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PERFIL DE INVESTIDOR V: AGRESSIVO – Quais as melhores opções de Investimentos?

02 de abril de 2020 às 17:16 Por Postado em Blog da Samantha

O Perfil de Investidor ou suitability foi criado, como observado no início da nossa série Os Melhores tipos de Investimentos para cada Perfil de Investidor devido a necessidade incorrida, segundo a própria Anbima cita, de proteção aos Investidores. Nesse viés, fechando nosso estudo, abordaremos os Investimentos mais adequados ao Perfil AGRESSIVO.

Investidor de Perfil AGRESSIVO

A característica principal identificada nesse Investidor sem dúvidas é a sua alta tolerância a riscos. Comumente enfrenta as oscilações do mercado mas, por conhecer e possuir domínio acerca do mercado financeiro, opta por MAIOR RENTABILIDADE.

Analisando esse Perfil, a carteira sugerida por especialistas pode variar um pouco. Porém, alguns produtos são unanimidades entre eles, tais como:

Renda fixa- em um percentual mais baixo, variando a no máximo 30% na composição da carteira.

Ações- a “queridinha” desse Perfil, onde o Investidor, ao comprá-las, passa a ser sócio de uma empresa. Sempre lembrando de buscar por ativos de empresa sólidas, valendo aqui a presença de um profissional certificado para auxiliar.

Ainda, como estratégia de diversificação é possível acrescentar os Fundos Multimercados, Fundos Imobiliários, BDR, bem como Mercado Futuro, dentre outros ativos.

Mas e o perfil ARROJADO?

Esse, assim como Perfil AGRESSIVO, busca por maior retorno financeiro, assume maiores riscos e suporta oscilações do mercado. Entretanto, mantem uma parte do seu capital em Investimentos com liquidez de médio e curto prazo.

Após analisarmos os três principais Perfis, espero que você identifique o seu, e feito isso, coloque em prática no momento de Investir. É claro que, com o passar do tempo e também, estudando acerca do mercado financeiro, é natural ir migrando de um Perfil a outro – por isso importante um estudo frequente.

E não se esqueça:

“O conhecimento é uma ferramenta, e como todas as ferramentas, o seu impacto está nas mãos de quem o usa”. – Dan Brown

Um grande abraço e até a próxima!

Samantha Thielke

Samantha@experato.com.br

61 MIL PONTOS SERÁ A MÍNIMA DO IBOV?

30 de março de 2020 às 21:04 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento.

Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram.

Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Ibovespa com queda de 32,80% no ano e 25,40% no mês …

No último artigo comentei sobre a rapidez da queda que tivemos no mercado de ações assim como a quantidade de Circuit Breakers em número de 8 de um total de 20 desde o ano de 1967. Só no mês o Ibovespa cai 25,40% e dada essa queda brusca, os investidores começam a buscar por pontos de entrada e de compras, já que são em quedas como essas que um investimento aumenta a margem de segurança. Da máxima de 119.593 pontos para a mínima de 61.690 pontos, foram -48,42% de queda, onde muitos ativos começaram a ficar cotados abaixo do próprio valor patrimonial – tal qual Will e Breno comentaram aqui nesse report.

Nessas duas últimas semanas, aprendemos algumas lições para nunca mais esquecermos, onde a principal delas é sobreviver no mercado. Tivemos nessas duas semanas uma grande quantidade de fundos de ações quebrando, onde alguns fundos podem começar a pedir música no Fantástico e outros fundos inclusive terão que socializar as perdas, isso significa que não bastasse os cotistas perderem dinheiro, eles terão que colocar dinheiro para repor as perdas. Sendo assim, não alavancar (usar o que se possui de patrimônio para dar como garantia para comprar um valor maior de ações) é a maior lição que vimos nesse mês.

…queda no mês, mas na semana alta de 19,02%

Do ponto mais baixo atingido na semana passada, de 61690 pontos para o momento atual de 73428 pontos, tivemos 19,02% de alta. Dificilmente um investidor irá pegar o ponto mais baixo do mercado, mas o que penso é quando um ativo cai demais, por exemplo, dando alguns sinais como ser negociado a um valor de mercado abaixo do valor patrimonial, um pagamento de dividendos acima da média, o caixa gerado no negócio, não ter nenhuma ou pouca dívida, entre outras métricas, podem ser sinais que ajudem na compra desses ativos, somada a queda no preço.

Investidor pessoa física aumentando o investimento nessa queda? 

Um dos pontos interessantes nesse momento de queda do Ibovespa, é que ao contrário dos anos anteriores em que o investidor pessoa física retirava seu capital investido do mercado de ações quando esse sofria com quedas nas cotações, nesse período de março, o investidor pessoa física direcionou mais grana para o investimento em ações, como podemos ver abaixo na captação de +R$ 5,8 bilhões em ações. Dada a queda dos juros e a diminuição do retorno da renda fixa, no ano o resgate está em R$ 15,3 bilhões e no mês R$ 5,3 bilhões.

Podemos ver abaixo os dados da Anbima:

Chegamos a um fundo no Ibovespa de 61 mil pontos?

