Posts em abril de 2018 Central do Investidor

Como comprar e vender Café na Bolsa de Mercadorias e Futuros

19 de abril de 2018 às 16:59 Por Postado em Agrícolas, Blog do Felipe

Nos últimos artigos falamos sobre negociações de boi gordo, milho e soja no mercado futuro de commodities. Agora vamos saber mais sobre a negociação de café na Bolsa de Mercadorias e Futuros.

Graças ao ajuste diário e margem de garantia, podemos estar posicionados na compra, onde ganhamos dinheiro com a alta da cotação quanto na venda, onde ganhamos com a queda da cotação do ativo. Sempre lembrando que as negociações de café na Bolsa são operações somente financeiras para se “protegermos” das oscilações dos preços

O primeiro passo é abrir uma conta em uma corretora para que possa ter acesso ao home broker, onde o investidor fica interligado diretamente na Bolsa de Mercadorias e Futuros.

Na bolsa, cada ativo a ser negociado possui um código de negociação, além de ser negociados em contratos. No caso do café, o código de negociação é o ICF. O contrato de café foi desenvolvido com o objetivo de ser uma ferramenta para gestão de risco de oscilação de preço, sendo utilizadas pelos participantes do mercado, como o produtor, a indústria, tradings, dentre outros players do mercado.

 

O PRODUTO:

O café é uma das principais commodities do país devido ao fato do Brasil ser um dos maiores produtores de café do mundo, sendo um player importante para essa commodity. O contrato foi desenvolvido com o objetivo de ser uma ferramenta para a gestão de oscilação do preço, sendo utilizados pelos participantes do mercado, como: produtor, tradings, dentre outros.

OBJETO DE NEGOCIAÇÃO:

Café cru, em grão, de produção brasileira, coffea arábica, tipo 4-25, bebida dura ou melhor, para entrega no município de São Paulo – SP – Brasil

 

Código de Negociação: ICF

Tamanho do contrato: 1 contrato equivale a 100 sacas de café – 60kg

Cotação: Dólares por saca;

Lote padrão: 1 contrato;

Data de Vencimento: sexto dia útil anterior ao último dia útil do mês de vencimento;

Meses de vencimento: Março, maio, julho, setembro e dezembro;

Cálculo para ajuste diário: Cotação x 100 x Número de contratos x Dólar do dia

Horários de negociação: 09:00 hrs até 16:20 hrs – 17:05 até as 18:00 hrs (after Market)

 

RESUMO

Características:

– O preço do café é cotado por saca;

– Cada contrato futuro de café é composto por 100 sacas;

– Vencimentos nos meses de março (H), maio (K), julho (N), setembro (U), dezembro (Z);

Código do café é ICF + mês de vencimento + ano. Exemplo: ICFH18 (café com vencimento em Março de 2018).

 

Vantagens:

– Protege o produtor contra oscilações indesejadas de preço (hedge);

– Possibilita alavancagem de posição;

– Transparência de preço nas negociações de plataforma eletrônica;

– Tende a respeitar os pontos gráficos;

– Fundamentos relacionados ao dia a dia do ativo.

– Brasil é o maior produtor do mundo, estando os fundamentos mais próximos.

 

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A prisão de Lula, o cenário eleitoral, riscos políticos e seus investimentos

18 de abril de 2018 às 01:31 Por Postado em Blog do Renan

Nas últimas semanas o Brasil viveu mais um marco em sua história política com a prisão do ex-presidente Lula, o primeiro ex-presidente na história do Brasil a ser preso. Realmente um marco na recente luta contra a corrupção que tem havido no país. E agora, como serão as eleições? Quem poderá ser o próximo presidente? Será que Lula ficará preso? Como fica o cenário e riscos políticos para os investimentos?

Apesar de já ter sido condenado em segunda instância, ainda existe a possibilidade de em setembro, quando muda a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) e assume o Ministro Dias Toffoli, botar em pauta novamente questões relacionadas à prisão após condenação em segunda instância, havendo, então, possibilidade de Lula ser solto novamente. Por outro lado, existe também a possibilidade – remota, mas existe –  de o ex-presidente conseguir uma liminar para poder sair como candidato, o que poderia deixar o cenário eleitoral bastante conturbado. A princípio, Lula está inelegível pela Lei da Ficha Limpa, lei que foi sancionada por ele em 2010.

