Fundos de Investimento de A a Z

Por: Lucas Eningh

Neste artigo vamos entender o que são os fundos de investimento de A a Z, aprendendo desde quais são os tipos de fundos existentes, quais estratégias existem e como investir e selecionar os mais de 27.000 fundos de investimento que existem atualmente no Brasil.

I – Os primeiros conceitos de fundos de investimento

Conceito de fundo de investimento

Para começarmos a entender, é importante primeiro entender o que realmente são fundos de investimento. Este tipo de ativo é constituído quando várias pessoas unem seu capital para investir utilizando uma terceira pessoa como gestora desses recursos, com tempo, conhecimento, expertise e capacidade de fazer esta gestão de forma que maioria das pessoas não teria a capacidade.

As pessoas que aportam neste tipo de ativo são desde um médico que faz plantões intermináveis até o investidor que quer sair da poupança, mas não tem muito conhecimento.

Divisão de fundo de investimento

Os fundos de investimento são divididos entre estes investidores participantes em partes menores conhecidas como cotas, que representam um pedaço daquele fundo. É a menor parte possível de um fundo de investimento.

Importância de entender os diferentes tipos de fundos de investimento

Após entendermos o que são realmente os fundos de investimento, precisamos entender quais objetivos queremos traçar com eles. Cada fundo segue uma estratégia para objetivos diferentes.

Nada adiantaria querer nos expor a ativos que estão atrelados à taxa de juros do Brasil, se colocarmos nosso capital em um fundo que investe em investimentos no exterior, correto? Por isso é importante vermos no que o fundo está investindo de cabo a rabo e entender como o gestor realiza esta estratégia. A seguir veremos mais destas características.

II – Fundos abertos e fechados

Agora que definimos o que é um fundo de investimento, devemos definir se o cotista terá a possibilidade de vender sua cota para um outro investidor ou se ele pode transformar a sua cota diretamente em dinheiro. Vamos ver a seguir:

Fundos de investimentos abertos: Quando compramos uma cota de um fundo de investimento aberto, realizamos a troca de um certo valor de dinheiro por uma cota deste fundo no passado, correto?

Um fundo aberto tem a possibilidade de fazer o reverso, transformando a cota em dinheiro novamente. Além desta possibilidade, temos também a de conseguir criar novas cotas para que novos cotistas entre no fundo.

Fundos de investimento fechados: Quando compramos uma cota de um fundo de investimento fechado já não estamos transformando dinheiro em cota, mas comprando está cota de outro investidor.

Quando o cotista necessita transformar aquela cota em dinheiro, ele é obrigado a vender esta cota para outro investidor não podendo transformar a cota em si em dinheiro, mas trocá-la por dinheiro com outra pessoa.

Isso pode causar problemas de liquidez caso não tenha um comprador já estipulado no momento da venda da cota.

III – Fundos restritos e exclusivos

Além da forma que podemos transformar a fração de patrimônio que compramos do fundo, também temos fundos determinados para causas específicas. Logo abaixo mostro as possibilidades:

Fundos de investimento restrito: Este tipo de fundos de investimento não vemos muito no mercado, pois ele é voltado para condições onde uma família, colaboradores de uma empresa ou grupos no geral queiram investir juntos.

São voltados para poucos cotistas (investidores) e conseguem ter ativos mais personalizados, mas com custos mais altos de administração e gestão do fundo.
Fundos de investimento exclusivos: Da mesma linha de ter escassez no mercado do fundo falado acima, este fundo é voltado para apenas um cotista e obrigatoriamente deve ser um investidor qualificado.

São as mesmas características de um fundo de investimento normal, mas voltado para apenas um cotista. Geralmente são compostos por pessoas que têm alta quantia de capital para investir.

O que é um investidor qualificado?

Investidor qualificado é a pessoa que possua R$1.000.000,00 e que esteja atestado por escrito esta quantia.

