Um balanço de 2020 e premissas para 2021 nos investimentos

Um balanço de 2020 e premissas para 2021 nos investimentos

Terminado mais um ano é momento de revermos o que deu certo, melhorarmos o que podemos aprimorar e realizarmos uma reflexão sobre o que passamos. Isso deve ser feito, principalmente, no setor de investimentos, que é a fonte de liberdade futura.

Nosso compromisso é ser transparente aqui, passando aquilo que realmente pensamos sobre o mercado financeiro. Há todo um movimento acontecendo de melhoria nos investimentos brasileiros, cada vez mais brasileiros estarão entrando no mercado financeiro.
Moro nos Estados Unidos atualmente e esse movimento já aconteceu por lá, no final dos anos 80 e tende a repetir-se no Brasil.

Em 2020 em um dos primeiros momentos da história de investimentos, tivemos investidores pessoa física ingressando fortemente na bolsa em um momento de queda extrema na cotação do preço dos ativos variáveis. Esse movimento foi transformacional porque, ao contrário de anos anteriores, em que ocorria uma queda brusca e o investidor pessoa-física saía do mercado financeiro, resgatando suas aplicações justo no melhor momento para aplicar, em 2020 o investidor pessoa-física ingressou e aumentou os recursos (de modo geral) no momento de crise.

Em recente pesquisa da B3, o número de investidores pessoa física saltou de 1 milhão para quase 3,2 milhões em novembro de 2020. Confira na imagem abaixo:

Isso tende a manter-se nos próximos anos pelo cenário favorável que temos de juros baixos (que segundo o FED tende a continuar até 2022-2023, caso não ocorra uma pressão inflacionária). Até mesmo no Brasil (cujos juros tendem aumentar neste ano e nos próximos, porém muito abaixo do histórico que já tivemos).
Atualmente estamos com menor assimetria de informações, temos mais bytes de informações que todas as estrelas somadas do universo e a cada dia os investidores procuram buscar mais conhecimentos sobre o mercado financeiro, assistindo lives, por exemplo e agregando conhecimento durante o tempo que obtiveram em casa por conta da pandemia. O único porém, é saber filtrar as informações úteis das pouco úteis (o que varia de pessoa para pessoa).

Em recentes pesquisas da B3, conseguimos obter o maior perfil de investidor brasileiro, ele é: masculino; não tem filhos; tem renda média de até R$ 5 mil por mês; a maior parte vive no Sudeste do país; tem em média 32 anos; e trabalha em tempo integral. Confira abaixo:

De acordo com as informações obtidas nas pesquisas, a maior fonte de aprendizado desses investidores é através de influenciadores-youtubers e internet, principalmente.

O número de investidores pessoa física tendem a continuar aumentando nos próximos anos. Países como a Colômbia tem cerca de 6% das pessoas física no mercado de ações, mesmo com todo o crescimento, o Brasil tem atualmente 1,5% da população. Nos próximos 5 anos, há a tendência de  crescimento de 300% no número de investidores. Isso é totalmente possível se compararmos os números da Colômbia, um País emergente como o Brasil.

Índice de Reabertura Econômica

Indicador de Reabertura Econômica vem demonstrando melhoria mês após mês, mesmo com as ameaças de uma nova onda ocorrendo na Europa e Estados Unidos. Esse indicador é muito importante para verificarmos como está indo a economia. Vários setores já estão acima do período pré-pandemia. Na construção civil faltam materiais. No voô que vim dos Estados Unidos no início em dezembro, a lotação era máxima, ao contrário de junho-20, quando viajei e havia 3 assentos para cada pessoa. Felizmente, os sinais de recuperação mostram-se cada vez mais resilientes..

No setor de malls, shopping centers, a mesma recuperação vem acontecendo, porém de maneira mais tímida, mas o fato é que há oportunidades ainda no setor, pela questão de estar ainda atrasado na recuperação, comparado com outros setores que já estão mais vigoroso.

2020 foi um ano de paciência e que trouxe ótimos retornos para o investidor paciente e que investiu no momento de maior queda

Olhando os retornos dos ativos no último ano, as commodities foram os ativos que mais andaram de maneira geral, provavelmente pela grande quantidade de dinheiro impresso no mundo todo e pela escassez que a prata e o ouro tem principalmente. Ativos ligados ao mercado americano também andaram bem. Abaixo conseguimos ver em azul forte, a queda máxima, em verde claro o retorno no ano e em verde escuro o retorno das mínimas. O investidor que conseguiu comprar perto das mínimas fez certamente um ótimo negócio. Por isso a importância de aportes, principalmente em momentos de maior stress e da paciência ao esperar esses aportes gerarem frutos.

