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IPCA: tudo o que você precisa saber

29 de junho de 2020 às 19:02 Por Postado em Central do Investidor

O IPCA afeta diretamente os investimentos. Quem começa seus investimentos deve ter a noção que é extremamente importante proteger seu dinheiro da famosa inflação.

Mas como a inflação, ou IPCA afeta nossos investimentos?

Muitas pessoas ainda não sabem o que significa essa sigla ou até mesmo como é calculado. Por isso separei os tópicos abaixo ao longo do artigo.

Ele pode ser usado para navegar internamente dentro do artigo e ir direto para o tópico que tem mais interesse. Basta clicar.

Vamos lá, que iremos explicar os pontos e as principais dúvidas, deste importante indicador econômico que está presente no nosso dia a dia.

Conceito do IPCA

O IPCA é o Índice de Preços para o Consumidor Amplo. Esse importante índice é medido mensalmente pelo IBGE para identificar a variação dos preços no comércio.

Seu principal objetivo é refletir o custo de vida da população nas principais regiões do Brasil.

Ele é considerado, pelo Banco Central, o índice brasileiro oficial da inflação ou deflação.

Através desse índice, o Banco Central controla a política monetária para atingir sua meta para a inflação. A inflação nada mais é do que a perda do poder de compra do dinheiro.

Por exemplo:

Um consumidor vai até o supermercado e compra 1 KG de arroz pagando o valor de R$ 8,00.  Após 13 dias, esse mesmo cliente volta ao supermercado e leva um susto ao notar que o valor do mesmo arroz (1 KG) estava sendo vendida por R$ 12,00. Ou seja, houve um aumento de 50% em apenas alguns dias. Na prática, isso é denomina-se inflação.

Então, quando os preços dos produtos ou serviços começam a subir, podemos cogitar que os preços estão sofrendo com a inflação, ou estão inflacionados.

O contrário, quando os preços descem, pode ser denominado de deflação.

História da Inflação no Brasil

Muitos ainda se lembram de ir à padaria nos anos 1990 com uma nota de 1 real e voltar para casa com 10 pãezinhos – uma rotina impraticável hoje em dia.

De 1° de julho de 1994 até maio deste ano, o real acumulou inflação de 508,1%, IPCA, indicador oficial do país.

Em uma comparação simples, hoje 6,08 reais equivalem o que há 25 anos vinha estampado na nota de 1 real, já extinta da circulação nacional.

Apesar do índice, que à primeira vista pode parecer elevado para os jovens que não vivenciaram a escalada diária de preços.

O real completou 25 anos em circulação e se tornou a mais longeva moeda da história contemporânea do país.

variação mensal do ipca antes do plano real

De fato, ele foi decisivo para derrubar os índices galopantes de aumento dos preços, que se avolumaram desde a década de 1980 com novo ápice em 1993, ano da montagem da equipe econômica responsável por elaborar a proposta.

Apenas no primeiro semestre de 1994, quando as moedas ainda eram o cruzeiro e o cruzeiro real, a inflação oficial acumulou 757%.

começa a guerra real x inflação jornal o globo

Nos 12 meses anteriores à implantação da nova unidade monetária, totalizava 4.922%, segundo o Banco Central. O índice, que finalizou 1994 com 916%, caiu para 22% em 1995.

O regime de meta da inflação foi adotado em 1999 e tinha por objetivo, na ocasião, evitar a desenvolvimento do processo inflacionário, fenômeno esse intimamente relacionado às variações anuais do IPCA.

Dessa forma, desde a sua criação até os dias de hoje, cabe ao Conselho Monetário Nacional – autoridade máximo do nosso sistema financeiro – a fixação dessas metas e os seus respectivos intervalos de tolerância.

Metas de inflação são definidas anualmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é formada pelos ministros da economia e do planejamento e pelo presidente do Banco Central.

Essas metas são fundamentos econômicos do governo, é um compromisso firmado em 1999, afim de passar a garantia de que a inflação não vai fugir do controle e que tudo será feito para que isso aconteça.

Isso passa mais segurança para a sociedade e investidores.

Principais Índices de Inflação no Brasil

Para medir a inflação e checar se o país está dentro da meta de inflação, existem alguns índices de preços, que hoje são medidos por instituições como a Fundação Getúlio Vargas e como a Universidade de São Paulo.

Seguem abaixo os principais índices utilizados hoje:

INPC – Índice nacional de preços ao consumidor

O Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor – INPC que tem por objetivo a correção do poder de compra dos salários, através da mensuração das variações de preços da cesta de consumo da população assalariada com mais baixo rendimento.

Esta faixa de renda foi criada com o objetivo de garantir uma cobertura populacional de 50% das famílias cuja pessoa de referência é assalariada e pertencente às áreas urbanas de cobertura do SNIPC – Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

Esse índice de preços tem como unidade de coleta estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionária de serviços públicos e internet e sua coleta estende-se, em geral, do dia 01 a 30 do mês de referência.

IPCA – Índice de preços ao consumidor amplo

Criado em 1947, o IPA era chamado inicialmente de Índice de Preços por Atacado.

Apenas em Abril de 2010, a nomenclatura atual – Índice de Preços ao Produtor Amplo – passou a ser adotada.

INCC – Índice nacional do custo da construção

O INCC é o índice que observa a variação do custo da construção habitacional. O seu valor influencia a parcela dos financiamento de imóveis ainda na planta e deve ser incluído no cálculo de quem está na busca pelo imóvel novo.

A sua primeira versão foi criada pela FGV em 1950, com o nome de Índice de Custos de Construção (ICC) e acompanhava apenas o custo no mercado de construção da cidade do Rio de Janeiro, a capital federal à época.

Mas 35 anos depois, a atividade econômica se descentralizou e o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE) passou a acompanhar os custos da construção em outros lugares, e, com o avanço tecnológico, incorporou o custo de outros produtos e outras especialidades que passaram a ser aplicados nesse mercado.

Hoje, o seu cálculo leva o custo de materiais, equipamentos, serviços, mão de obra e tecnologias necessários para a construção civil em sete capitais brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília.

Referência utilizada

Como é calculado o IPCA

O período de pesquisa do IPCA vai do dia 1º ao dia 30 ou 31, dependendo do mês.

A pesquisa é realizada em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços, residências e concessionárias de serviços públicos.

São avaliados o preço de nove categorias:

  • Alimentação e bebidas – 24,77%
  • Transportes – 18,29%
  • Habitação – 15,82%
  • Saúde e cuidados pessoais – 12,27%
  • Despesas pessoais – 10,81%
  • Vestuário – 5,65%
  • Educação – 5,01%
  • Artigos de residência – 3,91%
  • Comunicação – 3,42%

Após a coleta, uma média simples é aplicada para gerar o valor IPCA acumulado durante o período.

Os preços obtidos são os efetivamente cobrados ao consumidor, para pagamento à vista.

No cálculo, cada um dos componentes têm o seguinte peso – atualizado pelo IBGE para 2020:

São Paulo32,32%
Belo Horizonte9,74%
Rio de Janeiro9,41%
Porto Alegre 8,59%
Curitiba 8,05%
Salvador5,99%
Goiânia4,16%
Brasília4,09%
Recife 3,93%
Belém3,91%
Fortaleza3,22%
Vitória1,86%
São Luis1,62%
Campo Grande1,51%
Aracaju1,02%
Rio Branco0,51%

Peso de cada região sobre o cálculo do IPCA – Fonte: IBGE

Conheça a Calculadora fornecida pelo próprio IBGE

calculadora do ipca

IPCA x Investimentos

Além de impactar o bolso da população, o IPCA também afeta todos os tipos de investimento.

Isso porque, independentemente da aplicação escolhida, o investidor precisa garantir que sua rentabilidade seja pelo menos superior à inflação do período.

A grande vantagem dos investimentos atrelados a este índice é que eles, na maioria das vezes, terão rentabilidade acima da inflação.

Por isso, em períodos de inflação alta, essa pode ser a grande saída para a rentabilidade em seus títulos de renda fixa, assim como CDB’s, LCI, LCA, CRI, CRA’s e Debêntures.

Nos quais esses títulos possuem rentabilidade atrelada ao índice IPCA

O ativo mais comentado e principal na maioria dos investimentos é o Investimento no Tesouro Nacional.

Tesouro IPCA

No caso deste título do Tesouro Direto, a rentabilidade será a variação do IPCA somada a uma taxa de juros pré-estabelecida no momento da compra do título.

tesouro-ipca

Conheça os perfis de investidores que mais utilizam este índice como referência:

http://centraldoinvestidor.com/perfil-de-investidor-iii-conservador-lci-e-lca/

O grande segredo para se tornar um investidor de sucesso é conhecer as opções que o mercado oferece e saber em qual cenário eles terão melhor rentabilidade.

