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IPCA: tudo o que você precisa saber

29 de junho de 2020 às 19:02 Por Postado em Central do Investidor

O IPCA afeta diretamente os investimentos. Quem começa seus investimentos deve ter a noção que é extremamente importante proteger seu dinheiro da famosa inflação.

Mas como a inflação, ou IPCA afeta nossos investimentos?

Muitas pessoas ainda não sabem o que significa essa sigla ou até mesmo como é calculado. Por isso separei os tópicos abaixo ao longo do artigo.

Ele pode ser usado para navegar internamente dentro do artigo e ir direto para o tópico que tem mais interesse. Basta clicar.

Vamos lá, que iremos explicar os pontos e as principais dúvidas, deste importante indicador econômico que está presente no nosso dia a dia.

Conceito do IPCA

O IPCA é o Índice de Preços para o Consumidor Amplo. Esse importante índice é medido mensalmente pelo IBGE para identificar a variação dos preços no comércio.

Seu principal objetivo é refletir o custo de vida da população nas principais regiões do Brasil.

Ele é considerado, pelo Banco Central, o índice brasileiro oficial da inflação ou deflação.

Através desse índice, o Banco Central controla a política monetária para atingir sua meta para a inflação. A inflação nada mais é do que a perda do poder de compra do dinheiro.

Por exemplo:

Um consumidor vai até o supermercado e compra 1 KG de arroz pagando o valor de R$ 8,00.  Após 13 dias, esse mesmo cliente volta ao supermercado e leva um susto ao notar que o valor do mesmo arroz (1 KG) estava sendo vendida por R$ 12,00. Ou seja, houve um aumento de 50% em apenas alguns dias. Na prática, isso é denomina-se inflação.

Então, quando os preços dos produtos ou serviços começam a subir, podemos cogitar que os preços estão sofrendo com a inflação, ou estão inflacionados.

O contrário, quando os preços descem, pode ser denominado de deflação.

História da Inflação no Brasil

Muitos ainda se lembram de ir à padaria nos anos 1990 com uma nota de 1 real e voltar para casa com 10 pãezinhos – uma rotina impraticável hoje em dia.

De 1° de julho de 1994 até maio deste ano, o real acumulou inflação de 508,1%, IPCA, indicador oficial do país.

Em uma comparação simples, hoje 6,08 reais equivalem o que há 25 anos vinha estampado na nota de 1 real, já extinta da circulação nacional.

Apesar do índice, que à primeira vista pode parecer elevado para os jovens que não vivenciaram a escalada diária de preços.

O real completou 25 anos em circulação e se tornou a mais longeva moeda da história contemporânea do país.

variação mensal do ipca antes do plano real

De fato, ele foi decisivo para derrubar os índices galopantes de aumento dos preços, que se avolumaram desde a década de 1980 com novo ápice em 1993, ano da montagem da equipe econômica responsável por elaborar a proposta.

Apenas no primeiro semestre de 1994, quando as moedas ainda eram o cruzeiro e o cruzeiro real, a inflação oficial acumulou 757%.

começa a guerra real x inflação jornal o globo

Nos 12 meses anteriores à implantação da nova unidade monetária, totalizava 4.922%, segundo o Banco Central. O índice, que finalizou 1994 com 916%, caiu para 22% em 1995.

O regime de meta da inflação foi adotado em 1999 e tinha por objetivo, na ocasião, evitar a desenvolvimento do processo inflacionário, fenômeno esse intimamente relacionado às variações anuais do IPCA.

Dessa forma, desde a sua criação até os dias de hoje, cabe ao Conselho Monetário Nacional – autoridade máximo do nosso sistema financeiro – a fixação dessas metas e os seus respectivos intervalos de tolerância.

Metas de inflação são definidas anualmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é formada pelos ministros da economia e do planejamento e pelo presidente do Banco Central.

Essas metas são fundamentos econômicos do governo, é um compromisso firmado em 1999, afim de passar a garantia de que a inflação não vai fugir do controle e que tudo será feito para que isso aconteça.

Isso passa mais segurança para a sociedade e investidores.

Principais Índices de Inflação no Brasil

Para medir a inflação e checar se o país está dentro da meta de inflação, existem alguns índices de preços, que hoje são medidos por instituições como a Fundação Getúlio Vargas e como a Universidade de São Paulo.

Seguem abaixo os principais índices utilizados hoje:

INPC – Índice nacional de preços ao consumidor

O Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor – INPC que tem por objetivo a correção do poder de compra dos salários, através da mensuração das variações de preços da cesta de consumo da população assalariada com mais baixo rendimento.

Esta faixa de renda foi criada com o objetivo de garantir uma cobertura populacional de 50% das famílias cuja pessoa de referência é assalariada e pertencente às áreas urbanas de cobertura do SNIPC – Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

Esse índice de preços tem como unidade de coleta estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionária de serviços públicos e internet e sua coleta estende-se, em geral, do dia 01 a 30 do mês de referência.

IPCA – Índice de preços ao consumidor amplo

Criado em 1947, o IPA era chamado inicialmente de Índice de Preços por Atacado.