Essa é a pergunta de US$ 1 milhão! Acredito que todos estão querendo encontrar um fundo e isso é extremamente difícil para todos os investidores, incluindo os mais experientes.

Minha opinião: Prefiro usar a análise fundamentalista que acredito ter mais solidez na seleção de empresas, porém o uso da análise técnica para verificar como está o momento de determinado ativo, é algo que complementa. O Ibovespa testou apenas uma vez o patamar de 61 mil pontos e nesse domingo, 29-03-2020, Trump postergou a reabertura da economia americana para até 30 de abril. Isso tende a trazer mais pressão para os mercados financeiros, acredito que poderemos testar novamente o patamar de 61 mil pontos e teremos mais oportunidades. Paciência é o nome do jogo no momento atual, essa crise tem começo, meio e fim e quem sobreviver a ela como investidor, irá colher os frutos em um horizonte de 2-5 anos, podendo mais do que dobrar de capital, caso invista em ótimas empresas.

Olhando do ponto de vista mais fundamentalista, que é o que mais acredito e foco na hora de investir, o mercado já está abaixo da média de negociação. Negociamos a cerca de 8x lucros e mesmo que tenhamos uma queda de 25% a 30% ainda estaríamos abaixo da média.

O mercado de ações tende a descontar nos preços eventos que acontecerão, normalmente 6-8 meses à frente e muitos analistas comentam que 70-80% desses eventos já estariam no preço e o potencial de alta quando a crise passar seria muito maior do que o patamar que já caímos até o momento.

Ganhando com a queda? 

Muitos já têm ciência, mas para aqueles que ainda não, saibam que é possível ganhar com a queda das ações, vendendo-as e recomprando por um patamar mais baixo do que a venda foi realizada. Para isso basta solicitar empréstimo de um banco de títulos chamado Banco de Títulos CBLC, onde um investidor pode alugar ações para vendê-las no mercado – quem aluga suas ações normalmente são fundos de pensão ou investidor que tem um horizonte de prazo maior de investimento e que não quer se desfazer da sua posição, então ele disponibiliza as ações que possui para alugar para outro investidor que acredita que as ações irão cair no curto prazo, recebendo um valor, uma taxa acordada.

Na tabela abaixo eu trago quais são as ações que têm o maior número total de ações que estão vendidas comparativamente ao seu float (o total de número de ações que a empresa tem, disponíveis no mercado) .Alguns números impressionam:

  • Randon com 18,44% do float vendido. Seriam necessário cerca de 3,5 dias de giro médio para fechar essas vendas.
  • Engie, demoraria 6,8 dias para o fechamento dessas posições de venda.
  • De modo geral, notamos empresas de setores como o varejista, industrial, construtoras e empresas alavancadas, com bastante dívida como as que mais possuem ações vendidas no mercado.

Importante observar que empresas que possuem um grande número de ações vendidas no mercado, podem sofrer com o short squeezeou seja, caso a empresa tenha uma alta, esses investidores poderão ter prejuízo, obrigando-os a recomprar por preços acima do que venderam, potencializando uma possível alta dessas ações.

Resumo

  • Momento é de cautela, não inventar nessa hora, pensar muito, ser racional, não  usar a alavancagem é o ideal;
  • Tivemos vários fundos alavancados quebrando nesse mês e alguns até solicitando aportes de seus cotistas;
  • Foque naquilo que pode controlar: empresas rentáveis, que tenham lucro e no mínimo com baixa dívida;
  • Investidor pessoa física, ao contrário de anos anteriores, vem comprando nessa queda e os investimentos em fundos de ações aumentaram nesse período, o que é algo correto de investir;
  • Tivemos o maior pacote de incentivos da história, cerca de US$ 5 trilhões e acredito que ao contrário de 2008, os Governos não deixarão nenhuma empresa quebrar;
  • Como sempre digo aqui, diversifique, não coloque todo o seu capital no mercado de ações;
  • Estude, leia e tenha paciência;
  • Sairemos dessa crise mais cedo ou mais, tudo na vida é passageiro e o mercado de ações é assim mesmo, cíclico. Cabe ao investidor aproveitar-se de momentos assim!

Desejo coisas boas, para você que está lendo esse artigo e para sua família. Cuidem-se!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/03/30/61-mil-pontos-sera-a-minima-do-ibovespa/

PERFIL DE INVESTIDOR IV: MODERADO – Quais as melhores opções de Investimentos?

24 de março de 2020 às 17:40 Por Postado em Blog da Samantha

Dando sequência à nossa série dos Melhores Investimentos para os principais Perfis de Investidores, hoje vamos falar acerca do Perfil MODERADO.

Diferente do Conservador, o Investidor MODERADO tolera um pouco mais de risco e, nesse aspecto, algumas opções de Investimentos são interessantes, tais como:

Fundos Multimercados:

Essa modalidade de Fundos de Investimentos diversifica em vários ativos, não exigindo uma porcentagem mínima de concentração de ativos, como veremos no Fundo de Ações, por exemplo.

Referidos Fundos possuem ativos em: renda fixa, ações, moedas, dentre outros. Por contar com diferentes ativos, possibilita ao Gestor profissional trabalhar com maior liberdade suas estratégias, conforme variação e oscilação do mercado. Nesse viés, esses Fundos são bastante atrativos, justamente por contar com flexibilidade, característica bastante peculiar dos multimercados. Claro que, por conta disso, podem existir eventuais riscos.

