Posts em dezembro de 2019 Central do Investidor

Grandes Investidores: Naji Nahas, o investidor que já teve 7% da Petrobrás e 12% da Vale

29 de dezembro de 2019 às 22:07 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

 

Naji Nahas – Biografia e vida pessoal

A pessoa que será tratada hoje no Grandes Investidores é alguém polêmico e que muitos poderão achar que não foi um grande investidor, mas o fato é que ter 7% das ações da Petrobrás e 12% das ações da Vale do Rio Doce não é para qualquer investidor, mesmo que essas ações tivessem um valor de mercado muito menor na época do que atualmente. Considerando o percentual que Naji Nahas tinha na época, a quantia equivaleria hoje a R$ 61,820 bilhões, o que tornaria Naji Najas o segundo mais rico do Brasil. Além disso, ele negociou cerca de 94% de um dia inteiro de ações da Vale, o que mostra o seu calibre.

Enquanto George Soros é conhecido como ter quebrado o Banco da Inglaterra, Naji Nahas é conhecido por ter quebrado a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, que acabou fechando no ano de 2000, porém por maneira diferente do Húngaro-americano, cujo perfil já retratei aqui.

Naji Robert Najas, nasceu no Líbano, em 3 de novembro de 1947 (hoje tem 72 anos), foi criado no Egito e estudou em Londres, na Inglaterra. Ele veio ao Brasil com 22 anos, no ano de 1969 e reza a lenda que ganhou uma herança de US$ 2 milhões na época, que seria equivalente hoje ao redor de US$ 50 milhões. O voo em que veio ao Brasil, foi sequestrado e levado para Cuba, o que já mostrou a dificuldade de nosso investidor. Era casado com uma brasileira e por isso já chegou aqui com visto de residente. Acabou diversificando seus negócios, como a maioria dos investidores que fazem o mesmo, investindo em áreas de fábricas, fazendas de produção de coelhos, empresas da área de investimentos, bancos, entre outros. Antes dos 40 anos já tinha mais de 27 empresas.

É uma figura histórica no mercado, tendo inclusive a sua foto, virado meme e capa de vários perfis linkados à investidores da  Avenida Faria Lima, Avenida mais importante do País, em termos de investimentos.

 

Curiosidade: uma de suas fotos foi usada como capa do instagram e do twitter por um famoso perfil do mercado chamado @farialimaelevator .

Investimentos

Logo após chegar ao Brasil, Naji Nahas aproximou-se dos irmãos Hunt, que eram conhecidos por ter uma grande quantidade da commodity prata. Eles chegaram a controlar 10% de todo o mercado mundial de prata, fazendo fortuna no Texas, levando a prata de US$ 2 por onça para aproximadamente US$ 50, chegando a uma valorização de 2400%. Naji conheceu os irmãos Hunt, porque além de investidor, ele era próximo a investidores sauditas que também tinham um estoque alto de prata. Esses relacionamentos mostram o poder que Naji Nahas tinha na época.

Através de uma holding, Nahas operava na Bolsa de Valores de São Paulo, ano que fez isso até 1989, passando após esse período operar na Bolsa do Rio de Janeiro, o que fez com que influenciasse no crescimento do volume de transações financeiras da mesma. Em abril de 1988, ele fez a compra de mais de 10,40 milhões de ações preferenciais de Petrobrás. A inflação na época era de mais de 1100% em 1989, e nesse ano Najas chegou a fazer com que as ações da Vale subissem mais de 2500% em apenas 8 meses, apenas realizando algumas operações que comentarei mais abaixo. Reza a lenda que o poder de Nahas era tão grande, que ele ao enviar ordens para os corretores, ele comprava ações por tempo, comprando tudo o que tinha de negócios por 20-30 minutos.

Modus operandi

Nahas basicamente tomava dinheiro emprestado e comprava ações pagar pagar em D+5 (daqui 5 dias úteis). Ele recebia o dinheiro da venda à vista e usava para comprar mais ações, pagando com um prazo maior. Com o dinheiro na mão, Nahas voltava a realizar novas operações e pagava os débitos anteriores. O lucro vinha de forma indireta: como o investidor fazia circular rapidamente os papéis, comprando e vendendo muito, provocava uma valorização artificial nas cotações.
Além disso, ele comprava opções nesses investimentos. Cabe salientar o conceito de opções para quem não é tão familiarizado. Opções são como direitos de comprar ações por um determinado valor e em determinada data. Como exemplo, podemos utilizar uma casa de R$ 1 milhão, pagando um valor para segurar a casa e o negócio, com um sinal de R$ 10 mil ou 1% do valor do imóvel. Se a casa nesse meio tempo subir de preço, digamos para R$ 1,5 milhão, o comprador vai pagar R$ 1 milhão mais o “sinal”, no caso de R$ 10 mil e ter um lucro de R$ 490 mil.

