Ações em valor e commodities podem estar depreciadas

13 de julho de 2020 às 10:24 Por Postado em Blog do Eliseu
Ações baseadas em valor
Ações baseadas em valor

Ações baseadas em valor, commodities e mercados emergentes podem estar depreciadas

Chama atenção nos últimos dias a descolada que deram as ações da Tesla e de ações linkadas ao setor tech, tanto nos EUA quanto no Brasil. No início do ano as ações da Tesla estavam sendo negociadas a US$ 430 e agora estão a US$ 1.544, ou seja, uma alta de 259% apenas em 2020 e em ano de pandemia.

Uma das premissas de investidores em valor ou investidores que procuram investir com uma razoável margem de segurança é de que as cotações das ações devem acompanhar o lucro ou na minha visão, o caixa gerado por essas companhias. Muitas vezes, o lucro pode advir de um lucro contábil, algo não operacional, como reavaliação de propriedades que não são o core business da empresa investida e que vem sendo muito comum em algumas empresas da bolsa brasileira.

No exemplo da Tesla, no últimos dois trimestres é que ela começou a gerar lucro e mesmo assim foram cerca de US$ 16 milhões ou US$ 0,09 (sim 9 centavos) por ação que está negociada a US$ 1544, ou um Price-earnings (preço dividido pelo lucro anualizado) de 4289 vezes!!!!!! Lembro que no quarto trimestre de 2019, os ganhos foram de US$ 105 milhões de lucro líquido ou US$ 0,56.

Corrobora com isso que venho falando a questão de que a Tesla vale hoje US$ 260 bilhões, possuindo um valor de mercado maior que GM, Ford, Fiat Chrysler, Honda, Daimler e Ferrari, JUNTAS!

No último ano, as receitas dos outros produtores de automóveis foram de US$ 731 bilhões contra US$ 26 bilhões da Tesla, ou seja 27x menos!!! O que o mercado vem precificando é um crescimento gigantesco para Tesla nos próximos anos e provavelmente fontes de receita fora do negócio principal, quem sabe algo também relacionado a Solar City (sim, a Tesla é dona de uma empresa de telhas fotovoltaicas, que geram energia a partir da luz solar).

Por morar aqui na Flórida, vejo amigos com desejo de ter um Tesla e alguns até compraram, até pela questão de leasing, onde você paga cerca de 20-40% do carro em 2-3 anos para uma empresa que é responsável pela manutenção do carro. Após esse período, o carro retorna para as mãos de quem alugou. O ponto positivo disso é que pode ser utilizado como despesas em uma empresa, diminuindo o pagamento de impostos, tudo de uma maneira correta e honesta.

Acredito que todo esse movimento, seja devido ao aumento de número de investidores pessoa física e aos hobinhooders, pessoa física que negocia ações via o aplicativo Hobinhood, de corretagem grátis, mas que vende a ciência das compras e vendas para investidores maiores, de grande parte os investidores profissionais.

Esse movimento que tem acontecido com ações de Tesla, vem acontecendo com outras empresas tech e empresas de crescimento que estão nas máximas históricas e que estão com um peso gigante, um dos maiores da história na composição do S&P500, como podemos ver abaixo, enquanto que ações de empresas cíclicas e de setores considerados investimento em valor, como bancos e setor financeiro, indústria, energia e consumo discricionário, estão nos patamares mais baixos. Lembro que investir é olhar para frente, imaginando o que pode acontecer com a empresa daqui para o futuro, baseando-se no que ocorreu no passado, porém o que vem acontecendo é uma valorização em patamares históricos de empresas de crescimento e aqui faço meu alerta e cautela… o melhor investimento é aquele quando poucos querem, poucos prestam atenção, feito também em um timming correto!

No quadro abaixo, podemos ver o retorno anualizado nos últimos anos de empresas global commodities, ou empresas de commodities, mercados emergentes que tiveram um dos maiores riscos (medido pelo desvio padrão) e retornos no passado que não corresponderam ao risco incorrido. Lembro que empresas que não andaram bem no passado, podem andar bem no futuro, eis que têm grande possibilidade de estarem com desconto e é nisso que pessoalmente acredito em meus investimentos.

Fonte: Visual Capitalist

Muitos comentam que as ações poderiam estar negociadas a patamares altíssimos, os maiores da história, mas o fato é que ainda não batemos os múltiplos da bolha.com, como podemos ver abaixo:
Venho acompanhando alguns youtubers, muito deles meus amigos e que são geradores de opinião. Acredito que eles fazem um ótimo trabalho de educação financeira, mas a carteira deles normalmente é de ativos linkados ao crescimento. Muitos gostam de ações como Weg, B2W, Magazine Luiza, Tesla e convém alertar que essas empresas podem ter atingido patamares acima de uma margem de segurança adequada de investimento.
Quem é investidor há mais tempo, sabe que é o cachorro que balança o rabo e não o contrário, falo isso acerca dos lucros e geração de caixa atual e futura que fazem com que o preço de ação caia ou suba e que muitas vezes, a maioria é pouco inteligente e emocional e uma das características de grandes investidores é filtrar a opinião alheia, servindo-se dessa “bipolaridade” do mercado, que às vezes é muito otimista e outras muito negativista com alguns setores. Olhando o quadro abaixo, será que o mercado não está sendo muito negativista com setores mais tradicionais da economia? Note as mudanças de expectatias entre 31-12-2019 e 30-06-2020…

Fonte: WSJ

Não há dúvidas que investir em empresas tech nos últimos anos, foi uma das melhores estratégias dos últimos anos, mas será que o futuro para o investidor manterar-se-á assim?

Descolamento da economia real e do mercado: desemprego nos EUA continua no pico

Nos últimos dias tivemos uma melhora na taxa de desemprego nos EUA, surpreendendo aqueles que apostavam contra isso e lembrando a frase que ficou marcada por Warren Buffett, no encontro anual de acionistas Berkshire: “Never bet against America (EUA)”. Mesmo assim, com toda a recuperação do mercado de trabalho, o número de desempregados ainda é acima das crises anteriores (atualmente estamos com 11,1% e alguns contestam esse número):

  • 2007-09: 10.0%
  • 2001: 6.3%
  • 1990-1991: 7.8%
  • 1981-1982: 10.8%
  • 1973-75: 9.0%
  • 1969-70: 6.1%
  • 1960-61: 7.1%
  • 1957-58: 7.5%
  • 1953-54: 6.1%
  • 1948-49: 7.9%

Com a recuperação econômica ainda por vir e empresas tech e de crescimento já embutindo isso nos preços, ativos que estão historicamente mais descontados como commodities, investimento em valor e mercados emergentes tendem a valorizar-se nos próximos meses. Lendo a conjuntura macroeconômica, temos bancos centrais alocando muita grana como incentivos, moedas de países emergentes como o Brasil depreciadíssimas, petróleo nas mínimas históricas em comparação com o ouro, por exemplo e  empresas baseadas na métrica de value investing descontadas historicamente. Setores como saneamento, real state e bancos, são os que mais me atraem, ainda descontados, mesmo não andando. Juntando-se todos esses fatores, corrobora com meu pensamento e como venho me posicionando.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

FONTE: https://bugg.com.br/2020/07/13/acoes-em-valor-e-commodities-podem-estar-depreciadas-by-eliseu/

Como o investimento em ações pode estar indo tão bem em uma pandemia?

