Vacinação contra o Covid-19 irá guiar o andamento dos mercados

03 de março de 2021 às 08:50 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor

Recentemente tivemos uma semana volátil no mercado brasileiro de investimentos. Em um dia tivemos o mercado achando que o Governo iria interferir nas empresas estatais; em outro dia tivemos o andamento da MP para privatização da Eletrobrás, reforço na possibilidade de privatização dos Correios e o vazamento da remuneração do Conselho de administração e diretores da Petrobrás, cujo patamar foi o dobro da média de anos anteriores, nominalmente e percentualmente perante o percentual de receita da Companhia, validando em parte o movimento realizado pelo Presidente da República de alteração na presidência da Petro, que ainda não está confirmada, eis que o Estatuto exige que o presidente tenha experiência no setor petrolífero, que não é o caso do General Luna e Silva. Abaixo segue a remuneração dos administradores da Petrobrás:

Dado esse movimento de possível interferência estatal nas empresas de capital aberto, tivemos uma saída recorde de estrangeiros posteriormente a esses fatos mencionados acima, sendo um valor de R$ 9,2 bilhões de saída por parte dos estrangeiros entre os dias 21 a 26 de fevereiro de 2021.
Além dessa possível interferência estatal outros dados vêm pesando. O Lockdown que está sendo feito por uma grande número de estados no Brasil e a desaceleração na velocidade da vacinação também vem pesando. Estamos em um momento que estamos atingindo ápices de infectados de Covid no Brasil. No Rio Grande do Sul, o número de confirmados de Covid-19 em leitos clínicos e UTI, como podemos ver abaixo:

Já de modo geral o Brasil também está com uma média próxima das máximas de novos casos e, infelizmente, estamos voltando para as máximas de alguns meses atrás:

E a perspectiva de melhora?
Podemos pegar os dados de como está o andamento do percentual da população total vacinada entre os países e a perspectiva de vacinação do grupo de risco…
Atualmente, o Brasil já está com 6,53 milhões de pessoas vacinadas e é o nono país em termos de população de pessoas vacinadas. Temos 3% da população vacinada desde o início da vacinação em massa, iniciada há 3 semanas. Israel já possui mais de 50% da população, Emirados Àrabes com mais de 30%, assim como o Reino Unidos. Bahrein, Estados Unidos com mais de 15% da população. O que chama atenção, especialmente quanto aos dados americanos, é que diariamente 2,5 milhões de doses vêm sendo administradas diariamente e isso tende a ter mais de 80% população imunizada em meados de abril…

Lembrando: em 3-4 semanas, o Brasil teve 6,5 milhões de imunizados e os Estados Unidos, está com média de 2,5 milhões diárias e que podem chegar a 3 milhões de doses. Fazendo um paralelo e usando as 3 semanas do Brasil, enquanto os Estados Unidos terão 52,5 milhões de imunizados em 3 semanas, no Brasil tivemos 6,5 milhões, ou seja, 12,3% dos números americanos.
A rapidez na aplicação da imunização certamente está sendo vista pelos investidores e isso vem sendo refletido no preço dos ativos. Maior a velocidade da imunização, maior a possibilidade de uma volta normal da economia e do mercado, provavelmente isso que vem pesando (também) no mercado brasileiro somado ao possível aumento da interferência estatal, inclusive o Brasil andando menos que os pares na América Latina, em dólar…

Incentivos também auxiliam na retomada da economia
Recentemente tivemos mais um pacote de incentivos na ordem de US$ 1,9 bilhões nos Estados Unidos, pacote esse agora do novo presidente eleito, Joe Biden. Esse valor somado com os valores já disponibilizados anteriormente, totaliza quase 25% do PIB. Como comparativo, o Brasil já disponibilizou cerca de 8% do PIB…

A diferença da ajuda realizada nesse momento do Covid-19, com a Crise de 2008, é que o dinheiro está indo grande parte diretamente para os indivíduos. Na Crise de 2008, grande parte do dinheiro ficou parado nos bancos. Com os recursos indo para os indivíduos, parte desse capital tende a fluir para o mercado de capitais. Nas últimas 16 semanas tivemos recorde de fluxo de capital mundial ingressando no mercado de ações, como podemos ver abaixo:

Grande quantidade de dinheiro no mercado = cuidado, cautela com alguns possíveis excessos e aumento do risco de inflação


Com todos esses incentivos e esse dinheiro fluindo no mercado, aumenta o risco de inflação e de excessos. Expectativa de inflação no mundo todo vem aumentando. No Brasil, o IGPM passou dos 27% nos últimos 12 meses e o IPCA vem aumentando. Ter investimentos com proteção contra a inflação é o que venho comentando aqui há alguns meses. Diversificação de ativos é outro item a ser observado. Nos EUA a expectativa de alta na inflação também vem acontecendo como podemos ver abaixo, segundo a Universidade de Michigan, nos próximos 5 a 10 anos, como podemos ver abaixo…

e a cautela…
Nos EUA o indicador do Goldman Sachs sobre as condições do mercado financeiro está nas máximas. É notório que estamos com excessos em algumas empresas como Tesla (que fatura 25x menos que as montadoras de carros somadas e tem valor de mercado maior que as 9 maiores montadoras de carros do mundo) além de excesso nos bonds que estão pagando perto de zero.. abaixo seguem os dados do indicador do Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimentos do mundo..

