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Entenda o que é Rating, grau de investimento e grau especulativo

09 de julho de 2018 às 14:06 Por Postado em Central do Investidor

 

Uma das maneiras mais comuns de uma empresa ou um governo conseguir mais recursos é através da emissão e venda de títulos no mercado financeiro. Ao vender um título, o emissor se compromete a devolver o valor do mesmo com juros após um determinado período. Por outro lado, o investidor compra o título na expectativa de obter um retorno financeiro dentro do prazo contratado. Para avaliar o investimento, naquele título pelas condições oferecidas (prazo e taxa de juros) o investidor verifica o rating, a classificação de risco, que é a nota dada para uma empresa, um país, um título ou até mesmo uma operação financeira e mede a possibilidade do emissor do título não quitar o mesmo dentro do prazo, pagando com atraso ou dando um “calote” na dívida.

O rating é utilizado pelo investidor para que o mesmo decida se vale a pena correr o risco de aquisição do título ou se os juros oferecidos são atraentes, mesmo nos casos de possibilidade de atraso ou inadimplência do emissor. Quanto pior a avaliação, mais altas devem ser as taxas de juros para que os títulos se tornem atrativos. Na situação inversa, quanto melhor a avaliação, menores tendem a ser os juros oferecidos, no entanto, como o emissor dos títulos não tem um histórico que indique risco isto torna o investimento atrativo, especialmente a médio e longo prazo.

Esta avaliação é feita por agências de classificação de risco. As norte-americanas Moody’s e Standard & Poor’s e a francesa Fitch são as principais agências e controlam a maior parte do mercado global de classificação de risco, formando o chamado The Big Three (As Três Grandes). As agências são contratadas pelas empresas e governos interessados na classificação de seus títulos.

Cada agência possui uma escala própria de classificação, geralmente utilizando-se das letras A B, C e D, seguidas por números ou sinais matemáticos (+ ou -). Quanto maior a probabilidade de inadimplência ou moratória por parte do emissor do título, menor será a sua nota e pior a sua classificação. Na escala da Standard & Poor’s e da Fitch a maior nota é o AAA e a pior é o D. Já na Moody’s a melhor classificação é Aaa e a pior é C.

Na avaliação de um país são considerados fatores como o índice de reservas internacionais, solidez da economia, estabilidade política e distribuição de renda. Na avaliação de empresas são feitas análises de balanço e fluxo de caixa e projeções estatísticas. Também são avaliados fatores como ambiente externo, questões jurídicas e percepções gerais sobre o emissor da dívida.

A avaliação considera também as garantias e proteções contra riscos oferecidas pelo emissor bem como o fator tempo: quanto maior o período de duração do título, maior o período de imprevisibilidade. Por isso, uma empresa pode ter diferentes títulos com diferentes avaliações, em função das garantias e prazos ofertados, entre outros fatores.

O rating é dividido em dois grupos: o grau de investimento (investment grade) e o grau especulativo (speculative grade). As notas acima de BBB- ou Baa3 concedem o grau de investimento, enquanto as notas abaixo destas concedem um grau especulativo.

O grau de investimento é concedido a empresas ou governo que apresentam um baixíssimo risco de moratória e, portanto, são um porto seguro para o investidor. Já o grau especulativo oferece um risco maior de inadimplência ou moratória e por isso costumam oferecer taxas mais altas, como contrapartida ao risco.

Alguns fundos de investimento só podem realizar operações com empresas e países que tenham o grau de investimento. Por isso, obter esta classificação abre oportunidades de captar mais recursos e em melhores condições.

As agências de classificação de risco têm sofrido muitas críticas nos últimos anos. A primeira delas se refere ao fato de que as agências são pagas pelos próprios avaliados, que podem não autorizar a publicação das notas para o público. No entanto, a classificação pode ser revista e alterada para cima (upgrade) ou para baixo (downgrade). Outra crítica se refere a classificação como grau de investidor de títulos e empresas que vieram à falência em meio a denúncias de fraudes contábeis e fiscais como os casos da Enron (em 2001) e os títulos subprime (em 2007). Além disso, a concentração de mercado das Big Three é vista com desconfiança e criticada por autoridade monetárias em todo o mundo.

Para você, investidor, que busca as melhores opções, com os melhores ratings, ou prefere se arriscar em títulos com grau especulativo, procure um assessor de investimentos ou entre em contato com a Central de Investidor e receba informações atualizadas e orientações precisas para obter o melhor retorno para o seu investimento.