30 de junho de 2020 às 09:42 Por Postado em Blog do Eliseu

Em 12 de fevereiro de 2020 atingimos perto dos 119.761 mil pontos no Ibovespa, para em 19 de março de 2020, pouco mais de um mês depois, termos a maior crise do século em termos de velocidade de queda, o Ibovespa foi até os 61.690 pontos. Em 08 de junho voltamos a atingir 97.600 pontos. Da primeira máxima até a mínima de março tivemos uma queda de 48,49%. Na recuperação de março até junho tivemos uma alta de 58,21%.

Passada uma das maiores quedas da história, tivemos também uma das altas históricas, o que me leva a pensar o motivo da recuperação. Procuro sempre muito (alguns até dizem que penso demais.. eheheheh), mas o que estaria por trás da alta que está ocorrendo.

Como o investimento em ações pode estar indo tão bem em uma pandemia, com PIBs mundiais negativos e em uma recessão? Será que as ações se desconectaram da realidade? Vivemos em um momento de exuberância irracional?

Atualmente o mundo está combatendo a maior epidemia dos últimos 80 anos e sim, o mercado de ações mundial – um termômetro da economia, que antecipa os movimentos que tendem a ocorrer – vem atingido altas, atrás de altas, mesmo com todo o temor, medo e fechamento da economia que estamos vendo. Sendo assim, o momento é ideal para irmos a fundo e analisar o motivo disso estar ocorrendo, sendo alguns dos motivos elencados abaixo:

1) crença nos Banco Centrais mundiais de que eles terão a solução para tudo – escrevi já em artigos anteriores, a “coincidência” do valor injetado na economia mundial pelos quatro maiores banco centrais mundiais: FED, Banco Central Japonês, Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra, que colocaram no mercado US$ 17 trilhões somados e que essa foi o valor da mínima até as máximas em termos de valor de mercado adicionados das bolsas mundiais: saíram de US$ 62 trilhões para US$ 81 trilhões. Investidores acreditaram nos passos dos bancos centrais, na reabertura da economia, nas pessoas voltando ao normal e voltando ao trabalho, enfim em uma recuperação gradual, mas que seria em V;

2) crer que o número de infectados estaria normalizado e flattened, algo como que atingido os máximos e estabilizado (fato que na última semana levou a certas preocupações quanto a isso, com aumento de número de pessoas infectadas, principalmente na Flórida, Texas e Califórnia). Isso merece uma observação real, in loco, eis que voltei para Flórida, local que moro e a diferença entre pessoas que usam máscaras e se cuidam, comparando com Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, local que moro no Brasil, é substancial. O uso de máscaras aqui nos EUA é apenas em academias (e mesmo assim, uns 30% não usam) e em supermercados. De resto, locais como praias, nas ruas e restaurantes, ninguém usa máscara, exceto os atendentes;

3) No curto prazo, a esperança de novas vacinas (são mais de 100 laboratórios, aqui você encontra algumas dessas empresas com cotações em bolsa) e de que encontrássemos a cura rapidamente, auxiliou na valorização das ações;

4) Melhoras na economia de curto prazo. Na Europa, precisamente Alemanha, Inglaterra e Itália, ocorreu uma recuperação em V nos pedidos de reservas pelo app Open Table, que realiza reservas de mesas em restaurantes;

5) Dados econômicos conhecidos por todos, virão muito ruins no segundo trimestre, melhorando um pouco até o final do ano, mesmo assim teremos quedas fortes nos dados econômicos, sendo assim, há a crença de que os dados de 2021 e 2022 virão muito melhores que 2020 e que isso já estaria no preço;

6) Com a melhora da economia por vir e dados péssimos já nos preços, investidores não buscam mais por prêmios de risco ou melhor, exigem prêmios de risco baixos perante o cenário atual, dada a crença de que os preços dos ativos subirão;

7) Crença de que os bancos centrais irão comprar tudo o que puderem, incluindo ativos como ações, bonds, dívidas de boa e má qualidade, colocando dinheiro na mão dos vendedores desses ativos, que terão capacidade para reinvestir em novos ativos, fazendo com que esses se valorizem, levando para baixo os yelds, taxas de juros e os retornos futuros;

8) FED e outros bancos centrais aparentemente não diferenciarão títulos bons de ruins e isso trará como consequência, mesmo que os bancos centrais obviamente não comprem todos os títulos, uma elevação no preço dos títulos similares aos que foram comprados pelos bancos centrais, trazendo uma valorização nesses também;

9)Estava ouvindo e lendo artigo recente do Jeremy Siegel, falando alguns pontos importantes, entre eles que a taxa de juros tende a ficar baixa por um longo período de tempo no mundo, assim como os bonds tendem a ficar baixos por um longo período de tempo. Quanto menor a taxa de juros, menor será a taxa de desconto utilizada para a avaliação dos ativos, como consequência uma maior valorização no valor presente do fluxo de caixa descontado, que é a maneira mais usada para avaliação dos ativos e assim, uma maior valorização no valor das empresas cotadas em bolsa;

10) Com os bancos centrais facilitando empréstimos, veremos companhias refinanciando suas dívidas e com possibilidade de tomar mais empréstimos, independentemente de quão ruim é a situação dessas companhias, algumas conhecidas como companhias zombie, onde o pagamento de juros é maior que o Ebitda gerado por essas empresas;

11) invasão dos investidores pessoa física com a entrada de capital especulativo, similar a jogos de apostas no mercado acionário, principalmente nos EUA. Comentei em artigo anterior que o Governo Americano disponibilizou US$ 1200 de graça para cada residente nos EUA e nos últimos 3 meses não tivemos jogos de esporte, basquete, NBA, futebol americano e há muita aposta relacionada aos esportes e grande parte desse dinheiro foi para o mercado de ações que é visto por muitos como um “cassino”, sendo o único cassino aberto. Além disso, empresas praticamente quebradas e negociadas a menos de R$ 1,00 tiveram altas fortes nos últimos dias, tais como a empresa de locação de veículos Hertz nos EUA (que pediu concordata) e empresas como Gol, Azul e CVC no Brasil, com dívidas grandes e que tiveram seus negócios praticamente interrompidos. A falta de critérios para investimentos em empresas nessa situação, nos mostra a falta de filtro na análise desses investimentos, auxiliando a alta na cotação desses ativos;

Sinal amarelo, onde e em quais setores

Com a entrada de investidores pessoa física em alta também no Brasil e por ter 15 anos de mercado financeira trabalhando profissionalmente, sempre foi ideia aqui de passar dados aqui para investidores que estão começando evitando os erros que cometi. No momento atual venho frisando sobre a alta e descompasso entre preço e valor de várias empresas brasileiras e dos EUA, principalmente ligadas ao setor tecnológico. Abaixo podemos ver a cotação do setor de tecnologia dos EUA comparado com outros setores sem tecnologia. Impressiona a valorização, onde a média das empresas techs dos EUA, chegou a 160x lucros, o que é um dos maiores da história. Acredito em correções nesse setor e uma hora o mercado se dará conta do quão caro estão pagando por ativos como esses.

No gráfico abaixo podemos ver em azul a diferença empresas em que o consumidor pode ficar em casa e empresas que ele precisa sair, como restaurantes e empresas de aviação…

Já no Brasil, penso que setor de varejo e empresas como B2W e outras já andaram bem, assim como empresas exportadoras. Acredito em uma estabilização do dólar e várias dessas empresas já teriam incorporado isso no preço. Esses setores estão caros ao meu ver.