Outro sinal de alerta é o yeld dos bonds de 10 anos do Governo Americano que estão ultrapassando o retorno dos dividendos das empresas de capital aberto do S&P500. É muito mais seguro investir em títulos públicos do que em ações caso o investidor esteja pensando apenas no recebimento de dividendos…

Em resumo, acredito que há grandes oportunidades no mercado, principalmente em ativos que ainda não andaram, no caso, o Brasil. Cabe lembrar que é nos momentos de maior stress que estão as maiores oportunidades. O andamento da vacinação vai ajudar a ditar o rumo dos mercados no curto prazo, porém sempre os fundamentos é que prevalecem no longo prazo. No Brasil, balanços como os da Petrobrás, Vale, Minerva, Usiminas, CSN, Movida, Locamérica e Pão de Açúcar, vieram muito bem, com empresas gerando muito caixa e diminuindo dívidas e alavancagem. Em tempos de alguns excessos, mais do que nunca é necessário o filtro na compra de bons ativos. Existem oportunidades!

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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Os Gringos, eles estão voltando! (parte 2)

30 de novembro de 2020 às 09:29 Por Postado em Blog do Eliseu

Hoje começo por uma questão que já comentei em uma ou duas edições atrás, sobre o forte movimento de ingresso de capital estrangeiro que começou e permanece nesse mês de novembro.

Continuamos com um forte ingresso no mês de novembro e chegamos a US$ 30 bilhões que ingressaram nesse mês de novembro, sendo o melhor mês do ano:

Nota-se uma recuperação grande quanto ao fluxo de entrada de estrangeiros, em que chegamos a cerca de US$ 70 bilhões de saída na B3 e agora estamos com cerca de US$ 27 bilhões negativos contra os US$ 57 bilhões que estávamos em outubro…

Mesmo com esse surpreendente ingresso de capital estrangeiro em novembro no Brasil e com o Real subindo quase 8% no mês, sendo uma das moedas que mais se valoriza no globo, podemos ver que o Real contra outras moedas emergentes, como por exemplo, o Peso Mexicano, ainda está muito desvalorizado, o que é um dos fatores que vêm atraindo os investimentos estrangeiros no Brasil.

O fato é que com esse fluxo voltando ao Brasil, teremos um tradicional ingresso de capital para as ações de empresas com maior liquidez e posteriormente empresas de pequena capitalização, o que já vem acontecendo…

Já a Bovespa está negociando cerca de um desvio-padrão acima da média histórica de negociação. Lembro que temos os menores juros da história e que isso faz que com os múltiplos tenham uma elevação de forma natural, eis que o custo de capital é mais barato, além de outros somatórios….

Um fato negativo e que deve ser observado, é o débito mundial não considerando o setor financeiro que está cerca de 240% ou 2,4x o GDP (PIB) mundial.. Esse indicador é muito usado por Warren Buffett, junto com o regime de capitalização da bolsa americana e o PIB americano, cujo múltiplo também está acima da média….

Por estarmos próximos do final do ano, as previsões de crescimento da economia aumentam e o BNP Paribas, acredita que o Brasil é o País que menos sofrerá com a queda do PIB até o final do ano e que a China e Àsia, irão crescer fortemente….

Já a total recuperação para os empergente deve acontecer apenas em 2022, para a Àsia o primeiro trimestre de 2021, para a Europa no terceiro trmestre e mercados emergentes em geral entre o terceiro e quarto trimestres…

Na última edição da Tônica, comentei sobre os ativos que mais tinham me chamado atenção, tivemos uma disparada de grande parte desses ativos e seus respectivos preços, como Eternit, Petrorio, Vale e outras. Você conferir abaixo o que mais chamou-me atenção…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço mais a função de analista, mesmo já passando na prova anteriormente), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
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FONTE: /https://bugg.com.br/2020/11/30/20201130-tonica-da-semana-eles-estao-de-volta-parte-ii/

Os Gringos, eles estão voltando!

