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Os Gringos, eles estão voltando! (parte 2)

novembro 30th, 2020 Posted by Blog do Eliseu 0 comments on “Os Gringos, eles estão voltando! (parte 2)”

Hoje começo por uma questão que já comentei em uma ou duas edições atrás, sobre o forte movimento de ingresso de capital estrangeiro que começou e permanece nesse mês de novembro.

Continuamos com um forte ingresso no mês de novembro e chegamos a US$ 30 bilhões que ingressaram nesse mês de novembro, sendo o melhor mês do ano:

Nota-se uma recuperação grande quanto ao fluxo de entrada de estrangeiros, em que chegamos a cerca de US$ 70 bilhões de saída na B3 e agora estamos com cerca de US$ 27 bilhões negativos contra os US$ 57 bilhões que estávamos em outubro…

Mesmo com esse surpreendente ingresso de capital estrangeiro em novembro no Brasil e com o Real subindo quase 8% no mês, sendo uma das moedas que mais se valoriza no globo, podemos ver que o Real contra outras moedas emergentes, como por exemplo, o Peso Mexicano, ainda está muito desvalorizado, o que é um dos fatores que vêm atraindo os investimentos estrangeiros no Brasil.

O fato é que com esse fluxo voltando ao Brasil, teremos um tradicional ingresso de capital para as ações de empresas com maior liquidez e posteriormente empresas de pequena capitalização, o que já vem acontecendo…

Já a Bovespa está negociando cerca de um desvio-padrão acima da média histórica de negociação. Lembro que temos os menores juros da história e que isso faz que com os múltiplos tenham uma elevação de forma natural, eis que o custo de capital é mais barato, além de outros somatórios….

Um fato negativo e que deve ser observado, é o débito mundial não considerando o setor financeiro que está cerca de 240% ou 2,4x o GDP (PIB) mundial.. Esse indicador é muito usado por Warren Buffett, junto com o regime de capitalização da bolsa americana e o PIB americano, cujo múltiplo também está acima da média….

Por estarmos próximos do final do ano, as previsões de crescimento da economia aumentam e o BNP Paribas, acredita que o Brasil é o País que menos sofrerá com a queda do PIB até o final do ano e que a China e Àsia, irão crescer fortemente….

Já a total recuperação para os empergente deve acontecer apenas em 2022, para a Àsia o primeiro trimestre de 2021, para a Europa no terceiro trmestre e mercados emergentes em geral entre o terceiro e quarto trimestres…

Na última edição da Tônica, comentei sobre os ativos que mais tinham me chamado atenção, tivemos uma disparada de grande parte desses ativos e seus respectivos preços, como Eternit, Petrorio, Vale e outras. Você conferir abaixo o que mais chamou-me atenção…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço mais a função de analista, mesmo já passando na prova anteriormente), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: /https://bugg.com.br/2020/11/30/20201130-tonica-da-semana-eles-estao-de-volta-parte-ii/

Os Gringos, eles estão voltando!

novembro 16th, 2020 Posted by Blog do Eliseu, Central do Investidor 0 comments on “Os Gringos, eles estão voltando!”

Com o fim das eleições americanas e a provável vitória de Biden, investidores passam a tentar projetar os próximos 4 anos. No último artigo (que você pode encontrar aqui o link) tratei de empresas e setores que poderiam ser beneficiados com os incentivos de Biden. Não cabe a mim falar sobre política ou emitir uma opinião pessoal (eu moro nos EUA e tenho minhas convicções políticas, religiosas, mas acredito que aqui não é o canal para isso) e sim ser o mais neutro possível.  Vejo que de modo geral teremos também uma abertura maior de mercado e isso pode refletir em uma melhora de trocas comerciais entre os países, incluindo aí o Brasil.

