores fundos da Fidelity (uma espécie de XP Investimentos, no Brasil).

Foi o gestor do Fundo Magellan de 1977 a 1990 e o retorno anual composto foi de 29,20%!!! US$ 1,00 em 1977 viraram US$ 28,00 em 1990!

Os ensinamentos de Peter Lynch pode ser resumidos em quatro principais tópicos:

  1. Faça sua pesquisa: ao investir você deve ser um pesquisador nato. Visitar empresas, saber o diferencial, pessoas que estão trabalhado para o crescimento. Focar em empresas que não precisam de novas tecnologias é o ideal, mesmo em um mundo high tech. 
  2. Entenda a importância da diversificação: apesar de o Fundo de Peter Lynch chegar a ter mais de 1400 ações, estatísticamente, a diversificação começa a perde efeito a partir de 22-23 ativos. Opte por diversificar entre diferentes setores setores e se possível, diversifique entre países e ativos.
  3. Seja paciente: invista pensando no longo prazo. Investidores com pensamento no longo prazo, acabando pagando menos taxas, diferindo o imposto de renda e tendem a suportar as baixas do mercado melhor, não saindo do mercado em momentos nos momentos de melhor oportunidade. Todos esses detalhes, ajudam no trabalho dos juros compostos ao longo dos anos.
  4. Invista naquilo que você conhece: não apenas conhecer os produtos que a empresa investida vende, mas saber a situação financeira, planos de expansão, principais executivos, como está o setor em que atua a empresa investida, etc.

Características principais:

– diversificador: chegou a ter mais de 1400 ações de empresas no Fundo;

– gestor ativo: visitava as empresas que investia;

– tinha personalidade de não seguir a manada, fazendo próprios estudos;

– pensava nos dividendos: investia em empresas com histórico de 20 a 30 anos de dividendos ininterruptos.

Benjamin Graham

Nasceu em 09 de maio de 1894, em Londres, falecendo em 21 de setembro de 1976, em Provença, na França. Mentor do Warren Buffett, um dos maiores investidores da história.

Ensinamentos principais:

  • um ativo deve ser analisado independentemente do seu preço e do futuro, que é incerto;
  • retorno e risco são dependentes de qualidade de análise e margem de segurança;
  • Benjamin Graham, analisava os ativos de forma bottom up, ou seja, da parte micro para a macro, analisando empresas e depois o cenário macroeconômico, como por exemplo PIB, inflação;
  • preço importa: menos provável perder dinheiro se você pagar menos. Em primeiro lugar não podemos controlar o futuro dos preços mas podemos controlar o valor que pagamos;
  • investidores de empresas de crescimento, acreditam no crescimento dos lucros maiores no futuro, em comparação com o passado;
  • risco para Graham – chances que investidores têm permanentemente de perder o capital próprio;
  • Graham começou a avaliar empresas com o mais evidente: ativos tangíveis. Com o tempo passou a ver ativos intangíveis: marca, time competente e responsável; vantagem competitiva e cultura;
  • todo investimento inteligente é um value investing, pois o objetivo é adquirir algo por mais que você está pagando. É necessário avaliar o negócio como um todo antes, para depois avaliar as ações;
  • o que é investir, se não o ato de procurar valor pelo menos que justifique a quantia paga?
  • Diversificação – como manter portfólio adequado? Com várias posições vencedoras!

Principais características:

– praticamente criou a Escola de Investimento em Valor; focava muito na margem de segurança em um ativo e seu valor intrínseco;

– Graham criou ainda uma fórmula para avaliar e dar preço para ações. Introduzida em 1962, o seu objetivo é calcular o valor intrínseco da empresa. Vejamos:

————————————————————————————————
8.5 + ( 2   x    crescimento percentual)   X  lucro por ação = valor intrínseco por ação
—————————————————————————————————-

– gostava da volatilidade e pensava que ao investidor de longo prazo, ela era uma aliada;

– aumentava posições que fossem favoráveis à ele, comprava posições como um “flerte” e se as posições fossem ao seu favor, aumentáva-as.

Jim Simons

James Harris Simons, nasceu em 25 de abril de 1938 em Massachusetts, é um matemático americano e acabou tornando-se bilionário após a fundação de seu fundo.

É conhecido por ser um investidor quantitativo e fundou em 1982 o Renaissance e o Medallion, um Fundo baseado em New York que teve um retorno de 66% antes de taxas e 39,9% após taxas, o que é o retorno mais alto historicamente, se comparado com outros gestores de hedge. Simons obteve esse retorno de 39,9% para os seus cotistas, mesmo cobrando uma taxa de administração de 5% e taxa de performance média de 44% ao ano, ao contrário da praxe, que é de 2% de taxa de administração e 20% de taxa de performance.

Ele é considerado como o maior investidor de Wall Street, devido aos seus altos retornos. Sua riqueza atual é de US$ 21,6 bilhões, o que coloca-o também, não apenas como um grande gestor em termos de performance, mas uma das pessoas mais ricas do mundo, sendo o vigésimo primeiro mais rico do mundo.

Principais características:

– matemático, lógico, nunca teve aula de investimentos, mas apenas opera como um Fundo Quantitativo, de forma automática;

– coloca parâmetros para operar e seu Fundo faz operações de maneira automática;

– racional total, tirando emoção ao investir;

– realiza operações de arbitragem de maneira rápida;

– seu Fundo chega operar milhares de vezes ao dia.

– considerado melhor Fundo Quanti da história!

Paul Tudor Jones:

Paul Tudor Jones II, nasceu em 28 de setembro de 1954, na cidade de Memphis, no Tenesse. Ele é considerado um dos maiores traders da história. Em 1987, na conhecida Quinta-Feira Negra, ele lucro e conseguiu naquele ano, um retorno de 69%!! Ele é um investidor-trader americano, gestor de fundo de hedge e filantropo.

Criou sua empresa de gestão de fundos, em 1980 e em agosto de 2019, a fortuna dele era de US$ 5,1 bilhões, o que o faz um dos mais ricos do mundo.

Principais ideias:

  • O que mais dá retorno são os pontos de virada, ou seja, quando tendências chegam ao fim.
  • Gaste seus dias de maneira relaxada e feliz. Saia de posições que o deixam desconfortável. Nada melhor que iniciar algo novo e relaxado. A chave é investir grande de maneira defensiva e de maneira não ofensiva, ou seja, quando as probabilidades e o mercado está ao seu favor.
  • Nunca faça preço médio com posições perdedoras. Diminua o tamanho do investimento quando ele está indo mal e aumente quando ele está indo bem.
  • Paul Tudor Jones tinha stops mentais. Se atingia determinado preço de stop, ele caía fora, não importasse o quê. Ele usava não apenas stop de preço, mas também stop de tempo.
  • Monitore o risco do portfólio em tempo real.
  • Paul Tudor Jones acreditava que o preço se movia antes e os fundamentos depois.
  • Ele não dava atenção se tinha errado três segundos atrás, mas prestava atenção no próximo movimento.
  • Não tenha ego, não seja um herói. Sempre questione a sua habilidade, nem mesmo sinta que você é bom. A segunda vez que você pensar assim, você estará morto.

Principais características:

– um dos maiores traders da história;

– opera muito por Fibonacci;

– usava muitos stops, de tempo e de preço;

– seguia tendência!

Jesse Livermore

Jesse Lauriston Livermore, esse é o nome completo de Jesse Livermore, um dos traders mais conhecidos no mundo, que acabou inclusive, tornando-se figura central de um dos livros mais lidos para traders: Reminiscências de um especulador financeiro.