16 de novembro de 2020 às 09:50 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor

Com o fim das eleições americanas e a provável vitória de Biden, investidores passam a tentar projetar os próximos 4 anos. No último artigo (que você pode encontrar aqui o link) tratei de empresas e setores que poderiam ser beneficiados com os incentivos de Biden. Não cabe a mim falar sobre política ou emitir uma opinião pessoal (eu moro nos EUA e tenho minhas convicções políticas, religiosas, mas acredito que aqui não é o canal para isso) e sim ser o mais neutro possível.  Vejo que de modo geral teremos também uma abertura maior de mercado e isso pode refletir em uma melhora de trocas comerciais entre os países, incluindo aí o Brasil.

Na última década os investimentos em mercados emergentes e commodities (EM e COMDTY, nas siglas da tabela abaixo), tiveram seus retornos muito prejudicados. A China agora com o Acordo do Pacífico, tende a aumentar o peso como um emergente, direcionando grande parte dos investimentos para a Àsia, onde temos que começar a olhar com uma maior atenção também, pensando os investimentos como algo mais global. Hoje é muito simples realizar isso, inclusive via veículos que estão no Brasil, como Fundos focados em China e Ásia, assim como em ETFs.

O Brasil por ser emergente, mantém também uma grande atratividade. O fato é que principalmente em dólar, para o investidor estrangeiro o mercado de ações brasileiro está muito interessante. Nos últimos 3 anos tivemos uma saída gigante do capital estrangeiro do Brasil, levando em conta o investimento na B3 em ações. Enquanto isso, o investidor pessoa física ganhou peso nesse período, porém, penso que o investidor estrangeiro deve retornar e isso deve trazer mais fluxo para o mercado brasileiro, favorecendo a liquidez e a elevação de nosso índice.

MAS SERÁ QUE OS GRINGOS ESTÃO VOLTANDO? 

Foram quase 3 anos de saída massiva e mesmo assim nosso Índice principal, o Ibovespa, saiu de 71 mil pontos para 105 mil pontos e só nesse ano, o fluxo negativo chegou em R$ 87 bilhões e atualmente está em uma saída de R$ 57,67 bilhões, como podemos ver abaixo:

Essa recuperação no fluxo e ingresso de capital por parte do investidor estrangeiro vem chamando atenção, desde os primeiros dias de novembro. Só nessas duas semanas iniciais, tivemos um ingresso líquido de R$ 12,73 bilhões em novembro…

Além da atratividade em dólar para o investidor estrangeiro, em reais a bolsa brasileira começa a ficar mais interessante. Se colocarmos as ações da Petrobrás (peso de 11% no índice) e da Vale (peso de 10% no Índice e que negocia a 5x lucros para 2021) teríamos um Ibovespa mais perto da média do que vem sendo negociado desde 2005 – vide segundo gráfico abaixo:

Todo esse rotation (palavra muito utilizada recentemente) de mercados mais maduros para emergentes (Brasil, China), vem também favorecendo a alocação nos ativos que ficaram esquecidos pelo mercado, sendo que a maioria desses ativos pode ser classificado como empresas de valor ou value investments, empresas em setores mais maduros, com pouco crescimento (na teoria é o que espera o mercado, mas muitas vezes essas empresas trazem “surpresas” positivas, um lucro muito maior do que é o esperado e de maneira surpreendente) e setores tradicionais.

Além disso, as moedas dos países emergentes estão interessantes, estando em um dos menores patamares desde 1995!

Tudo isso privilegia o Brasil, trazendo resultados positivos para as empresas brasileiras e alguns setores específicos, que nos remete ao próximo tópico: resultados que me chamaram atenção até o momento…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço a função de analista), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Construtoras: gostei de Even, Trisul, Tenda e MRV. Tornei me cliente da Even recentemente e a abertura de capital da Melnick, assim como geração de caixa da empresa vieram muito bem. Trisul planeja  lançar 5x mais do que lançou até o momento para 2021. Tenda gerou um caixa gigante, R$ 112 milhões, além disso vem implementando CDT, pequenos “hubs centralizados”, visando melhorar a logística de entrega de materiais para as obras, gerenciando o estoque de produtos de maneira mais adequada. Além disso, tem um preço menor por imóvel que a concorrência e está testando um produto similar ao drywall dos Estados Unidos. MRV, vem aumentando o peso da Luggo, lançará mais via AHS nos Estados Unidos (o retorno de alugueis aqui, acredito que são melhores que no Brasil, inclusive morei em um produto AHS no Sul da Flórida). Das três anteriores citadas, acho que a MRV é a que está mais cara, mas que se entregar os projetos que pretende, tende a ficar mais atraente.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/16/os-gringos-estao-voltando/

Biden Presidente! E agora, onde investir?

