Entenda o que é Rating, grau de investimento e grau especulativo


 
Uma das maneiras mais comuns de uma empresa ou um governo conseguir mais recursos é através da emissão e venda de títulos no mercado financeiro. Ao vender um título, o emissor se compromete a devolver o valor do mesmo com juros após um determinado período. Por outro lado, o investidor compra o título na expectativa de obter um retorno financeiro dentro do prazo contratado. Para avaliar o investimento, naquele título pelas condições oferecidas (prazo e taxa de juros) o investidor verifica o rating, a classificação de risco, que é a nota dada para uma empresa, um país, um título ou até mesmo uma operação financeira e mede a possibilidade do emissor do título não quitar o mesmo dentro do prazo, pagando com atraso ou dando um “calote” na dívida.
O rating é utilizado pelo investidor para que o mesmo decida se vale a pena correr o risco de aquisição do título ou se os juros oferecidos são atraentes, mesmo nos casos de possibilidade de atraso ou inadimplência do emissor. Quanto pior a avaliação, mais altas devem ser as taxas de juros para que os títulos se tornem atrativos. Na situação inversa, quanto melhor a avaliação, menores tendem a ser os juros oferecidos, no entanto, como o emissor dos títulos não tem um histórico que indique risco isto torna o investimento atrativo, especialmente a médio e longo prazo.
Esta avaliação é feita por agências de classificação de risco. As norte-americanas Moody’s e Standard & Poor’s e a francesa Fitch são as principais agências e controlam a maior parte do mercado global de classificação de risco, formando o chamado The Big Three (As Três Grandes). As agências são contratadas pelas empresas e governos interessados na classificação de seus títulos.
Cada agência possui uma escala própria de classificação, geralmente utilizando-se das letras A B, C e D, seguidas por números ou sinais matemáticos (+ ou -). Quanto maior a probabilidade de inadimplência ou moratória por parte do emissor do título, menor será a sua nota e pior a sua classificação. Na escala da Standard & Poor’s e da Fitch a maior nota é o AAA e a pior é o D. Já na Moody’s a melhor classificação é Aaa e a pior é C.
Na avaliação de um país são considerados fatores como o índice de reservas internacionais, solidez da economia, estabilidade política e distribuição de renda. Na avaliação de empresas são feitas análises de balanço e fluxo de caixa e projeções estatísticas. Também são avaliados fatores como ambiente externo, questões jurídicas e percepções gerais sobre o emissor da dívida.
A avaliação considera também as garantias e proteções contra riscos oferecidas pelo emissor bem como o fator tempo: quanto maior o período de duração do título, maior o período de imprevisibilidade. Por isso, uma empresa pode ter diferentes títulos com diferentes avaliações, em função das garantias e prazos ofertados, entre outros fatores.
O rating é dividido em dois grupos: o grau de investimento (investment grade) e o grau especulativo (speculative grade). As notas acima de BBB- ou Baa3 concedem o grau de investimento, enquanto as notas abaixo destas concedem um grau especulativo.
O grau de investimento é concedido a empresas ou governo que apresentam um baixíssimo risco de moratória e, portanto, são um porto seguro para o investidor. Já o grau especulativo oferece um risco maior de inadimplência ou moratória e por isso costumam oferecer taxas mais altas, como contrapartida ao risco.
Alguns fundos de investimento só podem realizar operações com empresas e países que tenham o grau de investimento. Por isso, obter esta classificação abre oportunidades de captar mais recursos e em melhores condições.
As agências de classificação de risco têm sofrido muitas críticas nos últimos anos. A primeira delas se refere ao fato de que as agências são pagas pelos próprios avaliados, que podem não autorizar a publicação das notas para o público. No entanto, a classificação pode ser revista e alterada para cima (upgrade) ou para baixo (downgrade). Outra crítica se refere a classificação como grau de investidor de títulos e empresas que vieram à falência em meio a denúncias de fraudes contábeis e fiscais como os casos da Enron (em 2001) e os títulos subprime (em 2007). Além disso, a concentração de mercado das Big Three é vista com desconfiança e criticada por autoridade monetárias em todo o mundo.
Para você, investidor, que busca as melhores opções, com os melhores ratings, ou prefere se arriscar em títulos com grau especulativo, procure um assessor de investimentos ou entre em contato com a Central de Investidor e receba informações atualizadas e orientações precisas para obter o melhor retorno para o seu investimento.

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