RENTABILIDADE:

Referente à rentabilidade há uma variedade muito grande, não existindo um padrão fixo, dependendo justamente da variação de ativos que podem ser escolhidos pelo Gestor.

Fundos de Investimentos em Ações:

Os Fundos de Ações devem investir pelo menos 67% do seu patrimônio em ações. Já o restante é distribuído em diferentes ativos, conforme critério do Gestor.

Essa modalidade de Fundo é recomendada para perfil Moderado/ Agressivo, com o objetivo de longo prazo.

Debêntures:

As Debêntures são títulos de crédito emitidos por empresas. Quem as compra empresta dinheiro para que estas expandam.

Elas se diferem das Ações, pois conforme cita o INFOMONEY, quem investe em uma debênture sabe desde o início o tempo em que o dinheiro precisará estar aplicado, bem como, quanto receberá de juros findo o prazo da aplicação. Por essas especificidades são classificadas como renda fixa.

Outra diferença é que as debêntures são papéis de dívidas das empresas, já as ações correspondem a frações do capital da empresa. Portanto, não envolvem a venda de parte do capital, como ocorre com as Ações.

Classificações

As Debêntures possuem classificação referente a modalidades de títulos emitidos, podendo ser:

– Debêntures não Conversíveis ou Simples: é a mais comum, na qual a rentabilidade pode ser pré ou pós-fixada- dependendo do título, não podendo ser convertidas em ações da companhia emissora. O recebimento da rentabilidade se dá ao final na conta da corretora ou banco escolhido.

– Debêntures Conversíveis: esse tipo de debênture findo determinado prazo, ou período estipulado, pode ser convertido em ações.

-Debêntures Permutáveis: nessa modalidade os ganhos podem ser convertidos em ações de qualquer empresa.

Além dessas modalidades, existe ainda as Debêntures Incentivadas. Nestas os recursos captados pelas empresas são utilizados com intuito de financiar projetos em infraestrutura (normalmente usadas por empresas que prestam serviços ao governo) e, possui como incentivo atrativo a isenção de Imposto de Renda.

Nesse sentido, os Fundos Multimercados, Fundos em Ações e as Debêntures são alternativas de DIVERSIFICAÇÃO para o Investidor Moderado, tecla bastante “batida”, mas imprescindível para o sucesso de uma carteira.

Carta para os cotistas de nossos clubes de investimentos

24 de março de 2020 às 16:27 Por Postado em Blog do Eliseu

Sabemos que o momento é provavelmente único na história mundial, trazendo incertezas e isso influencia nos investimentos. Nos últimos anos criamos alguma gordura, principalmente nos últimos três anos.

No ano passado nossos dois Clubes subiram 68% e 70% respectivamente contra 31% do Ibovespa. Precisamos um percentual menor que o atingido ano passado e em outros 2 anos anteriores para voltar ao patamar mais alto que atingimos.

Muitos cotistas aportaram quando o mercado subia e comentamos sempre que o melhor momento para aportar é quando der uma “dor de barriga grande”, pois esse é a melhor indicação de quão barato começa a estar um investimento.

Em momentos como o atual muitos agentes atuam de modo emocional, não importando momentaneamente quanto vale um negócio, o patrimônio que ele tem, a marca, a credibilidade, a qualidade do produto.

Investir em ações é assim, é ter uma parcela de uma ação, de uma participação de uma empresa e a maneira mais correta é investir em empresas que tenham histórico de lucros constantes e recorrentes.

Já passamos por outras crises, eu passei por 2008 e outras e o mundo não acabou. Foram necessários ajustes, o que é normal em momentos como esses.

Existe uma parábola do senhor mercado (você pode ver aqui: http://barganhasdabolsa.blogspot.com/2015/03/a-parabola-do-sr-mercado-e-como-tirar.html) que trata o mercado financeiro como alguém bipolar, que oscila do otimismo extremo para o pessimismo extremo.

Todo dia o Sr. Mercado vem com uma oferta para as suas participações nas empresas que tens  (ações compradas no mercado via Clubes ou fundos também) e aí ele por ser bipolar, as vezes oferece um preço pela sua participação mais alta, achando que as empresas vão vender muito (tivemos isso no início dos anos 2000) ou muito baixo (tivemos isso em 2008 e agora novamente, momento similar) e cabe ao investidor decidir o que fazer.

Isso acontece no mercado acionário, no mercado de imóveis também. Sim, isso ocorre no mercado imóveis, mas não de maneira diária.

O que você faz quando um imóvel avaliado em R$ 1 milhão, alguém diz que quer pagar R$ 700 mil ? Você simplesmente espera melhor condição para vender e não fica todo dia conferindo o preço do imóvel.

Com ações deve ser assim também. Muitas vezes vender em uma baixa, pode parecer mais confortável psicologicamente, mas não é o correto. Em um momento de queda, você quer vender, quando o ideal seria comprar (sempre de acordo com seu perfil).

