Posts tagged "mercado financeiro argentino"

20200824 – Tônica da Semana: Bailando um tango na economia Argentina, cenário macro brasileiro e bolha.tech

agosto 24th, 2020 Posted by Blog do Eliseu, Central do Investidor 0 comments on “20200824 – Tônica da Semana: Bailando um tango na economia Argentina, cenário macro brasileiro e bolha.tech”

Primeiramente, um bom dia a todos, mais uma semana se inicia e hoje quem escreve sou eu (Eliseu Mânica Júnior). Espero que todos estejam descansados no final de semana e estejam bem!

Bailando um Tango Argentino

Tinha feito um outro texto diferente desse que escrevo, porém, o que aconteceu no sábado via twitter na Argentina pelo Presidente Alberto Fernandez surpreendeu todos. De uma só vez ele limitou através de um decreto de urgência, na noite de sexta-feira, os preços de serviços para os setores de internet, telefonia fixa e móvel e TV paga. Uma das melhores maneiras de aprender é olhando o próprio passado e o histórico de outras pessoas, atitudes e com os erros de outros. Não parece ser o caso da Argentina nesse caso. Na maioria dos países em que ocorreu uma limitação da liberdade e alteração de regras em setores da economia, tivemos problemas. Um dos maiores exemplos é da Venezuela, que já escrevi aqui e tinha o quarto maior PIB per capita  do mundo em 1950, porém ingressou um ditador lá e hoje a Venezuela é um dos países mais pobres do mundo. A Argentina ainda não estatizou esses setores, porém o caminho de colocar limitações nos agentes econômicos e empreendedores, passa um mal sinal para os investidores e aqueles que acreditam e investem no País. E o que tem o Brasil com isso? Não apenas o Brasil, mas o mundo é mais interligado e vai ser cada vez mais assim. Querendo ou não, os hermanos são o nosso quarto maior parceiro econômico em termos de exportações e a Argentina não indo bem, influenciará o Brasil. Abaixo conseguimos ver os maiores parceiros brasileiros e a quantidade em bilhões de dólares:
fonte: Santander

Em um mundo conectado, importante estar atento ao que se passa no vizinho. Em meu humilde ver, o papel fundamental de um Governo é deixar claras as diretrizes para operação e funcionamento de empresas e atividades fundamentais para o bem comum de um país. Não é função de um Estado, ocupar o lugar de um empreendedor e empresário, aquele que é o tomador de risco. Ninguém acorda pela manhã para dedicar-se em algo, gerar diferença para as pessoas, sem ter um contrapeso, um prêmio por esse esforço. Dinheiro é a maneira que remunera-se esse esforço. Várias vezes deixei clara minha visão sobre o dinheiro, que ele é uma remuneração pela diferença e influência que você gera na vida das pessoas. Quanto maior a influência, maior é a recompensa. E grana é liberdade e tempo. Não quero me alongar muito, mas não é papel de um Governo ser o executor de determinadas atividades e sim, como mencionei antes, deixar claras as regras do jogo a ser jogado. Um Governo querer interferir em papéis que são de outros agentes é o mesmo que eu, que trabalho há 15 anos no mercado financeiro de maneira profissional, ir atuar na área de venda de automóveis. É óbvio que não é minha área e é certo que irei perder performance deixando de fazer aquilo que é minha função e que me dedico há bastante tempo para outra função. No caso de um Governo assumir a função do empreendedor é notório que na maioria das vezes há uma criação de um sistema de “cabide de empregos”, inchando várias empresas e setores, perdendo performance e com isso esses setores possuindo prejuízos ou lucros diminuídos.