Abaixo, seguem os retornos dos ativos no ano e em dólar. Apesar dos mercados emergentes (emerging markets) estarem entre uma das classes de ativos que mais subiu, o Brasil em dólar foi um dos que mais caiu, nossa moeda é uma das mais desvalorizadas e estamos em um dos menores pesos na história em termos de percentual de investimentos em uma “carteira global”.

Nos Estados Unidos é notório o peso do setor de tecnologia que subiu 41,2% no ano e que basicamente levou o S&P 500 nas costas. Mais adiante falaremos sobre esse setor.

Entre os maiores ganhadores na pandemia, estão as ações dos laboratórios farmacêutico Novavax e Moderna, com +745% e 433% respectivamente e ações da Tesla, que escrevi inclusive aqui anteriormente, comentando sobre o desequilíbrio do preço de mercado da Tesla, que vale mais que as 8 maiores empresas automotivas do mundo e vendia 27x menos, mesmo com o avanço da Porsche e outras empresas no setor de carros elétricos.

Já os maiores “perdedores” foram ações de empresas de turismo e cruzeiros, como a Carnival Corporation, empresas de energia e empresas aéreas.

No Brasil, assim como nos EUA, tivemos empresas de commodities e algumas disparidades de empresas negociando a altos múltiplos, o que cabe uma ressalva, assim como no caso de Tesla. Essa diferença entre preço e valor, tende a ser corrigido futuramente.
Agir com cautela com alguns ativos, ter pensamentos e estudos próprios e não ser um seguidor “às cegas” de investidores e criadores de conteúdo, é necessário.

Investimentos alternativos também subiram fortemente, no caso das moedas virtuais – Bitcoin e Ethereum, por exemplo – subiram muito, com o Bitcoin atingindo mais de US$ 34 mil recentemente. Há estudos que 1 a 2% de uma carteira em Bitcoin traz uma diversificação e um ganho de retorno x risco.

Convém lembrar que após altas fortes no Bitcoin são seguidas por fortes correções, como podemos ver abaixo. Sendo assim, todo cuidado é pouco ao ingressar agora nesses investimentos.

Alta dos ativos fruto também da mínima histórica de juros

Tesla, ativos brasileiros negociados a mais de 100x lucros e já gigantes, com baixa possibilidade de manutenção do crescimento porque já são grandes. Cada vez mais estamos vendo isso no mercado e aqui cabe uma ressalva.

Os múltiplos na “nova economia” estão altíssimos, até maiores que no período da “Bolha.com”.

Podemos ver abaixo, um comparativo com o período dos anos 2000, e mesmo assim os múltiplos atuais estão muito acima dos negociados naquela época. Filtrar empresas (mais do que nunca) é necessário, dados os níveis atuais de preços.

Uma das justificativas de profissionais de mercado é de que os juros mundiais, que estão nos menores patamares da história, fazendo com que as taxas de desconto ao avaliar ativos fiquem mais baixas e consequentemente, elevando o preço teórico desses ativos, além de que o custo de oportunidade ( a alternativa que tem o investidor para investir de maneira segura) tem menor atratividade, tornando melhor a tomada de risco pelo investidor nos investimentos, justificando em teoria os múltiplos elevados que estamos vendo no mercado.

2021 como tende a ser na visão das maiores instituições financeiras mundiais

Quanto a crescimento global, China tende a crescer mais que Eua, segundo a Invesco. O PIB (GDP) americano deve ter crescimento entre 4,7% a 6,4%, segundo o HSBC, Citi e Morgan Stanley. Também acreditam que a inflação estará controlada por 2-3 anos, segundo o BCA e segundo o Citi, a inflação terá previsão de ser 2,2% em 2021.

Quanto ao investimento em ações, o Citi acredita que o investimento em Valor deve ser privilegiado pelo rotation, já que ficaram descontadas e mercados emergentes tendem a ser favorecidos, segundo a Invesco e o Morgan Stanley.

Já sobre o dólar há o consenso de enfraquecimento do dólar, assim como consenso sobre as commodities, óleo e ouro principalmente. Mesmo quando há um consenso, devemos ter cautela.

Abaixo podemos ver um resumo dessas visões:

Sempre lembrando: faça sua própria avaliação, é importante sempre estudar e evoluir por conta própria, pois o que comentei acima não é uma indicação de negociação, apenas uma visão de alguns ativos.

Feliz 2021 e que você chegue cada vez mais perto da liberdade financeira (se ainda não tiver) e que aumente a sua liberdade caso ainda não tenha.

Fico por aqui!
Um grande abraço,
Eliseu Manica Júnior
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