Como setores atrativos, dada a queda de juros, o setor de construção e bancos, assim como algumas estatais como Eletrobrás, Sanepar, ainda interessantes.

Fico por aqui! Ótimos negócios para todos!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

FONTE: https://bugg.com.br/2020/06/30/como-o-investimento-em-acoes-pode-estar-indo-tao-bem-em-uma-pandemia/

20200622 – Tônica da Semana: CUIDADO COM OS RETORNOS ATUAIS, SELETIVIDADE E VALUATION ESTICADO??

22 de junho de 2020 às 09:25 Por Postado em Blog do Eliseu

2 visões diferentes!

Essa semana vamos fazer diferente! William recebeu um descanso para aproveitar o dia dos pais nos EUA e deixou para mim (Breno Bonani) e o Eliseu Mânica Jr tocarmos a tônica da semana. Eliseu vai comentar uma visão mais voltado para o Macro e algumas distorções que está vendo nos mercados globais, assim como, o valuation do S&P500. Eu vou comentar mais sobre o cenário interno e o que eu estou vendo da nossa bolsa neste atual patamar, bem como, algumas “trade ideas” que eu ainda vejo como atraentes.

Então vamos lá!

Eliseu Mânica Junior:

No último artigo comentei sobre a grande quantidade de investidores pessoa física surgindo e sobre o atual momento em que muitos estão com ganhos altíssimos de curto prazo,  acima até de muitos gestores e que isso pode ser uma armadilha pois pode trazer a sensação de que estão investindo de maneira correta e que continuando dessa maneira lograrão êxito no mercado de ações. Outro fato que cabe salientar é que o número de investidores vem crescendo tanto no Brasil quanto nos EUA, com surgimento inclusive de “gurus” que entraram recentemente nesse mercado de recuperação e que vem cada vez mais “apostando” em ações.

Tais retornos para quem ingressou agora no mercado podem ser ilusórios e levar o investidor para o caminho incorreto ao investir, pois no mercado de ações nem tudo que sobe é bom e nem tudo que cai momentaneamente na cotação é ruim.

Um estudo realizado nos EUA mostrou que se um investidor tivesse criado um portfólio com ações apenas com empresas de varejo de prejuízos gigantescos, empresas de aluguel de carros em recuperação, empresas de aviação com recorde de prejuízo e empresas em recuperação judicial, assim como empresas com um CDS (Credit Default Swap – um seguro para empresas, onde quanto maior for o basis point, maior a probabilidade de default ou não pagamento), essas empresas teriam possuído um retorno maior que o investimento em empresas com um débito menor e com melhor qualidade, como podemos ver abaixo:

Algo similar poderia ter sido feito no Brasil, onde se pegássemos ações de Gol Linhas Aéreas, Azul, Instituto Ressegurador (IRBR3) e CVC, teríamos retornos de 52,78%, 52,66%, 37,77% e 25,18%, o que nos daria um retorno médio com todos os ativos com mesmo peso dentro de uma carteira, de 42,09% apenas nas três semanas de junho. Para os amantes de IRBR, lembro que a Empresa teve prejuízo em janeiro e fevereiro, que pode ser acompanhado mensalmente no Site da Susepe e por isso ela também foi colocada aqui no exemplo.

Movimentos especulativos como esses nos mostram sinais de picos na recuperação de ativos. São sinais que somados nos ajudam a tomar decisão do caminho que deve seguir o investidor. Existem certos movimentos nos preços que são totalmente desconexos dos fundamentos e cabe ao investidor que preza pelo seu capital principal ter a ciência e diferenciar esses tipos de movimentos do mercado: especulativo e o de investimento!

Já dizia um grande amigo meu, professor de tênis e ex-campeão brasileiro, treinador da Seleção Gaúcha de Tênis: “Eliseu, a primeira coisa que pergunto para um futuro aluno meu é se ele já jogou tênis antes e qual o tempo que ele vem jogando sozinho, sem professor. Quanto maior o período sozinho, sem as técnicas adequadas, maior o trabalho sei que terei para tirar os “vícios” dos movimentos errados que ele incorporou ao seu comportamento!” Assim também é no investimento em ações, quando um investidor confunde especular e investir e acredita que está fazendo o correto apenas porque as ações que comprou subiram.

Copo vazio ou copo cheio?

Começando pelo copo vazio…

Nos últimos dias Warren Buffett e outros grandes investidores vêm comentando sobre o quão alto estão os indicadores dos mercados mundiais, principalmente dos EUA. Um dos indicadores comuns no mercado é Preço-Lucro e há um indicador criado por Robert Shiller, que coloca a inflação nesse indicador. Se olharmos por essa ótica, o mercado de ações americano estaria negociando a 29,05x lucros, contra uma média histórica de 16,72x, como podemos ver abaixo, levando em conta o S&P500:

Fonte: Shiller PE Ratio

Um outro indicador, preferido pelos profissionais do mercado financeiro e que considerado por alguns como a maneira mais simples para verificar a geração de caixa de uma empresa (não sou dessa opinião, acho que a geração de caixa envolve estudos mais profundos) e o valor geral das empresas do S&P500, mostra o patamar de 14x Ebitda, um dos mais altos da história e comparado apenas com o momento da “Bolha.com”, dos anos 2000:

Muitos justificam a elevação nos múltiplos, pela questão dos baixos juros mundiais que estamos vivendo, a de juros baixos mundiais e grande quantidade de capital disponível de graça, gerando o TINA (There Is No Alternative – Não há outra alternativa), gerando uma alta no preço das ações e o FOMO (Fear Of Missing Out – Medo de Ficar de F0ra). O fato é que há no mundo um cenário de cortes de juros pelos bancos centrais, diminuindo o retorno de investimentos em renda fixa, bonds, debêntures, etc.

Fonte: Charlie Bilello

Outro ponto de vista levando em conta o “copo menos cheio” é a desconexão entre a atividade econômica e a impressão de dinheiro. Venho comentando que isso favorece ativos reais, como imóveis, ouro e áreas de terra.

Já a curva de títulos públicos americanos de 10 anos e 2 anos que é usada como um indicador para recessões, cruzou a média móvel de 200 dias, sendo que isso aconteceu em 20 anos, apenas quatro vezes anteriormente, sendo que apenas em 2013 ocorreu um alarme falso. Obviamente, a crise atual é sem precedentes, mesmo tendo uma recuperação no curto prazo, mas esse é outro sinal importante que problemas a frente podem acontecer…

Olhando o copo cheio…

É notório o movimento que vem acontecendo de desconexão entre fundamentos da economia e a recuperação no mercado de ações. O fato é que o mercado financeiro tenta antecipar com o uso de certos indicadores o que pode acontecer daqui 6-8 meses na “economia real”. Outro fator importante é sobre o fluxo e escrevi na semana passada sobre e que podes conferir aqui.