Na última década os investimentos em mercados emergentes e commodities (EM e COMDTY, nas siglas da tabela abaixo), tiveram seus retornos muito prejudicados. A China agora com o Acordo do Pacífico, tende a aumentar o peso como um emergente, direcionando grande parte dos investimentos para a Àsia, onde temos que começar a olhar com uma maior atenção também, pensando os investimentos como algo mais global. Hoje é muito simples realizar isso, inclusive via veículos que estão no Brasil, como Fundos focados em China e Ásia, assim como em ETFs.

O Brasil por ser emergente, mantém também uma grande atratividade. O fato é que principalmente em dólar, para o investidor estrangeiro o mercado de ações brasileiro está muito interessante. Nos últimos 3 anos tivemos uma saída gigante do capital estrangeiro do Brasil, levando em conta o investimento na B3 em ações. Enquanto isso, o investidor pessoa física ganhou peso nesse período, porém, penso que o investidor estrangeiro deve retornar e isso deve trazer mais fluxo para o mercado brasileiro, favorecendo a liquidez e a elevação de nosso índice.

MAS SERÁ QUE OS GRINGOS ESTÃO VOLTANDO? 

Foram quase 3 anos de saída massiva e mesmo assim nosso Índice principal, o Ibovespa, saiu de 71 mil pontos para 105 mil pontos e só nesse ano, o fluxo negativo chegou em R$ 87 bilhões e atualmente está em uma saída de R$ 57,67 bilhões, como podemos ver abaixo:

Essa recuperação no fluxo e ingresso de capital por parte do investidor estrangeiro vem chamando atenção, desde os primeiros dias de novembro. Só nessas duas semanas iniciais, tivemos um ingresso líquido de R$ 12,73 bilhões em novembro…

Além da atratividade em dólar para o investidor estrangeiro, em reais a bolsa brasileira começa a ficar mais interessante. Se colocarmos as ações da Petrobrás (peso de 11% no índice) e da Vale (peso de 10% no Índice e que negocia a 5x lucros para 2021) teríamos um Ibovespa mais perto da média do que vem sendo negociado desde 2005 – vide segundo gráfico abaixo:

Todo esse rotation (palavra muito utilizada recentemente) de mercados mais maduros para emergentes (Brasil, China), vem também favorecendo a alocação nos ativos que ficaram esquecidos pelo mercado, sendo que a maioria desses ativos pode ser classificado como empresas de valor ou value investments, empresas em setores mais maduros, com pouco crescimento (na teoria é o que espera o mercado, mas muitas vezes essas empresas trazem “surpresas” positivas, um lucro muito maior do que é o esperado e de maneira surpreendente) e setores tradicionais.

Além disso, as moedas dos países emergentes estão interessantes, estando em um dos menores patamares desde 1995!

Tudo isso privilegia o Brasil, trazendo resultados positivos para as empresas brasileiras e alguns setores específicos, que nos remete ao próximo tópico: resultados que me chamaram atenção até o momento…

Resultados que chamaram atenção até o momento 

Mesmo sendo consultor CVM, sócio-fundador de uma asset, ter tirado a prova da CNPI (não exerço a função de analista), comento que aqui não é uma indicação de compra de ativos, mas sim um pequeno resumo do que chamou-me atenção até o momento:

  • Setor de proteínas: acredito que como esperado, entregaram ótimos resultados. Marfrig fechando exclusividade com o Nusr-Et (aquele Turco, que joga o sal no estilo na carne, que virou meme, mas que tem uma qualidade gigante na carne, sendo vendida em Miami por US$ 180). Além disso, vem reforçando a atuação em carnes vegetais, muito na moda aqui nos Estados Unidos. JBS foi outra que surpreendeu, ambas vêm diminuindo a alavancagem. No pior dos casos, podem estar uma carteira visando proteção, pois há correlação com o dólar.
  • Minério de ferro: Vale continua a impressionar com os resultados. O custo de produção próximo de US$ 42 e a venda acima dos US$ 115, propicia uma margem de segurança altíssima para a Empresa. É geradora de caixa, tem uma provisão que tende a ser revertida em grande parte no próximo ano e está negociada a cerca de 5x lucros, 2,9x Ebitda, muito abaixo dos pares, BHP e Rio Tinto.
  • Construtoras: gostei de Even, Trisul, Tenda e MRV. Tornei me cliente da Even recentemente e a abertura de capital da Melnick, assim como geração de caixa da empresa vieram muito bem. Trisul planeja  lançar 5x mais do que lançou até o momento para 2021. Tenda gerou um caixa gigante, R$ 112 milhões, além disso vem implementando CDT, pequenos “hubs centralizados”, visando melhorar a logística de entrega de materiais para as obras, gerenciando o estoque de produtos de maneira mais adequada. Além disso, tem um preço menor por imóvel que a concorrência e está testando um produto similar ao drywall dos Estados Unidos. MRV, vem aumentando o peso da Luggo, lançará mais via AHS nos Estados Unidos (o retorno de alugueis aqui, acredito que são melhores que no Brasil, inclusive morei em um produto AHS no Sul da Flórida). Das três anteriores citadas, acho que a MRV é a que está mais cara, mas que se entregar os projetos que pretende, tende a ficar mais atraente.
  • Seguradoras: gostei de BB Seguridade e Sulamérica. BB Seguridade com contratos até 2033 nas agências bancárias do BB, teve um retorno muito alto da corretora BB e, assim como a Sulamérica, com o aumento dos juros que deve ocorrer no Brasil, tende a aumentar a receita financeira;
  • Empresas de energia elétrica: gostei de Taesa, Copel e Neo Energia. Algumas com TIR entre 11-13%, muito acima da precificação atual. Acredito que o mercado não reconheceu o valor, por serem empresas consideradas “old” e que podem ser classificadas como value, entrando no que comentei acima.
  • Bancos: Bradesco, BB.. presidente do Bradesco comentou em termos atingido o piso da possível questão quanto provisão. Bradesco via ADRs negocia a mesmo preço de 2005, porém com o lucro em reais 4x maior, isso colocando o momento de pandemia no cálculo (ok, não é o mais correto colocar valor de mercado em dólar e lucro em reais, mas mesmo assim seria o dobro de 2005 de lucro, pela metade do preço). O que chamou atenção de Banco do Brasil, foi a carteira prorrogada de 17,8%, acima de outros bancos, porém, essa carteira tem 97,8% da sua posição sem atrasos, além disso, grande parte dos empréstimos são para o setor do agronegócio, que é um dos setores (senão o mais!) resilientes.
  • Empresas menores de vários setores: Eternit, Profarma, Atom, São Carlos, Petrorio e até Enauta. Eternit diminuiu a dívida em cerca de R$ 120 milhões em 3 trimestre (perto de 20% do valor de mercado), vem se reinventando e surfando o ciclo de construção civil que começou com a queda forte de juros de 2017. Profarma em um setor resiliente, muito abaixo dos pares e descontada. Atom, empresa de difícil previsibilidade, mas que com o ingresso massivo de pessoas físicas na bolsa, vem estando muito descontada. São Carlos negociando com Net Asset Value de R$ 70,00 por ação e valendo no mercado cerca de R$39,00. Petrorio diminuindo o lifting cost e gerando muito caixa, até de maneira surpreendente (sou um especial entusiasta da Empresa, adquiri ações em 2016 a R$ 2,20 como preço médio) e Enauta, que vem gerando valor, tem recebíveis + caixa de cerca de R$ 2,6 bilhões para 2021, o que daria perto de R$ 11,0o apenas com esses valores. Colocaria essa última Empresa como o azarão entre todas.