Sendo assim, Nahas operava alavancado (pegando dinheiro de bancos e corretoras para operar, comprando ações e lucrando para pagar posteriormente), fazendo isso inúmeras vezes, assim o preço das ações subia e ele repetia isso, usando ainda mais alavancagem, comprando direitos a essas ações, cuja alavancagem e volatilidade é maior que o investimento em ações. Como exemplo, as ações de Vale subiram entre 1988 e 1989, mais de 1600%. Nas opções o retorno seria inúmeras vezes maior.

Lembro que antigamente, Nahas conseguia fazer isso, comprar ações e auxiliar na alta das mesmas, porque o mercado de investimentos em ações era muito (e coloca muito nisso!) menor na década de 80 e hoje é praticamente impossível manter uma cotação de empresas com liquidez na bolsa de valores por um tempo suficientemente longo, baseado apenas nas operações de um único investidor.

O efeito dessas operações de Nahas, durou por determinado período, até que o presidente da Bolsa após acordar com donos de corretoras, solicitou o fim desses créditos aos investidores e com isso, em junho de 1989, um cheque de US$ 30 milhões não foi honrado, ocasionando um efeito dominó para outras sete corretoras, que não pagaram o que deviam, no caso os créditos dados para Nahas (rs).

Naji culpa Eduardo Rocha de Azevedo, ex-presidente da Bolsa como o principal culpado pela quebra da Bolsa do Rio de Janeiro, porém o mesmo defendeu em sua biografia, que Nahas tinha posições bem acima do limite estipulado pela BM&F, que eram de 20% na época. O que aconteceu posteriormente é que a Bolsa do Rio, para onde Nahas foi obrigado a se transferir depois de divergências com a diretoria da Bolsa de São Paulo, nunca mais se recuperou e acabou com o tempo perdendo importância no mercado.

Sobre se era ou não culpado por algum crime contra o Sistema Financeiro Nacional (Lei do Colarinho Branco), Nahas foi absolvido em 2007, pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que declarou a inexistência de qualquer crime dessa natureza por ele. Após a absolvição, Nagas entrou entrou com ação judicial contra a Bolsa do Rio – hoje propriedade da paulistana Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) – e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), pedindo indenização de R$10 bilhões por danos materiais.

 

Era isso!!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior

Facebook: Eliseu Mânica Júnior
Instagram: @eliseumanicajr
Twitter: eliseumanicaj

FONTE: https://bugg.com.br/2019/12/29/grandes-investidores-naji-nahas-o-investidor-que-ja-teve-7-da-petrobras-e-12-da-vale/

Mulheres e Investimentos: O que nos limita?

23 de dezembro de 2019 às 18:39 Por Postado em Blog da Samantha

 

É com imenso prazer que escrevo meu primeiro post para a Central do Investidor e, como mulher e assessora de investimentos, pude observar a predominância masculina nesse meio. Mas por que as mulheres ainda são minoria quando o assunto é investimento?

Não há dúvidas que nas últimas décadas as mulheres vêm ocupando lugar de destaque nos mais diversos setores, mas, no que se refere ao mercado financeiro, embora haja dados de crescimento, pode-se dizer que este ainda é lento e a diferença, quando comparado com os homens, discrepante.

Sabemos que essas diferenças carregam características históricas e, ainda hoje elas muitas vezes acabam ganhando remuneração mais baixa, possuindo menos acesso ao dinheiro quando comparado com os homens (INFOMONEY, 2018).

De acordo com a BM&F Bovespa, houve crescimento na participação de mulheres na Bolsa de Valores do país que conta hoje com quase 300 mil. Porém, dados do Tesouro brasileiro constataram que apenas 25,5% das pessoas que investem são mulheres. Na bolsa de valores, o número é ainda menor: 11,08%. A população feminina, segundo o IBGE é maior no país, quase 52% (INFOMONEY).

