Vacinação contra o Covid-19 irá guiar o andamento dos mercados

03 de março de 2021 às 08:50 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor

Recentemente tivemos uma semana volátil no mercado brasileiro de investimentos. Em um dia tivemos o mercado achando que o Governo iria interferir nas empresas estatais; em outro dia tivemos o andamento da MP para privatização da Eletrobrás, reforço na possibilidade de privatização dos Correios e o vazamento da remuneração do Conselho de administração e diretores da Petrobrás, cujo patamar foi o dobro da média de anos anteriores, nominalmente e percentualmente perante o percentual de receita da Companhia, validando em parte o movimento realizado pelo Presidente da República de alteração na presidência da Petro, que ainda não está confirmada, eis que o Estatuto exige que o presidente tenha experiência no setor petrolífero, que não é o caso do General Luna e Silva. Abaixo segue a remuneração dos administradores da Petrobrás:

Dado esse movimento de possível interferência estatal nas empresas de capital aberto, tivemos uma saída recorde de estrangeiros posteriormente a esses fatos mencionados acima, sendo um valor de R$ 9,2 bilhões de saída por parte dos estrangeiros entre os dias 21 a 26 de fevereiro de 2021.
Além dessa possível interferência estatal outros dados vêm pesando. O Lockdown que está sendo feito por uma grande número de estados no Brasil e a desaceleração na velocidade da vacinação também vem pesando. Estamos em um momento que estamos atingindo ápices de infectados de Covid no Brasil. No Rio Grande do Sul, o número de confirmados de Covid-19 em leitos clínicos e UTI, como podemos ver abaixo:

Já de modo geral o Brasil também está com uma média próxima das máximas de novos casos e, infelizmente, estamos voltando para as máximas de alguns meses atrás:

E a perspectiva de melhora?
Podemos pegar os dados de como está o andamento do percentual da população total vacinada entre os países e a perspectiva de vacinação do grupo de risco…
Atualmente, o Brasil já está com 6,53 milhões de pessoas vacinadas e é o nono país em termos de população de pessoas vacinadas. Temos 3% da população vacinada desde o início da vacinação em massa, iniciada há 3 semanas. Israel já possui mais de 50% da população, Emirados Àrabes com mais de 30%, assim como o Reino Unidos. Bahrein, Estados Unidos com mais de 15% da população. O que chama atenção, especialmente quanto aos dados americanos, é que diariamente 2,5 milhões de doses vêm sendo administradas diariamente e isso tende a ter mais de 80% população imunizada em meados de abril…

Lembrando: em 3-4 semanas, o Brasil teve 6,5 milhões de imunizados e os Estados Unidos, está com média de 2,5 milhões diárias e que podem chegar a 3 milhões de doses. Fazendo um paralelo e usando as 3 semanas do Brasil, enquanto os Estados Unidos terão 52,5 milhões de imunizados em 3 semanas, no Brasil tivemos 6,5 milhões, ou seja, 12,3% dos números americanos.
A rapidez na aplicação da imunização certamente está sendo vista pelos investidores e isso vem sendo refletido no preço dos ativos. Maior a velocidade da imunização, maior a possibilidade de uma volta normal da economia e do mercado, provavelmente isso que vem pesando (também) no mercado brasileiro somado ao possível aumento da interferência estatal, inclusive o Brasil andando menos que os pares na América Latina, em dólar…

Incentivos também auxiliam na retomada da economia
Recentemente tivemos mais um pacote de incentivos na ordem de US$ 1,9 bilhões nos Estados Unidos, pacote esse agora do novo presidente eleito, Joe Biden. Esse valor somado com os valores já disponibilizados anteriormente, totaliza quase 25% do PIB. Como comparativo, o Brasil já disponibilizou cerca de 8% do PIB…

A diferença da ajuda realizada nesse momento do Covid-19, com a Crise de 2008, é que o dinheiro está indo grande parte diretamente para os indivíduos. Na Crise de 2008, grande parte do dinheiro ficou parado nos bancos. Com os recursos indo para os indivíduos, parte desse capital tende a fluir para o mercado de capitais. Nas últimas 16 semanas tivemos recorde de fluxo de capital mundial ingressando no mercado de ações, como podemos ver abaixo:

Grande quantidade de dinheiro no mercado = cuidado, cautela com alguns possíveis excessos e aumento do risco de inflação


Com todos esses incentivos e esse dinheiro fluindo no mercado, aumenta o risco de inflação e de excessos. Expectativa de inflação no mundo todo vem aumentando. No Brasil, o IGPM passou dos 27% nos últimos 12 meses e o IPCA vem aumentando. Ter investimentos com proteção contra a inflação é o que venho comentando aqui há alguns meses. Diversificação de ativos é outro item a ser observado. Nos EUA a expectativa de alta na inflação também vem acontecendo como podemos ver abaixo, segundo a Universidade de Michigan, nos próximos 5 a 10 anos, como podemos ver abaixo…

e a cautela…
Nos EUA o indicador do Goldman Sachs sobre as condições do mercado financeiro está nas máximas. É notório que estamos com excessos em algumas empresas como Tesla (que fatura 25x menos que as montadoras de carros somadas e tem valor de mercado maior que as 9 maiores montadoras de carros do mundo) além de excesso nos bonds que estão pagando perto de zero.. abaixo seguem os dados do indicador do Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimentos do mundo..

