Um modelo de negócios para a crise.

Quase duas novas franquias por hora são abertas no Brasil.

A procura por franquias de baixo investimento tende a aumentar em períodos de crise. “Historicamente, a busca por franquias aumenta em períodos de instabilidade econômica por se tratar de um modelo de negócio já testado. As redes também procuram diminuir o capital necessário para começar o negócio para se adequar ao cenário econômico, com modelos compactos de lojas, quiosques e carrinho, por exemplo”, segundo Claudio Tieghi, diretor de inteligência de mercado da ABF (Associação Brasileira de Franchising).


TENDÊNCIAS
Além disso, há as franquias que já nascem com a proposta de baixo custo, principalmente as de serviços. “Empresas de limpeza e conservação e de serviços digitais, que são uma tendência, não exigem ponto comercial, por isso, o investimento é mais baixo”, afirma Tieghi.

DESAFIOS NA GESTÃO
Por outro lado, o gasto médio dos clientes dessas redes também tende a ser menor, de acordo com o especialista, e o retorno do investimento pode demorar tanto quanto o de uma franquia convencional. “Esses negócios, em geral, exigem dedicação integral do franqueado. Por isso, é importante escolher um ramo com o qual tenha afinidade”, diz o especialista. É comum que o investidor, nesses casos, não tenha experiência anterior em gestão, por isso, é importante ficar atento aos treinamentos e ao suporte oferecido pela rede antes de assinar o contrato.

REDE
O trabalho em rede foi fundamental para o crescimento das franquias em 2015. É o que revela o balanço anual divulgado da mesma ABF. No ano passado, o faturamento das empresas associadas chegou a R$ 139,5 bilhões, alta de 8,3% em relação a 2014. Enquanto o desemprego atingiu quase 7% no País, de acordo com o IBGE, o franchising registrou aumento de 8,5% nas vagas de trabalho.

TICKET MÉDIO COMPATÍVEL
A ABF garante que o progresso foi garantido pelo “poder de negociação e know-how compartilhado para enfrentar a nova realidade do País”. “Essa estrutura permitiu que muitas redes não repassassem integralmente as pressões inflacionárias para o preço final de seus produtos e serviços”, explica Tieghi. “Além disso, as franquias, de forma geral, têm ticket médio compatível com o bolso do brasileiro”, afirma.

QUASE DUAS NOVAS FRANQUIAS POR HORA
Atualmente, mais de 3 mil marcas operam no Brasil pelo modelo de franchising. Em 2015, 131 empresas aderiram ao segmento – como Casa Bauducco, Cia. dos Livros e Di Pollini. No total, o setor possui 138 mil unidades – 4,7% delas concentradas no Rio Grande do Sul. Um balanço produzido pela consultoria Rizzo Franchise (que abrange todo o mercado, não só de associadas da ABF) apontou crescimento de 5,3% no setor e faturamento total de R$ 371 bilhões. Segundo o estudo, foram abertas 15.515 novas lojas em 2015 – média de 43 inaugurações por dia; mais de uma unidade por hora.

OS NÚMEROS DAS FRANQUIAS NO BRASIL
Ano – Faturamento(bi) – Unidades(u) – Novas Redes(nr)
2012 R$ 107,3bi – 104.543u – 2.426nr
2013 R$ 118,3bi – 114.409u – 2.703nr
2014 R$ 128,8bi – 125.641u – 2.942nr
2015 R$ 139,5bi – 138.343u – 3.073nr
2016 R$ 149,3bi – 150.793u – 3.226nr (*expectativa)

EMPREENDEDORISMO
O franchising pode ser a porta de entrada mais ampla pra quem gostaria de entrar no mundo do empreendedorismo. As franquias têm uma estrutura de gestão pronta para apoiar a nova empresa. Plano de negócios, percentuais de lucro e treinamentos constantes fazem com que o seu sucesso seja praticamente garantido. Outra vantagem é trabalhar com marcas já reconhecidas no mercado. Se o público já conhece a empresa, não há a necessidade de grandes investimentos em publicidade.

SONHO
Um dos caminhos para tornar seu sonho real é pesquisar se alguém já fez o que você gostaria de fazer, pois isso vai facilitar sua jornada. Investir em uma franquia significa justamente isso: alguém já desbravou o caminho e está disposto a dividir o mapa com você.

Adaptado de Cia do Sono (Cristiano Seibert), Jornal do Comércio (Leonardo Pujol) e UOL (Larissa Coldibeli).

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