Posts tagged "Economia"

Quando essa (s) crise (s) irá (ão) acabar?

abril 27th, 2020 Posted by Blog do Eliseu 0 comments on “Quando essa (s) crise (s) irá (ão) acabar?”

Aqui quem vos escreve é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Crises são e continuarão sendo normais na nossa economia, assim como os ciclos no mercado financeiro, porém muitos investidores, sobretudo os que ingressaram recentemente nessa leva de novos investidores, estão vivenciando uma das maiores aulas em investimentos de ações, convivendo com 7 circuit breakers, quedas de 30-40% em seu portfólio de ações, crises…

E nesse ponto o Brasil está se superando, não bastasse vivenciarmos a Crise Corona Vírus, a Crise do Petróleo, inventamos mais uma, a crise política ou Moro Day.  Com essa terceira crise criada exclusivamente em solo brasileiro, já podemos pedir música no Fantástico. Ehehehe…Will comenta mais no assunto em sua tônica da semana.

Estaria o mercado de ações brasileiro em preço justo?

Muitos indagam-me se esse é o fundo do mercado de ações ou poderíamos testar patamares mais baixos ainda, inclusive alguns com gráficos colocando  uma correção do Ibovespa maior, a 40 mil pontos, por exemplo. O fato que esses investidores que comentam algo assim, estão apenas focados no preço dos ativos e não em fatos e no valor das empresas, muito menos no enorme desconto e a queda que já existe nos ativos no momento atual, principalmente se levarmos a queda da bolsa brasileira se colocada em dólar, ode temos uma das maiores quedas do ano em todo mundo, próxima a 70%!!

Em minha opinião, não é a toa que estamos nesses 75 mil pontos e essa queda próxima a 37% no ano (em reais), reflete as duas crises que o mundo vive, mais a possível crise política, sendo que grande parte disso já está no preço. Assim é o mercado financeiro, ele tenta antecipar, criar cenários do que pode acontecer no futuro, baseado nas premissas, acontecimentos e informações que estão disponíveis no presente. Normalmente o mercado antecipa 6-8 meses de um cenário futuro, por exemplo, logo ele poderá antecipar o retorno da economia americana e brasileira. Ficar preso a achismos, pode nos fazer perder oportunidades, principalmente com quedas como essas que são raras.

Atualmente, temos ativos sendo negociados abaixo do valor patrimonial, pagando dividendos 3-4x acima de nossa Taxa de Juros, onde a maioria dos ativos cai 30-50% no ano, precifica esse momento que estamos vivenciando. E você como investidor, deve aproveitar esses momentos, plantando as sementes que darão os frutos para serem colhidos no amanhã.

Quando a crise irá acabar?

Outra questão que surge é o sobre o timming de quando a crise irá acabar. Essa é uma pergunta que teríamos que consultar Nostradamus, o vidente que viveu até meados de 1500. ehhehehe…Dificilmente alguém sabe onde vai terminar uma crise, sendo assim, o ideal é o investidor concentrar-se naquilo que ele pode controlar, pois o resto é perda de tempo e tempo é o ativo mais valioso que temos!

Alguns conselhos práticos:

  • Concentrar-se em realizar aportes esporádicos, mantendo esse hábito;
  • Utilizar-se de diversificação;
  • Executar a máxima do “compre ao som dos canhões”;
  • Focar nos ativos que você investe desfocando de jornais e televisão;
  • Orientar seus investimentos para o médio-longo prazo;
  • Rebalancear portfolio;

Junte a isso a necessidade de aproveitar as oportunidades! Falo isso, porque muitos esperam a crise passar para investir, deixando dinheiro em caixa em vez de investir gradualmente nas quedas, pensando que o melhor momento é “quando o mercado estiver mais tranquilo eu investirei”. Agindo assim, esse tipo de investidor vai comprar ações quando o Ibovespa estiver em 120 mil pontos. Logo, o atual momento precifica praticamente o fim do mundo, do contrário os preços não estariam nesses patamares, sendo assim, cabe ao investidor consciente aproveitar esses momentos, sempre levando em conta o seu perfil e a diversificação.

Preço das ações brasileiras em dólar

Mesmo com a saída líquida de estrangeiros tanto em 2019 quanto 2020, ainda eles respondem pelo maior percentual de investidores no Brasil. Olhar as ações sob o ponto de vista deles, pode nos dar uma maior visibilidade do quanto estão atrativas as ações brasileiras.

Em primeiro lugar, vamos analisar o ETF Brazil EWZ. No momento atual o preço é similar ao ano de 2005, em dólares, como podemos ver abaixo. Isso é muito barato, eis que o período Dilma, tivemos uma queda de cerca de 10% no PIB, mesmo assim a economia sobreviveu, e a perspectiva atual é de uma queda no PIB de cerca de 7%, menor que a queda do período Dilma, além de que muitos comentam que essa crise pode ter uma recuperação rápida (vou mostrar no decorrer do artigo um dado importante da China, que já venceu o Corona Vírus e não tem casos há quatro dias):

Um outro índice importante a ser visto e que merece atenção é o Índice de Commodities já que o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais. Nota-se que estamos nas mínimas também…

Agora analisando as ações brasileiras em dólar, temos o Banco Bradesco, que em dólares está a níveis também de 2005… o preço em dólar continua o mesmo, porém o lucro que era de R$ 5,5 bilhões, foi de R$ 22,5 bilhões em 2019..