Outro sinal de alerta é o yeld dos bonds de 10 anos do Governo Americano que estão ultrapassando o retorno dos dividendos das empresas de capital aberto do S&P500. É muito mais seguro investir em títulos públicos do que em ações caso o investidor esteja pensando apenas no recebimento de dividendos…

Em resumo, acredito que há grandes oportunidades no mercado, principalmente em ativos que ainda não andaram, no caso, o Brasil. Cabe lembrar que é nos momentos de maior stress que estão as maiores oportunidades. O andamento da vacinação vai ajudar a ditar o rumo dos mercados no curto prazo, porém sempre os fundamentos é que prevalecem no longo prazo. No Brasil, balanços como os da Petrobrás, Vale, Minerva, Usiminas, CSN, Movida, Locamérica e Pão de Açúcar, vieram muito bem, com empresas gerando muito caixa e diminuindo dívidas e alavancagem. Em tempos de alguns excessos, mais do que nunca é necessário o filtro na compra de bons ativos. Existem oportunidades!

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Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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Movimentos expressivos do mercado ao redor do mundo

22 de fevereiro de 2021 às 14:44 Por Postado em Central do Investidor

Movimentos expressivos ao redor do mundo, excessos em Game Stop, alta do Bitcoin, interferência estatal e múltiplos de mercado

1) Excesso 1: Game Stop

Aprender com a própria e com a história dos outros está entre as formas mais inteligentes de evolução. Não é o caso do que estamos vendo no mundo e até no Brasil, principalmente nas últimas 2-3 semanas. Estamos presenciando uma série de descompassos e excessos que mais tarde terão que ser corrigidos. É normal do mercado voltar à média. Posso começar com o as ações da Game Stop que comentei recentemente aqui no Bugg. Depois de atingir quase US$ 350 há menos de um mês, as ações voltaram a negociar em patamares pré-alta, voltando aos US$ 50,00, como podemos ver abaixo.

Essa impressionante alta e posterior queda das ações da Game Stop segue o caminho do aumento de negociação em ações chamadas de Penny Stocks nos EUA, ou seja, ações de pequeno valor, na maioria das vezes empresas morimbundas, sem qualquer lucro e que estão até em recuperação judicial muitas vezes. Esse tipo de ação é

2) Excesso 2: alta de ações sem lucro

Com mais investidores pessoas física participando do mercado, na maioria iniciantes, diminuiu-se o filtro na hora de selecionar ativos e ações para compras, sendo confirmado isso por um outro indicador, o Ìndice Goldman Sachs de empresas de Tecnologia Sem-Lucros, que atingiu patamar histórico de negociação…

3) Excesso 3: alta forte nos preços do Bitcoin

Outro excesso que muitos têm comentado é sobre o Bitcoin e a alta forte dessa moeda digital. Abaixo podemos fazer um comparativo com outros ativos na história moderna e o Bitcoin é disparado o ativo que mais subiu nos últimos 44 anos!

4) Excesso 4: múltiplos esticados

Um dos indicadores mais comuns utilizados no mundo é o comparativo entre o valor de algumas bolsas mundiais e o que é produzido por esses países, no caso, o PIB. A premissa é que uma economia é principalmente direcionada por consumo e por indivíduos que produzem para consumir. Empresas geram receita e lucros desse consumo e a lucratividade irá ser refletida no mercado de ações. Ressalto que tudo deve ser visto com cautela e filtro, eis que é um

5) Excesso 5: interferência estatal

Nos últimos meses tivemos um aumento da interferência estatal e a história nos mostra que isso não é bem recompensado. Na última semana tivemos a substituição do Presidente da Petrobrás, um profissional que tinha PhD em Chicago e que tinha um excelente currículo. Anteriormente, o presidente da Eletrobrás já tinha saído para a BR Distribuidora, eis que tinha ciência no seu ver da não realização da privatização da empresa do setor elétrico. Não bastasse isso, ainda uma declaração de que o Governo iria interferir no setor elétrico (que já vimos no período Dilma, não teve o efeito desejado) e agora, a ameaça de substituir o presidente do BB. Se tudo isso for realmente real, trará um aumento no Risco-Brasil, via aumento de Credit Default Swap (CDS) que é uma espécie de seguro contra quebra do Governo e que traz como influência o aumento do custo de captação para o Governo e as empresas brasileiras, além de uma diminuição no investimento estrangeiro, aumento do Dólar, desvalorização do Real.

Não bastasse esse aumento da interferência estatal do Governo nas empresas estatais, há outras coisas que colocam o Brasil no corner, sendo a principal delas, os ajustes nas contas públicas e as Reformas visando esses controles nas contas.

Já no mercado de ações, o Ibovespa está sendo negociado em patamar um pouco acima da média histórica. Tivemos uma queda na negociação fruto de um aumento nos lucros recentes das empresas brasileiras, que vêm surpreendendo positivamente.