A queda atual já aconteceu, foi muito rápida, como você vai ver posteriormente no texto e muita coisa já está nos preços das ações (acredito que 70-80% do que pode acontecer já estão incluídos nos preços atuais) e podemos ter uma alta probabilidade de subir, bem menor que a de queda, porque grande parte já ocorreu.

Empresas que estamos investindo

Procuramos investir em ações que tenham lucros crescentes e recorrentes. Vemos atualmente os bancos como muito baratos. As maiores posições que temos são Banco do Brasil, Vale, Banrisul, Copel, Sanepar, Tenda, Enauta, que representam a maior parte das ações que temos.

Banco do Brasil: hoje é negociada a 3,8x lucros aproximadamente, contra uma média de 7,5x lucros anuais. Quem está comprando a ação hoje tem cerca de 10% de dividendos. O Banco tem lucro e está negociado a 70% do valor que tem de patrimônio líquido. Isso é como comprar algo com R$ 0,70 e levar R$ 1,00.

Vale: Empresa gerando aproximadamente 13% de dividendos anuais e gerando um fluxo de caixa livre de 21%. O preço do minério de ferro continua aquecido e a China já está voltando com atividades normalizadas.

Banrisul: o Banco está sendo negociado a 3,5x lucros anuais contra uma média de 7x lucros. Quanto ao patrimônio líquido está negociado a 63% de 100% que tem de patrimônio líquido. Pagando dividendos de cercade 10%, onde o Governo do Estado é o maior beneficiário e vai precisar desses dividendos.

Enauta: Empresa da área de petróleo que tem 75% do valor de mercado em caixa e negociada a 72% do patrimônio líquido (de 100%). Tem caixa para esperar a melhora do petróleo.

Tenda: empresa tem 20% do valor de mercado em caixa e o lucro aumentou 35% no último trimestre. Negociada a 6x lucros anuais.

Copel: Empresa de Energia do Paraná. Negocia abaixo do patrimônio líquido, 72% de 100% que tem em patrimônio. Pagará cerca de 7% em dividendos e planeja a venda de ativos não-estratégicos que pode destravar valor futuro.

Abaixo gráfico de dois bancos, entre eles o Banco do Brasil, mostrando que ele negocia a 3,8x lucros anuais, o que é extremamente baixo. No ápice chegou a negociar a 12x lucros anuais o que é 215% mais do que está sendo negociado hoje.

O que ocorreu em crises anteriores

Crise Subprime 2008 – queda de -45,12% – recuperação de 76% em 150 dias. Saldo final: – 3,4%

Greve dos caminhoneiros – maio-2018 – queda de -20,24% em 25 dias.  165 dias depois a bolsa já tinha subido 40%! Saldo final: +11.7%

Joesley Day – maio de 2017 – queda de -12,17%. 86 dias depois 26% de recuperação. Saldo final: +11,6%

Mercado é cíclico e tende a voltar, caso o investimento seja em boas empresas. Como sempre falo, o melhor momento de investir é quando dá “uma dor de barriga na gente”. Investir em períodos de alta pode ser mais confortável, mas não é o que dá grana.

Grandes investidores começam a movimentar-se 

Todos sabemos que o momento atual é um momento único na história da humanidade tanto pela questão social quanto na parte de investimentos. Nunca passamos por algo parecido e certamente o momento atual irá nos marcar profundamente, gerando mudanças na forma de pensarmos e investirmos.

O objetivo aqui é mostrar os desdobramentos da crise e quão marcante ela está sendo na história da humanidade. Começo mencionando sobre o momento que passa o S&P500 (Ìndice de ações dos EUA) e o gráfico abaixo que mostra a velocidade de queda dessa Crise Corona, mostrando que a queda de 20% desde o pico atingido foi mais rápida do que as crises de 1929 e 2008, como pode ser visto abaixo:

Já na Bolsa Brasileira, tivemos o oitavo circuit breaker de um total de 24 desde que nosso Ìndice de ações, o Ibovespa foi criado em 1967 (dia 19 de março também tivemos um e que não está no gráfico, por ser muito recente). Ou seja, em apenas 30 dias, tivemos um terço das maiores quedas de 53 anos!!! :O

Dada a velocidade da queda e da intensidade, o que estão fazendo os grandes investidores

Luiz Barsi, conhecido como o velhinho bilionário da bolsa, que tinha quae R$ 1 bilhão de dólares está comprando. Um dos maiores Fundos do Brasil, o Verde e o genial Luis Stuhlberger, está comprando e tem a maior posição em bolsa de valores no seu fundo multimercado desde 2010.

Grandes fundos como o Dynamo, estão reabrindo para captação e o mesmo em apenas um dia captou R$ 300 milhões.

Outro grande nome brasileiro, Florian Bartunek que administra R$12 bilhões, fala que essa crise tem início, meio e fim! (link para matéria completa)

Bill Miller, o legendário ‘value investor’ que fez carreira na Legg Mason, diz que o momento atual é uma das “maiores oportunidades de compra da vida! E olha que ele tem 70 anos de idade! (link para matéria completa).

Não somente eles mas as empresas vêm recomprando as próprias ações, mostrando que as ações começam a estar em um ponto interessante de compra. Essas recompras intensificam-se em momentos como o atual.