Itaú, idem, com cotação a patamares de 2005… lucro líquido era de R$ 5,25 bilhões e agora está em R$ 26 bilhões.. preço continuou o mesmo em 15 anos, porém os lucros aumentaram quase 5 vezes…

Agora a Petrobrás que lucrou R$ 23,7 bilhões em 2005, no ano de 2019 teve um lucro de R$ 40 bilhões e o preço da ação continua o mesmo em dólar…

Mas, e “se o Corona Vírus durar para sempre”?

Tenho uma filosofia de vida de tentar ser prático e objetivo nos pensamentos e atitudes, assim como nos investimentos. A melhor resposta é verificando o que aconteceu com quem praticamente já venceu o Corona Vírus, que não tem casos há 4 dias e onde tudo começou: a China!

Não querendo me estender o meu artigo, podemos analisar um indicador muito observado que é o Índice de atividade dos gerentes de compras da China (em inglês, PMI) e que mostra a cada mês um compilado com 700 indústrias da China. Acima de 50, significa que esse indicador está em expansão e abaixo em contração. No caso Chinês, com o fim do Corona, esse indicador voltou praticamente aos dados anteriores e normais. Será que teremos uma movimentação pós-fim do Corona, com a reabertura da economia prevista em maio, aqui no Brasil?

E por último, não menos importante….

“Comprar barato e vender caro..”

“comprar na queda e vender na alta.. “

“compre aos som dos canhões e venda aos sons de violinos”

“compre quando há sangue nas ruas”

Todas frases utilizadas para explicar o processo de investimento de maneira simples e curta, mas que quando vivenciamos momentos como os citados, muitas vezes titubeamos! A figura abaixo já esteve presente em um artigo anterior e acho conveniente para nos lembrar em que condições o mercado está barato e devemos agir.

O momento é de estudar empresas, melhorar o conhecimento e plantarmos para o futuro, esperando a colheita que tenha certeza, virá!!

Desejo coisas boas, para você que está lendo esse artigo e para sua família. Cuidem-se!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Disclaimer Os relatórios e/ou em qualquer conteúdo de análise e recomendação providos pelo Bugg possuem caráter meramente informativo e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o usuário a tomar sua própria decisão de investimento, não devendo ser considerado como uma oferta para compra ou venda de ativos. Os editores responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos da Instrução CVM nº 598/18,que as recomendações do relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradasde forma independente. Além disso, os instrumentos financeiros discutidos neste relatório podem não ser adequados para todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento,a situação financeira ou as necessidades específicas de um determinado investidor. A decisão final em relação aos investimentos deve ser tomada por cada investidor, levando em consideração os vários riscos,tarifas e comissões.

FONTE: https://bugg.com.br/2020/04/27/quando-essa-s-crise-s-ira-ao-acabar/

O que fazer no momento atual?

março 1st, 2020 Posted by Blog do Eliseu 0 comments on “O que fazer no momento atual?”

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Semana Turbulenta nos preços mas melhora para quem investe

A semana foi de batismo para os investidores que entraram recentemente no mercado de ações brasileiro. Do topo de 119.534 pontos até a mínima de sexta-feira, 99.950 pontos, o Ibovespa oscilou -16,39%, provocando preocupação e cautela, principalmente naqueles que caíram no mercado de para-quedas recentemente. Entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, o número de investidores pessoa física saiu de 800 mil para 1,850 milhão, mais do que dobrando a base. O fato é que a maioria dos investidores brasileiros não está acostumada com esses dias intensos e voláteis, que chamaram atenção no Brasil e no mundo.

Oscilação de 3 dias e 16,39% trouxe cautela a muitos investidores

Queda histórica nos EUA

A queda ocorrida nessa semana no Dow Jones foi a quinta maior da história, como podemos ver abaixo. Chama atenção a velocidade dessa queda..

Sobre o SP500, um dos índices de ações americanos, a maioria dos setores que o compõem, teve a pior semana desde 2008. A tabela abaixo compila os dados setoriais mostrando as variações diária e semanal, comparando-as com outras semanas difíceis para o mercado. O setor de energia já está em bear market (quando cai 20% da maior cotação atingida).

Mercado Sobrevendido?

O que mais chama atenção na correção atual é a velocidade da correção. Existem alguns indicadores de análise técnica que ajudam a mostrar isso…um deles é o índice de força relativa, o qual busca medir a aceleração do movimento dos preços de determinado ativo … ele é usado para mensurar quais ações estariam assim “sobrevendidas” (oversold) …foge ao escopo desse artigo, mas no momento atual, 63% das empresas do S&P estariam nesse patamar, o qual só pior que 7 momentos anteriores desde 1990 – vide gráfico abaixo. Isso mostra que muitos ativos caíram bem e podem recuperar-se:

VIX (ìndice que mede a volatilidade do mercado e conhecido por ser o “indicador do medo de mercado”, também usado como um seguro para momentos de maior stress) atingiu a maior marca desde 2016, isso que tivemos choques no petróleo, a questão do Brexit, Eleições Americanas e o medo Trump, Guerra Comercial EUA x China, Questão Stress com North Korea, apenas alguns dos eventos que ocorreram recentemente e que corrobora com o sentimento de que o momento atual é de alta volatilidade…

Já a curva de juros americana caiu forte, ou seja, com os investidores buscando segurança nos títulos americanos – lembrando que quando preço dos títulos sobem a remuneração dos títulos que é fixa, acaba caindo. Fora isso muitos especulam com o possível  corte de juros. Abaixo a curva de juros de 10 anos que aponta para uma patamar bastante baixo de juros após as quedas recentes:

Bolsa americana… 

No momento atual a SP500 negocia a 28,05 vezes os lucros anuais atualizados pela inflação, onde a média é de 17 vezes. Recentemente o patamar era de 33 vezes e a média 16,7 vezes. O ápice foi na “bolha ponto com” e o ponto mais baixo em 1920, com 4,78 vezes. Cabe salientar que os juros estão nos menores patamares da história, então temos que colocar isso como desconto.