IPCA acumulado

As taxas mensais do índice podem ser somadas, e assim, se obtém a taxa de aumento dos preços para o ano, ou seja, a inflação acumulada para o período anual.

Essa análise dá um passo atrás para avaliar as possíveis consequências da oscilação que acontece nos preços em longo prazo.

Assim, o IPCA acumulado nada mais é do que a soma das taxas de inflação registradas dentro de um determinado período.

Pode ser ao longo de um ano fiscal (de janeiro a dezembro) ou relativo a um período qualquer de 12 meses consecutivos, como de Abril de 2019 a Maio de 2020, por exemplo.

https://www.youtube.com/watch?v=JVcDZOlIMBk&feature=emb_logo

Conclusão e oportunidades

Neste artigo, você descobriu o que é o IPCA sua história vivida por grande parte da população brasileira e de que forma ela é atribuída aos nossos investimentos.

Ele afeta os brasileiros historicamente e, por isso, quem possuir um patrimônio depositado na poupança, precisa evoluir na sua forma de investir.

Aprenda a investir em conjunto com o IPCA, alocando recursos em ativos que tragam um retorno real.

Se você deseja atingis seus objetivos e metas de vida, é essencial fazer seu dinheiro trabalhar para você.

20200622 – Tônica da Semana: CUIDADO COM OS RETORNOS ATUAIS, SELETIVIDADE E VALUATION ESTICADO??

22 de junho de 2020 às 09:25 Por Postado em Blog do Eliseu

2 visões diferentes!

Essa semana vamos fazer diferente! William recebeu um descanso para aproveitar o dia dos pais nos EUA e deixou para mim (Breno Bonani) e o Eliseu Mânica Jr tocarmos a tônica da semana. Eliseu vai comentar uma visão mais voltado para o Macro e algumas distorções que está vendo nos mercados globais, assim como, o valuation do S&P500. Eu vou comentar mais sobre o cenário interno e o que eu estou vendo da nossa bolsa neste atual patamar, bem como, algumas “trade ideas” que eu ainda vejo como atraentes.

Então vamos lá!

Eliseu Mânica Junior:

No último artigo comentei sobre a grande quantidade de investidores pessoa física surgindo e sobre o atual momento em que muitos estão com ganhos altíssimos de curto prazo,  acima até de muitos gestores e que isso pode ser uma armadilha pois pode trazer a sensação de que estão investindo de maneira correta e que continuando dessa maneira lograrão êxito no mercado de ações. Outro fato que cabe salientar é que o número de investidores vem crescendo tanto no Brasil quanto nos EUA, com surgimento inclusive de “gurus” que entraram recentemente nesse mercado de recuperação e que vem cada vez mais “apostando” em ações.

Tais retornos para quem ingressou agora no mercado podem ser ilusórios e levar o investidor para o caminho incorreto ao investir, pois no mercado de ações nem tudo que sobe é bom e nem tudo que cai momentaneamente na cotação é ruim.

Um estudo realizado nos EUA mostrou que se um investidor tivesse criado um portfólio com ações apenas com empresas de varejo de prejuízos gigantescos, empresas de aluguel de carros em recuperação, empresas de aviação com recorde de prejuízo e empresas em recuperação judicial, assim como empresas com um CDS (Credit Default Swap – um seguro para empresas, onde quanto maior for o basis point, maior a probabilidade de default ou não pagamento), essas empresas teriam possuído um retorno maior que o investimento em empresas com um débito menor e com melhor qualidade, como podemos ver abaixo:

Algo similar poderia ter sido feito no Brasil, onde se pegássemos ações de Gol Linhas Aéreas, Azul, Instituto Ressegurador (IRBR3) e CVC, teríamos retornos de 52,78%, 52,66%, 37,77% e 25,18%, o que nos daria um retorno médio com todos os ativos com mesmo peso dentro de uma carteira, de 42,09% apenas nas três semanas de junho. Para os amantes de IRBR, lembro que a Empresa teve prejuízo em janeiro e fevereiro, que pode ser acompanhado mensalmente no Site da Susepe e por isso ela também foi colocada aqui no exemplo.

Movimentos especulativos como esses nos mostram sinais de picos na recuperação de ativos. São sinais que somados nos ajudam a tomar decisão do caminho que deve seguir o investidor. Existem certos movimentos nos preços que são totalmente desconexos dos fundamentos e cabe ao investidor que preza pelo seu capital principal ter a ciência e diferenciar esses tipos de movimentos do mercado: especulativo e o de investimento!

Já dizia um grande amigo meu, professor de tênis e ex-campeão brasileiro, treinador da Seleção Gaúcha de Tênis: “Eliseu, a primeira coisa que pergunto para um futuro aluno meu é se ele já jogou tênis antes e qual o tempo que ele vem jogando sozinho, sem professor. Quanto maior o período sozinho, sem as técnicas adequadas, maior o trabalho sei que terei para tirar os “vícios” dos movimentos errados que ele incorporou ao seu comportamento!” Assim também é no investimento em ações, quando um investidor confunde especular e investir e acredita que está fazendo o correto apenas porque as ações que comprou subiram.

Copo vazio ou copo cheio?

Começando pelo copo vazio…

Nos últimos dias Warren Buffett e outros grandes investidores vêm comentando sobre o quão alto estão os indicadores dos mercados mundiais, principalmente dos EUA. Um dos indicadores comuns no mercado é Preço-Lucro e há um indicador criado por Robert Shiller, que coloca a inflação nesse indicador. Se olharmos por essa ótica, o mercado de ações americano estaria negociando a 29,05x lucros, contra uma média histórica de 16,72x, como podemos ver abaixo, levando em conta o S&P500:

Fonte: Shiller PE Ratio

Um outro indicador, preferido pelos profissionais do mercado financeiro e que considerado por alguns como a maneira mais simples para verificar a geração de caixa de uma empresa (não sou dessa opinião, acho que a geração de caixa envolve estudos mais profundos) e o valor geral das empresas do S&P500, mostra o patamar de 14x Ebitda, um dos mais altos da história e comparado apenas com o momento da “Bolha.com”, dos anos 2000:

Muitos justificam a elevação nos múltiplos, pela questão dos baixos juros mundiais que estamos vivendo, a de juros baixos mundiais e grande quantidade de capital disponível de graça, gerando o TINA (There Is No Alternative – Não há outra alternativa), gerando uma alta no preço das ações e o FOMO (Fear Of Missing Out – Medo de Ficar de F0ra). O fato é que há no mundo um cenário de cortes de juros pelos bancos centrais, diminuindo o retorno de investimentos em renda fixa, bonds, debêntures, etc.

Fonte: Charlie Bilello

Outro ponto de vista levando em conta o “copo menos cheio” é a desconexão entre a atividade econômica e a impressão de dinheiro. Venho comentando que isso favorece ativos reais, como imóveis, ouro e áreas de terra.

Já a curva de títulos públicos americanos de 10 anos e 2 anos que é usada como um indicador para recessões, cruzou a média móvel de 200 dias, sendo que isso aconteceu em 20 anos, apenas quatro vezes anteriormente, sendo que apenas em 2013 ocorreu um alarme falso. Obviamente, a crise atual é sem precedentes, mesmo tendo uma recuperação no curto prazo, mas esse é outro sinal importante que problemas a frente podem acontecer…

Olhando o copo cheio…

É notório o movimento que vem acontecendo de desconexão entre fundamentos da economia e a recuperação no mercado de ações. O fato é que o mercado financeiro tenta antecipar com o uso de certos indicadores o que pode acontecer daqui 6-8 meses na “economia real”. Outro fator importante é sobre o fluxo e escrevi na semana passada sobre e que podes conferir aqui.