09 de novembro de 2020 às 14:05 Por Postado em Blog do Eliseu

Certamente essa foi uma das eleições presidenciais americanas em que o mundo mais deu atenção da história. Foram mais de 140 milhões de votos, sendo o ex vice-presidente Biden, o presidente eleito com o maior número de votos da história. A escolha do presidente nos Estados Unidos é um pouco diferente do que estamos acostumados. Aqui, (moro nos Estados Unidos desde 2016) os votos dos delegados têm um peso muito grande, sendo eles que decidem o rumo dos Estados Unidos. O mundo, assim como o Brasil não é uma ilha, sendo assim, tudo o que ocorre gera reflexos para o Brasil.

Mas e como devemos investir, visando lucros máximos para os próximos quatro anos?

Lendo as propostas que foram feitas na campanha pelo Biden, podemos fazer um resumo do que tende a ocorrer para os próximos anos e os setores que tendem a ser mais privilegiados.

1) gastos por parte do Governo Americano e impressão de dólares

Os incentivos do Governo Trump tendem a continuar no Governo Biden. Impressão de dólares por parte do Banco Central Americano e o seu atual presidente, Jerome Powel, tendem a desvalorizar o dólar, trazendo como consequências, a valorização de ativos reais, como propriedades, áreas de terra, shopping centers, e ativos que têm finitude, como exemplo, o Bitcoin (há um limite de 21 milhões de unidades de bitcoin e que eu não invisto, pela dificuldade de se fazer uma avaliação de quanto vale um bitcoin, hipoteticamente),  ouro (que serve mais como proteção em tempos de crise, mas que não tem valor intangível como os ativos comentados anteriormente).  Há rumores de que a alta dívida dos estudantes americanos (que muitos acreditam, onde iniciará a próxima bolha) será perdoada em grande parte.

2) maior abertura econômica dos Estados Unidos

Biden quer “reabrir” a economia americana e fazer mais acordos. Enquanto Trump tinha um perfil mais nacionalista e protecionista, focando em trazer empresas que estavam fora dos Estados Unidos de volta para a Terra Natal, Biden possui um perfil de realizar maiores acordos, por exemplo, com a China, favorecendo o aumento das trocas comerciais entre os países, inclusive o Brasil. Isso tende a favorecer o crescimento dos Estados Unidos e é visto como algo positivo para o comércio internacional. Brasil e mercados emergentes também tendem a ser favorecidos.

3) Aumento de impostos

São esperados aumentos de impostos por parte do Governo Biden. Hoje, a alíquota média de impostos para empresas nos Estados Unidos é de 21% e tende a ser elevada para 28-29%, o que traria uma queda, segundo estudos, de cerca de 12% nas ações americanas.

4) Legalização da maconha

O Partido Democrata tende a legalizar a maconha como uso por todo o País, entrando em acordo com a legislação dos Estados Americanos para aprovação nos estados que ainda não é permitida. Ações ligadas à produção e consumo da maconha tiveram uma alta forte nos últimos dias e podem ser beneficiadas, caso isso venha a acontecer.

5) Incentivo para energias alternativas

Há a tendência de incentivos para veículos elétricos, sendo a Tesla (TSLA), um dos beneficiários. Falarei sobre a Tesla e o seu valor adiante. Outro término é a diminuição do fracking, que consiste na retirada de petróleo do subsolo. Estados como o Texas teriam a perder com isso, teríamos uma diminuição na produção de petróleo, consequentemente, teríamos um menor estoque, o que poderia elevar o seu preço no curto prazo.

Segue um resumo abaixo dos setores que podem ser mais privilegiados:

Ser teimoso ao investir ou não ser, eis a questão?

Ferdinando, o touro mais conhecido entre os personagens da história tem como característica fazer totalmente ao contrário do que a maioria espera o que faça um touro, mas mesmo assim ele é um dos personagens mais conhecidos da história. Um touro é reconhecido por sua valentia e coragem. Ferdinando preferia a natureza, a paz e o status quo, algo totalmente diferente do que se espera de um touro.

Investidores em valor, que focam em avaliar empresas pelo método tradicional, via fluxo de caixa, usando valuation ou comparativo de múltiplos, certamente estão sentindo-se como um Ferdinando nos tempos atuais. Confesso que tenho um pouco do Touro Ferdinando, na parte de ser teimoso e muitas vezes contrário do que a maioria dos investidores pensa. Já comentei aqui sobre a grande entrada de pessoas físicas na bolsa de valores brasileira e mundial.

Muitos desses investidores mesmo sendo um peso grande na hora de investir (são mais de 3 milhões de pessoas físicas, sendo que o número dobrou do ano passado para hoje) estão ingressando no mercado e focando sua atenção em youtubers (nada contra, tenho vários amigos que são e que geram um grande valor em termos de informação) que muitas vezes não têm tempo de preparar conteúdo e avaliar empresas. Nota-se uma relação entre vídeos lançados comentando sobre empresas que estariam atrativas e a alta no preço dessas ações.