E a bolsa brasileira…

Hoje o Ibovespa negocia a um patamar de 12x seu lucros projetados de 12 meses …. Aqui vale uma ressalva de que muito provavelmente veremos uma revisão para baixo nesses lucros o que tende a aumentar o número do múltiplo (relação Preço atual/ lucro projetao).

Mas é importante destacar que correções são normais e sadias para o mercado de investimentos, pois permitem a compra de ativos a preços mais atrativos, mais baratos.

Trazendo um pouco de estatítica/história….com exceção do período Dilma, as correções duram em média 102 dias, quando olhamos dados desde 1996 ou 24 anos de mercado – vide tabela abaixo:

Fonte: Empiricus

Por que estou falando tudo isso? 

A ideia é mostrar que a queda atual é forte e rápida, algo anormal. Não tenho bola de cristal, Warren Buffett começou a comprar ativos na crise de 2008, em outubro e a crise só terminou em março de 2009. Se nem ele que é considerado o oráculo acerta o “timming” (hora certa de entrar), porque você e eu deveríamos nos esforçar tentando acertar?

O fato é que alguns setores me parecem baratos, como setor bancário, saneamento e industrial.

As commodities também (IMAT no geral)… esse é um segmento que que tende a ficar mais barato quando o dólar tem uma alta forte, algo que temos visto contra a maior parte  das moedas do globo.

No gráfico abaixo, podemos ver a correlação entre o dólar mais forte e commodities (tirando energia), mostrando que o dólar alto, leva commodities para preços inferiores e quando elas estão mais baratas, é um bom momento de compra, na minha opinião. Por outro lado, penso que ao persistir o sentimento de aversão a risco, a tendência é que o dólar siga se valorizando, sendo assim, o momento é de cautela para commodities e de monitoramento nos preços das mesmas, já que o premio de risco deve aumentar. Abaixo um gráfico que relaciona as commodities com o dólar.

O que fazer neste momento? 

Um investidor consciente e que quer sobreviver no mercado procura por ativos que estão baratos, mantendo a calma e aproveitando momentos de maior volatilidade, para saber mais sobre as empresas que investe, rebalanceando os seus investimentos, alterando ativos mais caros para ativos que ficaram mais baratos, se assim for necessário.

Em momentos de volatilidade muitos investidores seguem o emocional, dando muito influência para notícias de curto prazo, esquecendo que o investimento em ações é para longo prazo e que é bom quando empresas boas estão sendo vendidas por um preço mais convidativo. Há pouco tempo recente era difícil encontrar ativos baratos e com essa queda já começam a aparecer oportunidades como em setores elencados acima, no texto.

Não esquecer a diversificação é outro ponto importante. Muitos investidores esquecem disso em momentos de alta, só aprendendo sobre diversificar quando não possuem mais capital para aportar em momentos de queda forte.

 

Resumo

  • Mercado de ações brasileiro e mundial teve uma queda forte, sendo uma das cinco quedas mais rápidas da história;
  • Preços de ativos corrigem para baixo e para cima, então focar na qualidade das empresas investidas, procurando aproveitar-se do momento de oscilação;
  • Tenha uma estratégia e a siga fielmente, antes de investir sempre, não depois;
  • Acostume-se com a volatilidade, investimento em ações é assim mesmo;
  • Teremos revisões de crescimento dos países para baixo e é isso que mercado vem colocando nos preços também. Um dos maiores bancos dos EUA, o Goldman Sachs, acredita que não teremos crescimento nos lucros das empresas americanas em 2020;
  • O melhor investimento sempre é aquele adequado ao seu perfil.

 

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/03/01/o-que-fazer-no-momento-atual/

20200217 – Tônica da Semana: 2 Cabeças pensam melhor que uma?

fevereiro 17th, 2020 Posted by Blog do Eliseu 0 comments on “20200217 – Tônica da Semana: 2 Cabeças pensam melhor que uma?”

DUAS CABEÇAS PENSAM MELHOR  QUE UMA? 

Essa afirmação é uma clichê que certamente você já ouviu. No mercado de ações eu acredito que o consenso não ajuda em nada…que ouvir muitas pessoas só atrapalha…não é uma questão de juntar 10 gênios da NASA numa sala para calcular os 1000 cenários possíveis e com isso ganhar dinheiro. O LTCM que o diga…fundo quebrou por achar que a genialidade de um nobel e outras mentes brilhantes era suficiante!

Penso que você deve fazer seus estudos e no limite seguir seu instinto…no final das contas, você sempre vai errar anyway!