No caso específico de Petrobrás, a petroleira brasileira já está sendo negociada bem abaixo da média dos pares internacionais, desconto esse provavelmente devido a esse risco estatal que ficou mais claro agora. No caso do Enterprise Value dividido pelo Ebitda, Petrobrás negocia a 5,3x ontra 7,5x dos pares internacionais. Com a força vista na abertura desse dessa segunda-feira, 22-02-2021, com a tendência de abertura em -15% que aconteceu no aftermarket dos EUA, a Empresa tende a ficar ainda mais barata, já que vem gerando um caixa muito alto. Alguns analistas estimam um FCFY entre 21-22% para 2021. S0ma-se a uma corrida por commodities, alta forte do petróleo, podemos ter aí uma oportunidade.

fonte: XP research

Excessos de mercado nas cotações, mas que em vários casos, podem nos trazer oportunidades. No meu ver, com o mercado em momentos assim, temos oportunidades.

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Game Stop e a revolta das sardinhas

01 de fevereiro de 2021 às 10:27 Por Postado em Central do Investidor

O mercado financeiro tem como característica ser um local em que raramente possui um dia igual ao outro. Esse mês de janeiro vem corroborando com isso, onde temos um movimento teoricamente organizado por pessoas física, oriundos de uma das corretoras mais populares dos últimos tempos, a Robinhood, em um fórum de investidores Reddit e cujo atenção foi para ações de uma empresa em dificuldades que devido ao Covid vinha com seus lucros caindo.

As ações da empresa de games saltaram de US$ 17 no início de janeiro para U$ 325,00 no final de janeiro, uma alta de 1811% aproximadamente. Inclusive uma das maiores gestoras dos Estados Unidos, a Melvin que possuía US$ 12,5 bilhões de AuM (ativos sob gestão) teve perdas da ordem de US$ 3,5 bilhões no mês apenas na posição vendida em Game Stop e o patrimônio líquido encurtou para US$ 8,5 bilhões (com a perda em outras posições, por exemplo Ali Baba, que tiveram que vender para dar como garantia pelas vendas em Game Stop).

Toda essa perda em Game Stop foi iniciada como uma ideia de que a Empresa não iria andar bem e assim a Melvin acabou vendendo as ações da varejista de games. Esse percentual de vendas chegou a 150% da posição de mercado de Game Stop facilitando o chamado Short Squeeze (movimento de mercado que investidores vendidos em uma ação, sofrem um revés e o movimento que era esperado de uma queda nas ações, acaba ocorrendo o contrário, dada a alta não esperada pelo vendedor das ações, o mesmo tem que ir a mercado comprar as ações que vendeu, aumentando o volume negociado, trazendo uma alta mais forte ainda para as cotações dessas ações). Sendo assim, a Gestora Melvin acabou pega no “contra pé” e aí teve que ir a mercado, comprar as ações da Game Stop para fechar suas posições e assim tentar estancar as suas perdas.

Abaixo segue a cotação dos últimos 6 meses da Game Stop:

Todo esse movimento só foi possível porque as ações de Game Stop estavam com um percentual de vendas próximo de 152% de short interest (vendidos na posição) perante o seu valor de mercado, como podemos ver abaixo…

A atenção para as ações da Game Stop foi tanta, que ela chegou a ter o maior volume negociado da Bolsa Americana e um dos maiores volumes em apenas uma ação no mundo todo em apenas um dia, no caso, cerca de US$ 20 bilhões. Como comparativo, todo o mercado de ações brasileiro negocia cerca de US$ 5,6 bilhões ou cerca de R$ 30 billhões diários, resultando em 4x maior volume de negociação em apenas uma ação americana, sendo maior que toda a negociação de ações no Brasil!

A história se repete..

Alguns dias depois do movimento em Game Stop, os investidores da Reddit, a rede social em que foi iniciado o movimento dos sardinhas, começa a articular o mesmo procedimento em outras ações de empresas em dificuldades que estariam com alto percentual de ações alugadas, favorecendo o movimento similar de short squeeze ocorrido anteriormente. No caso de AMC, tivemos na verdade um favorecimento a um grande investidor, o Silver Lake Partners, que realizou aportes em 2018 na ordem de US$ 600 milhões na AMC, que está sediada no Kansas e possui cerca 900 telas de cinema em 358 cinemas na Europa e quase 8 mil telas em 620 cinemas nos Estados Unidos. Em 2020, com o Covid e fechamento dos cinemas no mundo todo, o valor de mercado de AMC caiu 70% e as ações passaram a valer cerca de US$ 2,20 no início de 2021.

Pois bem, no final de janeiro, a Silver Lake com a alta recente das ações de AMC, cujo investimento estava em queda, acabou tornando o prejuízo em lucro e em documento recente na SEC (o xerife do mercado financeiro americano) mostrou que as vendas chegaram a uma receita de  US$ 730 milhões, nada mal para alguém que tinha colocado US$ 600 milhões em 2018, estava com queda de 70% em 2020 e agora realizou uma receita de vendas acima do que tinha alocado em 2018, mesmo com a continuação do Covid e o fechamento ainda de parte de seus cinemas..

E no Brasil, temos nossa versão Game Stop tupiniquim..

Depois do evento Game Stop acontecer nos EUA, temos a versão brasileira de tentativa de short squeeze com ações “amassadas e queridinhas” com as ações de IRB que em apenas um dia acabou subindo 17%. O fato é que dificilmente teremos, a meu ver, algo de impacto tão grande quanto o ocorrido nos EUA, porque aqui, o percentual de ações alugadas está em 10%, bem abaixo dos 150% de Game Stop, o que diminui a probabilidade de um movimento de recompra de suas ações.