Apenas em Abril de 2010, a nomenclatura atual – Índice de Preços ao Produtor Amplo – passou a ser adotada.

INCC – Índice nacional do custo da construção

O INCC é o índice que observa a variação do custo da construção habitacional. O seu valor influencia a parcela dos financiamento de imóveis ainda na planta e deve ser incluído no cálculo de quem está na busca pelo imóvel novo.

A sua primeira versão foi criada pela FGV em 1950, com o nome de Índice de Custos de Construção (ICC) e acompanhava apenas o custo no mercado de construção da cidade do Rio de Janeiro, a capital federal à época.

Mas 35 anos depois, a atividade econômica se descentralizou e o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE) passou a acompanhar os custos da construção em outros lugares, e, com o avanço tecnológico, incorporou o custo de outros produtos e outras especialidades que passaram a ser aplicados nesse mercado.

Hoje, o seu cálculo leva o custo de materiais, equipamentos, serviços, mão de obra e tecnologias necessários para a construção civil em sete capitais brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília.

Referência utilizada

Como é calculado o IPCA

O período de pesquisa do IPCA vai do dia 1º ao dia 30 ou 31, dependendo do mês.

A pesquisa é realizada em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços, residências e concessionárias de serviços públicos.

São avaliados o preço de nove categorias:

  • Alimentação e bebidas – 24,77%
  • Transportes – 18,29%
  • Habitação – 15,82%
  • Saúde e cuidados pessoais – 12,27%
  • Despesas pessoais – 10,81%
  • Vestuário – 5,65%
  • Educação – 5,01%
  • Artigos de residência – 3,91%
  • Comunicação – 3,42%

Após a coleta, uma média simples é aplicada para gerar o valor IPCA acumulado durante o período.

Os preços obtidos são os efetivamente cobrados ao consumidor, para pagamento à vista.

No cálculo, cada um dos componentes têm o seguinte peso – atualizado pelo IBGE para 2020:

São Paulo32,32%
Belo Horizonte9,74%
Rio de Janeiro9,41%
Porto Alegre 8,59%
Curitiba 8,05%
Salvador5,99%
Goiânia4,16%
Brasília4,09%
Recife 3,93%
Belém3,91%
Fortaleza3,22%
Vitória1,86%
São Luis1,62%
Campo Grande1,51%
Aracaju1,02%
Rio Branco0,51%

Peso de cada região sobre o cálculo do IPCA – Fonte: IBGE

Conheça a Calculadora fornecida pelo próprio IBGE

calculadora do ipca

IPCA x Investimentos

Além de impactar o bolso da população, o IPCA também afeta todos os tipos de investimento.

Isso porque, independentemente da aplicação escolhida, o investidor precisa garantir que sua rentabilidade seja pelo menos superior à inflação do período.

A grande vantagem dos investimentos atrelados a este índice é que eles, na maioria das vezes, terão rentabilidade acima da inflação.

Por isso, em períodos de inflação alta, essa pode ser a grande saída para a rentabilidade em seus títulos de renda fixa, assim como CDB’s, LCI, LCA, CRI, CRA’s e Debêntures.

Nos quais esses títulos possuem rentabilidade atrelada ao índice IPCA

O ativo mais comentado e principal na maioria dos investimentos é o Investimento no Tesouro Nacional.

Tesouro IPCA

No caso deste título do Tesouro Direto, a rentabilidade será a variação do IPCA somada a uma taxa de juros pré-estabelecida no momento da compra do título.

tesouro-ipca

Conheça os perfis de investidores que mais utilizam este índice como referência:

http://centraldoinvestidor.com/perfil-de-investidor-iii-conservador-lci-e-lca/

O grande segredo para se tornar um investidor de sucesso é conhecer as opções que o mercado oferece e saber em qual cenário eles terão melhor rentabilidade.

IPCA acumulado

As taxas mensais do índice podem ser somadas, e assim, se obtém a taxa de aumento dos preços para o ano, ou seja, a inflação acumulada para o período anual.

Essa análise dá um passo atrás para avaliar as possíveis consequências da oscilação que acontece nos preços em longo prazo.

Assim, o IPCA acumulado nada mais é do que a soma das taxas de inflação registradas dentro de um determinado período.

Pode ser ao longo de um ano fiscal (de janeiro a dezembro) ou relativo a um período qualquer de 12 meses consecutivos, como de Abril de 2019 a Maio de 2020, por exemplo.

https://www.youtube.com/watch?v=JVcDZOlIMBk&feature=emb_logo

Conclusão e oportunidades

Neste artigo, você descobriu o que é o IPCA sua história vivida por grande parte da população brasileira e de que forma ela é atribuída aos nossos investimentos.

Ele afeta os brasileiros historicamente e, por isso, quem possuir um patrimônio depositado na poupança, precisa evoluir na sua forma de investir.

Aprenda a investir em conjunto com o IPCA, alocando recursos em ativos que tragam um retorno real.

Se você deseja atingis seus objetivos e metas de vida, é essencial fazer seu dinheiro trabalhar para você.