IV – Fundos de investimento de curto e longo prazo

Além dos tipos de fundos de investimentos exclusivos para pessoas específicas, podemos também definir em quais prazos estes fundos irão trabalhar. Existem dois tipos e explico melhor nos tópicos abaixo:

Fundos de investimento de curto prazo: Estes fundos são do tipo que investem em títulos de curto prazo. Podemos retirar desta conta fundos que são atrelados a ações, inflação, multimercados e que investem em outras cotas de fundos, pois possuem altos prazos atrelados e necessidade de mais tempo para “amadurecer”.

Podemos adicionar fundos que investem em títulos atrelados a taxa de juros, que possuem alta velocidade de fazer esta troca de cota para dinheiro. Estes fundos de investimento de curto prazo têm títulos de prazo na média de 60 dias e no máximo de 375 dias.

Fundos de investimento de longo prazo: Estes fundos de investimento são do tipo que investem em títulos de longo prazo. Estes investimentos geralmente são atrelados à inflação, ações, multimercado e que investem em cotas de outros fundos; além de possuir títulos que estejam atrelados a taxa de juros também.

Ao contrário do fundo de investimento de curto prazo, este fundo pode investir em títulos superiores a 375 dias de vencimento.

V – Fundos de investimento ativos e passivos

Quando um fundo de investimento é constituído, ele necessita ter um benchmark, que seria o principal “norte” para qual o fundo deverá seguir, que pode ser desde a inflação até a variação do índice Ibovespa da bolsa de valores do Brasil.

Abaixo vamos definir como estes benchmarks irão influenciar no fundo de investimento.

Fundos de investimento ativos: Os fundos de investimento ativos são fundos que tentam superar o benchmark estipulado. São fundos que servem para você que busca rentabilidades acima daquele benchmark em específico, mas que possuem mais risco.

Fundos de investimentos passivos: Os fundos de investimento passivos, também conhecidos como ETFs, são fundos que perseguem o benchmark escolhido, tentando replicar o mesmo por meio da carteira montada que consiga realizar isto.

São fundos para você que quer perseguir o benchmark, como, por exemplo: IPCA, CDI, IBOV e outros tantos índices.

VI – Fundos de investimento alavancados

Você já ouviu falar de empresas que tomam empréstimos para conseguir crescer? A lógica do que mencionei anteriormente vai muito em comum do que são os fundos de investimento alavancados. Em seguida vou explicar da melhor forma possível:

Definição e características dos fundos de investimento alavancados: Os fundos de investimento alavancados utilizam do capital próprio em conjunto com instrumentos que permitem conseguir dinheiro a prazo de modo a aumentar o seu patrimônio sem fazer novas emissões.

É uma ótima estratégia para alguém que busca uma maior rentabilidade, mas acompanhada de maior risco.

Geralmente utilizam de derivativos, que são, nada mais, nada menos, uma forma de comprar ou vender algum ativo no futuro por um valor já estabelecido agora. Este tipo de fundo é considerado para investidores mais arrojados ou que tenham mais experiência no mercado.

Riscos e benefícios dos fundos de investimento alavancados: Por este fundo operar alavancado (ou seja, com valor maior do que realmente tem de patrimônio), podem trazer altas rentabilidades, mas também altos prejuízos que podem ser catastróficos caso não tenha o cuidado com o capital do investidor pelo gestor.

Pode ser muito tentador olhar para as altas rentabilidades passadas que o fundo obteve, mas considero que você observe e veja se isto faz sentido para você e para o que você pensa sobre investimentos.

VII – Aplicações e finalidades dos diferentes tipos de fundos de investimento

Bom, agora que sabemos as principais informações que temos que observar nos fundos para começarmos a investir, precisamos entender melhor o que cada fundo pode nos oferecer de melhor em questões de produtos. Nos próximos parágrafos explico melhor para você:

Fundos de investimento para investidores individuais: Estes fundos de investimentos para investidores individuais são os fundos que encontramos nas nossas corretoras, justamente, são fundos para o público em geral e aberto para todos.

Até temos investidores institucionais neles (outros fundos, bancos, corretoras e seguradoras), mas no geral são para pessoas do dia a dia, como você.