Sobre a economia notamos nos EUA uma quantidade de grana absurda, uma dose de remédio talvez acima do que a doença exigia, com o Governo Americano distribuindo uma quantidade grande para empresas e cidadãos (um residente nos EUA ganhou US$ 1.200 de graça para gastar e há empresas de amigos que receberam US$ 30 mil apenas para não demitir nenhum empregado), porém, tais pessoas ficaram em casa, tiveram facilidade para prorrogar despesas como eletricidade, água e dívidas como as de cartão de crédito, tendo o seguinte efeito, em que a transferência de dinheiro do Governo aumentou e os gastos foram menores que essa transferência de recursos:

       Fonte: Paineiras Apresentação

Esse efeito trouxe um aumento de renda para o cidadão americano e parte desses valores foram para o mercado de ações, já que o mercado americano é mais maduro que o brasileiro, onde cerca de 50% da população investe:

         Fonte: Paineiras Apresentação

Na parte da economia real, alguns indicadores mostrando que a velocidade de recuperação da economia pode ser em V, como o Índice de Atividade Industrial do FED da Filadélfia, de junho, apenas como um exemplo:

Fonte: Investing.com

Já na China, algo similar vem acontecendo, como podemos ver na correlação que há entre a Produção Industrial Chinesa (que já mostrou sinais de recuperação em abril) e que pode trazer melhorias para o PIB Chinês:

Já o Purchasing Manager Index (PMI), que é um dos indicadores de grande relevância e que mostra a força da economia Chinesa, está acima de 50, o que mostra uma elevação da economia Chinesa:

Fonte: Investing.com

E, no Brasil… 

Na China o Corona Vírus iniciou em janeiro e terminou no final de abril-maio aparentemente. Dados de melhoria econômica começaram a surgir em maio-junho. O PMI Chinês já está acima de 50, o que indica recuperação e como vimos, há sinais iniciais de recuperação na economia americana, como no caso do Fed da Filadélfia dessa semana. Por analogia, se o Brasil seguir caminho similar ao Chinês e americano, começaremos a ver dados em breve dessa melhoria. Um dos fatos que ajudou recentemente, foi a disparada do dólar e a desvalorização da moeda brasileira, o que acho exagerado pela força do movimento, eis que tivemos a maior desvalorização mundial. Essa desvalorização fez com que o Banco Central Brasileiro vendesse o dólar gerando lucro, algo positivo e que melhora a situação fiscal brasileira.

Atualmente as reservas atuais brasileiras líquidas estão em US$ 291 bilhões e é importante para defesa do Real contra especuladores.

Era isso!!

Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Breno Bonani:

Gostaria de chamar a atenção para alguns dados que saíram no Brasil, além do recente corte na taxa de juros e o que eu estou vendo em relação a bolsa.

Not so bad at all?

Apesar dos dados divulgados na semana passada, onde teve-se queda de 30% nas vendas do varejo segundo a Cielo e os dados de serviços continuaram com queda de 11% em comparação ao ano anterior. Tanto confiança da indústria quanto comércio e serviços, tiveram uma melhora em relação a queda que começou ali no final de março para abril.

Até o IBC-br que serve como uma “proxy” para o PIB veio ruim, mas não “tão ruim”. As projeções apontavam para uma queda de 11%.

Fonte: Investing.com

Não estou dizendo que está tudo bem, não me entendam mal! Porém, eu achei que fosse ser pior. Acabou que no primeiro trimestre muitas companhias conseguiram se virar, se adaptar e até entregar um resultado decente.

Agora no segundo trimestre que teremos uma sensibilidade melhor sobre quais setores foram mais impactados. Mas mesmo os setores de construção, varejo e shoppings não chegaram a ser um completo desastre no primeiro trimestre. Entretanto, eu continuo acreditando que varejo, construção e aéreas irão sofrer mais que a média no próximo trimestre.

Mas pensem bem (e agora entrando na queda da Selic), agora estamos com um juro a 2,25% ao ano. Dito isso, alguns benefícios começam a acontecer para empresas e pessoas. Empresas que possuem dívidas atreladas ao CDI são beneficiadas, bancos (com suas ressalvas) se sentem mais propícios a emprestar e é de se esperar um aumento de liquidez nos ativos, o mercado de renda variável começa a ficar mais atraente (uma vez que o juro já não é tão atraente para ficar somente no CDI).

Só na poupança nós temos cerca de R$ 800 bilhões rendendo juros negativos a taxas reais. A esperança é que com o aumento de atuação de alguns agentes como agentes autônomos, gestores de fundo e a própria mídia, chame cada vez mais a atenção para falta de atratividade que é deixar o seu dinheiro exclusivamente no CDI. Inclusive, a XP divulgou um gráfico interessante, no qual o Dividend Yield (rendimento dos dividendos) da bolsa já é maior que a própria Selic.

Outro gráfico que eu gosto de olhar nessas horas, é a relação entre a Selic e o Ibovespa:

Notem que o gráfico tem um certo comportamento. Quando as taxas estão altas, o Ibovespa fica na baixa. Quando as taxas caem, isso impulsiona o Ibovespa para cima. Lógico que isso acontece por vários motivos, como alguns citados anteriormente. Todavia, esse gráfico nos mostra que o Ibovespa ainda tem potencial para subir mais, uma vez que os juros estão alcançando mínimas históricas.

Mas agora, nos 96mil pontos, é uma boa hora para comprar?

Algumas coisas sim e outras coisas não. Tendo em vista que o cenário ainda é muito complexo e incerto, estamos ainda na primeira onda e se discute possível segunda onda, dados da economia real começam a ficar mais claros só no segundo trimestre.

É prudente partir mais para seletividade nessas horas. Bolsa já andou bem desde os “fundo” nos 61.690 pontos até o fechamento dessa última sexta (19/06), uma alta de quase 57%. Nem tudo está mais uma pechincha como antes. Olhando para esse gráfico disponibilizado pela Eleven Financial, no dia 5 de junho (bolsa estava nos 94mil pontos) o P/L do Ibovespa Forward estava em 12,8x. Acima da média histórica e 1 desvio-padrão acima da média.

Lembrando que este gráfico já leva em conta uma queda de 20% dos “earnings” das companhias. Eu concordo que é um gráfico um tanto quanto difícil de ser usar em momentos como este, uma vez que ele não leva em consideração a possível recuperação em 2021 dessas mesmas empresas, o que jogaria o múltiplo um para baixo.

Diferentemente de outros eventos do passado, como política e problemas estruturais do país. Não vamos ficar nessa para sempre pessoal, uma hora isso passa e a vida segue, 2020 está sendo um ano atípico para se analisar várias empresas.

Sendo assim, eu ainda vejo algumas companhias negociando a um valuation atraente. Vou deixar algumas delas abaixo:

Por fim, gostaria de frisar que eu ainda estou comprado e com 30% de caixa. Vale a pena ficar de olho nos próximos meses antes de mergulhar de cabeça na bolsa de valores, preze pela seletividade dos ativos que entraram na sua carteira e escolha boas companhias com bons fundamentos.

Visão de longo prazo e paciência não fazem mal a ninguém!

Era isso, valeu!

Breno Bonani.

Disclaimer Os relatórios e/ou em qualquer conteúdo de análise e recomendação providos pelo Bugg possuem caráter meramente informativo e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o usuário a tomar sua própria decisão de investimento, não devendo ser considerado como uma oferta para compra ou venda de ativos. Os editores responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos da Instrução CVM nº 598/18,que as recomendações do relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradasde forma independente. Além disso, os instrumentos financeiros discutidos neste relatório podem não ser adequados para todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento,a situação financeira ou as necessidades específicas de um determinado investidor. A decisão final em relação aos investimentos deve ser tomada por cada investidor, levando em consideração os vários riscos,tarifas e comissões.

FONTE: https://bugg.com.br/2020/06/22/cuidado-com-os-retornos-atuais-seletividade-e-valuation-esticado/

Fluxo, um fator importante ao investir

16 de junho de 2020 às 19:44 Por Postado em Blog do Eliseu

Texto by Eliseu Mânica Junior

Nos últimos 2-3 meses, após o Banco Central Americano anunciar um “Quantitative Easing para sempre”, QE4EVER, o quarto Programa de Estímulos para a economia, acompanhado por outros bancos centrais mundiais, começaram a “pipocar”, gurus e investidores pessoa física mostrando seus retornos, alguns melhores que muitos gestores, combinada com uma confiança muito acima da média para quem está começando em investimentos em renda variável.