No entanto, entretanto, todavia…sim, acredito que é bom trocar ideia com alguem sobre o mercado … indagar … questionar … averiguar.  Estou em NY aproveitando alguns dias de “folga” com a família e o Eliseu em São Paulo visitando várias instituições do mercado de capitais brasileiro…sentindo como vão as coisas por lá…

Conversamos e dessa conversa sobre o mercado saiu essa tônica dobradinha….

CORONAVÍRUS E OS PREÇOS DAS AÇÕES

Eliseu: Coronavírus é o assunto do momento e com ele, o reflexo nos investimentos. Pessoalmente acredito que é algo passageiro, que volta e meia teremos Corona Vírus, Sars, Guerras Comerciais, Impeachments, Joesley Days, Volatilidade em ano presidencial, tudo isso sempre existirá o importante é o investidor conscientizar-se da existência de eventos como esse e preparar-se para utilizar o efeito desses eventos nos preços para diminuir ou aumentar posições em ativos que tenham uma qualidade superior.

Nas últimas semanas tinha comentado aqui, como o mercado não dá a mínima para epidemias: Mercado Imune a Epidemias.  Soa até ofensivo, mas o que quis dizer é que, assim como o Eliseu pontuou isso é mais ruído do que qualquer coisa!

O QUE NÃO É PASSAGEIRO? 

Tem coisas que eu não gosto de ficar falando porque as vezes me parece ficar ser algo do tipo “chover no molhado”…Eu explico: muito das altas que temos visto no mercado se relaciona ao excesso de liquidez existente hoje no mundo. O dinheiro pode até não ter chovido no teu bolso, mas ele vem pingando em tudo que é lado…rs

Eliseu: Penso que existem fatos mais importantes e que não serão tão passageiros como o gráfico que está aí embaixo e que praticamente “rasgam” alguns livros de economia e teorias econômicas…o fato em questão é: a quantidade de dinheiro que está sendo disponibilizada no momento atual! Chamo atenção ainda, pós metade do ano de 2019, onde novamente o Banco Central Americano, o FED voltou a realizar o movimento de aumento de quantidade de moeda…eles tentaram reduzir seu balanço lá em 2018, mas voltaram atrás como se vê no gráfico abaixo – Gráfico do WSJ mostrando que o FED voltou a colocar quantidade grande de dinheiro no mercado, comprando Treasuries e disponibilizando mais dinheiro.

O que o Eliseu quer dizer é que, segundo os manuais de economia, deveríamos estar vendo inflação, ainda mais considerando que o desemprego nos EUA está baixo…nas mínimas de 40 anos! Mas não…nada disso…nada de inflação! A expansão da base monetária não tem gerado inflação de produtos…talvez esteja gerando inflacão nos preços de ativos…isso sim! E aí é que mora o perigo. Post do Bredda no Twitter essa semana, foi mais ou menos nessa linha…tipo pontuando essa preocupação:

Eliseu: Por eu morar nos EUA e estar atento a eventos que acontecem e conversar com alguns gestores, entre eles Howard Marks, vejo que muitos deles têm receios com o perigo da inflação, entre eles o Ray Dalio, que é conhecido de gestores brasileiros. Dalio acredita que em algum momento, teremos alta inflação. Hoje a meta de inflação dos EUA é de cerca de 2%. Toda essa grande quantidade de grana no mercado trouxeram alguns desequilíbrios em preços de ativos.

COMMODITIES NOSSA DE CADA DIA 

Uma das relações de preços de ativos que parecem estar sendo distorcidas é a relação entre as ações e as commodities. Eu, Eliseu e acredito que o Bredda concordemos com essa afirmação – Bredda postou o gráfico que o Eliseu compatilha mais abaixo.

Eliseu: A relação entre ações e commodities são um exemplo de distorção….estão em um dos menores momentos já vistos desde o fim do padrão ouro, no início da década de 70.

Eliseu: graficamente, o momento também pode auxiliar uma retomada nos preços das commodities e favorecer o Brasil, que ao contrário do mercado acionário dos EUA que vem de praticamente uma década de alta, teve correções, frutos de 3 anos de crescimento econômicos fracos e um impeachment de presidente, o que trouxe volatilidade e desconfiança ao mercado acionário brasileiro.

Nesse ponto concordamos e discordamos…penso que sim, se as commodities subirem isso é muito bom para o Brasil…não há dúvida. Me falta ver ou ter fé para saber o porquê elas voltariam a subir…com mundo desacelerando por que veríamos recuperação? Um pouco do que comentei na tônica da semana passada: deu zebra.

BRASIL CARO OU BARATO? 

Minha resposta? Depende! Dá uma olhada nesse gráfico aqui:

Excluindo bancos, o IBOV não parece tão barato assim não…o que vocês acham? Não por acaso, um banco é a maior participação da minha carteira!

 

Eliseu: Gráfico abaixo é uma compilação feita pela Eleven para o Ibovespa. Atualmente, a média do Preço/Lucro seria de 13,7x olhando 12 meses a frente…valor esse acima da média de 11,5x lucros anuais. Aqui cabe um ressalve que é o fato de que com a mudança drástica nos juros, é natural que esse número tenha uma elevação, já que ocorreu uma elevação no Preço-Lucro da renda fixa também.

