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Vacinação contra o Covid-19 irá guiar o andamento dos mercados

março 3rd, 2021 Posted by Blog do Eliseu, Central do Investidor 0 comments on “Vacinação contra o Covid-19 irá guiar o andamento dos mercados”

Recentemente tivemos uma semana volátil no mercado brasileiro de investimentos. Em um dia tivemos o mercado achando que o Governo iria interferir nas empresas estatais; em outro dia tivemos o andamento da MP para privatização da Eletrobrás, reforço na possibilidade de privatização dos Correios e o vazamento da remuneração do Conselho de administração e diretores da Petrobrás, cujo patamar foi o dobro da média de anos anteriores, nominalmente e percentualmente perante o percentual de receita da Companhia, validando em parte o movimento realizado pelo Presidente da República de alteração na presidência da Petro, que ainda não está confirmada, eis que o Estatuto exige que o presidente tenha experiência no setor petrolífero, que não é o caso do General Luna e Silva. Abaixo segue a remuneração dos administradores da Petrobrás:

Dado esse movimento de possível interferência estatal nas empresas de capital aberto, tivemos uma saída recorde de estrangeiros posteriormente a esses fatos mencionados acima, sendo um valor de R$ 9,2 bilhões de saída por parte dos estrangeiros entre os dias 21 a 26 de fevereiro de 2021.
Além dessa possível interferência estatal outros dados vêm pesando. O Lockdown que está sendo feito por uma grande número de estados no Brasil e a desaceleração na velocidade da vacinação também vem pesando. Estamos em um momento que estamos atingindo ápices de infectados de Covid no Brasil. No Rio Grande do Sul, o número de confirmados de Covid-19 em leitos clínicos e UTI, como podemos ver abaixo:

Já de modo geral o Brasil também está com uma média próxima das máximas de novos casos e, infelizmente, estamos voltando para as máximas de alguns meses atrás:

E a perspectiva de melhora?
Podemos pegar os dados de como está o andamento do percentual da população total vacinada entre os países e a perspectiva de vacinação do grupo de risco…
Atualmente, o Brasil já está com 6,53 milhões de pessoas vacinadas e é o nono país em termos de população de pessoas vacinadas. Temos 3% da população vacinada desde o início da vacinação em massa, iniciada há 3 semanas. Israel já possui mais de 50% da população, Emirados Àrabes com mais de 30%, assim como o Reino Unidos. Bahrein, Estados Unidos com mais de 15% da população. O que chama atenção, especialmente quanto aos dados americanos, é que diariamente 2,5 milhões de doses vêm sendo administradas diariamente e isso tende a ter mais de 80% população imunizada em meados de abril…

Lembrando: em 3-4 semanas, o Brasil teve 6,5 milhões de imunizados e os Estados Unidos, está com média de 2,5 milhões diárias e que podem chegar a 3 milhões de doses. Fazendo um paralelo e usando as 3 semanas do Brasil, enquanto os Estados Unidos terão 52,5 milhões de imunizados em 3 semanas, no Brasil tivemos 6,5 milhões, ou seja, 12,3% dos números americanos.
A rapidez na aplicação da imunização certamente está sendo vista pelos investidores e isso vem sendo refletido no preço dos ativos. Maior a velocidade da imunização, maior a possibilidade de uma volta normal da economia e do mercado, provavelmente isso que vem pesando (também) no mercado brasileiro somado ao possível aumento da interferência estatal, inclusive o Brasil andando menos que os pares na América Latina, em dólar…

Incentivos também auxiliam na retomada da economia
Recentemente tivemos mais um pacote de incentivos na ordem de US$ 1,9 bilhões nos Estados Unidos, pacote esse agora do novo presidente eleito, Joe Biden. Esse valor somado com os valores já disponibilizados anteriormente, totaliza quase 25% do PIB. Como comparativo, o Brasil já disponibilizou cerca de 8% do PIB…

A diferença da ajuda realizada nesse momento do Covid-19, com a Crise de 2008, é que o dinheiro está indo grande parte diretamente para os indivíduos. Na Crise de 2008, grande parte do dinheiro ficou parado nos bancos. Com os recursos indo para os indivíduos, parte desse capital tende a fluir para o mercado de capitais. Nas últimas 16 semanas tivemos recorde de fluxo de capital mundial ingressando no mercado de ações, como podemos ver abaixo:

Grande quantidade de dinheiro no mercado = cuidado, cautela com alguns possíveis excessos e aumento do risco de inflação


Com todos esses incentivos e esse dinheiro fluindo no mercado, aumenta o risco de inflação e de excessos. Expectativa de inflação no mundo todo vem aumentando. No Brasil, o IGPM passou dos 27% nos últimos 12 meses e o IPCA vem aumentando. Ter investimentos com proteção contra a inflação é o que venho comentando aqui há alguns meses. Diversificação de ativos é outro item a ser observado. Nos EUA a expectativa de alta na inflação também vem acontecendo como podemos ver abaixo, segundo a Universidade de Michigan, nos próximos 5 a 10 anos, como podemos ver abaixo…

e a cautela…
Nos EUA o indicador do Goldman Sachs sobre as condições do mercado financeiro está nas máximas. É notório que estamos com excessos em algumas empresas como Tesla (que fatura 25x menos que as montadoras de carros somadas e tem valor de mercado maior que as 9 maiores montadoras de carros do mundo) além de excesso nos bonds que estão pagando perto de zero.. abaixo seguem os dados do indicador do Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimentos do mundo..

Outro sinal de alerta é o yeld dos bonds de 10 anos do Governo Americano que estão ultrapassando o retorno dos dividendos das empresas de capital aberto do S&P500. É muito mais seguro investir em títulos públicos do que em ações caso o investidor esteja pensando apenas no recebimento de dividendos…

Em resumo, acredito que há grandes oportunidades no mercado, principalmente em ativos que ainda não andaram, no caso, o Brasil. Cabe lembrar que é nos momentos de maior stress que estão as maiores oportunidades. O andamento da vacinação vai ajudar a ditar o rumo dos mercados no curto prazo, porém sempre os fundamentos é que prevalecem no longo prazo. No Brasil, balanços como os da Petrobrás, Vale, Minerva, Usiminas, CSN, Movida, Locamérica e Pão de Açúcar, vieram muito bem, com empresas gerando muito caixa e diminuindo dívidas e alavancagem. Em tempos de alguns excessos, mais do que nunca é necessário o filtro na compra de bons ativos. Existem oportunidades!

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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Investimentos no Exterior, diversificação ao seu alcance

março 5th, 2018 Posted by Blog do Renan 0 comments on “Investimentos no Exterior, diversificação ao seu alcance”

Antes tido como algo para indivíduos multimilionários, os investimentos em ativos no exterior têm chamado bastante atenção dos investidores brasileiros nos últimos anos, principalmente devido à crise que se instalou no Brasil nos últimos anos, e que começa a dar sinais de estar se dissipando. Como forma de diversificação e de forma a aproveitar uma retomada global da economia, como é possível fazer investimentos, de forma legal (obviamente), em volumes menores? Qual o risco? Por onde pode-se começar?

Além do fato de a SELIC (taxa básica de juros no Brasil e balizador das taxas de retornos de investimentos no mercado local) ter caído de mais de 14% para 7%, o que tira a atratividade dos investimentos de renda fixa, e incentiva a busca por ativos de maior risco, mas também de maior potencial de retorno, como por exemplo, bolsa de valores, moedas, juros, fundos de investimentos em participações, venture capital (investimentos em empresas nascentes, como startups de tecnologia por exemplo), ativos no exterior, dentre outros investimentos.

Hoje na bolsa de valores de brasileira existem os BDR’s (Brazilian Depository Receipts – Recibos de ações estrangeiras negociadas aqui na Bovespa), mas que só podem ser operado por investidores institucionais (fundos de investimentos, bancos, etc.). Aqui no Brasil recentemente houve mudança na regra de fundos de investimetos, que eliminou a exigência de aplicação mínima para ativos no exterior que facilitou e popularizou os investimentos no exterior.