Mas sempre lembro: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

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Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/11/16/os-gringos-estao-voltando/

Oportunidades em petróleo, ouro, commodities e mercados emergentes

julho 20th, 2020 Posted by Blog do Eliseu 0 comments on “Oportunidades em petróleo, ouro, commodities e mercados emergentes”
petróleo ouro commodities

Na semana passada fui citado por um dos maiores economistas do Brasil ou no mínimo, um dos que têm mais destaque na mídia, o economista Ricardo Amorim, que faz parte do Manhattan Connection e sócio da Ricam Consultoria, inclusive compartilhando o raciocínio que fiz falando sobre a Tesla e outras montadoras, assim como a diferença de investimento entre o growth e valor, inclusive dividindo esse pensamento em um dos maiores eventos de investimentos do mundo, a Expert. Esse raciocínio e ideia comentei no artigo anterior aqui e em meu twitter, aqui …

Isso foi muito motivador para mim continuar escrevendo. Demoro entre 3 a 5 horas para escrever um texto aqui e editar e só tenho a agradecer o compartilhamento por alguém que estimo e respeito muito!

Como andam o preço de algumas commodities, porque acredito que elas podem estar depreciadas e que Brasil pode sair favorecido

Ideia aqui é mostrar o andamento nos preços de algumas das commodities mais utilizadas no mundo, que são ativos considerados reais e que nos últimos anos os preços das ações de empresas desse setor, ficaram muito para trás em comparação com ativos de tecnologia. Ativos como o cobre, estanho, petróleo, são ligados ao crescimento da economia e com a criação de uma vacina (cada vez mais estão saindo notícias sobre isso, inclusive há previsão de uma vacina saindo em setembro), poderemos voltar ao patamar de crescimento novamente.

Uma das commodities mais utilizadas do mundo, o petróle0 (alguns podem mencionar que o futuro está acabado para o petróleo, mas o fato é que muitos setores da economia ainda dependem dele), fazendo um comparativo com o ouro nos últimos meses, a diferença entre o preço do ouro-petróleo atingiu o maior nível da história. Como exemplo, em maio de 2020, uma onça de ouro comprava acima de 400 barril de petróleo – 10x mais que o recorde anterior atingido na Grande Depressão em 1933 e 9x mais que o nível atingido nas quedas do pânico em 2016.

Entre os anos de 1900 e hoje, uma onça de ouro comprava 20 barris de petróleo, com um desvio-padrão de 8. Utilizando uma média, cerca de 80% das observações estavam em 10 para 1, ou seja, significando que ouro estava barato para o petróleo e 30 para 1, significando que o petróleo estava barato para o ouro. De acordo com a distribuição histórica, um nivel de 130 para 1, é algo experado apenas uma vez a cada 10 mil anos!!!

Podemos ver isso na Distribuição ouro-petróleo desde 1860 até o maio 2020:

O padrão ouro-petróleo é um indicador interessante para observarmos quando queremos investir em petróleo e ouro nos últimos 120 anos, usando dados dos EUA. Se pegarmos dados desde 1900, com uma média de 12 meses, temos um retorno de 7% ao ano para o petróleo e de 5% para o retorno anual do ouro. Nesse tempo, petróleo tem um retorno negativo em 39% do tempo enquanto o ouro em 32% do tempo, se pegarmos janelas de 12 meses de retorno.

Contudo, quando o padrão ouro-petróleo excede 30 para 1 (petróleo está barato em relação ao ouro), o petróleo tem retornado em média 32% nos 12 meses seguintes (mais de 4x que a média de longo prazo), enquanto o ouro tem retornado 4% em média. Em média o petróleo tem performado melhor que o ouro em 28% nesses períodos contra 2% em períodos considerados normais.

Já quando o padrão ouro-petróleo está menor que 10 para 1 ( petróleo está mais caro que o ouro) o petróleo perde 7% em média nos 12 meses seguintes e o ouro retorna 18% em média durante esses períodos, possuindo melhor retorno que o petróleo em torno de 25%.

Na última disparidade de mercado que ocorreu no início de 2016 entre ouro e petróleo, o nível atingiu recorde até então 47 para 1. Nos 30 meses seguintes, tivemos um rally no óleo com os preços disparando 191% por barril para US$ 76 em Outubro de 2018, enquanto o ouro caiu 4% durante o mesmo período. Não temos um ETF de petróleo no Brasil como comparativo, mas o ETF XLE, avançou 56% contra outro ETF de ouro negociado nos EUA, o GDX que subiu apenas 3% enquanto que o S&P 500 which subiu 69%!