Sobre a economia notamos nos EUA uma quantidade de grana absurda, uma dose de remédio talvez acima do que a doença exigia, com o Governo Americano distribuindo uma quantidade grande para empresas e cidadãos (um residente nos EUA ganhou US$ 1.200 de graça para gastar e há empresas de amigos que receberam US$ 30 mil apenas para não demitir nenhum empregado), porém, tais pessoas ficaram em casa, tiveram facilidade para prorrogar despesas como eletricidade, água e dívidas como as de cartão de crédito, tendo o seguinte efeito, em que a transferência de dinheiro do Governo aumentou e os gastos foram menores que essa transferência de recursos:

       Fonte: Paineiras Apresentação

Esse efeito trouxe um aumento de renda para o cidadão americano e parte desses valores foram para o mercado de ações, já que o mercado americano é mais maduro que o brasileiro, onde cerca de 50% da população investe:

         Fonte: Paineiras Apresentação

Na parte da economia real, alguns indicadores mostrando que a velocidade de recuperação da economia pode ser em V, como o Índice de Atividade Industrial do FED da Filadélfia, de junho, apenas como um exemplo:

Fonte: Investing.com

Já na China, algo similar vem acontecendo, como podemos ver na correlação que há entre a Produção Industrial Chinesa (que já mostrou sinais de recuperação em abril) e que pode trazer melhorias para o PIB Chinês:

Já o Purchasing Manager Index (PMI), que é um dos indicadores de grande relevância e que mostra a força da economia Chinesa, está acima de 50, o que mostra uma elevação da economia Chinesa:

Fonte: Investing.com

E, no Brasil… 

Na China o Corona Vírus iniciou em janeiro e terminou no final de abril-maio aparentemente. Dados de melhoria econômica começaram a surgir em maio-junho. O PMI Chinês já está acima de 50, o que indica recuperação e como vimos, há sinais iniciais de recuperação na economia americana, como no caso do Fed da Filadélfia dessa semana. Por analogia, se o Brasil seguir caminho similar ao Chinês e americano, começaremos a ver dados em breve dessa melhoria. Um dos fatos que ajudou recentemente, foi a disparada do dólar e a desvalorização da moeda brasileira, o que acho exagerado pela força do movimento, eis que tivemos a maior desvalorização mundial. Essa desvalorização fez com que o Banco Central Brasileiro vendesse o dólar gerando lucro, algo positivo e que melhora a situação fiscal brasileira.

Atualmente as reservas atuais brasileiras líquidas estão em US$ 291 bilhões e é importante para defesa do Real contra especuladores.

Era isso!!

Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Breno Bonani:

Gostaria de chamar a atenção para alguns dados que saíram no Brasil, além do recente corte na taxa de juros e o que eu estou vendo em relação a bolsa.

Not so bad at all?

Apesar dos dados divulgados na semana passada, onde teve-se queda de 30% nas vendas do varejo segundo a Cielo e os dados de serviços continuaram com queda de 11% em comparação ao ano anterior. Tanto confiança da indústria quanto comércio e serviços, tiveram uma melhora em relação a queda que começou ali no final de março para abril.

Até o IBC-br que serve como uma “proxy” para o PIB veio ruim, mas não “tão ruim”. As projeções apontavam para uma queda de 11%.

Fonte: Investing.com

Não estou dizendo que está tudo bem, não me entendam mal! Porém, eu achei que fosse ser pior. Acabou que no primeiro trimestre muitas companhias conseguiram se virar, se adaptar e até entregar um resultado decente.

Agora no segundo trimestre que teremos uma sensibilidade melhor sobre quais setores foram mais impactados. Mas mesmo os setores de construção, varejo e shoppings não chegaram a ser um completo desastre no primeiro trimestre. Entretanto, eu continuo acreditando que varejo, construção e aéreas irão sofrer mais que a média no próximo trimestre.

Mas pensem bem (e agora entrando na queda da Selic), agora estamos com um juro a 2,25% ao ano. Dito isso, alguns benefícios começam a acontecer para empresas e pessoas. Empresas que possuem dívidas atreladas ao CDI são beneficiadas, bancos (com suas ressalvas) se sentem mais propícios a emprestar e é de se esperar um aumento de liquidez nos ativos, o mercado de renda variável começa a ficar mais atraente (uma vez que o juro já não é tão atraente para ficar somente no CDI).

Só na poupança nós temos cerca de R$ 800 bilhões rendendo juros negativos a taxas reais. A esperança é que com o aumento de atuação de alguns agentes como agentes autônomos, gestores de fundo e a própria mídia, chame cada vez mais a atenção para falta de atratividade que é deixar o seu dinheiro exclusivamente no CDI. Inclusive, a XP divulgou um gráfico interessante, no qual o Dividend Yield (rendimento dos dividendos) da bolsa já é maior que a própria Selic.

Outro gráfico que eu gosto de olhar nessas horas, é a relação entre a Selic e o Ibovespa:

Notem que o gráfico tem um certo comportamento. Quando as taxas estão altas, o Ibovespa fica na baixa. Quando as taxas caem, isso impulsiona o Ibovespa para cima. Lógico que isso acontece por vários motivos, como alguns citados anteriormente. Todavia, esse gráfico nos mostra que o Ibovespa ainda tem potencial para subir mais, uma vez que os juros estão alcançando mínimas históricas.

Mas agora, nos 96mil pontos, é uma boa hora para comprar?

Algumas coisas sim e outras coisas não. Tendo em vista que o cenário ainda é muito complexo e incerto, estamos ainda na primeira onda e se discute possível segunda onda, dados da economia real começam a ficar mais claros só no segundo trimestre.

É prudente partir mais para seletividade nessas horas. Bolsa já andou bem desde os “fundo” nos 61.690 pontos até o fechamento dessa última sexta (19/06), uma alta de quase 57%. Nem tudo está mais uma pechincha como antes. Olhando para esse gráfico disponibilizado pela Eleven Financial, no dia 5 de junho (bolsa estava nos 94mil pontos) o P/L do Ibovespa Forward estava em 12,8x. Acima da média histórica e 1 desvio-padrão acima da média.

Lembrando que este gráfico já leva em conta uma queda de 20% dos “earnings” das companhias. Eu concordo que é um gráfico um tanto quanto difícil de ser usar em momentos como este, uma vez que ele não leva em consideração a possível recuperação em 2021 dessas mesmas empresas, o que jogaria o múltiplo um para baixo.

Diferentemente de outros eventos do passado, como política e problemas estruturais do país. Não vamos ficar nessa para sempre pessoal, uma hora isso passa e a vida segue, 2020 está sendo um ano atípico para se analisar várias empresas.

Sendo assim, eu ainda vejo algumas companhias negociando a um valuation atraente. Vou deixar algumas delas abaixo:

Por fim, gostaria de frisar que eu ainda estou comprado e com 30% de caixa. Vale a pena ficar de olho nos próximos meses antes de mergulhar de cabeça na bolsa de valores, preze pela seletividade dos ativos que entraram na sua carteira e escolha boas companhias com bons fundamentos.

Visão de longo prazo e paciência não fazem mal a ninguém!

Era isso, valeu!

Breno Bonani.

Disclaimer Os relatórios e/ou em qualquer conteúdo de análise e recomendação providos pelo Bugg possuem caráter meramente informativo e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o usuário a tomar sua própria decisão de investimento, não devendo ser considerado como uma oferta para compra ou venda de ativos. Os editores responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos da Instrução CVM nº 598/18,que as recomendações do relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradasde forma independente. Além disso, os instrumentos financeiros discutidos neste relatório podem não ser adequados para todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento,a situação financeira ou as necessidades específicas de um determinado investidor. A decisão final em relação aos investimentos deve ser tomada por cada investidor, levando em consideração os vários riscos,tarifas e comissões.

FONTE: https://bugg.com.br/2020/06/22/cuidado-com-os-retornos-atuais-seletividade-e-valuation-esticado/

Fluxo, um fator importante ao investir

16 de junho de 2020 às 19:44 Por Postado em Blog do Eliseu

Texto by Eliseu Mânica Junior

Nos últimos 2-3 meses, após o Banco Central Americano anunciar um “Quantitative Easing para sempre”, QE4EVER, o quarto Programa de Estímulos para a economia, acompanhado por outros bancos centrais mundiais, começaram a “pipocar”, gurus e investidores pessoa física mostrando seus retornos, alguns melhores que muitos gestores, combinada com uma confiança muito acima da média para quem está começando em investimentos em renda variável.

Nos Estados Unidos, um desses investidores que ganhou bastante projeção foi David Portnoy, um americano que vive atualmente na Flórida e que vem mostrando seus trades semanalmente, dizendo que tem dinheiro infinito e que é melhor que o lendário investidor Warren Buffett. Esse efeito vem sendo chamado de Portnoy Effect, efeito em que investidores que estão começando no mercado, possuem ganhos altos de curto prazo e têm uma confiança histórica acima da média.

Soma-se a esses retornos e a forte recuperação de curto prazo, assim como o equívoco aparente de curto prazo de alguns gestores e investidores como Warren Buffett, que vendeu companhias aéreas e cerca de duas semanas depois as ações do setor subiram 65%, assim como a venda das ações da Locadora de Veículos Hertz, vendidas por Carl Icahn, outro ícone dos investimentos e que “perdeu” na recuperação dessas ações cerca de US$ 1,6 bilhões, temos o cenário perfeito para o favorecimento de investidores pessoa física como o David Portnoy.