Mercado de ações no Brasil em queda…

Durante a primeira quinzena do mês tivemos uma continuação do movimento de alta visto durante todo o segundo semestre de 2020, mas que recentemente tivemos uma correção e até descolamento do mercado de ações americano. Essa correção recente acredito que seja pelo momento político de que estamos passando, em um início de rumor sobre um possível impeachment de Bolsonaro (o que acredito que não ganhará força, mesmo com uma das menores aprovações históricas de seu governo), aumento de gastos e o não andamento de questões como privatização de Correios e Eletrobrás, que perdeu força recentemente com a saída de seu presidente para a Br Distribuidora.

Além disso, em pesquisa recente da Consultoria LCA, mostra que se 70% da população estiver vacinada até julho de 2021, o potencial de aumento no PIB será de cerca de R$ 150 bilhões a mais, aumentando o PIB em cerca de 2%, para 5,5% em vez dos 3,5% previstos.

Quanto a questão de vacinação contra o Covid, o número de doses administradas vêm crescendo em termos de rapidez, porém temos que lembrar que o País tem uma população grande comparada com países como França, Alemanha, Espanha e Itália. Esse movimento pode ser visto abaixo..

Outro ponto importante do mercado de ações é o Preço-Lucro Forward que estaria na média de negociação atualmente, segundo o Itau BBA..

Outro ponto importante é a entrada do capital estrangeiro que foi recorde, chegando a R$ 23 bilhões no mês de janeiro, repetindo a continuação do movimento de novembro e dezembro visto no mercado. O Brasil ainda está com um percentual muito abaixo do pico de investimento em mercados emergentes, atualmente está em 6% do total investido nesses mercados, cerca de 30% do total investido entre 2009 e 2010…

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Máxima histórica atingida! E agora, para onde vamos?

25 de janeiro de 2021 às 17:37 Por Postado em Central do Investidor

Recentemente atingimos uma máxima histórica na pontuação do principal benchmark do mercado brasileiro: o Ibovespa. Mas e agora para onde pode ir o mercado? A resposta sincera e óbvia, é de que não temos uma bola de cristal e nem certeza alguma para qual será o destino do mercado; apenas podemos colher indícios através das informações e estudando o que aconteceu e aí tirarmos um direcionamento para o lado que queremos investir.

Dados do Bank of America, nos mostra que no mercado americano, pegando em verde os anos posteriores aos anos que fecharam em recordes de alta. Podemos ver que a maioria dos anos seguintes a recordes de alta, continuaram com a tendência de alta e os piores anos foram apenas 4 de um total de amostra de 32 períodos, mostrando uma queda em 12,5% dos anos seguintes a topos históricos e uma continuação de alta em 87,5% dos anos, como podemos ver abaixo. O mercado brasileiro não é uma ilha, possuindo uma correlação próxima a 1 com o mercado americano, sendo assim há uma tendência de repetir-se aqui no Brasil esse mesmo tipo de evento..

Outro ponto importante que temos que observar é quanto ao fluxo de dinheiro que está entrando no mercado de ações via incentivos dos bancos centrais mundiais. Com a entrada de Joe Biden, essa continuação da tendência de incentivos deve continuar. No primeiro discurso como presidente, o mesmo afirmou que pretende direcionar ao mercado cerca de US$ 1,9 trilhões a mais de incentivos, inclusive comentando sobre um aumento na hora recebida pelos americanos (que nos EUA é de competência estadual), aumentando para US$ 15 a hora. A Flórida, por exemplo, tem um recebimento mínimo por hora de US$ 8-9, o que traria cerca de 76% de aumento. Mais dinheiro na economia, mais dinheiro respingando para o mercado financeiro. Esse fenômeno vem acontecendo recentemente e merece atenção, principalmente depois do início da pandemia.

Na figura abaixo, podemos verificar que após o início da pandemia e com o início dos incentivos no mercado (na linha laranja), com o número de pessoas ficando em casa aumentando, junto com o dinheiro recebido pelos americanos, o número de contas no aplicativo Robinhood, acabou disparando, trazendo milhões de investidores. Com o aumento de fluxo no mercado, ações mais populares, coincidentemente também subiram, ajudando no atingimento do topo histórico no S&P500, que ficou muito acima do momento pré-pandemia…

Continuando ainda nos mercados e seguindo a linha de raciocínio do fluxo de investidores e de dinheiro no mercado, o peso de alocação em ações ainda teria um maior potencial de aumento, segundo o JPMorgan. Além disso, com taxas de juros nas mínimas históricas é de se pensar que visando um potencial de retorno maior, é normal os investidores procurarem por mais risco, aumentando a alocação em ações-equities.

Partindo para dados da economia real, outro dado importante que podemos verificar é quanto ao PMI, um indicador importante que pode ser caracterizado como o “Índice de Gerente de Compras” e nos traz uma medida em tempo hábil e preciso de como está a saúde da economia mundial.

