Derivativos, como funcionam.

Por: Ana Larre

É importante saber o que são e como funcionam os derivativos quando queremos nos aprofundar no mercado financeiro e diversificar nossa carteira de investimentos.

Vamos entender um pouco mais sobre esse tipo de operação.

O que são derivativos

Derivativos são contratos que derivam a maior parte de seu valor de um ativo subjacente, taxa de referência ou índice. O ativo subjacente pode ser físico (café, ouro, etc.) ou financeiro (ações, taxas de juros, etc.), negociado no mercado à vista ou não (é possível construir um derivativo sobre outro derivativo). Os derivativos podem ser classificados em contratos:

  • A termo;
  • Contratos futuros;
  • Opções de compra e venda;
  • Operações de swaps;
  • Entre outros, cada qual com suas características.

O mercado de derivativos

Os derivativos, em geral, são negociados sob a forma de contratos padronizados, isto é, previamente especificados (quantidade, qualidade, prazo de liquidação e forma de cotação do ativo-objeto sobre os quais se efetuam as negociações), em mercados organizados, com o fim de proporcionar, aos agentes econômicos, oportunidades para a realização de operações que viabilizem a transferência de risco das flutuações de preços de ativos e de variáveis macroeconômicas.

As bolsas de valores e de mercadorias, enquanto local de encontro, real ou virtual, entre compradores e vendedores, reúnem em seu ambiente os agentes econômicos que buscam, através da operação chamada hedge, minimizar os riscos a que estão expostos em suas atividades econômicas e os agentes dispostos a assumir tais riscos em busca de ganhos, os chamados especuladores.

Quais as vantagens de utilizar derivativos financeiros

1 – Proteção

Como já falamos acima, é possível usar derivativos para se proteger das variações dos preços e também ter maior previsibilidade de receitas e pagamentos.

Hedge

  • O Hedge é como um seguro de preço.
  • Tem como objetivo proteger o valor de uma posição ativa (carteira de investimentos) ou de uma posição passiva (dívidas) contra possíveis variações futuras de um determinado ativo ou passivo.

Exemplo 1: Uma empresa com dívida em dólar, pode comprar contratos futuros desta moeda, se protegendo contra perdas que poderiam ser causadas por aumento na cotação da moeda.

Exemplo 2: Da mesma forma, um pecuarista pode assumir uma posição vendedora no mercado futuro, garantindo o preço de venda e se protegendo contra queda no preço da arroba do boi gordo.

  • Em outras palavras, hedge é a operação realizada no mercado derivativo que visa fixar antecipadamente o preço de uma mercadoria ou ativo financeiro de forma a neutralizar o impacto de mudanças no nível de preços.
  • O agente econômico que busca essa proteção no mercado derivativo é chamado “hedger”.

OBS: É importante ressaltar que, ao fazer o hedge para se precaver de uma variação de preços que lhe seja prejudicial, o agente econômico também está renunciando ao ganho extraordinário que poderia auferir, posteriormente, na eventualidade de a mudança nos preços no mercado ser favorável às suas pretensões.

2- Alavancagem e Especulação

Derivativos são ótimas opções para quem deseja obter um lucro. Você pode se basear em projeções e comprar ativos que acredita que irão se valorizar no futuro e vice-versa.

  • Se por um lado o produtor ou investidor se livrou do risco de preço da mercadoria ou do ativo financeiro realizando uma operação de hedge, por outro lado alguém assumiu esse risco – esse alguém é o chamado especulador.
  • Ele assume o risco da variação de preços da mercadoria ou ativo financeiro visando realizar lucro, mas arriscando-se, em contrapartida, a apurar prejuízo.

O especulador pode manter posições em aberto de um dia para o outro, por períodos mais ou menos longos, como pode, também, fazer uma aposta direcional de preços ao longo de um mesmo dia, realizando uma compra e uma venda não simultâneas para o mesmo vencimento, na mesma sessão de negociação, executando o chamado day-trade. Ao final daquele dia, seu resultado será a diferença apurada entre preço de venda e preço de compra.

3- Arbitragem

O arbitrador atua nos mercados realizando, concomitantemente, compra e venda no mercado à vista e nos mercados derivativos, ou ainda posicionando-se em vencimentos futuros diferentes, ou em opções de preços de exercício diferentes, sempre visando aproveitar o diferencial de preços, fazendo a arbitragem entre mercado à vista e derivativos, ou entre diferentes vencimentos futuros (também conhecida por operação de spread), ou, ainda, entre uma série de combinações entre duas ou mais opções do mesmo tipo, com preços de exercício diferentes (igualmente conhecida por spread).

Essas combinações visam reduzir riscos e, consequentemente, proporcionam ganhos menores.

As estratégias de spread partem do pressuposto de que mercados e contratos são afetados pelas mesmas circunstâncias econômicas. Em consequência, a expectativa é de que os preços das duas (ou mais) posições oscilem em sincronia. Se, por algum motivo, os preços estiverem desalinhados ou não se moverem em conjunto, poderá surgir uma oportunidade de lucro.

O mercado de derivativos apresenta riscos?