Quais os efeitos na economia Argentina, durante essa semana

Alguns dados são necessários para avaliar-se o que pode acontecer como reflexo da estatização de alguns setores da economia Argentina. O mais rápido é a queda de Bolsa de Valores da Argentina e o segundo, uma fuga de dólares desse País. Em economia uma das maiores leis é que quanto menor a quantidade de um bem no mercado, mais ele vale. Com a fuga de dólares da Argentina, é importa observar a quantidade de dólares que possui o Banco Central Argentino, pois caso saiam dólares a cotação do Dólar x Peso Argentino pode ser contigo, com a venda de reservas de dólares. Abaixo podemos verificar como estão essas reservas:

Como comparativo, enquanto Argentina possui US$ 37 bilhões em reservas, o Brasil possui US$ 354 bilhões, 9x mais que o vizinho, o que nos traz uma segurança maior para o Real:

O fato é que nessa semana devemos ter um Peso Argentino ainda mais desvalorizado, uma fuga de dólares dos hermanos, um aumento nas taxas de juros futuras e consequentemente, aumento nos níveis de risco e seguros contra default (seguro contra quebra do Governo, Títulos Argentinos). Uma pena que a Argentina, não tenha aprendido com os próprios erros do passado e que inflação e problemas econômicos, não se controlam no “canetaço”!

E, no Brasil…

No Brasil, na semana passada tivemos um grande avanço que foi o “congelamento” de aumento dos salários do funcionalismo público. Não é um ponto positivo para o funcionalismo, mas necessário para passarmos o recado que estamos atentos e que é importante manter o controle de nossas contas públicas. A economia gerada será próxima a R$ 120 bilhões até 2021 e isso é muito importante para nosso futuro, evitando assim, um descontrole de nossas contas públicas. Um outro fato importante é nossa balança comercial que atingiu um dos patamares mais elevados dos últimos anos, como podemos ver abaixo:

Outro dado que foi muito positivo na semana que passou, foi a criação de empregos no Brasil, que surpreendeu positivamente. A recuperação da economia do Brasil vem surpreendendo e vem seguindo a melhora que vem acontecendo na China e nos Estados Unidos…

Falando em Estados Unidos…

Um dos pontos que tende a trazer maior volatilidade para o mercado financeiro, são as eleições presidenciais americanas. O favorito nas pesquisas é o Joe Biden, que está como favorito nas pesquisas. Uma das promessas de campanha é o aumento dos impostos, que inclui aumento dos impostos das empresas americanas. Acredito que a vitória de Biden não está precificado no mercado financeiro e, se isso ocorrer, tende a trazer um impacto negativo. Só o aumento dos impostos, teria como reflexo uma queda nos lucros das empresas americanas em cerca de 9,2% em média, como podemos ver abaixo:

Em termos de mercado acionário americano, não há como não mencionar o fato de que a Apple atingiu US$ 2 trilhões de valor de mercado. É um recorde! Tanto o gráfico de ações de Apple, quanto de ações de Tesla, chamam atenção, como podemos ver abaixo, em que fica claro que em 2020 ambas subiram bastante:

O que mais surpreende são os múltiplos negociados comparativos:

Preço pelo Lucro:

Tesla: 1038x!!!!
Amazon: 127x
Netflix: 84x
Microsoft: 37x
Apple: 36x
Google: 35x
Facebook: 33x

Preço para vendas anuais:

Tesla: 15x
Microsoft: 12x
Facebook: 10x
Netflix: 10x
Apple: 8x
Google: 7x
Amazon: 5x

E, abaixo, um comparativo entre a conhecida Wallmart e o valor de mercado de Tesla:

Só para deixar claro, um comparativo entre vendas:

Vendas de:
Tesla: $26 billion
Walmart: $542 billion

Lucro líquido:
Tesla: $368 million
Walmart: $18 billion

Apenas uma palavra: bizarro!!! O mercado vem antecipando e esperando que os lucros de Tesla sejam exponenciais!! Tesla tem maior valor de mercado que Wallmart, mas vende 21x menos e tem um lucro líquido 20x menor!!!!!

Essas empresas negociadas a 100x lucros anuais, 70x lucros anuais, são empresas que o mercado de ações acredita que o crescimento que elas tiveram recentemente (taxas de crescimento de dois dígitos, no mínimo, como por exemplo, 30% ao ano), irá ser perpetuado e essas empresas irão manter esse percentual de crescimento por um longo período ao menos, o que é difícil para uma empresa já consolidada e grande.

No Brasil temos a B2w, dona das Lojas Americanas e da Submarino, que não tem lucro desde 2011 e é a ação que mais sobe em 2020 no Ibovespa. Não é fácil muitas vezes investir com margem de segurança e com personalidade. Saiba que o momento atual é muito parecido com a “Bolha.com”, inclusive em termos dos altos valuations e a certeza de que alguns investidores que empresas de crescimento irão sempre crescer a taxas estratosféricas.