Provavelmente esse é o grande investidor que mais chamou a minha atenção. Seja pela história, pela rapidez de fazer dinheiro (e perdê-lo), mas, principalmente pelos desafios que passou na vida, infelizmente terminando em algo trágico.

Principais ideias:

1 – Não há de novo em Wall Street. O que acontece no mercado de ações hoje, tem acontecido antes e vai acontecer novamente.

2- Compre ações que estão subindo e venda ações que estão caindo, sobre seguir a tendência.

3- Não negocie todo dia do ano. Espere pela oportunidade correta.

4- Continue com trades que dêem lucro e finalize trades que mostrem perdas.

5- Tente não fazer preço médio para baixo, comprando mais ações que estão caindo.

6 – Mercados raramente estão errados. Opiniões sim.

7- Nunca venda uma ação apenas porque parece que o preço subiu muito.

8 – o lado humano e emocional de cada pessoa é o maior inimigo da maioria dos investidores ou especuladores.

9 – grandes movimentos demandam tempo para acontecer.

10 – muito mais fácil cuidar algumas ações do que várias.

Principais características:

– não tinha consistência;

– era a favor do preço médio;

– focava em poucas ações;

– achava que mercado seguia o passado. Presente tende a repetir o que aconteceu no passado!

John Templeton

Sir John Marks Templeton nasceu em Winchester, no Tennesse, onde estudou na Yale University, umas das melhores do mundo, pagando a Universidade através do jogo de poker, na qual mencionam que ele jogava muito bem.

Principais ideias:

1 – A relação Preço pago pelo lucro que a ação proporciona.

2 – Margem operacional do negócio.

3 – Valor de liquidação da empresa investida.

4 – Consistência da taxa de crescimento.

Era um investidor em valor e rejeitava a análise técnica, preferindo usar a análise fundamentalista.

Principais características:

– investidor fundamentalista;

– focava nos negócios e empresas e não em ações;

– um dos primeiros a pensar e investir globalmente!!

John Bogle

John Bogle Carl Icahn, nasceu em  nasceu em Montclair, New Jersey, em 8 de maio de 1929, falecendo em 16 de janeiro de 2019, sendo um filantropista, dono de negócios e investidor.

Sua tese era bem simples! Já que a maioria dos investidores não obtém retorno acima da média do mercado o objetivo dos fundos é acompanhar o mercado com o mínimo de custo possível! Demorou anos mas sua estratégia passiva se mostrou acertada.

Principais ideias:

  1. Selecione os fundos que tenham os menores custos;
  2. Considere com cuidado os custos de assessoria, só pague por aquilo que de fato gere valor para você ou no caso dessa assessoria apresentar retornos acima do mercado;
  3. Não superestime o retorno passado do fundo, passado não é certeza que irá acontecer o mesmo no futuro;
  4. Ao mesmo tempo, use o passado para determinar consistência e o risco;
  5. Cuide com as estrelas (por estrelas, entende-se os gestores famosos ou fundos famosos);
  6. Cuide do tamanho do fundo (quanto maior, mais difícil o retorno, pois fundo perde “mobilidade”);
  7. Não tenha muitos fundos;
  8. Compre seu portfólio de fundo e mantenha por um bom tempo.

Principais características:

  • Investidor passivo;
  • Acreditava muito em ETFs;
  • Achava quase impossível bater o mercado no longo prazo;
  • Focava em investir com baixo custo!

Warren Buffett

Warren Edward Buffet nasceu em 30 de março de 1930, filho de um corretor de ações que tornou-se Senador e de uma dona de casa. Desde jovem já tinha o DNA de empreendedor e investidor, recolhendo garrafas de refrigerante nas ruas,  e vendendo-as. Ao analisar empresas para ser investidas, Warren Buffett tem uma especial atenção quanto aos seguintes itens:

  • Ao investir,  começa dando uma atenção especial para o demonstrativo de resultados, no resultado das empresas. Ele considera a fonte do lucro e como a empresa chegou até aquele resultado, mais importante até do que o próprio lucro em si;
  • Outra característica é buscar altas margens de lucro bruto no negócio, considerando empresas que tenham altas margens ao longo dos anos, como uma vantagem competitiva;
  • Um  dos cuidados são as altas despesas administrativas, altos custos para pesquisar algum novo item ou serviço, altas despesas com vendas, administrativas e assim como altos custos com juros sobre dívida;
  • Ele dá uma atenção especial aos altos custos de pesquisa, altos juros sobre dívida, evita despesas de vendas e administrativas altas;
  • Na parte contábil, sobre depreciação, procura empresas com custo de depreciação mais baixo que outras empresas;
  • Ele retira eventos não recorrentes do resultado, por exemplo, a venda de um imóvel com lucro, se a venda de imóveis não for algo do business normal da empresa;
  • Buffett sempre levou em consideração o lucro operacional de uma empresa, antes dos impostos – EBITDA;
  • Sempre analisar balanços e resultados doss últimos 7 anos;
  • Se o produto que empresa vende, é um produto que não exige muita tecnologia para não tornar-se obsoleto, não sendo necessário investimentos altos em tecnologia, como por exemplo, a goma de mascar wrigley – (chicletes, são tradicionais, não precisam de grandes investimentos para mudança no produto), além disso, a fábrica da Wrigley, tem menos custo, menos depreciação, pois não há necessidade de mudança nos equipamentos dela, já que a goma de mascar, não exige uma tecnologia alta.
  • Quanto a dívidas de longo prazo: empresas com vantagem competitiva têm pouca dívida no longo prazo;
  • Nas aquisições de buffett: o lucro líquido anual da empresa adquirida, deve pagar dívidas com o lucro de 3 ou 4 anos;
  • Ele procura empresas que tenham uma alta geração de lucro para financiar as próprias operações;

Principais características:

– investidor paciencioso e que pensa no longo prazo;

– se puder não vende nenhuma ação;

– ações são para longo prazo;

– vê ações como parcela de empresas;

– investidor fundamentalista;

– poupa muito o que ganha, vivendo de maneira simples e abaixo do que poderia viver.

Howard Marks 

Dennis Howard Marks, nasceu em 23 de abril de 1946 e é um dos maiores investidores de nossa era. Trabalhou desde cedo no Citibank com investimentos de alto retorno e risco, ativos conversíveis e investimentos em empresas de alto risco e em situação de dívidas altas. Gestor da Oaktree Capital com US$ 120 bilhões sob gestão.

Marks acredita que quatro coisas são importantes para o investidor, dividindo-as em duas, primeiramente:

  • Saber em que ciclo o mercado está atualmente: Marks acredita que o mercado anda em ciclos e é fundamental o investidor saber em que parte do ciclo o mercado encontra-se. Alguns indicadores são a taxa de desemprego, a taxa de juros, a moeda do país, a bolsa de valores do país, a inflação, se o momento é propício ou de retirada de incentivos e a parte da psicologia de mercado, também importante.
  • Saber quanto de risco quer assumir o investidor: isso envolve autoconhecimento e o perfil que tem o investidor. Muitos ao começar não tem ciência de como é o seu perfil como investidor ou tem apenas em teoria, achando que são investidores agressivos, quando vem a primeira queda, mudam meio que “magicamente” para um perfil mais conservador. Ideal sempre iniciar pouco a pouco o aprendizado que é investir.

As outras duas questões dizem respeito ao que o investidor não quer perder: oportunidade ou dinheiro.

Ambas são excludentes, ou seja, se escolher uma não poderá ter a outra opção. O investidor que não quer perder uma oportunidade de investimento, vai ter que correr riscos e com isso poderá ter perda de capital. Já o investidor que não quer perder dinheiro, não correrá riscos e sendo assim, não terá uma valorização do capital relevante.