Como recentemente foi atingido um patamar de 400 para 1, se for considerado o histórico passado de correlação, podendo gerar oportunidades para empresas do setor como Enauta, que não possui dívidas e poderia investir mais operacionalmente, Petrorio, que tem ativos ainda não contabilizados em seus balanços e que isso pode ocorrer em breve e Petrobrás que atingiu produção recorde no pré-sal recentemente!

Ouro e petróleo ambos já passaram por altas de mercado, guerras, pânicos financeiros, crises, depressões, períodos de deflação e inflação, padrão ouro, troca de padrão ouro, taxas de juros fixas, flutuantes, tensões geopolíticas, períodos mais calmos e agora mais uma pandemia. Apesar de todos esses acontecimentos o nível ouro-petróleo, em 80% do tempo sempre ficou entre 10 para 1 e 30 para 1, o que pode ser uma oportunidade o momento atual..

Cobre, Estanho e outros

Outros metais que vêm chamando atenção e que são ligados ao crescimento econômico são o cobre, estanho e outras commodities que também estão subindo o preço rapidamente, acompanhando principalmente o retorno do mercado de capitais da China, como podemos ver abaixo:

O cobre é usado para smartphones, residências e é utilizado como um indicador econômico pelos investidores, sendo consumido pela China quase a metade do que é produzido no mundo e seguindo o crescimento econômico da China que vem mostrando uma recuperação em V.

Outro indicador bem interessante é o Citigroup Economic Surprise Index, que vem surpreendendo positivamente com os últimos dados divulgados recentemente.

fonte: Yardemi.com

Dados como resultados de bancos, por exemplo, um dos maiores bancos do mundo, o  Morgan Stanley, teve um aumento de 45% no seu lucro líquido, possuindo o maior lucro da sua história e isso em plena pandemia!! Outros bancos como JP Morgan, Citigroup, Goldman Sachs, também tiveram resultados acima do previsto.

Ações de empresas que estão descontadas devem começar a ser melhor avaliadas pelos investidores e o fluxo especialmente no Brasil, de migração da renda fixa para a renda variável, deve favorecer esse processo de recuperação de preços de empresas descontadas e com maior margem de segurança. No início de uma recuperação, o investidor não olha tanto para a qualidade das empresas, costuma comprar empresas mais conhecidas.

O nível de diferença entre as empresas de tecnologia e empresas de pequenas capitalização atingiu um dos maiores níveis desde a “Bolha.com”, mostrando que as empresas de tecnologia podem estar em patamares de avaliação altos, o que não acontecia há 20 anos!

Enfim, seja falando sobre Tesla valendo mais que todas as montadoras americanas, seja empresas tech do Brasil com múltiplos esticados, seja patamares de descontos em empresas tradicionais, seja a alta recente do mercado, cada vez mais vem o pensamento de que empresas e setores mais focados em Value Investing, podem estar mais atrativas no momento, como já comentei em artigos anteriores, inclusive citando setores.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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FONTE: https://bugg.com.br/2020/07/20/oportunidades-em-petroleo-ouro-commodities-e-mercados-emergentes/

Ações em valor e commodities podem estar depreciadas

julho 13th, 2020 Posted by Blog do Eliseu 0 comments on “Ações em valor e commodities podem estar depreciadas”
Ações baseadas em valor
Ações baseadas em valor

Ações baseadas em valor, commodities e mercados emergentes podem estar depreciadas

Chama atenção nos últimos dias a descolada que deram as ações da Tesla e de ações linkadas ao setor tech, tanto nos EUA quanto no Brasil. No início do ano as ações da Tesla estavam sendo negociadas a US$ 430 e agora estão a US$ 1.544, ou seja, uma alta de 259% apenas em 2020 e em ano de pandemia.

Uma das premissas de investidores em valor ou investidores que procuram investir com uma razoável margem de segurança é de que as cotações das ações devem acompanhar o lucro ou na minha visão, o caixa gerado por essas companhias. Muitas vezes, o lucro pode advir de um lucro contábil, algo não operacional, como reavaliação de propriedades que não são o core business da empresa investida e que vem sendo muito comum em algumas empresas da bolsa brasileira.