Mas o que nos limita?

Podemos elencar algumas características presente em mulheres que ainda não investem, dentre elas as desculpas como a falta de tempo para investir, a insegurança e pouca informação são recorrentes.

Está com medo? Vai com medo mesmo, comece o mais rápido possível! O maior arrependimento com certeza é o de não ter começado antes.

Pontos a serem explorados por ELAS:

  1. Positivismo- as mulheres costumam reagir de forma mais positiva em momentos conturbados, bem como, com as instabilidades recorrentes do mercado financeiro, mantendo-se firmes;
  2. Segundo a pesquisa realizada pela Nutmeg Saving Invrestment, a desistência da aplicação financeira no mercado desestabilizado é QUATRO vezes maior por parte dos homens, comparando com as mulheres.
  3. Aversão a risco e conservadorismo– estudos apontam que as mulheres são mais avessas ao risco e têm menos probabilidade de correr riscos do que os homens (Barsky, Joseph, Kimbal e Shapiro,1977).
  4. SONHAR. Isso mesmo. As mulheres costumam ter muitos sonhos e, nesse aspecto, o autor DOMINGOS em seu livro “Eu mereço ter dinheiro”, destaca o sonho como o principal elemento que motiva as pessoas a criarem as condições necessárias para realizarem aquilo que desejam.  Para ele, é fundamental começar registrando os sonhos pelo menos uma vez por ano e especificar os de curto, médio e longo prazo. Afirma que o sonho deve ser prioridade na nossa vida, pois é o que provoca a verdadeira mudança, que estimula as pessoas a mudarem o comportamento.

 

Como visto, muitos são os DESAFIOS para mudarmos esse cenário, mas não desistimos com facilidade, não é mesmo? She can!

Por fim, termino com Domingos,

Na vida financeira, no final das contas, tudo é muito simples! Se você despertar do automotismo, enxergar o que de fato merece, listar seus sonhos, efetuar o diagnóstico de suas despesas, fizer os cortes necessários, priorizar decisões, controlar o seu dinheiro e passar a poupá-lo, será com toda certeza, uma pessoa próspera.

 

Um abraço, e até a próxima!

samantha@experato.com.br

Grandes Investidores: Luiz Barsi Filho, um dos maiores investidores pessoa física do Brasil

21 de dezembro de 2019 às 17:09 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Luiz Barsi Filho – Biografia e vida pessoal

Luiz Barsi Filho é um dos investidores mais antigos da bolsa brasileiro que tornou-se mais conhecido nos últimos anos. Nasceu em 10 de março de 1939, em São Paulo. Há mais de 66 anos ele é investidor e merece ter sua história contada aqui. Filho de imigrantes que vieram da Espanha, morou no Brás em uma casa pequena. Seu pai faleceu quando ele tinha apenas um ano de idade e aos noves anos ele começou a trabalhar como engraxate. Já aos 14 anos ele começou a trabalhar em uma corretora, começando a comprar ações. Fez Faculdade de Direito e Economia, Escreveu sobre investimentos no Diário Popular, por 18 anos.

É conhecido como Warren Buffett Brasileiro, pois tem mais de R$ 2 bilhões em investimentos.

Modus operandi 

Não é segredo e fica evidente que a maioria de quem realmente ganha dinheiro com investimentos na bolsa de valores é investindo, é pensando no longo prazo e é estudando empresas boas, que geram lucro, têm um bom fluxo de caixa e não é diferente com Luiz Barsi Filho. Ele é seguidor da filosofia de value investing, e é o maior investidor pessoa física de nossa Bolsa.

Por eu trabalhar há mais de 15 anos no mercado financeiro, a gente conversa muito com investidores e pessoas que trabalham no mercado de investimentos e uma das coisas que poucos sabem e que comento em primeira mão, já que não vi nada a respeito na internet e em artigos que li, é que Luiz Barsi Filho por várias vezes comprava ações no mercado fracionário, e aí unia as ações tornando-as um lote e vendia os lotes cheios, comprando novamente no fracionário e repetindo isso o máximo que pudesse, realizando uma arbitragem, sem qualquer risco ao realizar esse procedimento. Conta-se que na época os preços do mercado fracionário eram menores e com isso, as ações poderiam ser unidas em lotes e vendidas por um valor acima do que foram compradas proporcionalmente. Não sei se isso é realmente verdade, mas trata-se de aproveitar uma grande oportunidade e mostra a inteligência de Luiz Barsi, aproveitando condições do mercado para fazer mais dinheiro. “Dinheiro, serve para fazer dinheiro”, é uma das frases que ele mais usa e que encaixa perfeitamente nesse caso.