Principais características:

  • mercado anda em ciclos e fundamental investidor saber em que ciclo o mercado está;
  • ser mais agressivo em ciclos de recuperação ou de medo e mais comedido em momentos de bonança;
  • foca em agir ao contrário da maioria.

Ray Dalio

Raymond Dalio, nasceu em 08 de agosto de 1949. Era filho de um músico de jazz e nasceu no Queens, em Nova Yorke. Ele é um gestor de fundos americano e filantropista. Tem uma fortuna de US$ 18,4 bilhões e está entre os 58 mais ricos do mundo. Comprou sua primeira ação aos 12 anos, Northeast Airlines por US$ 300,00, que foi triplicado após a fusão com outra empresa do setor.

Principais pensamentos

Na Bridgewatter, Dalio criou um programa de computador em que avalia todas as opiniões das pessoas nas reuniões. Através do tempo, cada pessoa tem um “escore”,  linkando a sua opinião com a da maioria que tomou uma determinada decisão. Além disso, Dalio tenta ser o mais racional possível nas decisões da Bridgewatter. Seguem alguns dos seus pensamentos:

  • Dor + reflexão = progresso: pessoalmente, acredito que o ser humano, infelizmente, aprende mais com a dor. Uma minoria aprende com a experiência dos outros. Caso isso ocorresse, gastaríamos menos tempo em nosso progresso e evolução aprendendo com o erro dos outros. Passarmos por momentos menos positivos, com uma reflexão sobre esse momento, é o que nos fará evoluir, seja nos investimentos, seja na vida.
  • Dois maiores retornos nos investimentos: crescimento e inflação: o mercado financeiro tenta antecipar o que ocorrerá futuramente com expectativas. Quando o crescimento é menor do que o esperado, o investimento em ações cai. Quando inflação é maior que o esperado, os títulos em renda fixa, caem. Quando inflação é menor que esperada, esses títulos sobem.
  • Gastar menos e reduzir débito: vivemos um momento de pós recuperação da crise de 2008. Em alguns países foram feitos cortes e austeridade muito forte. Isso foi necessário para recuperarmos da crise, mas começamos a ver alguns excessos em alguns mercados. Outro fato é que pós-crise, começamos a ver retornos negativos na renda fixa (retorno menor do que a inflação), como forma de incentivar a economia. Impressão de dinheiro foi outro fato que ocorreu, devido as taxas perto de zero em países de primeiro mundo.
  • O mundo é uma máquina: em sua Gestora, Dalio tenta racionalizar todas as decisões. Em vez de ficar de olhos atentos em monitores e cotações, ele procura por correlações nos dados da economia, interligando-os com o mercado financeiro. Dalio acredita que não apenas os investimentos, mas o mundo, a natureza, o ser humano, são uma máquina e o mercado financeiro é um reflexo desses.
  • Para ter sucesso, você precisa estar contra o consenso e precisa estar certo: o consenso é refletido no preço. Para ter sucesso nos investimentos é preciso ir contra a manada e ter uma taxa de sucesso alta, cortando as perdas rapidamente e deixando os lucros crescerem. Fazer isso na prática não é fácil, pois vai contra a natureza humana de sentir-se segura onde a maioria está.

Principais Características:

  • vê investimentos como uma máquina, algo cartesiano;
  • tentar ir contra a maioria, estar certo e no timming certo;
  • não existem erros, mas aprendizados sempre;
  • focado em correlações e explicar o mercado financeiro;
  • mundo é uma máquina, assim como os investimentos e tudo pode ser explicado!

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
Facebook: Eliseu Mânica Júnior
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FONTE E IMAGENS: https://bugg.com.br/2020/08/11/aprenda-a-investir-melhor-sabendo-como-agem-os-maiores-investidores-da-historia-leia-o-texto/

20200803 – Tônica da Semana: Tempos difíceis, exigem abordagens diferentes ao investir!

03 de agosto de 2020 às 23:05 Por Postado em Blog do Eliseu
FONTE: BUGG.COM.BR

Mudança é necessária para evolução

Primeiramente, um bom dia a todos, mais uma semana se inicia e hoje quem escreve sou eu (Eliseu Mânica Júnior). Espero que todos estejam descansados no final de semana e estejam bem! No final de semana todo o pessoal do Bugg se reuniu e tivemos uma reunião visando melhorar o que estamos fazendo por aqui. É notório nos últimos meses o crescimento no número da base de investidores e estamos sendo cada vez mais demandados. Além do crescimento na base de investidores, há uma sofisticação do investidor brasileiro, que dado o cenário de queda de juros, vem diversificando seus investimentos, com o aumento na procura por investimentos nos Estados Unidos, principalmente. Nosso time é ótimo, com ótimas pessoas e ótimos profissionais, capitaneado pelo meu amigo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, a primeira corretora em português, para brasileiros nos EUA. Nos próximos meses teremos novidades sempre procurando agregar e melhorar o que fazemos. Sempre friso que tempo é o ativo mais precioso do ser humano e as mudanças também virão nesse sentido, melhor organização e aproveitamento do seu tempo de leitura e aprendizado aqui.

Aumento na quantidade de circulação de papel moeda

Sem mais delongas, na última semana tivemos algo inédito, depois de 18 anos tivemos a notícia de uma nova cédula: a cédula de 200 Reais! Ocorreu uma grande repercussão, tivemos memes (o mais popular a cédula do “cão caramelo” que está na capa da Tônica de hoje), comentários de como seria a nota e até algumas críticas sobre a facilidade para a lavagem de dinheiro. Por sermos um País cujo controle do processo inflacionário ainda é recente, ocorreram inclusive pensamentos e receios sobre a criação da nova Cédula, sendo a volta da inflação o maior de todos. O fato é que apenas a impressão dessa moeda, não nos traz isso, por isso é necessário dar uma olhada de como anda a quantidade de papel moeda em poder do público em circulação.

Uma das principais justificativas para a criação da Cédula de R$ 200, seria o fato de que após a pandemia, as pessoas passaram a guardar dinheiro em casa, diminuindo assim, o número da quantidade de dinheiro efetivo em circulação na economia. A ideia é colocar cerca de 450 mihões de cédulas de R$ 200 em circulação, substituindo com a retirada de outras cédulas de R$ 100 e outros valores menores, não sendo realizada assim, a impressão de moeda, o que favorece a tão temida inflação, que é extremamente prejudicial para a economia de um país! Na prática é como se fossem retiradas 2 notas de R$ 100 para a entrada de uma de R$ 200.

O fato é que a impressão de moeda vem sendo utilizada como solução da última crise de 2008 e  que no período pré-pandemia a quantidade de dinheiro com a população brasileira era de R$ 220 bilhões e que agora está em cerca de R$ 260 bilhões, como podemos ver no gráfico abaixo. Esse fato vem sendo feito pelos principais bancos mundiais e repetido no Brasil.

