IPO, a estreia das empresas na bolsa

Atualmente, existem mais de 400 empresas listadas na bolsa de valores brasileira, a B3. Todas têm algo em comum: elas tiveram sua estreia oficial na bolsa de valores, o IPO, que no bom português, significa “oferta pública inicial”.

É um momento que atrai grande atenção do mercado financeiro, já que nesta data, novas pessoas (físicas e jurídicas) farão parte do quadro societário da companhia, já que a partir da estreia, a empresa passa a ter seu capital aberto e consequentemente, suas ações passam a ser negociadas dentro da bolsa.

Mas afinal, como esse processo acontece? 

Quais são as principais mudanças ?

São estas respostas que o artigo de hoje vai responder, vamos embarcar no universo das etapas e conceitos importantes da inicialização de uma companhia aberta.

A empresa decidiu abrir seu capital

Este é o primeiro passo, a tomada de decisão, a qual nem sempre é a mais fácil. Quando se decide abrir o capital algumas mudanças irão acontecer, uma delas é de posição e visão dentro da sociedade, pois muitas coisas serão alteradas.

Podemos destacar de momento que a estrutura organizacional terá uma nova forma, as estratégias devem ser reavaliadas e transformadas, de acordo com a nova posição da instituição. Além disso, a transparência é um dos pontos cruciais nessa transição.

Segundo o Guia de IPO da B3 :

“é importante que os acionistas realizem uma avaliação criteriosa das vantagens e façam as devidas ponderações antes de realizar esse relevante passo da abertura de capital”.

 

Vantagens

A empresa que está listada na bolsa consegue gerar mais capital, recursos por meio das emissões dos seus papéis no pregão, sem ter a necessidade de desembolsar algum valor para pagar taxas. Com esse benefício, as companhias conseguem equilibrar a sua estrutura de capital.

Facilidade de aquisição ou fusão com outras companhias, ao tornar-se uma empresa de capital aberto, ela pode adquirir outras companhias com suas próprias ações e outra facilidade gerada pelo do referencial de avaliação do negócio, um indicador de valor que favorece ainda mais essas fusões.

Outra vantagem é a liquidez, já que os investidores estratégicos, sócios e empreendedores podem vender suas ações no mercado  viabilizando o desinvestimento de fundos de Private Equitiy e Venture Capital, segundo o Guia de IPO da B3.

Desvantagens:

Como falamos no início do texto, mudanças acontecem nesse processo. A partir do momento que a torna-se uma companhia de capital aberto a visibilidade da empresa toma outra proporção, o que traz a necessidade de uma transformação organizacional. A cultura muda, os controles internos mudam, exigindo total transparência, dados e informações devem ser divulgados e estes são esperados pela população e mídia.

 

Pontuando de forma básica seriam:

  • Divulgação de dados com a imprensa e exposição na mídia;
  • As decisões são tomadas de forma compartilhada companhia e acionistas;
  • Falta de controle no preço das ações, já que o valor é influenciado por fatores externos.

O que se precisa para abrir capital?

A Lei 6.404, de 15.12.76 (Lei das S.A.), define como Companhia Aberta como:

 “A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações, e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.”

A Lei exige que a companhia esteja registrada na CVM – Comissão de Valores Mobiliários para poder ser negociada na bolsa.

Resumindo as Exigências que a Lei 6.404 faz:

  • Registro no CVM;
  • Ser uma sociedade na forma de SA – Sociedade Anônima;
  • Possuir um Conselho Administrativo;
  • Designar um diretor de relações internacionais
  • Preparar informações trimestrais auditadas dos últimos 3 anos registrados no CVM;
  • Solicitar uma eventual adesão a algum segmento de listagem da bolsa.

Após, a empresa preencher todos esses requisitos exigidos pela legislação, a mesma estará apta para realizar a sua estreia na bolsa na captação de recursos por meio de uma oferta pública de suas ações.

As empresas que irão realizar o IPO, contratam profissionais do mercado financeiro, como assessores, bancos e até um painel jurídico para auxiliarem na elaboração e organização do lançamento.

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