Abaixo, podemos notar que os backlogs ou carteira de pedidos estão aumentando. A tendência é que um movimento nos pedidos aconteça antes e posteriormente uma recuperação ou queda da economia. No quadro abaixo, conseguimos ver que a carteira de pedidos está acima e evoluindo e que deve ocorrer uma recuperação de preços…

Sendo assim, analisando períodos posteriores a topos históricos, fluxo de investidores, mais incentivos dos governos, carteira de pedidos e percentual alocado em renda variável nos EUA, ainda temos possibilidade de continuação na tendência de alta do mercado. Eu, como tenho um caráter mais fundamentalista na hora de investir em ativos, penso que mesmo com o potencial de manutenção desse movimento, cada vez mais é necessário um filtro, aumento na diligência e na seletividade de ativos. Teremos os resultados do último trimestre do ano nos próximos dias e isso tende a demonstrar com maior clareza o andamento da economia. Nesses momentos também é que encontramos as grandes oportunidades. Muita gente se esquece, mas as cotações das ações, no médio-longo prazo, andam próximas aos lucros e a geração de caixa por parte das empresas. Observar isso é investir de maneira correta e diligente, dando valor ao seu dinheiro!

Evolução dos fundos de investimentos imobiliários

Em dados recentes da Economática, notamos a evolução e crescimento dos investidores em fundos imobiliários. Acredito esse ser um dos melhores investimentos para quem pensa em fluxo e criar patrimônio, gerando uma renda para longo prazo, com menor volatilidade que o mercado de ações e potencial similar. Em 2020, praticamente dobrou o número de investidores nessa modalidade, com um número acima dos 3,731 milhões de investidores. Quanto maior o número de investidores, melhor

Dado importante é a mediana do dividend yeld dos fundos imobiliários que ficou em 2020, mais do que o dobro do CDI, chegando a 2,54x mais. Quem sabe o poder dos juros compostos e o potencial e poder do reinvestimento no médio-longo prazo…

Dado importante também foi a liquidez média diária dos fundos imobiliários. O valor de 2019 para 2020, quase dobrou. Com um maior número de investidores participando do mercado é normal também que o valor negociado aumente….

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Disclaimer Os relatórios e/ou em qualquer conteúdo de análise e recomendação providos pelo Bugg possuem caráter meramente informativo e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o usuário a tomar sua própria decisão de investimento, não devendo ser considerado como uma oferta para compra ou venda de ativos. Os editores responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos da Instrução CVM nº 598/18,que as recomendações do relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradasde forma independente. Além disso, os instrumentos financeiros discutidos neste relatório podem não ser adequados para todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento,a situação financeira ou as necessidades específicas de um determinado investidor. A decisão final em relação aos investimentos deve ser tomada por cada investidor, levando em consideração os vários riscos,tarifas e comissões.

Opinião sobre o momento atual by Eliseu Mânica Júnior

18 de janeiro de 2021 às 14:12 Por Postado em Central do Investidor

O objetivo do texto aqui não é prever o que pode acontecer (até porque ninguém pode fazer isso), mas sim procurar mostrar o que venho fazendo em meus investimentos e os pensamentos que tenho para o cenário atual.

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Invisto desde 2005 e desde 2008 trabalho de maneira profissional no mercado financeiro, já passei por várias crises como investidor, sempre tentando aprender e evoluir, mas um fato é que quando estamos no meio de uma crise, imaginamos que a atual é sempre a maior que já vivenciamos. O que diferencia essa das demais crises é o fato de que não ela não ocorreu por um erro do mercado, como uma ruptura no sistema financeiro ou alguma alavancagem, por exemplo, como ocorreu no suprime e a alavancagem dos bancos em 2008, o que nos deixa claro que a atual crise é uma crise da natureza.

Em meus investimentos tenho a maior parte do meu capital nas empresas que fundei, em terrenos e na parte financeira, 90% do capital financeiro nos Clubes de Investimentos que a Gestora que fundei faz a gestão, ou seja, totalmente skin in the game. Esses clubes andaram muito bem no passado e nesse ano, como a maioria dos fundos, ele está de maneira similar ao Ibovespa de retorno.

Ingressei com um aumento de 40% do meu capital em março, alocando em ações, penso que o mercado brasileiro descolou-se como um todo, principalmente do mercado americano e os ativos brasileiros que mais subiram foram ativos tech, linkados ao varejo online e recentemente as commodities, principalmente carne, produtos agrícolas e minério, devido a recente recuperação Chinesa, deixando ativos do mercado interno brasileiro muito aquém em termos de retorno. O que penso é que em dólar estamos caindo cerca de 60-70% das máximas como um todo e que vários ativos em dólar estão a preços vistos no ano de 2005. Somado a isso, nossa moeda é a que mais cai no ano e nossa bolsa idem, sendo assim, se não for para investir agora no mercado de ações brasileiro, qual será o melhor momento?

Sobre o fato do investidor procurar uma proteção em ouro e com o grande incentivo monetário por parte dos bancos centrais, acredito que o ouro já subiu muito, além disso, a maneira que grande parte dos investidores do Brasil utilizam para investimento em ouro é o OZ1D e OZ2D, que já sobe mais de 50% no ano, além disso, há uma quantidade maior de contratos financeiros de ouro, acima do que existe de ouro físico disponível no mundo, ou seja, estamos comprando papéis ou cotações de ouro e não propriamente a moeda.

