Grandes Investidores: Jim Simons, retornos maiores que lendas como Buffett, Soros, Munger

Por: Eliseu Manica


Aqui quem vos escreve aqui é o Eliseu. Desde o início da minha jornada no mundo de investimentos procurei ler, estudar e buscar mais e mais conhecimento. Hoje, passados 15 anos, sigo aprendendo, mas posso garantir para vocês que o que mais me ajudou nessa caminhada, foi estudar o que os grandes mestres, os grandes nomes, grandes gestores de mercado fizeram e ensinaram. Por isso resolvi compartilhar com vocês aqui, o que aprendi, através dessa série “Grandes Investidores”. Espero que os ajude, assim como esses ensinamentos têm me ajudado a ser um investidor melhor.
Jim Simons – Biografia
O texto a seguir, tratará o maior gestor de fundos do mundo em termos de retornos e que teve um grande destaque recentemente com seu livro “The Man who Solved the Market”, escrito por Gregory Zuckerman. Comecei a ler recentemente. Esse investidor é o gestor de fundo quant (quantitativo) Medallion, da Renaissance Technologies, James “Jim” Simons.
James Harris Simons, nasceu em 25 de abril de 1938 em Massachusetts, é um matemático americano e acabou tornando-se bilionário após a fundação de seu fundo. Ele também se dedica a filantropia. Conseguiu um PhD em Berkeley, em 1962. Em 1964 trabalhou para o Governo Americano, com decodificação, ou seja, tentando quebrar códigos, usando criptografia e outros padrões.
Ele é conhecido por ser um investidor quantitativo e fundou em 1982 o Renaissance e o Medallion, um Fundo baseado em New York que teve um retorno de 66% antes de taxas e 39,9% após taxas, o que é o retorno mais alto historicamente, se comparado com outros gestores de hedge. Simons obteve esse retorno de 39,9% para os seus cotistas, mesmo cobrando uma taxa de administração de 5% e taxa de performance média de 44% ao ano, ao contrário da praxe, que é de 2% de taxa de administração e 20% de taxa de performance.
Ele é considerado como o maior investidor de Wall Street, devido aos seus altos retornos. Sua riqueza atual é de US$ 21,6 bilhões, o que coloca-o também, não apenas como um grande gestor em termos de performance, mas uma das pessoas mais ricas do mundo, sendo o vigésimo primeiro mais rico do mundo. O Fundo dele criou mais riqueza que a fortuna pessoal de Warren Buffett ou Bill Gates, de maneira individual. Chama atenção mesmo que possuindo o melhor retorno histórico entre os gestores, Jim Simons nunca teve aulas de finanças, não tinha interesse nos negócios (ele trabalhava para quebrar códigos criptografados na Guerra Fria) e contratou pessoas fora do meio de Wall Street para trabalhar no Fundo.
Gestora Renaissance e Fundo Medallion
Fundada em 1982, a Gestora Renaissance começou utilizando matemática pura para realizar trades, muitos deles automatizados através do uso de correlações, sem intervenção humana, usando modelos computacionais para antever mudanças de preços através da análise de dados. Uma dos fatos que me chamou a atenção, foi que a maioria de quem trabalha no Renaissance não é do mercado financeiro e sim matemáticos, físicos, astrônomos e estatísticos. Um terço de quem trabalha lá tem PhD, ou seja, são inteligentíssimos!
Simons por ser o gestor da Gestora, é um dos gestores que mais ganhou nos últimos anos… por exemplo, ano passado ele ganhou US$ 1,3 bilhão. Em anos anteriores como 2007, foram US$ 2,8 bilhões, US$ 1,7 bilhão em 2006, US$ 1,5 bilhão em 2005 (o maior ganho de gestores naquele ano) e US$ 670 milhões em 2004. Tudo isso como um prêmio de taxa de performance, por obter retorno acima da média.
Desde 1988, o principal Fundo da Renaissance,  o Medallion, teve retorno uma média de +71,8% ao ano e fez acima de US$ 150 bilhões de lucros nos mercados financeiros, sendo que nenhum gestor teve um retorno maior que ele nos mercados nesses 30 anos. Lembro que a taxa de administração do Fundo Medallion é de 5% e a taxa de performance é de 44% e como efeito de comparação, no Brasil e nos EUA, a taxa média de performance é de 20% e de administração 2%, o chamado 20-2.

