Blog do Renan

Cenário atual de final de ano. Risco, ou oportunidade?

17 de outubro de 2018 às 15:22 Por Postado em Blog do Renan

Reta final de ano, eleições presidenciais no Brasil, reformas, necessidade de mudanças, eleição do Congresso nos EUA, elevação das taxas de juros nos EUA, dentre outros diversos fatores que vêm trazendo bastante volatilidade para os mercados financeiros internacionais. E agora, será que tudo isto nos traz a uma grande oportunidade, ou será que estamos vendo uma “armadilha”, que poderá levar os investidores ao erro?

2018 têm sido um ano bastante interessante, no sentido de oportunidades de investimentos. Vemos algumas commodities com alta nos preços, como o petróleo, algumas outras commodities com preços próximos às mínimas dos últimos anos, por exemplo, commodities agrícolas e alguns metais, como ilustra a imagem abaixo. Neste sentido, diversos ativos correlatos acabam oferecendo oportunidades de entrada, principalmente em momentos de maior volatilidade, como o que temos visto no Brasil nestas últimas semanas. Contudo, ao ver essas altas e baixas, motivadas principalmente por questões eleitorais no Brasil, enquanto um candidato mais liberal sobe nas intenções de votos, será que temos de fato oportunidades, ou somente vemos a possibilidade de entrar “numa fria” causada pelas incertezas?

Ao analisar de forma mais fria o que está acontecendo no mundo, temos alguns fatores a levar em consideração. Cito alguns abaixo:

  • Eleição no Brasil e possibilidade de um governo mais liberal e com redução do estado, gerando maiores possibilidades de crescimento ao país;
  • Eleição no congresso dos EUA;
  • Federal Reserve elevando a taxa básica de juros no país;
  • Incertezas em relação à continuidade das expansão econômica nos EUA, gerando maior demanda por ativos seguros, os “safe havens
  • Títulos dos EUA pagando taxas historicamente mais altas do que as médias históricas recentes (3,16% ao ano, taxa mais alta desde 2011)[1];
  • Índices e ETF’s (Exchange Traded Funds) ligados à volatilidade nos EUA, começando a entrar em tendência de alta.

O que pode-se concluir de tudo isso é que de fato, mesmo a bolsa brasileira tendo subido recentemente para próximo das máximas recentes, me parece arriscado comprar nestes patamares, principalmente devido às questões eleitorais por aqui. Por mais que pareça que teremos um candidato mais liberal economicamente, não se sabe o que, de fato, irá acontecer nos próximos anos. Falava-se muito de questões de governabilidade, apoio no congresso, senado, etc., para que este candidato pudesse governar e aprovar as medidas e reformas tão essenciais para nosso país voltar a crescer. Bom, este fato foi vencido. Hoje este candidato, se eleito, terá a segunda maior bancada no congresso, com 52 deputados, e deverá se aliar com diversos partidos de centro e alguns de direita, para poder formar maioria e aprovar o que é necessário para o Brasil, e não para os “amigos do rei”.

Esta conjuntura me leva a crer que, por mais que pareça que teremos este candidato eleito, vale a pena ser um pouco receoso. O mercado cai, compre um pouco, o mercado subiu, proteja-se, venda opções cobertas (financiamentos), compre put’s (opções de venda), compre dólar, enfim, proteção nunca é demais em momentos de incerteza. O mercado brasileiro realmente foi bastante penalizado com a crise desde 2014, e vêm subindo não por melhora e robustez de sua economia, mas sim por uma expectativa de mudança do atual status quo, com a possibilidade de maior liberalismo econômico, com a redução do Estado e suas regalias, maior controle da corrupção e incentivo ao empreendedorismo, algo que por si só, gera um alto número de empregos e aquece a economia.

Não sei o que irá acontecer nestas eleições, mas por me considerar uma pessoa bastante realista, tento não me deixar levar pelo otimismo das perspectivas de um possível governo liberal, principalmente por saber que, entre este candidato ser eleito e conseguir, de fato, aprovar as medidas e reformas necessárias e formar um time de “elite” para governar o Brasil, há um grande espaço.

O mercado está precificando uma eventual vitória deste candidato, mas, caso ele perca, a situação mudará consideravelmente. Portanto, algo que me parece interessante, é buscar um pouco de proteção nestes momentos, e aproveitando esta volatilidade constante para comprar nas quedas do mercado. No final do dia, se suas perspectivas são de longo prazo, estes movimentos de volatilidade abrem inúmeras oportunidades.