No exemplo da Tesla, no últimos dois trimestres é que ela começou a gerar lucro e mesmo assim foram cerca de US$ 16 milhões ou US$ 0,09 (sim 9 centavos) por ação que está negociada a US$ 1544, ou um Price-earnings (preço dividido pelo lucro anualizado) de 4289 vezes!!!!!! Lembro que no quarto trimestre de 2019, os ganhos foram de US$ 105 milhões de lucro líquido ou US$ 0,56.

Corrobora com isso que venho falando a questão de que a Tesla vale hoje US$ 260 bilhões, possuindo um valor de mercado maior que GM, Ford, Fiat Chrysler, Honda, Daimler e Ferrari, JUNTAS!

No último ano, as receitas dos outros produtores de automóveis foram de US$ 731 bilhões contra US$ 26 bilhões da Tesla, ou seja 27x menos!!! O que o mercado vem precificando é um crescimento gigantesco para Tesla nos próximos anos e provavelmente fontes de receita fora do negócio principal, quem sabe algo também relacionado a Solar City (sim, a Tesla é dona de uma empresa de telhas fotovoltaicas, que geram energia a partir da luz solar).

Por morar aqui na Flórida, vejo amigos com desejo de ter um Tesla e alguns até compraram, até pela questão de leasing, onde você paga cerca de 20-40% do carro em 2-3 anos para uma empresa que é responsável pela manutenção do carro. Após esse período, o carro retorna para as mãos de quem alugou. O ponto positivo disso é que pode ser utilizado como despesas em uma empresa, diminuindo o pagamento de impostos, tudo de uma maneira correta e honesta.

Acredito que todo esse movimento, seja devido ao aumento de número de investidores pessoa física e aos hobinhooders, pessoa física que negocia ações via o aplicativo Hobinhood, de corretagem grátis, mas que vende a ciência das compras e vendas para investidores maiores, de grande parte os investidores profissionais.

Esse movimento que tem acontecido com ações de Tesla, vem acontecendo com outras empresas tech e empresas de crescimento que estão nas máximas históricas e que estão com um peso gigante, um dos maiores da história na composição do S&P500, como podemos ver abaixo, enquanto que ações de empresas cíclicas e de setores considerados investimento em valor, como bancos e setor financeiro, indústria, energia e consumo discricionário, estão nos patamares mais baixos. Lembro que investir é olhar para frente, imaginando o que pode acontecer com a empresa daqui para o futuro, baseando-se no que ocorreu no passado, porém o que vem acontecendo é uma valorização em patamares históricos de empresas de crescimento e aqui faço meu alerta e cautela… o melhor investimento é aquele quando poucos querem, poucos prestam atenção, feito também em um timming correto!

No quadro abaixo, podemos ver o retorno anualizado nos últimos anos de empresas global commodities, ou empresas de commodities, mercados emergentes que tiveram um dos maiores riscos (medido pelo desvio padrão) e retornos no passado que não corresponderam ao risco incorrido. Lembro que empresas que não andaram bem no passado, podem andar bem no futuro, eis que têm grande possibilidade de estarem com desconto e é nisso que pessoalmente acredito em meus investimentos.

Fonte: Visual Capitalist

Muitos comentam que as ações poderiam estar negociadas a patamares altíssimos, os maiores da história, mas o fato é que ainda não batemos os múltiplos da bolha.com, como podemos ver abaixo:
Venho acompanhando alguns youtubers, muito deles meus amigos e que são geradores de opinião. Acredito que eles fazem um ótimo trabalho de educação financeira, mas a carteira deles normalmente é de ativos linkados ao crescimento. Muitos gostam de ações como Weg, B2W, Magazine Luiza, Tesla e convém alertar que essas empresas podem ter atingido patamares acima de uma margem de segurança adequada de investimento.
Quem é investidor há mais tempo, sabe que é o cachorro que balança o rabo e não o contrário, falo isso acerca dos lucros e geração de caixa atual e futura que fazem com que o preço de ação caia ou suba e que muitas vezes, a maioria é pouco inteligente e emocional e uma das características de grandes investidores é filtrar a opinião alheia, servindo-se dessa “bipolaridade” do mercado, que às vezes é muito otimista e outras muito negativista com alguns setores. Olhando o quadro abaixo, será que o mercado não está sendo muito negativista com setores mais tradicionais da economia? Note as mudanças de expectatias entre 31-12-2019 e 30-06-2020…