Dado o movimento de curto prazo de alta, muitos desses investidores começam a acreditar que acertaram o Santo Graal, quando na verdade muitos desses movimentos de curto prazo apenas os tiraram do caminho mais correto da forma de investir: estudar empresas, procurar estudar fontes primárias de informação (dados das próprias empresas que investem e serviço de Relações com Investidores dessas empresas) e complementares, como relatórios de casas de research, de bancos de investimentos, sendo complementos do dever de casa de ter estudado o que os administradores dizem sobre a empresa que o investidor aloca o seu capital.

Comparamos nosso dinheiro na hora de comprar um ar condicionado, uma televisão, mas a maioria de nós nem sequer sabe quanto lucrou a empresa que investiu 20% do dinheiro que alocou pensando na aposentadoria. Há um longo trabalho a ser feito com esses novos investidores que entraram no mercado recentemente, ajudando-os a investir de maneira consciente, ao menos com noções entre a diferença de preço e valor.

Valor x Crescimento

Duas das escolas de investimento mais tradicionais, a escola de investimentos em valor e a escola baseada em empresas Growth (crescimento), nesse ano de 2020 estão com uma das maiores discrepâncias dos últimos 2o anos, vistas em período conhecido como a “bolha.com”.  Além disso, os mercados emergentes (O Brasil inclui-se) estão com valuations extremamente depreciados. O mercado é compostos por ciclos, tivemos o período 2002 a 2008, em que tivemos um boom nas commodities e em mercados emergentes. Entre os anos 2010 e 2020, tivemos empresas ligadas ao termo tech, como as que mais subiram. Hoje novamente estamos com os mercados emergentes e empresas de valor depreciadas, como podemos ver abaixo:

Nos últimos 5 anos, tivemos o comparativo entre empresas value  e growth, muito similar aos movimentos do final dos anos 90, atualmente com as empresas tech, muito sobreavaliadas.

Como em 1999, a moeda dos mercados emergentes também está muito depreciada. O Brasil, junto com Lira Turca e o Peso Argentino é uma das moedas que mais cai no mundo em 2020. Para 2021, acredito que isso tende a mudar, inclusive o valor próximo do Dólar x Real, tende a ser ao redor de R$5,20, usando a metodologia de usarmos os dados da inflação americana e brasileira, desde o início da criação de ambas as moedas, no caso do Brasil, em 1994, no Plano Real..

Todo esse dinheiro no mercado, traz desequilíbrios, como o valor de mercado de Tesla, que vale mais que as 9 empresas automobilísticas, que produzem quase 100x mais em receia que a Tesla. Inclusive, já havia escrito aqui, sendo os dados utilizados pelo Economista Ricardo Amorim. Abaixo, podemos ver a discrepância de Tesla e outras montadoras (essa é mais uma das discrepâncias):

Em resumo:

  1. Biden eleito, devemos ter impressão de moeda, legalização da maconha, investimentos em infra-estrutura, maior abertura econômica, acordos com a China, incentivos para energia alternativa, entre outros;
  2. Número de casos de Covid aumentando, porém aumentou-se a quantidade de testes. Taxa de mortalidade está menor que o pico de março, estamos sabendo lidar melhor com a situação;
  3. Economia americana, recuperando-se;
  4. Nunca tivemos uma diferença tão grande entre crescimento x valor nos investimentos e isso tende a mudar, ao meu ver;
  5. Cuidado com as empresas que estão embutindo altos ciclos ou altos retornos no preço das ações, muitas delas não terão como entregar o resultado que está precificado;
  6. Grana é liberdade e o tempo mais precioso que temos é o tempo. Use o seu com sabedoria, incluindo não utilizá-lo para investir de maneira equivocada!
  7. Foque em estudar mais as companhias e a seguir menos “dicas” de pessoas na internet.

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Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Mânica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/09/biden-presidente-e-agora-onde-investir/

Foque naquilo que você pode controlar nos investimentos

02 de novembro de 2020 às 23:31 Por Postado em Blog do Eliseu
foco nos investimentos

No último artigo que escrevi e você pode ter acesso aqui , comentei acerca da volatilidade que era esperada pelo mercado e que acabou ocorrendo na última semana do final do mês de outubro. O fato é que dada a baixa atratividade dos investimentos, o baixo custo de capital mundial, as eleições americanas e a chegada do inverno no hemisfério norte, aumentando os casos de Covid (tivemos também um aumento na quantidade de testes), faz com que tenhamos uma série de acontecimentos que trazem incertezas para o investidor e essa incerteza é sinal de oportunidade tanto para o investidor quanto para o especulador, muitas vezes colocado à margem do mercado, mas que é necessário, no mínimo, para um aumento de liquidez no mercado.