SAI GRINGO ENTRA O BRAZUCA

Paulo Guedes fala que o novo normal é “juro baixo e dólar alto” … e é isso que temos visto. Com juros menor, muito gringo bate em retirada do Brasil…simples assim! O gringo que opera Brasil para pegar juro gordo, saiu! Ou ainda está saindo e isso gera o impacto do câmbio que teima em não cair. É algo comum a saída de capital estrangeiro mais especulativo com a queda de juros, devido a diminuição do carry trade – operação onde o cara toma emprestado a taxa baixa, capital mais barato para aplicar em países com juros maiores.

Eliseu: aqui em São Paulo conversei com muita gente..em especial que faz a gestão de milhões ou até bilhões de Reais! Notei unanimidade em uma coisa…fundos de pensão ainda possuem metas atuariais antigas, com objetivos de retornos de 10 a 12% ao ano e com capital pequeno em bolsa. Esses fundos ou terão que mudar seu estatuto ou alocar uma parcela maior de capital em ações…não tem escapatória!  Da mesma forma a PF que se acostumou com o 1% ao mês com o dinheiro na renda fixa, agora se vê orfã e tem que buscar outras alternativas para rentabilizar patrimônio. Acredito que ambas as coisas acontecerão, até porque a relação dos dividendos de empresas de capital aberto e o juro real de 5 anos, está no menor patamar histórico como vemos abaixo…

E SETORIALMENTE?

Aqui temos algumas diferenças…que geram carteiras diferentes…mas nisso esta a beleza nos investimentos! Quem acompanha aqui sabe que posto minha carteira e lá estão os ativos que mais gosto.

  • Sigo vendo valor nos bancos, em especial BBAS3, mas BRSR6 também me parece subavaliado.
  • Setor industrial me parece unir uma boa inflexão e melhora de resultados pela frente. Tenho MYPK e SHUL no setor. Penso que os ativos negociam a múltiplos descontados e que a retomada do Brasil trará impacto positivo para os ativos do setor. TUPY é outra que me parece barata.
  • Comentamos acima das commodities. Acho VALE uma máquina de fazer dinheiro negociando a um valuation que não pode ser desprezada. Então mesmo com receios com a desaceleração e coronavirus, tenho ela em carteira.
  • As proteínas passam por um momento bom. Tenho JBSS3..mas MRFG3 também não está cara em minha opinião.
  • Em termos de consumo ou mercado local (Brasil) tenho COGN, por motivos mais especificos a companhia do que pelo setor.

 

Eliseu: Um dos setores que mais cresceu nos últimos meses na bolsa brasileira, foi o setor de construção civil – real estate. Em relatório do BBI, notamos que os cancelamentos tiveram queda grande, saindo de 40% para 20%. O mercado acionário é considerado um indicador antecedente e antecipa dados das empresas da bolsa, sendo assim, como o setor de real state foi um dos que mais subiu ultimamente, pela questão de queda de juros e também pela questão de lançamentos do setor, acredito que temos que ficar de olho e atenção redobrada.

 

A maioria das empresas do setor teve lançamentos altos, como podemos ver abaixo. Não foram poucas as notícias de vendas de 40-60% de imóveis em finais de semana de lançamento. Como já citei anteriormente em outros artigos, tenho Tenda (TEND3), MRV (MRVE3), Even (EVEN3) e recentemente Gafisa (GFSA3)no setor e acredito em atenção redobrada nesse e próximos trimestres quanto aos resultados.

ESPERAMOS QUE TENHAM GOSTADO

Texto escrito por: Eliseu Mânica Junior e William Castro Alves

Sobre o Eliseu…

Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui no Bugg, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

 

Era isso.
Aquele Abs.

William Castro Alves e Eliseu Manica Júnior

FONTE: https://bugg.com.br/2020/02/17/tonicadasemana_dobradinha/

Retrospectiva 2019 e Minha Carteira – by Eliseu Mânica

janeiro 12th, 2020 Posted by Blog do Eliseu 0 comments on “Retrospectiva 2019 e Minha Carteira – by Eliseu Mânica”

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi e venho aprendendo. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

 

Retrospectiva 2019 e minha carteira de investimentos

O ano de 2019 foi excelente para todos que aceitaram tomar riscos nos investimentos. Tanto no quesito investimentos em ações, quanto fundos imobiliários, os retornos foram excelentes! O Ifix subiu 35,95% e o Ibovespa teve um retorno de 31,58%, a maior alta desde 2016. Entre as ações que mais subiram do Ibovespa foram da Qualicorp com 243%, BTG Pactual com 235%, Via Varejo com 154%, Notre Dame com 135%, JBS com 122% e Cosan com 112%. Chama atenção a maior alta da Qualicorp, eis que a mesma teve problemas com o controlador, Júnior, teve suas ações despencando e foi uma das ações que consegui começar a investir nos R$ 14,12 e que já nos primeiros dias de 2020 chegou aos R$ 40,00 e eu mantive, convicto que agora está chegando em um patamar justo de preço. Além das ações do Ibovespa, outras ações fora do Ibovespa também subiram bem e algumas tive a sorte de pegar em um bom patamar, por exemplo, as ações da Empresa Petrorio que é bastante comentada e que por muitos não é considerada uma boa empresa, seja pelo setor que atua (petrolífero que alguns acham que estará em breve ultrapassado) ou seja pelo controlador (Nelson Tanure e família).

