Morning Call 30/01

Por: Filipe Teixeira

Mercado chinês retorna do feriado; Futuros em Wall Street operam no negativo em semana marcada por decisões de juros

As ações asiáticas abriram a semana de forma mista, com o retorno dos negócios na China, enquanto os futuros em Wall Street operam no negativo, com os investidores dividindo suas atenções entre as iminentes decisões sobre taxas de juros nos EUA e na Europa, a reabertura dos mercados na China continental e uma queda nos ativos do Grupo Adani, na Índia.

O índice Shanghai Shenzhen fechou em alta, porém distante de suas máximas intradiárias, ainda com chances de fechar o mês 20% acima de sua mínima em outubro, com os negócios sendo retomados após o feriado de Ano Novo Lunar.

A queda nas ações do Grupo Adani, na Índia, aumentou para US$ 66 bilhões após a denúncia de fraudes e irregularidades por parte da Hindenburg Research. A Adani Green Energy Ltd. e Adani Total Gas Ltd. caíram mais de 20% novamente.

Por outro lado, o mercado se mostra otimista em relação às apostas de que o Federal Reserve diminuirá o ritmo dos aumentos de juros na reunião desta quarta-feira. Os investidores ignoraram as perspectivas decepcionantes de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo para impulsionar o índice Nasdaq.

O ressurgimento do apetite pelo setor tecnológico deu ao Nasdaq 100 sua melhor semana desde novembro – com a Tesla Inc. e a controladora do Facebook Meta Platforms Inc. subindo pelo menos 3% na sexta-feira. O medidor também marcou seu quarto avanço semanal consecutivo, mesmo depois de uma previsão sombria da Intel, que ganhou eco também entre as gigantes Microsoft Corp. e Texas Instruments Inc.

Ainda assim, a perspectiva mais ampla para o Fed está mantendo a pressão de baixa sobre o dólar, o que ajudou os mercados asiáticos a superar os EUA neste início de ano. O afastamento da China de suas políticas Covid Zero também está impulsionando a região, com indicações na última semana de que as infecções não parecem ter saído do controle durante o feriado, enquanto as estatísticas de consumo apoiam as apostas na recuperação econômica.

Ao longo da semana, os bancos centrais devem dominar a agenda, começando na quarta-feira com o Fed, que deve reduzir para um aumento de 25 pontos-base nas taxas de juros em meio a sinais de arrefecimento da inflação.

Na sexta-feira, um relatório mostrou que as medidas de inflação preferidas do Fed diminuíram em dezembro para o ritmo anual mais lento em mais de um ano e os gastos caíram. Dados separados da Universidade de Michigan mostraram que as expectativas de inflação nos EUA continuaram a recuar no final de janeiro, ajudando a impulsionar o sentimento do consumidor.

O Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra devem aumentar em meio ponto percentual cada um quando tomarem decisões um dia após o Fed.

Enquanto isso, os fundos de hedge estão apostando que o excelente início deste ano para os títulos do Tesouro é bom demais para se manter no médio/longo prazo, construindo discretamente a maior aposta de baixa já registrada em futuros de títulos.

Uma medida agregada de posições não comerciais líquidas vendidas em todos os vencimentos dos títulos do Tesouro atingiu 2,4 milhões de contratos, de acordo com os dados mais recentes da Commodity Futures Trading Commission de 24 de janeiro.

Por aqui, Rogério Ceron, Secretário do Tesouro Nacional, afirmou não haver precedente na história, sobre o déficit das contas públicas acumulado nos quatro anos do governo Bolsonaro: maior do que 10% do Produto Interno Bruto (PIB).

Coube a Ceron divulgar o superávit das contas do governo em 2022, de R$ 54,1 bilhões, entregue pela equipe do ex-ministro Paulo Guedes – que comemorou os dados fiscais favoráveis do último ano de governo, especialmente a arrecadação depois das desonerações de impostos adotadas pelo governo no ano passado.

O secretário evitou polêmicas quando questionado se o superávit era artificial. “Esse debate não é completamente técnico e prefiro não responder”, disse, antes de afirmar que o déficit acumulado nos últimos anos, em decorrência, sobretudo, dos gastos da pandemia da covid-19, é um fato.

 

 

 

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