No mercado brasileiro, através de fundos de investimentos, são mais de R$76 bilhões investidos em ativos no exterior, segundo uma matéria publicada pela revista Exame[1], quase o dobro do valor que havia investido no começo de 2015, para se ter uma ideia. A partir de 2008 já era possível que fundos de investimentos aportassem a totalidade de seus ativos no exterior, mas, para se investir nestes tipos de fundos, somente era possível se o investidor fosse um “investidor qualificado”, que segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na Instrução CVM número 554 de 17 de dezembro de 2014, o define como “pessoas naturais ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condição de investidor qualificado mediante termo próprio[2].

Segundo dados do final de 2017, o número de investidores em fundos que alocam em ativos no exterior subiu de 5.490 em fevereiro de 2017, para 34.836 em novembro, uma alta de mais de 500%[3]. Parte dessa popularização se explica pelo fato de os mercados estrangeiros estarem em movimentos de alta expressiva, mas também como uma estratégia de diversificação da carteira de investimentos.

Como o Brasil têm passado por momentos bastantes difíceis na economia e na política, a busca para se aproveitar das altas de mercados estrangeiros, como o mercado norte-americano, mercados europeus, asiáticos, se tornou quase que mandatório. No mercado nacional existem diversas opções de fundos multimercado (que não possuem obrigatoriedade de concentração mínima em ativos, podendo investir em praticamente qualquer classe de ativos, tanto no Brasil como no exterior), que investem diretamente em ações estrangeiras, moedas, títulos de renda fixa, etc. Outra possibilidade investimento, no Brasil, para se ter acesso à variação de ativos no exterior é através da compra de ETF’s (Exchange Traded Funds – Fundos de investimentos negociados em bolsa), que investem em índices estrangeiros, como por exemplo o o SPXI11, que investe em cotas de um fundo passivo que replica a carteira e performance do índice S&P500.

No mercado nacional já existem diversas corretoras e distribuidores que já possuem fundos dedicados exclusivamente a investimentos no exterior, e diversas casas de gestão de recursos de terceiros, como forma e estratégia de diversificação de riscos. Uma das, senão a maior vantagem, de se investir em ativos no exterior é realmente a diversificação. Boa parte da poupança dos investidores brasileiros está em investimentos dentro do Brasil, seja ações, seja em títulos de renda fixa. Caso haja uma crise, ou uma piora conjuntural na economia brasileira, todos esses ativos seriam afetados ao mesmo tempo, mesmo que de maneiras diferentes, o que poderia gerar perdas para os investidores. Hoje, algumas assessorias de investimentos sugerem, mesmo para quem possui patrimônios menores, uma alocação entre 10% e 20% do patrimônio em ativos estrangeiros, dirimindo, assim, o risco “sistêmico” das carteiras de investimentos.

Uma outra forma de se investir no exterior pode ser de forma direta, abrindo conta em bancos ou corretoras no exterior. Neste sentido, é necessário fazer uma remessa de recursos para o país destino e fazer os investimentos desejados, o que acaba gerando alguns outros processos a mais. Para investidores que possuem acima de US$100 mil em aplicações ou bens fora do Brasil, é necessário notificar o Banco Central e a Receita Federal para  que seja possível executar a taxação e recolhimento de impostos sobre os ganhos de capital. Especificamente no caso dos EUA, existem acordos tributários que ajudam a tornar mais vantajosos os investimentos em ativos estrangeiros, e este acordo permite que o IR declarado no exterior seja compensado na declaração de ajuste anual do investidor.

Essa prática de diversificação tem se tornado cada vez mais comum entre os investidores no Brasil, independente do porte, principalmente pela vantagem da mitigação de riscos e aproveitar as oportunidades de investimentos em empresas de grande porte e renome mundial, como por exemplo, Apple, Facebook, Google, J.P. Morgan, Caterpillar, Chevron, GM, etc. Neste sentido, essa estratégia faz bastante sentido, procure seu assessor de investimentos que lhe auxiliará na escolha e na viabilização da diversificação de seus investimentos. Você verá que é mais fácil e simples do que você imagina.

[1] Disponível em: <https://exame.abril.com.br/revista-exame/por-que-investir-la-fora/>. Acessado em 28 de fevereiro de 2018.

[2] Disponível em: <http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/instrucoes/anexos/500/inst554.pdf>. Acessado em 28 de fevereiro de 2018.

[3] Disponível em: <https://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/investimento-em-fundos-no-exterior-dispara-em-2017/>. Acessado em 28 de fevereiro de 2018.