A tendência é que mais empresas abram o período de recompras, dada a atratividade atual.

O que esses investidores podem estar vendo

Acredito que é interessante pensar o que podem estar vendo o que os grandes investidores estão fazendo. Para tomarmos uma decisão da melhor maneira possível é preciso reunir informações que facilitem essa tomada.

1) Gráfico Preço-Lucro: hoje negociamos a 9,76x lucros anuais, patamar parecido com a recessão do Período Dilma, que o PIB caiu 10% aproximadamente, ou seja, como sempre falo a bolsa e seus agentes tentam antecipar movimentos, acredito que de 6-8 meses à frente. Ainda estamos um pouco acima da crise de 2008, como pode ser visto abaixo:

Ressalto que em 2002 o Preço-Lucro estava mais baixo, porém a renda fixa estava em 40% ao ano. Sendo assim, a renda fixa com garantia, tinha Preço-Lucro de 2,5 (100% do capital dividido por 40% de retorno anual), possuindo um risco muito maior do que o momento atual de investir-se em renda variável. No momento, a renda fixa tem retorno de 3,75% ao ano, o que torna mais fácil um investimento em ações obter um retorno acima, no longo prazo.

Um fato cabe ser ressaltado aqui, que é a relação entre os juros e o retorno de investimentos em ações.

Podemos fazer um exercício similar com o preço-lucro da bolsa de valores, invertendo o percentual de renda fixa e dividindo por 100, transformando em Preço-lucro, que pode nos dar uma estimativa, caso os dados mantenham-se constantes do retorno.

Hoje a Selic é de 3,75% o que nos dá um Preço-Lucro = 100 dividido por 3,75 = 26,66x. Sendo assim enquanto na renda fixa demoraria 26,66 anos para dobrar o capital, na bolsa demoraria 9,76 anos.

Claro, tudo deve manter-se constante, como o lucro das empresas. Caso o preço caia (como é o momento atual) e os lucros subam (como pode acontecer pós crise, daqui 1-2 anos) esse indicador tende a diminuir.

Benjamin Graham já dizia que o mercado de ações é maníaco depressivo, as vezes ele pode exagerar nas quedas, assim como nas altas, balançando para esses dois lados, cabendo ao investidor ser racional e aproveitar-se desses momentos que podem ser únicos na vida.

Fonte: https://comoinvestir.thecap.com.br/

Já a S&P500 ainda não chegou a níveis de 2008, porém cabe salientar que os juros chegaram a 0-0,25% ao ano, algo inimaginável até pouco tempo atrás. Um amigo que trabalha no Santander New York, me disse que antes era necessário ter no mínimo 10% do valor que alguém quer emprestado e que hoje isso já não é mais necessário, mostrando que bancos querem emprestar dinheiro e que os juros estão baixíssimos.

2) Delta entre NTN-B e Ibovespa: outro indicador interessante que eu acho é o delta, que podemos medir a diferença entre o retorno do Ibovespa e o que estão pagando as NTN-Bs (renda fixa, sem risco e com garantia do Governo). Mesmo com o maior retorno recente das NTNB-s dado o crescente nível de risco, é a maior diferença desde março de 2005. Isso quer dizer na prática que o risco para investir em ações vem dando um prêmio maior para quem o fizer.

3) Sempre esteja no mercado financeiro com maior ou menor percentual: como consultor financeiro, sempre digo para o pessoal que trabalho que o melhor momento para compras no mercado de ações é quando você estiver sentindo aquela “dor de barriga” com as ações, um sentimento emocional forte de perda momentânea e quando quase estiver decidido a vender suas ações. Investir é algo racional e de pensamento e atitudes contrárias da maioria, como podemos ver acima, onde muitos gestores e investidores profissionais estão comprando ações nesse momento em que maioria vende ou quer vender. Um dado interessante é o  que mostra que se perdermos apenas 2 dos melhores anos, o retorno cai pela metade, no estudo realizado em 23 anos de Ibovespa.

Nos investimentos, o advento de uma vacina tende a dar porrada para cima nos retornos.

4) Empresas abaixo do valor patrimonial: já começam a pipocar empresas que estão sendo negociadas abaixo do valor patrimonial. Importante verificar aquelas que não tenham dívida ou dívida baixa. Certamente algumas dessas empresas estão chamando atenção de grandes investidores.

Positividade: 

Quero encerrar esse texto com algo positivo. Certamente essa crise do Corona Vírus trará mudanças profundas em nossa maneira de pensar e investir. Provavelmente contaremos esse momento para nossos netos e bisnetos. Acredito que de tudo menos positivo, temos que tirar algo positivo e esse é o momento.

Nos investimentos, como mencionou André Jakurski, um dos maiores gestores do Brasil, essa é uma crise com início, meio e fim, ao contrário de 2008, por exemplo, que bancos estavam muito mais alavancados. Cabe a nós termos paciência e estudar bons ativos, plantando sementes para colhermos os frutos em um futuro e momentos assim facilitam isso, a compra de bons ativos com margem de segurança maior.