Olhando estas perspectivas, alguns setores chamam a atenção, como as estatais, já que diversas poderão ser privatizadas para ajudar a zerar os déficits orçamentários do governo federal, bancos (afinal para crescer, o crédito é um fator importante para as empresas), infraestrutura (a infraestrutura brasileira precisa de muitos investimentos, e isso não virá somente do Estado), varejo (com a retomada da geração de empregos as famílias poderão zerar suas dívidas e voltar a consumir), commodities, que poderão aproveitar estes movimentos do dólar no exterior para ajustar os preços, gerando oportunidades.

Por fim, mais importante do que analisar tudo isto que comento acima, é conversar sempre com seu assessor, ele lhe ajudará a tomar as melhores decisões de alocação de acordo com seu perfil. Afinal, quando você está doente, você vai num médico e num especialista, por que você faria diferente com seus investimentos? Conte com ele e a chance de se ter melhores retornos são infinitamente maiores.

[1] Disponível em: <https://www.marketwatch.com/investing/bond/tmubmusd10y?countrycode=bx>. Acessado em 14 de outubro de 2018

As pesquisas eleitorais e o mercado financeiro

25 de setembro de 2018 às 15:22 Por Postado em Blog do Renan

Começamos mais uma época eleitoral, com campanhas sendo intensificadas, candidatos definidos, propostas sendo apresentadas e uma série de pesquisas de intenção de votos sendo realizadas para que se consiga prever com um nível maior de assertividade quem poderá vir a ser o novo presidente do Brasil, e que rumos a nossa economia poderá tomar. Nesse contexto surge uma pergunta bastante importante, por que as pesquisas eleitorais têm tanto efeito nos mercados? O que posso fazer para proteger meus investimentos?

Essa eleição de 2018 talvez seja a mais importante que o país passará desde a democratização e o voto direto, digo isso pelo momento relevante em que passamos, com uma série de reformas necessárias (previdência, política, constitucional, tributária, dentre outras), com uma situação fiscal bastante complexa e com desafios bastantes complexos para o futuro. Além disto, vivemos um momento ímpar de polarização política, com a população sendo dividida praticamente em duas vertentes, os pró-PT e os anti-PT. De um lado, a proposta de aumento do estado, da revogação da reforma trabalhista, não realizar a reforma da previdência, realização de pacotes de obras – semelhante ao que foi o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deixou diversas obras inacabadas e um volume de recursos públicos mal aplicados exorbitante -, dentre outras propostas que não citam da onde virão os recursos para sua implementação e resolução dos problemas estruturais que a economia brasileira possui. De outro lado temos uma vertente que aparenta ser mais liberal, com proposição de reformas, redução do Estado, privatizações, atração de capital estrangeiro, além de buscar trazer segurança jurídica para os contratos brasileiro, algo que gera bastante receio por parte de investidores estrangeiros.

Para os investidores, no momento que sai uma pesquisa que coloca próxima a possibilidade de vitória de um candidato reformista e com viés pró-mercado, o mercado fica animado, haja vista a possibilidade de reaquecimento da atividade econômica, melhoria do ambiente de negócios, e antecipando uma potencial entrada de novos investimentos no país. Por outro lado, ao ver um candidato com o viés oposto, gera tensão, dificuldade de se prever os prováveis rumos que a economia poderá tomar. Uma boa metáfora é que o capital flui como a água, quanto menores barreiras, mais ele fluirá para um determinado lado, e quanto mais barreiras, menos o capital flui.

Voltando à temática das eleições e as pesquisas, elas nos trazem uma possibilidade, com certa segurança, de como será o quadro eleitoral nos próximos meses. Hoje, muitos bancos, fundos e outros atores do mercado financeiro brasileiro e globais, têm usado a tecnologia como aliado para tentar identificar de forma mais precisa os potenciais resultados. Por exemplo, usando de tecnologias de “Big Data Analytics” para mapear em redes sociais, notícias, etc., a probabilidade de voto em determinado candidato de acordo com comentários, postagens, etc.

Para os investidores mais sofisticados, essas ferramentas ajudam no desenho de uma carteira “ótima”, visando a maximização dos retornos e redução dos riscos. Por exemplo, ao vermos a possibilidade de um candidato de direita ser eleito, o mercado responde com altas, queda do dólar e maior propensão ao risco. Por outro lado, ao ver um candidato de esquerda, o mercado tem respondido com receio, com queda das bolsas e ações, aumento do dólar, ouro e outros ativos considerados mais seguros, justamente pelas incertezas e com a dificuldade de previsibilidade da economia.