O fato é que onde não há unanimidade é lá que o investidor precisa ficar de olho e colocar sua atenção. É preciso também personalidade para manter esse tipo de ação, pois você será bombardeado por opiniões de outros investidores (muitas vezes negativas), assim como manchetes na mídia e especulações. Mesmo com todos os possíveis problemas, as ações de Petrorio subiram bem, chegando a 233,57% em 2019. Impressiona a alta dessa Empresa, já que em 2016 chegou a ser negociada abaixo do que ela tinha em caixa, ou seja, era como comprar R$ 1,00 por R$ 0,80. Claro que na época ela era diferente do momento atual, do contrário não seria negociada nos patamares mencionados.

Efeito juros compostos 

O exemplo de Petrorio em minha carteira é útil para mostrar o poder dos juros compostos. Começamos a comprar as ações de Petrorio em 2016 no patamar atual de R$ 2,18. Hoje a ação negocia a R$ 37,22. Uma alta de 5,85% na cotação atual, vai equivaler a 100% de retorno para o investidor de 3 anos e 6 meses atrás, tudo isso fruto dos juros compostos. As tenho desde 2016, e as altas em 2016 foram 77,24%, em 2017, 275,23%, em 2018, 21,27% e em 2019, 233,57% cujos retornos somados deram 607,31%, porém sob juros compostos e essa é a mágica dos retornos dos investimentos, o retorno foi muito maior. Quem entrou nos R$ 2,18, teve um retorno de 1607,34% desde 2016. Em tempos de procura da nova ação “Magazine Luíza”, Petrorio poderia ter entrado como outra queridinha, mas que passou por muitos despercebida.

Alta de 71,56% em 12 meses no Clube de Investimentos, livres de taxa de administração, performance e corretagem

Enquanto isso, a principal carteira de investimentos da Gestora que tenho e que existe desde abril de 2009, passou dos +71,56% em 12 meses, em 02-01-2020, na qual tem o maior retorno da maior plataforma de investimentos do Brasil no período. Essa carteira é um Clube de Investimentos, que atingiu pouco mais de R$ 71 milhões e cujo projeto é ser um fundo aberto, procedimento que já vem sendo tomados há alguns meses para isso ocorrer. Hoje estamos fechados e não podemos mais aceitar investidores, apesar da grande procura. Na pessoa física retorno foi de 103%. A diferença é devido o uso de fundos imobiliários, algo que infelizmente não pode ser feito em clubes de investimento.

Entre os ativos que contribuíram bem e que não são eles uma indicação de compra, foram Petrorio como mencionei (233,57% em 2019), Qualicorp (242,88%), Even (159,33%), Gafisa (começamos a comprar nos R$ 5,38 e ações fecharam 2019 perto dos R$ 10,00), Enauta (com 94,595 em 2019), Excelsior (mesmo com posição de cerca de 1%, compradas nos R$ 6, contribuiu com uma alta de 319,13% em 2019). Como ações que não andaram, cito o Banco do Brasil e Banrisul, mas que considero atrativas. A Companhia Energia Elétrica do Estado do RS (CEEE) tende a ser privatizada e um caminho poderia ser o mesmo do Banco.

Corretagem e custos

Lembro que o retorno acima está descontada a corretagem e demais custos como taxa de performance e taxa de administração. Cabe salientar que a corretagem é de 0,5%. Fica comprovado no caso aqui, que sim, custo de corretagem é importante para ser vista, porém não é fundamental, pois não atrapalhou o retorno do Clube mencionado. O mais importante ao meu ver é ter um sistema que te ajude e profissionais que você possa contar com conhecimento e experiência e eu conto com isso. Ter um sistema bom e ótimas pessoas por perto é mais importante ao meu ver do que corretagem. O fundamental é escolher boas empresas e ficar com elas por um bom tempo, sem gerar corretagem e isso que eu fiz no Clube acima, mesmo com custo de corretagem de 0,5% isso não foi fator impeditivo para um bom retorno.

Erros

Sempre há o que melhorarmos, isso o que penso e o melhor aprendizado é aquele com o erro dos outros, então quero passar aqui o que errei em 2019. O setor de bancos foi um dos setores que não andaram e que vou manter.

Outro erro é o de ouvir investidores externos, mesmo estando convicto de suas posições. Vendi parte de Petrorio (tinha 17% da posição) e que acabei ouvindo um investidor (ouça, mas sempre com um filtro e acreditando nos seus próprios estudos) e acabei diminuindo parte da posição para 11% e posteriormente o ativo subiu mais de 60%. Um erro que nos custou cerca de R$ 3,1 milhões, mas que fica o aprendizado. Outro erro similar foi o da venda de Magazine Luiza, que saímos e que agora está negociada a R$ 48,00. Saímos cedo, não pegamos toda a alta e achei que a 60x lucros estaria cara, porém o mercado começou a avaliá-la como uma Amazon e não mais como varejista.

Por outro lado, quando acertamos, muitas vezes nos perguntamos porque não alocamos maior valor e esse foi o fato de Gafisa. Com terrenos, estoque, imobilizado avaliados em R$ 1,1 bilhão, a Empresa era negociada a R$ 640 milhões, um grande desconto perante o que tinha. Acabamos entrando com 6% da carteira inicialmente, mas que poderia e deveria ter sido mais. Outro aprendizado.