Investindo em empresas com tradição

A carteira de Barsi possui 15 empresas, sendo o Banco do Brasil a Empresa que ele tem há mais de 32 anos. Ele defende que investir em empresas que estão há um bom tempo no mercado, aumenta a probabilidade de acertos. Banco do Brasil tem 200 anos. Klabin que é outra investida por ele tem 120 anos.

Fazem parte da carteira de Luiz Barsi: Vale, Banco do Brasil, AES Tiete, Cemig, Eletrobrás, Eletropaulo, Eternit, Klabin, Santander, Suzano, Taesa e Unipar.

Um dos erros de quem está começando é tentar copiar a carteira de grandes investidores. Em época de twitter e redes sociais, fica mais fácil encontrar a carteira desses investidores, porém isso não é correto, o mais apropriado é entender o motivo da escolha de determinadas ações e assim ir evoluindo, criando um próprio sendo crítico com o tempo e montando a sua própria carteira. Seguir os outros e seus investimentos, pode nos deixar cegos e a pessoa que seguimos pode estar caminhando para o precipício e você estar indo sem perceber, pois está apenas seguindo outra pessoa.

Estratégia resumida de investimentos 

  • Procurar ajuda de um especialista no início;
  • Estabelecer metas alcançáveis;
  • Traçar um objetivo de longo prazo;
  • Ter disciplina;
  • Ser consistente nos resultados, nos aportes, ter paciência e esperar;
  • Não postergar o começo do investimento, não “deixar para segunda-feira”;
  • Focar em dividendos e em empresas sólidas, lucrativas e com alto percentual de distribuição de lucros;
  • Reinvestir os ganhos, acelerando o poder dos juros compostos;
  • Comprar barato, diferenciando preço e valor;
  • Observar o mercado e ser paciente, pensando no longo prazo, SEMPRE!

 

Um grande abraço,
Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/12/21/luiz-barsi-filho-o-warren-buffett-brasileiro/

Grandes Investidores: Lírio Parisotto, empreendedor e um dos maiores investidores do Brasil

14 de dezembro de 2019 às 16:59 Por Postado em Blog do Eliseu

Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.

Lírio Parisotto – Biografia

O investidor do presente texto um dos maiores do Brasil. Sim, depois de escrever mais de 20 textos sobre os maiores investidores do mundo, onde eles residem em sua maioria nos Estados Unidos, começo a escrever sobre os maiores do Brasil, começando pelo conterrâneo gaúcho, Lírio Parisotto, de quem tive o prazer de assistir uma palestra em 2011 e que lembro de trechos até hoje. “Não compro coisas que voam!”, “Não gosto de empresas varejistas, você já viu uma varejista não quebrar no Brasil?” (isso bem antes do estrondoso case da Magazine Luiza rs).

Lírio Albino Parisotto é um investidor que nasceu no Rio Grande do Sul, em Nova Bassano, próximo a Caxias do Sul, na data de 18 de dezembro de 1953. Filho de pais agricultores, formou-se em medicina e é um grande investidor.

Vida Pessoal

Vindo de uma família de agricultores no interior gaúcho, aos 13 anos, Lírio Parisotto saiu de casa para estudar e inclusive chegou a ser seminarista, estudando para ser padre, sendo posteriormente expulso por mau comportamento, chegou a morar em Brasília por 5 anos. Prestou concurso para o Banco do Brasil, trabalhando cerca de 150 kms da sua cidade, Nova Bassano. Conta que queria uma transferência para uma Agência mais perto da sua casa, porém vendo que havia uma lista imensa de espera, acabou pedindo para sair do emprego em apenas 7 dias.