O capital sempre busca maior previsibilidade, por isso, em momentos mais voláteis da economia, as ações de elétricas, saneamento, etc., são consideradas defensivas, pois são justamente as com resultados mais previsíveis. Neste sentido, a busca por visibilidade dos resultados eleitorais baseados em pesquisas acaba gerando bastante turbulência nos mercados.

Uma coisa é certa, pelo menos até outubro teremos um cenário de bastante volatilidade, com possibilidade vermos uma propensão ao risco maior no caso de um candidato de direita ser eleito, e com uma aversão ao risco similar à vista em 2002, na primeira eleição de Lula, quando o mesmo falava que não pagaria a dívida externa, que desfaria uma série de reformas recém implementadas, o que levou à um aumento expressivo do dólar e da taxa Selic (que teve que ser elevada a um dos patamares mais altos da história econômica brasileira para se tentar conter a subida do dólar). Cabe ao investidor contar com um assessor especializado para tentar mitigar os riscos de sua carteira, aplicando em ativos menos voláteis, apostando um pouco em ativos de maior risco, na expectativa de movimento mais bruscos do mercado – independente do lado, para cima ou para baixo.

Os brasileiros precisam dar a devida atenção ao cenário eleitoral e os prováveis futuros de nosso país. Essa com certeza será a eleição mais importante que passaremos desde a democratização e do voto direto.

O dólar subiu, como isso impacta a economia brasileira

18 de setembro de 2018 às 15:17 Por Postado em Blog do Renan

O dólar até agora em 2018 foi um dos melhores investimento do ano, tendo saído de patamares abaixo de R$3,20, tendo ultrapassado os R$4,21 em agosto. Hoje, 13 de setembro de 2018, o dólar é negociado em algumas casas de câmbio no patamar de R$4,40, enquanto no mercado futuro – contrato de dólar futuro negociado na B3 -, está sendo negociado na casa de R$4,20. O que causou essa alta do dólar em 2018? Como essa oscilação do dólar impacta a vida das pessoas? Para onde vai o dólar? Como posso proteger meus investimentos e eventuais despesas em dólar?

O Brasil e o mundo passam por um momento de bastante volatilidade no câmbio, com o dólar se valorizando perante outras moedas, e muitas pessoas pensam que isso não as afeta, e que a vida segue normalmente. Na verdade, o impacto dessa valorização do dólar nos mercados globais afeta uma imensidão de atividades econômicas, preços, custos, desde o custo de um frete internacional de insumos, até o preço final do pãozinho que compramos nas padarias de nosso bairro.

Essa dinâmica se dá pelo fato de diversos preços de produtos e serviços serem cotados em dólar no mercado internacional. Por exemplo, commodities, preços de frete, componentes eletrônicos, etc., quando importados ou exportados, são negociados em dólar. Trazendo para nossa realidade, o trigo que é usado para fazer o pão, é negociado em dólar. O petróleo, insumo da gasolina, também é negociado em dólar. A lógica é a seguinte. Se um dólar custava R$3,00, e o petróleo estava US$60/barril, eu precisava de R$180 para comprar um barril de petróleo. Agora, com o dólar sendo negociado a R$4,20, eu preciso R$248 para comprar o mesmo barril de petróleo, e essa variação de preços é repassada para o consumidor final.

No Brasil, exportamos commodities brutas, e importamos os produtos com valor agregado. Exemplo, exportamos petróleo e importamos gasolina. Exportamos minério e importamos aço, dentre outros produtos. Além disto, o fato de o câmbio ficar interessante para exportação, muitas empresas optam por vender seus produtos aos mercados externos em detrimento ao mercado nacional, o que gera menor oferta de produtos e consequente aumento nos preços. Nesse sentido, a oscilação cambial acaba afetando não só na importação, mas também os preços no mercado interno, fazendo com que até o pãozinho seja afetado pela variação do dólar. Com esse aumento de custos, diversas empresas passam a frear investimentos e contratações, pois tem que usar mais recursos para comprar insumos para sua produção, o que implica em uma desaceleração da economia e eventual aumento do desemprego. Outro fator importante é que diversas empresas brasileiras fizeram captações de recursos no exterior com cotação do dólar mais baixa, o que pode fazer com que sua capacidade de pagamento seja afetada, comprimindo seus lucros, capacidade de investimentos, reduzindo margens de lucro e gerando também uma redução nas contratações e novos investimentos na sua expansão.