O mercado de derivativos é muito volátil, pois nele trabalhamos com projeções futuras, por isso,  acaba sendo um mercado de risco para quem não tem muito conhecimento em finanças, e é indicado para investidores experientes, que estão por dentro do cenário político e econômico.

Tipo de derivativos

Com alguns conceitos esclarecidos sobre derivativos, agora chegou a hora de você ver quais são os tipos mais comuns negociados na bolsa de valores.

Mercado a termo:

É aquele em que as partes assumem compromisso de compra e venda de quantidade e qualidade determinadas de um ativo dito real (mercadoria).

Exemplo: contratação de compra/venda de um lote padronizado de ouro para entrega em 30 dias.

As partes compradora e vendedora ficam vinculadas uma à outra até a liquidação do contrato, ou seja:

  1. O comprador do termo leva o contrato até o final do prazo contratado, paga pelo ativo objeto do contrato e quer recebê-lo;
  2. O vendedor quer levar o contrato até o final, quer entregar o ativo objeto e receber o correspondente pagamento.

O contrato a termo caracteriza-se por:

  • Ser muito detalhado.
  • Ter movimentação financeira somente na liquidação.

Suas desvantagens operacionais são:

  • Baixa liquidez.
  • Pouca transparência.
  • Risco de crédito.

Mercado Futuro:

O mercado futuro pode ser entendido como uma evolução do mercado a termo.

Nele, os participantes se comprometem a comprar ou vender certa quantidade de um ativo por um preço estipulado para a liquidação em data futura.

A definição é semelhante, tendo como principal diferença a liquidação de seus compromissos.

Enquanto no mercado a termo os desembolsos ocorrem somente no vencimento do contrato, no mercado futuro os compromissos são ajustados diariamente.

Todos os dias são verificadas as alterações de preços dos contratos para apuração das perdas de um lado e dos ganhos do outro, realizando-se a liquidação das diferenças do dia.

Além disso, os contratos futuros são negociados somente em bolsas.

O contrato futuro caracteriza-se por:

  • Padronização acentuada;
  • Elevada liquidez;
  • Negociação transparente em bolsa mediante pregão;
  • Possibilidade de encerramento da posição com qualquer participante em qualquer momento, graças ao ajuste diário do valor dos contratos;
  • Utilização do mecanismo das margens depositadas em garantia e do ajuste diário para evitar a acumulação de perdas.

As desvantagens operacionais do mercado futuro são:

  • Exigir elevada movimentação financeira devido aos ajustes diários (instabilidade no fluxo de caixa);
  • Custo mais elevado do que os contratos a termo;
  • Necessita de depósito de garantias.

Opções:

No mercado de opções, negocia-se o direito de comprar ou de vender um bem por um preço fixo numa data futura. Quem adquirir o direito deve pagar um prêmio ao vendedor. Este prêmio não é o preço do bem, mas apenas um valor pago para ter a opção (possibilidade) de comprar ou vender o referido bem em uma data futura por um preço previamente acordado.

O objeto de negociação pode ser um ativo financeiro ou uma mercadoria, negociados em pregão, com ampla transparência.

  • O comprador da opção, também chamado titular, sempre terá o direito do exercício, mas não obrigação de exercê-lo.
  • O vendedor da opção, também chamado lançador, terá a obrigação de atender ao exercício caso o titular opte por exercer seu direito.

Preço de exercício: É o preço que o titular paga (ou recebe) pelo bem em caso de exercício da opção.

Prêmio: É o valor pago pelo titular (e recebido pelo lançador) para adquirir o direito de comprar ou vender o ativo pelo preço de exercício em data futura.

Assim como no mercado futuro, é possível uma contraparte transferir a um terceiro o seu compromisso, desde que execute a operação inversa àquela que originou a posição inicial; quem comprou, vende a mesma opção; ou quem vendeu originalmente, compra uma opção para a mesma série e vencimento, o que dispensa a necessidade das contrapartes originais permanecerem atreladas até a data de vencimento da obrigação.

OBS: É importante destacar que, no mercado de opções, o titular pode perder no máximo o prêmio pago, enquanto para o lançador de uma opção os riscos são ilimitados.

Swaps:

Em termos gerais, os Swaps são acordos de troca de rendimentos gerados por dois ativos diferentes. Os tipos mais convencionais de swaps são acordos de troca de juros pagos por títulos diferentes ou títulos denominados em moedas diferentes. Já para B3, os contratos de swap são negociados em ambiente de balcão organizado, e são operações que realizam a troca de fluxo de caixa, tendo como base a comparação da rentabilidade entre dois indexadores. Dessa forma, o agente assume as duas posições – comprada em um indexador e vendida em outro.

  • O retorno do participante ocorre quando o indexador em que assumiu a posição comprada (vendida) for superior ao retorno da posição vendida (comprada).
  • As operações podem ter o seu valor inicial corrigido por diversos indexadores, entre eles: índices de inflação (IPCA e IGP-M) ou de ações (Ibovespa e IBrX); taxas de juro (CDI, pré-fixada, Selic e TJLP) ou de taxa de câmbio (dólar, euro e iene).

Quer saber ainda mais sobre derivativos? Assista o vídeo que está disponível no nosso canal do Youtube da Central do Investidor: Assista agora!

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