Fonte: Banco Central do Brasil

Todo esse movimento de impressão de moeda merece atenção do investidor. Em 1950 a Venezuela era o quarto maior País do mundo em termos de renda per capta. Com a entrada de ditadores, ocorreu um período de gastança e hoje a Venezuela é um dos países mais pobres do mundo, inclusive imprimindo moeda tentando achar uma solução para o descontrole de gastos e incompatibilidade entre receitas e despesas que atingiu o País, tendo como consequencia os dados de inflação recentes, que podemos ver abaixo:

Fonte: Charlie Billelo

Todo esse movimento de impressão de moeda, ajudou na rápida recuperação de ativos, principalmente os de risco. Coincidência ou não, a alta pós patamar mínimo atingido em 23 de março de 2020, nas bolsas mundiais levando em consideração o valor de mercado, foi similar a quantidade de impressão de moeda por parte dos 4 maiores bancos mundiais, inclusive comentei em artigo anteriormente escrito e que foi comentado inclusive pelo economista Ricardo Amorim, do Programa Manhattan Connection, cujo nome é Oportunidades em petróleo, ouro, commodities e mercados emergentes”, no qual falo sobre o quão caro ficaram algumas empresas ligadas ao crescimento, citando Tesla que estava valendo US$ 260 bilhões e tem ainda um valor de mercado maior que GM, Ford, Fiat Chrysler, Honda, Daimler e Ferrari, JUNTAS, sendo que as receitas da Tesla foram de US$ 26 bilhões contra US$ 731 bilhões das outras montadoras somadas, ou seja, 27x menos. A conta não fecha e a emissão de dinheiro que vem acontecendo no mundo e que vimos acima também vem acontecendo no Brasil, ajudou nessas distorções! No Brasil ações como B2W e Wege, são algumas que os investidores estão pagando um preço já caro pelo crescimento ao meu ver.

“Mas e Eliseu e qual a razão de você ver ativos como commodities, metais preciosos, mercados emergentes e propriedades como interessantes?”

Vejo comentando sobre os setores que acho interessantes pela alta de alguns setores nos últimos 10 anos e a pequena margem de segurança que esses setores trazem hoje para o investidor. Uma das premissas ao investir é que nem sempre o que subiu fortemente nos anos anteriores, irá confirmar-se com as mesmas altas dos próximos anos. Não há dúvidas que o setor ligado ao investimento em empresas de crescimento foram as vencedoras nos últimos 10 anos, assim como empresas maiores e empresas ligadas aos mercados emergentes e commodities as mais prejudicadas ou que menos cresceram. De modo geral, são empresas com múltiplos menores e que tendem a ter uma maior margem de segurança (tudo depende caso a caso, rentabilidade e características específicas de cada empresa e setor).

Como podemos ver abaixo, são esses setores que menos andaram nos últimos 10 anos:

Além disso, vejo outros setores como metais preciosos e propriedades, tidos como de ativos reais e com bom desconto e dada a grande impressão de moedas recentemente, são ativos considerados “ativos reais” e que tendem a favorecer-se em momentos como o atual. Ouro e principalmente a prata que é mais escassa (há um cuidado maior com o ouro em comparação com a prata, onde inclusive muitos jogam fora pratarias, uma minoria é claro, mas acontece com mais chance com a prata do que com ouro). Penso metais preciosos como diversificação é importante, mesmo ciente de que metais preciosos não possuem um valor intrínseco, ou seja, não produzem renda como um aluguel em um imóvel, o arrendamento e frutos como em caso de área de terra, nem dividendos como no caso do investimentos em ações.

Fonte: Cambridge House International

Soma-se a impressão de dinheiro em grande quantidade pelos bancos centrais, dados que nos trazem um alerta, tais como:

  1. os 9 maiores bancos mundiais têm juntos cerca de US$230 trilhões em derivativos, 3x a economia mundial! 
  2. déficit mundial de US$ 253 trilhões, correspondente a 322% do PIB global;
  3. débito de empresas americanas é de US$ 10 trilhões, 50% acima da última década; 
  4. dívida privada é de US$ 1,2 trilhão nos EUA, sendo que quase 50% estão linkados a outros investimentos (direitos foram vendidos e servem como garantia);
  5. crescimento no Brasil da questão por parte de investidores do “preço não importa”, diminuindo a cautela que é necessária na análise de ativos, esquecendo da margem de segurança necessária ao investir e que é isso que vai trazer o retorno no longo prazo. Pagando-se bem, há valor escondido até em ativos que podem parecer que não tem valor algum. Um exemplo direto é a quebra de um banco e ativos que baixou como não recuperáveis ou até parte de aproveitamento dos prejuízos com lucros futuros.

Assim é como estou vendo o mercado atualmente e o que venho fazendo com meus investimentos. No ano estamos na frente do Ibovespa, ano passado passamos dos 81% brutos de maneira oficial em dois clubes de investimentos que em breve virarão apenas um fundo.

O que ocorreu na semana nos EUA e Brasil que chamaram minha atenção:

Fonte: Investing.com

Começando pelo Brasil…Tivemos um aumento na semana passada do Investimento Estrangeiro Direto (IED), vindo acima do previsto, com entrada de US$ 4,75 bilhões ante expectativa de US$ 3,58 bilhões. Muitos comentando que o Dólar tende a uma desvalorização contra outras moedas mundiais e o Real ainda é uma das moedas que mais cai perante o Dólar. Essa entrada de capital estrangeiro, tende a desvalorizar momentaneamente o Dólar contra o Real.

No mundo:

  • Estoques nos Eua vieram abaixo do previsto, favorecendo uma elevação no curto prazo da commodity. Soma-se a isso no curto prazo, o fato de que os produtores de shale americanos estão com diminuição nas plataformas existentes.
  • Vendas no Varejo Espanhol vieram muito acima do previsto. A Europa mesmo com um continente com uma população mais idosa e que não vem crescendo economicamente nos últimos anos, vem mostrando uma recuperação até acima que outros continentes.
  • Vendas pendentes de moradias nos EUA, melhores que o esperado. O mercado de real state, construção civil americano que é um dos setores que mais emprega na economia americana, vem mostrando resiliência e até crescimento, o que é importante na retomada da economia.
  • Pedidos de seguro-desemprego nos EUA vieram pouco abaixo do esperado. Aqui nos EUA muitos vêm recebendo cerca de US$ 600 semanais e importante item na retomada econômica. Já o PIB americano veio um pouco melhor que o esperado.
  • O PMI Industrial Chinês, um importante indicador da economia chinesa, veio acima do esperado, mostrando uma recuperação em V da futura maior economia mundial. Gestores importantes como Ray Dalio e Howard Marks, acreditam que dado o Covid e recuperação mais rápida na China,  o País acelerou o processo de tornar-se o maior PIB do mundo, passando da previsão do ano de 2030 para 2024.
  • PMI de Chicago, também veio bem e vem demonstrando que nos EUA, assim como na China, a economia americana vem dando sinais de recuperação em V.

Fonte: Investing.com

  • Surpreendeu o lucro da Amazon, vindo muito acima do previsto, mesmo com o gasto extraordinário de US$ 4 bilhões relacionados aos cuidados dos colaboradores com a Covid. Como comentou o Analista-Chefe da Avenue Securities, William Castro, “Lucro dobrou na comparação anual. Receita bateu com folga as expec. $88.91BI (+40% yoy), o Setor de Cloud cresceu 29% e o Free cash flow cresceu50% ! Impressionante!”. Impressionaram os resultados, porém mesmo com todo esse crescimento, lembro que o ativo negocia a 152x lucros anuais e tem como valor de mercado US$ 1,6 trilhão, mais que todas as empresas somadas na Bolsa Brasileira.

CONCLUINDO…

De modo geral estava (compra recente em ativos reais) 95% posicionado nos clubes de investimento da Gestora que tenho. Depois do excelente ano passado, estamos na frente do Ibovespa esse ano também. Aguentei as quedas e e com a entrada de capital novo, fiz aportes nos 72 mil (mercado foi para os 61 mil pontos depois disso) e 87 mil pontos. Continuo firme no mercado, há oportunidades, mas o investidor precisa fazer um filtro maior do que o período de oba-oba que passamos recentemente!

