Quem ganha e quem perde na Bolsa com o dólar em disparada

Após um período de relativa estabilidade, a moeda americana voltou a surpreender e afetou todo o mercado financeiro. O mercado acionário não poderia ficar de fora e sentiu o efeito da forte variação das últimas semanas.
Para quem investe na Bolsa o momento é de alerta, mas, ao mesmo tempo, também de oportunidades. É preciso ficar atento a movimentação do mercado porque sempre há quem ganha e quem perde, especialmente com o dólar em disparada.

Lei da Oferta e Procura
Quanto mais procurado um bem ou serviço, maior o seu preço e essa regrinha básica da Economia conhecida como Lei da Oferta e Procura aplica-se perfeitamente ao preço do dólar.
Quando investidores estrangeiros decidem investir no Brasil trocam seus dólares por reais, aumentando a procura pela moeda local e valorizando a mesma em detrimento da moeda norte-americana.
Se, ao contrário, decidem procurar outros locais para investir, trocam reais por dólares trazendo como consequência uma desvalorização da moeda brasileira e um aumento do preço da moeda dos EUA.
Variáveis como taxa de juros, crescimento, recessão, instabilidade e crises setoriais podem interferir no sobe-desce da moeda sendo que estas variáveis podem ser tanto da economia do Brasil quanto dos EUA, China, Europa, Japão ou outros países. Em tempos de economia globalizada, os investidores direcionam recursos considerando a perspectiva de ganhos x riscos.
O dólar dos Estados Unidos é a moeda com maior fluidez no mundo, ou seja, é a moeda com maior aceitação nas negociações internacionais, com maior facilidade de troca (por outras moedas) e que é utilizada para precificar commodities (produtos in natura como petróleo, minérios, madeira, carvão e produtos agrícola como soja, trigo, açúcar e café.)
Com a tecnologia que permite que as transações financeiras internacionais sejam realizadas quase instantaneamente, basta uma perspectiva de alterações significativas em cenários futuros para que tenhamos uma disparada do dólar como a que estamos observando nas últimas semanas.
Para compreendermos a recente dispara do dólar, precisamos analisar variáveis tanto no campo interno quanto no campo externo da economia.
No campo interno, as indefinições do cenário eleitoral (faltam cinco meses para as eleições gerais), a permanência de altas taxas de desemprego, inadimplência e endividamento das famílias trazem um cenário de incertezas e, por consequência, instabilidade.
Já no campo externo temos a economia dos EUA em situação oposta: com o consumo em alta e desemprego estável, há a expectativa de que o Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) aumente a taxa de juros básica do país – atualmente entre 1,5% e 1,75% – para segurar a inflação, que tem como meta 2% para o ano de 2018.
Como a economia norte-americana é maior e mais estável que a do Brasil, a perspectiva de um aumento da taxa de juros nos EUA faz com que investidores optem por vender reais e comprar dólar, exercendo assim uma pressão na cotação da moeda e fazendo com que a mesma tenha uma rápida valorização frente ao real.
Apesar de ter uma taxa de juros maior que a dos EUA, o Brasil é considerado um mercado emergente e, portanto, de alto risco. Some-se a isso as perspectivas de crescimento econômico na Europa e de aumento das taxas de juros no Japão e na China.
Por fim, temos as crescentes tensões entre Estados Unidos e Irã que trouxeram temores de alteração na produção de petróleo. Isso fez com que o preço desta commodity aumentasse e, por consequência, trouxe perspectiva de pressão inflacionária, que é mais um fato motivador para uma perspectiva de aumento da taxa de juros dos EUA.
Instabilidade e incertezas aqui somados com instabilidade e incertezas internacionais resultaram na disparada do dólar que assustou muita gente, principalmente investidores. No entanto, no mercado financeiro, em períodos de instabilidade sempre há quem ganha e quem perde na Bolsa com o dólar em disparada ou em outros investimentos de risco.
Enquanto isso, na Bolsa…
O mercado de ações é um investimento de risco, por isso buscar um assessor de investimentos é fundamental, já que ele administra o risco. Este “risco”, se deve a alta volatilidade da Bolsa de Valores, ou seja, há uma série de fatores que afetam o preço das ações das diversas empresas que compõem o índice Ibovespa e entre estes fatores está a cotação do dólar.
Quando investidores trocam dólares por reais para investir na Bovespa, fazem com que o preço da moeda americana caia e aumente o volume de investimento na Bolsa aumentando assim o índice Ibovespa.
Mas o contrário também pode acontecer, ou seja, investidores trocando reais por dólares, aumentando o preço desta moeda, reduzindo o Ibovespa e desvalorizando as ações.
Esta condição não é diretamente proporcional porque nem todo dinheiro investido no Brasil irá para o mercado acionário. Os investidores podem optar por fundos de renda fixa, títulos da dívida pública ou aquisições de empresas.
Como o Ibovespa é um índice que calcula o desempenho médio de um conjunto de ações negociadas diariamente na Bolsa, a valorização ou desvalorização de ações de um determinado setor da economia pode influenciar diretamente no resultado do índice.
Um exemplo são empresas privadas de ensino que tiveram grande valorização até o ano de 2017 por conta do aumento constante do número de aluno incentivados pelo FIES (o programa de financiamento estudantil do governo federal).
A disparada do dólar trará ganhos e perdas para os investidores. Do lado de quem ganha, estão os investidores em empresas de commodities. Como são exportadoras e se beneficiam com o dólar em alta, empresas como Petrobras, Vale e Suzano Papel e Celulose trazem ganhos significativos.
Do lado de que perde, estão as empresas de consumo, bancos e os shoppings, diretamente ligados ao varejo, e as que dependem de material importado como companhias aéreas. Os papéis de empresas como Azul, TAM e Magazine Luiza devem ser acompanhados com lupa.
Quem quer investir em ativos de risco como o dólar (ou outras moedas estrangeiras) ou na Bolsa deve ter sangue frio e se municiar de informações, monitorando o mercado ao longo do dia. Para projetar quem ganha e quem perde na Bolsa com o dólar em disparada ou em outras situações que afetem o mercado, o investidor deve ter informações relevantes e de fontes confiáveis para ficar do lado de quem ganha e proteger seu patrimônio.

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