O que são Small Caps e porque vale a pena investir

04 de julho de 2018 às 14:00 Por Postado em Central do Investidor

 

Ao pensar em investir em ações, o nome de algumas empresas imediatamente vem à mente como Petrobras, AMBEV, Vale e Itaú. Mas há um conjunto de empresas com ações na Bolsa que é menos procurado e apresenta ótimos potenciais de ganho. São as chamadas small caps, ações de empresas com menor valor de mercado ou que estão presentes a pouco tempo na Bolsa de Valores. Também são conhecidas como ações de terceira linha. Não se deixe enganar pelo nome: são ações de empresas conhecidas, estáveis e com bom potencial de ganho.

Entre as small caps, estão empresas como Magazine Luiza, CVC, Gol, Multiplus, Smiles e Alpargatas. Apesar de terem uma capitalização de mercado menor que o de empresas como as já citadas Petrobras e Vale, por exemplo (conhecidas como blue chips), estas empresas são líderes ou têm uma fatia de mercado significativa em seus respectivos segmentos e costumam apresentar um ótimo retorno aos investidores.

O Índice Small Caps, ou índice SMLL, é utilizado para medir o desempenho deste tipo de ação. Assim como o Índice Bovespa, o Ibovespa, o SMLL é uma carteira teórica de ativos, neste caso composta pelas ações de menor capitalização. Para se ter uma ideia do potencial de ganho das small caps, em 2017 o SMLL teve rentabilidade nominal (sem descontar a inflação) de 49,37% enquanto a rentabilidade nominal do Ibovespa foi de 26,86% no mesmo período.

Além do potencial de valorização, as small caps têm preços mais acessíveis, sendo possível adquirir um lote padrão com menos dinheiro do que um lote padrão de uma blue chip. Os procedimentos de compra e venda são os mesmos para ambas (small caps e blue chips) no entanto, não é possível investir em small caps investindo no índice SMLL. Se você estiver interessado em investir neste índice, deve procurar um fundo de índice de ações, o chamado ETF.

Em contrapartida, este tipo de ação apresenta uma grande volatilidade por se tratarem de empresas em fase de amadurecimento ou crescimento e em segmentos, muitas vezes, ainda não consolidados. Um bom exemplo desta volatilidade é a Ser Educacional (SEER3), empresa privada de ensino que, impulsionada pela procura por ensino privado e pelo FIES (Financiamento Estudantil do governo federal), teve suas ações negociadas a R$30,00 ao final de 2014 e um ano depois viu o preço despencar para R$7,70, ou seja, uma desvalorização de 74,3%! Por isso, procure um assessor de investimentos da Central do Investidor e verifique quais as melhores opções.

Os fatores que mais exigirão atenção do investidor que optar por small caps são a baixa liquidez, as dificuldades de análise, a precificação imprecisa e a incerteza de crescimento das ações destas empresas. Mas estes obstáculos podem ser vencidos com a ajuda da Central do Investidor, onde você pode contar com assessores qualificados para que suas small caps se transformem em big profits.

As eleições se aproximando, o horizonte turbulento, como investir seu dinheiro?

15 de junho de 2018 às 15:05 Por Postado em Blog do Renan

Há alguns anos o Brasil passa por um momento bastante turbulento que têm se refletido também no retorno de nossos investimentos. Vimos a taxa de juros sair de patamares de 15%, chegando a 6,5%, levando os investidores a buscar alternativas de maior risco para alcançar as metas de retorno esperado das carteiras. Num horizonte bastante curto passaremos por mais uma eleição presidencial, governadores, senadores, deputados federal e estadual, onde teremos a chance de mudar o país e transformar o Brasil no país do presente, não mais o país do futuro. Dependendo dos resultados das eleições poderemos ver os mais diversos reflexos no mercado financeiro. Como que podemos nos preparar para estes próximos meses mais “turbulentos”?

O mercado acionário tende a antecipar os movimentos da economia e os sentimentos dos investidores. Ao ver a possibilidade de um governo mais propenso ao populismo, com menos interesse em viabilizar as reformas e mudar os rumos da economia, o mercado irá refletir estas possibilidades, provavelmente com a queda das ações, valorização do dólar perante o real, aumento do risco-país, queda dos investimentos, dentre outras possibilidades.

Neste sentido, ao olhar as perspectivas de crescimento econômico do Brasil, vemos uma queda nas expectativas do mercado, uma redução na confiança, que tem mostrado já seus reflexos no câmbio, que veio de um patamar de R$3,15, para próximo de R$3,60-R$3,70. Em momentos mais conturbados, vale a pena diversificar a carteira de investimentos, utilizando fundos de investimentos multimercados, que não possuem obrigatoriedade mínima de concentração em classes de ativos e podem diversificar as aplicações seja em câmbio, ações, juros, inflação, investimentos no exterior, imóveis, etc.