Fundos de investimento para investidores institucionais: Geralmente estes fundos não são abertos a todos que querem investir, ficando para apenas investidores institucionais (outros fundos, bancos, corretoras e seguradoras), que utilizam deste fundo para suas estratégias e seus produtos no geral.

Estratégias específicas para cada tipo de fundo de investimento

Aqui veremos as estratégias que cada fundo pode utilizar para investir:

Fundo de investimento em ações

São fundos montados com, pelo menos, 67% em ações. É recomendado especialmente para aqueles que têm necessidade de se expor em ações, mas não sabem escolher as melhores para o seu objetivo. Este mesmo tipo de fundo pode ser dividido em outras subclasses:

Índice ativo: Fundo que tenta superar um índice específico voltado a ações, como o índice Ibovespa;
Dividendos: Fundo que investe em ações de empresas que são ótimas pagadoras de dividendos;
Small caps: Fundo que investe em ações de empresas com menor valor de mercado e tradicionalidade, mas maior capacidade de crescimento;
Setoriais: Fundo que investe em setores específicos de cada empresa, como, por exemplo: logística; bancos; saneamento básico e outros.

Fundo de investimento multimercado

Um fundo multimercado terá ativos diversos em questão de níveis de risco, fazendo uma grande “salada de frutas” entre renda fixa e renda variável. Neste tipo de fundo, o gestor não precisa cuidar em questão de concentração entre os ativos, pois possui mais liberdade quanto pode investir em determinado ativo.

Este tipo de fundo pode ser uma possibilidade para investidores que queiram sair dos fundos mais conservadores, pois investem um pouco em cada tipo de ativo. Abaixo explico um pouco mais para você como este fundo pode ser dividido, apesar de sua composição não ter necessariamente uma divisão exata:

Macro: Estratégia do fundo voltada a montar operações visando conseguir se posicionar bem no cenário macroeconômico atual;
Long and short: Estratégia voltada para fazer operações contrárias de compra e venda que tem correlação contrária (enquanto um sobe o outro desce);
Trading: Estratégia que envolve realizar operações de curto prazo com ativos;
Juros: Estratégia voltada para ganhar com a marcação a mercado, esperando curvas de juros baixarem para ganhar com taxas pré-fixadas;
Livre: Não possui uma estratégia em específico, somente ganhando dinheiro com o que aparecer mais atraente no momento.

Fundo de investimento em renda fixa

O fundo de investimento em renda fixa, obrigatoriamente, deve ter, pelo menos, 80% que seja realmente renda fixa, como a nossa famosa sopa de letrinhas: CDB, LCI, LCA, LF e entre outros.

O risco neste tipo de fundo está atrelado principalmente à variação da taxa de juros e do IPCA, que é a nossa inflação atual. Em momento de alta do juros ou de alta no nosso IPCA, a tendência é que este fundo performe melhor do que os outros do mercado. Abaixo você vai entender quais as principais estratégias destes fundos:

Fundos de renda fixa DI: Este fundo investe quase todo o seu patrimônio em títulos do Governo Federal, que, geralmente, são atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). São fundos com risco baixíssimo pelo credor ser o próprio Governo Federal, sendo muito populares entre os investidores;
Fundos de renda fixa de crédito privado: Este fundo investe quase todo o seu capital em títulos de empresas privadas, especificamente, deve ter mais de 50% do capital atrelado a este tipo de ativo. Estes fundos são mais arriscados que o de renda fixa DI, mas tendem a ter retornos maiores;
Fundos de debêntures incentivadas: Este fundo não se diferencia muito do fundo de crédito privado, mas a única diferença é que, em vez de ter debêntures normais, possui debêntures incentivadas. No caso destas debêntures incentivadas, elas são isentas de imposto de renda e são especificamente para a área de infraestrutura, logo, este fundo também é isento de imposto de renda.