Resumo:

-faça o dever de casa. Estude, leia, veja o balanço, faça projeções mais conservadoras, veja o histórico de retorno do negócio e das ações;

-confie em si e no seu estudo. Risco não pode ser zerado, mas pode ser diminuído com conhecimento e conhecimento é aplicação prática da teoria. Tenha mais conhecimento, diminuirá seu risco;

– coloque “os pés na água aos poucos”. Quando decidiu o que comprar, vá “testando” o mercado, com suas posições sendo formadas aos poucos;

-procure empresas consideradas “problemáticas” pelo mercado e que possam ter uma boa saída em breve, algum trigger, alguma carta na manga que não esteja sendo considerada por grande parte do mercado. Esse pode ser o timming para a compra;

-mescle em sua carteira empresas consideradas mais seguras com empresas mais arriscadas em menor percentual. Importante balancear e diversificar sempre;

– importante diversificar. Em momentos como o atual, tem muita gente fazendo ótimos retornos e mais do que ter retornos altos é preciso mantê-los. Em momentos de alta, nos esquecemos que somos humanos, somos levados pela ganância e podemos entregar todo o retorno que conseguimos. Escrevo sobre os grandes investidores e uma das coisas claras é que mais do que saber como ganhar em momentos de alta, é fundamental não entregar todo o retorno em perdas posteriores.

– cuide com manchetes, notícias e profissionais do mercado. Sempre tente colocar um filtro. Retorno passado não tende a repetir-se no futuro. O cenário e probabilidades têm que ser estudados para gerar reflexos do momento atual para frente. Muito investidor pessoa física entrou no mercado recentemente, cuidado e cautela é pouca!

 

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicajr

FONTE: https://bugg.com.br/2020/01/12/retrospectiva-2019-e-minha-carteira-de-investimentos/

As pesquisas eleitorais e o mercado financeiro

setembro 25th, 2018 Posted by Blog do Renan 0 comments on “As pesquisas eleitorais e o mercado financeiro”

Começamos mais uma época eleitoral, com campanhas sendo intensificadas, candidatos definidos, propostas sendo apresentadas e uma série de pesquisas de intenção de votos sendo realizadas para que se consiga prever com um nível maior de assertividade quem poderá vir a ser o novo presidente do Brasil, e que rumos a nossa economia poderá tomar. Nesse contexto surge uma pergunta bastante importante, por que as pesquisas eleitorais têm tanto efeito nos mercados? O que posso fazer para proteger meus investimentos?

Essa eleição de 2018 talvez seja a mais importante que o país passará desde a democratização e o voto direto, digo isso pelo momento relevante em que passamos, com uma série de reformas necessárias (previdência, política, constitucional, tributária, dentre outras), com uma situação fiscal bastante complexa e com desafios bastantes complexos para o futuro. Além disto, vivemos um momento ímpar de polarização política, com a população sendo dividida praticamente em duas vertentes, os pró-PT e os anti-PT. De um lado, a proposta de aumento do estado, da revogação da reforma trabalhista, não realizar a reforma da previdência, realização de pacotes de obras – semelhante ao que foi o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deixou diversas obras inacabadas e um volume de recursos públicos mal aplicados exorbitante -, dentre outras propostas que não citam da onde virão os recursos para sua implementação e resolução dos problemas estruturais que a economia brasileira possui. De outro lado temos uma vertente que aparenta ser mais liberal, com proposição de reformas, redução do Estado, privatizações, atração de capital estrangeiro, além de buscar trazer segurança jurídica para os contratos brasileiro, algo que gera bastante receio por parte de investidores estrangeiros.

Para os investidores, no momento que sai uma pesquisa que coloca próxima a possibilidade de vitória de um candidato reformista e com viés pró-mercado, o mercado fica animado, haja vista a possibilidade de reaquecimento da atividade econômica, melhoria do ambiente de negócios, e antecipando uma potencial entrada de novos investimentos no país. Por outro lado, ao ver um candidato com o viés oposto, gera tensão, dificuldade de se prever os prováveis rumos que a economia poderá tomar. Uma boa metáfora é que o capital flui como a água, quanto menores barreiras, mais ele fluirá para um determinado lado, e quanto mais barreiras, menos o capital flui.

Voltando à temática das eleições e as pesquisas, elas nos trazem uma possibilidade, com certa segurança, de como será o quadro eleitoral nos próximos meses. Hoje, muitos bancos, fundos e outros atores do mercado financeiro brasileiro e globais, têm usado a tecnologia como aliado para tentar identificar de forma mais precisa os potenciais resultados. Por exemplo, usando de tecnologias de “Big Data Analytics” para mapear em redes sociais, notícias, etc., a probabilidade de voto em determinado candidato de acordo com comentários, postagens, etc.

Para os investidores mais sofisticados, essas ferramentas ajudam no desenho de uma carteira “ótima”, visando a maximização dos retornos e redução dos riscos. Por exemplo, ao vermos a possibilidade de um candidato de direita ser eleito, o mercado responde com altas, queda do dólar e maior propensão ao risco. Por outro lado, ao ver um candidato de esquerda, o mercado tem respondido com receio, com queda das bolsas e ações, aumento do dólar, ouro e outros ativos considerados mais seguros, justamente pelas incertezas e com a dificuldade de previsibilidade da economia.