Posteriormente, voltou para sua cidade natal, onde trabalhou em um frigorífico da cidade e acabou tornando-se gerente. Com o primeiro salário comprou uma kombi, na qual usou como um ativo para levar pessoas. Era um leitor assíduo, começando a estudar sobre o mercado de ações. Ingressou na Faculdade de Medicina de Caxias do Sul em 1976. Acabou sendo demitido do Frigorífico por estar “descansando”, de tanto trabalhar. Trabalhou trazendo mercadorias de São Paulo principalmente videocassetes. Certo momento com dívidas a receber de clientes, um desses devia-lhe tanto que resolveu oferecer a loja para Lírio, como forma de pagamento. O nome dessa loja era a Videolar.

Com o tempo a Loja começou a fluir, faturando de US$ 500 a US$ 600 mil anuais, possibilitando-o investir no mercado de ações e viajar para os EUA, onde conheceu os gravadores de VHS, desconhecidos de muitos atualmente. Com essa experiência criou o primeiro videoclube da cidade de Caxias de Sul. Lá clientes poderiam assistir filmes de videocassetes, com poltronas, sofás, assim como fitas virgens como cópias das originais. A Loja era tocada pelo sócio, permitindo Lírio finalizar seu estudo na faculdade de medicina. Posteriormente, voltou a focar na sua Loja Videolar, sendo a que mais vendia tvs na Cidade de Caxias do Sul. Acabou por agregar valor na assistência técnica, aceitando produtos eletrônicos usados, gerando diferenciação. Depois de tanto sucesso, foi convidado pela Sony, por ser um dos que mais vendiam no Brasil fitas VHS Beta Max. Visitando a Sony em Tóquio, enquanto os outros faziam turismo, Lírio resolveu saber mais sobre a fabricação de fitas VHS.

Voltando ao Brasil, a Loja original passou a sofrer grande concorrência, decidindo mudar de ramo. Em 1986, ele já tinha cerca de US$ 500 mil na bolsa de valores e estava sofrendo uma queda de 40% naquele ano. Dois anos depois, acabou criando uma empresa própria de VHS e investiu US$ 4 milhões em uma fábrica de produção própria de fitas VHS.

Acabou crescendo rapidamente com a empresa gerando caixa e com isso investindo concomitantemente no mercado de ações, sendo influenciado no início da década de 90 no Livro Faça Fortuna com Ações, de Décio Bazin. Com a queda do mercado de ações, acabou investindo US$ 2 milhões.

Acabou abrindo uma fábrica na Zona Franca de Manaus, onde recebeu incentivos para produzir e passou a produzir até DVDs, possibilitando-o investir US$ 6 milhões no mercado de ações em 1998, na carteira que mantem até hoje, com cerca de 12-14 empresas. Em 2008 deixou o dia-a-dia da Empresa Videolar, passando para o conselho de administração da empresa. Passou a investir em Private Equity, comprando a RBS TV de Santa Catarina, vendendo-a algum tempo depois.

Estilo de investimentos

Foca em empresas pagadoras de dividendos focando no longo prazo. Em 2008, chegou a ter R$ 1,6 bilhões, porém sofreu uma queda de R$ 1 bilhão, recuperando tudo depois. Estima-se que tem uma carteira hoje próxima a R$ 5,2 bilhões, o que o coloca entre os mais ricos do Brasil.

O seu Fundo L. Par. teve o seguinte retorno nos últimos anos:

Em sua carteira gosta de investimentos em siderurgia, mineração, energia elétrica e bancos. Fazem parte da sua carteira de investimentos: Celesc, Banco do Brasil, Eletrobrás, CSN, Usiminas, Braskem, Vale, Light, Cielo, Eternit. Ele faz muito lançamento coberto de opções, procurando ganhar o prêmio e remunerar a sua carteira de investimentos. Por lançamento coberto, entende-se possuir ações de uma empresa e vender opções.

Entre seus principais pensamentos estão:

  • Não compre empresas que dão prejuízos
  • Importante prestar atenção na saída do investimento, liquidez é fundamental
  • Não compre nada que voa
  • Reinvista sempre seus dividendos e compre empresas que paguem altos dividendos
  • Não compre varejistas
  • Não entre em IPOs
  • Diversificação é interessante, porém não muito. Ele tem como regra, ter no máximo 14 empresas no Fundo.
  • Tenha senso crítico e não vá apenas pelo analistas e pelo preço-alvo

 

Um grande abraço,
Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/12/14/lirio-parisotto-empreendedor-e-um-dos-maiores-investidores-nacionais/