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Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/08/03/20200803-tonica-da-semana-tempos-diferentes-exigem-abordagens-diferentes-ao-investir/

São os investidores pessoa física, responsáveis pela alta das bolsas?

27 de julho de 2020 às 22:39 Por Postado em Blog do Eliseu

Tanto nos Eua quanto no Brasil o fenômeno da invasão de pessoas física investindo no mercado de ações aumentou de maneira gigantesca após a pandemia. Nos Eua um dos aplicativos que popularizaram isso foi o Robin Hood, onde muitos desses investidores são conhecidos graças a esse movimento, como RobinHooders.

Nos Estados Unidos com o avanço da pandemia e o incentivo por parte do FED, o Banco Central Americano, foram injetados trilhões, onde inicialmente cada detentor de Social Security Number (o CPF dos americanos e que os residentes possuem) receberam US$ 1.200 de graça para gastar. Já quem está em auxílio-desemprego recebe semanalmente US$ 600. Muitos estão recebendo esse auxílio até em valor maior do que quando trabalhavam, ocorrendo casos em que preferem ficar em casa do que trabalhar. São valores altos e que muitas vezes passam do custo de manutenção de uma família, sobrando dinheiro para outras coisas, como investir na bolsa de valores, por exemplo.

Outro fato que posso notar e ajudou na corrida das pessoas físicas para a bolsa, foram os fechamentos de Cassinos, esportes como baseball, futebol americano, basquetebol, jogos que podem ser apostados e com grande número de apostadores em casa, só restou uma coisa aberta: a bolsa de valores, vista como muitos (de maneira equivocada) como um local de apostas!

Soma-se a questão de grana liberada de graça, mercados de apostas fechados, unindo-se ao tempo ocioso em casa, bummm!, temos o ambiente propício para os investidores pessoa física irem para a bolsa de valores.

Mas será que esses investidores influenciaram tanto assim o mercado de ações?

No Brasil efeito similar ocorreu, temos o maior número de pessoas física na bolsa brasileira. Em 2002 tínhamos cerca de 85 mil pessoas física investindo e agora perto de 2,7 milhões de pessoas, ou seja, um crescimento de quase mais de 50% apenas em 2020 e o maior número da história!

Fonte: B3

No Brasil o aplicativo que mais se assemelha ao Robin Hood dos Eua é o Warren, mas que não é igual. Tanto nos EUA quanto no Brasil, mais apps surgiram e isso tem facilitado a questão de entrada de pessoas físicas investindo. O Warren recebeu recentemente R$ 120 milhões para ampliação e o Robin Hood existe desde 2013, permitindo que investidores abram um cadastro sem um valor mínimo inicial, inclusive com custo aparentemente gratuito, digo aparentemente, porque nos EUA é permitido a ordem de venda do que estão fazendo os investidores dessas corretoras para fundos e investidores institucionais, ou seja, há autorização e permissão para os investidores institucionais operarem do uso dessas informações. No Brasil isso ainda não ocorre, há corretagem aparentemente gratuita, mas como não existe almoço grátis, muitas dessas plataformas saem do ar no momento que o investidor mais precisa perdendo a possibilidade de operar por alguns momentos. Obviamente, não há “almoço grátis” em nada na vida.

Sobre o Robin Hood ele foi criado em 2013, tem 10 milhões de clientes e apenas nesse período de pandemia, abriu cadastro para 2 milhões de investidores no primeiro trimestre, sendo esse número maior que corretoras americanas como  Schwab (a XP Investimentos dos EUA) TD Ameritrade e E * Trade combinados. Outros dados que são interessantes é a idade média do investidor que uso o Robin Hood, 31 anos e média de US$ 4.800 por cliente, o que é muito baixo e que multiplicando o valor médio por cliente vezes o número de clientes, temos US$ 48 bilhões, um valor muito pequeno perante o valor de mercado de US$ 14 a US$ 15 trilhões que possui o valor total do mercado americano.

Abaixo seguem dados da evolução dos investidores divididos por idade. Nota-se que a maioria dos investidores possui mais de 55 anos, correspondendo a 74% do total de investidores, não sendo o perfil dos investidores nos EUA:

No Brasil temos evento similar onde mais da metade dos investidores, em torno de 55%, possui mais de 55 anos. Além disso, se somarmos todo o massivo crescimento de investidores de 2019 para 2020 (cerca de 1 milhão de investidores) eles representam apenas 25% do total de valores investidos na bolsa brasileira, com peso menor que os investidores institucionais e ainda quase a metade dos investidores estrangeiros (que resgataram da bolsa brasileira cerca de R$ 75 bilhões apenas em 2020).

Fonte: B3

Nos EUA, o Robin Hood possui um mecanismo para sabermos quais são as ações mais populares no app. Há uma gama de ações e a mais popular no momento é a Tesla, que muitos falam que estaria cara e que vem subindo no ano.

Fonte: Robin Hood

Tendência de crescimento no número de investidores e de dinheiro investido na Bovespa

Muitos sabem que nos EUA, metade da população americana (328 milhões de pessoas) investe diretamente ou indiretamente no mercado de ações, sendo 55% de investidores acima dos 18 anos. Esse percentual já foi de 65% em 2017, um ano antes da Crise de 2008. No Brasil, temos cerca de 2,7 milhões de investidores e se tivéssemos apenas um quinto do percentual americano, ou seja, 10% da população brasileira (209 milhões de pessoas), teríamos um crescimento de mais de 9x no número de investidores.

No Brasil o potencial de pessoa física é gigante, além disso, diferentemente dos EUA, estamos vivendo nosso primeiro período de juros baixos. Por exemplo, em 2001, chegamos a ter juros de renda fixa a 42% ao ano e hoje temos juros de 2,25%, uma queda de quase 40%, o que é muita coisa e que vai transformar aos poucos o pensamento do investidor pessoa física brasileiro.

Soma-se a isso, um valor de R$ 7 trilhões em renda fixa, com R$ 1 trilhão em poupança e que deve migrar nos próximos meses para a bolsa. Se pegarmos apenas 5% do valor de R$ 7 trilhões, temos R$ 350 bilhões saindo da renda fixa e entrando na renda variável. Como exemplo que comentei anteriormente, os estrangeiros com uma das maiores saídas da história do Brasil do Ibovespa com R$ 75 bilhões e que já teve uma grande influência, é quase um quinto do que tende a entrar no mercado de ações.

Sendo assim, conclui-se que atualmente o investidor pessoa física tanto nos EUA quanto no Brasil foi fator importante mas não fundamental na alta recente das ações, eis que representa em ambos os países menos de 30% do total de investidores.

Mas, então o que auxiliou na alta das ações, se não foram os investidores pessoa física?

Em artigos anteriores comentei que a recuperação das mínimas nas bolsas mundiais, “coincidentemente” teve valor similar ao que foi injetado na economia. Nas mínimas de março, as bolsas mundiais atingiram US$ 63 trilhões e que após os incentivos elas chegaram rapidamente a US$ 81 trilhões. O que ocorreu para mudar esse valor especificamente? Incentivos somados de US$ 17 trilhões pelos quatro maiores bancos mundiais: BOJ, FED, Banco Central da Inglaterra e BCE.