Por que esse movimento vem acontecendo e por que temos que manter os olhos abertos…

Se pegarmos desde 5 de junho, o S&P500 subiu 42,8% desde a queda em 23 de março. Foi o período de 50 dias em que tivemos a maior alta-recuperação desde agosto-setembro de 1932 (alta de 109,2%) e maio-junho (alta de 73,2%)! Uso dados da bolsa americana, pois nosso Ibovespa começou a contar em 1967, pouco tempo para termos mais dados. Da mínima, o Ibovespa subiu também impressionantes 52%!

MAMU (Mother of All Meltups ou Mae de todas as Disparadas):

Parte desse movimento começou no dia 23 de março, com o Banco Central Americano, o FED, anunciou incentivos monetários até a estabilização da economia, cujo balanço saiu de US$ 2,5 trilhões para um recorde de US$ 7,1 trilhões até 03 de junho. Tudo começou em 15 de março com a compra de Treasuries e Mortgage-Backed Securities na ordem de US$ 700 bilhões, além da queda nos Juros em 1%, levando-os para 0%. O Banco Central Europeu, o Banco Central Japonês e o FED colocaram juntos quase US$ 17 trilhões em incentivos, quantia similar a que tivemos de valorização nas bolsas mundiais em termos de valor de mercado, das mínimas até o movimento recente no início de junho de 2020, como podemos ver abaixo:

Todo esse movimento criou a MAMU (Mãe de todas as Meltups)…

Meltup é um termo usado nos Estados Unidos para descrever um movimento que acontece no mercado de maneira rápida, impulsionado pelo sentimento do investidor, com grandes volumes (coincidência com os aumentos de volume nas bolsas dos EUA e inclusive do Brasil?) e de alta volatilidade, como está sendo o ano de 2020, um dos mais voláteis da história!

Meltup é um movimento em que há um deslocamento dos fundamentos, em que há receio de ficar de fora, com o receio de perder o rally, o popular FOMO (Fear of Missing Out ou Medo de Ficar de Fora), somado a uma quantidade grande de investidores ingressando no mercado, trazendo uma volatilidade ainda maior ao mercado de ações, sendo que esse já é um dos anos mais voláteis da história..

2020 um dos anos mais voláteis da história

Utilizando dos dados do S&P500 pela questão de que temos um maior número de dados, iniciamos estudando o ano de 2020 e os movimentos em percentuais do S&P500:

Tivemos 32% dos dias oscilando  até 2%, 23% dos dias oscilando acima de 2% até 4%, 15% dos dias com uma oscilação entre 4% e 5% e assim sucessivamente.. já fazendo um comparativo com a Crise de 2008, temos:

Nota-se que a volatilidade de 2020 é maior que a volatilidade da Crise de 2008. Comparando com a Crise de 1929-1930, temos:

Sendo assim, fica mais claro que temos em 2020, um dos anos mais voláteis de nossa história, assim como no Brasil, mesmo com o Ibovespa iniciando no final da década de 60, tivemos apenas no mês de março, 8 circuit breakers de um total de 21 desde 1967 e após isso uma recuperação de mais de 60%, ou seja, um dos anos mais voláteis no Brasil também.

Todo esse movimento de volatilidade, somado a grande quantidade de dinheiro disponível para pessoas físicas nos EUA (um residente ganhou US$ 1.200 a título de ajuda), muitos em casa sem ter o que fazer, sem trabalhar, querendo ganhar dinheiro de forma fácil (muitos vêem o mercado de ações como um jogo, uma aposta, sendo que na realidade não é), taxas de juros nas mínimas mundiais e corretoras com corretagem a custo zero (nos EUA temos o Robinhood que aparentemente é de graça, digo aparentemente porque não existe almoço grátis, pois eles vendem as visualizações  das ordens de investidores para outros investidores, facilitando o trabalho de  operações para robôs traders que operam milissegundos, por exemplo) temos o ambiente propício para aparecimento de David Portnoy´s e outros investidores pessoa física, obtendo retornos no curto prazo, acima dos grandes investidores e grandes fundos.

Mas e os valuations importam? Onde estamos hoje em termos de valuations?

Já vimos que fluxos são importantes e que foi graças ao fluxo de entrada de investidores e outros fatores somados que tivemos a forte recuperação atual. Por ser consultor de valores mobiliários, ter Certificado de Especialista de Ativos, MBA, Master, ser fundador de uma Gestora-Asset e por ter a prova de Analista Técnico, acredito que sempre é importante mesmo assim, sempre prestar atenção nos fundamentos procurando uma racionalidade para os momentos atuais em termos de Brasil, EUA e mundo.

No Brasil estamos negociando a cerca de 12x lucros futuros, já colocando uma projeção de queda de 20% nos lucros das empresas brasileiras, segundo a Eleven, Casa de Research que pude conhecer pessoalmente em São Paulo, em março de 2020 e que gosto muito. Cabe salientar que os múltiplos do Ibovespa, devem ser um pouco maiores, eis que a taxa de desconto é muito menor, o custo de oportunidade é menor e os juros são os menores da história…

Já o S&P500, Ìndice da Bolsa Americana, negocia a patamares da bolha ponto com, o que nos dá um sinal amarelo, porém cabe salientar que nos anos 2000, os juros estavam em 6,5% ao ano e atualmente os juros americanos estão em 0,25%-0%, o que poderiamos ter um desconto maior..

No mundo todo, vimos uma elevaçao principalmente dos EUA quanto aos múltiplos históricos Em países emergentes estamos até abaixo de 2008, por exemplo,  e até no Japão isso já ocorreu. Lembro que há essa elevação nos múltiplos, sobretudo pelas empresas FAMGATS (Facebook, Amazon, Microsoft, Google, Apple, Tesla e Spotify) que atingiram patamares elevados e que têm um peso somados de quase 25% do Ìndice..

O que eu penso de tudo isso?

Mesmo com 16 anos como investidor e quase isso trabalhando profissionalmente no mercado, tenho muito o que aprender. Sobre o momento atual minha opinião é que observar o fluxo é muito importante, porém nunca devemos esquecer do lugar que estamos pisando!

Com toda a alta que tivemos recentemente, somada a uma maior quantidade de entrada de investidores principalmente no Brasil, além de juros baixos, mais do que nunca temos que prestar atenção na seletividade e qualidade das empresas investidas. Essa é uma tarefa fundamental para o investidor que dá valor ao seu dinheiro e que procura uma relação interessante de risco x retorno.

Investir em boas empresas, aliado à ciência de que o fluxo de investimento é importante, potencializa o retorno de longo prazo para os investimentos!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Disclaimer Os relatórios e/ou em qualquer conteúdo de análise e recomendação providos pelo Bugg possuem caráter meramente informativo e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o usuário a tomar sua própria decisão de investimento, não devendo ser considerado como uma oferta para compra ou  venda de ativos. Os editores responsáveis pela elaboração deste relatório declaram,  nos termos da Instrução CVM nº 598/18,que as recomendações do relatório refletem  única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma  independente. Além disso, os instrumentos financeiros discutidos neste relatório podem não ser adequados para todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento,a situação financeira ou as necessidades específicas de um determinado investidor. A decisão final em relação aos  investimentos deve ser tomada por cada investidor, levando em consideração os vários riscos,tarifas e comissões.

FONTE: https://bugg.com.br/2020/06/16/fluxo-um-fator-importante-ao-investir/

Ações brasileiras ainda têm espaço para alta e quais setores ainda interessantes?

09 de junho de 2020 às 19:34 Por Postado em Blog do Eliseu

Texto by Eliseu Mânica Junior

Ações brasileiras ainda têm espaço para alta e quais setores ainda interessantes?

Volátil e desafiador. Assim podemos definir o ano de 2020 até o momento, principalmente na economia e no mercado financeiro. Em março tivemos a maior queda em termos de velocidade na história (superando 1929 e 2008 na rapidez, essas aconteceram de forma mais lenta e gradual) e nos últimos 50 dias tivemos o maior rally de alta da história.

Tudo o que aconteceu recentemente, corrobora o que já comentei em artigos anteriores, de que sempre temos que estar no mercado financeiro, com maior ou menor percentual, percentual esse ajustado pelo perfil de risco inerente e próprio a cada investidor.