Com uma taxa de juros alcançando mínimas históricas, a renda fixa brasileira tem se tornado uma alternativa menos interessante. Existe por exemplo os Fundos de Investimentos Imobiliários, que possuem taxas de dividend yield bastante atrativas, além de possuir isenção de IR para investidores pessoa física. Neste momento, manter parte da carteira em FII’s, fundos multimercados, uma pequena parcela em fundos cambiais e um rebalanceamento da carteira de ações, trazendo ações com maior exposição ao dólar e menor potencial de impacto com as intempéries da economia brasileira pode ser uma boa opção para enfrentar os próximos meses sem maiores preocupações. Contudo, é necessário que o investidor e seu assessor de investimentos avaliem as melhores opções de acordo com cada perfil de investimentos, pois de nada adianta montar uma carteira para este período que se aproxima, mas que tenha um perfil diferente daquele do investidor. Nestas horas de maior incerteza, contar com assessoria de um profissional especializado para ajudar a montar uma carteira que mais se adeque com seu perfil, sendo esse acompanhamento para eventuais balanceamentos essencial na busca de uma melhor relação risco x retorno.

Neste cenário com eleições, e incertezas com os próximos governantes, uma carteira mais defensiva, com fundos multimercados, FII’s, fundos cambiais e uma exposição menor em ações pode ser interessante. Alguns títulos do Tesouro Direto já têm mostrados taxas bastante atrativos, com alguns títulos pré-fixados já apresentando taxas superiores a 10%. Contudo, dependendo do resultado das eleições, com uma aversão ao risco do mercado brasileiro, existe a possibilidade de estas taxas dispararem, motivadas pela venda dos títulos e desconfiança em relação aos próximos passos dos governantes.

Como as eleições afetam e estão afetando a economia brasileira

14 de junho de 2018 às 14:58 Por Postado em Blog do Renan

O Brasil é uma das democracias mais novas do mundo, tendo apenas 30 anos. Apesar de pouco tempo de democracia, o Brasil já enfrentou diversas crises econômicas, financeiras, políticas e, durante os períodos eleitorais, o mercado tende a exigir maior atenção dos investidores, pois traz a possibilidade de mudanças bruscas nos rumos das políticas públicas, políticas econômicas e nas nossas vidas.

No mercado financeiro, a turbulência é refletida diretamente nos preços dos ativos, nas ações, dólar, juros e outras classes de ativos, movendo os preços para cima e para baixo conforme as mudanças nas expectativas. Na economia real, as coisas tendem a ter reflexos mais lentos, mas mais intensos. Quanto maior o nível de incerteza perante o futuro, menor o volume de investimentos por parte das empresas, investidores, gerando maiores dúvidas para os funcionários de empresas, impactando diretamente no consumo das famílias e das pessoas.

Com o conturbado cenário que se passa no Brasil, com uma perspectiva de eleições bastante complexa, e não tendo uma visão clara sobre o futuro dos rumos da economia, muitas empresas voltaram a botar o pé no freio e segurar novos investimentos, contratações, o que impacta diretamente na propensão ao consumo das famílias, criando um novo círculo vicioso que tenderá a segurar o crescimento da economia.

Das principais dúvidas que pairam sobre o cenário atual, pesa bastante a questão das reformas a serem realizadas na economia, como a reforma da previdência, redução do déficit fiscal, manutenção ou não do teto de gastos, e outras necessidades para se ajustar os rumos da economia brasileira. Soma-se a esse cenário os temores de uma nova guinada para governos populistas e/ou esquerdistas, onde alguns dos pré-candidatos apresentaram ideias bastante diferentes, como por exemplo, um pré-candidato falando em privatizações em massa, enquanto outro pré-candidato fala exatamente o oposto, numa reestatização bastante grande, com potencial para um aumento expressivo no peso e dependência do Estado, algo que vai de encontro à tudo aquilo que precisa ser feito para recuperar a economia brasileira.

É necessário aguardar os próximos passos das formações de alianças partidárias, vendo como será a postura dos partidos de centro e centro-direita, de forma a buscar, ou não, uma aliança de porte para conseguir governabilidade no país a partir de 2019. Por ora, o que podemos analisar são as pessoas que estão fazendo os programas de governo dos pré-candidatos, se atentando para as questões econômicas, os perfis dos times, tendo uma “pista” de como poderá ser as propostas e propensão a ajustes e reformas na economia e no sistema brasileiro. Cabe aos pré-candidatos, desde já, administrar as expectativas dos agentes políticos e econômicos de forma a ter um país com maior governabilidade em 2019.