É na incerteza que os preços dos ativos ficam mais voláteis, onde muitos players preferem sair do mercado dada a falta de clareza no cenário de investimento é da natureza do ser humano preferir ambientes mais seguros dada a composição da parte do nosso cérebro reptiliano, onde desde os primórdios procuramos segurança, andar com a “manada” e com um grupo de pessoas para nos trazer segurança. Nos investimentos quem segue isso, tende a ter um retorno abaixo ou no máximo na média comparado com outros investidores. Sendo assim, precisamos “lutar” contra nossos instintos e contra nossa composição humana, agindo diferentemente da média porém com motivos e razões para determinados movimentos do mercado, não apenas sendo um “do contra”, por ser.

Não vai ser nem a primeira e nem a última correção do mercado, onde esses movimentos são necessários e devem ser bem-recebidos para o investidor que ainda está em momento de acúmulo de capital. Abaixo podemos ver um compilado das últimas crises, onde podemos ver que elas têm incidência quase que anual, no nosso mundo:

É nesse cenário atual, com a bolsa brasileira em dólares no nível de maio de 2020 e com alguns ativos negociados a valores  de 2005 (Banco Bradesco em dólar, por exemplo, tem um lucro 4x maior hoje do que tinha em 2005, porém com preços em dólar a valores de 2005). O fato é que temos oportunidades retornando, balanços vindo bem, acima das projeções do mercado e recuperação nos lucros de 2019, como mostrarei adiante, fazendo um apanhando dos acontecimentos e oportunidades ao meu ver.

Aumento no número de casos de Covid

Quem olha friamente as manchetes do jornais e da televisão, prestando atenção apenas no aumento no número de casos de Covid, pode esquecer de outros detalhes fundamentais. Com a chegada do inverno no hemisfério norte é normal esse aumento de casos, além disso, temos a questão de nos Estados Unidos, por exemplo, há um aumento no número de testes, o que naturalmente já aumenta a quantidade de casos. A parte positiva, ao contrário de março passado, é que estamos cada vez mais perto de uma vacina, o que aumenta a chance de uma retomada na normalização econômica.

Abaixo, podemos notar que a quantidade de testes aumentou quase 20x, então é natural o aumento de casos, pois a amostra está maior. Um dos pontos positivos é que a quantidade de mortes vêm diminuindo, estamos sabendo tratar melhor a doença e isso traz mais esperanças para uma saída mais rápida. Na China, a economia está crescendo a pleno vapor e a expectativa que seria em 2030 de que a economia chinesa poderia tornar-se a maior do mundo, foi antecipada para 2024. Conversando com dois médicos próximos, que tomaram a vacina Chinesa, eles comentaram da imunização, então pode ser que dado o baixo nível de casos na China (alguns podem desconfiar dos dados), aparentemente eles estariam com alguma vacina efetiva.

Crescimento acima do esperado da economia

Um dos pilares em investimentos é o retorno pelo lucro ou pela geração de caixa por parte das companhias. Investir possui uma lógica e a lógica é que, no médio e longo prazo, o percentual de aumento ou queda nos lucros ou geração de caixa (o principal ao meu ver), acompanhará a flutuação do preço das ações. Começamos o período de divulgação de resultados do terceiro trimestre e nos Estados Unidos, esses resultados estão superando em cerca de 85% o compilado e esperado pelos analistas. Comparando com o ano passado, o S&P500 teve lucros que estão até o momento 5% abaixo, porém notamos que grandes empresas vêm trazendo resultados muito acima do esperado, como Google, Amazon e outras.

Já na Europa, analisando o cenário macro, estamos com crescimento no GDP (PIB) muito acima do que era esperado, mesmo com o lock down seletivo nesses países…

No Brasil idem, tivemos o começo da temporada de resultados e resultados como Tupy, Romi e Vale (isso não é uma indicação de compra ou venda) chamaram a atenção, vindo muito bem, tanto que aumentei posição nesses ativos no último dia útil de outubro. Vale, por exemplo, negocia a 2,9x Ebitda contra 5x de BHP e Rio Tinto e cerca de 5x lucros para 2021..

E o grand finale… eleições americanas…

Essa é a segunda eleição presidencial que passo aqui nos EUA. A primeira trazia pesquisas dando ampla vantagem para Hillary Clinton e acabou dando Trump. Aqui nos EUA, os meios de comunicação tem um lado bem definido na hora de dar a notícia.. a Fox, Canal de Televisão é Pró-Trump e a CNN, pró-Biden e contra o Trump. É algo engraçado, porque na CNN, por exemplo, a Emissora fica o dia inteiro “batendo” em Trump. O fato é que as pesquisas aqui têm um forte viés e não podem ser consideradas 100% como fonte de credibilidade..

