Morning Call 14/03

Ações ligadas ao setor financeiro perdem US$ 465 bilhões em dois dias; CPI é destaque nos EUA

As ações asiáticas encerraram a terça-feira com perdas generalizadas, enquanto os futuros de ações em Wall Street operam levemente no terreno positivo, à medida que problemas revelados, desta vez no Credit Suisse, se somaram aos já enfrentados pelo setor bancário global.

As ações financeiras sofreram o impacto das perdas nos mercados de ações, cedendo US$ 465 bilhões em valor de mercado em apenas dois dias. Um indicador de ações asiáticas da MSCI caiu 2%, anulando ganhos para 2023.

O rendimento dos títulos do Tesouro de dois anos caiu 15 pontos-base, para 3,82%, após um avanço anterior de 22 pontos-base, com os investidores digerindo as notícias de que o Credit Suisse identificou inconsistências em seus controles internos sobre relatórios financeiros.

O banco afirmou que está adotando um novo plano para corrigir “inconsistências” em seus relatórios e controle nos últimos dois anos, após uma nova revisão de suas demonstrações financeiras motivada por preocupações levantadas pelos reguladores dos EUA na semana passada.

Para 2021 e 2022, “o controle interno do grupo sobre os relatórios financeiros não foi eficaz”, disse o Credit Suisse em seu relatório anual divulgado nesta terça-feira. “A administração também concluiu que nossos controles e procedimentos de divulgação não eram eficazes.” As inconsistências identificadas estão relacionadas à falha em projetar e manter avaliações de risco eficazes em suas demonstrações financeiras, disse o banco.

A reavaliação dos controles internos do banco ocorre paralelamente a uma “opinião adversa” emitida pela empresa de contabilidade PwC (Price Waterhouse) sobre a eficácia dos controles internos do grupo.

O Credit Suisse foi forçado a adiar a divulgação de seu relatório anual, previsto inicialmente para a semana passada, depois que a Comissão de Valores Mobiliários levantou questões sobre as demonstrações de fluxo de caixa de 2019 e 2020, discussões que o banco disse terem sido concluídas.

Economistas do Goldman Sachs, bem como gestores do maior fundo de títulos administrado ativamente do mundo, Pacific Investment Management, disseram que o Fed deveria dar uma pausa na taxa de juros após o colapso do SVB. Já os economistas da Nomura Holdings foram mais longe, dizendo que o Fed poderia cortar sua taxa-alvo na próxima semana.

Analistas do BlackRock Investment, no entanto, não esperam que o Fed interrompa sua campanha de aumento de juros por causa dos acontecimentos recentes. “Em vez disso, ao fortalecer o sistema bancário, o Fed pode focar a política monetária em reduzir a inflação para sua meta de 2%”, escreveram em nota.

Os investidores aguardam agora o relatório do índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA nesta terça-feira, em busca de pistas que possam desencadear mais mudanças nas apostas sobre o próximo movimento do Fed.

O S&P 500 fechou a segunda-feira em queda de 0,2%, depois de oscilar entre ganhos e perdas em meio a uma queda nas ações dos bancos, enquanto o Nasdaq fechou a sessão no terreno positivo. As consequências do colapso do SVB levaram o presidente Joe Biden a prometer uma regulamentação mais forte dos credores americanos, ao mesmo tempo em que tranquilizou os depositantes de que seu dinheiro está seguro.

O colapso do SVB também causou uma rápida reavaliação do risco de crédito. Os prêmios de rendimento sobre a dívida da empresa, que tinham tendência de queda durante grande parte deste ano, voltaram aos níveis vistos em novembro, de acordo com um índice da Bloomberg que inclui títulos com grau de investimento e os chamados “junk bonds”.

Por aqui, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse em evento da FNP (Frente Nacional de Prefeitos) que a reforma tributária do governo Lula não vai “tirar dinheiro de ninguém”. O evento ocorreu nesta segunda-feira (13).

“Sei da preocupação com a reforma tributária. Não é para tirar dinheiro de ninguém, mas para buscar a simplificação e a redução de custos e eficiência econômica. Podem ter certeza que a arrecadação vai crescer para municípios”, afirmou o vice.

Na saída do evento, Alckmin declarou a jornalistas que apoia a criação de um imposto único, nos moldes de um IVA (Imposto sobre o Valor Agregado).

Alckmin afirmou ainda que a ideia da reforma a ser proposta pelo governo é a neutralidade tributária. “Não é aumentar a carga nem diminuir. Não é tirar de um e dar para o outro”, declarou. “Quando você transfere da origem para o destino você também é mais justo”, concluiu.

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