Abaixo podemos notar a quantidade de dinheiro que foi injetado nesses últimos 12 meses:

Somado a isso e outros acontecimentos macros é que comentei que maiores oportunidades de investimentos podem estar em mercados emergentes, empresas focadas em value investing, commodities (algumas com maior potencial que outras, que comentei no último artigo quais são), real state e propriedades.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/07/27/sao-os-investidores-pessoa-fisica-responsaveis-pela-alta-das-bolsas/

Oportunidades em petróleo, ouro, commodities e mercados emergentes

20 de julho de 2020 às 20:56 Por Postado em Blog do Eliseu
petróleo ouro commodities

Na semana passada fui citado por um dos maiores economistas do Brasil ou no mínimo, um dos que têm mais destaque na mídia, o economista Ricardo Amorim, que faz parte do Manhattan Connection e sócio da Ricam Consultoria, inclusive compartilhando o raciocínio que fiz falando sobre a Tesla e outras montadoras, assim como a diferença de investimento entre o growth e valor, inclusive dividindo esse pensamento em um dos maiores eventos de investimentos do mundo, a Expert. Esse raciocínio e ideia comentei no artigo anterior aqui e em meu twitter, aqui …

Isso foi muito motivador para mim continuar escrevendo. Demoro entre 3 a 5 horas para escrever um texto aqui e editar e só tenho a agradecer o compartilhamento por alguém que estimo e respeito muito!

Como andam o preço de algumas commodities, porque acredito que elas podem estar depreciadas e que Brasil pode sair favorecido

Ideia aqui é mostrar o andamento nos preços de algumas das commodities mais utilizadas no mundo, que são ativos considerados reais e que nos últimos anos os preços das ações de empresas desse setor, ficaram muito para trás em comparação com ativos de tecnologia. Ativos como o cobre, estanho, petróleo, são ligados ao crescimento da economia e com a criação de uma vacina (cada vez mais estão saindo notícias sobre isso, inclusive há previsão de uma vacina saindo em setembro), poderemos voltar ao patamar de crescimento novamente.

Uma das commodities mais utilizadas do mundo, o petróle0 (alguns podem mencionar que o futuro está acabado para o petróleo, mas o fato é que muitos setores da economia ainda dependem dele), fazendo um comparativo com o ouro nos últimos meses, a diferença entre o preço do ouro-petróleo atingiu o maior nível da história. Como exemplo, em maio de 2020, uma onça de ouro comprava acima de 400 barril de petróleo – 10x mais que o recorde anterior atingido na Grande Depressão em 1933 e 9x mais que o nível atingido nas quedas do pânico em 2016.

Entre os anos de 1900 e hoje, uma onça de ouro comprava 20 barris de petróleo, com um desvio-padrão de 8. Utilizando uma média, cerca de 80% das observações estavam em 10 para 1, ou seja, significando que ouro estava barato para o petróleo e 30 para 1, significando que o petróleo estava barato para o ouro. De acordo com a distribuição histórica, um nivel de 130 para 1, é algo experado apenas uma vez a cada 10 mil anos!!!

Podemos ver isso na Distribuição ouro-petróleo desde 1860 até o maio 2020:

O padrão ouro-petróleo é um indicador interessante para observarmos quando queremos investir em petróleo e ouro nos últimos 120 anos, usando dados dos EUA. Se pegarmos dados desde 1900, com uma média de 12 meses, temos um retorno de 7% ao ano para o petróleo e de 5% para o retorno anual do ouro. Nesse tempo, petróleo tem um retorno negativo em 39% do tempo enquanto o ouro em 32% do tempo, se pegarmos janelas de 12 meses de retorno.

Contudo, quando o padrão ouro-petróleo excede 30 para 1 (petróleo está barato em relação ao ouro), o petróleo tem retornado em média 32% nos 12 meses seguintes (mais de 4x que a média de longo prazo), enquanto o ouro tem retornado 4% em média. Em média o petróleo tem performado melhor que o ouro em 28% nesses períodos contra 2% em períodos considerados normais.

Já quando o padrão ouro-petróleo está menor que 10 para 1 ( petróleo está mais caro que o ouro) o petróleo perde 7% em média nos 12 meses seguintes e o ouro retorna 18% em média durante esses períodos, possuindo melhor retorno que o petróleo em torno de 25%.

Na última disparidade de mercado que ocorreu no início de 2016 entre ouro e petróleo, o nível atingiu recorde até então 47 para 1. Nos 30 meses seguintes, tivemos um rally no óleo com os preços disparando 191% por barril para US$ 76 em Outubro de 2018, enquanto o ouro caiu 4% durante o mesmo período. Não temos um ETF de petróleo no Brasil como comparativo, mas o ETF XLE, avançou 56% contra outro ETF de ouro negociado nos EUA, o GDX que subiu apenas 3% enquanto que o S&P 500 which subiu 69%!

Como recentemente foi atingido um patamar de 400 para 1, se for considerado o histórico passado de correlação, podendo gerar oportunidades para empresas do setor como Enauta, que não possui dívidas e poderia investir mais operacionalmente, Petrorio, que tem ativos ainda não contabilizados em seus balanços e que isso pode ocorrer em breve e Petrobrás que atingiu produção recorde no pré-sal recentemente!

Ouro e petróleo ambos já passaram por altas de mercado, guerras, pânicos financeiros, crises, depressões, períodos de deflação e inflação, padrão ouro, troca de padrão ouro, taxas de juros fixas, flutuantes, tensões geopolíticas, períodos mais calmos e agora mais uma pandemia. Apesar de todos esses acontecimentos o nível ouro-petróleo, em 80% do tempo sempre ficou entre 10 para 1 e 30 para 1, o que pode ser uma oportunidade o momento atual..

Cobre, Estanho e outros

Outros metais que vêm chamando atenção e que são ligados ao crescimento econômico são o cobre, estanho e outras commodities que também estão subindo o preço rapidamente, acompanhando principalmente o retorno do mercado de capitais da China, como podemos ver abaixo:

O cobre é usado para smartphones, residências e é utilizado como um indicador econômico pelos investidores, sendo consumido pela China quase a metade do que é produzido no mundo e seguindo o crescimento econômico da China que vem mostrando uma recuperação em V.

Outro indicador bem interessante é o Citigroup Economic Surprise Index, que vem surpreendendo positivamente com os últimos dados divulgados recentemente.

fonte: Yardemi.com

Dados como resultados de bancos, por exemplo, um dos maiores bancos do mundo, o  Morgan Stanley, teve um aumento de 45% no seu lucro líquido, possuindo o maior lucro da sua história e isso em plena pandemia!! Outros bancos como JP Morgan, Citigroup, Goldman Sachs, também tiveram resultados acima do previsto.

Ações de empresas que estão descontadas devem começar a ser melhor avaliadas pelos investidores e o fluxo especialmente no Brasil, de migração da renda fixa para a renda variável, deve favorecer esse processo de recuperação de preços de empresas descontadas e com maior margem de segurança. No início de uma recuperação, o investidor não olha tanto para a qualidade das empresas, costuma comprar empresas mais conhecidas.

O nível de diferença entre as empresas de tecnologia e empresas de pequenas capitalização atingiu um dos maiores níveis desde a “Bolha.com”, mostrando que as empresas de tecnologia podem estar em patamares de avaliação altos, o que não acontecia há 20 anos!

Enfim, seja falando sobre Tesla valendo mais que todas as montadoras americanas, seja empresas tech do Brasil com múltiplos esticados, seja patamares de descontos em empresas tradicionais, seja a alta recente do mercado, cada vez mais vem o pensamento de que empresas e setores mais focados em Value Investing, podem estar mais atrativas no momento, como já comentei em artigos anteriores, inclusive citando setores.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/07/20/oportunidades-em-petroleo-ouro-commodities-e-mercados-emergentes/

Ações em valor e commodities podem estar depreciadas

13 de julho de 2020 às 10:24 Por Postado em Blog do Eliseu
Ações baseadas em valor
Ações baseadas em valor

Ações baseadas em valor, commodities e mercados emergentes podem estar depreciadas

Chama atenção nos últimos dias a descolada que deram as ações da Tesla e de ações linkadas ao setor tech, tanto nos EUA quanto no Brasil. No início do ano as ações da Tesla estavam sendo negociadas a US$ 430 e agora estão a US$ 1.544, ou seja, uma alta de 259% apenas em 2020 e em ano de pandemia.