Retornos anuais do Fundo Medallion até a crise, ano que ganhou 80%

A Black Box: como a Gestora opera o Fundo
Muitos perguntam-se como opera a Renaissance e até hoje não há uma certeza, apenas pistas que são retiradas de formulários enviados trimestralmente com as posições dos fundos. De modo geral, o Renaissance opera através de modelos quantitativos derivados de matemática e da estatística. O principal Fundo, o Medallion, foi criado em 1988 e usou modelos matemáticos de Leonard Baum que foram melhorados posteriormente pelo uso das álgebras de James Ax. O Fundo explora correlações entre vários ativos e teve esse nome pelos prêmios que ambos ganharam.
Jim Simons aposentou-se das atividades principais em 2009 e foi substituído por Peter Brown, um cientista computacional especializado em linguística que foi contratado em 1993 enquanto trabalhava na IBM.
Outro fato que chama atenção é que o Renaissance tem mais de US$ 110 bilhões sob administração, o que faz um dos maiores fundos do mundo e tem mais de 300 funcionários. Há mais de 3400 ativos diferentes na composição dos fundos.

Quase US$ 120bilhões em Assets Under Management

 
Fundos Quants
Hoje temos cerca de 17 fundos quantitativos no Brasil. Vários desses fundos utilizam-se de algoritmos e uma rapidez de milissegundos na emissão de ordens. No Brasil ainda não é permitido vender ordens de clientes, mas saiba que nos EUA isso já é feito. Corretoras com corretagens gratuitas ou abaixo da média do mercado vendem essas ordens de clientes para fundos e outros investidores institucionais, dando-lhes uma vantagem para operar pequenos spreads, sendo chamados de scalpers. Sendo assim, saiba que não há almoço grátis no caso de corretagens gratuitas ou abaixo da média, você está pagando de uma forma ou de outra. Ressalto que essas operações de corretoras e venda de ordens acontece nos EUA e no Brasil não tenho ciência desse fato, apenas sei que não é permitido por lei e como nossa regulamentação financeira é muito eficiente, sendo modelo para os EUA inclusive, acredito que isso não ocorra.
Fundos Quant além de ordens instantâneas, procuram abordar correlações e antever movimentos, “linkando” com volumes de negociações e padrões que ocorreram no passado procurando repetir-se no futuro.
Do ponto de vista negativo já que comentei sobre o Fundo Renaissance, ocorreu em 2008-2009 a quebra do Long Term Capital (também um Fundo Quant), que também usava alavancagem, tinha 4 Prêmios Nobel como principais sócios e teve que ser salvo para não gerar um efeito em massa nos mercados financeiros mundiais. Bom ser citado, para lembrar-nos que sempre há mais de um lado na mesma moeda e que existem riscos altos, mesmo em Fundos Quants geridos por pessoas inteligentíssimas. O maior risco, ao meu ver, está no uso de alavancagem, ou seja, o uso de dívida para a compra de mais ativos, esperando em uma grande valorização. No caso do Renaissance isso vem dando certo por 30 anos, mas no caso do Long Term Capital, custou a vida do Fundo.
Enfim, nada tira o mérito de Jim Simons, que teve nos quase 30 anos de Fundo Medallion, retornos maiores que lendas como Warren Buffett, John Paul Tudor Jones, Soros, Munger, entre outros.
 
Um grande abraço,
Eliseu

FONTE: https://bugg.com.br/2019/11/30/jim-simons-retornos-maiores-que-lendas-como-buffett-soros-tudor-jones-munger/

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