A primeira coisa a relembrar desse texto e desse período que passamos: esteja sempre no mercado! Poucos acreditavam em uma queda e uma recuperação tão rápidas! O fato é que ninguém tem uma bola de cristal para onde vai o mercado, apenas conseguimos através de muito estudo e leitura termos uma percepção de quanto o mercado está caro ou barato. O fato é que na recuperação, os valuations aparecem muitas vezes caros dado o momento vivenciado pela economia (lock down e mudanças de percepção no valor das empresas dada a mudança no comportamento dos consumidores), mas o fato é que as vezes focamos muito no curto prazo esquecendo, por exemplo, de uma regra básica de contabilidade: as empresas teoricamente são feitas para existirem para sempre, mesmo isso não acontecendo na maioria das vezes, mas o que quero dizer e passar aqui é do valor que tem a perpetuidade em cálculos de valuation, de avaliação das empresas. Para o leitor mais leigo, é como focar apenas no 2tri20 que todos sabemos, virá muito ruim, mas que ainda há valor e recuperação no 3tri20, 4tri20, 1tri21, ou seja, as empresas e o mundo não irão acabar! Treine sua mente para momentos como esses o que ocorreram (Ibovespa não voltará para os 61 mil tão cedo, pois eu, você e 118% dos investidores já estamos esperando por algo próximo a isso).

Outra coisa que tenho que comentar é sobre a correlação entre crescimento da economia e retorno dos investimentos principalmente em ações e no mercado Ibovespa. Esqueça, como investidor em achar que ações sobem apenas em momentos de PIB alto.

As altas na maioria das vezes acontecem até de maneira contrária ao crescimento econômico e vou te explicar o porquê disso: em momentos de quedas de PIB é que Bancos Centrais, COPOMs da vida, irão trazer incentivos à economia e teremos um afrouxamento momentâneo, visando um crescimento futuro. Isso é o que está acontecendo no momento, um afrouxamento gigante e incentivos sendo jogados no mercado.

Se pegarmos os patamares mais baixos que chegamos no mercado, a capitalização das bolsas mundiais atingiu US$ 61 trillhões e hoje estamos cerca de US$ 82 trilhões, sendo esse é o valor de mercado atual de todas as bolsas somadas.

O que aconteceu para essa valorização rápida? Coincidência ou não, a soma de ajuda, de grana que todos os bancos centrais colocaram como incentivo para a economia mundial foi de US$ 18 trilhões! Se somarmos a mínima dos mercados, com a valorização e o valor de mercado que subiu recetemente temos um valor próximo ao dinheiro alocado pelos Bacens mundiais.

Outra ajuda que aconteceu e que muda muito o cenário de avaliação de ativos: taxas de juros baixíssimas! A maioria dos investidores utiliza o fluxo de caixa descontado para avaliar uma empresa.

Teoricamente, o valor de uma empresa é o fluxo de caixa que ela gera ao longo do tempo, trazido ao valor presente. Para trazer ao valor presente é necessária uma taxa de desconto, que são os juros, somados ao risco, podendo ser uma soma do Risco País e outros. Esses juros, essa taxa de desconto está em um dos menores patamares da história e se considerarmos os juros reais ainda, temos poucas opções para alocação de capital por parte dos investidores com razoável retorno:

Fonte: Charlie Bilelo

Outra questão que chama atenção no momento atual é a quantidade de dinheiro colocada na mão das pessoas, que acabou indo para os investimentos.

Conversando recentemente com amigos americanos, a quantidade que foi disponibilizada é muito maior que imaginamos. Como exemplo, cada residente dos EUA recebeu US$ 1.200 de graça, apenas por ser cidadão. No caso de empresas, esse amigo recebeu cerca de US$ 30 mil apenas para manter a empresa aberta e não demitir ninguém. Sendo assim, temos uma quantidade gigante de dinheiro no mercado, juntando com pessoas ociosas em casa, com o seguro-desemprego, postergação de pagamento de mortgages, pagamentos de luz e o fato de que nos EUA os investidores são mais de 50% da população, temos o ambiente propício para esse dinheiro ser direcionado para o mercado de ações. Um fato curioso é que o dado de poupança nos EUA foi para 33% um dos mais altos da história, como podemos ver abaixo, através do PSR (Personal Savings Ratio):

Toda essa grana disponível junto com uma maior maturidade dos investidores, trouxe a condição ideal para o dinheiro ser direcionado para o mercado de ações, causando a recuperação pós quedas que tivemos. Isso ocorreu, juntamente com a compra de bonds por parte do Banco Central Americano. Com menores yelds, tivemos outro ponto positivo para a elevação nos preços de ativos de risco, o que acabou acontecendo.

Com a entrada de investidores pessoa física massivamente no mercado de ações, tivemos alguns desdobramentos interessantes. Como exemplo, temos o caso de investidores pessoa física entrando no mercado e comprando ações de companhias aéreas em um momento de queda extrema, enquanto investidores consagrados como Warren Buffett, venderam as ações dessas empresas.

Depois da venda de Warren Buffett, as ações do setor de aviação, por exemplo, subiu 65%, como podemos ver abaixo pelo ETF JETS:

Esse movimento de aumento de investidores pessoa física na bolsa de valores, não foi fruto ocorrido apenas nos EUA, mas também ocorreu no Brasil, como podemos ver abaixo, onde tivemos um crescimento em 2017 saindo de 620 mil investidores pessoa física para 2,4 milhões em abril de 2020!!! Além disso, quando comecei no mercado em 2004 o volume negociado na bolsa brasileira era de menos de R$ 1 bilhão por dia e recentemente atingimos R$ 36 bilhões, crescimento de mais de 35x em 16 anos! Essa tendência no crescimento tende a aumentar e ajudou nesse rally de alta recente.

Com a entrada massiva de investidores pessoa física e com os bancos centrais do mundo todo colocando mais de US$ 18 trilhões no mercado, os investidores institucionais ficaram para trás. Se Warren Buffett vendeu ações de aéreas e investidores pessoa física compraram e ganharam cerca de 65% do que vendeu Warren Buffett é porque temos que tentar prever o que estão vendo esses institucionais.

O cenário que temos no Brasil é similar ao dos EUA: um aumento gigante no número de investidores, mas os investidores institucionais, fundos de pensões estão no menor patamar de alocação em renda variável na história!!!

Com juros baixos e metas atuariais de 8-10% os mesmos terão de aumentar o peso em renda variável para buscar retornos visando entregar as aposentadorias de quem vem aportando nesses fundos. Com o tempo, teremos mais combustível para altas, pois esses fundos não têm muitas escolhas com taxas de juros baixas a não ser o mercado de ações e estão com baixa alocação em renda variável ainda.

Qual o movimento que pode acontecer?

No curto prazo mercado é totalmente irracional. Provavelmente, os investidores institucionais, assim como Warren Buffett esqueceram-se disso no curto prazo, focando nas notícias ou em dados econômicos, como osde múltiplos de ações como o que mostra o S&P500 em níveis de 2000, porém um fato cabe ser salientado: os juros não estavam nos níveis que estamos atualmente e nem tínhamos os US$ 18 trilhões que foram colocados no mercado.

Mais um fator é o que já escrevi aqui no Bugg: empresas de tecnologia são 21,8% de peso do DJI e elas subiram demais, levando os índices americanos. Além dessas empresas existem muitos outras e digo-lhe, há empresas BARATAS ainda, tanto nos EUA, quanto no Brasil.

Dados econômicos de março e dados atuais

Já comentei aqui que o mercado acionário tenta pegar dados de hoje e antecipar cenários. Isso aconteceu em março-abril, com um PMI e dados econômicos muito abaixo da média. As bolsas mundiais mundias despencaram! Projeção de lucros foram horríveis e mesmo assim os preços subiram! O PMI de Chicago foi o mais baixo em 38 anos:

O Earnings Per Share sofreu quedas bruscas…

Sim, mas o mercado acionário antecipa cenários e recuperações. Na China a recuperação está acontecendo em V e nos Estados Unidos, nessa semana, tivemos uma criação de empregos muito acima do esperado. Falando com amigos de lá, a reabertura arrecém começou, portanto, a criação de empregos pode aumentar e isso pode estar sendo visto pelo mercado financeiro, por isso o rally também.

Ainda é cedo para falarmos de uma melhoria, mas parafraseando Warren Buffett, “Never bet against America”. A criação de empregos foi muito maior que o esperado:

Mesmo com toda a alta que aconteceu, ainda há oportunidades. Setor de varejo eletrônico, um setor que negocia a múltiplos altíssimos, assim como empresas linkadas à exportação acredito que estão sendo negociados a patamares elevados e já andaram bem. Setores que comentei aqui, como bancos, empresas linkadas ao setor de construção com a queda de juros (na semana passada alguns bancos de investimentos começaram a trazer expectativas de queda para 1,75% na Taxa Selic, o que há pouco tempo era inimaginável) e empresas com propriedades ou tenham contratos de longo prazo como empresas de energia elétricac, são empresas que ainda têm potencial positivo.