Uma das premissas de investidores em valor ou investidores que procuram investir com uma razoável margem de segurança é de que as cotações das ações devem acompanhar o lucro ou na minha visão, o caixa gerado por essas companhias. Muitas vezes, o lucro pode advir de um lucro contábil, algo não operacional, como reavaliação de propriedades que não são o core business da empresa investida e que vem sendo muito comum em algumas empresas da bolsa brasileira.

No exemplo da Tesla, no últimos dois trimestres é que ela começou a gerar lucro e mesmo assim foram cerca de US$ 16 milhões ou US$ 0,09 (sim 9 centavos) por ação que está negociada a US$ 1544, ou um Price-earnings (preço dividido pelo lucro anualizado) de 4289 vezes!!!!!! Lembro que no quarto trimestre de 2019, os ganhos foram de US$ 105 milhões de lucro líquido ou US$ 0,56.

Corrobora com isso que venho falando a questão de que a Tesla vale hoje US$ 260 bilhões, possuindo um valor de mercado maior que GM, Ford, Fiat Chrysler, Honda, Daimler e Ferrari, JUNTAS!

No último ano, as receitas dos outros produtores de automóveis foram de US$ 731 bilhões contra US$ 26 bilhões da Tesla, ou seja 27x menos!!! O que o mercado vem precificando é um crescimento gigantesco para Tesla nos próximos anos e provavelmente fontes de receita fora do negócio principal, quem sabe algo também relacionado a Solar City (sim, a Tesla é dona de uma empresa de telhas fotovoltaicas, que geram energia a partir da luz solar).

Por morar aqui na Flórida, vejo amigos com desejo de ter um Tesla e alguns até compraram, até pela questão de leasing, onde você paga cerca de 20-40% do carro em 2-3 anos para uma empresa que é responsável pela manutenção do carro. Após esse período, o carro retorna para as mãos de quem alugou. O ponto positivo disso é que pode ser utilizado como despesas em uma empresa, diminuindo o pagamento de impostos, tudo de uma maneira correta e honesta.

Acredito que todo esse movimento, seja devido ao aumento de número de investidores pessoa física e aos hobinhooders, pessoa física que negocia ações via o aplicativo Hobinhood, de corretagem grátis, mas que vende a ciência das compras e vendas para investidores maiores, de grande parte os investidores profissionais.

Esse movimento que tem acontecido com ações de Tesla, vem acontecendo com outras empresas tech e empresas de crescimento que estão nas máximas históricas e que estão com um peso gigante, um dos maiores da história na composição do S&P500, como podemos ver abaixo, enquanto que ações de empresas cíclicas e de setores considerados investimento em valor, como bancos e setor financeiro, indústria, energia e consumo discricionário, estão nos patamares mais baixos. Lembro que investir é olhar para frente, imaginando o que pode acontecer com a empresa daqui para o futuro, baseando-se no que ocorreu no passado, porém o que vem acontecendo é uma valorização em patamares históricos de empresas de crescimento e aqui faço meu alerta e cautela… o melhor investimento é aquele quando poucos querem, poucos prestam atenção, feito também em um timming correto!

No quadro abaixo, podemos ver o retorno anualizado nos últimos anos de empresas global commodities, ou empresas de commodities, mercados emergentes que tiveram um dos maiores riscos (medido pelo desvio padrão) e retornos no passado que não corresponderam ao risco incorrido. Lembro que empresas que não andaram bem no passado, podem andar bem no futuro, eis que têm grande possibilidade de estarem com desconto e é nisso que pessoalmente acredito em meus investimentos.

Fonte: Visual Capitalist

Muitos comentam que as ações poderiam estar negociadas a patamares altíssimos, os maiores da história, mas o fato é que ainda não batemos os múltiplos da bolha.com, como podemos ver abaixo:
Venho acompanhando alguns youtubers, muito deles meus amigos e que são geradores de opinião. Acredito que eles fazem um ótimo trabalho de educação financeira, mas a carteira deles normalmente é de ativos linkados ao crescimento. Muitos gostam de ações como Weg, B2W, Magazine Luiza, Tesla e convém alertar que essas empresas podem ter atingido patamares acima de uma margem de segurança adequada de investimento.
Quem é investidor há mais tempo, sabe que é o cachorro que balança o rabo e não o contrário, falo isso acerca dos lucros e geração de caixa atual e futura que fazem com que o preço de ação caia ou suba e que muitas vezes, a maioria é pouco inteligente e emocional e uma das características de grandes investidores é filtrar a opinião alheia, servindo-se dessa “bipolaridade” do mercado, que às vezes é muito otimista e outras muito negativista com alguns setores. Olhando o quadro abaixo, será que o mercado não está sendo muito negativista com setores mais tradicionais da economia? Note as mudanças de expectatias entre 31-12-2019 e 30-06-2020…

Fonte: WSJ

Não há dúvidas que investir em empresas tech nos últimos anos, foi uma das melhores estratégias dos últimos anos, mas será que o futuro para o investidor manterar-se-á assim?

Descolamento da economia real e do mercado: desemprego nos EUA continua no pico

Nos últimos dias tivemos uma melhora na taxa de desemprego nos EUA, surpreendendo aqueles que apostavam contra isso e lembrando a frase que ficou marcada por Warren Buffett, no encontro anual de acionistas Berkshire: “Never bet against America (EUA)”. Mesmo assim, com toda a recuperação do mercado de trabalho, o número de desempregados ainda é acima das crises anteriores (atualmente estamos com 11,1% e alguns contestam esse número):

  • 2007-09: 10.0%
  • 2001: 6.3%
  • 1990-1991: 7.8%
  • 1981-1982: 10.8%
  • 1973-75: 9.0%
  • 1969-70: 6.1%
  • 1960-61: 7.1%
  • 1957-58: 7.5%
  • 1953-54: 6.1%
  • 1948-49: 7.9%

Com a recuperação econômica ainda por vir e empresas tech e de crescimento já embutindo isso nos preços, ativos que estão historicamente mais descontados como commodities, investimento em valor e mercados emergentes tendem a valorizar-se nos próximos meses. Lendo a conjuntura macroeconômica, temos bancos centrais alocando muita grana como incentivos, moedas de países emergentes como o Brasil depreciadíssimas, petróleo nas mínimas históricas em comparação com o ouro, por exemplo e  empresas baseadas na métrica de value investing descontadas historicamente. Setores como saneamento, real state e bancos, são os que mais me atraem, ainda descontados, mesmo não andando. Juntando-se todos esses fatores, corrobora com meu pensamento e como venho me posicionando.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

FONTE: https://bugg.com.br/2020/07/13/acoes-em-valor-e-commodities-podem-estar-depreciadas-by-eliseu/

Como o investimento em ações pode estar indo tão bem em uma pandemia?

30 de junho de 2020 às 09:42 Por Postado em Blog do Eliseu

Em 12 de fevereiro de 2020 atingimos perto dos 119.761 mil pontos no Ibovespa, para em 19 de março de 2020, pouco mais de um mês depois, termos a maior crise do século em termos de velocidade de queda, o Ibovespa foi até os 61.690 pontos. Em 08 de junho voltamos a atingir 97.600 pontos. Da primeira máxima até a mínima de março tivemos uma queda de 48,49%. Na recuperação de março até junho tivemos uma alta de 58,21%.

