Análise de projetos de investimentos

Introdução

Em uma análise financeira para implementação de um projeto, são avaliados inicialmente, a existência de recursos próprios. Caso os recursos próprios não sejam suficientes, é necessário captação de recursos de terceiros, podendo ser de instituições financeiras que liberam crédito ou investidores interessados no projeto (ZEDEBSKI, 2020).

Conforme Macedo e Corbari (2014), para implementação de um projeto, inicialmente é preciso um estudo de viabilidade econômica e financeira que busca mensurar as necessidades dos prazos, custos, equipamentos, materiais e mão de obra especializada, além de uma análise de mercado para verificar a existência de oportunidade de investimento. Para facilitar a tomada de decisão, referente aos parâmetros a serem levantados, são separados em classes distintas, como aspectos estruturais, financeiro e pessoal, e posteriormente agrupados para verificação geral do projeto.

Conforme PMBOK (2013) (Project Management Body of Knowledge ou Guia do Conjunto de Conhecimento em Gerenciamento de Projetos) em um projeto é necessário desempenhar uma determinada ação com o intuito de buscar um resultado desejado, podendo ser a criação de um produto ou serviço. De acordo com Valeriano (2001) todo projeto tem uma fase inicial, um planejamento, uma execução, um controle e um encerramento.

Portanto, o estudo de viabilidade financeira é uma das etapas mais importantes e quanto mais detalhada for a análise, maiores serão as chances de se obter sucesso na execução do projeto, além de aumentar as chances de retorno para o investimento.

1.2 conceito de viabilidade financeira

A viabilidade financeira é uma métrica calculada com base em custos e receitas, permitindo analisar se determinado investimento terá o tempo e recursos necessários para execução do empreendimento ou projeto específico, verificando se é viável para seus investidores. Além de fornecer dados concretos sobre a projeção do retorno financeiro com base na injeção de capital e análise de mercado.

1.3 Análise de mercado

Conforme Macedo (2014), o estudo de mercado disponibiliza informações que moldarão o projeto, bem como, quantidade demandada, preço de venda e canais de distribuição. Essas informações tornam a análise de mercado um dos primeiros estudos a serem realizados em um projeto. 

Do mesmo modo, Brito (2011), enfatiza que o estudo de mercado busca responder as seguintes perguntas:

  • O que produzir?
  • Quanto produzir?
  • Para quem produzir?
  • A que preço?
  • Quais os possíveis problemas de vendas? 
  • Qual segmento será abrangido? 
  • Quem são os concorrentes?
  • Como o governo poderá interferir?
  • Visão do mercado de hoje?
  • Visão futura para o mercado?

E para responder essas perguntas, o estudo de mercado divide-se em alguns subgrupos: identificação de demanda e oferta, projeções da demanda e da oferta, programa de produção e regime de mercado.

Conforme Brito (2011), é crucial o levantamento e identificação de demanda e oferta, e muitas vezes são elaborados por pesquisas estatísticas. Existem alguns casos de mercado que nem sempre haverá estatísticas já mensuradas, sendo necessário pesquisas exaustivas ou amostragens estatísticas. Quanto mais informações forem obtidas através da coleta de dados, melhor será a identificação da demanda e da oferta.

Bem como, para projeção de demanda são considerados diversos cenários econômicos, como, renda per capita da região, hábitos de consumo, políticas regionais, além da previsão para o crescimento econômico. Além disso, no programa de produção, verifica-se à proporção que o projeto terá no mercado. Por fim, no regime de mercado, será verificada a concorrência no setor do projeto e se o Estado tem alguma posição quanto ao projeto em questão (BRITO, 2011).

1.4 Análise de Projeto

1.4.1 Conceito de projeto

Um projeto é um empenho provisório realizado para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. A natureza momentânea dos projetos indica que eles têm um início e um término definidos. O término é atingido quando os objetivos do projeto são alcançados ou quando o projeto é encerrado porque alguns dos propósitos não poderão ser obtidos, ou quando a demanda deixar de existir. Um projeto também poderá ser interrompido se os stakeholders desejarem encerrá-lo. O encerramento do projeto pelas partes interessadas, pode ser tanto de curta duração como definitivamente (PMBOK, 2013).

1.4.2 Ciclo de vida do projeto

Segundo Valeriano (2001), o gerenciamento do projeto é a utilização do conhecimento, capacidades técnicas e ferramentas para atingir os objetivos definidos. Podendo ser separado em etapas da seguinte maneira: Iniciação, planejamento, execução, controle e encerramento.

A fase de iniciação, é por onde começa o projeto, observando os interesses e motivados por uma demanda, necessidade ou oportunidade que fora identificada pelos indivíduos que empreenderão o projeto. 

Na fase de planejamento, com as informações coletadas na fase de iniciação, será empreendido o escopo do projeto, elencando informações de como realizar o projeto, previsão de custos, prazos, recursos necessários e possíveis riscos. 

Na terceira fase, de execução, coloca-se em ação o planejamento realizado de acordo com a qualidade, custos, prazos e interesse entre as partes envolvidas. 

Já a fase de controle, está diretamente ligada a fase de execução, pois, pode gerar ajustes em todo processo e até mesmo alterar algum planejamento inicial devido alguma mudança no cenário.