Resumo do que foi comentado no texto:

1) cenário recente foi desafiador para todos os investidores. Tivemos a queda mais rápida, assim como a alta em 50 dias, mais rápida da história;
2) Como comentado em artigos anteriores, sempre devemos estar no mercado acionário, com maior ou menor percentual. A volatilidade recente mostra isso;
3) aportes constantes são como o carvão em um churrasco, sempre necessários;
4) com a distribuição de grana massiva nos EUA, tivemos capital das pessoas físicas entrando no mercado, inclusive ganhando no curto prazo, em termos de retorno de investimentos de investidores como Warren Buffett, que no caso, vendeu empresas aéreas e os investidores pessoa física compraram. Cabe ressaltar que o “velhinho” sempre tem e terá o meu respeito;
5) juros estão no patamar mais baixo da história da humanidade, com isso podemos ter múltiplos de negociação mais altos que em períodos anteriores, dado o menor custo de capital e maior potencial de alavancagem das empresas. Lembro que equilíbrio é tudo e em extremos temos oportunidades (hoje temos empresas negociadas a mais de 100x lucros e com valor de mercado de mais de US$ 1,2 trilhão, já dominando 26% do setor, o que nos mostra um risco maior, dado o menor potencial de retorno, já que a Empresa domina grande parte do setor);
6) a cada alta no mercado de ações, um filtro maior e cautela devem ser tomados;
7) ainda há oportunidades em setores que mais caíram e principalmente no Brasil. No mês passado, fomos a moeda que mais caiu no mundo e em junho isso começa a ser revertido. Investidores estrangeiros tiveram a maior saída desde 1994 e em um momento eles irão voltar, trazendo mais combustível para altas;
8) foque no que conhece, não vá por dicas e por “gurus”. Alguns dos maiores gurus já quebraram 4x no mercado, mesmo acertando muito ultimamente. Seu investimento = seu risco!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior





FONTE: https://bugg.com.br/2020/06/09/acoes-brasileiras-ainda-tem-espaco-para-alta-e-quais-setores-ainda-interessantes/

Investimentos internacionais sem sair do Brasil

09 de junho de 2020 às 09:43 Por Postado em Central do Investidor, Investimentos internacionais
capa investimentos internacionais

Com este artigo de Investimentos Internacionais começamos uma série de artigos para ensinar você, TUDO sobre investimentos. Neles vamos demonstrar sobre um tipo de investimento que poucas pessoas conhecem.

Ele atende diversos perfis de investidores, principalmente os que buscam retornos acima do mercado convencional. Este tipo de investimento te permite investir até mesmo no exterior sem precisar abrir conta fora do Brasil.

Diversificação é o segredo para ter sucesso em uma carteira de investimentos, ainda mais neste tipo de ativo.

O ativo que vamos abordar nesse artigo ele será o grande trunfo nos seus investimentos a partir de hoje!

É um tipo de investimento inovador e flexível, que combina elementos de renda fixa e renda variável, com retornos atrelados a ativos e índices, como câmbio, inflação, ações e ativos internacionais.

Diversificação em investimentos internacionais

Vemos uma incerteza global em relação a nossa economia, diante da crise financeira que se instalou no Brasil e não temos nem ao menos previsão de quando acabará.

O medo se tornou algo comum aos investidores brasileiros em relação aos investimentos, principalmente os investimentos internacionais. Muitos procuram ativos clássicos e tradicionais para buscar rentabilidade.

Mas claro, não é tão simples encontrar ativos em um mercado instável.

Por exemplo, de 2012 até 2016 a bolsa brasileira sofreu bastante, tendo caído mais de 40%. Nesse mesmo período, o dólar saiu da faixa de 1,80 e chegou até quase 4 reais.

Com isso o investidor ganharia em dólar, que valorizou praticamente 100% e se protegeria da queda do mercado nacional.

chamada investir no exterior

Uma das alternativas para não ficar exposto ao risco do mercado nacional é buscar investimentos internacionais.

Por incrível que pareça não é difícil investir no exterior, mas é possível sim aplicar bem em mercados estrangeiros.

O investimento no exterior normalmente possui um custo mais alto por causa da necessidade do envio dos recursos para outro país.

Por isso existem produtos estruturados para você acessar investimentos internacionais com baixo custo.

Essa diversificação geográfica é tão importante. Uma vez que ela permite que haja uma redução de risco de um portfólio de investimentos.

Perfil de investimentos internacionais

Uma grande vantagem de investir em mercados internacionais é a possibilidade de se expor a toda economia global e não apenas no mercado nacional.

Você sabia que o Brasil representa apenas 2% do PIB global? Como comparação, os EUA representam 23%, China 17% e Índia 4%.

Você investiria todo seu dinheiro apenas em um país? Este conceito é simples, mas ilustra o tamanho da oportunidade para o investidor que acessa investimentos internacionais além do Brasil.

Para quem tem uma aptidão a renda variável, como ações, fundos de investimentos imobiliários e até mesmo derivativos.

Dentre as 43 mil empresas listadas no mundo, mais de 5 mil estão nos EUA, 3 mil na China, 6 mil na Índia, e apenas 330 no Brasil, sendo que em 2007 eram 400.

Para se ter uma ideia, apenas uma ação da bolsa americana, a Apple, é maior do que a Bovespa inteira (em capitalização de mercado).

É muito importante para sua carteira, pois muitas empresas negociadas na bolsa brasileira, possuem atuação apenas no mercado interno e são pouco impactadas ao crescimento da economia global.

chamada de artigo carteira de ações

O mesmo conta para quem tem um perfil mais conservador, que prefere ter menos volatilidade na sua carteira.

A diversificação em investimentos internacionais para este perfil é fundamental.

Imagine você conseguindo investir em mercados internacionais com taxas de renda fixa mais atraentes.

Mas lembre-se esta diversificação deve ser feita sempre com uma assessoria especializada em investimentos.

Busque entender quais são seus objetivos de curto, médio e longo prazo para identificar quantos % você poderá investir no exterior para diminuir o risco.

Investimentos internacionais na prática

Sabemos que o grande propósito de todo investidor é conseguir montar sua estratégia de investimentos na prática.

O segredo que não te contam é que toda essa diversificação pode ser alcançada com apenas um produto que poucos conhecem.

Então combinar a proteção oferecida pela renda fixa com a possibilidade de ganhos mais robustos proporcionada pela renda variável

Essa é a proposta dos COE (Certificados de Operações Estruturadas).

https://www.youtube.com/watch?v=1PPDF-KNDDI

Este tipo de produto está disponível para todos investidores brasileiros há alguns anos e que nos EUA e Europa é chamada de “notas estruturadas” e são emitidos por bancos.

Este ativo é semelhante ao CDB, LCI e LCA que conhecemos. Ou seja, é usado para captar dinheiro de investidores para os bancos, em resumo, você estará emprestando dinheiro ao banco emissor.

Este mercado movimentou mais de 2 Trilhões de dólares em estoques, em 2018 foram emitidos mais de quase 95 Bilhões de COE globalmente.

Investimentos em COE: o que devo saber

O COE é um produto relativamente novo no mercado brasileiro e possui características bem diferentes dos investimentos mais conhecidos por aqui.

No Brasil, ele foi criado pela Lei 12.249, em 2010, a mesma usada na criação das letras financeiras.

Depois, o COE foi regulamentado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em setembro de 2013 e passou a ser emitido dia 6 de janeiro de 2014.

Já no ano de 2015, o Certificado de Operações Estruturadas ganhou regulação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que possibilitou a distribuição por corretoras.

Os COEs são emitidos pelos bancos. Conforme a regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), todos precisam ser registrados junto à B3.

As Instituições financeiras emissoras precisam fornecer o Documento de Informações Essenciais (DIE), que especifica todas as características do COE.

O DIE deve conter toas as seguintes informações: Previsão de fluxo de pagamentos, os riscos envolvidos, as garantias que existirem, os prazos, a expectativa de rentabilidade, entre outros dados.

Ele não possui a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Por isso, junto da sua assessoria de investimentos, analise bem o COE de qual Banco você irá investir.

Tipos de COE

Por ser um produto inovador e flexível, os COEs podem adotar diversas estratégias de investimentos e a rentabilidade depende principalmente do tipo de aplicação.

Existe uma característica fundamental que divide os COEs, e ela tem a ver com a garantia que é oferecida pelos emissores.

  • Capital Protegido: garante o valor principal investido. É a modalidade mais indicada para investidores que não querem arriscar o capital. Mesmo que os ativos de referência do produto tenham um desempenho negativo.
  • Capital em Risco: possibilidade de perder até o limite do capital investido. Ou seja, perder todo o dinheiro investido, mas sem ficar com saldo negativo.