Com todo essa quantidade grande de dinheiro no mercado, chama atenção o fato de que a velocidade do dinheiro não vem acontecendo, devido a isso acredito que foi necessário uma injeção maior de dinheiro na economia, como podemos ver abaixo:

O bitcoin poderia ser uma alternativa ao ouro, mas como todo investimento é preciso termos uma noção de onde estamos pisando, realizando uma análise de investimento, um valuation de quanto vale um ativo e eu, tentando fazer essa análise o máximo que consegui foi fazer uma análise baseada no custo para produzir um bitcoin, através da mineração e do uso de eletricidade, cujo custo varia de país para país.

Uma diferença do bitcoin para outros ativos é que o bitcoin não produz dividendos como o investimento em ações, ou não tem possibilidade do recebimento de um aluguel como no caso de imóveis ou ainda o de arrendamento e produção em uma área de terra, por exemplo. Esses ativos suprem também a questão da inflação, pois são ativos “reais” e penso que tanto dinheiro sendo colocado no mercado, possa ocorrer uma inflação (exceto de que quanto mais passa o tempo, menor é a velocidade desse dinheiro,ou seja, diminui a sua circulação).

Visando agregar na troca de ideias, irei primeiro fazer uma retrospectiva do que aconteceu, a solução e remédio utilizado e posteriormente minha humilde leitura do que pode ocorrer no médio e longo prazo.

1)Crise do Corona Vírus: crise da natureza como mencionado, onde um vírus trouxe um choque na oferta e na demanda na economia. Não foi uma crise do mercado financeiro em si, mas um efeito da natureza que trouxe mudanças rápidas. Por exemplo, foi queda mais rápida do mercado financeiro e também a recuperação mais rápida. Por exemplo, as quedas que ocorrem em março e abril, utilizando os parâmetros de risco de janeiro, somente teriam a probabilidade de ocorrer em 2767 anos, ou seja, algo extremamente raro e único!!!

fonte: Perseva Asset Management – apresentação

A resposta pelos bancos centrais mundiais foi rápida, com vários países já endividados e mesmo assim, a saída foi a impressão de mais dinheiro e incentivos, tudo isso ocorrendo de maneira rápida e gigantesca, como podemos o balanço do FED, o Banco Central Americano, que cresceu cerca de US$ 2,7 trilhões, ou seja, mais de 50% em apenas 2 meses!!! Não somente o banco central americano fez isso, mas a maioria dos bancos centrais mundiais.


fonte: Bloomberg

A grande quantidade de dinheiro disponibilizada, foi devido ao fato de que a velocidade do dinheiro vem diminuindo, ou seja, demorando mais para estar disponível no mercado. Só para se ter uma ideia, em 2008 com os quantitative easings da época foram cerca de US$ 700 bilhões disponibilizados ao mercado inicialmente e agora temos mais de 4x!!! Com essa imensa quantidade de dinheiro despejada no mercado, grande parte acabou indo para o mercado financeiro e acabou gerando uma valorização dos ativos, incluindo na bolsa de valores.

Sendo assim, após uma queda rápida nas bolsas mundiais, tivemos uma recuperação rápida também, influenciando nos múltiplos das empresas americanas, como podemos ver abaixo:

Acima podemos notar que o Price-Earnings da bolsa americana forward (prevendo um ano a frente) está em 20,4x lucros anuais, enquanto a média é de 15,4x. Já em termos de Enterprise Value-Ebitda, a bolsa americana estaria como segue abaixo, recuperando os múltiplos pré-crise:

 

Uma das bolsas americanas, a Nasdaq, que é a bolsa onde são negociadas as empresas de tecnologia, está inclusive acima do patamar pré-crise:

Aqui cabe uma ressalva devido ao fato de que as maiores empresas de tecnologia americanas, devido ao momento de lock down que passamos e que ficamos mais em casa, tiveram suas vendas aumentadas, sobretudo as FAAMG (Facebook, Apple, Amazon, Microsof, Google “Alphabet”), como podemos ver abaixo:

Com o aumento nas receitas das FAAMG e devido ao peso que as mesmas possuem no S&P500, que hoje é de 21,38%, o que é muito alto, nos mostra o quanto elas influenciam atualmente o peso do Índice Americano.

Com tamanho peso das empresas de tecnologia é natural que elas “puxem” para cima o índice S&P500, como mostra a figura abaixo e o retorno de cada empresa FAAMG, comparando-as com o ìndice Americano:

Movimento similar ocorreu no Brasil, onde empresas linkadas ao setor de tecnologia e varejo online (ou que estão focando e transformando seu varejo online) tiveram uma disparada, como o exemplo de B2W, Via Varejo, Magazine Luiza, Carrefour, Lojas Marisa, que tiveram recuperações fortes comparadas com outros setores do Brasil, muitas das empresas acima com históricos de prejuízo e queima de caixa (B2W queimou cerca de R$ 645 milhões em caixa, por exemplo).

Como não temos empresas de tecnologia e varejo como os maiores pesos no Ibovespa, por isso não recuperamos toda a queda que tivemos, pois temos empresas mais ligadas à commodities e apenas recentemente com a recuperação da China principalmente, que tivemos uma elevação no minério, assim como commodities agrícolas, carne, etc.

2) Crise do petróleo: Não bastasse a crise do Corona Vírus, tivemos a crise do Petróleo com Rússia e Arábia Saudita entrando em desacordo e praticamente fazendo com que a OPEP entrasse em descrédito, perdendo união entre os seus membros.