Por fim, na fase de encerramento, é onde são feitas as revisões do projeto para verificar se objetivo foi atingido, após concluído o objetivo, os esforços serão direcionados para a finalização dos contratos e encerramentos administrativos. 

Na Figura 12 detalha a interação entre as fases de um projeto. 

Figura 12: Fases de um projeto.

PMBOK (2013) tem uma visão parecida para um ciclo de vida genérico de projeto, conforme a Figura 13.

Figura 13: Níveis típicos de custo e pessoal em toda a estrutura genérica do ciclo de vida de um projeto.

Um projeto pode ser dividido em quantas fases forem necessárias para maior controle, gerenciamento e planejamento do empreendimento.  As fases de um projeto seguem de maneiras lógica conforme as entregas de atividades previstas, (PMBOK, 2013). A Figura 14 relata bem a sequência lógica das fases de um projeto:

Figura 14: Exemplo de ciclo de vida previsível.

Além disso, PMBOK (2013) enfatiza que dentro das fases de um projeto, estão incluídos alguns detalhamentos da estrutura do projeto de fundamental importância para execução dele, sendo eles: Escopo, tempo, custos, qualidade e riscos.

O escopo do projeto é a tarefa que deve ser realizada para entregar um serviço, produto ou resultado com as especificações solicitadas PMBOK (2013). Já o tempo do projeto refere-se aos prazos, que são as etapas das atividades executadas, controlados periodicamente através de cronogramas macro e cronogramas micro, na busca da obtenção de sucesso do projeto, e o custo do projeto, englobam tudo que vai ser gasto para execução do projeto, e é distribuído de acordo com as etapas do cronograma (VALERIANO, 2001). 

A qualidade do projeto visa satisfazer as necessidades para as quais o empreendimento foi implementado, buscando garantir que os requisitos do projeto sejam cumpridos, já os riscos de um projeto são as incertezas que podem ocorrer ao longo de todas as etapas do empreendimento, podendo ser efeitos positivos ou negativos PMBOK (2013).

Seguindo essas etapas mencionadas pelo PMBOK (2013), um projeto também precisa de harmonia entre as partes interessadas para um melhor alinhamento dos objetivos. Sendo essas partes interessadas: os patrocinadores, clientes e usuários, vendedores, parceiros de negócio, grupos organizacionais e gerentes funcionais.

1.5 Análise Financeira

A análise financeira trata da possibilidade de capital, verificando se o projeto será executado com recursos próprios ou será necessário captação de recursos de terceiros, além de poder contar com as duas possibilidades ao mesmo tempo, recurso próprio e recursos de terceiros (MACEDO, 2014).

Para Guedes (2020), a questão financeira envolve a importância de conhecer a origem dos recursos (investidores, empresas, credores), estando atento à escassez de capital, pois, nenhum projeto tem recursos infinitos. Devido a essa escassez de capital, Guedes enfatiza a importância no controle orçamentário, tanto de materiais quanto de capital humano.

Do mesmo modo, Rêgo et al. (2013) ressalta que em um planejamento financeiro de um projeto, é analisado o capital disponível, caso não seja suficiente, será necessário captar recursos de terceiros, para conclusão do projeto. Além disso são realizadas simulações em diversos cenários econômicos, utilizando projeções para inflação, crescimento econômico e taxas de juros, com a finalidade de verificar os possíveis impactos dessas variáveis ao longo de todo o projeto, com isso espera-se evitar alguns imprevistos e diminuir o risco do empreendimento, pois, um projeto pode se tornar atrativo em um determinado cenário econômico e inviável em outros, por exemplo, com uma taxa de juros baixa, é mais barata a captação de recursos de terceiros, com uma elevação da taxa de juros, o custo será mais elevado, tornando as margens menores, deixando um projeto menos atrativo.

De acordo com Macedo (2014), para analisar um investimento, os investidores se norteiam pelo fluxo de caixa e o custo de oportunidade. O fluxo de caixa refere-se a entrada e saída de caixa em determinado período. Já o custo de oportunidade, trata-se do custo que o dinheiro tem no tempo, de acordo com o prazo planejado para o projeto. Para mensurar esse custo, é levado em consideração uma aplicação livre de risco, como seria o caso de uma aplicação financeira atrelada cem por cento ao CDI. Essas aplicações podem ser encontradas em títulos de emissão bancária como CDB, LCA, e emissão pública, como Tesouro Selic.

Nesse sentido, Macedo (2014) acredita que os métodos mais utilizados para análise financeira, levando em consideração o fluxo de caixa, são: Payback simples, Payback descontado, Taxa Interna de Retorno (TIR), Valor Presente Líquido (VPL).

Considerações Finais

O estudo da viabilidade financeira de um projeto é fundamental para qualquer empreendimento, sendo que quanto mais detalhado forem maiores serão as chances de sucesso, e caso identificado que não é viável, será economizado muito tempo e capital.

O intuito do artigo foi apresentar conceitos de muita relevância para qualquer investidor que pense em iniciar um projeto, ou mesmo aumentar o aporte em um empreendimento em execução. 

Nos próximos artigos, serão abordados os conceitos de indicadores financeiros, como: Fluxo de Caixa, Taxa mínima de Atratividade (TMA), Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback Simples e Payback Descontado e Índice de Lucratividade. Esses indicadores são muito utilizados por grandes players quando pensam em realizar um investimento, mesmo na bolsa de valores.

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