A grande maioria dos COEs são de capital protegido, ou seja, mesmo que tenham um desempenho negativo, você receberá o seu capital investido.

Ativos e indexadores

Como a gente já comentou, o COE é emitido pelos bancos, os mesmos podem criar diversos estratégias atreladas a uma variedade de ativos.

Todas estratégias de rentabilidade serão baseadas no desempenho desses indexadores durante o período de vigência do COE

Entre os ativos de referência mais comuns estão:

  • Juros
  • Moedas
  • Ouro
  • Commodities
  • Índices de inflação
  • Ações e índices de ações nacionais
  • Ações e índices de ações internacionais

Valor Mínimo para este modelo de Investimento internacional

Os valores para você obter este tipo de diversificação e rentabilidade, podem variar de acordo com o banco emissor e das opções que o distribuidor do título oferece.

Os investimentos mais comuns estão entre R$ 5 mil a R$ 100 mil reais, para acessar ativos em mercados internacionais e nacionais.

Os emissores estabelecem esse número de acordo com o nível de complexidade da aplicação, o patamar de risco embutido, o potencial de ganho, entre outros aspectos.

Por exemplo, na XP investimentos a maioria dos COEs tem valor mínimo de apenas R$ 5 mil reais.

Prazo de Resgate do COE como investimento internacional

Se o você precisar do dinheiro de volta antes do vencimento do COE, existe a opção de negociá-lo no mercado secundário.

Nesse caso, o certificado pode ser vendido diretamente a outro investidor que esteja interessado no produto.

As corretoras atuam na intermediação desse tipo de operação, procure seu assessor de investimentos e ele irá lhe ajudar

Essa saída, no entanto, tem uma implicação: o COE é vendido pelo seu preço de mercado e, por isso, a rentabilidade acertada no momento do investimento pode ser diferente.

Já o vencimento do contrato depende do tipo de ativo escolhido. Se você escolheu câmbio, ações ou juros, provavelmente terá um prazo de vencimento menor, de até 90 dias, conforme as janelas de verificações.

É importante lembrar que o investimento em COE não possui liquidez diária, então você precisa estar atento ao prazo do seu investimento para não ter prejuízos.

Escolha um título em que você tenha certeza de não precisar do dinheiro até o prazo de vencimento.

Tributação

O investimento em Certificado de Operações Estruturadas possui tributação do imposto de renda, seguindo a tabela regressiva, assim como nos investimentos em Renda Fixa.

Ou seja, quanto maior o prazo do seu investimento, menor será a alíquota de IR deduzida.

Mas não se preocupe! Na data de vencimento, você já recebe o valor líquido do seu investimento, não sendo necessário se preocupar em declarar o imposto de renda.

Outra vantagem é o fato de todas as aplicações feitas pelo COE poderem ser acompanhadas juntas, em pacote, e não uma por uma.

Isso facilita o trabalho do investidor, que também se beneficia dessa característica na hora de pagar o Imposto de Renda – uma só alíquota e forma de cálculo são aplicadas ao conjunto inteiro. Conforme o quadro abaixo.

Tabela regressiva imposto de renda
Prazo do investimentoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
181 até 360 dias20,0%
361 até 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15,0%

Riscos de investimentos em COE

Para manter a segurança do seu patrimônio você deve sempre garantir e entender os riscos de todos seus investimentos.

Aplicando seu dinheiro em COEs existem 3 riscos principais. Risco de Liquidez, Risco de Crédito e Custo de Oportunidade

  • Risco de Liquidez: O COE possui data de vencimento e geralmente não pode ser resgatado antes do prazo. Você pode vender no mercado secundário, mas no geral não possui liquidez.

Sempre pense antes em montar sua reserva de emergência e nunca ponha todo seu patrimônio neste tipo de investimento.

  • Risco de Crédito: Ao adquirir um COE, o investidor se sujeita ao risco de crédito do banco emissor.

Quer dizer que se a instituição financeira passar por alguma dificuldade, haverá impacto sobre os COEs também.

E atenção: os certificados não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como acontece com CDBs e outros investimentos de renda fixa. Assim, a melhor forma de se prevenir é escolhendo bancos grandes e confiáveis.

  • Custo de Oportunidade: No tipo do COE com capital protegido, o investidor abre mão da rentabilidade de outra aplicação. Acabar no “zero a zero” é uma possibilidade real no caso dos COEs.

Lembrando que A garantia de 100% do capital só vale até a data de vencimento do título.

COMO INVESTIR EM COE

Depois que tudo fora apresentado e você realmente quer obter diversificação de carteira, buscando uma rentabilidade acima do mercado e diminuir o risco em renda variável.

Esse produto é para você! Abaixo fizemos um passo a a passo exclusivo para te ajudar.

Não esqueça, se fosse possui uma assessoria de investimentos, converse com seu assessor (a) antes.

Se caso você ainda não possui assessoria especializada clique abaixo e comece a melhorar seus investimentos AGORA

1. Abra sua conta

Para investir em COEs, o primeiro passo é abrir uma conta em uma corretora. Isso normalmente é algo bastante simples e dentro de no máximo 48 horas você poderá investir.

Nós recomendamos a XP Investimentos:

2. Descubra seu perfil de investidor

O suitability é o perfil de investimento de cada usuário em sua corretora, que define, através de um processo de identificação de tolerância ao risco, as opções adequadas de estratégias e produtos de investimento para o cliente.

Por isso, quando tiver uma conta aberta, é importante que você preencha o Formulário do Perfil do Investidor.

Na XP Investimentos, por exemplo, os COEs de valor nominal protegido são indicados para os investidores de perfil moderado.

Já os COEs de valor nominal em risco só são liberados para investidores de perfil agressivo. Apenas investidores com o perfil condizente podem aplicar no produto.

3. Escolha o ativo

Depois que tiver passado pelos dois primeiros passos, é hora de escolher os COEs em se mais enquadra para seus objetivos.

Leia atentamente o Documento de Informações Essenciais (DIE) dos ativos que você escolher.

4. Transfira os recursos e comece a investir

Quando sua decisão tiver sido tomada, é hora de começar a operar. Transfira recursos da sua conte corrente para a sua nova conta na corretora por meio de um DOC ou de uma TED.

Leva, no máximo, um dia. Compre os COEs que tiver escolhido e comece a acompanhar o desempenho deles por meio da plataforma de investimentos.

Conclusão e oportunidades nos investimentos internacionais

Neste artigo, você descobriu que a diversificação de ativos em uma carteira de investimentos é fundamental para uma boa rentabilidade a longo prazo.

E um ativo para boa diversificação é o Certificado de Operações Estruturadas (COE) que pode:

  • Garantir capital inicial;
  • Acessar novos mercados globais;
  • Diminuir a volatilidade da sua carteira de investimentos;
  • Possibilidade de alto desempenho
  • Não possui taxas de aplicação
  • Tributação única pela tabela regressiva de Imposto de Renda
  • Permite investir no câmbio, mercado estrangeiro e outras opções sofisticadas, porém de forma simples.

É fundamental que você possua um fundo de emergência para não precisar vender seu título antecipadamente e correr o risco de perder dinheiro.

Oportunidade:

Na plataforma de produtos da XP Investimentos está disponível para aplicação mais de 20 COEs com múltiplas estratégias. E uma delas pode se adequar aos seus objetivos

lista de investimentos internacionais xp

Dividend Yield: Como aumentar a rentabilidade nos investimentos

15 de maio de 2020 às 12:49 Por Postado em Central do Investidor

Dividend Yield é usado no mercado de capitais para identificar empresas com maior potencial de pagamento de dividendos, que são as frações dos lucros das empresas repassadas aos seus acionistas.

Os dividendos – representam uma forma adicional de remuneração, especialmente para os investidores de longo prazo, que mantêm ativos em suas carteiras por períodos duradouros.

Neste artigo vou abordar Dividend Yield para obter rentabilidade extra para sua carteira de investimentos independente do seu perfil de investidor. Se quiser, pode clicar nos links abaixo e ir direto para o tópico que mais lhe interessar:

Como calcular o Dividend Yield
O que não te contam sobre Dividend Yield
Calendário de pagamentos de pagamento de dividendos
Empresas boas pagadoras de dividendos
Dicas sobre Dividend Yield
Conclusão

Vamos responder todas as perguntas acima e muito mais! Preste atenção nessas principais dicas para você saber tudo sobre Dividend Yield.

Como calcular de maneira simples o Dividend Yield!

O Dividend Yield que pode ser traduzido para o português como Rendimento de Dividendos, é um indicador que mede a performance da empresa de acordo com os proventos pagos aos seus acionistas.