Passada uma das maiores quedas da história, tivemos também uma das altas históricas, o que me leva a pensar o motivo da recuperação. Procuro sempre muito (alguns até dizem que penso demais.. eheheheh), mas o que estaria por trás da alta que está ocorrendo.

Como o investimento em ações pode estar indo tão bem em uma pandemia, com PIBs mundiais negativos e em uma recessão? Será que as ações se desconectaram da realidade? Vivemos em um momento de exuberância irracional?

Atualmente o mundo está combatendo a maior epidemia dos últimos 80 anos e sim, o mercado de ações mundial – um termômetro da economia, que antecipa os movimentos que tendem a ocorrer – vem atingido altas, atrás de altas, mesmo com todo o temor, medo e fechamento da economia que estamos vendo. Sendo assim, o momento é ideal para irmos a fundo e analisar o motivo disso estar ocorrendo, sendo alguns dos motivos elencados abaixo:

1) crença nos Banco Centrais mundiais de que eles terão a solução para tudo – escrevi já em artigos anteriores, a “coincidência” do valor injetado na economia mundial pelos quatro maiores banco centrais mundiais: FED, Banco Central Japonês, Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra, que colocaram no mercado US$ 17 trilhões somados e que essa foi o valor da mínima até as máximas em termos de valor de mercado adicionados das bolsas mundiais: saíram de US$ 62 trilhões para US$ 81 trilhões. Investidores acreditaram nos passos dos bancos centrais, na reabertura da economia, nas pessoas voltando ao normal e voltando ao trabalho, enfim em uma recuperação gradual, mas que seria em V;

2) crer que o número de infectados estaria normalizado e flattened, algo como que atingido os máximos e estabilizado (fato que na última semana levou a certas preocupações quanto a isso, com aumento de número de pessoas infectadas, principalmente na Flórida, Texas e Califórnia). Isso merece uma observação real, in loco, eis que voltei para Flórida, local que moro e a diferença entre pessoas que usam máscaras e se cuidam, comparando com Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, local que moro no Brasil, é substancial. O uso de máscaras aqui nos EUA é apenas em academias (e mesmo assim, uns 30% não usam) e em supermercados. De resto, locais como praias, nas ruas e restaurantes, ninguém usa máscara, exceto os atendentes;

3) No curto prazo, a esperança de novas vacinas (são mais de 100 laboratórios, aqui você encontra algumas dessas empresas com cotações em bolsa) e de que encontrássemos a cura rapidamente, auxiliou na valorização das ações;

4) Melhoras na economia de curto prazo. Na Europa, precisamente Alemanha, Inglaterra e Itália, ocorreu uma recuperação em V nos pedidos de reservas pelo app Open Table, que realiza reservas de mesas em restaurantes;

5) Dados econômicos conhecidos por todos, virão muito ruins no segundo trimestre, melhorando um pouco até o final do ano, mesmo assim teremos quedas fortes nos dados econômicos, sendo assim, há a crença de que os dados de 2021 e 2022 virão muito melhores que 2020 e que isso já estaria no preço;

6) Com a melhora da economia por vir e dados péssimos já nos preços, investidores não buscam mais por prêmios de risco ou melhor, exigem prêmios de risco baixos perante o cenário atual, dada a crença de que os preços dos ativos subirão;

7) Crença de que os bancos centrais irão comprar tudo o que puderem, incluindo ativos como ações, bonds, dívidas de boa e má qualidade, colocando dinheiro na mão dos vendedores desses ativos, que terão capacidade para reinvestir em novos ativos, fazendo com que esses se valorizem, levando para baixo os yelds, taxas de juros e os retornos futuros;

8) FED e outros bancos centrais aparentemente não diferenciarão títulos bons de ruins e isso trará como consequência, mesmo que os bancos centrais obviamente não comprem todos os títulos, uma elevação no preço dos títulos similares aos que foram comprados pelos bancos centrais, trazendo uma valorização nesses também;

9)Estava ouvindo e lendo artigo recente do Jeremy Siegel, falando alguns pontos importantes, entre eles que a taxa de juros tende a ficar baixa por um longo período de tempo no mundo, assim como os bonds tendem a ficar baixos por um longo período de tempo. Quanto menor a taxa de juros, menor será a taxa de desconto utilizada para a avaliação dos ativos, como consequência uma maior valorização no valor presente do fluxo de caixa descontado, que é a maneira mais usada para avaliação dos ativos e assim, uma maior valorização no valor das empresas cotadas em bolsa;

10) Com os bancos centrais facilitando empréstimos, veremos companhias refinanciando suas dívidas e com possibilidade de tomar mais empréstimos, independentemente de quão ruim é a situação dessas companhias, algumas conhecidas como companhias zombie, onde o pagamento de juros é maior que o Ebitda gerado por essas empresas;

11) invasão dos investidores pessoa física com a entrada de capital especulativo, similar a jogos de apostas no mercado acionário, principalmente nos EUA. Comentei em artigo anterior que o Governo Americano disponibilizou US$ 1200 de graça para cada residente nos EUA e nos últimos 3 meses não tivemos jogos de esporte, basquete, NBA, futebol americano e há muita aposta relacionada aos esportes e grande parte desse dinheiro foi para o mercado de ações que é visto por muitos como um “cassino”, sendo o único cassino aberto. Além disso, empresas praticamente quebradas e negociadas a menos de R$ 1,00 tiveram altas fortes nos últimos dias, tais como a empresa de locação de veículos Hertz nos EUA (que pediu concordata) e empresas como Gol, Azul e CVC no Brasil, com dívidas grandes e que tiveram seus negócios praticamente interrompidos. A falta de critérios para investimentos em empresas nessa situação, nos mostra a falta de filtro na análise desses investimentos, auxiliando a alta na cotação desses ativos;

Sinal amarelo, onde e em quais setores

Com a entrada de investidores pessoa física em alta também no Brasil e por ter 15 anos de mercado financeira trabalhando profissionalmente, sempre foi ideia aqui de passar dados aqui para investidores que estão começando evitando os erros que cometi. No momento atual venho frisando sobre a alta e descompasso entre preço e valor de várias empresas brasileiras e dos EUA, principalmente ligadas ao setor tecnológico. Abaixo podemos ver a cotação do setor de tecnologia dos EUA comparado com outros setores sem tecnologia. Impressiona a valorização, onde a média das empresas techs dos EUA, chegou a 160x lucros, o que é um dos maiores da história. Acredito em correções nesse setor e uma hora o mercado se dará conta do quão caro estão pagando por ativos como esses.

No gráfico abaixo podemos ver em azul a diferença empresas em que o consumidor pode ficar em casa e empresas que ele precisa sair, como restaurantes e empresas de aviação…

Já no Brasil, penso que setor de varejo e empresas como B2W e outras já andaram bem, assim como empresas exportadoras. Acredito em uma estabilização do dólar e várias dessas empresas já teriam incorporado isso no preço. Esses setores estão caros ao meu ver.

Como setores atrativos, dada a queda de juros, o setor de construção e bancos, assim como algumas estatais como Eletrobrás, Sanepar, ainda interessantes.

Fico por aqui! Ótimos negócios para todos!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

FONTE: https://bugg.com.br/2020/06/30/como-o-investimento-em-acoes-pode-estar-indo-tao-bem-em-uma-pandemia/