CRIPTOFÁCIL – O que é P2P?


P2P é a abreviação de peer-to-peer, ou par-a-par, denominações que se referem a uma arquitetura de redes de computadores onde cada um dos nodes(nós) ou participantes da rede atuam tanto como clientes como servidores, permitindo o compartilhamento de serviços e dados sem a necessidade de um servidor central.
O P2P no remete aos primórdios da Internet, quando ainda não existiam muitos servidores e os usuários se comunicavam mais entre si do que com sistemas monolíticos. Essa tecnologia é precursora do DNS[1] (o qual já deve ser familiar ao leitor, sempre que o navegador apresenta algum erro) e de aplicações que se tornaram populares nos anos 90, como o Napster e o eMule, ou os mais recentes BitTorrent e uTorrent, todos compartilhatores de arquivos P2P.
As criptomoedas são como filhas da Internet e utilizam esse mesmo princípio para realizar suas transações. Da mesma forma que um usuário pode utilizar um BitTorrent para compartilhar arquivos em uma rede descentralizada, um usuário pode enviar um Bitcoin para outro sem a intervenção de um servidor central. Essas transações ocorrem entre aplicações chamadas de wallets (carteiras).
Diferente do que se pode imaginar em um primeiro momento, os Bitcoins, ou o código que os representa, não habitam nenhum recipiente, arquivo ou memória específica. Os Bitcoins existem apenas nesse ledger (livro razão) distribuído conhecido como Blockchain.
O que wallets guardam não são os Bitcoins, mas as chaves públicas e as chaves privadas referentes às criptomoedas. As chaves públicas são endereços da Blockchain para onde se pode enviar criptomoedas, enquanto as chaves privadas são códigos específicos que servem para autorizar a movimentação de uma criptomoeda a partir de um determinado endereço ou chave pública. A primeira é um dado público, a segunda é um dado privado, o qual exige certa quantidade de precauções por parte do usuário para que não caia em mãos erradas. Neste ponto o leitor precisa ter em mente que toda essa liberdade tem um preço: o usuário é o único responsável pela guarda de suas chaves privadas e, caso as perca, não há a quem recorrer.
É preciso salientar que as transações em criptomoedas baseadas em Blockchain são P2P, enquanto ocorrem nesse ambiente. As transações realizadas com criptomoedas em mercados centralizados como exchanges ou bolsas de criptomoedas, não são P2P e ocorrem apenas no ledger daquela instituição financeira específica. Assim, as criptomoedas em custódia dessas instituições não se movem da wallet onde foram depositadas, a não ser que o usuário realize um saque.
Embora as exchanges tenham se popularizado e se tornado um importante meio de negociação de criptomoedas, fora delas os usuários realizam suas transações no modo para o qual as criptomoedas foram criadas, o P2P.
[1] Domain Name System – um sistema de gerenciamento de nomes hierárquico e distribuído para computadores, serviços ou qualquer recurso contectado à internet ou uma rede privada

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