O DY (Dividend Yield) traz um excelente benefício de poder comparar a rentabilidade dos dividendos entre empresas de mesmo segmentos ou até mesmo de outros segmentos.

O cálculo é expresso em porcentagem, entre o valor da cotação de uma ação e a soma dos proventos pagos por ação em determinado período. Usualmente se consideram os doze meses anteriores à data da referida cotação. 

Os proventos utilizados para o cálculo são:

  • Dividendos: No mercado de capitais, os dividendos são, em linhas gerais, as frações dos lucros das empresas repassadas aos seus acionistas. 

A maioria das empresas brasileiras respeita a convenção de distribuir minimamente 25% de seus lucros aos acionistas, que podem ser distribuídos mensalmente, bimestral, trimestral, quadrimestral, semestral ou anuais. 

  • Juros sobre Capital Próprio (JCP): As empresas no Brasil, podem distribuir seus lucros para seus acionistas em forma de JCP. Para as empresas é muito vantajoso, pois, do ponto de vista fiscal os valores podem ser considerados como despesas financeiras nos balanços, refletindo uma redução do IR (Imposto de Renda) a ser pago.

Fórmula para calcular o Dividend Yield

fórmula dividend yield
fórmula dividend yield

Vamos agora simplificar um pouco mais a fórmula descrita acima!

aplicação da fórmula dividend yield

Imagine que você investidor(a) comprou as ações da empresa Petrobrás (PETR4) e, neste ano a empresa tenha pago R$ 2,00 de proventos por cada ação. O preço das ações no momento estivesse R$ 25,00. Neste caso o DY é de 8%

Muito simples né? mas nunca pode se basear apenas neste indicador. Este percentual mostra que, nesse exemplo, cada ação retornou 8% em dividendos da empresa Petrobrás neste período de 12 meses.

É sempre importante lembrar que resultados passados não são garantia de um resultado futuro. 

Para escolher boas ações pagadores de dividendos, sempre faça análises completas e recomendações feitas por profissionais qualificados!

Fale com um Assessor de Investimentos e faça uma revisão de sua carteira de investimentos.

O que não te contam sobre Dividend Yield

Como conversamos, este indicador nunca deve ser utilizado de forma única para escolher alguma empresa para se tornar sócio

Lembre-se que existem outros indicadores fundamentalistas que darão mais segurança na sua escolha.

Existem dois grupos de Dividendos que você precisa saber.

  • Dividendos Ordinários: os dividendos ordinários são distribuídos em função do lucro da empresa conforme a convenção estipulada pela empresa.
  • Dividendos Extraordinários: os dividendos extraordinários são repartidos a partir de acontecimentos extraordinários, como a venda de uma filial de uma empresa, por exemplo.

Este indicador pode conter diversas pegadinhas, desconfie se no momento que você estiver pesquisando e analisando certa empresa e você observar que esta ação apresentou um DY muito maior do que outras empresas do mesmo segmento.

Para evitar esse erro você deve analisar o chamado Payout , O payout se refere à porcentagem do lucro líquido distribuído, no forma de dividendos ou juros sobre capital próprio, aos acionistas da empresa.

As empresas, como citado acima, geralmente devem distribuir um percentual mínimo de 25%, obedecendo sempre a política de dividendos.

Como exemplo, imagine que sua empresa apresentou um lucro de R$ 100.000,00 no ano.

e você decide distribuir neste ano R$ 60.000,00 através de dividendos.

exemplo de calculo de divided yield

portando o payout da sua empresa no ano será 60% conforme cálculo abaixo

Cuidado com empresas com DY ou Payout muito elevados!

Nem sempre receber altos dividendos de uma ação é algo bom, pois é importante avaliar se a companhia não está se endividando para realizar esta distribuição, pois isto pode ser péssimo para a empresa no longo prazo.

itausa alerta sobre redução de dividendos

Pense sempre como sócio, pergunte se o valor recebido, poderia ter um melhor uso, por exemplo, investir em novos projetos com retorno elevado e consequentemente você como acionista se beneficiaria muito mais.

Da mesma forma que falamos sobre payouts elevados, você encontrará empresas com payouts baixos e não significa algo ruim.

A companhia pode, por exemplo, estar retendo caixa para realizar novos investimentos, ampliando mercado ou em fase de expansão.

Obviamente, estes investimentos necessitam ser bem feitos, e apresentar uma elevada taxa de retorno. Caso contrário, é preferível que a companhia distribua o lucro ao acionista.

Preste atenção no calendário de pagamentos

A distribuição de proventos por parte das empresas de capital aberto é considerada um fato relevante por parte da Bolsa, razão pela qual a divulgação dos mesmos deve seguir uma formalidade dividida em três datas chaves. 

A primeira é a data de anúncio, que antecipa as datas seguintes. A partir da data ex-dividendos as ações compradas não terão mais direito de receber os dividendos referentes ao período.

Em compensação, quem adquire as ações após tal data o faz com o preço descontado pelo valor do dividendo.

Notícia SLC Agrícola dividend yield
Fonte: comoinvestir.thecap.com.br

Por fim temos a data de pagamento, na qual os dividendos ou JCP são depositados na conta do investidor, esteja ela num banco ou numa corretora de valores. 

Tributação sobre os dividendos

No Brasil os dividendos são pagos aos acionistas com os lucros da empresa, esses lucros apresentados estão já descontados os impostos pagos pela empresa.

Como a legislação vigente não permite a bitributação, contudo os dividendos são ISENTOS DE IR.

No caso do Juros Sobre Capital Próprio, há uma tributação de 15% na data do depósito. Normalmente, os impostos são recolhidos na fonte, ou seja, o acionista não precisa efetuar o pagamento, salvo se o valor recebido for bruto: sem tributação.

Quando o valor depositado para o acionista é líquido, significa que a empresa já recolheu os tributos que caberiam a ele

Empresas boas pagadoras de dividendos

Dicas sobre Dividend Yield!

Apesar do cálculo ser muito simples, existem algumas dicas importantes para você que deseja ser um investidor(a) de sucesso.

Para muitos investidores iniciantes, fica uma dúvida –  Onde eu encontro o histórico de Dividend Yield de uma determinada empresa?

Atualmente existem diversos sites que divulgam esses dados de maneira prática. Inclusive alguns já informam o DY calculado. Contudo, o investidor deve ficar atento, pois muitas vezes esses dados podem estar incorretos ou desatualizados. 

Nesse sentido, o mais indicado é que o investidor busque essas informações na página de Relação com Investidores (RI) das empresas. Segue o exemplo da Petrobrás

“Juros compostos são a oitava maravilha do mundo. Aquele que entende, ganha. Aquele que não entende, paga.”  Albert Einstein

A maior dica que posso te dar hoje é sobre juros compostos, o efeito multiplicador que juros compostos atuam no seus investimentos é algo grandioso!

Você que deseja gerar riqueza no longo prazo, utilizando uma balanceada e bem diversificada. Poderá usar os recursos recebidos de proventos para comprar mais ativos geradores de renda passiva.

Para melhor compreensão desse princípio, utilizaremos hipoteticamente R$ 1.000,00 como o capital principal.

comparativo juros simples e juros compostos
Comparativo juros simples e juros compostos

Supondo que ele possa ser investido numa aplicação de juros simples de 12% ao ano, pagos somente sobre o capital principal, e numa aplicação de juros compostos de 12% ao ano, pagos sobre o montante atualizado. 

No caso dos juros simples, R$ 1.000,00 rendendo R$ 120,00 ao ano resulta num montante de R$ 1.120,00 ao fim do primeiro ano. Em uma década o investidor terá em sua carteira R$ 2.200,00. 

Ao fim dos primeiro ano, a aplicação com juros compostos dá o mesmo resultado: R$ 1.120,00. Porém, depois de uma década, o resultado será expressivo: R$ 3.105,85. São R$ 905,85 a mais do que na aplicação de juros simples. Uma diferença de quase 30%. 

Ao fim de 30 anos teremos uma carteira de juros compostos de R$ 29.959,92 contra R$ 4.600,00 na carteira de juros simples.

Conclusão 

O Dividend Yield, como apresentamos é um indicador fundamentalista muito importante.

Ele permite que você investidor(a), tenha um conhecimento adicional e faça boas escolhas.

Além disso, agora você pode comparar empresas que pagam bons dividendos e montar sua estratégia vencedora!

Lembre-se, você sempre deve fazer uma análise completa e sempre que possível busque uma orientação com profissional qualificado.

Se você precisa de ajuda para montar sua carteira de investimentos, clique aqui abaixo e um assessor de investimentos ligará para você e ajudará com suas dúvidas