Antes da crise o consumo diário era de 100 milhões diários de barris e tivemos uma queda entre 20 a 30 milhões de barris diários na demanda. Não bastasse a queda na demanda, tivemos ainda um choque na oferta, com a Arábia Saudita vendendo por US$ 6 a menos para o principal cliente Russo, a China, cada barril de Petróleo e aumentando a oferta em cerca de 13 milhões de barris.

Como efeito, ocorreu um descasamento entre oferta e demanda e o petróleo saiu de US$ 65 para US$ 30, castigando as empresas do setor. Um fato que nunca havia ocorrido é que os contratos futuros do petróleo foram para o campo negativo, onde o armazenamento mundial entrou em choque também e o custo aumento de US$ 20 mil para US$ 180 mil diários por navio, além de uma ocupação de 87%, acima da média histórica. Com isso, os contratos futuros entraram em campo negativo, com ninguém querendo ficar com a batata na mão, como podemos ver abaixo:

No Brasil tivemos uma queda também nas ações do setor, onde empresas como Petrobrás, Enauta e Petrorio sofreram quedas acima de 70%, trazendo oportunidades para os investidores.

Penso que esse é um setor que tende a recuperar-se, eis que as empresas brasileiras têm um custo menor que o patamar atual do barril, em US$ 30, além disso, várias empresas de shale já estão saindo do mercado e é uma questão de tempo que muitas outras mais saiam, eis que a cotação do petróleo WTI que é a indicação usada para o shale, está em patamar muito inferior ao do Brent.

Como comentado anteriormente, pelo fato de que o Ibovespa não ter peso muito grande de ativos linkados ao setor de tecnologia e varejo, onde Vale, Petrobrás e Itaú tem os maiores pesos, temos que ter uma atenção especial com a China, que é uma das maiores compradoras de commodities do mundo. Com o fim do lock-down Chinês e a recuperação de alguns indicadores antecedentes dessa economia, podemos ter uma recuperação mais pujante do índice de ações brasileiro.

3) Crise política e o Brasil: se não bastassem as outras duas crises, fomos produzir uma terceira crise, a crise política brasileira, iniciando com um Moro Day, trazendo insegurança para o investidor. Como comparativo, mesmo em ano de eleição presidencial americana, lá o Senado tem uma união maior, diferentemente do que estamos vendo recentemente aqui.

Com mais  esse risco, o que aconteceu foi uma desvalorização maior em nossa moeda, que tem uma cotação menor que a da Suzilância e que é que mais cai no mundo, como podemos ver abaixo:

fonte: Bloomberg

Além do mais, tivemos um corte agressivo na Taxa Selic recentemente e isso trouxe mais pressão em nossa moeda, pois antigamente era muito comum o mecanismo de carry trade (investidor estrangeiro captava mais barato no exterior,  por exemplo, a 2-3% ao ano e investia no Brasil a 15-20% ao ano) e isso deve diminuir muito, eis que agora a Selic está no patamar mais baixo da história.

Com a queda que tivemos em nosso juro, maior do que esperado e que surpreendeu o mercado, o dólar ganhou ainda mais força, fazendo que com as ações brasileiras ficassem ainda mais baratas, depreciando nossa moeda, favorecendo as empresas exportadoras, outro setor que acabou subindo fortemente.

Resumo do que penso sobre tudo o que ocorreu recentemente:

1) empresas tech e varejo on line subiram fortemente nos EUA e por possuírem um peso maior no S&P500, fez com que alguns índices recuperassem o patamar pré-crise;

2) no Ibovespa, o que mais pesa são empresas ligadas ao setor financeiro e commodities, e o ideal é olharmos para a recuperação da China, que já vem acontecendo, porém empresas do setor bancário estão com quedas de 40-50% e acredito que temos uma oportunidade nesse setor;

3) investimento em ações se faz em momento de crise, em momentos que não temos uma certeza no cenário, para quem procura essa certeza, certamente comprará bolsa a níveis muito maiores que o atual. Momento atual é de grande incerteza;

4) maioria dos investidores busca proteção em ouro, porém além do fato de que o metal já subiu mais de 50% no ano, há outro fato de que este não possui um valor intrínseco (não produz nada), além disso, maneira mais usada é compra de contratos financeiros e há vários indícios  de que o número de contratos é maior que o lastro existente do metal, o que traz um risco alto (maior quantidade de ouro negociado digitalmente, do que o que existe propriamente de ouro físico, o que não deixa de ser algo similar ao dólar e ao fim do padrão-ouro);

5) em dólar, a bolsa brasileira cai próximo a 70% e o Real é a moeda que mais se desvaloriza no mundo;

6) em momento de impressão de moeda por grande parte dos bancos centrais mundiais, ativos reais tendem a ter maior valor e são proteção contra inflação;

7) ìndice de Volatilidade atingiu o pico (não quer dizer que não possa atingir novamente), mas é um indício do receio que existe no mercado e isso dispersou-se, pelo menos momentaneamente;

8) mercado interno brasileiro tem oportunidades. Ativos negociados abaixo do valor contábil;

9) estamos com o menor patamar de juros da história. Podemos ter elevação no dólar e isso tende a permanecer, melhorando nossos resultados comerciais como País;

10) Retirado do Livro “Ações para o Longo Prazo”, do Jeremy Siegel, que mostra que entre ações, títulos públicos de longo e curto prazo, ouro e inflação, o que mais rentabilizou em 204 anos (obviamente, tivemos guerras e inúmeras crises nesses períodos, não apenas como a Crise atual), foram as ações de ótimas empresas, como podemos ver abaixo:

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Aqui quem vos escreve é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Facebook: Eliseu Mânica Júnior

Intstagram: @eliseumanicajr

Twitter: eliseumanicajr

Bolsa brasileira nos 125 mil pontos… Cara ou barata?