Num cenário sem o ex-presidente concorrendo, algumas pesquisas[1] já colocam Bolsonaro e Marina Silva como líderes de intenções de votos, com 17% e 15% respectivamente, enquanto candidatos mais de centro, como Geraldo Alckmin, aparecem com 9% de intenções de votos, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 15 de abril de 2018. Contudo, por mais que o povo brasileiro venha clamando por mudanças, aparentemente cansado de governos de esquerda, Bolsonaro desponta como um potencial candidato, com uma equipe econômica que possui um viés altamente liberal, liderada por Paulo Guedes, um dos quatro fundadores do Banco Pactual e hoje sócio majoritário do grupo BR Investimentos, parte da Bozano Investimentos, uma das maiores empresas de investimentos do Brasil.

O que preocupa, no entanto, é que Bolsonaro defende uma linha mais de participação do Estado, enquanto Guedes defende a privatização de diversas empresas estatais, liberalização econômica, comercial, dentre outros pontos, que chocam com alguns ideais do pré-candidato Bolsonaro, suscitando dúvidas sobre a real possibilidade de se colocarem em vigor tais políticas. Bolsonaro em um evento do BTG Pactual disse que “não sabia nada de economia”[2], contudo, o nome de Guedes soa bem ao mercado, mesmo tendo um bom volume de incerteza sobre a “harmonia” entre os dois.

Por outro lado, o cenário político ainda mostra bastante cautela. Os principais nomes de pré-candidatos, Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (REDE), Ciro Gomes (PDT), Joaquim Barbosa (PSB), Henrique Meirelles (MDB), Rodrigo Maia (DEM), dentre outros, são os candidatos com maior intenção de votos e que possuem uma certa propensão à ideais de esquerda, o que gera maior preocupação ao mercado, principalmente pela possibilidade de que reformas de extrema importância sejam postergadas ou até mesmo que não sejam feitas, tais como a reforma da previdência, algo vital para o Brasil conseguir ajustar as contas e criar condições de investimentos.

Neste sentido, o otimismo visto recentemente com a prisão de Lula, com o avanço da economia, e com a potencial mudança no cenário eleitoral, podem sofrer uma correção, principalmente por essa precificação das incertezas no cenário político. Não se sabe se algum dos candidatos poderá ser acusado de envolvimento em atividades de corrupção em algum momento, como por exemplo Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Fernando Collor. Essa incerteza sobre o próximo presidente, e a reconfiguração na Câmara e no Senado são fatores de preocupação.

Digamos que Bolsonaro vença as eleições. Como será a governabilidade para ele dentro do Congresso? Será que conseguirá maioria para aprovar as reformas e políticas liberais propostas por Paulo Guedes? Se Marina Silva ou Joaquim Barbosa, que tem recebido votos antes direcionados a Lula, vencem, como será a política econômica? Como serão conduzidas as reformas necessárias? Será que haverá condições de governar e executar aquilo que o Brasil realmente precisa?

São justamente estas questões que geram um grau de incerteza bastante grande ao cenário eleitoral que se aproxima, além do fato de uma possível guerra comercial entre EUA e China, o fim do Quantitative Easing na Europa e redução de injeções de liquidez no mercado japonês, trazem um novo “quê” de incertezas para o mercado, levando a crer numa possível correção de curto prazo, podendo levar o Ibovespa ao patamar de 64.000 pontos, ou até mesmo aos 57.000 pontos.

Apesar de Lula aparentemente estar fora da corrida eleitoral, o Brasil, infelizmente, possui um histórico de rever decisões passadas da justiça, o que pode ainda gerar novas surpresas nos próximos meses. Infelizmente, no Brasil, até o passado é incerto, quem dirá o futuro. Com todas as incertezas pairando sobre os possíveis cenários eleitorais, vale a pena ter um pouco de cautela nas carteiras de investimentos, trazendo um pouco de proteção para as posições, seja através de exposição a ativos relacionados ao dólar, seja através de operações estruturadas para proteger de eventuais solavancos no mercado. Neste momento, cautela nunca é demais.