Nos Estados Unidos, um desses investidores que ganhou bastante projeção foi David Portnoy, um americano que vive atualmente na Flórida e que vem mostrando seus trades semanalmente, dizendo que tem dinheiro infinito e que é melhor que o lendário investidor Warren Buffett. Esse efeito vem sendo chamado de Portnoy Effect, efeito em que investidores que estão começando no mercado, possuem ganhos altos de curto prazo e têm uma confiança histórica acima da média.

Soma-se a esses retornos e a forte recuperação de curto prazo, assim como o equívoco aparente de curto prazo de alguns gestores e investidores como Warren Buffett, que vendeu companhias aéreas e cerca de duas semanas depois as ações do setor subiram 65%, assim como a venda das ações da Locadora de Veículos Hertz, vendidas por Carl Icahn, outro ícone dos investimentos e que “perdeu” na recuperação dessas ações cerca de US$ 1,6 bilhões, temos o cenário perfeito para o favorecimento de investidores pessoa física como o David Portnoy.

Por que esse movimento vem acontecendo e por que temos que manter os olhos abertos…

Se pegarmos desde 5 de junho, o S&P500 subiu 42,8% desde a queda em 23 de março. Foi o período de 50 dias em que tivemos a maior alta-recuperação desde agosto-setembro de 1932 (alta de 109,2%) e maio-junho (alta de 73,2%)! Uso dados da bolsa americana, pois nosso Ibovespa começou a contar em 1967, pouco tempo para termos mais dados. Da mínima, o Ibovespa subiu também impressionantes 52%!

MAMU (Mother of All Meltups ou Mae de todas as Disparadas):

Parte desse movimento começou no dia 23 de março, com o Banco Central Americano, o FED, anunciou incentivos monetários até a estabilização da economia, cujo balanço saiu de US$ 2,5 trilhões para um recorde de US$ 7,1 trilhões até 03 de junho. Tudo começou em 15 de março com a compra de Treasuries e Mortgage-Backed Securities na ordem de US$ 700 bilhões, além da queda nos Juros em 1%, levando-os para 0%. O Banco Central Europeu, o Banco Central Japonês e o FED colocaram juntos quase US$ 17 trilhões em incentivos, quantia similar a que tivemos de valorização nas bolsas mundiais em termos de valor de mercado, das mínimas até o movimento recente no início de junho de 2020, como podemos ver abaixo:

Todo esse movimento criou a MAMU (Mãe de todas as Meltups)…

Meltup é um termo usado nos Estados Unidos para descrever um movimento que acontece no mercado de maneira rápida, impulsionado pelo sentimento do investidor, com grandes volumes (coincidência com os aumentos de volume nas bolsas dos EUA e inclusive do Brasil?) e de alta volatilidade, como está sendo o ano de 2020, um dos mais voláteis da história!

Meltup é um movimento em que há um deslocamento dos fundamentos, em que há receio de ficar de fora, com o receio de perder o rally, o popular FOMO (Fear of Missing Out ou Medo de Ficar de Fora), somado a uma quantidade grande de investidores ingressando no mercado, trazendo uma volatilidade ainda maior ao mercado de ações, sendo que esse já é um dos anos mais voláteis da história..

2020 um dos anos mais voláteis da história

Utilizando dos dados do S&P500 pela questão de que temos um maior número de dados, iniciamos estudando o ano de 2020 e os movimentos em percentuais do S&P500:

Tivemos 32% dos dias oscilando  até 2%, 23% dos dias oscilando acima de 2% até 4%, 15% dos dias com uma oscilação entre 4% e 5% e assim sucessivamente.. já fazendo um comparativo com a Crise de 2008, temos:

Nota-se que a volatilidade de 2020 é maior que a volatilidade da Crise de 2008. Comparando com a Crise de 1929-1930, temos:

Sendo assim, fica mais claro que temos em 2020, um dos anos mais voláteis de nossa história, assim como no Brasil, mesmo com o Ibovespa iniciando no final da década de 60, tivemos apenas no mês de março, 8 circuit breakers de um total de 21 desde 1967 e após isso uma recuperação de mais de 60%, ou seja, um dos anos mais voláteis no Brasil também.

Todo esse movimento de volatilidade, somado a grande quantidade de dinheiro disponível para pessoas físicas nos EUA (um residente ganhou US$ 1.200 a título de ajuda), muitos em casa sem ter o que fazer, sem trabalhar, querendo ganhar dinheiro de forma fácil (muitos vêem o mercado de ações como um jogo, uma aposta, sendo que na realidade não é), taxas de juros nas mínimas mundiais e corretoras com corretagem a custo zero (nos EUA temos o Robinhood que aparentemente é de graça, digo aparentemente porque não existe almoço grátis, pois eles vendem as visualizações  das ordens de investidores para outros investidores, facilitando o trabalho de  operações para robôs traders que operam milissegundos, por exemplo) temos o ambiente propício para aparecimento de David Portnoy´s e outros investidores pessoa física, obtendo retornos no curto prazo, acima dos grandes investidores e grandes fundos.

Mas e os valuations importam? Onde estamos hoje em termos de valuations?

Já vimos que fluxos são importantes e que foi graças ao fluxo de entrada de investidores e outros fatores somados que tivemos a forte recuperação atual. Por ser consultor de valores mobiliários, ter Certificado de Especialista de Ativos, MBA, Master, ser fundador de uma Gestora-Asset e por ter a prova de Analista Técnico, acredito que sempre é importante mesmo assim, sempre prestar atenção nos fundamentos procurando uma racionalidade para os momentos atuais em termos de Brasil, EUA e mundo.

No Brasil estamos negociando a cerca de 12x lucros futuros, já colocando uma projeção de queda de 20% nos lucros das empresas brasileiras, segundo a Eleven, Casa de Research que pude conhecer pessoalmente em São Paulo, em março de 2020 e que gosto muito. Cabe salientar que os múltiplos do Ibovespa, devem ser um pouco maiores, eis que a taxa de desconto é muito menor, o custo de oportunidade é menor e os juros são os menores da história…

Já o S&P500, Ìndice da Bolsa Americana, negocia a patamares da bolha ponto com, o que nos dá um sinal amarelo, porém cabe salientar que nos anos 2000, os juros estavam em 6,5% ao ano e atualmente os juros americanos estão em 0,25%-0%, o que poderiamos ter um desconto maior..

No mundo todo, vimos uma elevaçao principalmente dos EUA quanto aos múltiplos históricos Em países emergentes estamos até abaixo de 2008, por exemplo,  e até no Japão isso já ocorreu. Lembro que há essa elevação nos múltiplos, sobretudo pelas empresas FAMGATS (Facebook, Amazon, Microsoft, Google, Apple, Tesla e Spotify) que atingiram patamares elevados e que têm um peso somados de quase 25% do Ìndice..

O que eu penso de tudo isso?

Mesmo com 16 anos como investidor e quase isso trabalhando profissionalmente no mercado, tenho muito o que aprender. Sobre o momento atual minha opinião é que observar o fluxo é muito importante, porém nunca devemos esquecer do lugar que estamos pisando!