Cabe a nós eleitores, buscarmos entender quem são os candidatos, suas propostas e como eles pretendem resgatar a confiança dos empresários, dos investidores e trazer o Brasil de volta a um ciclo de prosperidade tão aguardado. Hoje são mais de 13,7 milhões de desempregados no Brasil, algo assustador, que mexe com a cabeça das pessoas e leva muitos trabalhadores para a informalidade, não gerando impostos para o Estado, potencialmente aumentando o déficit fiscal, podendo atrasar ainda mais a retomada do crescimento nacional.

De forma bastante objetiva, quanto mais incertas as perspectivas econômicas, menor a propensão das pessoas a consumir e a investir, cabe aos próximos governantes trazerem maior segurança jurídica, previsibilidade e  fazerem as reformas necessárias para o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil. Potencial para crescimento o país tem, cabe a nós eleitores pesquisar as propostas dos próximos candidatos, não só a presidente, mas dos demais cargos, e como eles podem ajudar a mudar o Brasil, trazendo a confiança necessária para que os investidores voltem a olhar para o Brasil com bons olhos, como éramos visto em 2009, na memorável capa da revista The Economist. Decola Brasil!

E agora, para onde vai o dólar?

13 de junho de 2018 às 15:01 Por Postado em Blog do Renan

Vai viajar? Tem compras no cartão em dólar? Preocupando turistas, empresários, importadores e fazendo a alegria dos exportadores, nos últimos meses o dólar veio do patamar de R$3,10 – R$3,15, para bater em patamares próximos a R$3,80. Mas, o que causou isso? Para onde vai o dólar daqui para frente? As eleições podem afetar e deixar o câmbio mais volátil? Como se proteger dessas oscilações?

Este movimento recente do dólar foi, em grande parte, causado pela expectativa de crescimento das taxas de juros nos EUA, com um crescimento mais robusto da economia norte-americana, com as incertezas em relação ao cenário político brasileiro, escândalos incessantes de corrupção, insegurança institucional, dentre outros fatores que geram incerteza, e fazem com que investidores estrangeiros optem por fugir do risco e buscar opções mais seguras, principalmente com a valorização dos títulos norte-americanos.

Apesar de termos os fatores externos, como aumento dos juros por parte do Federal Reserve, Coréia do Norte, Irã, Síria, dentre outros, o que ditará o rumo do câmbio no Brasil será o cenário eleitoral. Quanto maior a possibilidade de um governo populista e/ou de esquerda ser eleito, maior tende a ser o aumento da volatilidade. Mesmo que o Banco Central do Brasil venha a tentar conter a volatilidade do câmbio, a aversão à risco pode levar a moeda americana a outros patamares de preço, tendo espaço para chegar a patamares próximos R$3,85, R$4,01 e R$4,25, patamar de setembro de 2015.

É recomendável prestar atenção no Dollar Index (DXY), que é um índice que mede o valor do dólar em relação uma cesta de moedas dos maiores parceiros de negócios dos EUA. Este indicador mede a força e demanda pela moeda americana, sendo um excelente parâmetro sobre os próximos passos do câmbio. Ao olhar o gráfico abaixo do Dollar Index, caso ultrapasse o patamar de 95 pontos, é bem possível que o índice venha a buscar o patamar de 103 pontos, o que puxaria, por consequência, o valor do dólar perante o real, que, por correlação, poderia chegar ao patamar de R$4,25 para mais. Contudo, é bem provável que o BACEN entre no jogo em alguns momentos para tentar conter a volatilidade excessiva do dólar.

Parte destas expectativas de valorização do dólar perante o real já estão sendo refletidas e apontadas no Boletim FOCUS do Banco Central[1]. As estimativas de crescimento do PIB em 2018 caíram de 2,75% há quatro semanas atrás, para 2,5% no dia 18/5/2018, a inflação, saiu de 3,49% há quatro semanas, para 3,50% hoje. O câmbio por sua vez também teve suas projeções ajustadas, saindo de R$3,33 há 4 semanas, passando para R$3,45 no dia 18 de maio. A imagem abaixo ajuda a ilustrar as variações das projeções nas últimas semanas.

Com a proximidade das eleições, o risco político deverá ditar o tom para o dólar, o que poderá trazer maior volatilidade ao mercado, fazendo com que o Banco Central entre no mercado para conter parte da volatilidade. Para os que irão viajar, ou que possuem exposição a variações cambiais, uma boa opção é comprar dólar periodicamente em pequenas quantidades, diluindo o risco das oscilações e fazendo o tão famoso “preço médio”. Para quem possui passivos em dólar, compra de contratos futuros de câmbio ou até mesmo a utilização de swaps cambiais, ajudando a ter uma proteção maior para os passivos.