11 de janeiro de 2021 às 18:42 Por Postado em Central do Investidor

De maneira surpreendentemente cá estamos nós outra vez, no topo histórico em termos de cotação no nosso benchmark, o Ibovespa! Poucos esperariam esse patamar ser atingido tão rapidamente, mas o fato é que o mercado é assim, surpreendente e cabe a nós investidores, nos adaptarmos e aprendermos a cada ano, olhando para trás e melhorando aquilo que é possível. O ato de investir é uma das poucas atividades que têm tendência de evoluir e melhorar com o tempo.

Uma das lições que eu já tinha comentado em artigos anteriores e que corroborou com o movimento dessa Crise Covid, foi o fato de sempre permanecer no mercado com maior ou menor percentual, de acordo com o seu perfil de investidor, diversificando os investimentos para você ter “balas disponíveis” para serem usadas em momentos como os de março-abril de 2020.

Outro ponto importante foi a observação do fluxo do investidor estrangeiro. A recuperação forte do final do ano, vista no Ibovespa, foi sobretudo a entrada de capital estrangeiro que saiu basicamente de um fluxo negativo de – R$ 80 bilhões para um fluxo negativo de – R$ 17 bilhões, o que mesmo terminando pelo terceiro ano negativo, tivemos uma melhoria na entrada de capital estrangeiro na ordem de R$ 63 bilhões em apenas 3-4 meses do final do ano de 2020.

Essa entrada de capital por parte dos estrangeiros, nos ajuda a visualizar o Ibovespa em dólar que ainda está perto dos 23 mil pontos, muito abaixo dos 40 mil pontos em dólares, atingido em meados de 2010-2012, como podemos ver abaixo:

O que vem ajudando o Ibovespa recentemente é a alta das commodities, que assim como outros ativos reais após a impressão maciça de dólares por parte dos bancos centrais mundiais (e que deve continuar nos EUA, como o Governo Democrata de Joe Biden, que já deu sinais de mais incentivos na casa dos “trillhões de dólares” e “salário mínimo da ordem dos US$ 15 a hora”, contra os atuais US$8 a 10 a hora) trouxe uma valorização nas principais commodities em 2020, favorecendo as exportações brasileiras, principalmente do setor de proteínas, soja, milho, minério de ferro, petróleo (com a recuperação rápida dos US$ 50,00 do barril) e outros, como pode ser notado na tabela abaixo:

Já em reais o Ibovespa negocia perto dos 125 mil pontos e aproximadamente 16x lucros atuais, cujo patamar está acima em um desvio-padrão da média de 13,2x lucros anuais. Dada essa alta recente, cautela e um maior filtro quanto aos ativos escolhidos são necessários. Atuo há mais de 15 anos no mercado financeiro e é incrível como nesses momentos de alta extrema, de recordes na pontuação do Ibovespa é que os investidores ficam mais corajosos para realizar investimentos. Um filtro de setores e ativos são importantes para momentos como esses. Setores como saneamento, utilities, commodities, ainda estão descontados e trazem oportunidades.

Já o S&P500 também negocia em patameres recordes, sendo avaliado a patamares semelhantes a Bolha.com, dos anos 2000, como podemos ver abaixo:

Dois indicadores que servem como embasamento para termos ciência do nível de mercado é o Fear and Greed Index, da Cnn Business que está atualmente em 71 de um máximo em 12 meses atingido em 93 e o indicador Panic Euphoria Model, que está batendo o recorde de negociação dos anos 2000, como segue:

Outro indicador muito importante, é o chamado “Índice de Buffett”, que utiliza o valor de mercado de todas as bolsas mundiais e o PIB mundial, tudo aquilo que é produzido no mundo e esse indicador traz outro alerta: ele está 21% acima de udo o que está sendo produzido no mundo, estando em patamares pré-2008, ano da Crise do Subprime, o que também nos chama atenção como podemos ver abaixo:

Sendo assim, em dólares vemos o Ibovespa ainda muito barato, quase a metade do patamar de 2010-2012, porém em Reais um pouco acima do patamar histórico (nessa próxima temporada de resultados, poderemos ter uma definição melhor). Uma alternativa é a compra de BDRs, para aqueles investidores que é permitido essa modalidade de investimento.

Já nos EUA, vários indicadores estão muito acima do patamar médio e nos mostra cautela quanto aos ativos a serem investidos. Um exemplo recente é a Tesla, cujo valor de mercado atingiu os US$ 800 bilhões e tornou seu fundador e majoritário, Elon Musk, o homem mais rico do mundo. Movimentos assim devem nos trazer cautela e nos lembrar que sempre temos que ter parcimônia na escolha de ativos para se investir, principalmente em momentos como esse, que começam a demonstrar excessos em alguns setores, como o de tecnologia, por exemplo.

Sempre lembrando: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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