Fonte: WSJ

Não há dúvidas que investir em empresas tech nos últimos anos, foi uma das melhores estratégias dos últimos anos, mas será que o futuro para o investidor manterar-se-á assim?

Descolamento da economia real e do mercado: desemprego nos EUA continua no pico

Nos últimos dias tivemos uma melhora na taxa de desemprego nos EUA, surpreendendo aqueles que apostavam contra isso e lembrando a frase que ficou marcada por Warren Buffett, no encontro anual de acionistas Berkshire: “Never bet against America (EUA)”. Mesmo assim, com toda a recuperação do mercado de trabalho, o número de desempregados ainda é acima das crises anteriores (atualmente estamos com 11,1% e alguns contestam esse número):

  • 2007-09: 10.0%
  • 2001: 6.3%
  • 1990-1991: 7.8%
  • 1981-1982: 10.8%
  • 1973-75: 9.0%
  • 1969-70: 6.1%
  • 1960-61: 7.1%
  • 1957-58: 7.5%
  • 1953-54: 6.1%
  • 1948-49: 7.9%

Com a recuperação econômica ainda por vir e empresas tech e de crescimento já embutindo isso nos preços, ativos que estão historicamente mais descontados como commodities, investimento em valor e mercados emergentes tendem a valorizar-se nos próximos meses. Lendo a conjuntura macroeconômica, temos bancos centrais alocando muita grana como incentivos, moedas de países emergentes como o Brasil depreciadíssimas, petróleo nas mínimas históricas em comparação com o ouro, por exemplo e  empresas baseadas na métrica de value investing descontadas historicamente. Setores como saneamento, real state e bancos, são os que mais me atraem, ainda descontados, mesmo não andando. Juntando-se todos esses fatores, corrobora com meu pensamento e como venho me posicionando.

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

FONTE: https://bugg.com.br/2020/07/13/acoes-em-valor-e-commodities-podem-estar-depreciadas-by-eliseu/

Como comprar e vender milho na Bolsa de Valores

dezembro 18th, 2017 Posted by Agrícolas 0 comments on “Como comprar e vender milho na Bolsa de Valores”

Nos últimos artigos falamos sobre algumas regras do mercado futuro de commodities como Margem de Garantia e o Ajuste Diário. Agora vamos mais a fundo, entrando em detalhes de como se negocia contratos de Milho na Bolsa de Mercadorias e Futuros.

Graças ao ajuste diário e margem de garantia, podemos estar posicionados na compra, onde ganhamos dinheiro com a alta da cotação, quanto na venda, onde ganhamos (mais…)

Como comprar e vender soja na Bolsa de Mercadorias e Futuros

novembro 17th, 2017 Posted by Agrícolas 0 comments on “Como comprar e vender soja na Bolsa de Mercadorias e Futuros”

Nos últimos artigos falamos sobre algumas regras do mercado futuro de commodities como Margem de Garantia e Ajuste Diário. Agora vamos mais a fundo. Entramos nos detalhes de como se negocia contratos de Soja na Bolsa de Mercadorias e Futuros.

Graças ao ajuste diário e à margem de garantia, podemos estar posicionados na compra – onde ganhamos dinheiro com a alta da cotação – ou na venda – onde ganhamos com a queda da cotação do ativo.

Sempre lembrando que as negociações de Soja na Bolsa são operações somente financeiras, não tendo entrega física no vencimento. (mais…)