Como em 2016, estamos notando um crescimento de Trump nas pesquisas nesses últimos dias, inclusive o percentual está muito similar ao mesmo ponto das últimas eleições…

Acredito que o cenário ainda continua muito aberto, com possibilidade de ganho para ambos os presidenciáveis, mas independentemente desse resultado, acredito que o foco principal deva ser na análise dos ativos em carteira, seu preço e valor visto, boa administração, pois como mencionei anteriormente, essa volatilidade traz oportunidades para ativos com ótimos resultados e ótimos preços. Com juros baixos, trazendo poucos retornos, temos pouca escolha de alocação de capital e o mercado de ações é onde temos as melhores oportunidades no momento.

Independentemente do resultado dessa eleição presidencial americana, podemos ver que a média de retorno em ano de escolha de presidente, no S&P500, é uma média de 11,3% para qualquer presidente, 9,3% para a entrada de um novo presidente e 13,4% para o presidente que está no poder vencer. Quem for o presidente, desde 1928 temos a probabilidade ao lado nosso lado e temos como investidores, focar naquilo que temos controle: nosso emocional para controlar a volatilidade e a queda momentânea no preço das ações e o controle daquilo que vamos investir!

Em resumo:

  1. a quantidade de crises, assim como a volatilidade vem aumentando no mercado. Volatilidade = oportunidade;
  2. número de casos de Covid aumentando, porém aumentou-se a quantidade de testes. Taxa de mortalidade está menor que o pico de março, estamos sabendo lidar melhor com a situação;
  3. resultados nos EUA e Brasil vindo muito bem e surpreendendo positivamente. PIB dos maiores países europeus, idem;
  4. eleições americanas ainda “abertas”, porém isso não pode ser o principal foco do investidor;
  5. independentemente do resultado das eleições americanas, o fato é que o mercado de ações sobe em períodos como esse;
  6. foque naquilo que pode controlar: seu mindset ao investir, seu temperamento de investidor, as oportunidades que surgem, o estudo dos ativos que gosta e quer investir.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
Facebook: Eliseu Mânica Júnior
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Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/02/foque-naquilo-que-voce-pode-controlar-nos-investimentos/

Investidores precisam acostumar-se cada vez mais com a volatilidade

26 de outubro de 2020 às 16:15 Por Postado em Blog do Eliseu, Central do Investidor

Que 2020 está sendo um ano desafiador todos sabemos, mas o que mais chama atenção é a volatilidade do mercado acionário mundial. Em certo momento do Ibovespa chegamos a ter uma queda de – 46% e em torno de 6 meses recuperamos grande parte indo para uma queda muito menor, de -13% em 2020. O investidor que acertou o fundo nos 61 mil pontos, está com um retorno de mais de 60% em 6 meses, porém, convenhamos isso é muito difícil de conseguir-se.

No S&P 500 a volatilidade foi maior ainda, estamos com uma alta de 8% no ano e no momento de maior queda atingiu-se 30% do ponto onde terminamos 2019.  Já a Bolsa de tecnologia Nasdaq 100 chegou a ter retornos de 43% no ano, caiu para -20% em certo período e atualmente está com 35% de ganhos em 2020. Outro Índice americano, o Russell 2000 Small Cap está subindo 2% em 2020 e chegou a cair 40% nos piores períodos.

Esse cenário de volatilidade no mercado acionário vem ocorrendo ao redor do globo, deve ser algo que tende a continuar nos próximos anos, dado o cenário de incentivos por parte dos bancos centrais mundiais e as baixíssimas taxas de juros que devem continuar na Europa e nos Eua, sendo assim, o investidor deve acostumar-se com essa nova realidade caso queira ter retornos com os investimentos.

Em recente relatório do JP Morgan, que compara uma das maiores volatilidades, estamos em um ano que fica clara a volatilidade em 2020, onde saímos de uma queda de -34% para uma alta de 4% no S&P500, conseguimos verificar de forma mais clara abaixo, comparando com anos anteriores:

Nesse mês de outubro, precisamente no dia 19 de outubro de 1987, ocorreu a maior queda em apenas um dia na história do mercado norte-americano, sendo essa queda de 22% em apenas um dia!!! Olhe o ano de 2020, o S&P500 chegou a cair 34% em março e agora o mercado está com alta de 4% de alta, muito similar ao fatídico ano de 1987, que marcou o cenário mundial, sendo conhecido como o “Black Monday”.

Analisar dados e estudá-los é o que nos faz crescer e evoluir como investidores. Em 23 de 41 anos tivemos correção acima de dois-dígitos dentro de um ano. Em 12 de 23 anos, o mercado terminou em território positivo e em 8 de 23 anos, o mercado acionário terminou o ano com mais de dois-dígitos de ganhos. Há uma grande chance, como eu comentei, que essa enorme diferença entre ganhos e perdas ocorridas nesse ano, continuar para os próximos anos.  Com taxas de juros mais baixas, há uma clara de tendência do investidor tomar risco busando maiores retornos e o Banco Central Americano, Fed, está ajudando nisso mais do que nunca. Temos milhões de investidores que não apenas querem, mas precisam de retornos maiores para o seu capital, incluindo aposentados que não pouparam o suficiente para a aposentadoria e fundos de pensão sem capital suficiente para honrar as obrigações deles.