Para os investidores, alocar uma parte da carteira em fundos cambiais e/ou compra de contratos futuros de câmbio, pode ser uma alternativa interessante para especulação num horizonte até o final de 2018, com o cenário eleitoral mais conturbado para os próximos meses. Vale ressaltar que, dependendo do resultado das eleições, caso um governo com menor propensão à formas e maior tendências de esquerda e tendências populistas, o cenário cambial pode ser ainda mais volátil e conturbado. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

[1] Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20180518.pdf>. Acessado em 25 de maio de 2018.

Os fundos multimercados ainda são uma boa opção de investimentos?

11 de junho de 2018 às 14:57 Por Postado em Blog do Renan

O Brasil tem vivido nos últimos meses um período de bastante instabilidade, e os próximos meses de 2018, se aproximando das eleições, ainda prometem mais instabilidade, haja vista um cenário eleitoral bastante complexo e incerto, aliado a uma série de fatores externos, como câmbio, aumento dos juros nos EUA, fim dos pacotes de estímulos na Europa e no Japão, problemas com as negociações de paz na Coréia do Norte, Irã, Síria, dentre outros. Tendo este cenário turbulento no horizonte, como seria uma boa forma de alocar os investimentos com opções mais arrojadas e opções mais conservadoras?

Os fundos multimercados possuem uma característica bastante interessante neste momento de instabilidade que é a possibilidade de investimentos em diversos tipos de ativos, sem obrigatoriedade de concentração de investimentos em quaisquer classes de ativos. “A grande vantagem dos multimercados é a variedade de ativos e instrumentos à disposição do gestor para destinar os recursos do fundo, já que, ele pode combinar várias modalidades de aplicações. Isso é muito importante em épocas de instabilidade”, explica Sandra Blanco, consultora da Órama[1]. Muitos gestores de fundos multimercados têm optado por diversificar as carteiras de investimentos nestes momentos, preferindo por ativos no exterior, moedas, juros, ações, renda fixa, dentre outras classes, mitigando os riscos de exposição somente ao mercado brasileiro e a poucas classes de ativos.

Apesar de alguns fundos multimercados possuírem um grau de volatilidade um pouco maior, estes tipos de fundos são indicados para todos os perfis de investidores que buscam retornos maiores do que o CDI. O fator mais importante é ter conhecimento do perfil do investidor para que, ao investir, seja possível alocar os recursos num fundo que esteja em consonância com seu perfil, evitando assim, eventuais surpresas com as oscilações dos valores das cotas.

Além das questões de instabilidade na economia e política do Brasil, um dos maiores potenciais dos fundos multimercados é o comparativo de rendimento com o CDI (benchmark padrão dos fundos multimercados), que, com a queda da SELIC (taxa básica de juros do Brasil), essa variedade de alocação permite que o gestor busque aplicações que tenham maior potencial de retorno de acordo com o perfil do fundo (conservador, moderado e agressivo), de acordo com o regulamento do fundo e com as estratégias de investimentos atribuídas pelo gestor. Em contrapartida, uma boa parte dos fundos multimercados, possui uma liquidez menor para resgate das cotas. Enquanto os fundos DI, fundos de renda fixa, possuem resgates de até D+1, os fundos multimercados, justamente pela diversificação das alocações, podem ter prazos para resgate maiores como D+30, D+60, e até prazos maiores.

Anteriormente disponível somente para investidores mais abonados, os fundos multimercados de casas renomadas, como Verde Asset, Adam Capital, Safra, XP, BTG Pactual, Ibiúna, Vinland Capital, dentre outras, hoje permitem investimentos de menor ticket (R$1.000,00, R$5.000,00, R$10.000,00), trazendo aos pequenos e médios investidores, os mesmos produtos dos grandes investidores.

Contudo, antes de montar sua carteira de investimentos e alocar em fundos, é recomendável conversar com seu assessor de investimentos a melhor opção para seu perfil de investimentos. Num momento como o que estamos vivendo no Brasil, a diversificação em algumas classes de ativos é sempre bem-vinda, ainda mais com a flexibilidade oriunda da gestão dos multimercados.

[1] Disponível em: < https://g1.globo.com/economia/educacao-financeira/especial-publicitario/orama/noticia/fundos-multimercados-sao-boa-alternativa-em-epoca-de-instabilidade.ghtml>. Acessado em 25 de maio de 2018