Como causas para essa alta do dólar em 2018, eis alguns pontos que justificam. O aumento da taxa de juros nos EUA, que faz com que o retorno dos investimentos sejam maiores com um risco extremamente baixo, levando investidores a migrarem investimentos para ativos mais seguros. O provável fim dos ciclos de estímulos monetários na Europa e no Japão, que reduzem a oferta de moeda na economia e aumentam os custos de capital. O aumento das tensões comerciais entre EUA e China, e numa esfera local, a proximidade com as eleições e as incertezas políticas e futuro da economia brasileira, gerando uma aversão ao risco considerável, onde investidores buscam ativos mais seguros, e ativos líquidos, como moedas, ouro, títulos públicos americanos, ações de economias desenvolvidas, etc. Tudo isto fez com que o dólar saísse da casa dos R$3,20 em janeiro de 2018 para os atuais R$4,20 de setembro.

Nas últimas semanas muitos analistas passaram a rever suas projeções, com alguns bancos internacionais apostando que o dólar poderia alcançar o patamar de R$5,50 após as eleições, numa eventual vitória de um presidente contrário às reformas[1] necessárias à retomada do crescimento brasileiro. Como forma de proteção, tem-se visto um volume de aplicações em fundos cambiais vinculados ao dólar e/ou ao euro, compra de ativos internacionais, fundos multimercados que podem investir no exterior, e compra direta de dólar futuro.

Uma coisa é certa, os próximos meses prometem bastante volatilidade, principalmente no câmbio. A melhor opção é conversar com seu assessor financeiro para ver como proteger sua carteira e obter ganhos nessa volatilidade que o mercado parece impor nos próximos meses.

[1] Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/07/bank-of-america-projeta-dolar-em-r-550-depois-das-eleicoes.shtml>. Acessado em 13 de setembro de 2018

As eleições se aproximando, o horizonte turbulento, como investir seu dinheiro?

15 de junho de 2018 às 15:05 Por Postado em Blog do Renan

Há alguns anos o Brasil passa por um momento bastante turbulento que têm se refletido também no retorno de nossos investimentos. Vimos a taxa de juros sair de patamares de 15%, chegando a 6,5%, levando os investidores a buscar alternativas de maior risco para alcançar as metas de retorno esperado das carteiras. Num horizonte bastante curto passaremos por mais uma eleição presidencial, governadores, senadores, deputados federal e estadual, onde teremos a chance de mudar o país e transformar o Brasil no país do presente, não mais o país do futuro. Dependendo dos resultados das eleições poderemos ver os mais diversos reflexos no mercado financeiro. Como que podemos nos preparar para estes próximos meses mais “turbulentos”?

O mercado acionário tende a antecipar os movimentos da economia e os sentimentos dos investidores. Ao ver a possibilidade de um governo mais propenso ao populismo, com menos interesse em viabilizar as reformas e mudar os rumos da economia, o mercado irá refletir estas possibilidades, provavelmente com a queda das ações, valorização do dólar perante o real, aumento do risco-país, queda dos investimentos, dentre outras possibilidades.

Neste sentido, ao olhar as perspectivas de crescimento econômico do Brasil, vemos uma queda nas expectativas do mercado, uma redução na confiança, que tem mostrado já seus reflexos no câmbio, que veio de um patamar de R$3,15, para próximo de R$3,60-R$3,70. Em momentos mais conturbados, vale a pena diversificar a carteira de investimentos, utilizando fundos de investimentos multimercados, que não possuem obrigatoriedade mínima de concentração em classes de ativos e podem diversificar as aplicações seja em câmbio, ações, juros, inflação, investimentos no exterior, imóveis, etc.

Com uma taxa de juros alcançando mínimas históricas, a renda fixa brasileira tem se tornado uma alternativa menos interessante. Existe por exemplo os Fundos de Investimentos Imobiliários, que possuem taxas de dividend yield bastante atrativas, além de possuir isenção de IR para investidores pessoa física. Neste momento, manter parte da carteira em FII’s, fundos multimercados, uma pequena parcela em fundos cambiais e um rebalanceamento da carteira de ações, trazendo ações com maior exposição ao dólar e menor potencial de impacto com as intempéries da economia brasileira pode ser uma boa opção para enfrentar os próximos meses sem maiores preocupações. Contudo, é necessário que o investidor e seu assessor de investimentos avaliem as melhores opções de acordo com cada perfil de investimentos, pois de nada adianta montar uma carteira para este período que se aproxima, mas que tenha um perfil diferente daquele do investidor. Nestas horas de maior incerteza, contar com assessoria de um profissional especializado para ajudar a montar uma carteira que mais se adeque com seu perfil, sendo esse acompanhamento para eventuais balanceamentos essencial na busca de uma melhor relação risco x retorno.