O gráfico que quero mostrar aqui é a do tratamento do Corona. Estamos avançando no tratamento segundo pesquisas, o que nos dá uma luz e esperança para o término mais rápido e mais benéfico para todos.

Resumo

  • momento é único e marcará gerações, tanto a parte social quanto nos investimentos;
  • temos a maior queda em termos de velocidade comparando-a com outras crises;
  • tivemos 8 circuit breakers de 24 que já existiram, o que mostra quão raro e marcante é o momento;
  • dada a queda, grandes investidores e empresas começam a recomprar ações de própria emissão;
  • taxa Selic nas mínimas, assim como Juros Americanos em 0-0,25% ao ano;
  • prêmio para investir em ações está o mais alto desde 2005, não quer dizer que não possa ficar maior;
  • se você tem caixa, vá comprando aos poucos e dividindo as compras a cada quedas. Só invista se tem perfil para isso e para longo prazo. Lembre: é nas quedas que se compra, que se aumenta posição, mesmo que isso psicologicamente não seja algo fácil;
  • sairemos dessa, mais fortes e unidos como humanidade e na parte dos investimentos, alguns que manterem a racionalidade, plantando sementes agora e esperando o tempo passar, irão colher ótimos frutos!

Desejo coisas boas, para você que está lendo esse artigo e para sua família. Cuidem-se e contem conosco!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

O QUE OS GRANDES INVESTIDORES ESTÃO FAZENDO?

22 de março de 2020 às 20:50 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento.

Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram.

Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Grandes investidores começam a movimentar-se 

Todos sabemos que o momento atual é um momento único na história da humanidade tanto pela questão social quanto na parte de investimentos. Nunca passamos por algo parecido e certamente o momento atual irá nos marcar profundamente, gerando mudanças na forma de pensarmos e investirmos.

O objetivo aqui é mostrar os desdobramentos da crise e quão marcante ela está sendo na história da humanidade. Começo mencionando sobre o momento que passa o S&P500 (Ìndice de ações dos EUA) e o gráfico abaixo que mostra a velocidade de queda dessa Crise Corona, mostrando que a queda de 20% desde o pico atingido foi mais rápida do que as crises de 1929 e 2008, como pode ser visto abaixo:

Já na Bolsa Brasileira, tivemos o oitavo circuit breaker de um total de 24 desde que nosso Ìndice de ações, o Ibovespa foi criado em 1967 (dia 19 de março também tivemos um e que não está no gráfico, por ser muito recente). Ou seja, em apenas 30 dias, tivemos um terço das maiores quedas de 53 anos!!! :O

Dada a velocidade da queda e da intensidade, o que estão fazendo os grandes investidores

Luiz Barsi, conhecido como o velhinho bilionário da bolsa, que tinha quae R$ 1 bilhão de dólares está comprando. Um dos maiores Fundos do Brasil, o Verde e o genial Luis Stuhlberger, está comprando e tem a maior posição em bolsa de valores no seu fundo multimercado desde 2010.

Grandes fundos como o Dynamo, estão reabrindo para captação e o mesmo em apenas um dia captou R$ 300 milhões.

Outro grande nome brasileiro, Florian Bartunek que administra R$12 bilhões, fala que essa crise tem início, meio e fim! (link para matéria completa)

Bill Miller, o legendário ‘value investor’ que fez carreira na Legg Mason, diz que o momento atual é uma das “maiores oportunidades de compra da vida! E olha que ele tem 70 anos de idade! (link para matéria completa).

Não somente eles mas as empresas vêm recomprando as próprias ações, mostrando que as ações começam a estar em um ponto interessante de compra. Essas recompras intensificam-se em momentos como o atual.

A tendência é que mais empresas abram o período de recompras, dada a atratividade atual.

O que esses investidores podem estar vendo

Acredito que é interessante pensar o que podem estar vendo o que os grandes investidores estão fazendo. Para tomarmos uma decisão da melhor maneira possível é preciso reunir informações que facilitem essa tomada.

1) Gráfico Preço-Lucro: hoje negociamos a 9,76x lucros anuais, patamar parecido com a recessão do Período Dilma, que o PIB caiu 10% aproximadamente, ou seja, como sempre falo a bolsa e seus agentes tentam antecipar movimentos, acredito que de 6-8 meses à frente. Ainda estamos um pouco acima da crise de 2008, como pode ser visto abaixo:

Um fato cabe ser ressaltado aqui, que é a relação entre os juros e o retorno de investimentos em ações. Podemos fazer um exercício similar com o preço-lucro da bolsa de valores, invertendo o percentual de renda fixa e dividindo por 100, transformando em Preço-lucro, que pode nos dar uma estimativa, caso os dados mantenham-se constantes do retorno. Hoje a Selic é de 3,75% o que nos dá um Preço-Lucro = 100 dividido por 3,75 = 26,66x. Sendo assim enquanto na renda fixa demoraria 26,66 anos para dobrar o capital, na bolsa demoraria 9,76 anos. Claro, tudo deve manter-se constante, como o lucro das empresas. Caso o preço caia (como é o momento atual) e os lucros subam (como pode acontecer pós crise, daqui 1-2 anos) esse indicador tende a diminuir.