[1] Disponível em: <http://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/7377180/datafolha-lula-perde-votos-apos-prisao-sem-petista-bolsonaro-marina>. Acessado em 15 de abril de 2018

[2] Disponível em: <https://oglobo.globo.com/brasil/a-investidores-financeiros-bolsonaro-diz-nao-entendo-nada-de-economia-22375242>. Acessado em 15 de abril de 2018

A possível guerra comercial entre EUA e China e como isso pode afetar o mercado brasileiro

17 de abril de 2018 às 17:43 Por Postado em Blog do Renan

Recentemente o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma série de taxações e impostos para diversos produtos importados pelos EUA, como por exemplo, impostos de 25% sobre a importação de aço e 10% sobre a importação de alumínio, o que levou a China, maior afetada pelas medidas, a retaliar com uma série de taxações de produtos americanos. No total, Trump já anunciou taxações que podem chegar à US$150 bilhões[1], o que poderia diminuir o volume do comércio global, reduzindo por consequência, o crescimento econômico mundial.

O aço brasileiro estava, num primeiro momento, incluso nas taxações extras impostas por Trump, mas através de negociações, o Brasil foi retirado da lista de países que sofreriam tais “sanções”, pelo menos até o final de abril[2], onde será necessário mais uma rodada de negociações entre os dois países para retirada dos impostos para os produtos brasileiros.

Esta medida de Trump é parte de uma promessa de campanha que tinha o slogan de “America First”, que visava não só proteger a economia americana, mas também trazer um maior equilíbrio às contas da balança comercial dos EUA, que possui um déficit bastante grande, como ilustra o gráfico abaixo. Somente em janeiro de 2018, o déficit comercial atingiu US$56,6 bilhões[3], o maior desde outubro de 2008, e que leva a um desequilíbrio das contas bastante grande. Apesar de ser uma medida protecionista por parte de Trump, a medida faz certo sentido, pois é necessário que os EUA de fato coloquem suas contas públicas em ordem. Para se ter uma noção, a dívida americana já ultrapassa os US$21 trilhões (isso mesmo, TRIlhões)[4], e não será fácil botar estas contas em dia sem atitudes, muitas vezes “amargas”, algo bastante similar com o que o Brasil vem tentado fazer, mas numa proporção consideravelmente menor.

EUA e China

Imagem 1: Importações (vermelho) e Exportações (azul) dos EUA Fonte: http://atlas.media.mit.edu/wh3brz

 

Para o mercado brasileiro, a principal preocupação é com as sobretaxas de produtos como o aço, uma das maiores pautas da exportação brasileira para os EUA, que já no anúncio de Trump, afetou as ações de siderúrgicas brasileiras. Contudo, neste cenário, existem algumas empresas, como Gerdau, que possuem operações nos EUA, o que eventualmente não a afetaria tanto como outras siderugicas brasileiras.

Por outro lado de forma mais ampla, o acirramento das sobretaxas em nível mundial, poderá gerar uma elevação dos custos de produtos e uma desaceleração no comércio internacional, freando o consumo global e consequentemente reduzindo o crescimento econômico global. Contudo, as chances de a “guerra comercial” de fato se concretizar são baixas, as sobretaxas ainda precisam de autorização no congresso dos EUA, não são um decreto presidencial, e ainda existem uma série de negociações que visam justamente encontrar um equilíbrio entre o comércio de ambos países. Apesar de Trump anunciar o “America First” (América em Primeiro Lugar, numa tradução livre), ainda existe um longo caminho de negociações e que podem evitar maiores solavancos na economia mundial. Por ora, gera incertezas, mas ainda nada concreto de uma guerra comercial, de fato.

 

[1] Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/noticia/entenda-a-guerra-comercial-entre-eua-e-china-e-como-ela-pode-afetar-a-economia-mundial.ghtml>. Acessado em 15 de abril de 2018.

[2] Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/04/entenda-como-acoes-de-eua-e-china-movem-o-mundo-em-direcao-a-uma-guerra-comercial.shtml>. Acessado em 15 de abril de 2018

[3] Disponível em: <https://istoe.com.br/deficit-comercial-dos-eua-atinge-em-janeiro-maior-nivel-em-mais-de-9-anos/>. Acessado em 15 de abril de 2018

[4] Disponível em: <http://www.usdebtclock.org/>. Acessado em 15 de abril de 2018