Neste cenário com eleições, e incertezas com os próximos governantes, uma carteira mais defensiva, com fundos multimercados, FII’s, fundos cambiais e uma exposição menor em ações pode ser interessante. Alguns títulos do Tesouro Direto já têm mostrados taxas bastante atrativos, com alguns títulos pré-fixados já apresentando taxas superiores a 10%. Contudo, dependendo do resultado das eleições, com uma aversão ao risco do mercado brasileiro, existe a possibilidade de estas taxas dispararem, motivadas pela venda dos títulos e desconfiança em relação aos próximos passos dos governantes.

Como as eleições afetam e estão afetando a economia brasileira

14 de junho de 2018 às 14:58 Por Postado em Blog do Renan

O Brasil é uma das democracias mais novas do mundo, tendo apenas 30 anos. Apesar de pouco tempo de democracia, o Brasil já enfrentou diversas crises econômicas, financeiras, políticas e, durante os períodos eleitorais, o mercado tende a exigir maior atenção dos investidores, pois traz a possibilidade de mudanças bruscas nos rumos das políticas públicas, políticas econômicas e nas nossas vidas.

No mercado financeiro, a turbulência é refletida diretamente nos preços dos ativos, nas ações, dólar, juros e outras classes de ativos, movendo os preços para cima e para baixo conforme as mudanças nas expectativas. Na economia real, as coisas tendem a ter reflexos mais lentos, mas mais intensos. Quanto maior o nível de incerteza perante o futuro, menor o volume de investimentos por parte das empresas, investidores, gerando maiores dúvidas para os funcionários de empresas, impactando diretamente no consumo das famílias e das pessoas.

Com o conturbado cenário que se passa no Brasil, com uma perspectiva de eleições bastante complexa, e não tendo uma visão clara sobre o futuro dos rumos da economia, muitas empresas voltaram a botar o pé no freio e segurar novos investimentos, contratações, o que impacta diretamente na propensão ao consumo das famílias, criando um novo círculo vicioso que tenderá a segurar o crescimento da economia.

Das principais dúvidas que pairam sobre o cenário atual, pesa bastante a questão das reformas a serem realizadas na economia, como a reforma da previdência, redução do déficit fiscal, manutenção ou não do teto de gastos, e outras necessidades para se ajustar os rumos da economia brasileira. Soma-se a esse cenário os temores de uma nova guinada para governos populistas e/ou esquerdistas, onde alguns dos pré-candidatos apresentaram ideias bastante diferentes, como por exemplo, um pré-candidato falando em privatizações em massa, enquanto outro pré-candidato fala exatamente o oposto, numa reestatização bastante grande, com potencial para um aumento expressivo no peso e dependência do Estado, algo que vai de encontro à tudo aquilo que precisa ser feito para recuperar a economia brasileira.

É necessário aguardar os próximos passos das formações de alianças partidárias, vendo como será a postura dos partidos de centro e centro-direita, de forma a buscar, ou não, uma aliança de porte para conseguir governabilidade no país a partir de 2019. Por ora, o que podemos analisar são as pessoas que estão fazendo os programas de governo dos pré-candidatos, se atentando para as questões econômicas, os perfis dos times, tendo uma “pista” de como poderá ser as propostas e propensão a ajustes e reformas na economia e no sistema brasileiro. Cabe aos pré-candidatos, desde já, administrar as expectativas dos agentes políticos e econômicos de forma a ter um país com maior governabilidade em 2019.

Cabe a nós eleitores, buscarmos entender quem são os candidatos, suas propostas e como eles pretendem resgatar a confiança dos empresários, dos investidores e trazer o Brasil de volta a um ciclo de prosperidade tão aguardado. Hoje são mais de 13,7 milhões de desempregados no Brasil, algo assustador, que mexe com a cabeça das pessoas e leva muitos trabalhadores para a informalidade, não gerando impostos para o Estado, potencialmente aumentando o déficit fiscal, podendo atrasar ainda mais a retomada do crescimento nacional.