Todos esses fatores tendem a mudar a maneira que alocaremos o capital nos próximos anos e não apenas no mercado acionário os investidores irão precisar acostumar-se com a volatilidade, mas os investidores em bonds (a renda fixa dos americanos) também. Como exemplo, posso citar o Bloommberg Barclays Aggregate Bond Index, que é um bom indício para o mercado de bonds, que está com um yeld anual de 1,2% e uma duration de 6 anos, significando que teremos uma expectativa de retorno de 1,2% anualmente pelos próximos 6 anos. Isso também pode significar que 1% de alta nas taxas de juros, podemos esperar uma expectativa de 6% de queda. Outro índice, o 20+ Year Treasury Bond ETF (TLT) tem um yeld de 1,3% com uma duration de 19 years. Isso significa também que a cada 1% de aumento na taxa de juros, poderá levar a uma perda de 19%.

Como podemos ver, se os retornos de longo prazo dos bonds estão próximos das baixas taxas de juros, o investidor que não está contente, poderá procurar outras opções com retornos maiores, como os investimentos conhecidos como high yelds e investimetnos alternativos empresas e mercados emergentes:

fonte: Ycharts

Só o investidor tem que ter cuidado que ao buscar retornos maiores, há também uma chance maior de perda nesses fundos. Essas são as maiores quedas em títulos de dívida corporative, jun bonds, bonds de mercados emergentes (incluindo o Brasil), ações preferenciais (as PNs do Brasil) e REITs (os fundos imobiliários americanos):

fonte: Ycharts

Podemos notar perdas entre 20% a 42% nos investimentos com riscos maiores, sendo assim, para o investidor buscar retornos maiores, terá que correr maiores riscos e acostumar-se com a volatilidade ou deixar seu dinheiro em cash ou ativos de liquidez alta e ganhar quase nada de retorno. Se você quiser ter maiores retornos no seu dinheiro, você precisará aprender a viver com maior volatilidade. Além disso, temos as eleições americanas que contribuem ainda mais para o aumento de volatilidade, trazendo dificuldades na escolha de investimentos, inclusive para grandes gestores, fundos e endownments. 

Eleições americanas, investimentos realizados por profissionais e o aumento de volatilidade nos mercados que tende a ficar

Em ano que o Ibovespa cai mais de 13% fica difícil para o investidor ter retorno positivo, assim como para os investidores profissionais. Em estudo recente das maiores endowments  (fundos de pensão e cenário vem mudando e a volatilidade aumenta muito perto de ano de eleições presidenciais americanas.

Nesse ano um fato que chamou atenção foi o aumento no número de investidores pessoa física e no sativos que mais tiveram retornos, sendo os investimentos em empresas consideradas mais populares, fazendo com que fosse colocado em cheque o retorno de investidores profissionais e fundos que estão tendo retornos abaixo da média de mercado. Esses retornos abaixo da média, colocam à prova o trabalho e o investimento feito por aqueles que são considerados profissionais e gestores de investimentos e que deveriam “bater o mercado”.

Em ano de volatilidade e em que empresas consideradas “caras”  e que estão subindo mais forte no ano, fica mais difícil para o gestor de fundos ter retornos acima da média. Além disso, poucos esperavam a recuperação que estamos tendo no ano, principalmente no mercado acionário americano em que já estamos com retornos positivos. Abaixo, seguem os retornos do Fundo Endowment de Harvard, que teoricamente reúne as pessoas mais inteligentes do mundo para a seleção de ativos:

Quanto às eleições presidenciais americanas, que podem trazer riscos na política de investimentos, Biden já deixou claro que vai parar de incentivar setores como o setor petrolífero, focando em energia alternativa e não-poluente. Mesmo com todas essas preocupações e o aumento de volatilidade, nota-se que  o mercado acionário americano independentemente de qual partido ganhe, temos um viés histórico altista:

Assim como temos um cenário de altas no governo dos presidentes, as quedas também podem acontecer em períodos isolados, independentemente do partido do presidente escolhido. Aqui podemos verificar melhor  as maiores quedas em cada período:

Sendo assim, fica claro que a volatilidade que estamos vivendo em 2020, tende a aumentar com a escolha do próximo presidente americano, porém vimos que os retornos tenderão a manter-se, cabe a você investidor, preparar o coração para a volatilidade, ter paciência e regularidade nos aportes para aproveitar o aumento de oportunidades que a volatilidade nos traz nos investimentos.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/10/26/investidores-precisam-acostumar-se-cada-vez-mais-com-a-volatilidade/