O Brasil e a greve dos caminhoneiros


Nesta semana o Brasil passou uma situação bastante complexa (mais uma vez). A nova política de preços da Petrobras, vigente desde julho de 2017, vem sendo bastante impactada pela oscilação do dólar e dos preços do petróleo, levando a empresa a fazer alterações periódicas dos preços, em alguns casos até diárias, o que fez com que os combustíveis subissem de preços drasticamente, fazendo com que chegasse numa situação insuportável, levando a um protesto em massa dos caminhoneiros, que fecharam estradas e rodovias, impedindo o transporte de mercadorias.
Por um lado, esta nova política de preços da Petrobras fez com que a empresa não sofresse mais com ingerências do governo, e ajustando sua condição financeira, o que fez com que suas ações saíssem de um patamar de R$11,59, atingindo a máxima em 52 semanas de R$27,60[1]. Para a empresa e para os acionistas, essa nova metodologia de precificação dos combustíveis foi bastante positiva, contudo, para a população, as ineficiências do Estado, aliadas a uma pesadíssima carga tributária fizeram com que os preços dos combustíveis fosse o estopim para protestos de insatisfação com a atual situação política e econômica brasileira. A imagem abaixo ilustra a oscilação dos preços dos combustíveis[2].

Nesta última semana, cidades ficaram sem combustíveis, inclusive para serviços básicos, como polícia, ambulâncias, transporte de equipamentos e suprimentos para hospitais, supermercados, farmácias, gerando até problemas no abastecimento de água em algumas cidades, haja vista a necessidade de produtos químicos para tratamento da água, mas que são transportados por caminhões. O país sentiu na pele os problemas do desabastecimento, mas o Governo sentiu na pele que esta situação atual não pode se manter. É necessário que as contas da ineficiência, da corrupção, das mordomias e de todos os problemas que existem no Brasil sejam ajustadas sem a população ter que pagar a conta. Esta é a maior causa desta paralisação. A carga tributária excessiva, a corrupção, as mordomias, que fazem com que tenhamos que pagar cada vez mais impostos para cobrir os déficits do Governo.
Se o país fosse uma empresa, buscaria sua sobrevivência através de ajustes, mudando pessoas, processos, revendo gastos, planejamentos. Para o Estado, sabe-se que é mais devagar este processo, mas a questão é, existe vontade política de cortar na própria carne as mordomias em prol do país? Mais uma vez, as eleições de 2018 ganham destaque e relevância, pois é através do voto que teremos a chance de mudar o país.
Para os mercados a questão é mais complexa, pois faz com que sejam exaltadas problemáticas das contas públicas, a necessidade de revisão do tamanho e influência do Estados, fragilidades jurídicas, além de trazer novas possibilidades de ingerência nas políticas da Petrobras, o que seria ainda mais problemático para uma das maiores empresas do Brasil, mas que possui um dos maiores endividamentos do mundo, que fechou o ano de 2017 com aproximadamente US$88 bilhões[3] (bilhões, isto mesmo). Parte do medo dos investidores com o futuro do Brasil já foram vistos nos mercados, com as ações da Petrobras tendo queda de quase 20% em apenas um dia, e uma desvalorização do Ibovespa de mais de 5%[4].
Em outubro teremos a chance de mudar o futuro do Brasil, escolhendo novos governantes que poderão fazer as reformas necessárias para colocar o país de volta nos trilhos. Pense bem em quem irá votar, quais as propostas, argumentos, postura, não só dos candidatos a presidente, mas também de governadores, deputados e senadores, afinal, um presidente isolado não possuirá governabilidade suficiente para promover as mudanças. No final das contas, estas mudanças afetam diretamente o seu bolso e o retorno dos seus investimentos. Quanto pior um governo, maiores os impostos, e mais instável ficará o mercado, gerando retornos abaixo do esperado, afetando sua poupança para o futuro. Mais uma vez, o poder de mudança está nas nossas mãos, e essa paralisação dos caminhoneiros foi uma forma de mostrar para os governantes a nossa insatisfação. Que venha outubro!
[1] Disponível em: <https://www.bloomberg.com/quote/PETR4:BZ>. Acessado em 26 de maio de 2018
[2] Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/noticia/petrobras-anuncia-reducao-do-preco-do-diesel-e-da-gasolina-a-partir-de-quarta.ghtml>. Acessado em 26 de maio de 2018
[3] Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/noticia/divida-da-petrobras-no-fim-de-2018-sera-25-vezes-maior-que-a-geracao-de-caixa-diz-parente.ghtml>. Acessado em 26 de maio de 2018
[4] Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/noticia/bovespa-25-05-2018.ghtml>. Acessado em 26 de maio de 2018.

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