Fundos de investimento especiais

Além dos fundos de investimento padrões que temos apresentados por aqui por estratégia, temos outros fundos que não se enquadram em um padrão. Vou mostrar para você logo abaixo quais são eles:

Fundo de investimento imobiliário (Fii): Este fundo investe somente em ativos voltados ao meio imobiliário. São fundos isentos de imposto de renda nos proventos, onde a maioria paga mensalmente, mas são tributados na valorização da cota em 20%. Abaixo mostro possibilidades de fundos de investimento imobiliário:

Fundo de tijolo: Fundo que investe em imóveis físicos. São subdivididos seguindo o objetivo de cada imóvel para o locatário, como: logística, renda urbana, shopping, hospital e muitos outros;
Fundo de papel: Fundo que investe em ativos de dívida do meio imobiliário, como CRIs, LCIs e outros. Por estes títulos serem atrelados a taxa de juros ou ao IPCA, tendem a valorizar quando tem subida de alguma das taxas;
Fundo de fundos: Fundo que investe em cotas de outros fundos. Serve para investidores que não tem experiência ou tempo para procurar os melhores fundos e resigna esta responsabilidade a um gestor;
Fundo de desenvolvimento: Fundo que investe somente em ativos imobiliários para a construção visando, no futuro, vendê-los ou alugá-los.
Fundo híbrido: Fundo que investe em um pouco do que cada fundo esclarecido logo acima investe. Podem investir em dívidas, imóveis, cotas de fundos, ações de empresas voltadas ao meio imobiliário e outros tantos ativos.

Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fi-agros)

O fundo criado por lei recentemente em 2021, é voltado para investir nos meios do agronegócio brasileiro. Para quem gostaria de participar das riquezas de pelo menos 25% do PIB brasileiro, é interessante se expor nestes ativos, que podem investir em muitos ativos, entre eles: imóveis rurais, crédito rural, cotas de fundos de outros Fiagros e tantos outros ativos.

Outro bom motivo são as isenções de imposto de renda sobre os proventos para pessoas físicas.

Fundo de Investimento em Cotas (FIC)

Exatamente o que você leu, um fundo que investe em cotas de outros fundos. É interessante ter este tipo de fundo quando não temos ideia ou tempo para conhecer um pouco mais do que cada fundo tem de melhor para oferecer.

Colocar isso nas mãos de uma pessoa qualificada pode melhorar a sua rentabilidade. Este fundo deve ter, obrigatoriamente, 95% do patrimônio em cotas de outros fundos de investimento.

Fundo de investimento cambiais

Os fundos de investimento cambiais trabalham investindo, pelo menos, 80% do patrimônio em moedas estrangeiras fortes – como o dólar e euro – visando a valorização destas moedas. São ótimos para caso você queira se expor a moedas fortes e proteger o seu capital de riscos que envolvem a nossa moeda: o real.

Fundos de Investimentos de A a Z

VIII – Considerações finais sobre Fundos de Investimento

Neste artigo fui junto com você analisar e entender como os fundos de investimento podem entrar na sua carteira para auxiliar na sua jornada como investidor. Vimos todas as possibilidades que os fundos de investimento podem ter, como: estratégias que eles utilizam; se é aberto ou fechado; o que é benchmark e como ele influencia na vida útil do fundo e muitos outros temas.

Ressalto novamente: o melhor fundo é o que se adequa às suas necessidades como investidor e o que melhor entende a sua missão. Escolha com sabedoria e entendimento do que está comprando no momento de ver os milhares de fundos que temos atualmente no mercado.

Outro ponto que considero que você faça: consultar alguém especializado que está o tempo todo de olho no mercado e atento às mudanças do mesmo. S

e você não consegue lidar com a falta de tempo, falta de conhecimento ou vontade de estudar mais sobre, procure um assessor de investimentos, com certeza ele terá algo para lhe agregar na sua jornada, levando-o como um braço direito para a sua vida como investidor.

De resto, espero que tenha gostado e entendido o que foi dito neste artigo. Boa sorte nos seus investimentos!

Lucas Eningh Grance Severo – Assessor A41633

 

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