Com toda a alta que tivemos recentemente, somada a uma maior quantidade de entrada de investidores principalmente no Brasil, além de juros baixos, mais do que nunca temos que prestar atenção na seletividade e qualidade das empresas investidas. Essa é uma tarefa fundamental para o investidor que dá valor ao seu dinheiro e que procura uma relação interessante de risco x retorno.

Investir em boas empresas, aliado à ciência de que o fluxo de investimento é importante, potencializa o retorno de longo prazo para os investimentos!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Disclaimer Os relatórios e/ou em qualquer conteúdo de análise e recomendação providos pelo Bugg possuem caráter meramente informativo e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o usuário a tomar sua própria decisão de investimento, não devendo ser considerado como uma oferta para compra ou  venda de ativos. Os editores responsáveis pela elaboração deste relatório declaram,  nos termos da Instrução CVM nº 598/18,que as recomendações do relatório refletem  única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma  independente. Além disso, os instrumentos financeiros discutidos neste relatório podem não ser adequados para todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento,a situação financeira ou as necessidades específicas de um determinado investidor. A decisão final em relação aos  investimentos deve ser tomada por cada investidor, levando em consideração os vários riscos,tarifas e comissões.

FONTE: https://bugg.com.br/2020/06/16/fluxo-um-fator-importante-ao-investir/

Ações brasileiras ainda têm espaço para alta e quais setores ainda interessantes?

09 de junho de 2020 às 19:34 Por Postado em Blog do Eliseu

Texto by Eliseu Mânica Junior

Ações brasileiras ainda têm espaço para alta e quais setores ainda interessantes?

Volátil e desafiador. Assim podemos definir o ano de 2020 até o momento, principalmente na economia e no mercado financeiro. Em março tivemos a maior queda em termos de velocidade na história (superando 1929 e 2008 na rapidez, essas aconteceram de forma mais lenta e gradual) e nos últimos 50 dias tivemos o maior rally de alta da história.

Tudo o que aconteceu recentemente, corrobora o que já comentei em artigos anteriores, de que sempre temos que estar no mercado financeiro, com maior ou menor percentual, percentual esse ajustado pelo perfil de risco inerente e próprio a cada investidor.

A primeira coisa a relembrar desse texto e desse período que passamos: esteja sempre no mercado! Poucos acreditavam em uma queda e uma recuperação tão rápidas! O fato é que ninguém tem uma bola de cristal para onde vai o mercado, apenas conseguimos através de muito estudo e leitura termos uma percepção de quanto o mercado está caro ou barato. O fato é que na recuperação, os valuations aparecem muitas vezes caros dado o momento vivenciado pela economia (lock down e mudanças de percepção no valor das empresas dada a mudança no comportamento dos consumidores), mas o fato é que as vezes focamos muito no curto prazo esquecendo, por exemplo, de uma regra básica de contabilidade: as empresas teoricamente são feitas para existirem para sempre, mesmo isso não acontecendo na maioria das vezes, mas o que quero dizer e passar aqui é do valor que tem a perpetuidade em cálculos de valuation, de avaliação das empresas. Para o leitor mais leigo, é como focar apenas no 2tri20 que todos sabemos, virá muito ruim, mas que ainda há valor e recuperação no 3tri20, 4tri20, 1tri21, ou seja, as empresas e o mundo não irão acabar! Treine sua mente para momentos como esses o que ocorreram (Ibovespa não voltará para os 61 mil tão cedo, pois eu, você e 118% dos investidores já estamos esperando por algo próximo a isso).

Outra coisa que tenho que comentar é sobre a correlação entre crescimento da economia e retorno dos investimentos principalmente em ações e no mercado Ibovespa. Esqueça, como investidor em achar que ações sobem apenas em momentos de PIB alto.

As altas na maioria das vezes acontecem até de maneira contrária ao crescimento econômico e vou te explicar o porquê disso: em momentos de quedas de PIB é que Bancos Centrais, COPOMs da vida, irão trazer incentivos à economia e teremos um afrouxamento momentâneo, visando um crescimento futuro. Isso é o que está acontecendo no momento, um afrouxamento gigante e incentivos sendo jogados no mercado.

Se pegarmos os patamares mais baixos que chegamos no mercado, a capitalização das bolsas mundiais atingiu US$ 61 trillhões e hoje estamos cerca de US$ 82 trilhões, sendo esse é o valor de mercado atual de todas as bolsas somadas.

O que aconteceu para essa valorização rápida? Coincidência ou não, a soma de ajuda, de grana que todos os bancos centrais colocaram como incentivo para a economia mundial foi de US$ 18 trilhões! Se somarmos a mínima dos mercados, com a valorização e o valor de mercado que subiu recetemente temos um valor próximo ao dinheiro alocado pelos Bacens mundiais.

Outra ajuda que aconteceu e que muda muito o cenário de avaliação de ativos: taxas de juros baixíssimas! A maioria dos investidores utiliza o fluxo de caixa descontado para avaliar uma empresa.

Teoricamente, o valor de uma empresa é o fluxo de caixa que ela gera ao longo do tempo, trazido ao valor presente. Para trazer ao valor presente é necessária uma taxa de desconto, que são os juros, somados ao risco, podendo ser uma soma do Risco País e outros. Esses juros, essa taxa de desconto está em um dos menores patamares da história e se considerarmos os juros reais ainda, temos poucas opções para alocação de capital por parte dos investidores com razoável retorno:

Fonte: Charlie Bilelo

Outra questão que chama atenção no momento atual é a quantidade de dinheiro colocada na mão das pessoas, que acabou indo para os investimentos.

Conversando recentemente com amigos americanos, a quantidade que foi disponibilizada é muito maior que imaginamos. Como exemplo, cada residente dos EUA recebeu US$ 1.200 de graça, apenas por ser cidadão. No caso de empresas, esse amigo recebeu cerca de US$ 30 mil apenas para manter a empresa aberta e não demitir ninguém. Sendo assim, temos uma quantidade gigante de dinheiro no mercado, juntando com pessoas ociosas em casa, com o seguro-desemprego, postergação de pagamento de mortgages, pagamentos de luz e o fato de que nos EUA os investidores são mais de 50% da população, temos o ambiente propício para esse dinheiro ser direcionado para o mercado de ações. Um fato curioso é que o dado de poupança nos EUA foi para 33% um dos mais altos da história, como podemos ver abaixo, através do PSR (Personal Savings Ratio):

Toda essa grana disponível junto com uma maior maturidade dos investidores, trouxe a condição ideal para o dinheiro ser direcionado para o mercado de ações, causando a recuperação pós quedas que tivemos. Isso ocorreu, juntamente com a compra de bonds por parte do Banco Central Americano. Com menores yelds, tivemos outro ponto positivo para a elevação nos preços de ativos de risco, o que acabou acontecendo.

Com a entrada de investidores pessoa física massivamente no mercado de ações, tivemos alguns desdobramentos interessantes. Como exemplo, temos o caso de investidores pessoa física entrando no mercado e comprando ações de companhias aéreas em um momento de queda extrema, enquanto investidores consagrados como Warren Buffett, venderam as ações dessas empresas.