O capital sempre busca maior previsibilidade, por isso, em momentos mais voláteis da economia, as ações de elétricas, saneamento, etc., são consideradas defensivas, pois são justamente as com resultados mais previsíveis. Neste sentido, a busca por visibilidade dos resultados eleitorais baseados em pesquisas acaba gerando bastante turbulência nos mercados.

Uma coisa é certa, pelo menos até outubro teremos um cenário de bastante volatilidade, com possibilidade vermos uma propensão ao risco maior no caso de um candidato de direita ser eleito, e com uma aversão ao risco similar à vista em 2002, na primeira eleição de Lula, quando o mesmo falava que não pagaria a dívida externa, que desfaria uma série de reformas recém implementadas, o que levou à um aumento expressivo do dólar e da taxa Selic (que teve que ser elevada a um dos patamares mais altos da história econômica brasileira para se tentar conter a subida do dólar). Cabe ao investidor contar com um assessor especializado para tentar mitigar os riscos de sua carteira, aplicando em ativos menos voláteis, apostando um pouco em ativos de maior risco, na expectativa de movimento mais bruscos do mercado – independente do lado, para cima ou para baixo.

Os brasileiros precisam dar a devida atenção ao cenário eleitoral e os prováveis futuros de nosso país. Essa com certeza será a eleição mais importante que passaremos desde a democratização e do voto direto.

Como as eleições afetam e estão afetando a economia brasileira

junho 14th, 2018 Posted by Blog do Renan 0 comments on “Como as eleições afetam e estão afetando a economia brasileira”

O Brasil é uma das democracias mais novas do mundo, tendo apenas 30 anos. Apesar de pouco tempo de democracia, o Brasil já enfrentou diversas crises econômicas, financeiras, políticas e, durante os períodos eleitorais, o mercado tende a exigir maior atenção dos investidores, pois traz a possibilidade de mudanças bruscas nos rumos das políticas públicas, políticas econômicas e nas nossas vidas.

No mercado financeiro, a turbulência é refletida diretamente nos preços dos ativos, nas ações, dólar, juros e outras classes de ativos, movendo os preços para cima e para baixo conforme as mudanças nas expectativas. Na economia real, as coisas tendem a ter reflexos mais lentos, mas mais intensos. Quanto maior o nível de incerteza perante o futuro, menor o volume de investimentos por parte das empresas, investidores, gerando maiores dúvidas para os funcionários de empresas, impactando diretamente no consumo das famílias e das pessoas.

Com o conturbado cenário que se passa no Brasil, com uma perspectiva de eleições bastante complexa, e não tendo uma visão clara sobre o futuro dos rumos da economia, muitas empresas voltaram a botar o pé no freio e segurar novos investimentos, contratações, o que impacta diretamente na propensão ao consumo das famílias, criando um novo círculo vicioso que tenderá a segurar o crescimento da economia.

Das principais dúvidas que pairam sobre o cenário atual, pesa bastante a questão das reformas a serem realizadas na economia, como a reforma da previdência, redução do déficit fiscal, manutenção ou não do teto de gastos, e outras necessidades para se ajustar os rumos da economia brasileira. Soma-se a esse cenário os temores de uma nova guinada para governos populistas e/ou esquerdistas, onde alguns dos pré-candidatos apresentaram ideias bastante diferentes, como por exemplo, um pré-candidato falando em privatizações em massa, enquanto outro pré-candidato fala exatamente o oposto, numa reestatização bastante grande, com potencial para um aumento expressivo no peso e dependência do Estado, algo que vai de encontro à tudo aquilo que precisa ser feito para recuperar a economia brasileira.

É necessário aguardar os próximos passos das formações de alianças partidárias, vendo como será a postura dos partidos de centro e centro-direita, de forma a buscar, ou não, uma aliança de porte para conseguir governabilidade no país a partir de 2019. Por ora, o que podemos analisar são as pessoas que estão fazendo os programas de governo dos pré-candidatos, se atentando para as questões econômicas, os perfis dos times, tendo uma “pista” de como poderá ser as propostas e propensão a ajustes e reformas na economia e no sistema brasileiro. Cabe aos pré-candidatos, desde já, administrar as expectativas dos agentes políticos e econômicos de forma a ter um país com maior governabilidade em 2019.

Cabe a nós eleitores, buscarmos entender quem são os candidatos, suas propostas e como eles pretendem resgatar a confiança dos empresários, dos investidores e trazer o Brasil de volta a um ciclo de prosperidade tão aguardado. Hoje são mais de 13,7 milhões de desempregados no Brasil, algo assustador, que mexe com a cabeça das pessoas e leva muitos trabalhadores para a informalidade, não gerando impostos para o Estado, potencialmente aumentando o déficit fiscal, podendo atrasar ainda mais a retomada do crescimento nacional.

De forma bastante objetiva, quanto mais incertas as perspectivas econômicas, menor a propensão das pessoas a consumir e a investir, cabe aos próximos governantes trazerem maior segurança jurídica, previsibilidade e  fazerem as reformas necessárias para o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil. Potencial para crescimento o país tem, cabe a nós eleitores pesquisar as propostas dos próximos candidatos, não só a presidente, mas dos demais cargos, e como eles podem ajudar a mudar o Brasil, trazendo a confiança necessária para que os investidores voltem a olhar para o Brasil com bons olhos, como éramos visto em 2009, na memorável capa da revista The Economist. Decola Brasil!