Benjamin Graham já dizia que o mercado de ações é maníaco depressivo, as vezes ele pode exagerar nas quedas, assim como nas altas, balançando para esses dois lados, cabendo ao investidor ser racional e aproveitar-se desses momentos que podem ser únicos na vida.

Fonte: https://comoinvestir.thecap.com.br/

Já a S&P500 ainda não chegou a níveis de 2008, porém cabe salientar que os juros chegaram a 0-0,25% ao ano, algo inimaginável até pouco tempo atrás. Um amigo que trabalha no Santander New York, me disse que antes era necessário ter no mínimo 10% do valor que alguém quer emprestado e que hoje isso já não é mais necessário, mostrando que bancos querem emprestar dinheiro e que os juros estão baixíssimos.

2) Delta entre NTN-B e Ibovespa: outro indicador interessante que eu acho é o delta, que podemos medir a diferença entre o retorno do Ibovespa e o que estão pagando as NTN-Bs. Mesmo com o maior retorno recente das NTNB-s dado o crescente nível de risco, é a maior diferença desde março de 2005. Isso quer dizer na prática que o risco para investir em ações vem dando um prêmio para quem o fizer.

3) Sempre esteja no mercado financeiro com maior ou menor percentual: como consultor financeiro, sempre digo para o pessoal que trabalho que o melhor momento para compras no mercado de ações é quando você estiver sentindo aquela “dor de barriga” com as ações, um sentimento emocional forte de perda momentânea e quando quase estiver decidido a vender suas ações. Investir é algo racional e de pensamento e atitudes contrárias da maioria, como podemos ver acima, onde muitos gestores e investidores profissionais estão comprando ações nesse momento em que maioria vende ou quer vender. Um dado interessante é o  que mostra que se perdermos apenas 2 dos melhores anos, o retorno cai pela metade, no estudo realizado em 23 anos de Ibovespa.

Nos investimentos, o advento de uma vacina tende a dar porrada para cima nos retornos.

4) Empresas abaixo do valor patrimonial: já começam a pipocar empresas que estão sendo negociadas abaixo do valor patrimonial. Importante verificar aquelas que não tenham dívida ou dívida baixa. Certamente algumas dessas empresas estão chamando atenção de grandes investidores.

Positividade: 

Quero encerrar esse texto com algo positivo. Certamente essa crise do Corona Vírus trará mudanças profundas em nossa maneira de pensar e investir. Provavelmente contaremos esse momento para nossos netos e bisnetos. Acredito que de tudo menos positivo, temos que tirar algo positivo e esse é o momento.

Nos investimentos, como mencionou André Jakurski, um dos maiores gestores do Brasil, essa é uma crise com início, meio e fim, ao contrário de 2008, por exemplo, que bancos estavam muito mais alavancados. Cabe a nós termos paciência e estudar bons ativos, plantando sementes para colhermos os frutos em um futuro e momentos assim facilitam isso, a compra de bons ativos com margem de segurança maior.

O gráfico que quero mostrar aqui é a do tratamento do Corona. Estamos avançando no tratamento segundo pesquisas, o que nos dá uma luz e esperança para o término mais rápido e mais benéfico para todos.

Resumo

  • momento é único e marcará gerações, tanto a parte social quanto nos investimentos;
  • temos a maior queda em termos de velocidade comparando-a com outras crises;
  • tivemos 8 circuit breakers de 24 que já existiram, o que mostra quão raro e marcante é o momento;
  • dada a queda, grandes investidores e empresas começam a recomprar ações de própria emissão;
  • taxa Selic nas mínimas, assim como Juros Americanos em 0-0,25% ao ano;
  • prêmio para investir em ações está o mais alto desde 2005, não quer dizer que não possa ficar maior;
  • se você tem caixa, vá comprando aos poucos e dividindo as compras a cada quedas. Só invista se tem perfil para isso e para longo prazo. Lembre: é nas quedas que se compra, que se aumenta posição, mesmo que isso psicologicamente não seja algo fácil;
  • sairemos dessa, mais fortes e unidos como humanidade e na parte dos investimentos, alguns que manterem a racionalidade, plantando sementes agora e esperando o tempo passar, irão colher ótimos frutos!

Desejo coisas boas, para você que está lendo esse artigo e para sua família. Cuidem-se!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/03/22/o-que-grandes-investidores-estao-fazendo-e-o-momento-atual/

Petróleo despenca, o que será das empresas do setor?

16 de março de 2020 às 20:42 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Queda forte no preço do petróleo

Semana passada tivemos um dos períodos mais voláteis da história de nosso mercado. Certamente olharemos daqui uns anos para a semana que passamos e veremos quanto ele foi incomum. No final de semana a OPEP, entidade que reúne os maiores produtores de petróleo do mundo, praticamente entrou em colapso após a Rússia não concordar em diminuir a oferta de 1,5 milhão de barris. Como consequência a Arábia Saudita acabou optando por aumentar a oferta, para aproximadamente 14 milhões barris, além de dar um  desconto de US$ 6 a US$ 7 para os chineses. Isso ocorreu com os mercados fechados e no primeiro dia útil seguinte de negociação tivemos uma queda de 22% na cotação da commodity. 