Desde janeiro de 2020 ate agosto de 2020, as “Super Incríveis” (ações de empresas como Amazon, Apple, Facebook, Google, Microsoft, Netflix, Nvidia e Tesla) subiram cerca de 60%; enquanto ações da Bolsa de Tecnologia Nasdaq; cerca de 30%, o S&P500 3%; empresas baseadas em investimento em valor caem 20% no ano, como podemos ver abaixo:

“Bolha.com”

Algo similar ao momento atual, ocorreu entre os anos de 1999-2000, na chamada “Bolha.com”, onde ativos eram negociados em múltiplos altíssimos, parecidos com o que vemos agora. Entre os anos 1999-2002 (em 2002 estourou a “Bolha.com”) do ponto mais alto da Nasdaq (a Bolsa de tecnologia americana onde eram negociadas as empresas.com) nos 7160 pontos em fevereiro de 2000 até a mínima de 1677 pontos em setembro de 2002, muitas empresas eram negociadas a preços altíssimos e que demorou para estourar a bolha como vemos.

Além disso, cabe salientar que os juros da época saíram de 7% em 2001 para 1% em 2002, algo similar com os juros baixos de agora. Ressalto que a combinação de juros baixos, ativos a preços caríssimos e dinheiro em abundância são sempre um risco de possíveis bolhas!

Sinais de uma bolha 

Acredito que são três os sinais que podem servir como antecedentes ao estouro de uma possível bolha:

  1. Política monetária expansionista e dinheiro fácil: momento atual em quase todo o mundo, há dinheiro de sobra. Moro nos Estados Unidos, na Flórida e aqui cada residente recebeu US$ 1.200 iniciais, mais US$ 600 por semana para quem está desempregado. É mais que o salário mínimo americano. Além disso, os quatro maiores bancos centrais injetaram US$ 18 trilhões no mercado e inclusive, o Banco Central Brasileiro, já aumentou em 22% a base do dinheiro em circulação entre os meses de março e julho. Além disso, o dinheiro não é apenas fácil, mas as taxas de juros “punem” os investidores que querem poupar. O retorno dos juros está baixo e se ajustado pela inflação, o retorno real torna-se negativo, trazendo perdas para qualquer investidor;
  2. Narrativas de empresas de crescimento que captam a atenção do investidor: tivemos a “Bolha.com” no passado com a história de empresas que eram criadas em garagens e que iriam crescer muito. Na época dessa loucura, as empresas chegaram a ser avaliadas por clicks em sites, algo muito sem noção. Um exemplo claro e que já tratei aqui em meus artigos anteriores, é o caso da Tesla que tem valor de mercado que as 7 maiores empresas de produção de automóveis juntas e que tem receita 29x menores! Outro exemplo que já citei é a Amazon.
  3. E por último, participação em massa de investidores e possibilidade de especulação: Já mencionei aqui também do aplicativo Robin Hood e a facilidade de que os investidores americanos podem ingressar no mercado. A maioria desses investidores vêm comprando ações da Tesla, Amazon e outras empresas conhecidas, sem avaliar qualquer balanço sobre essas empresas.

Ao mesmo tempo que temos alguns sinais que são similares a uma bolha, a “Crise do Covid” nos mostrou mais uma vez que é importante estar no mercado. Tenho casos de amigos e conhecidos investidores que saíram (venderam todas as ações) nos 70 mil pontos do Ibovespa, esperando os 50 mil pontos (que nunca vieram) para recomprar tudo. Perderam uma oportunidade gigante de comprar ativos baratos, pois tivemos a maior queda e a maior recuperação de uma crise no mercado financeiro, como podemos ver abaixo, cuja maior lição que fica é: esteja sempre no mercado!!

E o que estão pensando os gestores americanos..

Os gestores americanos encontram-se em posição vendida, esperando provavelmente uma correção nos preços de ativos que subiram muito. O fato é que mais do que nunca, seletividade e bom senso, mostram-se mais do que necessários no momento atual. A história nos mostra que isso é conveniente!

Fico por aqui!

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2020/08/24/bailando-um-tango-na-economia-argentina-cenario-macro-brasileiro-e-bolha-tech/