Depois da venda de Warren Buffett, as ações do setor de aviação, por exemplo, subiu 65%, como podemos ver abaixo pelo ETF JETS:

Esse movimento de aumento de investidores pessoa física na bolsa de valores, não foi fruto ocorrido apenas nos EUA, mas também ocorreu no Brasil, como podemos ver abaixo, onde tivemos um crescimento em 2017 saindo de 620 mil investidores pessoa física para 2,4 milhões em abril de 2020!!! Além disso, quando comecei no mercado em 2004 o volume negociado na bolsa brasileira era de menos de R$ 1 bilhão por dia e recentemente atingimos R$ 36 bilhões, crescimento de mais de 35x em 16 anos! Essa tendência no crescimento tende a aumentar e ajudou nesse rally de alta recente.

Com a entrada massiva de investidores pessoa física e com os bancos centrais do mundo todo colocando mais de US$ 18 trilhões no mercado, os investidores institucionais ficaram para trás. Se Warren Buffett vendeu ações de aéreas e investidores pessoa física compraram e ganharam cerca de 65% do que vendeu Warren Buffett é porque temos que tentar prever o que estão vendo esses institucionais.

O cenário que temos no Brasil é similar ao dos EUA: um aumento gigante no número de investidores, mas os investidores institucionais, fundos de pensões estão no menor patamar de alocação em renda variável na história!!!

Com juros baixos e metas atuariais de 8-10% os mesmos terão de aumentar o peso em renda variável para buscar retornos visando entregar as aposentadorias de quem vem aportando nesses fundos. Com o tempo, teremos mais combustível para altas, pois esses fundos não têm muitas escolhas com taxas de juros baixas a não ser o mercado de ações e estão com baixa alocação em renda variável ainda.

Qual o movimento que pode acontecer?

No curto prazo mercado é totalmente irracional. Provavelmente, os investidores institucionais, assim como Warren Buffett esqueceram-se disso no curto prazo, focando nas notícias ou em dados econômicos, como osde múltiplos de ações como o que mostra o S&P500 em níveis de 2000, porém um fato cabe ser salientado: os juros não estavam nos níveis que estamos atualmente e nem tínhamos os US$ 18 trilhões que foram colocados no mercado.

Mais um fator é o que já escrevi aqui no Bugg: empresas de tecnologia são 21,8% de peso do DJI e elas subiram demais, levando os índices americanos. Além dessas empresas existem muitos outras e digo-lhe, há empresas BARATAS ainda, tanto nos EUA, quanto no Brasil.

Dados econômicos de março e dados atuais

Já comentei aqui que o mercado acionário tenta pegar dados de hoje e antecipar cenários. Isso aconteceu em março-abril, com um PMI e dados econômicos muito abaixo da média. As bolsas mundiais mundias despencaram! Projeção de lucros foram horríveis e mesmo assim os preços subiram! O PMI de Chicago foi o mais baixo em 38 anos:

O Earnings Per Share sofreu quedas bruscas…

Sim, mas o mercado acionário antecipa cenários e recuperações. Na China a recuperação está acontecendo em V e nos Estados Unidos, nessa semana, tivemos uma criação de empregos muito acima do esperado. Falando com amigos de lá, a reabertura arrecém começou, portanto, a criação de empregos pode aumentar e isso pode estar sendo visto pelo mercado financeiro, por isso o rally também.

Ainda é cedo para falarmos de uma melhoria, mas parafraseando Warren Buffett, “Never bet against America”. A criação de empregos foi muito maior que o esperado:

Mesmo com toda a alta que aconteceu, ainda há oportunidades. Setor de varejo eletrônico, um setor que negocia a múltiplos altíssimos, assim como empresas linkadas à exportação acredito que estão sendo negociados a patamares elevados e já andaram bem. Setores que comentei aqui, como bancos, empresas linkadas ao setor de construção com a queda de juros (na semana passada alguns bancos de investimentos começaram a trazer expectativas de queda para 1,75% na Taxa Selic, o que há pouco tempo era inimaginável) e empresas com propriedades ou tenham contratos de longo prazo como empresas de energia elétricac, são empresas que ainda têm potencial positivo.

Resumo do que foi comentado no texto:

1) cenário recente foi desafiador para todos os investidores. Tivemos a queda mais rápida, assim como a alta em 50 dias, mais rápida da história;
2) Como comentado em artigos anteriores, sempre devemos estar no mercado acionário, com maior ou menor percentual. A volatilidade recente mostra isso;
3) aportes constantes são como o carvão em um churrasco, sempre necessários;
4) com a distribuição de grana massiva nos EUA, tivemos capital das pessoas físicas entrando no mercado, inclusive ganhando no curto prazo, em termos de retorno de investimentos de investidores como Warren Buffett, que no caso, vendeu empresas aéreas e os investidores pessoa física compraram. Cabe ressaltar que o “velhinho” sempre tem e terá o meu respeito;
5) juros estão no patamar mais baixo da história da humanidade, com isso podemos ter múltiplos de negociação mais altos que em períodos anteriores, dado o menor custo de capital e maior potencial de alavancagem das empresas. Lembro que equilíbrio é tudo e em extremos temos oportunidades (hoje temos empresas negociadas a mais de 100x lucros e com valor de mercado de mais de US$ 1,2 trilhão, já dominando 26% do setor, o que nos mostra um risco maior, dado o menor potencial de retorno, já que a Empresa domina grande parte do setor);
6) a cada alta no mercado de ações, um filtro maior e cautela devem ser tomados;
7) ainda há oportunidades em setores que mais caíram e principalmente no Brasil. No mês passado, fomos a moeda que mais caiu no mundo e em junho isso começa a ser revertido. Investidores estrangeiros tiveram a maior saída desde 1994 e em um momento eles irão voltar, trazendo mais combustível para altas;
8) foque no que conhece, não vá por dicas e por “gurus”. Alguns dos maiores gurus já quebraram 4x no mercado, mesmo acertando muito ultimamente. Seu investimento = seu risco!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior





FONTE: https://bugg.com.br/2020/06/09/acoes-brasileiras-ainda-tem-espaco-para-alta-e-quais-setores-ainda-interessantes/

Conferência da Berkshire Hathaway e os principais pontos elencados

04 de maio de 2020 às 17:39 Por Postado em Blog do Eliseu

Texto by Eliseu Mânica Junior

Encontro Anual de Acionistas da Berkshire Hathaway em 3 de maio de 2020

Ocorreu nesse final de semana um dos mais prestigiados eventos de acionistas do mundo, o encontro de acionistas da Berkshire Hathaway, uma holding com mais de 90 empresas, dona de marcas como Coca-Cola, Gillette, Apple, Wells Fargo, além de outras grandes empresas. Esse ano de 2020 seria o meu terceiro ano no evento, iria junto com os amigos William e Breno, que escrevem aqui no Bugg comigo e outros amigos que trabalham em bancos de investimentos. No ano passado, o evento teve mais de 40 mil pessoas e os maiores gestores do mundo estavam lá, porém devido ao Corona Vírus, a transmissão online foi a única maneira de realização do evento, já que aglomeração de pessoas não é permitida.

No evento, Buffett comentou sobre o prejuízo trimestral da Berkshire, que é mais contábil, já que foi colocado no balanço a queda anual das participações que a holding possui, como podemos ver abaixo:

No evento realizado no sábado, Buffett começou falando que não sente como se estivesse no evento, porque o principal parceiro de 60 anos de teleconferências, Charlie Munger, não estava sentado lá.  Seguem, os principais pontos do evento:

Encontro de acionistas da Berkshire Hathaway, 2019

Corona Vírus

Estados Unidos já enfrentou desafios maiores no passado como as guerras mundiais, o 9 de Setembro, a Gripe Espanhola e a Crise Financeir e sempre os Estados Unidos saíram fortalecidos desses eventos. Ele usou um slide, simples, mencionando a frase:” Never bet against America” (nunca aposte contra os Estados Unidos) para mostrar o seu pensamento.