De forma bastante objetiva, quanto mais incertas as perspectivas econômicas, menor a propensão das pessoas a consumir e a investir, cabe aos próximos governantes trazerem maior segurança jurídica, previsibilidade e  fazerem as reformas necessárias para o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil. Potencial para crescimento o país tem, cabe a nós eleitores pesquisar as propostas dos próximos candidatos, não só a presidente, mas dos demais cargos, e como eles podem ajudar a mudar o Brasil, trazendo a confiança necessária para que os investidores voltem a olhar para o Brasil com bons olhos, como éramos visto em 2009, na memorável capa da revista The Economist. Decola Brasil!

E agora, para onde vai o dólar?

13 de junho de 2018 às 15:01 Por Postado em Blog do Renan

Vai viajar? Tem compras no cartão em dólar? Preocupando turistas, empresários, importadores e fazendo a alegria dos exportadores, nos últimos meses o dólar veio do patamar de R$3,10 – R$3,15, para bater em patamares próximos a R$3,80. Mas, o que causou isso? Para onde vai o dólar daqui para frente? As eleições podem afetar e deixar o câmbio mais volátil? Como se proteger dessas oscilações?

Este movimento recente do dólar foi, em grande parte, causado pela expectativa de crescimento das taxas de juros nos EUA, com um crescimento mais robusto da economia norte-americana, com as incertezas em relação ao cenário político brasileiro, escândalos incessantes de corrupção, insegurança institucional, dentre outros fatores que geram incerteza, e fazem com que investidores estrangeiros optem por fugir do risco e buscar opções mais seguras, principalmente com a valorização dos títulos norte-americanos.

Apesar de termos os fatores externos, como aumento dos juros por parte do Federal Reserve, Coréia do Norte, Irã, Síria, dentre outros, o que ditará o rumo do câmbio no Brasil será o cenário eleitoral. Quanto maior a possibilidade de um governo populista e/ou de esquerda ser eleito, maior tende a ser o aumento da volatilidade. Mesmo que o Banco Central do Brasil venha a tentar conter a volatilidade do câmbio, a aversão à risco pode levar a moeda americana a outros patamares de preço, tendo espaço para chegar a patamares próximos R$3,85, R$4,01 e R$4,25, patamar de setembro de 2015.

É recomendável prestar atenção no Dollar Index (DXY), que é um índice que mede o valor do dólar em relação uma cesta de moedas dos maiores parceiros de negócios dos EUA. Este indicador mede a força e demanda pela moeda americana, sendo um excelente parâmetro sobre os próximos passos do câmbio. Ao olhar o gráfico abaixo do Dollar Index, caso ultrapasse o patamar de 95 pontos, é bem possível que o índice venha a buscar o patamar de 103 pontos, o que puxaria, por consequência, o valor do dólar perante o real, que, por correlação, poderia chegar ao patamar de R$4,25 para mais. Contudo, é bem provável que o BACEN entre no jogo em alguns momentos para tentar conter a volatilidade excessiva do dólar.

Parte destas expectativas de valorização do dólar perante o real já estão sendo refletidas e apontadas no Boletim FOCUS do Banco Central[1]. As estimativas de crescimento do PIB em 2018 caíram de 2,75% há quatro semanas atrás, para 2,5% no dia 18/5/2018, a inflação, saiu de 3,49% há quatro semanas, para 3,50% hoje. O câmbio por sua vez também teve suas projeções ajustadas, saindo de R$3,33 há 4 semanas, passando para R$3,45 no dia 18 de maio. A imagem abaixo ajuda a ilustrar as variações das projeções nas últimas semanas.

Com a proximidade das eleições, o risco político deverá ditar o tom para o dólar, o que poderá trazer maior volatilidade ao mercado, fazendo com que o Banco Central entre no mercado para conter parte da volatilidade. Para os que irão viajar, ou que possuem exposição a variações cambiais, uma boa opção é comprar dólar periodicamente em pequenas quantidades, diluindo o risco das oscilações e fazendo o tão famoso “preço médio”. Para quem possui passivos em dólar, compra de contratos futuros de câmbio ou até mesmo a utilização de swaps cambiais, ajudando a ter uma proteção maior para os passivos.

Para os investidores, alocar uma parte da carteira em fundos cambiais e/ou compra de contratos futuros de câmbio, pode ser uma alternativa interessante para especulação num horizonte até o final de 2018, com o cenário eleitoral mais conturbado para os próximos meses. Vale ressaltar que, dependendo do resultado das eleições, caso um governo com menor propensão à formas e maior tendências de esquerda e tendências populistas, o cenário cambial pode ser ainda mais volátil e conturbado. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

[1] Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20180518.pdf>. Acessado em 25 de maio de 2018.