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Bolsa brasileira nos 125 mil pontos… Cara ou barata?

11 de janeiro de 2021 às 18:42 Por Postado em Central do Investidor

De maneira surpreendentemente cá estamos nós outra vez, no topo histórico em termos de cotação no nosso benchmark, o Ibovespa! Poucos esperariam esse patamar ser atingido tão rapidamente, mas o fato é que o mercado é assim, surpreendente e cabe a nós investidores, nos adaptarmos e aprendermos a cada ano, olhando para trás e melhorando aquilo que é possível. O ato de investir é uma das poucas atividades que têm tendência de evoluir e melhorar com o tempo.

Uma das lições que eu já tinha comentado em artigos anteriores e que corroborou com o movimento dessa Crise Covid, foi o fato de sempre permanecer no mercado com maior ou menor percentual, de acordo com o seu perfil de investidor, diversificando os investimentos para você ter “balas disponíveis” para serem usadas em momentos como os de março-abril de 2020.

Outro ponto importante foi a observação do fluxo do investidor estrangeiro. A recuperação forte do final do ano, vista no Ibovespa, foi sobretudo a entrada de capital estrangeiro que saiu basicamente de um fluxo negativo de – R$ 80 bilhões para um fluxo negativo de – R$ 17 bilhões, o que mesmo terminando pelo terceiro ano negativo, tivemos uma melhoria na entrada de capital estrangeiro na ordem de R$ 63 bilhões em apenas 3-4 meses do final do ano de 2020.

Essa entrada de capital por parte dos estrangeiros, nos ajuda a visualizar o Ibovespa em dólar que ainda está perto dos 23 mil pontos, muito abaixo dos 40 mil pontos em dólares, atingido em meados de 2010-2012, como podemos ver abaixo:

O que vem ajudando o Ibovespa recentemente é a alta das commodities, que assim como outros ativos reais após a impressão maciça de dólares por parte dos bancos centrais mundiais (e que deve continuar nos EUA, como o Governo Democrata de Joe Biden, que já deu sinais de mais incentivos na casa dos “trillhões de dólares” e “salário mínimo da ordem dos US$ 15 a hora”, contra os atuais US$8 a 10 a hora) trouxe uma valorização nas principais commodities em 2020, favorecendo as exportações brasileiras, principalmente do setor de proteínas, soja, milho, minério de ferro, petróleo (com a recuperação rápida dos US$ 50,00 do barril) e outros, como pode ser notado na tabela abaixo:

Já em reais o Ibovespa negocia perto dos 125 mil pontos e aproximadamente 16x lucros atuais, cujo patamar está acima em um desvio-padrão da média de 13,2x lucros anuais. Dada essa alta recente, cautela e um maior filtro quanto aos ativos escolhidos são necessários. Atuo há mais de 15 anos no mercado financeiro e é incrível como nesses momentos de alta extrema, de recordes na pontuação do Ibovespa é que os investidores ficam mais corajosos para realizar investimentos. Um filtro de setores e ativos são importantes para momentos como esses. Setores como saneamento, utilities, commodities, ainda estão descontados e trazem oportunidades.

Já o S&P500 também negocia em patameres recordes, sendo avaliado a patamares semelhantes a Bolha.com, dos anos 2000, como podemos ver abaixo:

Dois indicadores que servem como embasamento para termos ciência do nível de mercado é o Fear and Greed Index, da Cnn Business que está atualmente em 71 de um máximo em 12 meses atingido em 93 e o indicador Panic Euphoria Model, que está batendo o recorde de negociação dos anos 2000, como segue:

Outro indicador muito importante, é o chamado “Índice de Buffett”, que utiliza o valor de mercado de todas as bolsas mundiais e o PIB mundial, tudo aquilo que é produzido no mundo e esse indicador traz outro alerta: ele está 21% acima de udo o que está sendo produzido no mundo, estando em patamares pré-2008, ano da Crise do Subprime, o que também nos chama atenção como podemos ver abaixo:

Sendo assim, em dólares vemos o Ibovespa ainda muito barato, quase a metade do patamar de 2010-2012, porém em Reais um pouco acima do patamar histórico (nessa próxima temporada de resultados, poderemos ter uma definição melhor). Uma alternativa é a compra de BDRs, para aqueles investidores que é permitido essa modalidade de investimento.

Já nos EUA, vários indicadores estão muito acima do patamar médio e nos mostra cautela quanto aos ativos a serem investidos. Um exemplo recente é a Tesla, cujo valor de mercado atingiu os US$ 800 bilhões e tornou seu fundador e majoritário, Elon Musk, o homem mais rico do mundo. Movimentos assim devem nos trazer cautela e nos lembrar que sempre temos que ter parcimônia na escolha de ativos para se investir, principalmente em momentos como esse, que começam a demonstrar excessos em alguns setores, como o de tecnologia, por exemplo.

Sempre lembrando: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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- Investidor, empreendedor, Sócio da Experato Agente Autonomo de Investimentos; - Columbia University – Macroeconomic Risks – EUA; - Babson College – Programa Internacional para Desenvolvimento de Empreendedores, Executivos e Acionistas – Babson – EUA; - MASTER Governança Corporativa e Valuation – BI International – 2014; - MBA em Mercado de Capitais – Fundação Getúlio Vargas (FGV) – 2010; - Analista Profissional CNPI-T (Certificado Nacional de Profissionais de Investimentos – Analista Ténico – Anbima); - Certificado de Especialista de Ativos (CEA- Anbima-2013);