Esses acontecimentos ocorreram em momento muito ruim, pois já tínhamos o Coronavírus que tende a dar um choque de 30% de queda na demanda, fechamento da Itália, New York, Companhias Aéreas como Alitália paradas, foram o estopim para levar o preço do barril para os cerca de US$ 35.

Somados a esses fatos temos quatro fatores importantes no setor e que merecem cautela: queda na demanda, aumento da oferta, início de mudança da matriz energética e a alta dívida de empresas do setor, principalmente as empresas de Shale dos Estados Unidos. O preço de equilíbrio para esses produtores é em torno de US$ 40-45 e com o barril abaixo desse patamar, certamente muitos irão quebrar. Esse setor é muito dependente de crédito e é alavancado, sendo assim, há um risco real de quebradeira no setor, o que traz algo positivo, pois com menos produtores, menor a oferta e aí o preço da commodity poderá voltar a subir.

Débito é um dos problemas que citei acima, sendo que apenas o setor de óleo e gás americano tem cerca de US$ 86 bilhões de vencimentos para os próximos 4 anos segundo a Moody´s e a maioria desse débito é considerado junk bond. 75% dessa dívida tem vencimento para os próximos 2 anos e com a queda do preço e o mercado de crédito encurtando, muitas companhias não conseguirão refinanciamento ou prolongamento da dívida.

Países que podem sofrer mais

Com esse preço, fica difícil ver algum ganhador, pois os maiores países produtores irão perder dinheiro, como por exemplo, a Rússia, cujo orçamento é baseado em um preço de US$ 40 por barril. Alguns países do Golfo, produzem com um custo mais baixo, entre US$ 2 a US$6 por barril, países esses como Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, mas devido ao alto gasto governamental de incentivos e subsídios para a população, eles precisam de um preço de cerca de US$ 70 ou mais por barril para atingir o equilíbrio dos seus orçamentos.

Países dependentes do petróleo que sofreram anos de conflito, serão os que mais perderão, como por exemplo, Irã, Iraque, Líbia e Venezuela. Mesmo os Estados Unidos e suas empresas de shale, não passaram incólumes desse evento, sendo que recentemente o presidente americano Trump, ofereceu subsídios e vantagens para esses produtores.

breaking point de alguns países produtores de petróleo é em média US$ 50-55 e o patamar atual deve trazer um grande déficit para esses países. Segue abaixo o valor que é necessário estar o barril do petróleo para um ponto de equilíbrio:

Países que podem ganhar com a queda do preço

Países importadores de óleo como China, Índia e Alemanha pode ter queda no custo de energia, assim como consumidores em geral, beneficiados em geral da queda de preço de óleo e do declínio de preços do gás. Setores que necessitam de petróleo, como o petroquímico, fertilizantes, empresas de logística serão os setores mais beneficiados.

E as empresas do Brasil, o que irá acontecer?

A maioria das empresas brasileiras faz de maneira recorrente uma proteção contra a queda do preço do petróleo, sendo que ficarão protegidas por um período de tempo dessa queda.

A Petrorio tem um hedge nos US$ 65-67 com vencimentos de um trimestre e meio. O custo de produção da Petrorio é de US$ 17-19, aumentando um pouco, se considerados os royalties.

Já a Enauta está com hedge de US$ 56 por barril, sendo essa proteção de 25% da produção e com duração de um ano. O custo de produção foi de US$ 16,6 nesse último quarto trimestre.

Petrobrás teve um custo de produção de US$ 9,60, sendo que esse valor é o valor médio, já que o custo é de US$ 5,60 no pré-sal, US$ 12,50 em águas profundas, US$ 18,90 em terra e US$ 30,3 em águas rasas.

Certamente as empresas brasileiras irão sofrer com a queda do preço de petróleo, sendo que a mais prejudicada deve ser a Petrorio, que mesmo com aquisições que antes tinham altas taxas de retorno, tem uma dívida alta e em dólar. A dívida hoje é de R$ 1,5 bilhão e é fruto dessas aquisições. A Empresa que menos sofrerá é a Petrobrás, que como vimos tem um custo de US$ 5,60 no pré-sal, perdendo dinheiro apenas em águas rasas, caso o petróleo baixe dos US$ 30,00.

Uma notícia de uma hora e que saiu no momento que escrevo esse artigo é que a Arábia Saudita baixou o preço para os compradores da Rússia para US$ 25,00, trazendo mais pressão para o setor.

Resumo

  • Rússia não acordou em diminuir a produção de 1,5 milhão de barris, Arábia Saudita não gostou e resolveu aumentar produção de cerca de 2 milhões de barris, além de dar um desconto de US$ 6-7 para os chineses;
  • Com o não acordo entre a OPEP, aumentam incertezas;
  • Coronavírus, diminuição na demanda e aumento da oferta fizeram preço do petróleo despencar;
  • empresas têm proteção contra a queda, por uns 3-4 meses e o problema do preço é após esses vencimentos de hedge;
  • diversificação na carteira de investimentos é o melhor para momentos como esse.

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

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FONTE: https://bugg.com.br/2020/03/16/precos-do-petroleo-despencam-o-que-sera-das-empresas-do-setor/