Sobre a resposta e os incentivos dados pelo Banco Central Americano, ele mencionou que o Presidente do FED Gerome Powell respondeu de maneira rápida, fazendo a coisa certa, pois um grande número de empresas estavam precisando de dinheiro e isso foi possível graças ao movimento rápido do FED.

Buffett acredita que os EUA permanecerá forte

Mencionou que se fosse possível escolher um  país para nascer, independentemente de sexo, inteligência, talentos especiais, você não escolheria o ano de 1720, 1820 ou 1920, você escolheria provavelmente EUA e escolheria o período atual, pelas possibilidades que existe para desenvolvimento pessoal e profissional.

Em certo momento, Buffett somou as idades dele e Munger, chegando a 185 anos, sendo que os EUA tem 231 anos, mostrando o quão novo é o País.

A população americana em 1790 era de 3,9 milhões de pessoas, onde 600 mil eram escravos. Cerca de 0,5% da população mundial viviam nos 13 estados dos EUA. Mesmo o mais otimista não poderia imaginar que em 3 vidas (75 anos x 3), os Estados Unidos seriam um País com 280 milhões de automóveis, aviões, grandes universidades, grandes sistemas hospitalares, de comunicação e entretenimento.

Outra dado importante era que a riqueza dos EUA, em 1789,  era estimada em US$ 1 bilhão. O Estado de Louisiana foi comprado em 1803, por US$ 15 milhões. Em 2020 a riqueza dos EUA é estimada em acima de US$ 100 trilhões, pelo menos 100 mil vezes de 1 dólar investido lá atrás, em 1789 e cerca de 5000 vezes em termos reais.

Já a população americana era de 16 milhões de pessoas em 1861, talvez 10 milhões com idades entre 18 e 60 anos. Cerca de 6% desse grupo foram mortos na guerra civil americana (1861-1865). Em 2020, cerca de 4 milhões de pessoas entre 18 e 60 morreram por causas naturais.

Eu, e Susie Buffett, filha de Warren Buffet

Sobre adivinhar se mercado financeiro vai subir ou cair

“Ninguém sabe”, disse Buffett. Ele mostrou um histórico do Dow Jones Industrial Average (DJIA) que segue:

DJIA em 03-09-1929 – estava em 381.17 pontos. Naquela época EUA tinha 140 anos de idade.

DJIA em 13-11-1929 – 198.69 pontos. A baixa do ano. Caiu 48%. Rahm Emanuel disse, “você nunca quer uma crise para ir para o lixo”.

DJIA em 29-08-1930 – 240.42 pontos. Último dia de negociação antes do aniversário de Buffett. Subiu 20% do ponto mais baixo de 1929.

DJIA 08-07-1932 – 41.22 pontos. Ponto mais baixo depois do aniversário de Buffett.

A Grande Depressão durou mais tempo na mente das pessoas do que o impacto mesmo. O indicador débito-PIB foi o maior durante a Segunda Guerra e não foi até hoje atingido. Esse indicador mede a dívida total americana dividido pelo PIB americano.

DJIA 04-01-1951 – 240.85 pontos. Após mais de 20 anos, alguém que tivesse comprado ações no dia do aniversário de Buffett, teria recebido o valor investido (contando com os dividendos recebidos).

Hoje o DJIA está acima de 24 mil pontos. US$ 100 para US$ 1 de alta desde que Buffett terminou a universidade em 1964.

Nunca aposte contra os EUA. Isso foi testado Grande Depressão e pode ser testado novamente. EUA irá sair mais fortalecido.

Ações

Buffett não sabe se as ações irão subir no próximo dia, mês, ano, mas ele espera que todos comprem ações com a ideia de que estão comprando participações em negócios e não fichas que podem andar para cima ou para baixo.

Tudo pode acontecer em termos de mercados. Seja cuidadoso como você investe. Mercados já caíram 22% em um dia (em 1987). Ninguém sabe o que vai acontecer amanhã. Sobre risco e mercado, algumas pessoas são sujeitas a ter mais medo que outras.

Ele acredita que ações irão render mais que títulos do tesouro, no longo prazo, sempre. O menos positivo de ações é que elas são cotadas de minuto em minuto, porque as pessoas têm opiniões. Pense em ações como parcelas de um negócio.

Ações têm enormes vantagens que um negócio, porque pessoas podem vender por um preço muito mais barato ou mais caro, se você gostava do negócio e da administração antes do vírus, e o valor do negócio não mudou, ninguém pode forçar você a vender suas ações, inclusive você pode ganhar com isso e comprar mais ações.

“Medo é a doença mais contagiosa que você pode imaginar”, sobre as pessoas que vendem suas ações por medo e seguem a manada dos investidores.

Sobre o negócio de gestão ativa de investimento x investimento passivo comprando um índice ETF ou um fundo passivo

Investimento passivo está morto? Se você pensar que o investimento nos EUA está no fim, Buffett discordou disso, você não deveria comprar fundos passivos (ETFs, por exemplo, que replicam algum índice).

Somente compre aquilo que você financeiramente e psicologicamente está pronto. Ninguém pode colocar um piso, um limite para uma queda. Esteja preparado para uma queda de 50%. Por 3x a Berkshire caiu mais de 50% na história.

Local onde eram realizadas perguntas para Charlie Munger e Warren Buffett

Sobre negócios

Ele comentou que comprou 10% das melhores empresas de aviação dos EUA. Acabou vendendo, foi um erro a compra, porque o negócio mudou. Quatro empresas tiveram que pedir emprestado US$ 10-US$ 12 bilhões cada uma e que tem que ser devolvido esse dinheiro, sendo irá afetar a alta futura dessas ações. Outro fato é que o hábito de voar não será mais como antigamente, diminuindo e muito o número de passageiros. Ele comentou que vendeu todas as 4 empresas de aviação que a Berkshire tinha.

Comentou também que a melhor coisa é quando um investidor encontra uma empresa que não precisa de muito capital para crescer. Os 4 maiores negócios dos EUA (Apple, Facebook, Google, Facebook) não requerem muito capital para crescer.

Ele tem ideia de investir cerca de US$ 30-40 bilhões em cada aquisição futura. Berkshire tem US$ 137 bilhões em caixa.

Sobre psicologia

É interessante que QI nem sempre se traduz em racionalidade e um comportamento de sucesso ou sabedoria. Ele comentou que conhece pessoas sábias, mas que provavelmente não estaria entre os melhores resultados em um teste de QI.

Esse foi o resumo do evento, espero que tenhas gostado!

Desejo coisas boas, para você que está lendo esse artigo e para sua família. Cuidem-se!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Aqui quem vos escreve é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Facebook: Eliseu Mânica Júnior

Disclaimer Os relatórios e/ou em qualquer conteúdo de análise e recomendação providos pelo Bugg possuem caráter meramente informativo e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o usuário a tomar sua própria decisão de investimento, não devendo ser considerado como uma oferta para compra ou 
venda de ativos. Os editores responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos da Instrução CVM nº 598/18,que as recomendações do relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente. Além disso, os instrumentos financeiros discutidos neste relatório podem não ser adequados para todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento,a situação financeira ou as necessidades específicas de um determinado investidor. A decisão final em relação aos 
investimentos deve ser tomada por cada investidor, levando em consideração os vários riscos,tarifas e comissões.

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